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domingo, 18 de setembro de 2011

RESISTÊNCIA DE KADAFI SURPREENDE NOVO GOVERNO LÍBIO. OTAN ATACA E FERE CENTENAS DE CIVIS EM BANI WALID. Quatro cidades resistem fortemente à submissão ao novo governo. E ninguém sabe onde está Kadafi.




Os líbios de Sirte, Bani Walid, Jufra e Sabha, os últimos redutos de Muamar Kadafi, resistem ferozmente às tropas rebeldes. Mas, de fato, pela situação criada na Líbia, onde a Otan se meteu por um dos lados, a situação agora é outra. A maioria dos governos reconheceu os rebeldes como governo da Líbia, então agora o mundo está a favor do governo (ex-rebeldes) e contra os antigos governistas, os agora rebeldes kadafistas. O novo governo não pode começar a recuperar o país enquanto encontrar resistências.

Há alguns meses, quando começou a agitação contra o regime de Muamar Kadafi, na Líbia, e a Otan, por ordem (e sem aprovação do Congresso Americano) de Barack Obama, Kadafi disse que só sairia do poder morto. Este blog sempre afirmou ser Kadafi um ditador, e não gosto de ditadores. Contudo, a Otan e Obama cometeram um erro ao apoiarem os rebeldes líbios, por não saberem com quem estavam lidando.

Além disso, a Líbia ainda estava numa fase de desordens civis, como as da Síria, ou antes da Tunísia e Egito. A reação de Kadafi, mandando forças militares atacarem os protestos bastou para que a Otan declarasse guerra ao regime. O mesmo não acontece com a Síria, onde o regime de Bashar al-Assad já matou, com forças militares, mais de dois mio cidadãos sírios civis.

Vê-se que os que se pretendem no comando do mundo perderam o senso das coisas. Mas ess é outro problema a ser comentado depois. No caso da Líbia, eu disse que Kadafi não era um qualquer, não por admiração a ele, mas pela história dele na construção da Líbia atual. Kadafi, para mim um louco completo, construiu a Líbia a partir das tribos nômades existentes no norte da África. Criou uma realidade que governou com mãos-de-ferro por 40 anos. O país não tem nem constituição. Kadafi é o senhor absoluto, o rei, o comandante, o dono, o deus. Sua palavra é a Lei.

Essa é uma situação completamente diferente da dos demais países em que aconteceu a chamada primavera árabe (para mim, de fato, uma rebelião aos moldes dos anos 68 na Europa, induzida por forças mais ou menos ocultas. Como a KGB esteve por trás das ondas de libertação e combate ao capitalismo nos anos 60).

Árabes e islâmicos jamais viveram sob um regime democrático. Claramente essa não é a meta das revoltas, era promover uma onda de mudanças de governo e ampliar o poder islâmico na região, não só como religião, que já existe  de modo hegemônico, mas como forma de governo. Será a adoção de governos balizados por orientação religiosa, como o do Irã.

Segundo a imprensa, o governo interino da Líbia, empenhado em tomar o controle dos redutos restantes de Muamar Kadafi, recuou depois de outro ataque caótico na cidade do deserto de Bani Walid, no domingo, mas retomou sua batalha por Sirte, a terra natal do líder deposto.

Forças do Conselho Nacional de Transição (NTC) encontraram forte resistência nos últimos redutos de Kadafi, que eles precisam controlar antes de poder declarar a Líbia "libertada" e começar a trabalhar em uma Constituição antes das eleições.

Desde que os rebeldes tomaram Trípoli em 23 de agosto, pergunta-se se Kadafi está em Bani Walid, Sirte, na cidade do deserto de Sabha ou em outro lugar. Seu porta-voz disse à Reuters no sábado que o líder deposto ainda estava na Líbia, comandando a resistência.

As força apoiadas pelaOtan tentaram várias vezes invadir Bani Walid, (150 quilômetros a sudeste de Trípoli) nos últimos dias. A última tentativa fracassou no domingo com o recuo diante do fogo pesado dos defensores da cidade.

"Há falta de organização até o momento. Homens de infantaria estão correndo em todas as direções," disse Zakaria Tuham, um combatentes de uma brigada baseada em Trípoli. "As forças de Gaddafi nos atacaram fortemente com foguetes e morteiros, por isso tivemos que recuar." Um repórter da Reuters viu os combatentes recuarem cerca de dois quilômetros depois de terem invadiram a cidade.

Lutando por Sirte

Segundo os relatos de jornalistas, as forças do CNT também atacaram Sirte, cidade natal de Gaddafi, com o lançamento de foguetes a partir da entrada sul da cidade e trocaram fogo com tropas leais a Gaddafi reunidas em um centro de conferências. "A situação é muito perigosa. Existem muitos atiradores e todos os tipos de armas que você pode imaginar," disse o rebelde anti-Gaddafi Mohamed Abdullah, sob a fumaça de foguetes que toma conta da cidade.





Este é o relato de FRANCISCO PEREGIL, ENVIADO ESPECIAL DE EL PAIS

Los gadafistas resisten hasta la última bala

Las fuerzas leales al dictador libio repelen los ataques de los rebeldes, contraatacan en Bani Walid y fuerzan un repliegue que hunde la moral de los sublevados

FRANCISCO PEREGIL (ENVIADO ESPECIAL) - Trípoli - 18/09/2011


. .Si la guerra es un estado de ánimo, ayer el de los rebeldes libios no parecía vivir su mejor momento. Más de una semana después de que expirase el ultimátum concedido a las tropas de Muamar el Gadafi para que se rindieran, el nuevo Gobierno interino no ha conquistado ni uno solo de los cuatro bastiones en manos del enemigo. Cada día que pasa solo cosecha heridos y algún que otro muerto.

Los insurrectos afirman haber conquistado el aeropuerto de Sirte
En un gesto poco frecuente en las últimas semanas, el Consejo Nacional de Transición envió al coronel Ahmed Bani para que informase a los periodistas sobre cómo iban las cosas en el frente. Y el oficial dijo lo que se esperaba que dijera: que en unos cuantos días -no horas- caerían Sirte y Bani Walid, y una vez que cayeran estas dos ciudades, los gadafistas de Jufra y Sabha tardarían poco en rendirse.

El militar dijo también que el problema con Bani Walid era la geografía, muy montañosa, y eso había permitido que los "francotiradores mercenarios" de Gadafi disparasen contra las "tropas revolucionarias" desde lo alto de las montañas. Pero el norte de Bani Walid ya estaba bajo control de los rebeldes, según el coronel. Y en cuanto a Sirte, ya se había conquistado el aeropuerto y algunas de las zonas mejor protegidas por Gadafi. Una vez hecho esto, el momento en que los rebeldes tomasen la ciudad natal del dictador solo iba a ser cuestión de días.

Pero lo cierto es que en Bani Walid los gadafistas no solo resistieron los embates del enemigo sino que contraatacaron con artillería pesada y expulsaron a los rebeldes de un puesto de control que habían tomado hace más de una semana. De pronto, los milicianos se vieron huyendo hacia Trípoli perseguidos en medio del desierto. Fueron solo unos kilómetros, los que pueden haber entre tener la moral alta y tener miedo.

A las Urgencias del Hospital Central de Trípoli, a unos 170 kilómetros del frente, llegaron varios milicianos heridos en Bani Walid. En la ofensiva fracasada del viernes fueron 15 los militares que necesitaron tratamiento. Pero más que unas cuantas decenas de hombres, lo que parecía haber quedado herido era el orgullo de unas tropas que tomaron Trípoli hace un mes y apenas han logrado avanzar en sus posiciones desde entonces.

En cuanto a Sirte, el portavoz militar de Gadafi, Musa Ibrahim, declaró a Reuters que la OTAN había disparado el día anterior 30 cohetes dirigidos contra el principal hotel y un complejo residencial de 90 pisos. "El resultado ha sido más de 354 muertos, 89 desaparecidos y 700 heridos en una sola noche", añadió Ibrahim. Un portavoz de la OTAN contestó diciendo que "a menudo" esas informaciones de los gadafistas resultan "inconsistentes o infundadas".

Lo cierto es que los rebeldes libios lo tienen casi todo a favor para conquistar las cuatro ciudades que aún quedan bajo el poder de Muamar el Gadafi. Los bombardeos diarios de la OTAN les despejan el camino día y noche, la ONU reconoce al Consejo Nacional de Transición como legítimo representante del país, la comunidad internacional les desbloquea miles de millones de dólares embargados a Gadafi, la televisión está en manos de ellos, la mayor parte del pueblo, también... Y sin embargo, no consiguen colocar su bandera en ninguna de las ciudades sitiadas. Y cada día que pasa frena un poco más la reconstrucción del país. La mayor parte de los campos de petróleo no se pueden poner en marcha, el aeropuerto de Trípoli no entra en funcionamiento y la capital continúa bajo la sombra de la amenaza.

El coronel Ahmed Bani insistió en que los conocimientos tácticos que tienen ahora los rebeldes no son los mismos que hace seis meses y en unos días Libia sería libre por completo. Llevan todas las de ganar y ganarán. Pero Gadafi está vendiendo cara su derrota.

Imagens:
http://pt.euronews.net/2011/09/17/rebeldes-recuam-em-sirte-e-bani-walid/
http://www.elpais.com/articulo/internacional/gadafistas/resisten/ultima/bala/elpepiint/20110918elpepiint_1/Tes

terça-feira, 5 de abril de 2011

ESTAMOS LIDANDO COM O MAL. AS REVOLTAS NOS PAÍSES ÁRABES FORTALECEM O TERRORISMO

O grupo terrorista Al-Qaeda, liderado por Osama Bin Laden, ficou muito conhecido após o dramático ataque, de características cinematográficas ao World Trade  Center, em Nova Iorque e a outros locais nos EUA. Contudo, a despeito do espetáculo visual que possa ter parecido, o episódio mostrou cruamente com quem, ou que forças, o mundo ocidental está lidando. Seus tentáculos estão espalhados pelo mundo, devendo gerar muita preocupação. Até no Brasil chegou, conforme a matéria de Veja sobre o terror, baseada em relatórios e investigações da Polícia Federal.

Quem acompanha a evolução das migrações islâmicas para a Europa, desde os anos 70, não ficará surpreso, pois a organização já aparece citada em uma longa reportagem da revista francesa L´Hebdomadaire, de 1985! A publicação já alertava para o fato de que, entre milhares de imigrantes em busca de trabalho e uma nova vida na Europa poderiam estar escondidos e disfarçados agentes radicais ligados ao terror. A própria Al-Qaeda foi citada. 

Tudo isso demonstra que o mundo ocidental, em letargia, demora a perceber os sinais de algo anormal acontecendo, como se fosse um corpo que não tem anticorpos para reagir a uma doença. Milhões de islâmicos moram no Ocidente, em harmonia com os povos que os receberam. contudo, entre eles, disfarçados, há os agentes do Mal.

Os levantes nos países árabes-islâmicos do Norte da África e no Oriente Médio demonstram isso com clareza. O que levou multidões à ruas assim repentinamente? De uma hora para outra perceberam que seus governos eram autoritários, maus perseguiam os adversários, eram corruptos? Muitos analistas iludidas chegaram a creditar as revoltas, principalmente, à força do Facebook e do Twiter. Poetas da era virtual! Não levaram em conta um dos maiores sistemas de comunicação do mundo: as mesquitas e suas ligações com movimentos islâmicos mais radicais que operam nas sombras. E essa força estava articulada com outra força menos modernosa que a Internet, a televisão. Não é possível desconsiderar a força da TV Al Jazzira e da El Arab, duas emissoras que cobrem todo o mundo árabe. E elas também ajudaram a promover as rebeliões. 

A leitura superficial, mais descuidada, era a de que os povos buscavam a liberdade, a democracia. Histórias das Mil e Uma Noites. Admitir que parte dos jovens, com alguma noção do mundo ocidental e mais viajados, pudessem querer mais liberdade é razoável. Mas aquelas multidões estão impregnadas de um forte antiamericanismo, um forte rancor contra a cultura ocidental, contra o cristianismo. E isso não surge naturalmente. 

A derrubada de governos ditatoriais menos de natureza religiosa e mais calcados na força das armas não levará, como pensam muitos, aqueles países para os braços da Democracia. Haverá lutas internas sangrentas, guerras-civis (na Líbia já  começou), mortes e dor. E o pêndulo irá na direção da radicalidade religiosa, levando a governos mais conduzidos pela teologia, intolerantes,  e muito mais distantes ainda da democracia, como no Irã.

E os grupos terroristas ganharão alento. Não se iludam.
Vejam que o noticiário internacional mostra que a Al-Qaeda está se aproveitando do caos em alguns países para comprar armas e estocar no Mali. 
Kadafi é um tirano louco, mas disse que a Al-Qaeda estava no leste da Líbia. 
Obama é  um presidente eleito, comandante do maior exército do mundo, e acredita (ou quer que creiamos nisso) que Kadafi estava apenas praticando o esporte de matar civis. 
Obama está errado e Kadafi está certo.
Trata-se de uma guerra civil e Kadafi usa mercenários, assim como os "civis" usam soldados veteranos do Afeganistão. E os terroristas infiltram-se e tiram proveito de todos os lados. 
A Líbia está servindo de trampolim para o terror. A Otan já percebeu isso. Obama não.
O mundo deve ficar preocupado. 
    

domingo, 3 de abril de 2011

AHORA LOS "CIVILES" DE OBAMA QUIEREN ARMAS. E quem sabe quem está por trás disso tudo?

ENTREVISTA 

Ola de cambio en el mundo árabe ABDELHAFIZ GHOGA Vicepresidente del Consejo Nacional de Libia

"Agradecemos la ayuda internacional, pero esperamos sobre todo armas"

JUAN MIGUEL MUÑOZ (ENVIADO ESPECIAL) - Bengasi - 04/04/2011

Abdelhafiz Ghoga, nacido en Bengasi hace 53 años, vicepresidente del Consejo Nacional Transitorio libio y abogado de profesión, es el hombre fuerte del Gobierno provisional de los sublevados contra Muamar el Gadafi. Por dos veces ha salido a la palestra para refutar iniciativas de su teórico superior, Mustafa Abdulyalil, que pocas veces abandona su Al Baida natal, a 200 kilómetros de la capital de la rebelión. En el impoluto edificio del consulado egipcio, junto al puerto de Bengasi, Ghoga, impecablemente trajeado, hace gala de exquisitos modales y muestra una determinación inquebrantable para ganar la partida al tirano.

Se trata -como la clave de acceso a Internet en la cochambrosa sala habilitada para los periodistas- de "ganar o morir". "Damos por hecho que Gadafi caerá", asegura. Al Consejo le preocupa la percepción de algunos funcionarios estadounidenses que aluden a la presencia de Al Qaeda y otros movimientos islamistas en el campo de batalla. Que algunos puedan estar combatiendo, dada la porosidad de la frontera con Egipto, a nadie debería sorprender. Pero niega Ghoga tajantemente que estén involucrados en esta lucha.

A su juicio, es la propaganda del régimen -que en Europa y EE UU quisieron creer muy poco tiempo atrás- la que ha provocado los temores que ahora se escuchan en Washington. Será tortuosa la transición a la democracia, pero Ghoga, letrado de las víctimas de la masacre de Abu Salim -1.270 hombres asesinados en esta prisión tripolitana-, destila optimismo: "En Cirenaica ya somos libres".


Leia toda a matéria no jornal El Pais:

Pregunta. Hay confusión sobre la composición del Consejo y sus competencias. ¿Quién toma las decisiones?
Respuesta. En el Consejo hemos designado a determinadas personas para gestionar un comité de crisis. El director es Mahmud Yibril; el responsable de Exteriores, Ali Esaui; y el de Defensa, Omar Hariri. El Consejo asume las competencias de un poder legislativo. Tiene poder de veto sobre los nombramientos del comité y designa directamente a los responsables del comité del sector petrolero y del banco central.

P. ¿Comprende los recelos de varios países occidentales por su desconocimiento de los miembros del Consejo?
R. Muchos de los miembros del Consejo ya son conocidos. Pero ese temor es fruto de la propaganda de Gadafi, quien intenta asustar al mundo con el argumento de que Al Qaeda dirige la rebelión. La pregunta es: ¿quién es Gadafi? Él y sus allegados son una mafia. El mundo lo sabe bien. Gadafi representa a sus milicias; nosotros, al pueblo libio. El mundo debe examinar su conciencia y apoyarnos sin prejuicios. Tiene que entender la naturaleza del régimen de Gadafi y ayudarnos a liberarnos de él.

P. Lo que dicen que les inquieta es su ignorancia sobre la implantación social de los islamistas. En Libia, al menos en Cirenaica, la gente practica con enorme fervor el islam. ¿Tal vez eso suscita los temores de Occidente?

R. No tenemos musulmanes radicales como se entiende en Occidente. Los islamistas no están muy implicados en política. No hay nada que temer. Cuando promulguemos una Constitución y se funden partidos políticos, todos participarán en ese marco. En Egipto, por ejemplo, no quieren participar en el Gobierno.

P. Muchos extranjeros pensábamos que el libio sentía cierta fobia hacia los extranjeros. Pero comprobamos que incluso el sentimiento anticolonialista ha perdido fuelle.
R. También tiene mucho que ver con la propaganda del régimen y su insistencia en que Occidente continuaba siendo colonialista, pero aquí la gente apenas tenía contacto con el exterior. La relación de Gadafi con el resto del mundo fue escandalosa. Durante los años ochenta apoyó a las organizaciones terroristas, especialmente en Europa, y trató de romper nuestros lazos con el mundo árabe para unirnos a África, con quienes apenas tenemos vínculos. Pero nosotros miramos al mundo de otro modo. Libia quiere ser parte de la comunidad internacional y participar para resolver las crisis.

P. ¿Están satisfechos con el respaldo recibido por parte de la alianza internacional y la OTAN?
R. Agradecemos la ayuda de Naciones Unidas, que ha salvado miles de vidas, y entendemos la lentitud de la respuesta. Pero el coronel Gadafi está utilizando a los civiles como escudos. Esperamos, sobre todo, que nos suministren armas.

NEM SÓ CIVIS DESTREINADOS LUTAM CONTRA KADAFI NA LÍBIA. Muitos veteranos do Afeganistão combatem pelo lado rebelde na guerra civil.

Abdul Manem al-Madhouni (41 anos),  Abdullah Mansour al-Zwei (42), veteranos da guerra do Afeganistão (a guerra em que os guerrilheiros derrotaram os soviéticos), estão na Líbia, lutando contra o exército de Kadafi. Muitos líbios que estavam exilados voltaram para combater. Osdois são homens do Al-Jamaa al-Islamiya al-Mokatila, ou Movimento Combatente Islâmico, que está na lista da ONU de organizações terroristas internacionais e é considerada, no Ocidente, a filial da Al-Qaeda na Líbia.

Muitos outros veteraos, com treinamento militar no Afeganistão e no Paquistão estão lutando na Líbia, contra Kadafi. Kadafi é maluco e cruel, mas disse que havia gente da Al-Qaeda no leste da Líbia. Obama resolveu ajudar os "civis". Na verdade, se mandar armas ou aviões, estará colocando tais recursos diretamente na mão de soldados experientes e não necessariamente democratas, nem amigos do Ocidente. Obama pode dar um dos maiores passos errados de sua vida, o que poderá ser fatal nas próximas eleições. Recentemente o comando militar da Otan, que controla o ataque às forças de Kadafi, havia alertado para a presença de jihadistas lutando na guerra.   

Quem conta a história de al-Madhouni e al-Zwei é o enviado especial do jornal O Estado de São Paulo à Líbia, Lourival Sant´Anna, e ela começa assim:
'Estado' entrevista dois dos principais líderes jihadistas que voltaram ao país

Foto: Lourival Sant'Anna/AE
Militância. Al-Zwei (E) e Al-Madhouni, veteranos da guerra afegã
 "Os combatentes rebeldes são chamados de "shebab", que em árabe significa jovens. A maioria deles não passa disso: jovens idealistas, muitos universitários de classe média, cujos pais bem relacionados os pouparam até do serviço militar obrigatório e, por isso, nunca pegaram em uma arma antes. Quando os foguetes começam a cair perto deles, sobem no carro e fogem apavorados.
Em contraste, há um pequeno grupo de homens na casa dos 40 anos, de barba espessa, rostos enrugados e olhar de quem já viu outras guerras. Eles avançam sob a barragem de foguetes sentados nos bancos de suas peças de artilharia montadas sobre carrocerias de caminhonetes, disparando os canhões de 14,5 ou 23 milímetros e gritando: "Allah-u-akbar", (Deus é grande). Eles não têm medo da morte, suas armas não são páreo para os foguetes das brigadas de elite de Muamar Kadafi, mas sabem o que estão fazendo.
São líbios veteranos do Afeganistão, que agora lutam a jihad em seu próprio país, depois de terem passado parte de sua vida no exílio ou na temida prisão de Abu Salim, em Trípoli, que Kadafi reserva aos dissidentes. São os homens do Al-Jamaa al-Islamiya al-Mokatila, ou Movimento Combatente Islâmico, que está na lista da ONU de organizações terroristas internacionais e é considerada, no Ocidente, a filial da Al-Qaeda na Líbia.

Dois de seus líderes voltaram do exílio recentemente e concordaram em falar ao Estado, em sua primeira entrevista na Líbia, e também a primeira em que deram seus nomes e se deixaram fotografar. "Chega de nomes de guerra", disse Abdul Manem al-Madhouni, de 41 anos, no único momento em que quase esboçou um sorriso. "Está tudo acabado", completou, referindo-se a Kadafi, que foi alvo de quatro tentativas de assassinato do Al-Mokatila, entre 1994 e 1997, uma vez por ano.

O ditador reprimiu violentamente o movimento, com o objetivo de esmagar qualquer organização opositora. Depois dos atentados de 11 de setembro de 2001, o ditador passou a usar a repressão em favor de sua reabilitação no Ocidente, assumindo o papel de dique contra a expansão da Al-Qaeda no Norte da África.
Exílio iraniano. Al-Madhouni voltou do Irã, onde viveu nos últimos nove anos e meio - sete anos e meio dos quais em prisão domiciliar, de acordo com ele por ter entrado ilegalmente no país, vindo do Afeganistão, no calor dos atentados de 11 de Setembro.

Abdullah Mansour al-Zwei, de 42 anos, hesita em dar seu nome, porque pretende voltar à Grã-Bretanha, onde se exilou depois do atentado ao World Trade Center, também vindo do Afeganistão e do Paquistão. No entanto, acaba cedendo. "Esse é o meu nome verdadeiro, não como sou conhecido lá." Ambos são do conselho de 12 integrantes que dirige o movimento. Eles foram para o Afeganistão em 1989, quando tinham cerca de 20 anos, para lutar na jihad contra os invasores soviéticos, no fim da guerra que durou dez anos.

Al-Maddhouni e Al-Zwei chegaram ao Afeganistão alguns meses antes da criação da Al-Qaeda. Admitem que conviveram com Osama bin Laden e lutaram lado a lado com ele. "Viajei com Bin Laden de Jeddah, na Arábia Saudita, para o Paquistão", recorda Al-Zwei, que estudou teologia islâmica na cidade saudita de Medina. "Ele era um homem normal, apenas rico, que ajudava as famílias dos combatentes."

Lista do terror. A Al-Qaeda seria formada meses depois, com esse propósito. "Nós rezávamos do lado dele na mesquita, como qualquer outro", completa Al- Maddhouni, que estudou teologia e assuntos militares tanto no Paquistão como no Afeganistão.
Eles dizem que se reuniram "muitas vezes" com Bin Laden, "todas antes do 11 de Setembro". Segundo contam, eles não se aliaram à Al-Qaeda porque consideravam que deviam concentrar sua luta na Líbia, e não abraçar a causa contra os Estados Unidos. Após a derrota dos soviéticos, ambos continuaram por mais 12 anos no Afeganistão, onde tinham campo de treinamento, armas e segurança."...

LEIA O TEXTO INTEGRAL EM O ESTADO DE S PAULO:

quinta-feira, 31 de março de 2011

OSAMA BIN LADEN´S FATWA AGAINST AMERICA MEANT TO ACCOMPLISH THREE GOALS.

Comento: Esta é uma excepcional análise da situação da relação Ocidente X Oriente. Uma das mais profundas e argutas que já li. Nada de revolução Twitter e Facebook, nada de jovenzinhos atrás de democracias ocidentalizadas. Só o peso do Islam. Creio nisso desde que li Arnold Toynbee nos anos 70. Não poderia ser de outro modo. Mas não imaginava como aconteceria.

Daniel Greenfield foi ao ponto. Preciso, Cirúrgico. Cruel, até.

Hipóteses, podem dizer os céticos, aqueles que acham que Barack  Obama, o tolo, sabe o que está fazendo. (Talvez até saiba, mas nós não saberemos; não se esqueçam de que ele é visto por centenas de milhares de americanos como alguém infiltrado na Casa Branca. E a ideia, dados certos antecedentes, não é maluca).  Mas hipóteses muito plausíveis, as melhores que vi até o momento de tudo o que se disse sobre o que acontece no Norte da África e no Oriente Médio.

A vitória de Bin Laden

Daniel Greenfield: Sultan Knish, 21 de março de 2011
Tradução: Dextra


Bin Laden está vencendo

A fatwa de 1996 de Osama Bin Laden contra os Estados Unidos foi o primeiro dominó em uma cadeia de acontecimentos com o propósito de alcançar três objetivos.

1) Unir os muçulmanos em uma guerra contra a civilização ocidental;
2) Derrubar os governos do mundo muçulmano e substituí-los com regimes completamente islamistas;

3) Construir um califado muçulmano regional e depois mundial.
A fase 2 já está bem adiantada. E os aviões militares estão bombardeando a Líbia para ajudar a abrir o caminho para ela. Igual a como já fizemos na Iuguslávia e no Iraque. Não se sabe se Bin Laden está vivo ou não, mas seus objetivos estão sendo alcançados. Os muçulmanos agora vêem a derrota da civilização ocidental como um objetivo importante e realizável. Nossos esforços democráticos e de construção nacional derrubaram muito da antiga ordem e são os muçulmanos que estão em melhor posição para se beneficiarem disto.

O Oriente minou a soma total de poder de fogo que o Ocidente tinha a sua disposição, mas o Ocidente novamente subestimou o quanto o Oriente poderia usar sua força contra ele, corromper seus propósitos e os fazerem servir a seus objetivos.

Como uma civilização fisicamente mais fraca, o Oriente se adapta melhor do que o Ocidente. A esperteza bizantina de suas tramóias muitas vezes termina em becos sem saída auto-ilusórios; ela tem um fraco por teorias conspiratórias; e suas organizações e estruturas  estão apodrecidas em todos os níveis -- mas isto também se ajusta à situação. Enquanto isto, o Ocidente sacode o pó de suas velhas táticas e princípios, lutando para aplicá-los a todas as situações.

Quando a  Al Qaeda nos atacou pela primeira vez, nós tratamos a coisa como um problema criminal. Mas quando seus ataques sofreram uma escalada e mataram milhares de americanos, nós a tratamos como uma guerra. A questão da flexibilidade era óbvia. Nós só podíamos categorizar a ameaça ou como um problema policial ou como uma guerra, nada entre os dois.

Os Estados Unidos só tinham uma tradição limitada de terrorismo político doméstico. E não têm idéia de como lidar como lidar com um terrorismo político externo com vistas a tomar o país. O comunismo foi tratado de forma atrapalhada pelo mesmo motivo, ele não se tratava de crime convencional nem de guerra, as autoridades não conseguiram resolvê-lo porque não conseguiam categorizá-lo. O Islam coloca o mesmo problema.

Após séculos de conflito intemitente e duas décadas de terror crescente, nós ainda não conseguimos classificar de forma significativa o inimigo, definir quem ele é ou qual seu número. Nossa tradição de proteger a discordância polítca e a liberdade religiosa faz com que dividamos os que cometem diretamente a violência daqueles que cometem indiretamente a violência. Mas esta é uma distinção artificial que o inimigo não faz. Organizações terroristas fazem uma distinção apenas operacional entre armas militares e políticas. Ambas são parte da mesma causa e estão comprometidas com o mesmo objetivo.

Apesar de toda sua hostilidade ao progresso, os muçulmanos rapidamente encontraram formas e estruturas que podem funcionar no Ocidente. E marcham na direção de sua conquista. Estas estruturas são ideologicamente camufladas dentro das zonas protegidas das crenças ocidentais, de modo que não possam ser tocadas. O Ocidente não consegue fazer nada do gênero. Mesmo quando ele levou seus exércitos às terras muçulmanas, eles foram rapidamente manobrados pelos nativos para apoiarem facções já existentes. Ao invés de impormos nossos padrões e valores a eles, nós nos tornamos mercenários gratuitos nas guerras deles.

Nós tentamos exportar nossos sistemas políticos pela força das armas, exceto pelo fato de que tínhamos suposto que nosso sistema político era a base natural de todas as sociedades, uma vez que os tiranos fossem removidos da equação. Nós ainda supomos isto, agora. E assim, ao invés de impor nossos sistemas, nós, pelo contrário, lutamos para identificar os Tojos, Hitlers e Mussolinis, varrendo eles e esperando um mundo melhor em sua ausência. Nós supomos que as leis pelas quais vivemos são universais, mas embora elas possam ser o ideal, elas não são culturamente universais.

A estrutura ocidental é forte, mas não inflexível. Ela resulta em instituições melhores, mas também em uma limitada liberdade de ação. A ausência de estruturas do Oriente resulta em uma flexibilidade imediata. Uma forma que pode ser despejada em qualquer recipiente ao mesmo tempo em que mantem sua natureza essencial. Exportar as estruturas ocidentais é irrelevante, a menos que elas mudem a natureza da região. E é fácil despejar imigrantes muçulmanos nos recipientes ocidentais sem mudar de fato suas atitudes básicas.

No Oriente, retórica e princípios são completamente desconectados uns dos outros. Eles podem se encontrar, quando conveniente, mas isto é tudo. O que um governante diz não tem qualquer conexão com o que ele faz e só uma leve relação com seus prinícpios.  Há uma flexibilidade líquida com a qual nem os mais corruptos políticos ocidentais são capazes de rivalizar. Enquanto um político ocidental subverte um sistema de leis, para os políticos orientais as leis são cartas em um baralho. As estruturas de governo são irreais, figuras de papelão para uma peça. Quando os políticos ocidentais pensam que estão manipulando seus pares orientais, eles não estão sequer no mesmo jogo. Eles estão pondo peças de xadrez em um tabuleiro de dominó e dizendo que venceram, enquanto eles sequer entendem as regras do jogo. Muito menos como vencer.

Onde foi que erramos? Para começo de conversa, nós nunca paramos de lutar a Segunda Guerra Mundial. Tratar a Coréia e o Vietnam como se eles fossem partes da Europa foi bastante ruim, mas jogar o Plano Marshal no mundo muçulmano é completamente imperdoável. Depois da Segunda Guerra nós ao menos podíamos confiar em nossa capacidade de restaurar a Alemanha, a Itália e o Japão a seus estados pré-Hitler, Mussolini e Tojo. Mas a que diabos nós pensamos que vamos restaurar o Iraque e o Afeganistão? À idade da pedra? Ao Califado Abássida?

Se tivéssemos partido para esmagar as forças armadas e a base industrial do Eixo do Mal, nós já teríamos terminado o serviço e com apenas uma fração de vítimas. Não só teríamos causado um grande prejuízo aos regimes que apoiam o terrorismo, mas também teríamos limitado nossa exposição a sua cultura e lhes negado o tempo necessário para formarem uma insurgência. Ao invés disto, nós supomos que a reforma e reconstrução do Iraque o tornaria um modelo de democracia para a região. Não surpreende que os membros sobreviventes do Eixo do Mal se encarregaram de reforçar o terrorismo, transformando o projeto de construção nacional em uma ocupação e por fim em uma longa série de acordos levando a uma retirada.

Mas os dominós em queda não pararam aí. Nós tiramos Saddam da jogada, mas deixamos o Irã no jogo. E o Irã usou sua nova liberdade de ação para ganhar poder e influência regional. Aí, para completar, uma nova administração defendeu a democracia no mundo muçulmano, o que isolou os regimes aliados do Ocidente e permitiu aos islamistas se aliarem ao Irã para tomarem até o Cairo. E foi assim que chegamos à fase 2.

http://sultanknish.blogspot.com/
Era isto o que Bin Laden queria em 1996. Ele pode até não conseguir remover a realeza saudita, mas, se ele estiver vivo, ele está mais próximo disto do que nunca. E foi por obra nossa que ele chegou lá.

Nós aplicamos padrões ocidentais a estados não-ocidentais, sem perceber que os resultados seriam completamente diferentes do que tínhamos esperado. Um sem-número de analistas ainda estão aplicando o modelo de 1848 aos regimes árabes neste momento. Eles ainda não se deram conta de que o Oriente Médio não é a Europa e que seus valores não são universais, então, ao invés de experimentarem os acontecimentos, eles os romantizam, casando-os a seus próprios mitos históricos.
Ao nos levar a agir, Bin Laden colocou em movimento uma cadeia de acontecimentos. Ninguém poderia ter previsto a trajetória deles, mas, em sentido geral, ele buscou mover o mundo muçulmano na direção de uma jihad armada contra o Ocidente, com o objetivo de derrubar os governos do Oriente Médio e construir um califado com nossos ossos. Ele não poderia  ter previsto o quanto de seu trabalho nó mesmos faríamos para ele, embora, depois que bombardeamos a Iugoslávia para criar um estado terrorista, talvez sim.  Não faz diferença.

O principal objetivo de Bin Laden era mudar o conflito, das invasões demográficas e culturais suaves para uma campanha violenta. Um conflito que levasse o Ocidente na direção de uma colisão direta com os muçulmanos e seus governos. Isto acelerou a resistência e a subjugação ocidentais, assim como acelerou a violência e a conquista muçulmana. Hoje, há uma consciência muito maior entre ocidentais e muçulmanos a respeito do Choque de Civilizações. Os muçulmanos não estão mais satisfeitos com uma vitória demográfica e cultural de longo prazo -- eles também querem uma conquista no curto prazo. E os ocidentais que anteriormente não tinham voz em face à islamização da Europa e da América encontraram sua voz em resposta ao onze de setembro e ao sete de julho.

Agora que o conflito entra na segunda fase, uma nova dimensão será a ele acrescentada. A ascenção de um Califado vai esmagar qualquer bobabem sobre "uma minúscula minoria de extremistas". Tanto ocidentais quanto muçulmanos terão de encarar a realidade do Islam. E serão obrigados a fazer uma escolha.
http://veradextra.blogspot.com/
http://sultanknish.blogspot.com/2011/03/bin-laden-is-winning.html


sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

ESQUERDISTAS, AGORA, LUTAM PELA LIBERDADE? Já se esqueceram de Neda Soltan?


A esquerda protestou contra a morte de Neda Agha Soltan nas mãos dos pit-bulls de Ahmadinejad?
http://www.hyscience.com/archives/2009/06/guardian_neda_s.php
 Um ano depois do suicídio reacionário
Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado.

Finalmente o PT lançou uma nota de solidariedade aos iranianos que foram protestar nas ruas contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad: "O Partido dos Trabalhadores saúda o povo egípcio e presta total solidariedade à luta dos povos árabes e de toda a região contra governos ditatoriais, corruptos e violadores dos direitos humanos. Ao cabo de dezoito dias de luta nas ruas de Cairo e outras cidades do Egito, seu povo - jovens, estudantes, trabalhadores, funcionários, classe média -, defendendo as bandeiras de pão, emprego, justiça social, progresso, liberdade e democracia, derrubou o regime antipopular e ditatorial de Hosni Mubarak".

Perdão. Embaralhei os papéis e transcrevi a nota do PT dedicada aos egípcios. Agora sim segue a mensagem dos petistas ao povo do Irã: "O PT se une aos que desejam que as esperanças que iluminaram as mentes e os corações dos milhões de manifestantes que lotaram as praças, enfrentando a repressão policial e toda sorte de dificuldades, não sejam confiscadas nem traídas, e que a voz do povo se faça ouvir, interna e internacionalmente".

Na verdade, essa ainda é a mensagem dedicada ao Egito. Procurei uma nota do PT simpática aos iranianos e não encontrei. Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado. Como em 2009, os rebeldes pacíficos do Irã serão presos ou executados sem que a esquerda espalhe correntes de solidariedade às vítimas. O assunto só interessa aos iranianos, como nos ensinou Lula, o sujeito que considera Muamar Kadafi "meu amigo, meu irmão e líder" (01/07/2009).

Já a questão egípcia transcende fronteiras, pois a Irmandade Muçulmana pode chegar ao poder, incrementar o bloco terrorista antiamericano, romper 31 anos de paz com Israel e juntar-se a Ahmadinejad e companhia na guerra à única democracia do Oriente Médio - ou, no linguajar da esquerda, promover um governo verdadeiramente progressista. Para o PT, Israel comete terrorismo ao não cometer suicídio ante o terrorismo islâmico, e a reação israelense a oito anos de foguetes do Hamas equivale às práticas do regime nacional-socialista. É a mesma opinião de Ahmadinejad, que financia o Hamas e de quem Lula é assessor em assuntos atômicos.

Ontem fez um ano da morte de Orlando Zapata. Na ânsia de trair o comunismo cubano, ele dirigiu-se a uma cela, ficou lá alguns anos, parou de comer e maquiavelicamente deixou-se morrer, bem quando Lula visitava os irmãos Castro. Duas semanas depois do suicídio reacionário de Zapata, o grande timoneiro petista igualou os presos políticos cubanos aos bandidos de São Paulo. Escute a lição: "Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade. Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano". Sobre o Egito, Lula disse que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". No Irã e em Cuba, a depender de Lula, nunca vai furar.
Bruno Pontes é jornalista - http://brunopontes.blogspot.com/
extraído do site: http://www.midiasemmascara.org/artigos/

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O SUSPEITO OLHAR COMPASSIVO DA IMPRENSA OCIDENTAL EM DIREÇÃO AO POVO LÍBIO. E se Kadafi estivesse nas boas graças do Islão e da esquerda?


http://ibnlive.in.com/news/france-egypt-to-evacuate-citizens-from-libya/144079-2.html

Repentinamente, a imprensa mundial começa a dar novamente atenção à Líbia. A Líbia, aquela ditadura controlada por Muamar Kadafi, com mãos de ferro, desde 1969, foi redescoberta. Porém, agora, a imprensa Ocidental olha de modo compassivo não Kadafi, mas o povo líbio. Repentinamente Kadafi não serve mais para a imprensa.

A história da Líbia, com relação à Imprensa, é curiosa.
Nos anos  70, Kadafi, por meio de seu modo histriônico e sua pinta de galã conseguiu ocupar muito espaço na imprensa e no imaginário ocidental, como se fosse uma espécie de Che Guevara do mundo árabe. Sempre agitando o seu Livro Verde (uma cópia islamizada do Livro Vermelho, de Mao Tse Tung).

Com sua revolução socialista-islâmica - algo tão nebuloso quanto o bolivarianismo de Hugo Chávez, o Kadafi da Venezuela - Muamar Kadafi era olhado com imensa simpatia pela esquerda, pelo seu discurso violento contra os americanos, o capitalismo e o Ocidente. Portanto, era olhado com extrema simpatia boa parte da imprensa, infiltrada pela esquerda. Isso não difere muito da situação da imprensa brasileira, em que jornalistas agem muito mais como agentes de propaganda que jornalistas.

É bom lembrar que eram os tempos da Guerra do Vietnã (aquele lugar em que os americanos não perderam a guerra nos campos de batalha). Naquele período, de plena guerra fria, a agitação comunista assolou a America e a Europa, disfarçada em meio ao mundo universitário e artístico. Multidões de americanos iam às ruas protestar, contra os americanos!

E, assim, a Opinião Pública, alimentada pela paixão ideológica de boa parte da imprensa, do establishment universitário, foi manipulada até que continuar a guerra foi impossível. A guerra foi vencida pelos vietcongues dentro da America, com a ajuda da esquerda americana e mundial. No cenário da guerra guerra, nas trilhas de Ho Chi Mim, os vietcongues estavam sendo vencidos (essa é outra história que precisa ser recontada: como uma derrota militar transformou-se em uma vitória política). 

Alguns anos depois disso, com a America abalada, Kadafi financiou terroristas, cedeu terrenos na Líbia para treinamento e o mundo passou por uma série de atentados. Muitos deles por ordem de Kadafi, ou estimulados por ele.

O Ocidente mostrou-se fraco para reagir aos ataques corrosivos da estratégia de Moscou de solapar a America por dentro, e parte da Imprensa e do mundo das artes cultuava Che, Kadafi e outros revolucionários que queriam colocar fogo no mundo.
No fim dos anos 80 Kadafi acabou bombardeado em seu próprio território, quando mísseis americanos destruíram seu palácio, ocasião em que ele ficou bastante ferido e desfigurado e em que perdeu sua filha Hannah. Ele havia ido além do limite e explodido uma discoteca, em Berlim, cheia de americanos.

Depois disso Kadafi não interessou mais à imprensa. Pressionado pelo Ocidente reconheceu a culpa da Líbia em diversos atentados e pagou indenizações à famílias das centenas de vítimas. A Líbia tem muito petróleo, Kadafi podia gastar à vontade (mais uma coincidência com a Venezuela).

Mas as coisas mudam. Assim como muitos ditadores árabes Kadafi, embora muçulmano, afastou das proximidades do poder os religiosos comandantes do Islão. A atual onda de rebeliões no mundo árabe está sendo percebida, de modo geral, de forma absolutamente equivocada pela imprensa ocidental. (Ao menos, prefiro imaginar isso).

Não é curioso que as revoltas para derrubar os ditadores (os árabes têm reis ou ditadores, nunca conheceram a democracia) ocorram, sempre, nos países em que os religiosos estão fora do poder como no Irã?

Não é mais curioso ainda que as revoltas ocorram apenas na ditaduras aliadas aos americanos? Sim, os americanos também são aliados de ditaduras, mas essa é outra história.

Não há revoltas populares gigantescas no Irã. Houve uma ameaça por estes dias, mas o governo já avisou que será implacável e soltará os pitt-bulls da Guarda Revolucionária. A guarda é aquela que Ahmadnejadi (o outro amigão de Lula, como Kadafi, como Chávez, e como Fidel...) soltou contra a oposição iraniana quando houve aquela fraude brutal em que ele foi reeleito (estou falando de Ahmadnejadi!). Por que não há revolta na Síria?

A imprensa ocidental, afinada com a esquerda, é incapaz de ter o mesmo olhar compassivo com relação aos que são perseguidos no Irã, ou em Cuba, ou na Coréia do Norte, aquele olhar longo e intenso que é capaz de dispensar aos líbios. 

Mas, não se iludam! Hoje, o povo líbio está sendo olhado pela imprensa e pela esquerda porque Kadafi só usa uma retórica socialista-islâmica (isso nunca foi uma coisa muito clara), e fez as pazes com os americanos. Assim, ele foi abandonado pela esquerda e poderá ser jogado do navio. É tão claro! 

Até aquele grupo suave e doce dos componentes do Hamas condenaram ontem a violência de Kadafi contra seu povo. Mas é uma compaixão cínica e mentirosa, pois eles mesmo usam seu próprio povo palestino como escudo quando atacam Israel. São covardes da pior espécie. Se Kadafi estivesse nas graças dos esquerdistas islâmicos, nunca seria dado um pio em protesto contra Kadafi, ele poderia eliminar milhares de líbios, sem maior repercussão na imprensa internacional.

Os grupos islamicos como o Hamas e outros semelhantes, que ora criticam a violência de Kadafi, explodem ônibus escolares cheios de crianças com a despreocupação de quam pisa distraído em uma barata. Crianças israelensses, é claro. (Ah! então tudo bem né?).

Se estivesse ainda nas graças da esquerda, Kadafi teria a mesma paz que Sadam Hussein conseguiu quando eliminou vilas inteiras de curdos do norte do Iraque, ou a mesma paz mundial concedida aos malucos dos talebãs que aterrorizaram e cometeram barbaridades contra seu próprio povo, em nome de Alá. Os talebãs tinham carta branca para a destruição.

Para fechar: a imprensa chia, denuncia, e mostra mãos crispadas e mães chorando na TV sempre de um lado só. Não há quam se compadeça com as centenas de presos políticos de Cuba (desordeiros comuns, diria Lula?) ou com a morte dos que se opuseram ao governo do Irã. Ou com as mães de Israel.

Este é um tempo que envergonha os jornalistas, os verdadeiros jornalistas, aqueles que militam para buscar a verdade dos fatos, e não aqueles que já não são jornalistas, abandonaram a profissão, não passando de meros militantes engajados na promoção de ditadores totalitários.