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quarta-feira, 31 de agosto de 2011

CAMILA VALLEJO NO BRASIL. EXPORTANDO A FARSA DA REVOLUÇÃO CHILENA OU APRENDENDO MARACUTAIAS?

A revolucionária chilena (ela deve adorar quando é chamada assim) Camila Vallejo


Repetindo de outra forma: A bela e charmosa revolucionária chilena, Camila Vallejo, líder universitária de 22 anos que faz parte do comando estudantil que paralisa o Chile há três meses por meio de protestos, greves, marchas e invasões de  escolas e universidades veio ao Brasil esta semana. 


O que faria a bela por aqui se a sua agenda anda tão cheia de diversão lá em seu próprio país?


Segundo consta, veio encontrar-se com a gerontocracia da UNE, aqueles líderes experientes e idosos que dirigem a entidade brasileira (dirigente bom por aqui é dirigente na última fase da adolescência, segundo os sociólogos de hoje, por volta dos 30 anos!).


Pois é, a UNE e outras representações que, no tempo da ditadura militar eram, ou pareciam ser de oposição à ordem, hoje são mais situação que qualquer situacionista. 


E todos aprenderam rapidamente a abrir as torneirinhas do cofres públicos. Hoje parecem mais ortodoxos do que rótulos de Maizena, diria o analisa de Bagé. Claro, como fazer política sem financiamento com o dinheiro do próprio povo, não é? Pelo povo, para o povo...

Entidade que não conhece o caminho das pedras que conduz ao Tesouro é uma porcaria. Nisto tornaram-se especialistas.


É certo que se afastaram dos estudantes, mas com certeza se aproximaram do governo. Ó tempos...


Pois é, nestes tempos é que merecemos a visita da garota maravilha do Chile, a Vallejo, com seus lindos olhos azuis acinzentados. 


Como ela sabe mesmo que é bonita, charmosa e que sua imagem é sedutora, já aprendeu todos os meios e técnicas de posar para fotografias e câmaras de TV e atrair todas as atenções. Tudo pela causa! 


A moça é realmente fotogênica. deve treinar bastante suas expressões diante do espelho. 


Alguém mais na História treinava muito, mas muito mesmo, diante de um espelho e de um fotógrafo contratado só para isso.


Ele falava alemão. perseguia judeus, e usava um bigodinho estranho.


Às vezes aparece de olhões arregalados, como se estivesse descobrindo agora as injustiças do sistema educacional chileno, conduzido por 20 anos pelos esquerdistas, que estavam no poder desde o distante tempo de Pinochet.


Camila Vallejo tem 22 aninhos. Quando ela tinha dois anos de idade a esquerda assumiu o poder e ali ficou até que Sebastián Piñera ganhou as eleições, em 2010. Vinte anos no poder, e a constituição sempre serviu direitinho a eles. E o sistema educacional também. Bastou perderem as eleições... perderam as eleições e já querem transformar o Chile num verdadeiro inferno.


Pois não é que agora, aquela que passou a vida toda (20 anos!) dentro do regime do governo socialista de La Concertatión descobre que o mesmo sistema educacional que serviu ao Chile socialista por vinte anos não serve mais sob o governo Piñera


Hipócritas!

Então Camila fecha os olhinhos, franze o cenho, como se pensasse algo profundo e definitivo ou olhasse para o futuro do país com grande preocupação. 

Ela deve imaginar um futuro socialista, cheio de chavões de Chile feliz, como fazem por aqui os esquerdistas locais que falam de sistema felizes, cidades felizes, países felizes, como se tais entidades, coisas ou estruturas pudessem ser felizes por si mesmas, independente da pessoas.


Enquanto isso os estudantes estão sem aulas, já morreu um estudantes, conflitos destróem propriedades, tumultua-se a ordem, prejudica-se a economia, por um futuro melhor...


Vocês, leitores, saibam que para os socialistas importam apenas as estruturas e os grandes esquemas abstratos

Pessoas, gente de carne e osso, isto é, aquilo que é chamado de indivíduo pouco importa. São peças que podem ser intercambiadas. Trocadas. Usadas. Jogadas fora. Para os fascistas de esquerda e para os fascistas de direita (socialistas e nacional socialistas) pessoas não valem nada. Só coletivos. Os totalitários sem entendem perfeitamente.


Pois bem, na sua visita ao Brasil ainda não consegui captar se o charme de Vallejo veio exportar a revolução chilena (na  verdade a destruição da economia do país) ou aprender tudo o que precisa saber sobre as maracutaias de nossa esquerda, que se revela, conforme o noticiário, mais corrupta e parecida com os corruptos que sempre criticaram. Basta olhar com quem andam hoje em dia.


No fundo , acho que o que estão fazendo ao Chile é uma lástima. Não passa de criar uma situação complicada para impedir Piñera de fazer um sucessor. Espero que ele perceba isso e reaja. 


A esquerda. quando perde eleições fica em fúria;  democracia para eles é apenas enquanto estão no poder. Adoram disputar eleições, desde que ganhem sempre. Quando perdem jogam pesado e sujo. Muito sujo, mesmo que com rostinhos bonitos  como os de Camila Vallejo
    
Imagens:
http://miltonribeiro.opsblog.org/2011/07/30/porque-hoje-e-sabado-camila-vallejo/

NINGUÉM ENTENDE O CONGRESSO...


http://www.sponholz.arq.br/html/index_charge_18.html


O JORNALISMO PERDE JOSÉ MEIRELLES PASSOS. Repórter calmo, introspectivo, excelente texto, cobriu várias guerras, mas não venceu o câncer. Será enterrado hoje, às 17 horas, no cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.


Morreu hoje, aos 62 anos, aqui no Rio de Janeiro o jornalista José Meirelles Passos. Foi correspondente do jornal "O Globo", em Washington (EUA), por vinte anos. Trabalhou em Buenos Aires, Argentina, pela revista "Veja". 

Estava internado no Hospital Samaritano, em Botafogo, na zona sul do Rio, onde lutava contra a doença desde 2010. Será enterrado às 17 horas, no Cemitério São João Batista.

Meirelles foi correspondente de o "Globo" em Washington por duas décadas. Voltou ao Brasil em 2009, quando tornou-se repórter especial de O Globo.

Participou de coberturas em mais de 40 países, cobrindo conflitos como a Guerra das Malvinas, as duas guerras de invasão do Iraque e a invasão do Panamá pelos Estados Unidos. Ganhou os prêmios Esso, Herzog e da SIP (Sociedade Interamericana da Imprensa), entre outros.

Escreveu "A noite dos generais: os bastidores do terror militar na Argentina", sobre o julgamento, em 1985, das três juntas militares que governaram a Argentina entre 1976 e 1982. "O livro é sobre esse lado que as reportagens não tinham como revelar, com os bastidores dos generais na prisão", disse Meirelles a respeito em uma entrevista para o site da ABI (Associação Brasileira da Imprensa).

Formou-se em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação de Santos (Unisantos), na turma de 1973, sendo colega de turma do fotógrafo Araquém Alcântara. Em Santos trabalhou no jornal Cidade de Santos e na sucursal de O Estado de São Paulo, dirigida, então, pelo jornalista José Rodrigues. De Santos foi para São Paulo, onde trabalhou em diversos veículos indo, depois, para a Argentina, por Veja, e dali para Washington por O Globo.

Desde jovem gostou de Literatura, especialmente a Latino-americana, o que lhe valeu na carreira jornalística, uma vez que sua primeira viagem internacional foi à Bolívia cobrir um golpe militar. Era o único jornalista, na redação com algum conhecimento do país, via Literatura. Daí para a carreira internacional foi um pulo.

Abaixo publico duas entrevistas com Meirelles. Uma em que é entrevistado pela ABI. 
Outra em que entrevistou Jorge Luís Borges, o grande escritor argentino com quem fez amizade.


Entrevista com José Meirelles Passos - Artigos - Almanaque da Comunicação

Entrevista realizada por José Reinaldo Marques em 01/11/2006
Título: repórter mundo afora
Fonte: Site da ABI
Link: http://www.abi.org.br/paginaindividual.asp?id=1619

REPÓRTER MUNDO AFORA

Em janeiro de 2007, José Meirelles Passos completa 20 anos como correspondente internacional do Globo, nos Estados Unidos. O repórter mora em Washington e trabalha no escritório do jornal, a uma quadra da Casa Branca.

Por conta do jornalismo, Meirelles — que se formou em Santos-SP e já conheceu cerca de 39 países — fez sua estréia como correspondente viajando pela América Latina, quando trabalhava na IstoÉ. Em seguida, foi convidado pela Veja para ser correspondente em Buenos Aires. Nesse período, o único país que não visitou foi o Equador — “uma lacuna que dia desses, quem sabe, eu preencho”, diz.

Aqui, ele conta como começou o seu interesse pelo noticiário internacional e por que a reportagem é sua área preferida dentro do jornalismo, “seja qual for o assunto”.

ABI Online — Quando você decidiu que seria jornalista?
José Meirelles Passos — Cedo, ainda no ginásio, talvez pelo gosto da leitura. Meu pai tinha muitos livros, assinava jornais, era um bom contador de histórias. Isso tudo certamente influenciou. Na escola primária, eu gostava das aulas de Redação. A professora dava um tema e a gente tinha de escrever a respeito. Eram coisas do tipo “O último fim de semana”, “O quintal de minha casa”. Quer dizer: na prática você tinha que escrever um relato informativo, uma espécie de reportagem. Às vezes acontecia uma coisa chamada de “Composição à vista de uma gravura”. Ela colocava uma pintura ou fotografia lá na frente da sala e tínhamos de escrever a respeito, entrar na cena, descrevê-la, contar uma história tendo aquilo como pano de fundo.

ABI Online — Você se sente gratificado com a escolha?
Meirelles — Muito! É o que eu mais gosto de fazer. É um trabalho que me dá prazer, que me ensina algo todos os dias. Ele me dá chances de ver a História de perto, de registrá-la, de aprender a viver. A profissão me leva a conhecer o mundo, algumas vezes do lado do avesso.

ABI Online — Costuma haver uma matéria marcante no início da carreira dos repórteres. Você tem alguma?
Meirelles — Ah, foram tantas... Nenhuma de grande destaque, mas muitas pequenas e interessantes histórias do cotidiano.

ABI Online — E o golpe militar na Bolívia, em 81?
Meirelles — Foi uma experiência muito doida. Eu era correspondente da IstoÉ e conheci um Deputado boliviano cassado, que vivia em São Paulo. Telefonei para ele e disse que numa sexta-feira estaria embarcando para Santa Cruz de La Sierra, para apurar o envolvimento do governo Garcia Meza com o tráfico de drogas. Ele pediu que eu fosse ao seu encontro e me contou que, no sábado, haveria um golpe comandado pelo General Natush Bush, além de me dar uma carta, dizendo que eu a apresentasse no quartel para ter passe livre.

ABI Online — E funcionou?
Meirelles — Sim. Quando cheguei, mostrei os documentos e os caras me deram um salvo-conduto. Disseram: “Amanhã, às 5h, vamos botar os tanques nas ruas, dar uns tiros para o alto e ocupar o aeroporto.” E garantiram que, com aquele documento, eu não teria problemas. Resultado: vi esse golpe de dentro, pois passei um dia no quartel. Os outros correspondentes não tinham como sair de La Paz para Santa Cruz de La Sierra, eu era o único jornalista estrangeiro na cidade. Para transmitir o telex com a matéria (na época não havia e-mail), tive que ir ao escritório de uma empresa norte-americana. Foi um barato.

ABI Online — Antes de ingressar no Globo, onde você trabalhou?
Meirelles — Iniciei a carreira no Cidade de Santos, jornal vinculado à Folha de S. Paulo. Depois, fui trabalhar na sucursal santista do Estadão, passei a colaborar com o Movimento, e começaram a surgir uns frilas para a IstoÉ, nos seus bons tempos. Quando Mino Carta criou o Jornal da República, veio o convite para ir para a capital paulista. O jornal durou só quatro meses, mas sobrevivi. Mino me convidou para ficar na IstoÉ, na qual fui repórter de todas as áreas, o que me preparou ainda mais para a vida futura de correspondente internacional — que, aliás, começou na revista, com a cobertura de outro golpe na Bolívia, em julho de 1980. Passei a cobrir América Latina, residindo em São Paulo e viajando pelos países vizinhos.

ABI Online — Em meados dos anos 80, você também foi correspondente da Veja na Argentina.
Meirelles — Recebi convite da Veja para ser correspondente em Buenos Aires, onde cheguei em janeiro de 1984. Dois anos e meio depois, passei para O Globo, ainda na capital argentina. Seis meses mais tarde o jornal me transferiu para Washington, onde, em janeiro do ano que vem, vou completar 20 anos de trabalho.

ABI Online — Teve algum problema de adaptação nos Estados Unidos?
Meirelles — Não há grandes diferenças, mas a questão das facilidades e dificuldades, de acesso a fontes e, é claro, de comunicação. Transmitir uma matéria ou fotografia, nos EUA, mesmo estando no interiorzão, é bem mais fácil do que no interior — às vezes até mesmo numa capital — da América Latina.

ABI Online — Você costuma se autodefinir como um repórter que gosta das matérias que exigem fôlego e investigação. É sua principal característica profissional?
Meirelles — Acho que seria mais estar sempre atento, ser curioso, ouvir mais do que falar e observar com determinação. As matérias de maior fôlego, sem dúvida, são mais gratificantes. Exigem, sobretudo, pesquisa prévia respeito e, depois, tenacidade. O rótulo “investigação” me incomoda um pouco, no sentido de que hoje isso parece ser encarado como uma especialidade desse ofício quando, na verdade, todo jornalismo deve ser investigativo por definição — como bem diz um dos mais notáveis repórteres veteranos, Gabriel García Márquez.

ABI Online — A reportagem sempre foi seu maior interesse?
Meirelles — Sem dúvida alguma, seja qual for o assunto. É claro que há temas que apreciamos mais, em que trafegamos melhor. Mas estou aberto a tudo. Costumo dizer que leio com atenção até bula de remédio, em busca de dicas, idéias, inspiração. Talvez seja um vício trabalhista. É que sempre há algo que dá uma boa matéria, não é mesmo? Até uma frase ouvida no metrô, no botequim...

ABI Online — Qual é a fase mais interessante da reportagem?
Meirelles — Não separo uma coisa da outra. São três fases distintas: o chamado “dever de casa”, que é a preparação para mergulhar num determinado assunto, seguido da apuração e, então, da elaboração do texto. Ouço com freqüência colegas dizendo “agora chegou a pior parte”, diante do teclado. Há um costume que vem da época das máquinas de escrever, mas que perdura mesmo na geração que iniciou a profissão já nos computadores, e que de certa forma reflete isso: as pessoas dizem que vão “bater a matéria”. Costumo dizer que não bato, mas escrevo matérias — e acho que nisso está uma diferença clara. Vejo gente ligando o piloto automático na hora de escrever, mas acho errado. Cada história é uma história, por menor que seja, por mais desinteressante ou corriqueiro que seja o assunto. É preciso respeitar o leitor e o próprio ofício.

ABI Online — O que ser correspondente significou em termos de oportunidades?
Meirelles — Aprender outros idiomas, viajar, penetrar em outros mundos, conhecer in loco outras culturas. Isso foi me fascinando aos poucos. Até aqui, já foram 39 países percorridos a trabalho. Nota-se que faltam muitos mais, não é? No fundo, a carreira de correspondente internacional cristalizou algo surgido no início, que era o papel de repórter-faz-tudo. Prefiro não me especializar. Gosto do desafio de estar pronto para o que der e vier. Exige muito esforço, leitura, atenção. E viver intensamente.

ABI Online — Quantas viagens costuma fazer por ano em busca de boas reportagens?
Meirelles — Menos do que eu gostaria. Os EUA são um país grande. Já fui a muitas partes aqui, mas falta muito por conhecer. Ao mesmo tempo, não posso reclamar muito, porque Washington acabou servindo de trampolim para reportagens, por exemplo, em Dubai, Bangkok, Berlim, Paris, Hong Kong, Taipei, Bagdá, Cairo, Bogotá, Caracas, Ilhas Caiman, Teerã, Moscou, Havana.

ABI Online — Alguma vez você foi criticado no exterior por causa de alguma reportagem?
Meirelles — Criticado, não. Vigiado, sim. No Uruguai, na Argentina, no Chile, durante os anos negros das ditaduras militares, algumas vezes sofri pressões — digamos, morais — por algo que tinha escrito e, pior, por algo que ainda não tinha escrito — ou seja, tinha impedido o acesso à informação. No Iraque, na época do Saddam Hussein, jornalista não podia circular sem a companhia de um funcionário do Ministério do Interior, um espião do governo. No Irã é a mesma coisa.

ABI Online — Das grandes personalidades mundiais que você entrevistou qual mais o impressionou?
Meirelles — Três escritores: Jorge Luis Borges, Julio Cortázar e Gabriel García Márquez, sendo que, com este último, não houve uma entrevista formal, coisa que ele detesta, mas quatro conversas breves, em meio a eventos dos quais ele participava, em quatro países distintos: Colômbia (Cartagena de Índias), EUA (Washington), Cuba (Havana) e França (Paris). Outro bom papo foi com Woody Allen.

ABI Online — Como se constrói uma carreira consistente como correspondente internacional?
Meirelles — Acho essencial ter uma base sólida sobre o seu próprio país. E não apenas uma base teórica, mas também de prática jornalística, de trabalho de rua. Tive a sorte de ter sido repórter de Polícia, de Esportes, de Porto (lá em Santos era uma área específica, dentro da Economia), de Política (e isso na época da ditadura militar), de variedades... É preciso, ainda, ter uma boa idéia de como funciona o meio, ter noção de fechamento, de todo o processo, pois fazemos um trabalho em equipe e é crucial para o bom andamento das coisas estar sintonizado, saber as necessidades e dificuldades de cada setor, para fazer a máquina andar bem azeitada. Residir num país e escrever para outro é um grande desafio.

ABI Online — Como assim?
Meirelles — É preciso não deixar romper o cordão umbilical, tanto em termos de informação (coisas que estão acontecendo no seu país de origem) quanto em termos de linguagem. Há coisas que deixam de ser interessantes para os leitores do seu país e outras que interessam e para você são corriqueiras, sem importância. É importante estar ligado nisso e, sobretudo, conhecer o perfil do leitor, que é o seu verdadeiro patrão. Hoje todos os grandes veículos têm uma boa idéia disso.

ABI Online — O trabalho dos correspondentes brasileiros é bem utilizado pela mídia nacional?
Meirelles — É difícil generalizar, desconhecendo os bastidores dos demais, embora conversemos entre nós. O que vejo, basicamente, levando em conta o investimento feito neles, é que muitas vezes os correspondentes são usados mais como redatores de luxo, cobrindo buracos na redação, por falta de pessoal. Deveríamos ter a chance de investir mais em matérias próprias, sem concorrer com as agências de notícias. Os grandes jornais contam com o serviço de várias delas, além de dispor do material de pelo menos dois grandes jornais estrangeiros. Por que, então, o correspondente tem de entrar num assunto que já rola nesses meios?

ABI Online — Qual seria a saída?
Meirelles — Seria conveniente que os correspondentes atuais pudessem trabalhar como os de décadas atrás, quando não existia internet e o acesso a outros meios era remoto: investir em histórias próprias, gastar sola de sapato. Mas é claro que há fatos que devem ser cobertos pelo profissional da casa, mesmo havendo abundância de informações de outras fontes, por uma questão de prestígio do próprio jornal. Matérias, por exemplo, sobre a morte ou eleição de um papa, tragédias, eleições presidenciais. Sem contar que precisamos ter sempre o “olhar brasileiro” sobre os eventos.

ABI Online — Gostaria que você falasse sobre “A noite dos generais: os bastidores do terror militar na Argentina”.
Meirelles — É um livro sobre o julgamento, em 1985, das três juntas militares que governaram a Argentina de 76 a 82. Passei oito meses indo ao Tribunal. Também tive acesso à transcrição dos depoimentos dos militares acusados e reparei que as histórias se repetiam. Fiz contato com familiares, entrevistei várias pessoas. O livro é sobre esse lado que as reportagens não tinham como revelar, com os bastidores dos generais na prisão.

ABI Online — Já pensou em escrever novamente sobre episódios que não couberam em outras reportagens?
Meirelles — Às vezes me vem essa idéia, que acaba sendo abafada pela falta de tempo. Como se costuma dizer, as notícias que interessam começam em Washington ou passam por aqui. Estamos sempre trabalhando — e com tantos temas que fica difícil pinçar um para investir a fundo, num livro. Seja como for, ando pensando em reunir reportagens num volume, coisas já publicadas, mas com um toque a mais.

ABI Online — Que toque a mais você daria?
Meirelles — Explico: das coisas que mais me interessaram, sempre guardei as anotações. Em jornal, o espaço costuma ser restrito, mesmo nas edições de domingo. Gostaria, portanto, de revisitar algumas reportagens, ampliando-as. São temas, pessoas, histórias que não perdem a atualidade. E que, no fundo, não foram exploradas — quero dizer, exibidas — em sua totalidade.

ABI Online — Cite uma.
Meirelles — Ih, isso é como perguntar “de qual das suas filhas você mais gosta”. Só da cobertura nas guerras do Iraque (1991 e 2003) há várias, sem os efeitos pirotécnicos, centradas no que, na profissão, nos habituamos a definir como “o lado humano”. Uma cobertura que gostei muito de fazer foi a da morte de Kurt Cobain, do Nirvana. Passei uma semana em Seattle e arredores, conversando com meio mundo: a mãe dele, colegas de escola, garçonetes de um boteco onde ele começara a carreira, professores. Era uma radiografia da vida do roqueiro, com detalhes que de alguma forma explicavam o que o levou a um triste fim.

ABI Online — Gostaria que você apontasse os erros e acertos da imprensa nos países em que trabalhou.
Meirelles — Caramba, isso é amplo demais. Fiquemos nos dois lugares de residência: Argentina e Estados Unidos. Eu achava, e continuo achando, a imprensa argentina meio provinciana. Na época em que morei lá (segunda metade dos anos 80), os dois principais jornais, La Nación e Clarín, tinham correspondentes apenas na Espanha, pois é, a mãe pátria. Era como se o Brasil só tivesse correspondentes em Portugal. Hoje eles estão mais... moderninhos. Outra coisa que acabou, até onde sei, é a profissionalização do ofício, se é que se pode dizer assim com referência ao aspecto que quero mencionar. Seguinte: jornais e revistas argentinos costumavam publicar fotos de seus repórteres entrevistando ministros, artistas, jogadores de futebol, como se tivessem a necessidade de provar ao leitor que o jornalista de fato conversou com o personagem. E isso, no fim, acabou virando um culto à imagem dos profissionais, como acontece hoje em geral, em todos os países, em relação aos colegas que aparecem na TV.

ABI Online — Qual é a sua impressão sobre as tentativas do Presidente Bush de controlar os meios de comunicação?
Meirelles — Um atraso, uma regressão inacreditável. Entende-se perfeitamente o motivo disso, mas é inaceitável. O pior é que muitos colegas e veículos norte-americanos acabam aceitando isso. Eles têm fama cinematográfica de liberdade, rebeldia, de paladinos da verdade. Mas abaixam muito a cabeça perante o Governo. Hoje, só o põem contra a parede quando a situação está reconhecidamente ruim para o país, como é o caso agora com a crescente “conscientização” de que os EUA deram com os burros n’água no Iraque. Agora todo mundo (leia-se a imprensa norte-americana em geral) chuta cachorro morto. Basta reler os jornais e revistas da época pré-invasão para ver que raríssimas vozes se levantaram contra nos meios de comunicação.

ABI Online — Jornais como Miami Herald e The New York Times tiveram, recentemente, problemas com reportagens fraudulentas. Esses episódios afetaram a credibilidade da imprensa norte-americana?
Meirelles — Sem dúvida. Hoje existe uma desconfiança muito grande em relação ao que é publicado.

ABI Online — Na Bolívia, o Presidente Evo Morales reclama que os jornalistas locais lhe dão tratamento preconceituoso. A reclamação procede?
Meirelles — É claro que há uma ponta de preconceito nisso. Não precisamos ir aos Andes para notar isso; vê-se algo do gênero também com relação ao Lula, no Brasil.

ABI Online — Por sua vez, Hugo Chavez, da Venezuela, acusa a CNN de mentir a seu respeito. Ele é discriminado pela imprensa norte-americana?
Meirelles — Não chega a ser discriminado, mas é visto com enorme desconfiança. O problema é que ele cada dia mais se auto-ridiculariza. O papelão que fez na ONU recentemente, chamando Bush de diabo, dizendo que ainda sentia o cheiro de enxofre (Bush tinha estado no mesmo pódio na véspera) e fazendo o sinal da cruz, foi no mínimo o desperdício de uma ótima oportunidade de dar um recado contundente, de expor idéias. A vitrine era dele e foi, simplesmente, por ele destroçada.

ABI Online — Quais são os temas de maior destaque sobre as sociedades sul-americanas na mídia estadunidense?
Meirelles — A imigração ilegal é o carro-chefe, seguida do narcotráfico.

ABI Online — Por que você veio ao País cobrir o primeiro turno das eleições?
Meirelles — Para recarregar as baterias, por assim dizer. Para retomar o contato direto com o Brasil, ajudar no grande esforço de cobertura feito pelo Globo e, eventualmente, contribuir com uma espécie de olhar estrangeiro sobre o País, em geral, e a campanha no Rio, em particular. Um olhar estrangeiro com raízes legitimamente nacionais. E não podia ter sido melhor. Tive a chance, entre outras coisas, de entrar na favela da Rocinha, de visitar a Baixada Fluminense, de ir ao sertão de Alagoas... um banho de Brasil.

ABI Online — A imprensa nacional fez uma boa cobertura do processo eleitoral?
Meirelles — Muito boa. Não devemos nada a ninguém, do ponto de vista do exercício da profissão. Marcação em cima, exageros à parte. Determinação. Trabalho duro. Dedicação. Redações com pouca gente fazendo das tripas coração para apresentar um retrato verossímil do que estava acontecendo.

ABI Online — Uma reportagem da Carta Capital indica que houve conivência de jornalistas com um Delegado da Polícia Federal no escândalo do dossiê. Você tem uma opinião sobre o episódio?
Meirelles — Apenas li a respeito. Fico com a impressão, em relação a esse e outros casos, de que sofremos (jornais e revistas) uma “síndrome da internet”. Ou seja: uma preocupação em colocar logo nas ruas fatos que não chegamos a averiguar adequadamente. Aí surgem os desmentidos, comprovam-se falhas, surgem versões mais fantasiosas, e acaba tudo virando um tiroteio que, no fim das contas, é uma ameaça à credibilidade da imprensa.

ABI Online — Qual é a sua visão sobre o desempenho da mídia nos últimos 20 anos?
Meirelles — Referindo-me à mídia de todo o mundo, e não apenas à brasileira, creio que tem sido bom, ainda que nos últimos tempos haja uma forte tendência de transformar a notícia em entretenimento, ou dar mais espaço às notícias dessa área. Tudo vira show. Também me preocupa os jornalistas estarem se transformando em notícia, tendo mais notoriedade do que a própria informação. Veja o caso específico dos blogs: eles estão virando diários íntimos, com muito comentário, muito “eu-acho-que” e pouca informação.

ABI Online — Se você tivesse que eleger um veículo e um profissional internacionais pela qualidade da produção jornalística, quais seriam?
Meirelles — Mais de um. Acho que o New York Times é um produto de alta qualidade, entre os jornalões. Nas revistas semanais, The Economist bate todas do gênero e, num aspecto mais amplo, a New Yorker é um luxo. Quanto ao jornalista, também fico no plural: John Burns, atualmente chefe da sucursal do New York Times em Bagdá; e Jon Lee Anderson, repórter da New Yorker.


JOSÉ MEIRELLES PASSOS E BORGES

17 vezes Borges
A estreita relação e os encontros informais entre o jornalista brasileiro e o escritor argentino durante os cinco anos que antecederam sua morte

Por José Meirelles Passos
Foto: Valéria Rehder
Meirelles, hoje correspondente de O Globo em Washington, entrevista Borges em 1980

17 vezes Borges


Incrustada na porta de madeira do apartamento 6-B, num antigo edifício da Calle Maipú, em Buenos Aires, a pequena placa dourada continha, em preto, uma palavra que identificava o seu morador: "Borges".

Logo depois de tocar a porta, os visitantes tinham uma surpresa. Ela era aberta pelo próprio Jorge Luís Borges, apoiado em sua bengala chinesa de bambu, a sua favorita:

- A minha governanta é um pouco surda... não ouve quem chega. Eu não enxergo, mas escuto bem - disse ele, com um sorriso irônico ao me receber na primeira vez que o visitei, em setembro de 1980. A cena se repetiria outras 16 vezes nos cinco anos seguintes, então já sem necessidade da explicação, e tornou-se uma espécie de ritual.

A porta se abria, nos cumprimentávamos e ele, então, dizia: "Ah, é o brasileiro...", e, depois de se acomodar no sofá de tecido verde na pequena sala de estar com duas paredes cobertas por livros, perguntava:

- E então, quais são as novidades da rua? Solitário, Borges gostava de visitas. Ele não possuía televisão nem rádio, tampouco um toca-discos. Bastava telefonar para ele e perguntar quando poderia conversar. Uma ou outra vez foi para entrevista formal. A maior parte das vezes foi pelo simples prazer da conversa.

- Se puder ser daqui a pouco... Ou quem sabe no início da tarde - ele dizia, ávido por uma companhia.

- Vivo a monótona vida de um velho cego que já deveria ter morrido - costumava justificar. Borges atenuava a solidão criando contos e guardando-os na memória prodigiosa até que aparecesse um amigo para ouvir e transcrever, à máquina, o ditado de suas histórias. Ele não parecia triste. Melancólico, sim. Dizia não ter medo de morrer. Isso, afinal, seria o fim da solidão:

- Estou um pouco cansado... gostaria de morrer o mais rápido possível - disse-me em várias ocasiões.

A sua fascinação por facas o fazia repetir, como quem conta um conto, o relato de brigas entre gaúchos que teria presenciado na juventude. Brigas de faca. Era difícil distinguir entre realidade e ficção, ao ouvi-lo contá-las. A cegueira era outro tema constante, espontâneo. Borges dizia estar conformado com ela, assim como com a velhice e a ausência de amigos - quase todos já mortos, então:

- Já com idade avançada aprendi a resignação de ser Borges... Ele não fumava. Tampouco bebia. Contava não ter se dado bem com as drogas: - Com a cocaína ensaiei três vezes seguidas e me pareceu uma pastilha de menta. Acho que o mesmo aconteceria com a maconha e as demais drogas. O que se passa é que as pessoas se dão corda... Gostava de caminhar de manhã sob as árvores da Plaza San Martin, à meia quadra de seu apartamento, sempre de terno e gravata. Comia pouco. Ir ao cinema parecia ser a sua diversão preferida:

- Ver, no meu caso, é uma metáfora. Mas continuo indo ao cinema para ouvir os diálogos.

Achava-se o homem mais banal do mundo, que vivia frugalmente com uma pensão de funcionário público e direitos autorais que pingavam aos poucos. Escrever era a sua sina:

- Um destino literário não seria o melhor, mas o único possível para mim. E... o que pode fazer um cego, senão escrever? Creio que não perdi a capacidade de continuar sonhando e, assim, continuo escrevendo contos e poesias.

Importante? Não, jamais se sentiu assim. Celebridade? Muito menos. Chegava a ser amargo e cruel consigo mesmo:
- Sou um mero literato da república meramente argentina! - dizia enfaticamente.

Afirmava que seus livros eram apenas variações parciais de si mesmo:

- Eles são o recurso clássico da irreparável monotonia. Um exercício de cego.

Certa vez lhe perguntei quem, afinal, era Borges. Depois de pensar longamente ele abriu um sorriso maroto, e balbuciou:

- Ah, meu filho... isso eu ainda estou tratando de averiguar. Às vezes eu mesmo me sinto farto de Borges. Ele passou as últimas duas décadas de sua vida convencido de que a sua fama se devia mais à piedade do que ao seu talento literário:

- Me aplaudem em Tandil (cidade do interior da Argentina) e em Nova York; mas... quem não aplaude um velho cego, não é mesmo? Criticado por ter defendido as juntas militares, ele tinha uma definição muito peculiar sobre a vida política:

- A democracia, como se sabe, é uma superstição baseada na estatística.

Um dos momentos mais sublimes nos encontros vespertinos que tivemos, a maioria deles por conta apenas de uma boa conversa - não se tratavam de entrevistas formais -, aconteceu quando voltando, pela enésima vez, à questão da cegueira, Borges contou que se sentia resignado a ela sobretudo porque um velho amigo sofria do mesmo mal e, segundo ele, tinha uma existência mais sofrida que a sua. E explicou:

- Enquanto eu ainda consigo ver sombras e vultos amarelados, ele os vê cinzas - disse.

Ingênuo, perguntei que diferença fazia isso se, afinal, nenhum dos dois enxergava. Por que o amigo teria
uma vida mais dura que a dele, devido a essa diferença de cor? E Borges, sorrindo gostosamente como quem acabara de pregar uma peça em alguém, respondeu:

- Ah, meu filho... você já pensou o que é beijar lábios cinzas?

* Jorge Luís Borges morreu em Genebra, em 14 de junho de 1986. Ele nasceu em 24 de agosto de 1899, em Buenos Aires.
FOTO DE BORGES E MEIRELLES: VALÉRIA REHDER


terça-feira, 30 de agosto de 2011

OS NOVOS IRMÃOS METRALHA. Ou os mesmos de sempre?

http://www.sponholz.arq.br/html/index_charge_18.html


VOCÊ AINDA NÃO SABE, TAMIRIS, MAS MORRERÁ DAQUI A POUCO. Tamiris Brito de Carvalho, ao encontrar-se com o ex-namorado Lucas Matos, não sabia que marcava um encontro com a morte. Ela ia fazer um concurso da Prefeitura de Santos naquela manhã de domingo e tentaria mudar sua vida para melhor. Lucas, inconformado com o fim do namoro, atravessou uma faca em seu caminho.

A história humana é cheia de altos e baixos e de repetições. O drama rodriguiano, eternamente recorrente, nunca nos deixa. Sempre há o inconformado que não consegue ouvir um não.

Para alguns, ouvir um não é um obstáculo incontornável, imenso, doloroso, que precisa ser removido. O triste é que o obstáculo é, geralmente, quem disse o não.

Tamiris, de 18 anos de idade, disse não a Lucas, de 18 anos de idade,  e Lucas resolveu matá-la. Para Lucas viver era preciso vê-la morta. 


Só a morte de Tamiris o libertaria. Mais uma vez Nelson Rodrigues: “se não podes ser minha, não serás mais de ninguém.”

Na imaginação do rejeitado forma-se um circuito fechado, um círculo vicioso, em que apenas um final é possível: ou fica comigo ou morre. E essa idéia se repete sempre, e sempre, e sempre, num processo que parece não ter fim. “Mas eu sou bacana, porque não quer ficar comigo?” Algo estranho acontece na mente de quem se dispõe a matar aquele a quem diz amar. Só a morte do outro representa a sua liberdade!

E Lucas Matos resolveu procurar mais uma vez Tamiris. Ela ia fazer um concurso público e aceitou uma carona na moto do rapaz. Lá pelas 7h30 da manhã de domingo Lucas e Tamiris tomaram café na casa dela e saíram. 



Ele iria levá-la até o local do exame. Tamiris e Lucas moravam  de um lado da cidade, o exame seria no lado oposto. A cidade de Santos é dividida ao meio por uma série de morros. Do outro lado poderia estar um futuro melhor, pode ter pensado Tamiris.

Eles saíram da Travessa José Caetano, no Ilhéu Baixo, perto da avenida Jovino de Melo, e andaram pouco mais de mil metros. Talvez Tamiris tenha percebido que o caminho tomado por Lucas não era o certo. Mas ele lhe disse que precisava parar para urinar.

De fato estavam em rua sem saída, que termina de frente para um canal que separa, de um lado o Bom Retiro, do outro o Jardim São Manoel. A rua reta, curta, cercada pelos altos muros de empresas de containeres e transportadoras. Um local realmente deserto.

Lucas afastou-se após uma discussão e voltou em seguida. Desferiu vários golpes de faca no pescoço no rosto e abdome de Tamiris. Ela caiu no chão de terra. Iria morrer ali. Com o sangue que escorria escorreram, lentamente, seus sonhos. Escorreu sua vida, por obra de um inconformado.

Lucas a arrastou cerca de 60 metros para jogá-la, talvez, à beira do canal (braço de mar), no mangue. Ali a deixou, não sem antes colocar a faca em uma de suas mãos.

O local onde Lucas matou Tamiris não pode ter sido outra coisa que uma escolha cuidadosa de um local deserto e sem testemunhas. Um lugar muito bom para matar alguém, desde que alguém tenha a coragem ou a insanidade necessária para isso.



Lucas pareceu ter. Estava com uma faca serrilhada. Isso mostra que, ou andava armado com uma faca, ou levava uma faca, no domingo, para matar Tamiris.

E o sujeito ainda teve a coragem e a cara de pau de tomar café com ela mais cedo. Quem sabe imaginasse  convencê-la a reatar o namoro interrompido. Se não aceitasse... parece que ele já sabia o que deveria fazer.

Num minuto Tamiris vai de encontro ao futuro. Ao futuro que ela havia imaginado para si, cheio de oportunidades e surpresas agradáveis. No minuto seguinte está caída no chão de terra, sofrendo, agonizando, por obra de um sujeito que quis brincar de Deus e resolveu mudar o futuro de Tamiris.  

Por sorte, tudo o que Lucas Matos fez a Tamiris em seus últimos momentos foi gravado em uma fita pelo equipamento de segurança de uma empresa próxima. E foi visto, por cima de um muro, por um vigilante que percebeu uma discussão, foi verificar e não foi percebido pelos dois. O vigilante anotou a placa da moto e chamou a policia.

Segundo a imprensa santista, a delegada Deborah Perez Lázaro, que cuida do inquérito, vai pedir tripla qualificação do crime de morte. Ele estava armado, desviou de sua rota, pretendeu esconder o cadáver e deixou Tamiris sem chance de defesa.

Que Deus a tenha, e que ele possa refletir longamente sobre o ocorrido, atrás das grades.

HISTÓRIAS DO BAIRRO

Segundo o jornal Expresso Popular, de Santos, os dois cresceram no mesmo bairro, sendo conhecidos por muita gente. Lucas era quietão, mas nunca pareceu ser agressivo. Tamiris era mais extrovertida, mas sempre respeitou Lucas enquanto o namorou.

Segundo o jornal, uma tia dele disse que ambos estavam meio perturbados psicologicamente com o ata e desata do namoro. Algumas pessoas chegaram a perceber um ciúme excessivo por parte dele. Uma vez a mãe dela percebeu que ela havia tentado apertar o pescoço dela.

Várias pessoas chegaram a advertí-la para terminar o namoro. O Expresso conta que o rapaz sofre de eplepsia e toma três remédios diários. Todos sabem que um dos traços mais fortes do epilético é a persistência.

O advogado do rapaz, Cristiano Marcos dos Santos tentará, na Justiça, obter a liberdade provisória, uma vez que foi preso em flagrante. Segundo o advogado, ele não premeditou o crime. Nem estaria com a faca. A faca teria sido achada no momento em que o rapaz foi urinar. Segundo o advogado Lucas não premeditou nada.

É uma tentativa de defesa bem curiosa. O rapaz desvia a rota, discute com a moça, acha uma faca e mata quem ama. Não teria feito de outra forma se tivesse planejado. Planejado ou não, qual o resultado concreto? Tamiris está morta, e Lucas foi preso em flagrante por homicídio. O resto caberá à polícia, à investigação, ao promotor e à Justiça.

Histórias...

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

O GRANDE CHARGISTA SÍRIO ALI FERZAT FOI TORTURADO E AMEAÇADO DE MORTE POR SEGUIDORES DE AL-ASSAD. Ele teve mão e braço quebrados e foi queimado com cigarro.


FOTO AFP, DAMASCO 

Seguidores de Bashar a-Assad, o ditador sírio, agrediram barbaramente o famoso artista gráfico e chargista Ali Ferzat na semana passada. 

Uma tirinha de imprensa irritou profundamente os seguidores de Assad, era uma charge  mostrando Assad pedindo carona na beira da estrada para um carro. 

Ao volante, o ditador Muamar Kadafi fugindo da Líbia.

Claro, Ferzat quer ver Assad longe do governo da Síria. E o ditador sírio tem evitado largar, ao contrário, desde que começou a chamada Onda Árabe (ou Primavera Árabe), Assad tem mandado reprimir violentamente os protestos contra seu governo. No início da onda árabe analistas achavam que a Síria era imune aos protestos,apesar da crise econômica e pobreza da população.

Os governos europeus e americano ficam em cima do muro quanto à Siria, condenando com notinhas as ações de Assad, enquanto ele reprime civis com forças militares, exatamente o que motivou a Barack Obama e à Otan atacarem o governo libio. Segundo a oposição, a repressão violenta do governo já  matou mais de 2.200 pessoas na Síria.

Segundo amigos de Ferzat, de 60 anos, quatro mascarados armados entraram no estúdio do artista e o espancaram violentamente. Quebraram sua mão esquerda e o seu braço direito, alem de machucarem seu rosto.  

Se ele voltar a desenhar vão arrebentar as duas mãos do artista, foi a ameaça. Isso em nada difere do que aconteceu nas ditaduras dos anos 60 e 70 na América Latina, tão criticada pela esquerda brasileira que agora, no caso da Síria, apóia Assad! Assad é ligado ao partido Baath, um partido de origem nazi-fascista que defende o panarabismo, numa cópia mal disfarçada do pan-germanismo de Hitler.

A esquerda brasileira adora Assad, porque o Baath se diz um partido socialista. Assad é tão socialista quanto Kadafi. E a gente tem visto que Kadafi era, de fato o dono da Líbia. Não que ser socialista seja outra coisa, mas é apenas isso. 

O pais vira propriedade de alguém, que se declara socialista de uma hora para outra, o caso de Castro, Chávez, Assad, Kadafi, etc... Basta que todos se declarem anti-imperialistas (soa bem), anti-amaricanos, anti-capitalistas (Castro é riquíssimo, Kadafi multibilionário, Assad não fica atrás) e outros anti. Pronto, é do que os idiotas adoram.

Ferzat também já foi ameaçado de  morte no tempo de Sadam Hussein. Desde março tem criticado o governo sírio. Aqui no Brasil também a esquerda adoraria calar seus críticos. A toda hora falam em controle da mídia. 

Isso significa, apenas, CENSURA.

ASSDA PEDE CARONA PARA KADAFI. SEGUIDORES DE
ASSD NÃO GOSTARAM
ASSAD AMIGO DA MORTE QUE MATA CIVIS SÍRIOS 


FERZAT BRINCA COM OS PRÓPRIOS FERIMENTOS
Charges tiradas do site do artista Ali Ferzat: