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domingo, 27 de fevereiro de 2011

ESTE É O MODERADO AL-QARADAWI. Ou: herói dos idiotas politicamente corretos

“Pode até haver algumas mulheres que não concordem em apanhar do marido e vejam a punição como humilhação. Muitas mulheres, porém, gostam de apanhar e consideram adequado que o marido bata nelas apenas para fazê-las sofrer”.
(Artigo escrito em 2007 para o site IslamOnline.net) (do blog de Reinaldo Azevedo).
A imagem é de Al-Qaradawi pregando na Praça Tahrir, Cairo, contra Israel (http://www.nowtheendbegins.com/blog/?p=2283)

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O GRANDE INIMIGO DO OCIDENTE.



DE OLHO NA JIHAD
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


http://antifaaktionerftstadt.blogsport.de/
O professor que sucedeu ao fundador da Irmandade Muçulmana, Hasan al-Banna, inspirou vários terroristas, mas as suas obras doutrinais também contribuíram para dividir a organização mais poderosa do Egipto depois do Exército. E a sua Ikhwan já não é o movimento radical que ele liderou.

Em Novembro de 1948, quando o rei Farouk ordenou a sua prisão, forçando-o a uma apressada partida para os Estados Unidos, Sayyid Qutb, o ideólogo da Irmandade Muçulmana, interrogava-se: “Devo ir para a América, como qualquer outro estudante com uma bolsa de estudos, que só come e dorme, ou devo ser especial? Devo manter-me fiel aos meus princípios islâmicos, enfrentando muitas tentações pecaminosas, ou devo ser indulgente com essas tentações à minha volta?”

Nesta viagem de Alexandria para Nova Iorque, descrita por Lawrence Wright emAs Torres do Desassossego, o fervoroso nacionalista e anticomunista Qutb nem sequer se considerava muito religioso. Havia muito de “ocidental” na sua maneira de ser e agir – “o vestuário, o gosto pela música clássica e filmes de Hollywood. Lera as obras traduzidas de Darwin e Einstein, Byron e Shelley, e imergira profundamente na Literatura francesa, sobretudo Victor Hugo.”

Em todo o caso, Qutb já se mostrava preocupado com “o avanço da civilização ocidental”, que ele via como uma entidade cultural única. “As distinções entre capitalismo e marxismo, cristianismo e judaísmo, fascismo e democracia eram insignificantes, comparadas com a grande divisão presente na mente de Qutb: o islão no Oriente, de um lado; o Ocidente cristão, do outro”, sublinhou Wright.

De início, a América atraía Qutb, um país que ele considerava “assente em valores” e não nas “noções europeias de superioridade e de classes e raças privilegiadas”, uma nação de imigrantes “permeável a relações com o resto do mundo”, incluindo os árabes. Isso mudou quando o Presidente Henry Truman decidiu apoiar a “causa sionista” e um “lar nacional” para os judeus na Palestina.

Quando Qutb seguia para Nova Iorque, o seu Egipto e outros países árabes estavam na fase final de uma guerra que perderam e estabeleceu o Estado de Israel, em 1948. “Odeio e desprezo todos esses ocidentais”, escreveu Qutb. “Todos eles, sem excepção, os ingleses, os holandeses e, também, os americanos, em quem tantos confiavam.”

Qutb era um solteirão casto e conservador. Tinha três irmãs mas a única mulher que realmente o influenciou foi a sua mãe, Fatima, analfabeta e devota que se sacrificou pela formação académica do filho. O pai morrera em 1933 quando Qutb tinha 27 anos. Para sustentar a família, deu aulas em várias escolas provinciais, até se mudar para Helwan, um bairro próspero do Cairo para onde todos foram viver.

Deixar o aconchego do lar acentuou o sentimento de isolamento e solidão de Qutb (expresso em várias cartas a amigos) quando ele se mudou para Nova Iorque e depois Washington (onde estudou Inglês no Wilson Teachers College) e Greeley/Colorado.

A sua chegada coincidiu com a publicação do relatório “Sexual Behavior in the Human Male”, de Alfred Kinsey, um documento repleto de estatísticas que chocaram a própria sociedade norte-americana. Kinsey revelava, por exemplo, que 69 por cento dos homens confessaram ter pago sexo com prostitutas e 37 por cento admitiram ter mantido relações homossexuais.

Para Qutb, esta imagem de um “país lascivo”, combinada com a de um “país racista”, que discriminava os negros e os “homens de cor” como ele, reforçou o seu cada vez maior fundamentalismo religioso. Em Fevereiro de 1949, quando Qutb foi internado no Hospital da Universidade de George Washington para extrair as amígdalas, os noticiários davam conta da morte de Hasan al-Banna, o carismático fundador da Sociedade dos Irmãos Muçulmanos (al-Ikhwan al-Muslimun), mais conhecida como Irmandade (al-ikhwān).

Foi um “choque profundo” para Qutb, ainda nunca que nunca tivesse sido membro da confraria nem conhecesse, pessoalmente, al-Banna, mas ambos frequentaram a mesma escola de formação de professores, em épocas diferentes, e admiravam-se mutuamente.

“A voz de Banna foi silenciada quando ‘Justiça Social no Islão’, da autoria de Qutb, estava a ser publicado – o livro que lhe daria a reputação de importante pensador islâmico”, realçou Wright. A morte de al-Banna representou um ponto de viragem. A 20 de Agosto de 1950, Qutb regressou ao Egipto para assumir a liderança da Irmandade e reforçar a estrutura de células clandestinas, “difíceis de detectar e impossíveis de erradicar”, envolvida numa série de ataques e homicídios. Em Julho de 1952, os Oficiais Livres, de Gamal Abdel Nasser, derrubaram a monarquia e Qutb escreveu uma carta aos novos dirigentes pedindo a instauração de uma “ditadura justa”.

Nasser convidou Qutb para conselheiro do Conselho do Comando Revolucionário, mas ele recusou. Também declinou ser ministro da Educação ou director-geral da Rádio do Cairo. Nasser queria um regime militar, socialista, secular, industrializado e pan-árabe; Qutb queria “mudar a sociedade da base ao topo, impondo valores islâmicos em todos os aspectos da vida, através da aplicação rigorosa da ‘Shariah’ – menos que isto não era islão”.

A única coisa de comum entre ambos, sublinhou Wright, “era a grandeza das visões respectivas”. Qutb foi preso por ordem de Nasser, pela primeira vez, em 1954, mas foi libertado, três meses depois, e foi editar a revista da Irmandade, “al-Ikhwan al-Muslimun”. Os seus artigos críticos enfureceram Nasser e, em 1954, a revista foi encerrada. A “guerra ideológica” entre os dois atingiu o pico na noite de 26 de Outubro de 1954 quando Nasser foi ferido a tiro, por um activista da Irmandade, no momento em que discursava perante uma multidão concentrada numa praça pública em Alexandria.

http://antifaaktionerftstadt.blogsport.de/
Ao sobreviver, Nasser tornou-se herói e Qutb um mártir. Foi preso e torturado na prisão, mas foi também aqui, sofrendo de tuberculose, pneumonia e bronquite, que escreveu cinco das suas oito obras doutrinais. A mais importante foi “Ma’alim fia l-Tariq”, divulgada e traduzida no exterior, depois de sair, folha a folha, clandestinamente, da sua cela numa enfermaria. Aquele livro foi a única prova apresentada em tribunal para o condenar à morte, em 19 de Abril de 1966.
Ao ouvir o veredicto, Qutb exclamou: “Graças a Deus. Fiz a 'jihad' durante 15 anos e mereci este martírio.” As ruas do Cairo encheram-se de manifestantes, em protestos contra a iminente execução. Nasser enviou o seu vice-presidente, Anwar el-Sadat, ao hospital prisional onde Qutb estava internado, para o convencer a recorrer da sentença. Prometeram-lhe que seria perdoado, e até promovido a ministro da Educação. Uma irmã de Qutb pediu-lhe que cedesse. Ele recusou, e justificou: “As minhas palavras serão mais fortes se eles me matarem.”

Em 29 de Agosto de 1996, Qutb foi enforcado após a primeira oração matinal. O seu corpo não foi entregue à família, porque as autoridades temiam que o túmulo se tornasse centro de peregrinação. A "jihad" de Qutb não terminaria, porém, nessa alvorada.

(Dados extraídos do “Novo Dicionário do Islão”, de Margarida Santos Lopes, Ed. Oficina do Livro)

ESQUERDISTAS, AGORA, LUTAM PELA LIBERDADE? Já se esqueceram de Neda Soltan?


A esquerda protestou contra a morte de Neda Agha Soltan nas mãos dos pit-bulls de Ahmadinejad?
http://www.hyscience.com/archives/2009/06/guardian_neda_s.php
 Um ano depois do suicídio reacionário
Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado.

Finalmente o PT lançou uma nota de solidariedade aos iranianos que foram protestar nas ruas contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad: "O Partido dos Trabalhadores saúda o povo egípcio e presta total solidariedade à luta dos povos árabes e de toda a região contra governos ditatoriais, corruptos e violadores dos direitos humanos. Ao cabo de dezoito dias de luta nas ruas de Cairo e outras cidades do Egito, seu povo - jovens, estudantes, trabalhadores, funcionários, classe média -, defendendo as bandeiras de pão, emprego, justiça social, progresso, liberdade e democracia, derrubou o regime antipopular e ditatorial de Hosni Mubarak".

Perdão. Embaralhei os papéis e transcrevi a nota do PT dedicada aos egípcios. Agora sim segue a mensagem dos petistas ao povo do Irã: "O PT se une aos que desejam que as esperanças que iluminaram as mentes e os corações dos milhões de manifestantes que lotaram as praças, enfrentando a repressão policial e toda sorte de dificuldades, não sejam confiscadas nem traídas, e que a voz do povo se faça ouvir, interna e internacionalmente".

Na verdade, essa ainda é a mensagem dedicada ao Egito. Procurei uma nota do PT simpática aos iranianos e não encontrei. Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado. Como em 2009, os rebeldes pacíficos do Irã serão presos ou executados sem que a esquerda espalhe correntes de solidariedade às vítimas. O assunto só interessa aos iranianos, como nos ensinou Lula, o sujeito que considera Muamar Kadafi "meu amigo, meu irmão e líder" (01/07/2009).

Já a questão egípcia transcende fronteiras, pois a Irmandade Muçulmana pode chegar ao poder, incrementar o bloco terrorista antiamericano, romper 31 anos de paz com Israel e juntar-se a Ahmadinejad e companhia na guerra à única democracia do Oriente Médio - ou, no linguajar da esquerda, promover um governo verdadeiramente progressista. Para o PT, Israel comete terrorismo ao não cometer suicídio ante o terrorismo islâmico, e a reação israelense a oito anos de foguetes do Hamas equivale às práticas do regime nacional-socialista. É a mesma opinião de Ahmadinejad, que financia o Hamas e de quem Lula é assessor em assuntos atômicos.

Ontem fez um ano da morte de Orlando Zapata. Na ânsia de trair o comunismo cubano, ele dirigiu-se a uma cela, ficou lá alguns anos, parou de comer e maquiavelicamente deixou-se morrer, bem quando Lula visitava os irmãos Castro. Duas semanas depois do suicídio reacionário de Zapata, o grande timoneiro petista igualou os presos políticos cubanos aos bandidos de São Paulo. Escute a lição: "Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade. Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano". Sobre o Egito, Lula disse que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". No Irã e em Cuba, a depender de Lula, nunca vai furar.
Bruno Pontes é jornalista - http://brunopontes.blogspot.com/
extraído do site: http://www.midiasemmascara.org/artigos/

A FALSA VISÃO DO JORNALISMO, DA VERDADE E DAS LEIS

Não é a verdade que lhe interessa, mas fazer parte da grande narrativa politicamente correcta.

O tumulto na Rua Muçulmana é já um case study. A maioria dos jornalistas ocidentais relatou os acontecimentos com simpatia e até, em alguns casos, com um entusiasmo e um fervor que estariam bem em actos de agit-prop, mas que estão a léguas da informação neutra e tão objectiva quanto possível a que os códigos deontológicos obrigam.
A violência exercida contra jornalistas é o exemplo perfeito deste bias.
Os ataques a jornalistas, quando levados a cabo por indivíduos afectos a certos grupos dos "maus", são relatados com paixão, pormenor, indignação e abundante adjectivação. E são, sem excepção considerados como demonstrativos da maldade intrínseca desses grupos.
Mas tem também havido ataques igualmente brutais levados a cabo pelos "jovens" que, nas palavras entusiasmadas dos jornalistas, "lutam pela democracia e pela liberdade", pese embora não ser possível resumir os acontecimentos a clichés tão simplistas. E o modo como estes ataques são relatados, quando o são, é completamente diferente. De um modo geral são escamoteados, relatados em poucas linhas, com omissão de pormenores importante, sem contextualização e, muito importante, evitando associá-los ao grupo de onde provêm.

veja.abril.com
 O caso Lara Logan é paradigmático
A jornalista americana da CBS, de origem judia, foi violada e brutalizada por dezenas de "jovens lutadores da democracia".

 Ora isto não quadra nas narrativas épicas com que os manifestantes têm sido retratados, pelo que a CBS só deu conta do caso vários dias depois, omitindo as caras dos brutos e o facto de que gritavam "judia, judia, judia" enquanto se cevavam na jornalista. E o follow up tem sido tépido, de um modo geral passando a ideia de que se tratou apenas de um acto odioso de alguns indivíduos que, de modo nenhum, é representativo da sua cultura grupal, nem coloca em causa a narrativa de jovens idealistas e modernos, manifestando-se pacificamente pela democracia.

A que se deve isto?

Na minha opinião, tem a ver com (mais) um efeito perverso do multiculturalismo e de excrescências da luta de classes. Segundo esta visão, prevalecente nos media ocidentais, o que importa não é o acto, mas sim a que grupos pertencem quem o comete e quem o sofre.
Se o acto é cometido por indivíduos dos grupos "opressores", ou "dominantes", (brancos, ricos, judeus, ocidentais, homens), ele revela o carácter perverso da sua cultura e dos seus valores e é exposto e reportado de imediato, sem tergisversações e meias palavras.
Se é cometido por indivíduos dos grupos vistos como "oprimidos", "explorados", "dominados", enfim, pelo "underdog" ( negros, muçulmanos, pobres, minorias sexuais, etc), é relativizado, escamoteado, descontextualizado e, de modo algum pode ser utilizado como prova de que há algo de errado com a cultura e os valores desses grupos.  É a esta luz que se pode compreender o modo como a imprensa ocidental ignorou determinadamente a misogenia islâmica, e a violência, tão presentes e visíveis na Praça Tahrir.

Não é a verdade que lhe interessa, mas fazer parte da grande narrativa politicamente correcta. Nesta narrativa, uma vítima só o é verdadeiramente quando pertence a um grupo "oprimido" e foi vitimizada por um indivíduo de um grupo "opressor".

Se esta geografia não estiver presente, o caso merece menos atenção. É por isso que quando são os "oprimidos" a vitimizarem outros "oprimidos", tudo se passa, em termos de cobertura noticiosa, muito mais discretamente e com explicações e justificações. Por exemplo, quando o Hamas matou centenas de palestinianos da AP, em Gaza, não houve grandes reportagens, indignações, ou caixas.

O Sudão é outro exemplo
Quando elementos dos grupos "oprimidos" atacam elementos dos grupos "opressores", a identidade grupal dos agressores é o mais possível diluída, como se pode ver na nossa própria televisão que reporta actos criminosos levados a cabo por certos gangues, como tendo sido cometidos por "jovens", sem referir a sua etnicidade que é, muitas vezes, o factor relevante no acto.

Chega-se ao ponto de não ser possível compreender o que se passa e as motivações envolvidas, como aconteceu há tempos num bairro de Lisboa, numa confrontação entre "grupos rivais" que só depois se percebeu, ao ver as imagens, ser entre negros e ciganos. Mas se um skinhead atacar um indivíduo de um "grupo vítima", não é de estranhar que haja notícia de 1ª página com títulos do tipo: "Crime racista-Skinhead ataca jovem negro".

O mesmo bias se pode observar facilmente quando a imprensa relata os crimes do quotidiano. Um crime cometido por um indivíduo que é militar, por exemplo, merece títulos como "militar mata comerciante". A ideia subjacente é, obviamente, a de que o crime tem algo a ver com a condição profissional do autor, uma vez que os militares são vistos como um grupo "opressor". Se o criminoso é operário, a profissão já não parece relevante e o título será, por exemplo, "homem mata comerciante".

Isto é assim mesmo e trata-se claramente daquilo que em inglês se designa por "bigotry", um tratamento preconceituoso para com certos grupos. É socialmente aceitável, mas é também revelador de uma espécie de novo racismo que recusa colocar todos os indivíduos sob o mesmo escrutínio moral, remetendo os juízos de valor para a identidade e a pertença grupal.

Neste caso das agressões a jornalistas, tanto Lara Logan como outros jornalistas, como Anderson Cooper, da CNN, foram vítimas, não pelo que são, não por pertencerem a este ou àquele grupo, mas pelos actos de que foram alvo. E quem os atacou são criminosos pelo que fizeram e não por pertencerem ou não a determinado grupo.

Na verdade, enquanto os jornalistas não se compenetrarem de que devem reportar sem tomar partido e sem se envolverem ideologicamente, teremos propaganda a mais e informação a menos.
Alberto Gonçalves é articulista do jornal português Diário de Notícias.
reproduzido do site:      http://www.midiasemmascara.org/mediawatch

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O SUSPEITO OLHAR COMPASSIVO DA IMPRENSA OCIDENTAL EM DIREÇÃO AO POVO LÍBIO. E se Kadafi estivesse nas boas graças do Islão e da esquerda?


http://ibnlive.in.com/news/france-egypt-to-evacuate-citizens-from-libya/144079-2.html

Repentinamente, a imprensa mundial começa a dar novamente atenção à Líbia. A Líbia, aquela ditadura controlada por Muamar Kadafi, com mãos de ferro, desde 1969, foi redescoberta. Porém, agora, a imprensa Ocidental olha de modo compassivo não Kadafi, mas o povo líbio. Repentinamente Kadafi não serve mais para a imprensa.

A história da Líbia, com relação à Imprensa, é curiosa.
Nos anos  70, Kadafi, por meio de seu modo histriônico e sua pinta de galã conseguiu ocupar muito espaço na imprensa e no imaginário ocidental, como se fosse uma espécie de Che Guevara do mundo árabe. Sempre agitando o seu Livro Verde (uma cópia islamizada do Livro Vermelho, de Mao Tse Tung).

Com sua revolução socialista-islâmica - algo tão nebuloso quanto o bolivarianismo de Hugo Chávez, o Kadafi da Venezuela - Muamar Kadafi era olhado com imensa simpatia pela esquerda, pelo seu discurso violento contra os americanos, o capitalismo e o Ocidente. Portanto, era olhado com extrema simpatia boa parte da imprensa, infiltrada pela esquerda. Isso não difere muito da situação da imprensa brasileira, em que jornalistas agem muito mais como agentes de propaganda que jornalistas.

É bom lembrar que eram os tempos da Guerra do Vietnã (aquele lugar em que os americanos não perderam a guerra nos campos de batalha). Naquele período, de plena guerra fria, a agitação comunista assolou a America e a Europa, disfarçada em meio ao mundo universitário e artístico. Multidões de americanos iam às ruas protestar, contra os americanos!

E, assim, a Opinião Pública, alimentada pela paixão ideológica de boa parte da imprensa, do establishment universitário, foi manipulada até que continuar a guerra foi impossível. A guerra foi vencida pelos vietcongues dentro da America, com a ajuda da esquerda americana e mundial. No cenário da guerra guerra, nas trilhas de Ho Chi Mim, os vietcongues estavam sendo vencidos (essa é outra história que precisa ser recontada: como uma derrota militar transformou-se em uma vitória política). 

Alguns anos depois disso, com a America abalada, Kadafi financiou terroristas, cedeu terrenos na Líbia para treinamento e o mundo passou por uma série de atentados. Muitos deles por ordem de Kadafi, ou estimulados por ele.

O Ocidente mostrou-se fraco para reagir aos ataques corrosivos da estratégia de Moscou de solapar a America por dentro, e parte da Imprensa e do mundo das artes cultuava Che, Kadafi e outros revolucionários que queriam colocar fogo no mundo.
No fim dos anos 80 Kadafi acabou bombardeado em seu próprio território, quando mísseis americanos destruíram seu palácio, ocasião em que ele ficou bastante ferido e desfigurado e em que perdeu sua filha Hannah. Ele havia ido além do limite e explodido uma discoteca, em Berlim, cheia de americanos.

Depois disso Kadafi não interessou mais à imprensa. Pressionado pelo Ocidente reconheceu a culpa da Líbia em diversos atentados e pagou indenizações à famílias das centenas de vítimas. A Líbia tem muito petróleo, Kadafi podia gastar à vontade (mais uma coincidência com a Venezuela).

Mas as coisas mudam. Assim como muitos ditadores árabes Kadafi, embora muçulmano, afastou das proximidades do poder os religiosos comandantes do Islão. A atual onda de rebeliões no mundo árabe está sendo percebida, de modo geral, de forma absolutamente equivocada pela imprensa ocidental. (Ao menos, prefiro imaginar isso).

Não é curioso que as revoltas para derrubar os ditadores (os árabes têm reis ou ditadores, nunca conheceram a democracia) ocorram, sempre, nos países em que os religiosos estão fora do poder como no Irã?

Não é mais curioso ainda que as revoltas ocorram apenas na ditaduras aliadas aos americanos? Sim, os americanos também são aliados de ditaduras, mas essa é outra história.

Não há revoltas populares gigantescas no Irã. Houve uma ameaça por estes dias, mas o governo já avisou que será implacável e soltará os pitt-bulls da Guarda Revolucionária. A guarda é aquela que Ahmadnejadi (o outro amigão de Lula, como Kadafi, como Chávez, e como Fidel...) soltou contra a oposição iraniana quando houve aquela fraude brutal em que ele foi reeleito (estou falando de Ahmadnejadi!). Por que não há revolta na Síria?

A imprensa ocidental, afinada com a esquerda, é incapaz de ter o mesmo olhar compassivo com relação aos que são perseguidos no Irã, ou em Cuba, ou na Coréia do Norte, aquele olhar longo e intenso que é capaz de dispensar aos líbios. 

Mas, não se iludam! Hoje, o povo líbio está sendo olhado pela imprensa e pela esquerda porque Kadafi só usa uma retórica socialista-islâmica (isso nunca foi uma coisa muito clara), e fez as pazes com os americanos. Assim, ele foi abandonado pela esquerda e poderá ser jogado do navio. É tão claro! 

Até aquele grupo suave e doce dos componentes do Hamas condenaram ontem a violência de Kadafi contra seu povo. Mas é uma compaixão cínica e mentirosa, pois eles mesmo usam seu próprio povo palestino como escudo quando atacam Israel. São covardes da pior espécie. Se Kadafi estivesse nas graças dos esquerdistas islâmicos, nunca seria dado um pio em protesto contra Kadafi, ele poderia eliminar milhares de líbios, sem maior repercussão na imprensa internacional.

Os grupos islamicos como o Hamas e outros semelhantes, que ora criticam a violência de Kadafi, explodem ônibus escolares cheios de crianças com a despreocupação de quam pisa distraído em uma barata. Crianças israelensses, é claro. (Ah! então tudo bem né?).

Se estivesse ainda nas graças da esquerda, Kadafi teria a mesma paz que Sadam Hussein conseguiu quando eliminou vilas inteiras de curdos do norte do Iraque, ou a mesma paz mundial concedida aos malucos dos talebãs que aterrorizaram e cometeram barbaridades contra seu próprio povo, em nome de Alá. Os talebãs tinham carta branca para a destruição.

Para fechar: a imprensa chia, denuncia, e mostra mãos crispadas e mães chorando na TV sempre de um lado só. Não há quam se compadeça com as centenas de presos políticos de Cuba (desordeiros comuns, diria Lula?) ou com a morte dos que se opuseram ao governo do Irã. Ou com as mães de Israel.

Este é um tempo que envergonha os jornalistas, os verdadeiros jornalistas, aqueles que militam para buscar a verdade dos fatos, e não aqueles que já não são jornalistas, abandonaram a profissão, não passando de meros militantes engajados na promoção de ditadores totalitários.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

OS JOVENS É QUE ESTÃO DERRUBANDO OS TIRANOS?

Afirmando o papel civilizador e histórico da Comunidade de Crentes Islâmica, instituída por Allah como a melhor comunidade, que legou à humanidade uma civilização equânime e universal (...) e por quanto hoje se espera que esta Comunidade de Crentes sirva de guia correta para a humanidade, confundida por crenças e correntes contraditórias (...). Contribuindo aos esforços da humanidade no terreno dos direitos do homem, cujo objetivo é proteger o ser humano (...) assim como afirmar sua liberdade e seu direito a uma vida digna em consonância com a Shari'a Islâmica.
Conferência Islâmica do Cairo, 1990
Até o momento a grande mídia só espalhou mentiras, idiotices e demonstrou uma enorme ignorância do que se passou na Tunísia e no Egito e já se anuncia em outros países da região. No mundo todo ocorre o mesmo, com exceção da mídia conservadora americana. No Brasil as exceções se contam num dedo da mão esquerda de Lula. Os brilhantes artigos de Olavo de Carvalho e alguns outros abnegados autodidatas que teimam em publicar no Mídia Sem Máscara ou em sites/blogs pessoais, jornalistas de primeira linha como Nahum Sirotsky e poucos mais. E estes são atacados como reacionários, pró-ditadura, etc.
A versão dominante é no mínimo imbecilóide: turbas de jovens bem intencionados, inspirados nas tradições ocidentais dos direitos do homem, saem às ruas para clamar por liberdade e democracia, destituindo tiranos. De maneira geral esta frase é repetida ad nauseam nos jornais, tevê, rádio e nas famigeradas "redes sociais" na internet. Subitamente, Mubarak que sempre foi tratado como Presidente do Egito passou a ser Ditador! Como um raio da velocidade da luz o termo mudou da noite para o dia em toda a mídia! (Claro está que Raul Castro continua sendo Presidente de Cuba, país cujo último ditador, antes da democracia popular revolucionária, foi Fulgêncio Batista...).
Os jovens são colocados nas alturas espalhando de forma subliminar que eles são dotados de clarividência e onisciência divinas. Negam e muitos sequer sabem que foram os jovens que primeiramente atenderam às exortações de Ruhollah Khomeini e levaram a cabo a Revolução Islâmica do Irã. Que o maior genocida da história conclamou os jovens a levar a cabo uma das maiores matanças de todos os tempos: a Revolução Cultural chinesa. Que era aHitlerjugend, grupos de jovens que fora das salas de aula se organizavam em grupos e milícias para-militares para espionar o povo, inclusive seus próprios pais, desde 1931, quando já formavam a temerosa patrulha ideológica nazista comandada pelo não tão jovem Baldur von Schirach. Mais tarde, já fanatizados, foram nomeados líderes do Partido Nazista e membros das SS.
Von Schirach é o representante padrão que demonstra que jamais os jovens agem espontaneamente, mas sempre são exortados pelos mais velhos. O tal 'conflito de gerações' em níveis sociais é uma falsidade inventada pelos mais velhos para negar que os jovens são sempre usados como buchas de canhão pelas facções provectas em seus conflitos intra-geracionais. As turbas que enfrentavam a Hitlerjugend nas ruas, ligadas à Spartakusbund, também eram comandadas secretamente por 'coroas' como Ernt Thäelmann, dirigente do Partido Comunista. O autor deste texto experimentou isto na própria carne na sua juventude e é testemunha destes fatos.
Que direitos eles defendem agora no Oriente Médio? De que democracia se trata? De que liberdade? ...
LEIAM O TEXTO INTEGRAL NO SITE MIDIA SEM MÁSCARA: (http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/oriente-medio/11867-ignorancia-mentiras-e-idiotices-em-relacao-aos-disturbios-do-oriente-medio.html)
OU NO SITE DE HEITOR DE PAOLA:   http://www.heitordepaola.com/index.asp

domingo, 20 de fevereiro de 2011

O REALISMO ISLÂMICO DA IMPRENSA OCIDENTAL. Ou: Quem é mais estúpido: os agitadores árabes islamo-fascistóides ou a imprensa esquerdista bocó cobrindo os eventos?

O Sol do Comunismo (A.A.Shokunenko)

Hoje, um espírito como o de Aleksei Alekseevich Shovkunenko pintaria o mesmo quadro com os homens barbudos e as mulheres usando hijab. Título: "O Sol da Democracia Árabe"
Depois do Realismo Socialista patrocinado pelos soviéticos, vemos a emergência de um Realismo Islâmico patrocinado pela imprensa esquerdista ocidental.
 Ao invés de operários, camponeses e revolucionários felizes, trabalhando pela construção de uma gloriosa sociedade socialista e sem classes sociais, de agora em diante teremos manifestantes islâmicos, líderes islâmicos e militantes islâmicos ("terrorista" é um termo preconceituoso) felizes, construíndo uma gloriosa sociedade islâmica e sem judeus ou cristãos.

Tendo em vista que já raiou um novo dia para o Egito e seu bravo povo, nada mais oportuno do que pegar uma mangueira e uns rodos e lavar um pedaço da praça Tahir, no Centro do Cairo, onde tudo isto teve início.
Alguns repórteres ocidentais também devem ser chamados para mostrar e comentar em termos eufóricos o "extraordinário" acontecimento.
O resultado:



Vai ser interessante, daqui a um tempo, quando a revolução muçulmana do Egito e do resto do "mundo árabe" começar a dar seus frutos, ver esquerdistas ocidentais fazendo reportagens, pintando quadros e escrevendo peças sobre linchamentos de opositores, apedrejamentos de adúlteros e decapitações de apóstatas e blasfemos em que todos os partícipes, carrascos e vítimas, apareçam com um ar radiante, confiantes no advento de um futuro ainda mais justo e islâmico. 

Texto, imagem e vídeo reproduzidos do blog Vera Dextra

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SE O HIZBOLLAH PERDER A MEMÓRIA...

Israel 'pode ter que entrar de novo no Líbano'

Reproduzido do blog Vera Dextra (http://veradextra.blogspot.com/)

Quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
The Telegraph via RETRO-AGGREGATOR, 16 de fevereiro de 2010
Original: Israel 'may have to re-enter Lebanon'
Tradução: Dextra

O exército israelense pode ter que entrar novamente no Líbano para garantir que o Hizbollah se lembre da lição da guerra de 2006, segundo Ehud Barak.

Falando durante um giro pela fronteira norte com o novo chefe do gabinete militar, Benny Gantz, o ministro da defesa disse: "Embora haja tranquilidade e a dissuasão funcione -- o Hizbollah se lembra da grande surra que levou de nós em 2006 -- isto não é para sempre e podemos ser levados a entrarmos de novo."

"Devemos estar preparados para qualquer prova," disse o sr. Barak aos soldados, de acordo com o jornal Haaretz. "O segredo é se reagir rápido na eventualidade de que algo aconteça, dentro de segundos, traduzindo tudo o que se aprendeu no treinamento."

A guerra de 34 dias, em 2006, com a milícia xiita libanesa, matou 1 200 pessoas no Líbano, a maioria civis, e 160 israelenses, a maioria soldados.

O sr. Mubarak também comentou os distúrbios na Tunísia e no Egito, insistindo em que o tratado de paz com Cairo deve continuar valendo.

"A região toda está mudando diante de nossos olhos, " disse ele. "Nós vemos o que aconteceu no Líbano -- o governo mudou para um outro que é menos do que confortável [para Israel] por muitas razões e está mais ligado ao Hezbollah. Nós vimos o que aconteceu na Tunísia e no Egito."

[fim do artigo]

Dextra: Uma nova guerra de Israel com os sociopatas islâmicos do Hizballah em uma escala maior do que a última, de 2006, não é uma questão de "se". É questão de "quando". O grupo terrorista libanês já há algum tempo está se preparando para tomar o poder no país e quando isto acontecer, as Forças Armadas de Israel  terão que agir com a violência de costume. Veja nossas traduções de artigos sobre o caso -- 1, 2, 3, 4, 5.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MUBARAK AFASTOU-SE DO PODER, MAS REGIME CONTINUA

HOSNI MUBARAK, EX-DITADOR EGÍPCIO
(https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNlgr02daIp9cvbLuK39MZSuliJc6DeTKMlEBgySPaKsC0vy5cqqwoeNppxYvmR65w3R7fb3DqwA-clJKHj6PFKktd6XH8XtCO7Tj6o3a38BBstZoLqnMcTVe0nAfo_GarzUPrbBXxJnlE/s1600/mubarak2.jpg)
Talvez para evitar uma guerra-civil Hosni Mubarak tenha preferido renunciar após a pressão, de quase 20 dias, feita por multidões no Cairo.
Mas, os que pensavam em tomar o poder no grito (apesar de Mubarak ser um ditador) ainda não conseguiram seu intento.
O Exército fará a transição.
E o Exército egípcio não é aliado da Irmandade Muçulmana.
Os que pretendem incendiar todo o Oriente Médio terão que aguardar algum tempo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MUBARAK WON´T LEAVE OFFICE; MUSLIM BROTHERHOOD ANGRY. Ou: Mubarak deixará o poder mais tarde.

Finalmente Hosni Mubarak falou ao povo egípcio, e disse que não vai renunciar, embora quem vá responder pelo governo seja o vice Omar Suleiman. Os manifestantes, que ocupavam a praça Tahrir não gostaram muito, e correspondentes dizem que houve fúria.

Mas, é preciso notar que o Egito é um país com 72 milhões de habitantes e na praça Tahrir algumas centenas de milhares de pessoas podem passar a impressão de que todo o Egito quer Mubarak fora.

Será mesmo assim? Embora Mubarak seja um ditador, o país não tem uma população controlada pelos islâmicos fundamentalistas que, de fato, estão por trás das manifestações que abalam o país há dias. 

Talvez  parte da população queria ver Mubarak pelas costas, mas quem querem ver em seu lugar? Essa é a pergunta que muitos não fazem no Ocidente, acreditando que os egípcios estão apenas desejando um regime democrático.

Muitos poderão querer algo como a democracia, mas mais gente ainda não quererá viver sobre a chibata islâmica fundamentalista associada aos amigos da Muslim Brotherhood. 

O Egito tem mais de 11% de seu PIB dependente da indústria turística que, em 2010, recebeu mais de 12 milhões de visitantes (o dobro do que recebeu o Brasil). O prejuízo do setor turístico já ultrapassa, em muito, 1 bilhão de dólares. Isso não é pouco dinheiro.

Com a crise se prolongando, muito mais gente sofrerá. Acho que os radicais e os manipulados por eles terão que voltar para casa, pois começarão a ser pressionados pelos seus próprios compatriotas que, neste caso, são a maioria.

Part of Mubarak speech (CNN)

..."Dear citizens, the priority right now is regaining the sense of confidence in Egyptians and a sense of trust in our economy, our reputation. Change and transfer that we have already started and that is not going to bring us any sort of step backwards.
Egypt is passing through a critical juncture. We should not ever permit that this is going to continue because this affects negatively our economy. Negative repercussions on our economy day after day would lead to a situation where we find those youth who had called for change, they would really be endangered out of the movement.
This critical juncture is not at all co-relevant to me personally, it's not co-relevant to Hosni Mubarak, but now Egypt is a top priority. It's present, it's future, the future of the coming generations, all of the Egyptian people now are all in one boat, in one corner, and we have to continue the national dialogue that we have already started with the spirit of a team and away from any sense of animosity and any sense of differences. So that we would overcome this critical juncture, and so that we would regain confidence in our economy and we would retain security and stability on the Egyptian street."...
















segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

TOWARD A SOFT LANDING IN EGYPT. Or: only de armed forces can save Egypt from the radicals

Desde o fim de janeiro postei alguns textos tratando da questão das rebeliões no Egito. Sempre defendendo que não há a tal espontaneidade das massas.
Elas são conduzidas, de forma sutil, pela Irmandade Muçulmana.

Citei Toynbee e Huntington e penso que o Egito somente será salvo pelas forças armadas. Não por tiros, mas pelo preparo que os oficiais têm. Os militares são o elo mais forte com a civilização técno-científica.
Isso ocorre naquela região desde a reforma promovida por Ataturk, na Turquia, no início do Século XX.

Anexo, em seguida, link para um excelente artigo de Charles Krauthammer, do  The Jerusalem Post, com a mesma perspectiva "Toward a soft landing in Egypt" (Rumo a uma aterrisagem suave no Egito), que encontrei no blog do Aluizio Amorim. (http://aluizioamorim.blogspot.com/)

Bom proveito.
Gutenberg

O texto:  http://www.jpost.com/Opinion/Op-EdContributors/Article.aspx?id=207094

EGITO: A ESPONTANEIDADE PARA TURISTA VER. Afinal, quem manipula os cordéis do futuro?

A Esfinge deve andar muito cismada com os movimentos espontâneos de massa do Egito.
(http://www.clipartpal.com/_thumbs/pd/religion/Sphinx.png)
Passada a onda inicial de euforia com o poder de mobilização espontânea do Facebook e do Twiter, parece que a realidade vai tomando conta do noticiário sobre o Egito. Já escrevi aqui sobre o processo de  ocidentalização do Oriente Médio e Norte da África, mostrando que as forças armadas, por incrível que pareça, são pontas-de-lança da modernização ocidental naqueles recantos. Militares são ordenadores e podem ser autoritários. Assim, quem estiver associados a eles pode chegar e ficar um bom tempo no poder, como ocorreu com Mubarak e outros líderes árabes-islâmicos.

O que chamou a atenção de bem  poucos, no início do movimento popular, foi exatamente a espontaneidade do acontecimento. Não é comum pessoas comuns saírem da sua rotina para provocarem a Ordem. O Egito não está em um estado de penúria em que nada mais importe. Os movimentos provocaram prejuízos gigantescos com a fuga de mais de um milhão de turistas e cancelamento de vagas hoteleiras. O Turismo é uma forte indústria no Egito.

Alguns dias depois dos tumultos, em que o Exército adotou uma posição moderada, começam a aparecer os manipuladores dos cordéis: os adeptos da Irmandade Muçulmana, que no início diziam-se surpresos com os fatos, agora procuram ocupar todos os lugares na mesa de negociação com o governo para uma transição. Reinaldo Azevedo vem também chamando a atenção para esse ponto, assim como Olavo de Carvalho (ler "Perigo à vista", no Diário do Comércio de hoje) esclarece o papel da Irmandade Muçulmana na construção de um mundo árabe-islâmico, a Liga Árabe, um tipo de nacionalismo regional.

Não houve nada de espontâneo nem no Egito ou em qualquer país do Norte da África ou do Oriente Médio. As tecnologias de comunicação ajudaram um pouco - é preciso lembrar que não são sociedades tão informatizadas como as ocidentais-; as condições econômicas também não são muito boas em alguns daqueles países; mas há a pressa dos islâmicos em assumirem o poder e partirem para o confronto com o Ocidente e com Israel.

Não creio, nem um pouco, no desejo de democracia por quem manipula os cordéis.
Os jovens nas ruas e na praça Tahrir ?
Talvez tenham alguma esperança democrática, mas acho que ficarão desapontados.
PS: Há um texto muito interessante sobre a questão do Egito, de Luiz Felipe Pondé:
"JOVENS DA `REVOLUÇÃO DO QUIBE´ QUEREM EMPREGO, NÃO `LIBERDADE´
http://www.paulopes.com.br/2011/02/jovens-da-revolucao-do-quibe-querem.html









quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

PROCURAR A SOPA NOUTRAS PANELAS. Ou: crescer dói.

RECUPERANDO TEMAS PARA REFLEXÃO

As crianças de Atenas
João Pereira Coutinho
Estive em Atenas uma única vez na vida. Fui roubado. Literalmente. Verdade que também fui roubado no Brasil, na Espanha e no Egito. Desconfio que deve existir uma organização criminosa internacional que entra em alerta máxima sempre que eu me preparo para viajar. "Atenção: otário em movimento. Ataquem".

Mas o roubo em Atenas foi diferente. Foi, digamos, indolor: não houve armas (como no Brasil), não houve vidro do carro partido (como em Espanha) e não houve coação física (como no Egito). Depois de um jantar a dois passos da praça Syntagma (a única praça da capital grega que parece civilizada), lancei a mão à carteira e descobri o bolso do casaco vazio. Passei os oito dias seguintes (quatro em Atenas, quatro nas ilhas) com dinheiro emprestado e uma garrafa diária de retsina.

Lembro tudo isso porque a Grécia voltou a ocupar os noticiários. Alguns dias atrás, a polícia matou um rapaz de 15 anos. Nas duas semanas que se seguiram, jovens descontentes com o estado do mundo e com o estado da Grécia resolveram "vingar" a morte do companheiro e verter a raiva incontida em lojas, carros e policiais. Diz a imprensa que os prejuízos rondam os 130 milhões de dólares e, pior, estão longe de acabar: resguardados no Politécnico de Atenas, espaço onde a polícia não entra por determinação constitucional (os estudantes tiveram papel heróico no derrube da ditadura e isso garante-lhes certas prerrogativas espaciais), eles transformaram o Politécnico em "embaixada" e aí preparam as bombas que lançam quando a noite cai. Perfeito.

Os especialistas explicam o drama. E afirmam, inteiramente a sério, que existem "razões" ponderosas para deitar fogo à cidade. A corrupção do governo; a mediocridade do seu sistema de ensino; uma taxa de desemprego próxima dos dois dígitos --tudo isso ajuda à festa dos bárbaros. E depois temos a terrível "globalização", esse velho fantasma das cabeças primitivas, que transporta no seu dorso a crise financeira mundial.

Não acreditem nessas rábulas: a Grécia é um parceiro respeitável da União Européia e o governo de Atenas não se distingue particularmente dos governos burocráticos da União, que ratificam o que Bruxelas decide.

O problema está numa geração que nasceu e cresceu à sombra do Estado de Bem Estar Social, essa herança da Grande Depressão que o fim da Segunda Guerra tornou praticamente universal. Um Estado que vela pelos seus cidadãos do berço até à cova e que, precisamente por isso, os infantiliza durante uma vida inteira.

Quando vejo os pequenos selvagens da Grécia, é impossível não perceber o drama central desses meninos: habituados ao conforto e à segurança de um Estado que os trata como menores, eles continuam a esperar da entidade paternal o manto protetor das suas existências: no ensino, na saúde, no trabalho, na habitação, no consumo, na educação dos filhos e até, quem sabe, no fabrico deles. Inevitável: educados na dependência, eles não se distinguem dos mais básicos dependentes.

Infelizmente para eles, para a Grécia e para a Europa, o pai dá sinais de falência e os filhos terão que procurar a sopa noutras panelas. A violência de Atenas, que a prazo se espalhará pelas restantes cidades do continente, faz parte do processo. Crescer dói.

Artigo originalmente publicado na Folha Online.
João Pereira Coutinho

18/12/2008

FOREIGN POLICY APONTA OS NOVE ERROS DE MUBARAK.

Hosni Mubarak, do Egito (no poder há 30 anos), enfrenta pressões populares para renunciar. Em consequência ele anucIou que não disputaria as eleições de setembro, mas os protestos contra seu governo – iniciados dia 25 de janeiro – não cessam.
Segundo a revista Foreign Policy, parte da popuLação protesta porque ele cometeu uma série de erros no comando do país mais populoso do mundo árabe. Nove deles teriam sido o estopim para as revoltas.

1 - Concentração de renda. A economia do Egito cresceu consideravelmente nos últimos anos, mas a população ficou à margem do processo. Críticos dizem que apenas empresários ligados ao Partido Democrático Nacional (a legenda de Mubarak) enriqueceram.
2 – Corrupção. A corrupção é um dos fatores mais criticados. É difícil fazer qualquer coisa no país sem pagar propina ou ter conexões com figurões. No governo, diz a população, não é diferente.
3 – Falta de visão. Gamal Abdel Nasser e Anwar Sadat, antecessores de Mubarak, sabiam onde queriam levar o Egito. O atual presidente, por sua vez, não oferece uma meta clara aos egípcios. O que ele oferece é uma infraestrutura em ruínas, condições socioeconômicas decadentes e lealdade ao Ocidente.
4 – Falta de reformas. O governo de Mubarak promete reformas políticas há anos. Candidatos independentes são proibidos de disputar a presidência, e há inúmeras acusações de fraudes nas eleições.
5 – Campanha por Gamal. Mubarak tem 82 anos e pode não estar bem de saúde. Por isso, o presidente tem preparado seu filho, Gamal, para sucedê-lo. Gamal, atualmente dirigente do Partido Nacional Democrático, e isso não agrada a população.
6 – Despreparo para os protestos. As manifestações que ocorrem no Egito não passam de pequenas marchas rapidamente dispersadas pela polícia. Desta vez, os organizadores estão conectados uns aos outros e sabem como se comunicar com o público descontente com o governo. A polícia não foi capaz de conter as marchas e os militares foram chamados.
7 – Trapaças. Durante a maioria das eleições parlamentares que ocorreram durante seu mandato, Mubarak deixou alguns assentos para os opositores. Em 2010, porém, a oposição foi drasticamente reduzida e a Irmandade Muçulmana, o maior partido opositor, ficou de fora do Parlamento.
8 – “Capangas” nas ruas. Vários dos saqueadores detidos durante o vácuo de segurança causado pela ausência da polícia durante três dias de protestos carregavam identificações de funcionários do governo e da polícia, sugerindo que eles foram enviados pelo governo. Mubarak pode ter tentado levar o povo para casa, mas não deu certo, e os protestos só cresceram..
9 – Nomeação de aliados. Mubarak anunciou reformas políticas e constitucionais não especificadas e prometeu não disputar as eleições em setembro; porém, nomeou dois militares e aliados próximos para os cargos de vice-presidente e primeiro-ministro, o que foi interpretado como estratégias para perpetuar seu partido e seus aliados no poder.

http://www.foreignpolicy.com/

THE TOP TEN AUTOCRATS. A LISTA DE DEZ DITADURAS QUE A REVISTA TIME CONSIDERA EM RISCO

A revista Time publicou uma lista de dez ditaduras cujos governos podem cair, como aconteceu com o ex-presidente da Tunísia, Zine Ben Ali.

EGITO - Hosni Mubarak
O presidente do Egito, que enfrenta protestos  pela sua renúncia, é o primeiro da lista. Assumiu o poder em 1981, após o atentado que matou Anwar Sadat, em 1981. A polícia é conhecida pela violência na repressão a opositores. Denúncias de fraude surgiram nas últimas eleições. Mubarak prometeu deixar o poder em setembro, mas há pressões para saia agora.

IÊMEN - Ali Abdullah Saleh
Há 32 anos no poder, o presidente do Iêmen governa o país mais pobre do Oriente Médio, dividido entre tribos e clãs, que abrigam a Al-Qaeda na Península Arábica. Após os protestos na Tunísia e no Egito, o país também viu protestos contra o presidente e a corrupção. Salehprometeu desistir de concorrer à reeleição.

COREiA DO NORTE - Kim Jong-il
Comandante da ditadura (comunista) mais fechada do mundo, Kim Jong-il indicou seu filho Kim Jong-un, um jovem de 20 e poucos anos para sucedê-lo. Há impasses sobre o programa nuclear e o conflito com a Coreia do Sul,  e problemas com a distribuição de comida. A incerteza provocada pela sucessão, segundo analistas, pode levar a um golpe contra a família de Kim.

BIELO-RÚSSIA - Alexander Lukashenko
Descrito como ‘o último ditador da Europa’, Lukashenko governa a ex-república soviética da Bielo-Rússia há 16 anos, desde a queda do regime soviético. A imprensa é censurada, e dissidentes perseguidos. Na última eleição, na qual foi reeleito com 80% dos votos, houve denúncias de fraude generalizada. O país enfrenta sanções da comunidade internacional.

SUDÃO - Omar Hassan al-Bashir
O presidente do Sudão tem um mandado de prisão contra ele emitido pelo tribunal penal de Haia por crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito de Darfur, no sul do país. Em 2011 a região optou por se separar do país em um referendo. Bashir tem enfrentado protestos similares ao do Egito e da Tunísia.

IRÃ - Mahmoud Ahmadinejad
Um ano e meio antes da Revolução de Jasmin, os iranianos tomaram as ruas do país na ‘Revolução Verde’ para protestar contra fraudes nas eleições presidenciais do Irã. A reação do regime dos aiatolás foi brutal. A internet foi censurada e os manifestantes perseguidos. Desde os confrontos, Ahmadinejad tem enfrentado uma oposição maior de alguns clérigos do próprio regime.

ZIMBÁBUE - Robert Mugabe
Único presidente da história do Zimbábue,  no poder desde 1980, Mugabe governa um país onde a inflação é incalculável e o dinheiro já perdeu o valor de face. Após uma crise política em 2008,  um acordo de coalizão foi feito com a oposição.

TAJIQUISTÃO - Rahmon Emomali
O presidente do Tajiquistão, no poder desde 1992, governa um dos países mais pobres do antigo bloco soviético. Fronteiriço com países conturbados, como o Afeganistão e o Paquistão. O Tajiquistão é rota de tráfico de ópio e heroína.

ARÁBIA SAUDITA - Casa de Saud
No poder desde o início do século XX, a família real saudita governa o país como uma monarquia absolutista, no qual a lei islâmica, a Sharia, é seguida à risca. Um dos principais aliados dos EUA no Oriente Médio, a Arábia Saudita detém 25% das reservas mundiais de petróleo. A presença de radicais islâmicos no território é o maior risco para o regime.

ARGÉLIA - Abdelaziz Bouteflika
No comando da Argélia desde 1999, quando venceu uma guerra civil contra radicais islâmicos, Bouteflika  enfrenta dificuldades econômicas. No começo deste ano aconteceram protestos similares aos da Tunísia.

(Full list - Top ten autocrats) leia mais em:       http://www.time.com/