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segunda-feira, 28 de outubro de 2013
quarta-feira, 6 de abril de 2011
OLLANTA HUMALA, DE GANA PERU: ABIMAEL GUZMÁN ES COMPARADO A ROBIN HOOD.
O diário El Commercio, de Lima, publica matéria hoje mostrando que Ollanta Humala já comparou o líder terrorista peruano, Abimael Guzmán, condenado à prisão perpétua, ao lendário bandido inglês Robin Hood.
Essa é uma enorme obsessão da esquerda, sempre comparar seres justiceiros lendários a figuras reais que espalham a morte de propósito sempre pensando em fazer o Bem. Ollanta Humala, candidato da liga Gana Peru, que reúne toda a esquerda peruana, aparece em vídeo fazendo tal comparação.
Ocorre que, no Perú, o Sendero Luminoso (verdadeiro nome é Partido Comunista del Perú - Sendero Luminoso), uma organização de orientação maoista espalhou o terror e a morte pelo País, até ser derrotado pelo presidente Fujimori, no início dos anos 90. Durante os 20 anos em que cometeu atentados e assassinatos violentíssimos, morreram cerca de 70 mil peruanos. Caro leitor, a Argentina, com a ditadura duríssima que teve, contabilizou cerca de 30 mil mortes, a maioria pelo governo. No caso peruano, a Comissão da Verdade do Perú estima que as forças legais foram responsáveis por cerca de 37% das mortes. As demais foram atribuídas ao Sendero Luminoso.
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| Guzmán: http://neorepublica.com/index.php/ 2009/05/10/cocaine_reignites_the_shining_path |
Dizer que Abimael Guzmán, parecia Robin Hood, é um direito de Ollanta, mas indica bem seus pontos de referência. Os senderistas foram muito violentos, matando populações rurais para impor uma nova ordem no território. Para eles, como para todos os esquerdistas marxistas, "os fins justificam os meios".
Quando alguma coisa ou alguém é um obstáculo aos seus propósitos, basta ser eliminado. É sempre simples assim. Por isso os regimes comunistas matam tanto, sem limite, e sem problema de consciência. Eles estão sempre do lado da verdade e do bem. É no que acreditam.
Era no que acreditavam os senderistas em 1983, quando no dia 3 de abril (28 anos), entraram no lugarejo de Lucanamarca. Foi um dos mais chocantes e brutais episódios da História do Perú (e que virou até filme). Como camponeses haviam resistido ao assédio dos terroristas e matado um de seus líderes regionais, em 3 de abril os senderistas invadiram a aldeia e picaram quase oitenta habitantes a facão e a machadadas, para mostrar quem mandava no território. Entre as vítimas, 18 crianças. Pequenas reacionárias, merecem morrer!
Esse brutal massacre está relatado nos registros da Comissão da Verdade do Perú, para conservar a memória nacional do horror. Será que a nossa Comissão da Verdade será tão verdadeira, registrando também as mais de cem mortes decorrentes das ações dos grupos armados? Vamos aguardar.
De fato, a imprensa brasileira faz uma cobertura muito ruim sobre a América Latina, geralmente favorável aos aliados do Foro de São Paulo, como a presidente argentina, Morales da Bolívia, o bispo paraguaio, o coronel papagaio da Venezuela. Não é ruim porque é simpática a eles. é ruim porque nunca conta a história toda, confundindo Jornalismo com Propaganda. Quem perde é o público, a história e a democracia.
O candidato Humala, que talvez vá para o segundo turno (o primeiro é no domingo), é assessorado por pessoas ligadas ao PT, como Favre, o ex-marido de Marta Suplicy, e teve orientação do marqueteiro de Lula e Dilma, João Santana, conforme já foi publicado sem muito destaque na imprensa nacional.
Os brasileiros querem vender uma imagem de Ollanta da paz, como foi o Lula de 2002. Talvez Ollanta também tenha que ser levado a Nova Iorque, para ser fotografado fumando charutos (coisa de cubano? não, coisa de ricos capitalistas) em alguma esquina da Quinta Avenida.
Pode ser.
ABAIXO, O VÍDEO DE EL COMMERCIO, DE LIMA:
Muestran video en que Humala llama “preso político” a Abimael Guzmán
En el 2009, ante la comunidad de peruanos en España, el candidato de Gana Perú comparó el accionar de Sendero Luminoso con el del personaje de Robin Hood
LEIA MAIS SOBRE ABIMAEL GUZMÁN EM EL MUNDO:
http://www.elmundo.es/elmundo/2006/10/14/internacional/1160792263.html
LEIA MAIS SOBRE ABIMAEL GUZMÁN EM EL MUNDO:
http://www.elmundo.es/elmundo/2006/10/14/internacional/1160792263.html
terça-feira, 5 de abril de 2011
A ESQUERDA VERGA TANTO, QUE ENCONTRA A DIREITA. A DIREITA VERGA TANTO QUE ENCONTRA A ESQUERDA. TALVEZ ESTEJAM NO MESMO POLO. O POLO OPOSTO É QUE É O CONSERVADOR.
Outro dia comentei aqui como o Brasil é um país estranho. No Brasil, até a direita é esquerda. Mas, mais estranho ainda, é que a direita é quase zero, não há um único partido de direita. E não confundam direita com nazismo, porque aí as coisas ficariam insustentáveis, nada mais perto da chamada direita nazista que o comunismo. Basta ver o ideário do Nacional-Socialismo alemão, do NSDAP. Há mais convergências que divergência, inclusive no trato discriminatório aos judeus.
Na verdade, no Brasil de algumas décadas atrás, gente nacionalista seria chamada de direita, porque estaria numa posição antagônica aos internacionalistas, sempre de esquerda. E o que aconteceu neste país muito louco? A esquerda agora é que é nacionalista, ultranacionalista, até. Assim, não sobra qualquer brecha para a direita, ou os conservadores. Basta ver a relação de nossos esquerdistas com ultranacionalistas do Peru, Bolívia e Venezuela (embora para mim o Chávez nunca tenha passado, mesmo, de um coronel populista, típico da A. Latina).
A esquerda adora taxar de direita qualquer um que se atravesse no seu caminho devido, ainda, ao pós Segunda Guerra Mundial e ao estigma nazista. No entanto, isso está muito longe da verdade. Os socialistas e os nazistas, embora por caminhos diferentes, mas ambos apoiados em um discurso pseudo-científico, caminharam longos trechos juntos na década de 30, quando Hitler e Stálin andaram pensando em dividir a Europa entre si. Na Alemanha dos anos 30, os comunistas (o maior PC forada Rússia) muitas vezes saiam com os futuros SA para baterem nos social-democratas da República de Weimar.
Um conservador poder ser chamado de direita, um nazista nunca. Ambos os regimes, o socialista e o nazista abominavam o capital privado, disciminavam judeus, o socialismo querendo reconstruir o mundo com base na Sociologia e o nazismo querendo reconstruir o mundo com base na Biologia
O socialismo, mais universalista, mais globalizante; o nazismo, mais voltado para as fronteiras da pátria alemã. O problema é que, para Hitler, Alemanha era onde houvessem alemães, o que indica que o nazismo também poderia pretender expandir-se até ocupar o mundo. Talvez não houvesse lugar para dois totalitarismos tão sedentos. E, de fato, não houve.
Após o Tratado Ribbentrop-Molotov, pelo qual dividiram a Europa, Hitler e Stálin acabaram se tornando antagônicos porque Hitler resolveu invadir a Rússia.
Como interessava aos aliados derrotar o mais rápido possível a Hitler, decidiram dar uma chance para Stálin, que mudou de lado. Desde então, com grande habilidade, os totalitários esquerdistas conseguiram, primeiro banir os nazistas do cenário político, ficando com todo o mundo à disposição, ao menos potencialmente. Daí não pararam mais, e temos, então toda a histórias da revoltas, rebeliões, e golpes da segunda metade do Século XX patrocinados pela esquerda em sua tentativa de avançar mundo afora, e países adentro. Claro, surgiram ditaduras de direita, militares, nacionalistas, sempre tentando barrar os comunistas.
Ditaduras, sempre, desprezíveis, como todas as ditaduras.
O que resultou disso tudo foi que sempre que alguém quer bater em conservadores, anti-esquerdistas, o que for, mandam logo a maldição: direitista!. Se colar colou. Como vivemos em uma época de muita gente despreparada política e culturalmente, fogem das palavras como o diabo foge da cruz ou os vampiros das balas de prata. Assim, quando interessa associar alguém ao Mal, lá vái: Direitista. E os tontos se calam e não reagem. Um bom exemplo é o tal partido PSD, do Kassab e outros ex-DEM. Nem direita, nem esquerda e nem centro. Que, diabos, é isso? Boa parte, a maior parte dos brasileiros é conservadora, porque não há um partido para eles?
Na Europa foi bastante visto o documentário Soviet Story, mostrando o genocídio comunista contra os ucranianos, ou os poloneses. Com isso, já surgiu um movimento, na Europa Central, países vítimas do comunismo e do nazismo, para banir os símbolos comunistas como foram banidos os nazistas. Os nazistas, acusados de genocídio, ganharam "o direito" de não poder participar da política na maioria dos países. O mesmo prêmio não foi dado aos comunistas, cujos regimes mataram muito mais gente, mas tiveram a sorte de mudar de barco e lutar contra os nazistas no final da guerra, os mesmos de quem eram bem chegadinhos antes de 1939 e até a invasão da Rússia pelas tropas de Hitler. Ironias do destino.
terça-feira, 29 de março de 2011
O ENIGMA DE KASSAB. Um partido que não tem posição, mas será a favor do Brasil.
Diante da pergunta do repórter da ESPN sobre a linha ideológica do partido que será criado, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, respondeu:
__ Olhe, não será de direita, não será de esquerda, nem de centro. É um partido que terá um programa a favor do Brasil.
Não sendo de direita, poderia ser de esquerda.
Não sendo de esquerda, poderia ser de direita.
Não sendo nem direita e nem esquerda, poderia ser de centro, em que pese a ambiguidade de tal posição. Nem, nem.
Agora, se nem é direita, nem esquerda e nem centro, além de ganhar um programa a favor (os outros partidos têm programas contra?) o Brasil estará no caminho de novas invenções em política.
Êta país criativo.
__ Olhe, não será de direita, não será de esquerda, nem de centro. É um partido que terá um programa a favor do Brasil.
Não sendo de direita, poderia ser de esquerda.
Não sendo de esquerda, poderia ser de direita.
Não sendo nem direita e nem esquerda, poderia ser de centro, em que pese a ambiguidade de tal posição. Nem, nem.
Agora, se nem é direita, nem esquerda e nem centro, além de ganhar um programa a favor (os outros partidos têm programas contra?) o Brasil estará no caminho de novas invenções em política.
Êta país criativo.
quinta-feira, 24 de março de 2011
AS ELEIÇÕES BRASILEIRAS SÃO UMA FARSA NO SENTIDO MAIS EXATO E INTEGRAL DO TERMO. (OC)
BAU DE TEXTOS FUNDAMENTAIS
Por que o brasileiro vota na esquerda
Olavo de Carvalho
Se no Brasil ocorre esse fenômeno aberrante de um eleitorado conservador votar maciçamente em candidatos de esquerda, o motivo da contradição aparente é claríssimo e se compõe da confluência de três fatores. Desde logo, o conservadorismo não tem canais partidários ou culturais de expressão e se tornou politicamente nulo. Não há políticos conservadores: ninguém pode votar em candidatos inexistentes.
De outro lado, o esquerdismo usa uma linguagem nas suas discussões internas, outra para falar com o povo, e só na primeira delas assume sua verdadeira identidade ideológica. Na outra ele dilui sua imagem em generalidades moralistas, nacionalistas e populistas. É um discurso maliciosamente escorregadio, que evita o jargão marxista e impede o povo de identificar a esquerda brasileira com a revolução neocomunista continental.
Até observadores estrangeiros qualificados, mas que desconhecem os documentos internos do PT e do Foro de São Paulo, como por exemplo Álvaro Vargas Llosa, Otto Reich e o próprio subsecretário Tom Shannon, se deixaram enganar por essa falsa aparência, imaginando o esquerdismo brasileiro como populista em vez de comunista. A população local, é claro, cai no engodo ainda mais facilmente. Mesmo entre pessoas letradas é comum a reação: “Lula, comunista? Você está doido.” O próprio Lula pôde dizer, sem que ninguém o contestasse, que não apenas nunca foi comunista como não é nem mesmo esquerdista. Essa declaração seria considerada cínica, inaceitável e até criminosa se a platéia não ignorasse que o declarante foi fundador e presidente da maior organização pró-comunista do continente.
Em terceiro lugar, o sucesso de quarenta anos de “revolução cultural” gramsciana foi tão avassalador -- dada a completa falta de resistência --, que os valores, critérios e até cacoetes mentais do movimento comunista internacional se incorporaram no “senso comum” brasileiro e já não são reconhecidos como tais: são aceitos passivamente pela sociedade, sem consciência de suas implicações ideológicas.
Somem esses três fatores e compreenderão por que um povo conservador vota em candidatos comunistas: ele não sabe que são comunistas, não sabe o que há um movimento comunista ativíssimo no continente não tem a menor idéia das conseqüências do seu voto. As eleições brasileiras são uma farsa no sentido mais exato e integral do termo.
Não havendo partidos ou políticos de direita no Brasil, toda a confrontação direita-esquerda que se vê atualmente é uma obra de engenharia social criada pela própria esquerda com três objetivos:
(1) ocultar sua hegemonia e seu poder monopolístico sob uma aparência de disputa democrática normal;
(2) neutralizar quaisquer tendências direitistas, canalizando-as para uma direita pré-fabricada, a “direita da esquerda”, o que se observou muito claramente nas duas campanhas eleitorais de Fernando Henrique Cardoso, um marxista gramsciano que foi alegremente aceito como depositário (infiel, é óbvio) da confiança do eleitorado direitista;
(3) dominar todo o espaço político por meio do jogo de duas correntes partidárias fiéis ao mesmo esquema ideológico, só separadas pela disputa de cargos, como aliás o reconheceram explicitamente o próprio Fernando Henrique e o prof. Christovam Buarque, então um dos mentores do PT.
Essas três linhas de ação definem exatamente o que Lênin chamava “estratégia das tesouras”, termo inspirado na idéia de cortar com duas lâminas.
O PFL poderia ser um partido de direita, mas, como só quer cargos e não tem nenhuma perspectiva de poder, consentiu em tornar-se uma filial do PSDB. O PMDB é esquerdista desde a origem e está repleto de comunistas. O PSDB, a “direita da esquerda”, é a boca de funil para onde converge o que possa restar de direitismo hipotético nesses outros partidos. Tal como o PT, esse partido nasceu na USP, e sua única função no conjunto da estratégia comunista uspiana é impedir que os descontentes com o PT acabem se aglutinando numa direita genuína.
Zero Hora, 1o de setembro de 2006
http://www.olavodecarvalho.org/semana/060901zh.html
quarta-feira, 23 de março de 2011
FAILURE OF THE FEMINISTS. Feministas ainda apoiam mais causas da esquerda que das mulheres. Essa é a sua fraqueza.
O fracasso das feministas
Paul Johnson
O que muitas vezes me impressionou é que todas as mulheres de sucesso que eu conheci na política foram anti-feministas.
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| Paul Johnson (imagem Dextra) |
Nada ilustra melhor a diferença entre o idealismo e o realismo políticos do que a campanha para promover as mulheres ao poder, agora com um século de idade. Os idealistas insistem em princípios universais, baseados em teorias sobre direitos, que beneficiem igualmente todas as mulheres. Os realistas compreendem a idéia de que mulheres de talento, em cargos reais e capazes de exercerem autoridade, fazem mais para persuadirem o público da aptidão das mulheres para governarem do que qualquer outra coisa.
As militantes dos direitos das mulheres, as suffragettes e as feministas alcançaram espantosamente muito pouco. Uma razão é que a maioria delas também estavam radicalmente engajadas na promoção de todo tipo de causas de esquerda além das demandas específicas das mulheres. Quando se deparavam com a escolha do que vinha primeiro, a esquerda ou as mulheres, eram normalmente as mulheres que ficavam em segundo lugar. É provável que algumas mulheres teriam conseguido o voto na Grã-Bretanha bem antes da Primeira Guerra, se as feministas estivessem preparadas para aceitarem qualificações de idade e bens ao invés de se dar o voto a todas as mulheres com mais de 21 anos.
Violet Bonham Carter, filha do primeiro-ministro liberal na época, explicou para mim que foi por isto que ela se opôs às suffragettes: seus objetivos limitados teriam inflado o voto tory no final das contas. Ou ao menos é o que ela e outras acreditavam.
Neste caso, venceu facilmente o voto para mulheres com mais de 30 anos, sem qualquer problema, em 1918, por uma simples razão. Durante a guerra, milhões de mulheres tinham feito o trabalho dos homens, na indústria, em serviços públicos, como ônibus, e mesmo, na França, por trás das linhas, com energia e competência, mesmo que fosse preciso coragem.
Qualquer dúvida sobre sua capacidade tinha sido sanada por mulheres reais na experiência concreta. Do mesmo modo, em 1928, a outorga do voto a todas as mulheres com mais de 21 anos (o voto 'Flapper') foi reconhecida praticamente sem oposição. O pragmatismo venceu o idealismo em todos os setores.
Pode-se dizer que o pragmatismo tinha uma longa história na Inglaterra.
Os witenagemots anglo-saxônicos incluíam abadessas de grandes conventos, que haviam demonstrado sua capacidade e bom-senso na administração de terras da igreja. E as mulheres que herdavam propriedades nos tempos anglo-saxônicos retinham mais poder sobre elas do que em qualquer época até a Lei de Propriedade das Mulheres Casadas, de 1822. Foram os normandos, com suas concepções continentais de direitos dos homens, suas distinções absolutas e sua postura teórica ao invés de prática que fizeram as leis que seguraram as mulheres durante o milênio seguinte.
Os witenagemots anglo-saxônicos incluíam abadessas de grandes conventos, que haviam demonstrado sua capacidade e bom-senso na administração de terras da igreja. E as mulheres que herdavam propriedades nos tempos anglo-saxônicos retinham mais poder sobre elas do que em qualquer época até a Lei de Propriedade das Mulheres Casadas, de 1822. Foram os normandos, com suas concepções continentais de direitos dos homens, suas distinções absolutas e sua postura teórica ao invés de prática que fizeram as leis que seguraram as mulheres durante o milênio seguinte.
O que muitas vezes me impressionou é que todas as mulheres de sucesso que eu conheci na política foram anti-feministas, embora algumas não ousassem dizê-lo publicamente. Bárbara Castle, embora uma ferrenha trabalhista durante toda a vida e bastante à esquerda, costumava dizer: 'As feministas não fizeram absolutamente nada por mim. Eu tive que fazer tudo eu mesma.' Ela achava que o feminismo, com sua insistência em 'Cadeiras', etc., era muitas vezes contraproducente. Também era o caso de Violet Bonham Carter, a melhor oradora que já escutei. Indira Ghandi acreditava que ela devia tudo a sua família e não devia nada ao movimento feminino. Outros dos primeiros exemplos de primeira-ministras como a sra. Bandaranaike, do que na época era o Ceilão, e Golda Meier, de Israel, fizeram progresso por inteligência, persistência, coragem e, não menos importante, sorte.
A sorte certamente teve um papel na carreira política de Margaret Thatcher -- ela foi uma política com uma boa sorte bem regular -- mas a coragem teve muito mais. Concentração em algumas idéias centrais, enorme vontade de poder e, acima de tudo, coragem, todas, até então, consideradas virtudes masculinas, formavam a combinação que a levou ao topo e a manteve lá. Ela me disse: "As feministas me odeiam, não é? Eu não as culpo. Porque eu odeio o feminismo. Ele é um veneno". As feministas se opunham a ela porque ela desmentia todas as suas teorias e clichês. Elas nunca a citam como um exemplo do sucesso das mulheres no governo e tentam fazer pouco caso de todos os seus triunfos. Elas odiavam o modo bem sucedido como ela se investia do poder, sua extraordinária habilidade em manter o penteado impecável durante o dia mais longo e estressante (que contraste com a patética Shirley Williams) e seu uso impiedoso do apelo feminino para chegar a seus objetivos. Seria difícil pensar em alguma outra mulher em toda a história que se recusasse tão obstinadamente a se encaixar na imagem feminista da mulher ideal no poder, embora Elizabeth I e Catarina a Grande, da Rússia sejam fortes competidoras.
Do outro lado do Atlântico, Sarah Palin e o Movimento Tea Party representam um exemplo impressionante do modo como as mulheres progridem em uma democracia midiática moderna apesar (não por causa) do movimento feminino. As críticas mais ríspidas, estridentes e até violentas de Palin foram as feministas. Elas a consideram não só como uma rival, mas como uma inimiga, e elas querem ver sua carreira pública capotar para uma ruína irreparável. O Tea Party elas vêem com medo e repulsa. Ele trouxe à linha de frente um número excepcionalmente grande de mulheres em todas as partes dos Estados Unidos e como candidatas para todos os tipos de cargos. Muitas são jovens, bonitas, extrovertidas e com um gosto por piadas. Em novembro último, muitas foram eleitas, provavelmente na maior entrada de mulheres para cargos eletivos na história americana. Tudo sem uma palavra de apoio das feministas -- na verdade, para seu manifesto pesar. O alarme e o questionamento que o Tea Party causaram no movimento feminino não são as menores de suas particularidades.
Na Grã-Bretanha, o aspecto mais significativo do feminismo, hoje, não é tanto o que ele faz quanto o que ele deixa vergonhosamente de fazer e particularmente em relação a um assunto: a sujeição e exploração das mulheres muçulmanas. É um assunto tabu. Por que deveria ser? Parte da explicação é o medo. As suffragettes podem ter estado erradas sob alguns aspectos, mas coragem para enfrentar a massa -- qualquer massa -- não era algo que lhes faltasse.
As feministas modernas são covardes na hora de confrontar os maus-tratos islâmicos às mulheres. Uma razão adicional, entretanto, é o velho problema de se encaixarem as mulheres na visão de mundo da esquerda, na qual a Ásia e a África islâmicas são vistas como anti-ocidentais e, portanto, "progressistas". Os interesses das 'simples' mulheres muçulmanas tem que ser sacrificados pela manutenção de uma ilusão.
O que a história ensina é a importância do esforço individual e do caráter pessoal na melhoria do modo como fazemos as coisas e para assim se fazer a sociedade progredir. Isto se aplica a qualquer segmento da humanidade a que estejamos tentando dar direitos -- membros da antiga classe trabalhadora na Grã-Bretanha, os negros nos Estados Unidos, mulheres em toda a parte. O que queremos são mulheres de carne e osso de primeira classe fazendo coisas e fazendo-as bem. Não abstrações teóricas - 'cadeiras'.
Paul Johnson: The Spectator, 12 de março de 2011
Original: Failure of the feminists
Tradução: Dextra
quarta-feira, 16 de março de 2011
"FERIR O EXÉRCITO BRASILEIRO É O MESMO QUE FERIR A MIM MESMO"
| "Batalha do Avaí" – Museu Nacional de Belas Artes-RJ – Óleo sobre tela de Pedro Américo. |
por Paulo Chagas
Caros amigos
Tenho muito orgulho do que sou e se me fosse possível nascer de novo e controlar meu destino, não hesitaria um instante sequer para optar, outra vez, por dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições juraria defender, até com sacrifício da própria vida.
Não me arrependo das decisões que tomei como soldado. Não me arrependo das atitudes que tomei, nem lamento as conseqüências dos meus atos, porque sou soldado por vocação, por amor ao meu País. Envaidece-me saber que mesmo morto nunca deixarei de ser um Soldado do Exército de Caxias!
Por outro lado, este mesmo orgulho, que me obriga a controlar a soberba e a presunção, angustia meu coração, meu instinto, minha disciplina e meu preparo para aceitar as coisas que, estando fora do meu alcance e da minha responsabilidade, eu não posso mudar.
Angustia-me a certeza de saber que os meus sentimentos são os mesmos de todos, que, como eu, são soldados por amor ao Brasil e ao Exército. Angustia-me a certeza de que todos, de alguma forma, sabem que estamos sendo engambelados pela falácia de que o passado pertence aos que passaram e que a história é responsabilidade de quem a viveu.
Angustia-me constatar que a cada dia que passa mais frágil fica a nossa resistência à contaminação ideológica de que “os soldados de hoje” são diferentes dos “soldados de ontem” e que as conseqüências dos “males que causaram” somente a eles cabe responder, lavamos, assim, as mãos entre os inocentes com a mesma hipocrisia com que Pilatos o fez diante da infame condenação do Cristo Jesus.
Angustia-me assistir a ameaça de quebra da unidade do Exército que, empenhado institucionalmente em uma guerra suja, não se manifesta de forma ostensiva, pública, altiva e vociferante em defesa de si mesmo e daqueles que, no cumprimento do dever e de ordens de operações, fizeram o que, na circunstância, todos achavam que era o que tinha que ser feito!
Angustia-me supor que, como Instituição de Estado, nos falte coragem e argumentação para enfrentar de peito aberto e coração exposto a crítica e a condenação de excessos e enganos que, pela vontade de vencer e neutralizar, o quanto antes, as ameaças à liberdade democrática, tenham sido eventualmente cometidos pelas forças ou agentes escalados para contrapor-se ao ataque armado da esquerda terrorista, assassina e revolucionária.
Angustia-me tomar conhecimento de inteligente e consistente argumentação, contrária à forma como o governo dos derrotados pretende “revelar a verdade” e deturpar a imagem das instituições militares perante a Nação, pela ação obscura e pela visão distorcida e intriguista da imprensa, em documento que, desta forma, se “supõe”, retrata o pensamento e a posição que, moralmente, todos devemos adotar.
Angustia-me constatar que passados dez anos da criação do Ministério da Defesa, com o que pessoalmente concordo, ainda não tenhamos aprendido a utilizar o espaço que nos proporciona o afastamento do poder político para manobrar ostensiva e dissuasivamente em defesa da nossa missão e da nossa importância como instituição nacional e como segmento da sociedade comprometidos, exclusivamente, com os interesses da Nação que, não necessariamente, devem coincidir com os das facções políticas no poder.
Finalizo, amigos, assegurando-lhes que, em meio a tantas angústias, nada se compara à dor de ferir a própria carne, quando o desabafo se transforma em crítica, pois, mesmo que construtiva, a crítica fere a sensibilidade e ferir o Exército Brasileiro é o mesmo que ferir a mim mesmo, pois não me permito ser menos que um Soldado de Caxias!
Tenho muito orgulho do que sou e se me fosse possível nascer de novo e controlar meu destino, não hesitaria um instante sequer para optar, outra vez, por dedicar-me inteiramente ao serviço da Pátria, cuja honra, integridade e instituições juraria defender, até com sacrifício da própria vida.
Não me arrependo das decisões que tomei como soldado. Não me arrependo das atitudes que tomei, nem lamento as conseqüências dos meus atos, porque sou soldado por vocação, por amor ao meu País. Envaidece-me saber que mesmo morto nunca deixarei de ser um Soldado do Exército de Caxias!
Por outro lado, este mesmo orgulho, que me obriga a controlar a soberba e a presunção, angustia meu coração, meu instinto, minha disciplina e meu preparo para aceitar as coisas que, estando fora do meu alcance e da minha responsabilidade, eu não posso mudar.
Angustia-me a certeza de saber que os meus sentimentos são os mesmos de todos, que, como eu, são soldados por amor ao Brasil e ao Exército. Angustia-me a certeza de que todos, de alguma forma, sabem que estamos sendo engambelados pela falácia de que o passado pertence aos que passaram e que a história é responsabilidade de quem a viveu.
Angustia-me constatar que a cada dia que passa mais frágil fica a nossa resistência à contaminação ideológica de que “os soldados de hoje” são diferentes dos “soldados de ontem” e que as conseqüências dos “males que causaram” somente a eles cabe responder, lavamos, assim, as mãos entre os inocentes com a mesma hipocrisia com que Pilatos o fez diante da infame condenação do Cristo Jesus.
Angustia-me assistir a ameaça de quebra da unidade do Exército que, empenhado institucionalmente em uma guerra suja, não se manifesta de forma ostensiva, pública, altiva e vociferante em defesa de si mesmo e daqueles que, no cumprimento do dever e de ordens de operações, fizeram o que, na circunstância, todos achavam que era o que tinha que ser feito!
Angustia-me supor que, como Instituição de Estado, nos falte coragem e argumentação para enfrentar de peito aberto e coração exposto a crítica e a condenação de excessos e enganos que, pela vontade de vencer e neutralizar, o quanto antes, as ameaças à liberdade democrática, tenham sido eventualmente cometidos pelas forças ou agentes escalados para contrapor-se ao ataque armado da esquerda terrorista, assassina e revolucionária.
Angustia-me tomar conhecimento de inteligente e consistente argumentação, contrária à forma como o governo dos derrotados pretende “revelar a verdade” e deturpar a imagem das instituições militares perante a Nação, pela ação obscura e pela visão distorcida e intriguista da imprensa, em documento que, desta forma, se “supõe”, retrata o pensamento e a posição que, moralmente, todos devemos adotar.
Angustia-me constatar que passados dez anos da criação do Ministério da Defesa, com o que pessoalmente concordo, ainda não tenhamos aprendido a utilizar o espaço que nos proporciona o afastamento do poder político para manobrar ostensiva e dissuasivamente em defesa da nossa missão e da nossa importância como instituição nacional e como segmento da sociedade comprometidos, exclusivamente, com os interesses da Nação que, não necessariamente, devem coincidir com os das facções políticas no poder.
Finalizo, amigos, assegurando-lhes que, em meio a tantas angústias, nada se compara à dor de ferir a própria carne, quando o desabafo se transforma em crítica, pois, mesmo que construtiva, a crítica fere a sensibilidade e ferir o Exército Brasileiro é o mesmo que ferir a mim mesmo, pois não me permito ser menos que um Soldado de Caxias!
Paulo Chagas é General-de-Brigada do "Exército de Caxias".Reproduzido do blog BootLead: http://bootlead.blogspot.com/
segunda-feira, 14 de março de 2011
O OVO DAS SERPENTES QUE CACAREJAM
do baú de textos fundamentais
O ovinho da serpente
Olavo de Carvalho
Jornal da Tarde, 5 de fevereiro de 1998
Jornal da Tarde, 5 de fevereiro de 1998
Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Suécia, há organizações nazistas assumidas - militantes, ativas, armadas. Nunca uma delas foi manchete nos principais jornais. David Duke, o líder nazista que quase foi candidato à Presidência norte-americana, nunca saiu em corpo 120 na primeira página do New York Times , do Washington Post ou do Washington Times.
No Brasil não existe qualquer militância nazista, exceto nos hospícios. Este é um país onde até mesmo clássicos da literatura acusados de simpatias nazistas estão expulsos do mercado livreiro há décadas sem que ninguém dê pela falta deles. É um país onde, em suma, o nazismo é apenas a evanescente recordação de um pesadelo distante, perdido nas brumas do passado.
Pois bem: neste país, oito adolescentes que numa redação escolar expressam uma vaga apreciação pela figura histórica de Adolf Hitler não apenas se tornam manchete, mas suscitam uma onda nacional de advertências apocalípticas contra a ameaça nazista. Lida por um observador desinformado, a reação da imprensa brasileira ao caso da Escola Militar de Porto Alegre produz a inequívoca impressão de que hordas de camisas-pardas estariam em vias de marchar sobre o Palácio do Planalto.
Mas, quando reações de pavor histérico ante o imaginário coexistem numa mesma alma com a tranqüilidade olímpica ante um outro perigo, este real e iminente, então cabe perguntar: loucura ou método? A quase totalidade dos porta- vozes do alarmismo antinazista constitui-se de jornalistas e intelectuais de esquerda que vêem com calma simpatia a anunciada invasão de ministérios, bancos e edifícios privados pelos militantes armados do MST.
A estratégia maliciosa é mais que evidente. A esquerda mundial sempre buscou impingir o socialismo como a única alternativa ao nazismo (como se este não fosse um socialismo!). A proposta indecente - "ou eles ou nós" - brota quase automaticamente nos lábios esquerdistas sempre que surge um perigo nazista no horizonte. A novidade que a esquerda brasileira acaba de introduzir nesse joguinho safado consiste em elevá- lo ao supra-sumo da calhordice: não havendo perigo nazista para servir de arma de chantagem, inventa-se um.
Para tanto, infla-se até à demência, transformando-o em manchete nos grandes diários das capitais, um episódio que mal daria assunto para uma crônica de seminário do interior. Cria-se a notícia do nada, como Deus ao fazer o mundo.
O falecido Jean Mellé, virtuose do escândalo, fez o sucesso de Notícias Populares por esse método. Ao não obter da Rede Record uma informação precisa sobre o hotel onde se hospedara o ídolo máximo da "Jovem Guarda" em Nova York durante uma viagem de passeio, mandou estampar em oito colunas: "Roberto Carlos sumiu!" As fãs, em lágrimas, fizeram fila nas bancas de jornais.
Outro tanto conseguia o velho Chagas Freitas em O Dia e A Notícia . Uma operária passara mal após comer um cachorro- quente? Manchete: "Cachorro fez mal à moça." Trata-se de jogar com as palavras para mudar, seja o sentido, seja as proporções dos acontecimentos.
A classe jornalística, que tanto se gaba de sua capacidade de autofiscalização, não dá o menor sinal de perceber que, quando a grande imprensa adota os procedimentos de Jean Mellé, algo, de fato, apodreceu na consciência dos profissionais. Se todos se recusam a sentir-lhe o cheiro, é sob o pretexto edificante de que os altos objetivos políticos da operação transfiguraram miraculosamente a porcaria em sublime coisa. Todos dão por pressuposto que a luta pelo poder seja mais digna de estima do que a luta pelo dinheiro. Em nome da causa, torna-se lindo jogar pela janela os últimos escrúpulos de ética profissional.
E os protagonistas da farsa não são todos principiantes iludidos. Zuenir Ventura, numa dramática meia página do Jornal do Brasil , quer nos persuadir de que enxerga no episódio de Porto Alegre um "ovo de serpente". Teria Zuenir se equivocado? Teria perdido, num transe de embriaguez ideológica, todo o senso das proporções? Não, uma velha raposa do jornalismo não toma tão ingenuamente por ovos de serpente ovos de codorna. Não há equívoco: ao denunciar os meninos de Porto Alegre como culpados de "delinqüência mental" - notem bem o termo -, Zuenir deixa à mostra seu intuito de fazer do jornalismo uma "Polícia do Pensamento", diretamente copiada do 1984 de George Orwell.
E se essa ofídica entidade, ainda extra-oficial, já reina soberana sobre boa parte da imprensa brasileira sem que ninguém tenha a ousadia de contestar suas pretensões (o presente artigo jamais seria aceito num jornal do Rio), que não fará ela no Brasil socialista de amanhã, quando seus serviços forem reconhecidos e premiados pelo Estado?
A serpente de Porto Alegre, além de estar ainda em estado de ovo, é um ovo hipotético e fingido, um ovo de papelão fabricado por uma cerebração artificiosa. Mas esta outra de que estou falando já saiu da casca há muito tempo, está viva e passa bem. Nem sempre está visível, mas todo mundo pode ouvi-la - sendo esta, precisamente, a sua peculiaridade: toda as serpentes botam ovos, mas, quando uma delas começa a cacarejar, algo de muito estranho está acontecendo.
E se, para explicar o seu insólito procedimento, ela ainda nos diz que o motivo de sua histeria galinácea está no pavor que lhe inspira a simples visão de um ovinho, então, meus filhos, é que alguma ela está tramando.
Portanto, entre a hipótese da loucura e a do método, opto pelas duas. A exploração metódica de uma loucura induzida com fins políticos é, em si mesma, loucura no mais alto grau. É a loucura fria, racional, dos revolucionários dispostos a justificar os meios pelos fins, como se o emprego de certos meios, uma vez tornado habitual, não passasse a determinar a natureza dos fins.
A PREPARAÇÃO PARA A LUTA ARMADA PARA A TOMADA DO PODER NO BRASIL, PELA ESQUERDA, COMEÇOU MUITO ANTES DE 1964 OU 1968 (ANO DO AI-5)
GEN. GILBERTO BARBOSA DE FIGUEIREDO | 12 MARÇO 2011
ARTIGOS - MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO
ARTIGOS - MOVIMENTO REVOLUCIONÁRIO
A cúpula do PC do B levou um grupo de jovens imbuídos de um ideal - perverso, mas ideal - para uma aventura suicida na selva amazônica.
A tese, ouvi de um amigo - o Gen Luiz Cesário da Silveira Filho - e a julguei muito pertinente. Por que imputar a culpa aos agentes do estado que combateram a guerrilha do Araguaia pela morte de alguns de seus integrantes, como querem alguns extremistas? Afinal, o que estavam fazendo era defender a ordem contra um bando de foras da lei, sem nenhum senso ético a nortear suas ações, que queriam, unicamente, implantar no Brasil um regime ditatorial de esquerda. As tropas estavam, em última análise, cumprindo com seus deveres. A verdadeira culpa deveria ser atribuída a João Amazonas e seus sequazes, responsáveis pela malfadada aventura.
Vejamos como tudo começou. Em 1960 houve um racha entre os comunistas brasileiros. Enquanto o PCB se propunha a seguir a orientação emanada do XX Congresso do PCUS (Partido Comunista da União Soviética), de 1956, que passou a propugnar pela via pacífica para a tomada do poder, Maurício Grabois e João Amazonas, entre outros, insistiam em priorizar a luta armada. Foram expulsos do PCB e fundaram o PC do B, com o intuito de seguir a orientação de Mao Tse-tung, maior ideólogo da revolução chinesa, que apregoava: "não é possível transformar o mundo a não ser com o fuzil".
Em 1962, dois anos antes portanto do movimento de 1964, o PC do B passou à defesa aberta do uso da violência revolucionária para a imposição de um governo popular. Apoiando-se no exemplo da China, iniciou a organização de um movimento guerrilheiro que seria: "a forma principal de luta na fase inicial da guerra popular, através da qual é que se poderá iniciar a ação armada contra os inimigos da Nação e começar a estruturar as Forças Armadas Populares".
Isso resolvido, faltava a preparação de quadros para viabilizar a luta armada. Decidiu-se, então, enviar à China, em 1964, ainda no governo de João Goulart, o primeiro grupo de militantes para ser treinado na Academia Militar de Pequim. Tais circunstâncias jogam completamente por terra a justificativa, hoje usada, de que a luta no Araguaia foi criada para combater a "ditadura militar", ao constatar-se que a decisão sobre o implante da guerrilha, bem como seus preparativos, antecederam o episódio de 31 de março de 1964.
A partir de 1966, o PC do B começou a infiltrar seus combatentes na área inicialmente escolhida, situada ao norte do estado de Tocantins, na região conhecida como "bico do papagaio". O território, que passaram a designar como Araguaia, prestava-se aos desígnios de seus articuladores. Coberto por exuberante floresta, era escassamente povoado por gente em completo abandono. Pretendia o PC do B, de princípio, conseguir o apoio dessa população carente, através de um trabalho de massas e de alguma assistência social.
Os primeiros ativistas a chegar foram da cúpula do partido, juntamente com quadros dotados de preparo militar, obtido em cursos na China. Lá arribaram estrelas como João Amazonas, Maurício Grabois, Elza Monerat, Ângelo Arroyo, Osvaldo Orlando da Costa, Nélson Piauhy Dourado e Líbero Giancarlo Castiglia, entre outros. Quase todos morreram na contenda, conseguindo escapar João Amazonas, Elza Monerat e Ângelo Arroyo. Esses fugiram da área quando sentiram que suas integridades estavam em perigo. E deixaram para trás seus partidários, que haviam induzido àquela aventura.
Após algum sucesso nas fases iniciais do conflito, os guerrilheiros foram surpreendidos pela renovada forma de atuar das forças legais que passaram a empregar pessoal altamente preparado para o combate na selva e para o enfrentamento à guerra de guerrilha.
Essas tropas, com determinação e coragem, foram isolando e acuando as diferentes células guerrilheiras. A dificuldade imposta pelo meio hostil, a ação firme dos militares e a absoluta falta de apoio da cúpula do partido a que se viram relegados, levaram os guerrilheiros a sofrerem baixas consideráveis, até ficar claro que a única alternativa era encerrar o movimento.
Na história militar não há registro de guerra em que não tenham sido cometidos excessos, de parte a parte. Nessa não foi diferente. Os guerrilheiros, inclusive, que hoje posam de vítimas, cometeram grande número de atrocidades. Transcrevo, a título de exemplo, três casos que recolhi no site do Grupo Terrorismo Nunca Mais:
Em 1962, dois anos antes portanto do movimento de 1964, o PC do B passou à defesa aberta do uso da violência revolucionária para a imposição de um governo popular. Apoiando-se no exemplo da China, iniciou a organização de um movimento guerrilheiro que seria: "a forma principal de luta na fase inicial da guerra popular, através da qual é que se poderá iniciar a ação armada contra os inimigos da Nação e começar a estruturar as Forças Armadas Populares".
Isso resolvido, faltava a preparação de quadros para viabilizar a luta armada. Decidiu-se, então, enviar à China, em 1964, ainda no governo de João Goulart, o primeiro grupo de militantes para ser treinado na Academia Militar de Pequim. Tais circunstâncias jogam completamente por terra a justificativa, hoje usada, de que a luta no Araguaia foi criada para combater a "ditadura militar", ao constatar-se que a decisão sobre o implante da guerrilha, bem como seus preparativos, antecederam o episódio de 31 de março de 1964.
A partir de 1966, o PC do B começou a infiltrar seus combatentes na área inicialmente escolhida, situada ao norte do estado de Tocantins, na região conhecida como "bico do papagaio". O território, que passaram a designar como Araguaia, prestava-se aos desígnios de seus articuladores. Coberto por exuberante floresta, era escassamente povoado por gente em completo abandono. Pretendia o PC do B, de princípio, conseguir o apoio dessa população carente, através de um trabalho de massas e de alguma assistência social.
Os primeiros ativistas a chegar foram da cúpula do partido, juntamente com quadros dotados de preparo militar, obtido em cursos na China. Lá arribaram estrelas como João Amazonas, Maurício Grabois, Elza Monerat, Ângelo Arroyo, Osvaldo Orlando da Costa, Nélson Piauhy Dourado e Líbero Giancarlo Castiglia, entre outros. Quase todos morreram na contenda, conseguindo escapar João Amazonas, Elza Monerat e Ângelo Arroyo. Esses fugiram da área quando sentiram que suas integridades estavam em perigo. E deixaram para trás seus partidários, que haviam induzido àquela aventura.
Após algum sucesso nas fases iniciais do conflito, os guerrilheiros foram surpreendidos pela renovada forma de atuar das forças legais que passaram a empregar pessoal altamente preparado para o combate na selva e para o enfrentamento à guerra de guerrilha.
Essas tropas, com determinação e coragem, foram isolando e acuando as diferentes células guerrilheiras. A dificuldade imposta pelo meio hostil, a ação firme dos militares e a absoluta falta de apoio da cúpula do partido a que se viram relegados, levaram os guerrilheiros a sofrerem baixas consideráveis, até ficar claro que a única alternativa era encerrar o movimento.
Na história militar não há registro de guerra em que não tenham sido cometidos excessos, de parte a parte. Nessa não foi diferente. Os guerrilheiros, inclusive, que hoje posam de vítimas, cometeram grande número de atrocidades. Transcrevo, a título de exemplo, três casos que recolhi no site do Grupo Terrorismo Nunca Mais:
1- Odilio Cruz Rosa, Cabo de Exército. Morto na região do Araguaia, quando uma equipe comandada por um Tenente e composta ainda, por dois Sargentos e pelo Cabo Rosa, foram emboscados por terroristas comandados por Oswaldo Araújo Costa "Oswaldão", na região de Grota Seca, no Vale da Gameleira. Neste tiroteio foi morto o Cabo Rosa e feridos o Tenente e um Sargento. Julgando que o Cabo Rosa estivesse desgarrado da equipe, o Tenente e os dois Sargentos retiraram-se para Xambioá, à procura de atendimento médico. Lá souberam, através de um mateiro, que o Cabo Rosa tinha sido morto e que "Oswaldão" dissera aos habitantes da região que permaneceria mantendo guarda ao corpo do Cabo, até que ele apodrecesse, e que o Exército não teria coragem para resgatá-lo. Foi formada uma patrulha com a missão de localizar e resgatar o corpo do Cabo Rosa, A patrulha cumpriu sua missão, sem ser molestada pelos guerrilheiros comandados por "Oswaldão".
2- Francisco Valdir de Paula, Soldado do Exército - Instalado numa posse de terra, no município de Xambioá, fazendo parte de uma rede de informações montada na área de guerrilha, foi identificado pelos terroristas e assassinado. Seu corpo nunca foi encontrado.
3- Pelo pretexto de não dispor de uma estrutura administrativa que lhes permitisse isolar desertores, elementos não-colaboradores ou militares eventualmente caídos prisioneiros ou feridos, as FOGUERA (Forças Guerrilheiras do Araguaia) constituíam os "Tribunais Revolucionários" para "julgar" e "justiçar" indesejáveis. A esse poder supremo são creditadas as mortes de Rosalino Cruz Souza, militante desertor, e dos moradores locais Osmar, Pedro "Mineiro" e João "Mateiro". A eliminação fria de inimigos foi tacitamente admitida no chamado Relatório de Ângelo Arroyo (Editora Anita Garibaldi - 1996), de autoria de um dos dirigentes da Comissão Militar, que assinalava como erro de "certa importância" para a derrota no Araguaia: "Não se ter justiçado determinados inimigos. É o caso dos bate-paus como Pernambuco, Antônio e o irmão, e talvez os elementos que haviam chegado de fora, suspeitos de pertencerem ao Exército".
Em resumo, a cúpula do PC do B levou um grupo de jovens imbuídos de um ideal - perverso, mas ideal - para uma aventura suicida na selva amazônica. Quando a situação começou a apertar, desertaram da área, deixando ao absoluto desamparo seus companheiros de luta.
As forças legais combateram duramente no ambiente difícil da selva, não fazendo mais do que cumprir missão recebida. Cuidaram de suas baixas, como sempre aconteceu com as Forças Armadas brasileiras. Por outro lado, os guerrilheiros não se interessaram, não quiseram ou não priorizaram o sepultamento dos militantes mortos. Cabe, então, repetir a pergunta do título. De quem é a culpa pelas mortes ou desaparecimentos do Araguaia?
O autor é general do Exército.
http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/11916-mortos-no-araguaia-de-quem-e-a-culpa.html
COMENTO:
A brutal desinformação que há sobre a verdade histórica no Brasil, e no Mundo, decorre de uma ação sistemática de ocultação de como os fatos realmente aconteceram. Isso já tem sido exaustivamente trabalhado pelo filósofo e professor Olavo de Carvalho e jornalistas como Reinaldo Azevedo. Há muitas outras pessoas, mas agora não é hora de uma lista.
O livro "Camaradas", do jornalista William Waack, com dados dos arquivos de Moscou, mostra bem como a luta pela tomada do Poder no Brasil pela esquerda comunista é antiga e constante, estimulada, primeiro, pela Revolução Russa, depois pela cubana.
Já no início dos anos 60 Francisco Julião, líder de um movimento camponês no Nordeste, tentou a ajuda cubana. Fidel enviou armas para as Ligas Camponesas. Sobre isso a doutora em História pela Universidade Fluminense Denise Rollemberg escreveu no livro "O Apoio de Cuba à Luta Armada no Brasil" (Mauad, 2001).
Desde o início o golpe militar de 1964 dividiu a população, uns o apoiaram devido à baderna institucionalizada por João Goulart, outros porque temiam a ação dos comunistas, que era bastante notória. Outros, democratas variados, ficaram contra, por serem contra os autoritarismos, e iniciaram a resistência democrática. E foi isso que contribuiu mesmo para o fim da ditadura.
Nesse clima, como havia a vontade histórica de tomada do Poder, os comunistas incrementaram a guerra de guerrilhas (estimulados pela literatura maoista e pela Guerra do Vietnã), o que acabou levando ao AI-5. A luta armada não foi uma resposta ao AI-5, foi uma de suas causas principais.
Essa verdadeira história do nosso passado é que se oculta atualmente dos jovens que imaginam uns guerrilheiros românticos em busca da Liberdade, como provavelmente será indicado na novela do SBT, ou como se aborda a história de Che Guevara em textos para crianças, conforme relatado no blog Coturno Noturno ou no site Escola sem Partido.
segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011
NÃO HÁ DUAS ESQUERDAS NA AMÉRICA LATINA. Há somente uma, com duas caras, para enganar os observadores americanos
sábado, 26 de fevereiro de 2011
Entrevista de Olavo de Carvalho a Jeffrey Nyquist
(Foto)Jeffrey Nyquist: Financial Sense, 18 de fevereiro de 2011
Original: A Philosopher’s Warning
Tradução e link*: Dextra
Esta semana eu tive o prazer de entrevistar o filósofo brasileiro e presidente do Inter-American Institute, Olavo de Carvalho. Durante a conversa, eu sugeri que há algo de errado com nosso pensamento, hoje; que não adoramos a Deus do mesmo modo, nem obedecemos as regras do mesmo modo, nem observamos as boas maneiras como no passado. "Para alguém como eu", começou ele, "que visitou este país nos anos 80 e voltei para viver aqui em 2005, as mudanças que a mentalidade americana sofreu em décadas recentes é realmente chocante."
Carvalho recomendou que eu lêsse o livro de Tamar Frankel Trust and Honesty: America's Business Culture at the Crossroad [Confiança e Honestidade: A Cultura Americana dos Negócios em uma Encruzilhada], o qual, ele explicou, "descreve o declínio alarmante dos padrões morais no mundo americano dos negócios..." De acordo com o livro de Frankel, a erosão da confiança e da honestidade tem a ver com a aceitação e a justificação crescentes de práticas fraudulentas. "O que mudou", escreve ela, "é a atitude em relação à desonestidade e a quebra da confiança. Hoje, há uma maior aceitação e mais justificação da desonestidade." Como isto aconteceu? Com a remoção de certas barreiras à fraude, a tentação aumentou.
Carvalho têm suas próprias opiniões a respeito das causas da deterioração moral e intelectual dos Estados Unidos. "Um dos fatores que causou esta mudança, com suas consequências altamente corrosivas para a vida diária dos americanos, foi o "neo-liberalismo" em voga, que via o mundo dos negócios como um poder auto-regulado, capaz de se sobrepor à moralidade, à religião e à cultura e de ditar padrões de conduta com base no poder supostamente milagroso das leis do mercado. O que fez a grandeza da América não foi só a economia de livre mercado, mas uma síntese disto com a moral cristã e com uma cultura que incluia o amor ao país e à família. Separada destas forças regulatórias, a economia capitalista se torna um motor de auto- destruição, que é exatamente o que está acontecendo hoje.”
Sem dúvida, há muita verdade na afirmação de que a sociedade americana tradicional desabou, sendo substituída pela "sociedade aberta", assim batizada por George Soros e Karl Popper. De acordo com Carvalho, a sociedade aberta se define como "não reconhecendo quaisquer valores transcendentes e deixando tudo à mercê das conveniências econômicas -- conveniências que são algo que se alega para se justificar a própria demolição dos mercados livres e sua substituição pelo estado de bem-estar social, baseado em taxação e déficits." Em outras palavras, Carvalho está dizendo que o livre mercado não torna os homens bons. Ele não os adestra para serem morais. Ele não se dá ao trabalho de se defender do socialismo. Estes elementos na sociedade que anteriormente instilavam valores morais não são mais tão eficazes, se é que têm alguma eficácia.
Carvalho é de opinião que o conceito da “sociedade aberta ” é usado pelos inimigos da nação para destruirem "tudo o que é bom e grande neste país." Ele então menciona o pensador geo-político russo Alexander Dugin, e 'o novo esquema russo-chinês...'. Usando uma propaganda sutil, observa Carvalho, a "sociedade aberta" se torna um pretexto para difundir o ódio generalizado global contra os Estados Unidos, pois a "sociedade aberta" produz uma degradação moral que é em seguida atribuída ao modo americano de vida, o que supostamente demonstra a perversidade e decadência particulares do povo americano. Isto leva diretamente a uma discussão sobre os males do imperialismo cultural americano -- o grito de guerra dos estrategistas russos e chineses, cujo objetivo é a eliminação dos Estados Unidos como potência mundial. A eficácia desta estratégia não deve ser subestimada. Como explica Carvalho, "A influência russo-chinesa tem crescido cada vez mais na América Latina. O governo dos Estados Unidos não percebeu isto porque ainda vê a Rússia e a China como aliados, apesar do fato de que eles são os dois maiores fornecedores de armas para o terrorismo ao redor do mundo. É preciso lembrar que a política externa de Putin é hoje guiada pela estratégia assim chamada "eurasiana", inventada pelo filósofo russo Alexander Dugin, que propõe que a Rússia, a China e o Islam se aliem com todas as forças anti-americanas na Europa Ocidental, na África e na América Latina, com o propósito de fazerem um cerco final aos Estados Unidos. Esta estratégia já tem forte apoio militar na Shanghai Cooperation Organization, um tipo de versão oriental da OTAN que reúne a Rússia, a China, o Kazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Uzbequistão.”
Perguntei a Carvalho sobre informações recentes de um acordo entre o Irã islâmico e a Venezuela comunista para construírem uma base estratégica de mísseis apontados para os Estados Unidos. Perguntei se os marxistas da América do Sul estavam aliados à al Qaeda e Teerã. “Sim, estão," respondeu ele. “Eles também estão aliados ao ETA, que é uma organização terrorista basca. Há muitos agentes destas organizações no séquito de Hugo Chavez. Este fato não é desconhecido de muitos governos latino-americanos, mas a maioria deles está comprometida a ficar em silêncio sobre isto por causa dos acordos que assinaram como membros do Fórum de São Paulo, a ponta de lança do movimento comunista na América Latina.”
Eu então pedi a Carvalho para dar os nomes dos países trabalhando com os terroristas em todo o mundo pela destruição dos Estados Unidos. Ele respondeu assim: "Irã, Síria, Coréia do Norte, Cuba, Rússia e especialmente a China são os principais. Na América Latina, a Venezuela é o exemplo mais óbvio, mas a Venezuela não seria nada sem o apóio que recebe de todos os governos do Fórum de São Paulo, cujo líder é o Brasil.”
De acordo com Carvalho, a Esquerda continua a consolidar sua posição na América Latina. "Ela tem seguido uma estratégia que foi explicitamente apresentada em um congresso comunista chinês há poucos anos: tomar o poder por meio de eleições legais e então erodir o sistema democrático a partir de dentro, para impedir a oposição de jamais voltar ao poder em eleições futuras," explica ele. "Ou seja: eles vencem uma primeira disputa e em seguida passam a mudar as regras do jogo. No Brasil, esta estratégia tem levado a resultados espetaculares. Primeiro, a idéia era limitar o campo político a apenas dois disputantes: a Esquerda radical e a Esquerda moderada. Todas as outras forças políticas foram desmanteladas por meio de auditorias fiscais seletivas e acusações de corrupção que sequer precisavam ser provadas, já que elas destruiam reputações para sempre, assim que eram trombeteadas pela mídia.”
Poderia o aliado tradicional dos Estados Unidos na América do Sul estar sob o controle de um movimento totalitário? Como poderíamos não ter percebido um acontecimento tão espantoso? "Os formadores de opinião americanos têm uma visão errada do Brasil", diz Carvalho, "porque o governo brasileiro sempre agiu com duas caras e de modo camuflado. Por um lado eles cortejam os investidores americanos para fortalecerem a economia brasileira, mas por outro eles tiram proveito do sucesso econômico a fim de consolidarem o poder esquerdista em casa, tornarem impossível qualquer oposição política que não seja da esquerda moderada, e darem apoio efetivo à ascenção da Esquerda nos países vizinhos, enquanto protejem organizações abertamente terroristas como as FARC e o MIR chileno, que assim acabou controlando o crime organizado local e ganhando o monopólio do mercado das drogas no Brasil. Na Venezuela, Hugo Chavez também desmantelou a oposição, mas usando métodos mais crassos."
Já que o Brasil abriga o cerne do movimento comunista na América Latina, como tem progredido a campanha anti-americana? De acordo com Carvalho, a Esquerda nem sempre consegue avançar. "Ela segue um rítmo alternante", explica ele, "dependendo de se o importante no momento é adular os investidores estrangeiros ou unificar e fortalecer a Esquerda latino-americana.”
“Há mais de dez anos", observa Carvalho, "eu tenho alertado que o Partido dos Trabalhadores (no Brasil) não é uma organização como as outras; ou seja, disposta a se alternar no poder com a oposição. O Partido dos Trabalhadores é uma organização revolucionária, comprometida com o amoldamento do estado e da sociedade inteira à sua imagem e semelhança, usando, para este fim, os meios mais vis e corruptos. Como ninguém nunca acreditou em nada disto, todos se desarmaram gentilmente em face a este partido em ascenção e agora que ele controla tudo, ninguém pode fazer nada contra ele. O Brasil é governado por um só partido com muitos nomes. Não vejo perspectivas de se mudar esta situação no curto ou médio prazo*."
Perguntei a Carvalho sobre o Chile, que se desviou da Esquerda nas últimas eleições. De todos os países na América do Sul, qual é o segredo do aparente conservadorismo do Chile? "A elite chilena é infinitamente mais educada e moralmente melhor preparada do que a elite brasileira," responde ele. "Quando as coisas começam a caminhar para o abismo, os chilenos conseguem entender o que está acontecendo e mudar de curso antes que o desastre ocorra. Você não consegue imaginar a preguiça intelectual dos empresários, políticos e militares brasileiros. Mesmo quando a situação se torna alarmante, eles se aferram a suas crenças confortáveis e costumeiras e se recusam a se informarem sobre o que está de fato acontecendo. As classes ricas no Brasil são presunçosas e indefesas. Elas não sabem como resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças jogado pelo governo esquerdista que as controla. Não só no Chile, mas também na Argentina, as elites estão muito melhor preparadas para enfrentar tal situação."
E qual é a coisa mais importante que os americanos devem saber sobre a presente situação política na América do Sul? "A coisa mais importante", diz Olavo, "é a profunda e sólida unidade dos movimenos esquerdistas locais através das fronteiras nacionais, a unidade da estratégia revolucionária subjacente às diferenças aparentes e enganadoras de caráter nacional. Não há isto de 'duas Esquerdas' na América Latina. Há apenas uma Esquerda, que tem tanta solidariedade consigo mesma que nunca perde controle das duas caras que emprega para tapear os observadores americanos."
Ouvindo Carvalho caracterizar a elite empresarial e política brasileira como intelectualmente preguiçosa, não pude deixar de pensar na elite americana. Também eles se recusam a mudar de curso em face do desastre que se aproxima. Mesmo a situação se tornando alarmante, eles gastam mais e mais dinheiro. Eles cortejam os inimigos e traem os aliados. É verdade, também, que eles "não sabem resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças" jogado pelo poder esquerdista.
TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO BLOG DEXTRA VERA: http://veradextra.blogspot.com/
Veja também: VÍDEO: Entrevista exclusiva com Graça Salgueiro.
domingo, 27 de fevereiro de 2011
O FERVOR ISLÂMICO COLHE A SIMPATIA DOS TOTALITÁRIOS, À DIREITA E À ESQUERDA
Um "islamofóbico" confessa-se
20/02/2011
ALBERTO GONÇALVES (DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, PORTUGAL)
ALBERTO GONÇALVES (DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, PORTUGAL)
Em plena praça Tahrir, 200 cidadãos festejaram a queda de Mubarak violando ou, para usar o eufemismo em voga, agredindo sexualmente a jornalista americana Lara Logan (do 60 Minutes). Fonte da CBS, a estação de Logan, afirma que esses pacifistas sedentos de liberdade (e de senhoras, aparentemente) gritavam a palavra Jew! (Judia!) durante o acto, pormenor omitido na vasta maioria das notícias sobre o episódio.
Compreende-se a omissão. O optimismo face à evolução da situação egípcia é tal que qualquer nota dissonante arrisca-se a ser mal interpretada. Eu, por exemplo, estive quase a sugerir aos que comparam o levantamento no Cairo com o 25 de Abril ou com o fim do comunismo no Leste europeu que inventariassem o número de repórteres violadas, perdão, sexualmente agredidas por multidões na Lisboa de 1974 ou na Budapeste de 1989. Porém, depois desisti.
A mais vaga reticência à pureza intrínseca dos muçulmanos em êxtase suscita logo insinuações de "islamofobia" e "racismo". Por acaso, não vejo de que modo a opinião negativa sobre uma determinada crença religiosa pode indiciar racismo. Quanto à crença propriamente dita, parece-me confuso acusar-se os cépticos de aversão ao islão enquanto se garante que a revolta no Egipto é completamente secular. Entre parêntesis, convém notar que a presença de um tarado teocrático à frente da novíssima reforma constitucional garante uma secularização sem mácula.
Fora de parêntesis, confesso: chamo-me Alberto e sou um bocadinho "islamofóbico". Nem sei bem porquê. Talvez porque, no meu tempo de vida, nenhuma outra religião inspirou tantas chacinas (já repararam que há pouquíssimos atentados reivindicados por católicos, baptistas, judeus, budistas ou hindus?). Talvez porque nenhuma outra religião relevante pune os apóstatas com a pena de morte.
Talvez porque não perceba que os países subjugados à palavra do Profeta consagrem na lei ou no costume o desprezo (e coisas piores) de mulheres, homossexuais, pretos, brancos e fiéis de outras religiões. Talvez porque não se possa dizer que a sharia trata as minorias abaixo de cão dado que, não satisfeitos com o enxovalho dos semelhantes, os muçulmanos também acreditam que os cães são uma emanação do demónio e sujeitam os bichos a crueldades inomináveis.
Talvez porque alguns líderes espirituais do islão foram convictos aliados de Hitler na época do primeiro Holocausto e alguns dos seus sucessores ganham a vida a exigir o segundo. Talvez porque a presumível maioria de muçulmanos ditos "moderados" é discreta ou omissa na condenação dos muçulmanos imoderados.
Talvez porque, nas raras oportunidades democráticas de que dispõem, os muçulmanos ditos "moderados" teimem em votar nos partidos menos moderados (na Argélia ou em Gaza, por exemplo). Talvez porque inúmeros muçulmanos se ofendam com as liberdades que o Ocidente demorou séculos a conquistar, incluindo o subvalorizado mas fundamental direito ao deboche.
Talvez porque uma considerável quantidade de imigrantes muçulmanos no Ocidente rejeite qualquer esboço de integração e, pelo contrário, procure impor as respectivas (e admiráveis) tradições. Talvez porque, no Ocidente, o fervor islâmico colhe a simpatia dos espíritos totalitários à direita (já vi skinheads a desfilar lenços palestinianos e a manifestar-se em prol do Irão) e, hoje, sobretudo à esquerda.
E é isto. São minudências assim que determinam a minha fobia, no fundo uma cisma pouco fundamentada. Um preconceito, quase. Sucede que muitos dos que, do lado de cá de Bizâncio, acham intolerável tal intolerância, são pródigos na exibição impune de fobias ao cristianismo ou ao judaísmo (o popular "anti-sionismo").
E essa disparidade masoquista, receosa e ecuménica de pesos e medidas constitui, no fundo, o reconhecimento do confronto que nos opõe ao islão, mesmo o islão secular e cavalheiro da praça Tahrir, e o maior sintoma de que eles estão a ganhar por desistência. Adivinhem quem está a perder.
Compreende-se a omissão. O optimismo face à evolução da situação egípcia é tal que qualquer nota dissonante arrisca-se a ser mal interpretada. Eu, por exemplo, estive quase a sugerir aos que comparam o levantamento no Cairo com o 25 de Abril ou com o fim do comunismo no Leste europeu que inventariassem o número de repórteres violadas, perdão, sexualmente agredidas por multidões na Lisboa de 1974 ou na Budapeste de 1989. Porém, depois desisti.
A mais vaga reticência à pureza intrínseca dos muçulmanos em êxtase suscita logo insinuações de "islamofobia" e "racismo". Por acaso, não vejo de que modo a opinião negativa sobre uma determinada crença religiosa pode indiciar racismo. Quanto à crença propriamente dita, parece-me confuso acusar-se os cépticos de aversão ao islão enquanto se garante que a revolta no Egipto é completamente secular. Entre parêntesis, convém notar que a presença de um tarado teocrático à frente da novíssima reforma constitucional garante uma secularização sem mácula.
Fora de parêntesis, confesso: chamo-me Alberto e sou um bocadinho "islamofóbico". Nem sei bem porquê. Talvez porque, no meu tempo de vida, nenhuma outra religião inspirou tantas chacinas (já repararam que há pouquíssimos atentados reivindicados por católicos, baptistas, judeus, budistas ou hindus?). Talvez porque nenhuma outra religião relevante pune os apóstatas com a pena de morte.
Talvez porque não perceba que os países subjugados à palavra do Profeta consagrem na lei ou no costume o desprezo (e coisas piores) de mulheres, homossexuais, pretos, brancos e fiéis de outras religiões. Talvez porque não se possa dizer que a sharia trata as minorias abaixo de cão dado que, não satisfeitos com o enxovalho dos semelhantes, os muçulmanos também acreditam que os cães são uma emanação do demónio e sujeitam os bichos a crueldades inomináveis.
Talvez porque alguns líderes espirituais do islão foram convictos aliados de Hitler na época do primeiro Holocausto e alguns dos seus sucessores ganham a vida a exigir o segundo. Talvez porque a presumível maioria de muçulmanos ditos "moderados" é discreta ou omissa na condenação dos muçulmanos imoderados.
Talvez porque, nas raras oportunidades democráticas de que dispõem, os muçulmanos ditos "moderados" teimem em votar nos partidos menos moderados (na Argélia ou em Gaza, por exemplo). Talvez porque inúmeros muçulmanos se ofendam com as liberdades que o Ocidente demorou séculos a conquistar, incluindo o subvalorizado mas fundamental direito ao deboche.
Talvez porque uma considerável quantidade de imigrantes muçulmanos no Ocidente rejeite qualquer esboço de integração e, pelo contrário, procure impor as respectivas (e admiráveis) tradições. Talvez porque, no Ocidente, o fervor islâmico colhe a simpatia dos espíritos totalitários à direita (já vi skinheads a desfilar lenços palestinianos e a manifestar-se em prol do Irão) e, hoje, sobretudo à esquerda.
E é isto. São minudências assim que determinam a minha fobia, no fundo uma cisma pouco fundamentada. Um preconceito, quase. Sucede que muitos dos que, do lado de cá de Bizâncio, acham intolerável tal intolerância, são pródigos na exibição impune de fobias ao cristianismo ou ao judaísmo (o popular "anti-sionismo").
E essa disparidade masoquista, receosa e ecuménica de pesos e medidas constitui, no fundo, o reconhecimento do confronto que nos opõe ao islão, mesmo o islão secular e cavalheiro da praça Tahrir, e o maior sintoma de que eles estão a ganhar por desistência. Adivinhem quem está a perder.
http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1788366&seccao=Alberto%20Gon%E7alves&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco
sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011
ESQUERDISTAS, AGORA, LUTAM PELA LIBERDADE? Já se esqueceram de Neda Soltan?
Um ano depois do suicídio reacionário
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| A esquerda protestou contra a morte de Neda Agha Soltan nas mãos dos pit-bulls de Ahmadinejad? http://www.hyscience.com/archives/2009/06/guardian_neda_s.php |
BRUNO PONTES | 25 FEVEREIRO 2011
ARTIGOS - GOVERNO DO PT
ARTIGOS - GOVERNO DO PT
Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado.
Finalmente o PT lançou uma nota de solidariedade aos iranianos que foram protestar nas ruas contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad: "O Partido dos Trabalhadores saúda o povo egípcio e presta total solidariedade à luta dos povos árabes e de toda a região contra governos ditatoriais, corruptos e violadores dos direitos humanos. Ao cabo de dezoito dias de luta nas ruas de Cairo e outras cidades do Egito, seu povo - jovens, estudantes, trabalhadores, funcionários, classe média -, defendendo as bandeiras de pão, emprego, justiça social, progresso, liberdade e democracia, derrubou o regime antipopular e ditatorial de Hosni Mubarak".
Perdão. Embaralhei os papéis e transcrevi a nota do PT dedicada aos egípcios. Agora sim segue a mensagem dos petistas ao povo do Irã: "O PT se une aos que desejam que as esperanças que iluminaram as mentes e os corações dos milhões de manifestantes que lotaram as praças, enfrentando a repressão policial e toda sorte de dificuldades, não sejam confiscadas nem traídas, e que a voz do povo se faça ouvir, interna e internacionalmente".
Na verdade, essa ainda é a mensagem dedicada ao Egito. Procurei uma nota do PT simpática aos iranianos e não encontrei. Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado. Como em 2009, os rebeldes pacíficos do Irã serão presos ou executados sem que a esquerda espalhe correntes de solidariedade às vítimas. O assunto só interessa aos iranianos, como nos ensinou Lula, o sujeito que considera Muamar Kadafi "meu amigo, meu irmão e líder" (01/07/2009).
Já a questão egípcia transcende fronteiras, pois a Irmandade Muçulmana pode chegar ao poder, incrementar o bloco terrorista antiamericano, romper 31 anos de paz com Israel e juntar-se a Ahmadinejad e companhia na guerra à única democracia do Oriente Médio - ou, no linguajar da esquerda, promover um governo verdadeiramente progressista. Para o PT, Israel comete terrorismo ao não cometer suicídio ante o terrorismo islâmico, e a reação israelense a oito anos de foguetes do Hamas equivale às práticas do regime nacional-socialista. É a mesma opinião de Ahmadinejad, que financia o Hamas e de quem Lula é assessor em assuntos atômicos.
Ontem fez um ano da morte de Orlando Zapata. Na ânsia de trair o comunismo cubano, ele dirigiu-se a uma cela, ficou lá alguns anos, parou de comer e maquiavelicamente deixou-se morrer, bem quando Lula visitava os irmãos Castro. Duas semanas depois do suicídio reacionário de Zapata, o grande timoneiro petista igualou os presos políticos cubanos aos bandidos de São Paulo. Escute a lição: "Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade. Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano". Sobre o Egito, Lula disse que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". No Irã e em Cuba, a depender de Lula, nunca vai furar.
Bruno Pontes é jornalista - http://brunopontes.blogspot.com/
extraído do site: http://www.midiasemmascara.org/artigos/
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