Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador DITADURA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador DITADURA. Mostrar todas as postagens

domingo, 8 de junho de 2014

OLAVO DE CARVALHO COMENTA O DEBATE ENTRE FLÁVIO MORGENSTERN E IGOR FUSER NO GRÊMIO POLITÉCNICO.


Já nos primeiros dez minutos do seu debate com Flávio Morgenstern no Grêmio Politécnico, sobre a ditadura militar (v. https://www.youtube.com/watch?v=5h3jnaGz59Q&feature=youtu.be), o prof. Igor Fuser exemplificou com rara concisão a regra de que ninguém pode mentir com eficiência se não falsifica primeiro a própria situação de discurso.



Ele começou se queixando de que não há espaço para debates sobre o tema na grande mídia, onde reina a versão oficial única e indiscutível. Quem o ouvisse acreditaria, portanto, estar diante de um porta-voz da minoria amordaçada. Uma vez transmitida essa impressão, o prof. Fuser estava livre para impingir à platéia, sem temor de represálias, a mesma versão oficial à qual ele parecia se opor. E assim ele fez.

Essa versão é a seguinte: Em 1964 um governo democrático estava empreendendo, por vias legais democráticas, algumas reformas patrióticas que alarmaram o capital estrangeiro, o qual então se mobilizou para derrubar o presidente e instaurar uma ditadura.

É o que toda a mídia alardeia há mais de vinte anos, o que se repassa às crianças em todas as escolas do país, o que se imprime e reimprime em livros e mais livros de História. E foi o que o prof. Fuser repetiu com a cara mais bisonha do mundo, bem protegido sob a sua aparência enganosa de contestador da uniformidade.

É versão cem por cento falsa.

Em primeiro lugar, João Goulart não promoveu reforma nenhuma. Falou muito em reformas, mas até o último dia o Parlamento lhe implorou que enviasse ao menos um projeto delas, coisa que ele adiou, adiou e acabou não fazendo nunca. A lei mesma da remessa de lucros, que segundo o prof. Fuser teria sido a “causa imediata” do golpe, só o que Goulart fez com ela foi sentar-se em cima do projeto, que acabou sendo aprovado por iniciativa do Congresso, sem nenhuma participação do presidente. 

Se a fúria do capital estrangeiro contra essa lei fosse a causa do golpe, este teria se voltado não contra Goulart e sim contra o Congresso – Congresso que, vejam só, aprovou o golpe e tomou, sem pressão militar alguma, a iniciativa de substituir Goulart por um presidente interino.

Em segundo lugar, é falso que Goulart governasse por meios democráticos. Num governo democrático, o executivo não reina como um monarca absoluto, mas obedece as leis e cede às decisões do Congresso democraticamente eleito. Goulart fez tudo o que podia para fechar o Congresso, mandou invadir com tropas militares o Estado da Guanabara, fortaleza da oposição, e prender o governador Carlos Lacerda, matando-o se resistisse (a operação falhou por um triz). 

Não hesitou mesmo em usar contra esse Estado o recurso stalinista da “arma da fome”, vetando, através do seu cunhado Leonel Brizola, o fornecimento do arroz gaúcho que era uma das bases da alimentação do povo carioca. Como se isso não bastasse, protegeu a intervenção armada de Cuba no território brasileiro, ocultando as provas e enviando-as, por baixo do pano, a Fidel Castro. É eufemismo dizer que Goulart tramava um golpe de Estado: seu mandato foi uma sucessão de golpes de Estado abortados.

Terceiro: não houve nenhuma, literalmente nenhuma participação americana na preparação do golpe. A famosa “Operação Brother Sam”, tão demonizada pela esquerda, nunca foi nem poderia ter sido nada disso, e só adquiriu essa aparência graças a uma vasta campanha de desinformação lançada pela KGB logo após o golpe, conforme confessou o próprio chefe da agência soviética então lotado no Brasil, Ladislav Bittman. 

Nesse ponto a mendacidade esquerdista chega a ser deslumbrante. Todos os jornais do país – a maldita grande mídia a que o prof. Fuser finge se opor – até hoje usam como prova da cumplicidade americana a gravação de uma conversa telefônica na qual o embaixador Lincoln Gordon pedia ao presidente Lyndon Johnson que tomasse alguma providência ante o risco iminente de uma guerra civil no Brasil. Johnson, em resposta, determinou que uma frota americana se deslocasse para o litoral brasileiro.

Fica aí provado, na cabeça ou pelo menos na boca dos fúseres, que os americanos foram, se não os autores, ao menos cúmplices do golpe. Mas, para que essa prova funcione, é necessário escamotear quatro detalhes: (1) A conversa aconteceu no próprio dia 31 de março, quando os tanques do general Mourão Filho já estavam na rua e João Goulart já ia fazendo as malas. Não foi nenhuma participação em planos conspiratórios, mas a reação de emergência ante um fato consumado. (2) A frota americana estava destinada a chegar aos portos brasileiros só em 11 de abril. Ante a notícia de que não haveria guerra civil nenhuma, retornou aos EUA sem nunca ter chegado perto das nossas costas. (3) É obrigação constitucional do presidente dos EUA enviar tropas imediatamente para qualquer lugar do mundo onde uma ameaça de conflito armado ponha em risco os americanos ali residentes. Se Johnson não cumprisse essa obrigação, estaria sujeito a um impeachment. (4) As tropas enviadas não bastavam nem para ocupar a cidade do Rio de Janeiro, quanto mais para espalhar-se pelos quatro cantos do país onde houvesse resistência pró-Jango e dar a vitória aos golpistas.

Para completar: se não houve intervenção americana, houve sim  intervenção soviética, e profunda. Se até hoje a esquerda vociferante não conseguiu dar o nome de nenhum agente da CIA então lotado no Brasil – e, sem eles, como participar de uma conspiração? --, documentos recém-revelados provam – com nomes -- que havia agentes da KGB infiltrados em todos os escalões do governo Goulart.
Em dez minutos, o prof. Fuser conseguiu falsificar nada menos que tudo.

Publicado no Diário do Comércio. 

TEXTO REPRODUZIDO DO SITE MÍDIA SEM MÁSCARA:


quinta-feira, 31 de março de 2011

DILMA E OS DESAPARECIDOS DO TEMPO DA DITADURA. Ou: o Jornalismo já aposentou a pauta?


Nos meus tempos de foca (aprendiz de Jornalismo), aprendi que preparar uma pauta era levantar "tudo", diziam os chefes aterrorizadores, sobre um assunto, antes de sair a campo para fazer uma reportagem.
Fazer uma entrevista exigia, segundo os mesmos chefes aterrorizadores, um bom preparo das questões, ou, ao menos, um bom conhecimento do tema e, até, sobre o entrevistado. isto é, nem tudo no jornalismo pode ser feito de súbito, de pronto, de modo reativo, embora essa agilidade seja intrínseca à atividade, posto que não é uma ciência exata. 
Até, daí é que surgem os erros e as falhas, às vezes banais, às vezes graves, mas tudo visto, como dizem os politicamente corretos da atualidade, pelo sisudo ângulo da Ética (de certa forma, o outro nome de censura hoje em dia, visto que ético parece ser apenas aquilo que está bem conforme a ótica da esquerda científico-modernosa).
Mas isto não é um tratado sobre Jornalismo, apenas um breve alerta a respeito de uma entrevista comentada pelo jornalista Reinaldo Azevedo, a entrevista do jornalista português Sousa Tavares com a presidente Dilma Rousseff.
Arguto, como sempre, Azevedo dá lições de Jornalismo diárias. Seus posts sobre as derrapagens, omissões, manipulações, mas-intenções, desinformação, deslumbramento, adesismo, oficialismo, dariam um livro muito útil aos iniciantes. Já nem penso nos burros velhos, pois burros velhos são. Aprenderiam algo?  
Tanto o jornalista (aliás um profissional com larga experiência, sem dúvida) como a presidente, parecem cumprir uma tabela. Teria faltado tempo, vontade, mais curiosidade? Foi isso que me fez pensar nos velhos chefes aterrorizadores e a mania de preparar bem uma pauta. 
Leiam com atenção:
31/03/2011
 às 5:29

Dilma e o jornalista português fazem competição de desinformação. Quantos são os desaparecidos? Milhões? Milhares? Centenas? Eu conto!


..."Sousa Tavares fez a essa presidente, com esse presente e com esse passado, a seguinte pergunta:
Sousa Tavares - O que [a senhora] vai fazer, se é que vai fazer alguma coisa, com relação aos arquivos desse tempo [da ditadura], que estarão guardados aqui a apodrecer em Brasília. Os arquivos onde se julga poder encontrar o destino, o que aconteceu aos 500 brasileiros, mortos sem sepultura, cujas famílias não sabem quando é que morreram, onde, onde é que estão?
Dilma - A Comissão da Verdade, que é a proposta que nós mandamos ao Congresso, ela tem por objetivo resgatar uma coisa que é algo fundamental, qual seja: o direito sagrado de as pessoas enterrarem seus mortos. Enterrar não é um ato físico apenas. Muitas vezes, enterrar é um gesto simbólico, psicológico, moral e ético. Então essas milhões… Milhões não é… centenas de pessoas e algumas milhares que tiveram seus filhos mortos, elas têm todo o direito de enterrá-los, dessa cerimônia. E o estado deve a elas uma explicação”.
Agora eu (Reinaldo)Muito bem, muito bem, leitor! Comecemos pelo essencial: os dois estão mal informados, tanto quem pergunta como quem responde. Dilma, vê-se, não tem idéia de quantos são os desaparecidos, embora essa história esteja mais perto dela do que de qualquer um de nós. Milhões? Não! Milhões é coisa de grandes psicopatas, assassinos em massa, a maioria de esquerda: Hitler, Stálin, Mao Tse-Tung, Pol Pot… Milhares? Aí já é coisa de alguns gorilas latino-americanos: há os gorilas mais modestos, como Pinochet, que matou três mil. Há os mais robustos, como os ditadores argentinos: 30 mil. E há os gorilaços, como os irmãos Castro: 100 mil.
Sousa Tavares deve uma correção aos telespectadores portugueses, e Dilma Rousseff deu curso a uma mentira histórica. É bem provável que a maioria que me lê agora não saiba, embora eu já tenha publicado essa informação aqui, quantos são os chamados desaparecidos da ditadura militar brasileira. Nem milhões, nem milhares nem centenas: são 133. Não deveria ter havido um único, é claro!, mas as esquerdas brasileiras investem na imprecisão como estratégia de heroicização do próprio passado e de demonização do adversário.
Saiba Sousa Tavares que os “mortos da ditadura” no Brasil, incluindo aqueles que pereceram de arma na mão, são 424 — e aí se contam 4 justiçamentos, isto é, pessoas assassinadas pelos próprios “tribunais revolucionários” das esquerdas porque supostos traidores. Os dados não são meus, não! Estão no livro “Dos Filhos Deste Solo”, escrito pelo petista Nilmário Miranda. Que se encontrem esses 133 corpos. Não estou me opondo, não! Mas que não se dê curso a uma fantasia. Aliás, num raciocínio puramente comparativo, os esquerdistas conseguiram ser mais letais do que as chamadas forças de repressão, indício de que, se tivessem chegado ao poder, teriam seguido seus ancestrais históricos: juntos, os vários movimentos mataram 119 pessoas. Não há uma só família que receba indenização. Espero que a verdade dos fatos não seja considerada “reacionária”.


Leiam o texto integral no blog do Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/aqui-a-integra-da-entrevista-a-souza-tavares/

segunda-feira, 28 de março de 2011

NOTA DOS CLUBES MILITARES, SOBRE 31 DE MARÇO, LEMBRA A DEFESA DA DEMOCRACIA

Os clubes Militar, Naval e Aeronáutico divulgaram nota conjunta sobre os 47 anos da deposição de João Goulart. O texto é assinado pelo general Renato Cesar Tibau da Costa, pelo vice-almirante Ricardo Antônio da Veiga Cabral e pelo tenente brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista. 

Íntegra 

Há quarenta e sete anos, nesta data, respondendo aos reclamos da opinião pública nacional, as Forças Armadas Brasileiras insurgiram-se contra um estado de coisas patrocinado e incentivado pelo Governo, no qual se identificava o inequívoco propósito de estabelecer no País um regime ditatorial comunista, atrelado a ideologias antagônicas ao modo de ser do brasileiro.

À baderna, espraiada por todo o território nacional, associavam-se autoridades governamentais entre as quais Comandantes Militares que procuravam conduzir seus subordinados à indisciplina e ao desrespeito aos mínimos padrões da hierarquia.
A história, registrada na imprensa escrita e falada da época, é implacável em relatar os fatos, todos inadmissíveis em um País democraticamente organizado, regido por Leis e entregue a Poderes escolhidos livremente pelo seu povo.

Por maiores que sejam alguns esforços para “criar” uma história diferente da real, os acontecimentos registrados na memória dos cidadãos de bem e transmitidos aos seus sucessores são indeléveis, até porque são mera repetição de acontecimentos similares registrado pela história em outros países.

Relembrá-los, sem ódio ou rancor, é, no mínimo, uma obrigação em honra daqueles que, sem visar qualquer benefício em favor próprio, expuseram suas carreiras militares e até mesmo suas próprias vidas em defesa da democracia que hoje desfrutamos.

Os Clubes Militares, parte integrante da reação demandada pelo povo brasileiro em 1964, homenageiam, nesta data os integrantes das Forças Armadas da época que, com sua pronta ação, impediram a tomada do poder e sua entrega a um regime ditatorial indesejado pela Nação Brasileira.

domingo, 27 de março de 2011

UM PAÍS SEM FÓSFOROS, LOGO, SEM INCÊNDIOS. Cidadão desarmado cai na mão dos desalmados. Perguntem aos suíços o que acham disso.

imagem: http://fiatlux.ibanov.org/?p=16
Mãos ao alto, Brasil!

Assisti em DVD àquele entulho hollywoodiano que chegou às telas com o nome de "Che". O filme será considerado péssimo se não for entendido como uma sacada do capitalismo para faturar com um ícone do comunismo. Nessa perspectiva, convenhamos, tem os méritos da ironia. Também, como sempre acontece com esse tipo de obra, a gente acaba aprendendo algo na leitura de suas linhas transversas. Assim, mais de uma vez durante a projeção do filme, os comandantes guerrilheiros, ao recrutarem voluntários para enfrentar o exército de Fulgêncio Batista, descartavam aqueles que não trouxessem suas próprias armas. Não ter armas restringia a cidadania dos revolucionários. A esquerda, quando quer o poder, precisa de armas. Quando está no poder tem medo delas. Ponto e atenção: não estou defendendo o uso de armas para o exercício da dimensão política da cidadania.
Tão logo chegou à pasta da Justiça, o ministro José Eduardo Cardozo anunciou que vai retomar a campanha pelo desarmamento. O novo ministro foi o representante do PT na última reunião do Foro de São Paulo (FSP), realizada em Buenos Aires no ano passado.
Como todo mundo sabe, o PT jura em cruz que as Farc - terroristas e traficantes de drogas e armas - não fazem parte desse fórum das esquerdas latino-americanas criados por Lula e Fidel em 1990. Mas quando morreu o comandante Tirofijo (Manuel Marulanda), o plenário da 14ª edição do FSP, reunido em Montevidéu, em 2008, aplaudiu entre soluços a homenagem póstuma de Daniel Ortega ao "nosso irmão comandante Marulanda (...) lutador extraordinário que vem batalhando há longos anos, como guerrilheiro, a luta mais longa na história da América Latina e do Caribe".
Em março daquele ano, em entrevista ao jornal francês Le Figaro, transcrita por Reinaldo Azevedo, o camarada Marco Aurélio Garcia afirmou esta posição benevolente do governo brasileiro: "Je vous rappelle que le Brésil a une position neutre sur les Farc: nous ne les qualifions ni de groupe terroriste ni de force belligérante. Les accuser de terrorisme ne sert à rien quand on veut négocier".  Isso é o que eles de fato pensam. Claro que quando a política aponta algumas inconveniências nesse pensamento, é hora de adequar o discurso. E isso é o que eles de fato fazem.
Pois bem, embora o estado com menor índice de armas registradas no Brasil (Alagoas), seja, disparado, o estado com maior índice de assassinatos, o ministro acha que é hora de retomar a campanha pelo desarmamento. Os apóstolos da tese acreditam, piamente, que, se as pessoas de bem depositarem suas armas nas mãos do Estado e confiarem suas vidas e patrimônio aos bandidos, o país será muito mais seguro e menos violento...

Quando a gente tenta mostrar que as mãos na nuca da vítima nada podem contra a mão do agressor no cabo da arma, eles alegam que o Estatuto garante a posse de arma a quem se comprovar sob risco. Tá certo. Vou encaminhar ao ministro a minha certidão de nascimento: "Sou cidadão brasileiro, ministro!". Será que isso não é risco suficiente?

Se não for, deveremos impor aos bandidos uma regra de aviso prévio pelo qual todos fiquem obrigados a notificar suas vítimas com antecedência de trinta dias para que não resultem expostas à ignorância do risco que correm, e não tenham inibido seu humano direito à legítima defesa. Pronto! Organizamos o crime desorganizado: assalto, estupro e latrocínio com agendamento e citação por edital.
Vou assumir aqui outro risco. Vou propor ao ministro algumas extensões de sua teoria. Seria um pacote de leis preventivas visando a proibir o porte de fósforos, isqueiros e cigarros acesos para acabar com os incêndios; recolher todas as carteiras de habilitação para zerar os acidentes de trânsito; fechar as praias das 10 às 16 para reduzir o câncer de pele; e cassar todos os títulos eleitorais para acabar com a carreira dos maus políticos.

Percival Puggina é um dos colaboradores do site Mídia Sem Máscara
Site pessoal: http://www.puggina.org/.

sexta-feira, 25 de março de 2011

SER CONTRA OS DIREITOS INDIVIDUAIS É FAZER O JOGO TOTALITÁRIO. Vamos reler a Revolução dos Bichos?

BAU DE TEXTOS

Cuidado, leitores! Os direitos individuais estão sob especulação! E no Supremo Tribunal Federal!

Caras e caros, eis um daqueles textos longos, mas essencial para o entendimento que temos, eu e vocês, do mundo. Acho que não vou aborrecê-los.
Algo de muito grave se insinuou ontem no Supremo Tribunal Federal na votação sobre a chamada Lei da Ficha Limpa. Sob o pretexto de se moralizar a vida pública, os direitos individuais acabaram sendo alvos de uma especulação inaceitável. Sob o pretexto de moralizar a vida pública, uma cláusula pétrea da Constituição, que é uma garantia fundamental de todos os brasileiros, foi considerada inimiga da decência. E eu denuncio aqui tais visões distorcidas. O meu parâmetro continua a ser o mesmo: o das sociedades abertas, fundadas nas garantias individuais. O contrário disso é ditadura — nem que seja ditadura de maioria, igualmente repulsiva. Ao caso.
Segundo o Artigo 16 da Constituição Federal, “a lei que alterar o processo eleitoral entrará em vigor na data de sua publicação, não se aplicando à eleição que ocorra até um ano da data de sua vigência”. E ponto! A linguagem legal é muitas vezes uma “florida galeota empavesada”, como diria o poeta, gongórica, cheia de brocados. Não é o caso deste artigo. Sua clareza é solar e não apresenta interstícios para vocações interpretativas e devaneios condoreiros! Como a tal lei foi aprovada a menos de um ano da eleição então vindoura, resta evidente que não poderia ter sido aplicada em 2010. Ocorre que ela foi — graças a uma sucessão de absurdos que tomou o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que decidiu abraçar o populismo sob o pretexto de abraçar o povo. Por seis votos a cinco, prevaleceu ontem o entendimento de que o Artigo 16 da Constituição impediria a sua aplicação na disputa do ano passado.
Quiseram alguns que se assistiu a uma bela tertúlia jurídica ontem, com um confronto de argumentações sólidas, em que o saber jurídico, ao confrontar leituras distintas, caracterizou-se pelo esmero, pelo cuidado, pela sapiência. Discordo radicalmente! O que se viu foi um confronto entre a Justiça e os justiceiros; entre a argumentação técnica, que apela ao saber jurídico, e certa propensão ou ao apelo à voz rouca das ruas ou, vênia máxima, à ligeireza. O relator do caso foi o ministro Gilmar Mendes, que entendeu que a lei não poderia ter validade em 2010, no que foi seguido por Luiz Fux, Dias Tóffoli, Marco Aurélio de Mello, Celso de Mello e Cezar Peluso. Os ministros Carmen Lúcia, Joaquim Barbosa, Ricardo Lewandowski, Ayres Britto e Ellen Gracie votaram contra o relator.
Quem não quer?Quem não quer a moralidade na vida pública? Mas ela só pode ser alcançada dentro da Constituição democraticamente votada. Se admito que um princípio constitucional pode ser violado para fazer uma “justiça” que, de outra sorte, não se faria, então peço ao Mal que se ajoelhe no altar do Bem para lhe prestar reverência. Se hoje, porque somos bons, admitimos que se pode transgredir a lei para pegar os “maus”, um dia os “maus” recorrerão a tal expediente para nos punir  — nós, os bons! — sem que possamos nem mesmo protestar, já que uma mesma (a)moralidade nos une, ainda que em campos opostos.
Já basta que o Ficha Limpa jogue na lata do lixo a presunção da inocência sem que tenhamos aberto mão da presunção da inocência; já basta que se ignore o princípio sagrado nos estados de direito da não-retroatividade da lei, embora o princípio da não-retroatividade continue, felizmente, a orientar o nosso direito. Cinco ministros tentaram, nesta quarta, para arremate dos males, fazer letra morta do Artigo 16 da Constituição. Algumas considerações foram apenas ligeiras; outras, no entanto, trazem a semente do mal. Que mal? A visão totalitária de estado. Caso venha a prosperar no STF, estaremos no pior dos mundos.
O auge do desatino, entendo, se deu com uma consideração do ministro Ayres Britto, que atuou em dobradinha com Joaquim Barbosa, como dupla sertaneja — depois do “Sertanejo Universitário”, temos o “Sertanejo Judiciário”. Adiante! Segundo Britto, numa consideração escandalosa, “os direitos individuais têm sido usados para esvaziar outros direitos…” E emendou: “Direitos da cidadania, do trabalho”. Quem é esse ente jurídico, essa tal “cidadania”? Onde ela mora? Tem CPF ou CNPJ? Que diabo é isso, ministro Ayres Britto? Onde se esconde esse sujeito de direito?
A garantia contida no Artigo 16, como bem lembrou Gilmar Mendes, num voto brilhante, impede que maiorias de ocasião possam, sob os pretextos os mais aparentemente louváveis, mudar as regras de modo a se beneficiar. O texto assegura a igualdade na disputa. Não para Britto, que vê aí um conflito entre “direito individual” (qual???) e “direito coletivo”. Ora, o Artigo 16 da Constituição não foi redigido para proteger o sr. Leonídio Egídio Correa Bouças, que recorreu ao Supremo. Trata-se, ao contrário do que sugere o ministro, de uma garantia geral — ou, se ele quiser, “da cidadania”…
A consideração de Britto é infeliz e vem a contrapelo dos fatos. O que está em curso é justamente o contrário: direitos individuais estão sendo escancaradamente violados em nome dos tais “direitos da cidadania”. Querem um exemplo? Quando um estudante classificado num exame vestibular perde a sua vaga para um cotista, por exemplo, quem está sendo “esvaziado”? A resposta é óbvia: o direito individual!
Estados fascistas e socialistasSó os estados totalitários vêem os direitos individuais como adversários dos direitos coletivos. O filósofo Giovanni Gentile resumiu a essência do fascismo: “Tudo no Estado, nada contra o Estado,  nada fora do Estado”. No socialismo, poder-se-ia trocar “estado” por “partido”. O objetivo virtuoso de um estado, numa democracia, deve ser garantir os direitos de todos garantindo o direito de cada um. Quantos crimes já se cometeram em nome da coletividade!!!
O bárbaro BarbosaBritto vinha no embalo de Joaquim Barbosa, que não havia economizado no absurdo. Sem contestar uma linha daqueles que o antecederam, resolveu resumir a questão a uma luta entre o Bem e o Mal — escolhendo, a meu ver, o Mal, mas ele estava convicto de estar fazendo o contrário. Segundo disse, tratava-se de optar entre dois primados da Constituição: o do Artigo 16 (logo, Barbosa admite que a Carta impedia a aplicação da lei em 2010!!!) e a defesa da moralidade na vida pública. Depreende-se, assim, de tão douta argumentação que o Artigo 16 concorra para a imoralidade, certo? Pode-se até avançar um pouco mais: se é assim, aqueles que a ele recorrerem para fundamentar o seu voto estarão compactuado coma lambança.
Eis uma consideração, lamento dizer, não muito inteligente, já que a contradição apontada por ele não existe, e também um tanto ofensiva com seus pares. Barbosa tem certa dificuldade de argumentar sem que pareça que ele fala em nome da justiça, e os outros, da injustiça. Não o assiste aquele decoro básico de elogiar o voto contrário ao seu para abrir divergência. Nunca! Fica sempre uma sugestão de que está combatendo a má fé. Vamos ver: com que então a Constituição brasileira abriga um artigo que não pode freqüentar casas de família? Não dá!
Direito, vela e defunto
Ellen Gracie, sempre tão sóbria, parecia estar com pressa ontem. Referindo-se aos votos de Mendes e de Fux, que elogiou, mandou ver: “Gasta-se boa vela com mau defunto”.  Entendi que o mau defunto era o brasileiro que usava o seu direito de recorrer à Justiça, pouco importando as suas qualidades morais, não é?  Eis aí, ministro Britto, um “direito da cidadania” que só faz sentido se for uma direito individual. Não! Isso não é argumentação jurídica. Isso nem mais é uma metáfora a esta altura, mas um mero clichê esvaziado de sentido. A fala avilta um tantinho o debate.
LewandowskiO ministro Lewandowski, também presidente do TSE, tem uma trajetória curiosa nessa história. Era crítico do Ficha Limpa. No dia 21 de maio do ano passado, considerava: “A lei só pode retroagir para beneficiar alguém, nunca pode prejudicar”. À medida, parece, que o texto caiu nas graças da imprensa, foi se tornando seu defensor radical…
Caminhando para o encerramentoEscrevi, creio, quase uma centena de textos sobre o Ficha Limpa. Eu e vocês sabemos o quanto apanhei por isso — até de alguns leitores habituais do blog. A minha questão foi sempre a mesma: não se faz uma democracia sem respeitar as instituições. Não será a bandidagem a decidir se a Carta vale ou não no país. Mais do que isso: sempre alertei, e gostei de ver o ministro Fux fazer o mesmo hoje —  já critiquei aqui algumas manifestações suas —, que o vírus da transgressão à Constituição contamina as liberdades individuais.
Nesta quarta, o ministro Ayres Britto provou com sobras a minha tese. Ele acredita que, no Brasil, ‘direitos individuais têm sido usados para esvaziar outros direitos da cidadania”. Bem, queridos, nós somos aquela gente esquisita que acredita que, fora dos direitos individuais, não há salvação para a democracia. Na verdade, nós acreditamos que, fora dos direitos individuais, não há nem mesmo democracia.
REINALDO AZEVEDO
24/03/2011
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/cuidado-leitores-os-direitos-individuais-estao-sob-especulacao-e-no-supremo-tribunal-federal/

quinta-feira, 17 de março de 2011

MINISTRA NEGA PROBLEMAS COM MILITARES PARA CRIAR A COMISSÃO DA VERDADE

17/03/2010 
Gabriela Guerreiro
de Brasíla
A ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) minimizou nesta quinta-feira o embate dentro do governo federal em torno da criação da Comissão de Verdade. Rosário disse que não há "cisão" entre os militares e o governo sobre a comissão, mas reiterou ser prioridade do Executivo que as investigações a respeito dos crimes de tortura na ditadura militar (1964-1985) saiam do papel.
"Não há nenhuma cisão. O ministro Nelsom Jobim [Defesa] está trabalhando junto conosco nesse resgate da democracia", afirmou. Durante audiência na Comissão de Direitos Humanos do Senado, a ministra disse que o "único sentido" da Comissão da Verdade é descobrir o que houve com desaparecidos políticos da ditadura.
"Nós queremos saber com cada um que participou da luta democrática no Brasil. E apenas para isto, apenas com o sentido de encontro, reconhecendo que todas as instituições parlamentares, e inclusive as instituições das Forças Armadas da atualidade, são instituições vocacionadas para a democracia."
Em setembro, o Comando do Exército enviou documento ao Ministério da Defesa em criticando a Comissão da Verdade. O texto alega que "o argumento de reconstrução da história parece tão somente pretender abrir feridas na amálgama nacional". Os militares alegaram ainda que "é improvável chegar-se realmente à verdade dos fatos" com a comissão.
Leia mais sobre o assunto na Folha de S Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/poder/890030-ministra-nega-cisao-com-militares-por-comissao-da-verdade.shtml 

segunda-feira, 14 de março de 2011

A PREPARAÇÃO PARA A LUTA ARMADA PARA A TOMADA DO PODER NO BRASIL, PELA ESQUERDA, COMEÇOU MUITO ANTES DE 1964 OU 1968 (ANO DO AI-5)

A cúpula do PC do B levou um grupo de jovens imbuídos de um ideal - perverso, mas ideal - para uma aventura suicida na selva amazônica.


A tese, ouvi de um amigo - o Gen Luiz Cesário da Silveira Filho - e a julguei muito pertinente. Por que imputar a culpa aos agentes do estado que combateram a guerrilha do Araguaia pela morte de alguns de seus integrantes, como querem alguns extremistas? Afinal, o que estavam fazendo era defender a ordem contra um bando de foras da lei, sem nenhum senso ético a nortear suas ações, que queriam, unicamente, implantar no Brasil um regime ditatorial de esquerda. As tropas estavam, em última análise, cumprindo com seus deveres. A verdadeira culpa deveria ser atribuída a João Amazonas e seus sequazes, responsáveis pela malfadada aventura.
Vejamos como tudo começou. Em 1960 houve um racha entre os comunistas brasileiros. Enquanto o PCB se propunha a seguir a orientação emanada do XX Congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética), de 1956, que passou a propugnar pela via pacífica para a tomada do poder, Maurício Grabois e João Amazonas, entre outros, insistiam em priorizar a luta armada. Foram expulsos do PCB e fundaram o PC do B, com o intuito de seguir a orientação de Mao Tse-tung, maior ideólogo da revolução chinesa, que apregoava: "não é possível transformar o mundo a não ser com o fuzil".

Em 1962, dois anos antes portanto do movimento de 1964, o PC do B passou à defesa aberta do uso da violência revolucionária para a imposição de um governo popular. Apoiando-se no exemplo da China, iniciou a organização de um movimento guerrilheiro que seria: "a forma principal de luta na fase inicial da guerra popular, através da qual é que se poderá iniciar a ação armada contra os inimigos da Nação e começar a estruturar as Forças Armadas Populares".

Isso resolvido, faltava a preparação de quadros para viabilizar a luta armada. Decidiu-se, então, enviar à China, em 1964, ainda no governo de João Goulart, o primeiro grupo de militantes para ser treinado na Academia Militar de Pequim. Tais circunstâncias jogam completamente por terra a justificativa, hoje usada, de que a luta no Araguaia foi criada para combater a "ditadura militar", ao constatar-se que a decisão sobre o implante da guerrilha, bem como seus preparativos, antecederam o episódio de 31 de março de 1964.

A partir de 1966, o PC do B começou a infiltrar seus combatentes na área inicialmente escolhida, situada ao norte do estado de Tocantins, na região conhecida como "bico do papagaio". O território, que passaram a designar como Araguaia, prestava-se aos desígnios de seus articuladores. Coberto por exuberante floresta, era escassamente povoado por gente em completo abandono. Pretendia o PC do B, de princípio, conseguir o apoio dessa população carente, através de um trabalho de massas e de alguma assistência social.

Os primeiros ativistas a chegar foram da cúpula do partido, juntamente com quadros dotados de preparo militar, obtido em cursos na China. Lá arribaram estrelas como João Amazonas, Maurício Grabois, Elza Monerat, Ângelo Arroyo, Osvaldo Orlando da Costa, Nélson Piauhy Dourado e Líbero Giancarlo Castiglia, entre outros. Quase todos morreram na contenda, conseguindo escapar João Amazonas, Elza Monerat e Ângelo Arroyo. Esses fugiram da área quando sentiram que suas integridades estavam em perigo. E deixaram para trás seus partidários, que haviam induzido àquela aventura. 

Após algum sucesso nas fases iniciais do conflito, os guerrilheiros foram surpreendidos pela renovada forma de atuar das forças legais que passaram a empregar pessoal altamente preparado para o combate na selva e para o enfrentamento à guerra de guerrilha.

Essas tropas, com determinação e coragem, foram isolando e acuando as diferentes células guerrilheiras. A dificuldade imposta pelo meio hostil, a ação firme dos militares e a absoluta falta de apoio da cúpula do partido a que se viram relegados, levaram os guerrilheiros a sofrerem baixas consideráveis, até ficar claro que a única alternativa era encerrar o movimento.

Na história militar não há registro de guerra em que não tenham sido cometidos excessos, de parte a parte. Nessa não foi diferente. Os guerrilheiros, inclusive, que hoje posam de vítimas, cometeram grande número de atrocidades. Transcrevo, a título de exemplo, três casos que recolhi no site do Grupo 
Terrorismo Nunca Mais:
 
1- Odilio Cruz Rosa, Cabo de Exército. Morto na região do Araguaia, quando uma equipe comandada por um Tenente e composta ainda, por dois Sargentos e pelo Cabo Rosa, foram emboscados por terroristas comandados por Oswaldo Araújo Costa "Oswaldão", na região de Grota Seca, no Vale da Gameleira. Neste tiroteio foi morto o Cabo Rosa e feridos o Tenente e um Sargento. Julgando que o Cabo Rosa estivesse desgarrado da equipe, o Tenente e os dois Sargentos retiraram-se para Xambioá, à procura de atendimento médico. Lá souberam, através de um mateiro, que o Cabo Rosa tinha sido morto e que "Oswaldão" dissera aos habitantes da região que permaneceria mantendo guarda ao corpo do Cabo, até que ele apodrecesse, e que o Exército não teria coragem para resgatá-lo. Foi formada uma patrulha com a missão de localizar e resgatar o corpo do Cabo Rosa, A patrulha cumpriu sua missão, sem ser molestada pelos guerrilheiros comandados por "Oswaldão". 
2- Francisco Valdir de Paula, Soldado do Exército - Instalado numa posse de terra, no município de Xambioá, fazendo parte de uma rede de informações montada na área de guerrilha, foi identificado pelos terroristas e assassinado. Seu corpo nunca foi encontrado.
3- Pelo pretexto de não dispor de uma estrutura administrativa que lhes permitisse isolar desertores, elementos não-colaboradores ou militares eventualmente caídos prisioneiros ou feridos, as FOGUERA (Forças Guerrilheiras do Araguaia) constituíam os "Tribunais Revolucionários" para "julgar" e "justiçar" indesejáveis. A esse poder supremo são creditadas as mortes de Rosalino Cruz Souza, militante desertor, e dos moradores locais Osmar, Pedro "Mineiro" e João "Mateiro". A eliminação fria de inimigos foi tacitamente admitida no chamado Relatório de Ângelo Arroyo (Editora Anita Garibaldi - 1996), de autoria de um dos dirigentes da Comissão Militar, que assinalava como erro de "certa importância" para a derrota no Araguaia: "Não se ter justiçado determinados inimigos. É o caso dos bate-paus como Pernambuco, Antônio e o irmão, e talvez os elementos que haviam chegado de fora, suspeitos de pertencerem ao Exército". 
 
Em resumo, a cúpula do PC do B levou um grupo de jovens imbuídos de um ideal - perverso, mas ideal - para uma aventura suicida na selva amazônica. Quando a situação começou a apertar, desertaram da área, deixando ao absoluto desamparo seus companheiros de luta.

As forças legais combateram duramente no ambiente difícil da selva, não fazendo mais do que cumprir missão recebida. Cuidaram de suas baixas, como sempre aconteceu com as Forças Armadas brasileiras. Por outro lado, os guerrilheiros não se interessaram, não quiseram ou não priorizaram o sepultamento dos militantes mortos. Cabe, então, repetir a pergunta do título. De quem é a culpa pelas mortes ou desaparecimentos do Araguaia? 

O autor é general do Exército.
http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/11916-mortos-no-araguaia-de-quem-e-a-culpa.html
COMENTO:
A brutal desinformação que há sobre a verdade histórica no Brasil, e no Mundo, decorre de uma ação sistemática de ocultação de como os fatos realmente aconteceram. Isso já tem sido exaustivamente trabalhado pelo filósofo e professor Olavo de Carvalho e jornalistas como Reinaldo Azevedo. Há muitas outras pessoas, mas agora não é hora de uma lista.
O livro "Camaradas", do jornalista William Waack, com dados dos arquivos de Moscou, mostra bem como a luta pela tomada do Poder no Brasil pela esquerda comunista é antiga e constante, estimulada, primeiro, pela Revolução Russa, depois pela cubana.
Já no início dos anos 60 Francisco Julião, líder de um movimento camponês no Nordeste, tentou a ajuda cubana. Fidel enviou armas para as Ligas Camponesas. Sobre isso a doutora em História pela Universidade Fluminense Denise Rollemberg escreveu no livro "O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil" (Mauad, 2001).
Desde o início o golpe militar de 1964 dividiu a população, uns o apoiaram devido à baderna institucionalizada por João Goulart, outros porque temiam a ação dos comunistas, que era bastante notória. Outros, democratas variados, ficaram contra, por serem contra os autoritarismos, e iniciaram a resistência democrática. E foi isso que contribuiu mesmo para o fim da ditadura.
Nesse clima, como havia a vontade histórica de tomada do Poder, os comunistas incrementaram a guerra de guerrilhas (estimulados pela literatura maoista e pela Guerra do Vietnã), o que acabou levando ao AI-5. A  luta armada não foi uma resposta ao AI-5, foi uma de suas causas principais.
Essa verdadeira história do nosso passado é que se oculta atualmente dos jovens que imaginam uns guerrilheiros românticos em busca da Liberdade, como provavelmente será indicado na novela do SBT, ou como se aborda a história de Che Guevara em textos para crianças, conforme relatado no blog Coturno Noturno ou no site Escola sem Partido.

sábado, 12 de março de 2011

"TODO PRESO POLÍTICO É UMA EXPRESSÃO DO PODER DESMEDIDO EM AÇÃO PARA SILENCIAR A SOCIEDADE"

Macky Arenas semana a semana: Alejandro Peña Esclusa
MACKY ARENAS
Macky Arenas
El pasado sábado estuvimos en El Helicoide visitando a Alejandro. Lo encontramos sólido, animoso, firme en sus convicciones y afortunadamente saludable. No obstante, como todos los demás, está sometido a un claustro donde el sol les regala su luz tan sólo una hora cada quince días. Eso no pareciera tan grave a simple vista, pero es el tiempo bajo ese régimen el que pasa factura al organismo. Eso, sin contar con el tiempo productivo en lo personal y perdido en lo familiar, que nada ni nadie les paga. Los están desgastando de manera deliberada.

Afortunadamente, tienen el respaldo de su familia, de sus amigos y de muchos quienes, a causa de su sacrificio y su entrega, los admiran, respetan y acompañan. No serán líderes ni rutilantes figuras del firmamento público, pero son presencias que disfrutan los presos porque les llevan cariño y recuerdo. Eso les hace un poco más llevadero su encierro. Allí estaban varios de los muchachos que cumplieron la jornada  de hambre, por cierto más exitosa que cualquier otra acción política conocida.

Refiriéndonos al caso de Alejandro, pensar en la injusticia que con él se ha cometido incrementa, si cabe, esa íntima rebeldía que va tomando fuerza la conciencia de cada uno de nosotros. Eso, muy a pesar de que él reivindique su derecho a mantenerse dispuesto a pagar el precio que le ponen a su consecuencia indoblegable con los principios y a persistir en la resistencia en nombre de valores fundamentales. Pero nos indignamos porque se trata una canallada de la peor especie. Al no poder encarcelarlo por opinar, ni por difundir información veraz, ni por denunciar con insistencia, ni por ser escuchado internacionalmente, ni por tener el coraje para sostener sus puntos de vista, recurrieron al expediente bochornoso, goebbeliano y  maloliente de la siembra de “evidencias”. No hay peor cobardía de parte de un gobierno, ni más nítido sello de impotencia contra la integridad de un ser humano que echar mano de la mentira, de la calumnia, de la simulación de legalidad y del burdo montaje de un delito para meterlo en la cárcel.

Fuera de Venezuela el movimiento a favor de la libertad de Alejandro ha tomado enorme vigencia, justamente porque él dedicó buena parte de sus esfuerzos a ser la voz exterior de quienes sufrimos los desmanes de esta pantomima de democracia. Alejandro recorrió todo nuestro continente llevando a cada rincón el alerta contra la expansión del modelo cubano a la venezolana, financiado por la chequera petrolera. Su prédica contribuyó a correr el pesado cortinaje del engaño, abrió muchos ojos y arrancó demasiadas caretas. Nos corresponde ahora a nosotros, sobre todo a aquellos que han conseguido ocupar espacios de vocería para la oposición, hablar por él, exigir su libertad e imponer una presión de bloque pues es la que, vistos los resultados de recientes esfuerzos, logra despejar ciertos caminos.

La existencia de presos como Alejandro Peña Esclusa coloca en vitrina la persecución y detención política en Venezuela. Después del caso del general Francisco Usón, no se había visto uno que desgranara con mayor claridad las cuentas del rosario de la arbitrariedad en este país. Tampoco les funcionó con Oswaldo Álvarez Paz el expediente de la “incitación a la rebelión” porque no hay manera de probarla a partir de la simple emisión de opiniones. Entonces, para Alejandro, mandaron esbirros que sembraron explosivos que él almacenaría… en las habitaciones de sus pequeñas hijas.! Hasta allí llega la aberración. Hasta allí el show para activar el aparato policial y judicial, cual servil jauría contra un indefenso ciudadano.

Todo preso político, sin importar el cargo que le inventen, es una expresión del poder desmedido en acción para reducir a la sociedad. Ellos son el espejo en que debe verse el resto de la población porque nos recuerdan que los demás permanecemos en libertad condicional. Quienes están detrás de las rejas, con sentencia firme o no, guardan una historia de trajín político oculta en sus amañados expedientes. De allí que la lucha por su libertad merezca estar en primera línea en la agenda política de quienes conducen esta oposición, no importa desde cuál frente -que lamentablemente no es uno sólo- porque es una cuestión de humanidad, porque puede pasarle a cualquiera, porque nos compromete en una cruzada de reciprocidad, porque Alejandro ha probado tener razón y porque es otra injusticia que esa carga se abandone a los hombros, ya demasiado agobiados, de los valientes y solidarios jóvenes universitarios.

Macky Arenas
Socióloga y periodista
mackyar@gmail.com

Texto extraído de UnoAmerica, uma das organizações mais sérias na luta pela garantia das liberdades democráticas:

AS MENTIRAS SISTEMÁTICAS SOBRE CUBA E O SOFRIMENTO DO POVO CUBANO.

memória recente do Carnaval

Mentiras carnavalescas
por Leonardo Bruno
Estamos na época de carnaval. É moda a mídia e a televisão venderem a idéia de que somos um povo festeiro e farrista. Bem, até nesta sexta-feira, eu seguia uma ética rotineira, porém fora do comum dessas fases pagodeiras: estava trabalhando e analisando meios de ganhar dinheiro com advocacia. Tenho que pagar minhas contas. Presenciei com indiferença a semana de carnaval. O tempora, O mores!
Interessante a experiência que tive quando fui ao Rio de Janeiro, no carnaval de 2005. Visitava um amigo, quando percebi que a cidade estava vazia. E sentia que a grande maioria desprezava ou ignorava o carnaval. De fato, a maioria do povo não dava à mínima. O grosso da população carioca fugia da cidade. Sobravam apenas alguns favelados, traficantes de drogas, bicheiros e artistas da Rede Globo. Além do que, claro, os turistas estrangeiros, visíveis deslumbrados e bobalhões (claro que não faço parte deles). Na última vez que passei pelo Rio de avião, indo de viagem a São Paulo, via um desses turistas toscos falando da caipirinha, com aquele sotaque meio ridículo. Estava com um grupo de gringos de sua espécie. Reconheci o passaporte: era da África do Sul. Com certeza vai levar uma imagem caricatural da nossa gente, ou seja, a de um país de praias, futebol, mulatas exóticas e foguentas e povo alegórico e fantasista. Quem diz que o Rio de Janeiro é o cartão postal desta nação realmente não sabe do que está falando.

Não consigo me identificar em nada com o Rio. Na verdade, eu não tenho a menor identidade com qualquer coisa tropical. O clima e a vegetação do norte me parecem monótonos e sem graça, além da temperatura ser alta, calorenta e por vezes insuportável. Sem querer depreciar meus amigos nordestinos, não me empolgo com praias ou paisagens solares. Tal como o Rio, as capitais nordestinas me fazem lembrar turistas gringos idiotas, prostitutas, trios elétricos e micaretas. Costumo apreciar climas temperados e cinzentos e roupas pesadas. Embora nunca tenha ido a Europa, aquela paisagem cinzenta, sombria que vejo em fotos e vídeos me causa uma séria impressão. Sem contar as quatro estações, que dão graça ao tempo. No Brasil, por mais que seja um gaúcho radicado no Pará, o máximo que me identifico é com São Paulo, terra da prosperidade e modernidade (ainda que o povo paulista vote no canastrão analfabeto e insípido Tiririca ou no charlatão pseudo-filósofo Gabriel Chalita para deputado federal). Ou as paisagens do sul, com suas colinas enormes e costumes europeus arraigados dos colonizadores. Se bem que os sulistas tenham fama de rudes, mal humorados, criaturas estranhas. Para quem está acostumado com a polidez e simpatia do povo paraense, a rudeza peculiar dos sulistas parece coisa de homens das cavernas, de verdadeiros ogros.

O carnaval passaria indiferente para mim, como para milhões de brasileiros, se não fosse um detalhe que virou notícia na internet. Uma escola de samba de Florianópolis chamada “Unidos da Ilha da Magia” vai desfilar com um tema de Cuba, em particular, homenageando a ditadura de mais de meio século do todo-poderoso ditadorzinho de republiqueta do Caribe, Fidel Castro. Se as escolas de samba se restringissem a mostrar mulheres nuas, cachaça à vontade e muita promiscuidade sexual, vá lá, eu não me importaria. O problema é a falsificação histórica digna dos piores dias do famigerado “realismo socialista” stalinista. Com o título “Cuba sim! Em nome da verdade”, a escola de samba está propagando sórdidas mentiras. Com direito ainda a participação especial de Aleida Guevara, filha do guerrilheiro, terrorista, psicopata e assassino Che Guevara.

Algo me incomodou profundamente. Nada mais me atinge na alma do que a destruição da verdade. E, no entanto, o espectro de Stálin e do “Realismo Socialista” paira no carnaval, contaminando milhões de consciências com as falsidades abjetas e cínicas do regime socialista. Quando sambistas começam a falar sobre história, parecem papagaios analfabetos. Se bem que o problema não é somente de sambistas. O que não falta no curso de história são papagaios analfabetos, seja do marxismo, seja de apologia à tirania cubana, seja de qualquer governo liberticida. As escolas de samba, como subprodutos do velho fascismo varguista, agora servem a outro totalitarismo, só que comunista. O que mudou? O pensamento do governo e da intelligentsia. Continuam cada vez mais idiotas.

Falei de “realismo socialista”? As letras da música são pura paródia de mau gosto, de pura distorção da realidade. O besteirol começa desse jeito: “Uma forte emoção / No meu coração /Liberdade /Eu sou União/ A voz de um povo pela igualdade”. Resta-nos saber onde está a liberdade numa ditadura que reprime as liberdades elementares do povo cubano. E que igualdade existe numa sociedade onde uma diminuta nomenclatura burocrática controla um país inteiro e trata seus concidadãos como verdadeiros servos? Deve ser a igualdade na miséria, todo mundo nivelado por baixo. Ou quem sabe o tipo peculiar de “igualdade socialista”, onde uns são mais iguais que outros. A vigarice não termina por aí: “Guerreiros unidos na revolução/Pelo bem de uma nação/Um preço a pagar, não vou negar/Mas a comunidade em primeiro lugar”. Grotesco é escutar que uma nação deva pagar a destruição de sua liberdade pela revolução. Em outras palavras, prisões arbitrárias, censura à liberdade de pensamento, de consciência e de imprensa, tortura, execuções sumárias, fuga em massa do país. Napoleão, no alto do seu sarcasmo, dizia que a revolução é a opinião que adquiriu algumas baionetas. No caso cubano, a revolução é a opinião que adquiriu o fuzil no paredão do quartel de La Cabaña.

O trecho da modinha esconde o lado perverso da história, típico da mentalidade socialista: a comunidade, em primeiro lugar, representada pelo Estado, tem pleno direito de esmagar o indivíduo. Hitler pregava os “direitos” da comunidade sobre indivíduo. Stálin pregava os “direitos” da comunidade sobre o indivíduo. Enfim, qualquer tirano prega a tirania da comunidade sobre o indivíduo. Porque não há maior representação de conformismos social do que a coletividade, do que está preestabelecido, do que é imposto pelo conjunto, em detrimento dos direitos do indivíduo. Isto porque nem mesmo a sociedade decide nada: é o Estado, ou uma camarilha bem diminuta chamada “Partido”, que dita, tanto para a coletividade, como para o indivíduo, esmagando ambos.

E para finalizar, o sambinha vulgar nos vende a propaganda mentirosa do regime cubano, nestes termos: “Os sonhos se tornam verdade/ Trazendo pra muitos a felicidade/ Com saúde, educação/ A base pra um cidadão”. Um sambista da vida não seria tão inteligente o bastante para escrever essas asneiras (embora seja bastante equiparada a estupidez e tagarelice comum do comunista). Não será suspeito que uma escola de samba fale “em nome da verdade”, o que é a mais grotesca mentira?

Qualquer pessoa sensata e bem informada sabe que os serviços de saúde e educação cubanos não prestam. E desde quando um serviço de saúde e educação controlado pelo Estado vale a liberdade humana? Desde quando o suposto bem-estar social vale o mal estar espiritual de ser eternamente prisioneiro de um regime político tirano? Benjamin Franklin, na sua imensa sabedoria, afirmava que quem abdica da liberdade pela segurança, não merece a liberdade, nem a segurança. Cuba, em nome da segurança, perdeu a liberdade. E também a segurança.

Tal propaganda descarada cheira a uso indevido de dinheiro público, propina, peita, para promover ideologias e regimes genocidas. Ou quem sabe a dinheirada da própria ditadura cubana. Numa época em que um ex-presidente da república usou de sua influência no Ministério da Cultura para fazer um filminho ruim sobre sua vida, não me espantaria que a ideologização da cultura no Estado brasileiro esteja mais forte do que nunca, com a ascensão do PT no poder. Bem que o Ministério da Cultura deveria ser modificado, em homenagem a George Orwell e sua novela “1984”: O Ministério da Verdade, que seria entendido como Ministério da Mentira!

“Cuba, em nome da mentira” é o espetáculo que a escola de samba de Florianópolis nos brinda. Não se pode exigir de sambistas carnavalescos ignorantes algum conhecimento de história. Mas por que dão palpites irresponsáveis? Provavelmente não tiraram asnices do nada. Extraíram de alguém, de alguma pretensa autoridade no assunto. Notoriamente da vulgata marxista dos nossos professores de história, entusiastas de qualquer mandatário de plantão, viuvinhas de Stálin e nostálgicos do Muro de Berlim que são. Ou então a tal “Associação Cultural José Martí”, que deu apoio e orientação aos sambistas, já que a delegação da escola de samba foi a Cuba, deslumbrada, tal como um turista idiota nas praias do Rio de Janeiro. Voltaram apaixonados pela barbicha do Che Guevara, tal como um dia outros foram gamados pelos longos bigodes do sanguinário serial killer da Geórgia, o Sr. Diugashivili, guia genial dos povos.

Vigarices à parte, os carnavalescos ignorantes não parecem agradecidos pelo sistema de liberdades que usufruem. Envolvidos pela sua “ilha da magia”, ignoram completamente que Cuba é uma ilha sim, mas de magia negra. Os idiotas úteis brincam no carnaval como macacos de uma grande farsa. Só que a farsa não é mera fantasia de carnaval. É uma burla destrutiva que oculta, oprime e esconde a aflição de milhões de cubanos. E no reino de todas as prisões, campos de concentração, paredões e águas que separam Cuba do exterior, a pior muralha que isola a vida dos cubanos do mundo real democrático é a mentira. Mentira que é alimentada por intelectuais, historiadores, universidades, “associações culturais”, imprensa, enfim, todos colaborando para a eterna prisão do povo cubano. A mentira repetida pela escola de samba é mais uma chave nos grilhões daquela pobre nação. E a ignorância, alimentada pela mentira sistemática, aliena cada vez mais as nações democráticas na sua obrigação de defender da liberdade contra os males do totalitarismo.
http://cavaleiroconde.blogspot.com/search?updated-max=2011-03-06T19%3A30%3A00-03%3A00&max-results=4