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domingo, 20 de fevereiro de 2011

POLITICAMENTE CORRETOS. Ou: A nova arquitetura do Inferno.

Vários autores têm refletido sobre um fenômeno recente, o conjunto das atitudes e comportamentos politicamente corretos; isto é, a organização de pequenos grupos de pressão que buscam impor a perfeição ao conjunto social a partir de seus próprios pontos de vista, com justificativas democráticas, geralmente apoiados na crença da infabilidade científica.

No caso do Brasil, Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo, Luiz Felipe Pondé, João Pereira Coutinho, e mais alguns não menos importantes, tratam de examinar o pensamento desses intolerantes há anos.

Fazem a denúncia do ridículo, do absurdo e do perverso de que se trata o "corretismo", sendo chamados de fascistas, reacionários, conservadores, de direita. E, embora sejam um punhado lutando por suas idéias (nem formam um clubinho ou movimento, como fazem os ongueiros politicamente corretos), querendo opor-se à hegemonia de esquerda que domina toda a máquina de comunicação, as universidade e as rodinhas de salão, são realmente perseguidos e isolados como os antigos leprosos, mesmo quando um ou outro consegue um espaço em um veículo de comunicação tradicional.

É como se fosse para assinalar como são democráticos e abertos, os tais veículos. O que é uma evidente ilusão.

Claro que isso não significa que os autores a que me refiro não consigam criar vínculos com dezenas ou centenas de milhares de leitores. E essa ligação é multiplicada por meio de recursos como a Internet e blogs. Olavo de Carvalho é um exemplo disso, basta lembrar que há dez ou 15 anos publicava regularmente seus artigos nos mais importantes jornais e revistas. Hoje está restrito ao Diário do Comércio (SP) e espero que esse corajoso jornal mantenha o professor em suas páginas por muitos anos.  

A perseguição mesquinha é tão verdade que muitos autores de blog, atualmente, nem utilizam suas verdadeiras identidades, devido ao fato de poderem ser perseguidos, demitidos, e isolados, da forma mais abominável possível. Lembro aqui o caso de Alceu Garcia, de quem Olavo de Carvalho publicou excelentes textos sobre Economia, com a seguinte advertência:  "Alceu Garcia não existe. É o pseudônimo de um cidadão que, cercado de esquerdistas por todos os lados, e já conhecendo o tratamento que eles dão a quem ouse contrariá-los no local de trabalho, tem bons motivos para desejar permanecer incógnito. Camuflado ou não, é um excelente escritor, e é com muita honra que apresento e agradeço sua contribuição notabilíssima ao debate que ando travando há tempos com os devotos de Lord Keynes."   

Também convém lembrar a expressão de Reinaldo Azevedo: "dizer sempre o sim é possível até nas piores ditaduras".

Alguns autores assinalam que o pensamento politicamente correto ganhou impulso após a queda do muro de Berlim, do fim da União Soviética e da guerra fria. Foi uma forma de recuperação da esquerda, que perdeu as suas referências tradicionais e passou a lutar por outros caminhos. Diz o cronista português João Pereira Coutinho que hoje os vermelhos são os verdes.

Isto é, pregar o verdismo, repetir o mantra do aquecimento global em tons apocalípticos, combater o agronegócio, falar mal da MacDonalds, são de fato, um novo modo de combater o capitalismo. Ecom um aparente bom mocismo. Conforme a melhor técnica de propaganda, quando você critica algo, preserva o seu contrário. Com isso, o socialismo é preservado.

Contudo, como os países socialistas não fogem ao tempo, ali se encontram os mesmos problemas das economias capitalistas, mas muito mais agravados, devido à falta de democracia e liberdade de expressão, além da ilusão de que "existe almoço grátis" (von Mises). A  imprensa, engajada no esquerdismo, é que não costuma tratar disso. Se trata, é para alguém dizer que nada daquilo se repetirá. E as tiranias se repetem, os tontos com o coração transbordando de esperança renovada, até serem fuzilados.

No fundo, talvez as coisas sejam mais complexas, exigindo maior escavação do terreno. 

Autores especializados nas sociedades tradicionais, como Schuon, Coomaraswamy ou Guénon, vão buscar no abandono dos princípios tradicionais pelo Ocidente, as causas de nossos males atuais. Apontam a instauração da Modernidade como sendo a base do processo de corrosão ao mundo tradicional cristão, levando o Iluminismo a uma separação desnecessária entre Igreja e Ciência, alimentando as diversas ideologias que se apóiam na Ciência para "nos impor um mundo melhor", queiramos ou não. 

Nessa separação estaria a causa fundamental das confusões modernas, e isso fica bem evidente na obra do filho de Ananda Coomaraswamy, Rama Coomaraswamy, "Ensaios sobre a destruição da tradição cristã". A ilusão de que com a Ciência tudo poderá ser resolvido. O método  científico trata do material e do quantificável. A vida vai muito além disso.

A adoração da Ciência como um deus, ou, tratar a ciência como substitutivo para a Religião, é o verdadeiro problema moderno. Como diz R. Coomaraswamy, o homem quebrou seus vínculos com o Absoluto, agora que absolutizar a Ciência. Isso só nos trará sofrimento.

Somos seres capazes de errar e acertar, rir e sofrer, amar e perdoar, e de pensar sobre isso. A redução da complexidade da vida à suposta objetividade científica e à perfeição da máquina ainda nos transformará em formigas.

Os políticamente corretos querem distribuir bondades aos quatro cantos, mas o fazem de um modo estranho, pois não pergutam se os outros estão de acordo. Imaginam que tudo o que imaginam seja para o nosso bem.

Assim, adotam o procedimento fascista, impositivo, para constuir um mundo melhor e mais solidário, limpo, organizado, responsável, auto-sustentável, sem falhas. Esse mundo pode ser examinado nos documentários Soviet Story, ou A arquitetura da destruição.

Alguém poderá dizer, mas isso trata do passado. Não. Isso é para onde o presente nos leva, como em algumas famosas distopias.

A abordagem dos politicamente corretos é demarcar um terreno e ampliar sua importância até que a sombra cubra todo o território. Usam Ongs, a imprensa, o barulho. Não admitem o pensamento contrário, pois estão mergulhados na certeza de que é possível obter a perfeição na Terra. Para eles, os fins justificam os meios.

Cristo disse que seu reino não era este. Os novos messias dos bons tempos são mais apressados, querem o paraíso aqui e agora. Não importa o preço a pagar. Não entendem que o inegociável não tem preço.

O paraíso cristão não é aqui; aqui pode-se apenas viver, com todas as suas implicações.

Ou construir um inferno, como estão tentando. Construir infernos sempre é possível.










































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