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domingo, 8 de junho de 2014

OLAVO DE CARVALHO COMENTA O DEBATE ENTRE FLÁVIO MORGENSTERN E IGOR FUSER NO GRÊMIO POLITÉCNICO.


Já nos primeiros dez minutos do seu debate com Flávio Morgenstern no Grêmio Politécnico, sobre a ditadura militar (v. https://www.youtube.com/watch?v=5h3jnaGz59Q&feature=youtu.be), o prof. Igor Fuser exemplificou com rara concisão a regra de que ninguém pode mentir com eficiência se não falsifica primeiro a própria situação de discurso.



Ele começou se queixando de que não há espaço para debates sobre o tema na grande mídia, onde reina a versão oficial única e indiscutível. Quem o ouvisse acreditaria, portanto, estar diante de um porta-voz da minoria amordaçada. Uma vez transmitida essa impressão, o prof. Fuser estava livre para impingir à platéia, sem temor de represálias, a mesma versão oficial à qual ele parecia se opor. E assim ele fez.

Essa versão é a seguinte: Em 1964 um governo democrático estava empreendendo, por vias legais democráticas, algumas reformas patrióticas que alarmaram o capital estrangeiro, o qual então se mobilizou para derrubar o presidente e instaurar uma ditadura.

É o que toda a mídia alardeia há mais de vinte anos, o que se repassa às crianças em todas as escolas do país, o que se imprime e reimprime em livros e mais livros de História. E foi o que o prof. Fuser repetiu com a cara mais bisonha do mundo, bem protegido sob a sua aparência enganosa de contestador da uniformidade.

É versão cem por cento falsa.

Em primeiro lugar, João Goulart não promoveu reforma nenhuma. Falou muito em reformas, mas até o último dia o Parlamento lhe implorou que enviasse ao menos um projeto delas, coisa que ele adiou, adiou e acabou não fazendo nunca. A lei mesma da remessa de lucros, que segundo o prof. Fuser teria sido a “causa imediata” do golpe, só o que Goulart fez com ela foi sentar-se em cima do projeto, que acabou sendo aprovado por iniciativa do Congresso, sem nenhuma participação do presidente. 

Se a fúria do capital estrangeiro contra essa lei fosse a causa do golpe, este teria se voltado não contra Goulart e sim contra o Congresso – Congresso que, vejam só, aprovou o golpe e tomou, sem pressão militar alguma, a iniciativa de substituir Goulart por um presidente interino.

Em segundo lugar, é falso que Goulart governasse por meios democráticos. Num governo democrático, o executivo não reina como um monarca absoluto, mas obedece as leis e cede às decisões do Congresso democraticamente eleito. Goulart fez tudo o que podia para fechar o Congresso, mandou invadir com tropas militares o Estado da Guanabara, fortaleza da oposição, e prender o governador Carlos Lacerda, matando-o se resistisse (a operação falhou por um triz). 

Não hesitou mesmo em usar contra esse Estado o recurso stalinista da “arma da fome”, vetando, através do seu cunhado Leonel Brizola, o fornecimento do arroz gaúcho que era uma das bases da alimentação do povo carioca. Como se isso não bastasse, protegeu a intervenção armada de Cuba no território brasileiro, ocultando as provas e enviando-as, por baixo do pano, a Fidel Castro. É eufemismo dizer que Goulart tramava um golpe de Estado: seu mandato foi uma sucessão de golpes de Estado abortados.

Terceiro: não houve nenhuma, literalmente nenhuma participação americana na preparação do golpe. A famosa “Operação Brother Sam”, tão demonizada pela esquerda, nunca foi nem poderia ter sido nada disso, e só adquiriu essa aparência graças a uma vasta campanha de desinformação lançada pela KGB logo após o golpe, conforme confessou o próprio chefe da agência soviética então lotado no Brasil, Ladislav Bittman. 

Nesse ponto a mendacidade esquerdista chega a ser deslumbrante. Todos os jornais do país – a maldita grande mídia a que o prof. Fuser finge se opor – até hoje usam como prova da cumplicidade americana a gravação de uma conversa telefônica na qual o embaixador Lincoln Gordon pedia ao presidente Lyndon Johnson que tomasse alguma providência ante o risco iminente de uma guerra civil no Brasil. Johnson, em resposta, determinou que uma frota americana se deslocasse para o litoral brasileiro.

Fica aí provado, na cabeça ou pelo menos na boca dos fúseres, que os americanos foram, se não os autores, ao menos cúmplices do golpe. Mas, para que essa prova funcione, é necessário escamotear quatro detalhes: (1) A conversa aconteceu no próprio dia 31 de março, quando os tanques do general Mourão Filho já estavam na rua e João Goulart já ia fazendo as malas. Não foi nenhuma participação em planos conspiratórios, mas a reação de emergência ante um fato consumado. (2) A frota americana estava destinada a chegar aos portos brasileiros só em 11 de abril. Ante a notícia de que não haveria guerra civil nenhuma, retornou aos EUA sem nunca ter chegado perto das nossas costas. (3) É obrigação constitucional do presidente dos EUA enviar tropas imediatamente para qualquer lugar do mundo onde uma ameaça de conflito armado ponha em risco os americanos ali residentes. Se Johnson não cumprisse essa obrigação, estaria sujeito a um impeachment. (4) As tropas enviadas não bastavam nem para ocupar a cidade do Rio de Janeiro, quanto mais para espalhar-se pelos quatro cantos do país onde houvesse resistência pró-Jango e dar a vitória aos golpistas.

Para completar: se não houve intervenção americana, houve sim  intervenção soviética, e profunda. Se até hoje a esquerda vociferante não conseguiu dar o nome de nenhum agente da CIA então lotado no Brasil – e, sem eles, como participar de uma conspiração? --, documentos recém-revelados provam – com nomes -- que havia agentes da KGB infiltrados em todos os escalões do governo Goulart.
Em dez minutos, o prof. Fuser conseguiu falsificar nada menos que tudo.

Publicado no Diário do Comércio. 

TEXTO REPRODUZIDO DO SITE MÍDIA SEM MÁSCARA:


sexta-feira, 25 de outubro de 2013

NICOLÁS MADURO, O PATETA DE CARACAS, CRIA O VICE-MINISTÉRIO DA SUPREMA FELICIDADE SOCIAL! LOGO CONSEGUIRÁ TRANSFORMAR A VENEZUELA NUMA CORÉIA DO NORTE. O tiranete venezuelano é de um ridículo sem limites!

MADURO, O PATETA QUE QUER IMITAR O PATETA CHÁVEZ


As patetices de Maduro evoluem, ele sempre consegue fazer algo mais patético que antes. Primeiro inventou a múmia de Chávez. Depois inventou, nas eleições, que um passarinho azul (que seria a reencarnação de Hugo Chávez) lhe dava conselhos; depois percebendo que os venezuelanos não tinham como limpar as partes pudendas mandou importar 50 milhões de rolos de papel higiênico. 

Agora os venezuelanos têm papel higiênico, mas faltam alimentos!

Desta vez Maduro, o substituto do Chapolim de Caracas, foi além e criou um Vice-ministério para tratar da Suprema Felicidade Social. Isso porque é um vice-ministério. Se criasse um ministério verdadeiro, então teria que tratar direto do Deus e importar o próprio Paraíso para as terras bolivarianas.

Se a coisa continua assim, nesse nível de estupidez, logo ele começará a ser tratado, pela imprensa governista e censurada, pelos políticos da situação e pelos puxa-sacos, como os líderes da Coréia do Norte.

Vejam como era tratado um dos líderes norte-coreanos:



"Quando Kim Jong-il, o líder da República Democrática do Povo da Coréia, é mencionado na mídia e nas publicações norte-coreanas, ele não é simplesmente tratado por seu nome. Pelo menos um título especial é usado e seu nome é enfatizado em negrito.

Por exemplo: "O Grande Líder, Camarada Kim Jong-il, realiza supervisão in loco no Complexo Industrial Ragwon." Os títulos em si são desenvolvidos pelo Comitê Central do Partido dos Trabalhadores da Coréia. O mesmo se aplicava ao pai de Kim Jong-il, Kim Il-sung, que governou a Coréia de 1948 a 1994.

Os estudiosos reuniram a seguinte lista de títulos de Kim Jong-il.

Centro do Partido : O primeiro título de Kim Jong-il. Em uso desde 1973, depois que Kim foi designado em segredo como o sucessor de seu pai e até ter sido oficialmente anunciado, afim de mencionar Kim Jong-il na imprensa sem chamá-lo por seu nome.

Pessoa Superior : Título em uso desde meados dos anos 70.

Estimado Líder : Este título foi o mais comum durante o domínio de Kim Il-sung.

Respeitado Líder : Título em uso desde meados dos anos 70.

Sábio Líder

Brilhante Líder

Líder Único : Título em uso desde junho de 1975.
Estimado Líder, que é uma Perfeita Encarnação do Aspecto que um Líder deve ter : Em uso, desde meados dos anos 80, em ocasiões especiais.
Comandante-em-chefe : Mencionado pela primeira vez em meados dos anos 80, antes de Kim ter sido desigando oficialmente como comandante-em-chefe.

Grande Líder : O mais comum dos títulos de Kim-Jong-il.

Pai do Povo : Em uso desde fevereiro de 1986.

Sol do Futuro Comunista ; Em uso desde meados dos anos 80.

Sol Reluzente do Monte Baektu

Raio Solar Condutor

Líder das Forças Armadas Revolucionárias : Em uso desde 21 de dezembro de 1991, quando Kim Jong-il tornou-se Comandante-em-Chefe  do Exército do Povo Coreano.

Garantia da Unificação da Pátria

Símbolo da Unificação da Pátria

Destino da Nação

Querido Pai

Líder do Partido, do País e do Exército

Líder : Tornou-se comum após a morte de Kim Il-sung.
General : Um dos títulos mais comuns. Em uso desde 1994.

Grande Líder de Nosso Partido e Nossa Nação : Em uso desde 1994.

Grande General

Querido e Respeitado General

Grande Líder Quando Kim Il-sung era vivo, este título era usado para se referir só a ele.

Querido e Respeitado Líder

Comandante Invencível e com Vontade de Aço : Em uso desde 1997, depois que os três anos de luto por Kim Il-sung terminaram.

Sol do Socialismo

Sol da Nação

O Grande Sol da Vida

Grande Sol da Nação : Em uso desde 1999, depois que a nova constituição da RDPC foi promulgada em 1998.

Pai da Nação

Líder Mundial do Século 21 ; Em uso desde 2003.
Líder sem Par

Brilhante Sol do Século 21

Grande Sol do Século 21

Líder do Século 21

Maravilhoso Político

Grande Homem que Desceu do Céu

Glorioso General que Desceu do Céu

Líder Supremo da Nação

Sol Reluzente da Independência

Líder do Partido e do Povo

Grande Marechal

Invencível e Triunfalíssimo General

Querido e Respeitado Pai

Estrela Guia do Século 21

Grande Homem, que é um Homem de Feitos

Grande Defensor

Salvador

Mentor da Revolução

Mais Alta Encarnação do Amor Companheiro Revolucionário

Sua Excelência

E tem mais: O regime coreano também atribui ao "Estimado  Líder" os seguintes dons e façanhas (do site The Daily Caller):
- É um brilhante estrategista do futebol e durante os jogos da seleção coreana na Copa do Mundo de 2010, dava instruções ao time usando "telefones celulares invisíveis a olho nu".

- Segundo matéria de 2004 da imprensa oficial, inventou o sanduíche.

- Escritor mais prolífico de todos os tempos. De acordo com sua biografia oficial, em 1964, aos 23 ou 22 anos, portanto, já tinha escrito 1 500 livros.

- Melhor jogador de golfe de todos os tempos, tendo, em uma partida de 1994, posto bola no buraco 11 vezes consecutivas em 11 tacadas. 

(texto extraído de http://veradextra.blogspot.com/)

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

VOU VIRAR SOCIALISTA. Brincadeirinha, é só uma marchinha de Carnaval.

Este será um dos hits do Carnaval 2011: "Avante Companheiros"


(Fundição Progresso - Daniel Pereira e Pedro Ivo cantam Avante Companheiros. Na letra irreverente, o autor Daniel Pereira sugere um carnaval totalmente socialista. Os arranjos são de Alexandre Caldi.)

É a marchinha oficial adotada pelo blog  Vera Dextra (http://veradextra.blogspot.com/)  

********

"Virei socialista! Vamos dividir minhas despesas!                             

Socializar sua mulher!" -- O carnaval de Dextra já tem sua

marchinha

Nossa marchinha oficial para este carnaval de 2011.
(Obrigado, Rafael)

Avante Companheiros! 

domingo, 23 de janeiro de 2011

CORRUPÇÃO EM CUBA. Ou: como socializar as propinas e a roubalheira na fazendinha de Fidel Castro.


A nota de 3 pesos é curiosidade, o que vale mesmo é o dolar

O regime socialista cubano, aquele primor de reconstrução do ser humano, como convém a todo comunista acreditar, é uma balela. Como, segundo o economista austríaco, Ludwig von Mises, não existe almoço grátis, alguém tem que pagar a conta.

Segundo o diário El País, da Espanha, o Wikileaks divulgou boletins da Seção de Interesses dos Estados Unidos (que funciona em Havana) nada alentadores sobre o nível de corrupção na fazenda do Fidel Castro.

Entre os atos de corrupção, sempre segundo os documentos liberados pelos WikiLeaks, figuram as comissões ilegais cobradas por funcionários do governo em troca de favores e cujos montantes são depositados em contas abertas em seu nome ou de terceiros em bancos estrangeiros.

Empresários estrangeiros precisam liberar dez por cento do valor do contrato, o que é depositado em contas de altos funcionários do governo cubano, do Partido Comunista.
Nada disso é muitanovidade, a não ser para quem acreditava no mundo cor de rosa da propaganda cubana. Cuba tem falta de alimentos, não exporta nada e nem importa o que precisa. Vive da ajuda nada desinteressada de Chávez que fornece petróleo.

O governo está demitindo mais de 500 mil funcionários e deixando que as pessoas encontrem uma forma de sobreviver -seria ummodo de voltar à livre iniciativa e ao mercado? Parece que os chineses já encontraram esse caminho há uns 30 anos!

Como a economia cubana é absolutamente caótica, apesar da ilusão oficial de planejamento centralizado, as máfias formadas por altos funcionários imperam em todas as partes da ilha.
Além disso, há o mercado negro de produtos e de dólares, a prostituição das jovens cubanas no Malecón, o roubo de produção de charutos para a venda a turistas, etc. Todo mundo rouba e todo mundo finge que trabalha. Mas é impossível viver com menos de 30 dólares mensais.

Foi exatamente asssim que, ao acabar a União Soviética, nos poucos anos seguintes surgiram centenas de milionários na Rússia. Onde estava esse dinheiro todo? Nas contas ilegais das máfias russas. Assim que a cortina de ferro caiu, a Rússia começou a ganhar cada vez mais milionários, todos gente da alta hierarquia do partido Comunista que havia juntado milhões em decorrencia da corrupção.

Não sei se Fidel ou o irmão dele aproveitarão seus milhões no céu ou no inferno, mas muitos cubanos do sistema atual serão os novos milionários, assim que o regime entrar em colapso ou fraquejar demais.

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

NÃO HÁ LUGAR PARA NÓS, O POVO.

(Este texto, de Olavo de Carvalho, extraído do site do filósofo, foi publicado originalmente no jornal O Globo, em 12 de janeiro de 2002.)

Em parte alguma

O espectrograma político convencional coloca, na esquerda, o comunismo soviético e chinês; na direita, o nazifascismo; no centro, o socialismo moderado, chamado “fabiano” na Europa e nos EUA por conta da Fabian Society, mas que equivale ao que em terra brasilis é conhecido como “tucano”. Todo o vocabulário consagrado, todas as discussões acadêmicas e parlamentares, todas as polêmicas de botequim dão por assentado que essa é a distribuição das idéias e partidos no mapa ideológico do universo. Se há no fundo de toda a tagarelice ideológica um consenso plenamente firmado, um ponto pacífico, uma zona neutral onde todos concordam, é esse.

Basta um breve exame, porém, para demonstrar que esse esquema é falso, autocontraditório e inviável. O breve exame é o seguinte: do ponto de vista econômico, as duas pontas da escala são indiscerníveis do meio. O comunismo baseia-se no controle estatal da economia, o nazifascismo idem, o socialismo democrático não menos. Se socialismo, segundo definia Karl Marx, é controle estatal dos meios de produção, os três regimes que pretendem abarcar o universo das ideologias possíveis são todos socialistas. Que utilidade pode ter, para uma visão objetiva dos fatos, uma escala diferenciadora que começa por tornar indistintos, sob um ponto de vista tão vital quanto o é a economia, todos os fatos abrangidos?

Nessa escala não há lugar, por exemplo, para o anarquismo, nem para o liberalismo clássico de Adam Smith e da Constituição Americana. Não há lugar para nenhum regime que não mantenha a economia sob estrito controle. Não há lugar para nada que não seja o socialismo. Esse esquema não é um critério distintivo nem um instrumento científico para a descrição dos fatos. É uma prótese, uma camisa-de-força, um cabresto que impede a mente humana de pensar e a obriga a ir, querendo ou não, sabendo ou não, na direção do socialismo. Ele exclui da esfera do pensável as idéias que escapem do quadro de referências socialista e faz com que, qualquer que seja o ponto de vista adotado, a marcha para o socialismo apareça sempre como a chave universalmente explicativa no fundo de toda sucessão histórica.

É evidentemente uma fraude, e não espanta que tenha se disseminado graças sobretudo à propaganda soviética. Quem começou com isso foi, precisamente, Stálin. Quem mais poderia ser? Quase todos os clichês da retórica esquerdista, inclusive os de aparência mais moderninha, remontam a Stálin e à KGB. A KGB foi o maior think tank esquerdista que já existiu. Tinha na sua folha de pagamentos mais intelectuais do que qualquer instituição cultural deste mundo. Ainda que tenha prendido e matado dezenas de milhões de pessoas, sua principal ocupação não era prender nem matar: era estabelecer padrões de linguagem, moldar o discurso da propaganda esquerdista.

Mas a propaganda era ali compreendida de maneira ampla: abrangia todas as esferas da comunicação humana. Modas culturais e artísticas, estilos de pensamento, prestígios e desprestígios literários, teatrais e cinematográficos, cânones de veracidade e falsidade científica -- tudo ali se fabricava, disseminando-se com a rapidez do raio graças a uma rede de milhões de dóceis agentes, militantes, colaboradores comprados e simpatizantes que, espalhados por todos os quadrantes da Terra, injetavam nos mercados de seus respectivos países esses produtos sem rótulo de origem, que o público engolia facilmente como criações espontâneas da  inventividade local e da feliz coincidência.

A história cultural do século XX seria impensável sem a KGB. Quase metade do que se pensou, se argumentou, se publicou e se encenou na Europa e nos EUA, dos anos 30 a 80, veio de lá. Uma história de conjunto dessa influência avassaladora ainda não se escreveu. Mas os estudos monográficos são tão abundantes e conclusivos, que ninguém que pretenda opinar sobre a cultura desse período tem o direito de ignorar o papel central do maior organismo produtor, disseminador e controlador de idéias que já existiu neste mundo. Seria como escrever a história da Europa medieval sem levar em conta o Papado.

Somente a conjunção da mentira astuta com a ignorância sonsa pode explicar a ausência dessa realidade brutal e avassaladora na concepção que as classes falantes fazem da história mental dos tempos modernos. Mas, quando um estudioso toma consciência dessa realidade, ele já não pode deixar de captar, em tantos discursos esquerdistas que se imaginam novos e originais, o eco passivo de instruções emanadas da KGB cinco ou seis décadas atrás. Quem quer que faça esse estudo se surpreenderá de ver o papel decisivo que a inconsciência, o automatismo e a macaquice desempenham na vida mental das classes que se crêem intelectualmente ativas.

Pois assim é também com o esquema acima mencionado. Até os anos 40, era comum os intelectuais de maior prestígio situarem o nazifascismo ao lado do comunismo entre os movimentos subversivos e revolucionários votados à destruição de tudo o que os conservadores amavam. Esses dois movimentos -- um surgido de dentro do outro -- podiam dar-se agulhadas de vez em quando, mas nada se comparava, em virulência, ao ataque conjunto que moviam contra a velha democracia liberal. Tanto que, quando, após anos de colaboração secreta, Hitler e Stálin assumiram publicamente sua cumplicidade, ninguém se surpreendeu muito, fora dos círculos comunistas iludidos pelo antifascismo de fachada ostentado por Stálin.

Foi a agressão nazista à URSS que mudou tudo. Agressão tão inesperada, que Stálin, diante do fato consumado, se recusou a acreditar no que via e custou a desistir da esperança de restabelecer a  aliança com Hitler. O ingresso da URSS na guerra fez com que, de improviso, por puro oportunismo, os países ocidentais subscrevessem retroativamente a doutrina stalinista que situava o nazifascismo na “direita” e fazia dele uma antítese e já não o irmão siamês do comunismo.

A completa falsidade do esquema, varrida por um tempo para baixo do tapete, veio de novo à tona com a rápida dissolução da parceria entre as potências ocidentais e a URSS após 1945 e a instauração da “guerra fria”. 

Mas, para a propaganda soviética, o esquema ganhou uma nova utilidade: qualificar de nazifascistas seus antigos aliados de luta contra o nazifascismo. E assim foi decretado por Stalin. A fidelidade canina de uns e o mimetismo simiesco de outros fizeram o resto. Passado meio século, o estereótipo imbecil ainda exerce seu domínio implacável sobre a mente da “intelligentzia”. Onde quer que ela se meta a falar, lá vem de novo a bobajada: comunismo na esquerda, nazifascismo na direita, fabianos e tucanos no meio.

E nós, o povo, em parte alguma.

Olavo de Carvalho (O Globo, 12 de janeiro de 2002)