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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O SUSPEITO OLHAR COMPASSIVO DA IMPRENSA OCIDENTAL EM DIREÇÃO AO POVO LÍBIO. E se Kadafi estivesse nas boas graças do Islão e da esquerda?


http://ibnlive.in.com/news/france-egypt-to-evacuate-citizens-from-libya/144079-2.html

Repentinamente, a imprensa mundial começa a dar novamente atenção à Líbia. A Líbia, aquela ditadura controlada por Muamar Kadafi, com mãos de ferro, desde 1969, foi redescoberta. Porém, agora, a imprensa Ocidental olha de modo compassivo não Kadafi, mas o povo líbio. Repentinamente Kadafi não serve mais para a imprensa.

A história da Líbia, com relação à Imprensa, é curiosa.
Nos anos  70, Kadafi, por meio de seu modo histriônico e sua pinta de galã conseguiu ocupar muito espaço na imprensa e no imaginário ocidental, como se fosse uma espécie de Che Guevara do mundo árabe. Sempre agitando o seu Livro Verde (uma cópia islamizada do Livro Vermelho, de Mao Tse Tung).

Com sua revolução socialista-islâmica - algo tão nebuloso quanto o bolivarianismo de Hugo Chávez, o Kadafi da Venezuela - Muamar Kadafi era olhado com imensa simpatia pela esquerda, pelo seu discurso violento contra os americanos, o capitalismo e o Ocidente. Portanto, era olhado com extrema simpatia boa parte da imprensa, infiltrada pela esquerda. Isso não difere muito da situação da imprensa brasileira, em que jornalistas agem muito mais como agentes de propaganda que jornalistas.

É bom lembrar que eram os tempos da Guerra do Vietnã (aquele lugar em que os americanos não perderam a guerra nos campos de batalha). Naquele período, de plena guerra fria, a agitação comunista assolou a America e a Europa, disfarçada em meio ao mundo universitário e artístico. Multidões de americanos iam às ruas protestar, contra os americanos!

E, assim, a Opinião Pública, alimentada pela paixão ideológica de boa parte da imprensa, do establishment universitário, foi manipulada até que continuar a guerra foi impossível. A guerra foi vencida pelos vietcongues dentro da America, com a ajuda da esquerda americana e mundial. No cenário da guerra guerra, nas trilhas de Ho Chi Mim, os vietcongues estavam sendo vencidos (essa é outra história que precisa ser recontada: como uma derrota militar transformou-se em uma vitória política). 

Alguns anos depois disso, com a America abalada, Kadafi financiou terroristas, cedeu terrenos na Líbia para treinamento e o mundo passou por uma série de atentados. Muitos deles por ordem de Kadafi, ou estimulados por ele.

O Ocidente mostrou-se fraco para reagir aos ataques corrosivos da estratégia de Moscou de solapar a America por dentro, e parte da Imprensa e do mundo das artes cultuava Che, Kadafi e outros revolucionários que queriam colocar fogo no mundo.
No fim dos anos 80 Kadafi acabou bombardeado em seu próprio território, quando mísseis americanos destruíram seu palácio, ocasião em que ele ficou bastante ferido e desfigurado e em que perdeu sua filha Hannah. Ele havia ido além do limite e explodido uma discoteca, em Berlim, cheia de americanos.

Depois disso Kadafi não interessou mais à imprensa. Pressionado pelo Ocidente reconheceu a culpa da Líbia em diversos atentados e pagou indenizações à famílias das centenas de vítimas. A Líbia tem muito petróleo, Kadafi podia gastar à vontade (mais uma coincidência com a Venezuela).

Mas as coisas mudam. Assim como muitos ditadores árabes Kadafi, embora muçulmano, afastou das proximidades do poder os religiosos comandantes do Islão. A atual onda de rebeliões no mundo árabe está sendo percebida, de modo geral, de forma absolutamente equivocada pela imprensa ocidental. (Ao menos, prefiro imaginar isso).

Não é curioso que as revoltas para derrubar os ditadores (os árabes têm reis ou ditadores, nunca conheceram a democracia) ocorram, sempre, nos países em que os religiosos estão fora do poder como no Irã?

Não é mais curioso ainda que as revoltas ocorram apenas na ditaduras aliadas aos americanos? Sim, os americanos também são aliados de ditaduras, mas essa é outra história.

Não há revoltas populares gigantescas no Irã. Houve uma ameaça por estes dias, mas o governo já avisou que será implacável e soltará os pitt-bulls da Guarda Revolucionária. A guarda é aquela que Ahmadnejadi (o outro amigão de Lula, como Kadafi, como Chávez, e como Fidel...) soltou contra a oposição iraniana quando houve aquela fraude brutal em que ele foi reeleito (estou falando de Ahmadnejadi!). Por que não há revolta na Síria?

A imprensa ocidental, afinada com a esquerda, é incapaz de ter o mesmo olhar compassivo com relação aos que são perseguidos no Irã, ou em Cuba, ou na Coréia do Norte, aquele olhar longo e intenso que é capaz de dispensar aos líbios. 

Mas, não se iludam! Hoje, o povo líbio está sendo olhado pela imprensa e pela esquerda porque Kadafi só usa uma retórica socialista-islâmica (isso nunca foi uma coisa muito clara), e fez as pazes com os americanos. Assim, ele foi abandonado pela esquerda e poderá ser jogado do navio. É tão claro! 

Até aquele grupo suave e doce dos componentes do Hamas condenaram ontem a violência de Kadafi contra seu povo. Mas é uma compaixão cínica e mentirosa, pois eles mesmo usam seu próprio povo palestino como escudo quando atacam Israel. São covardes da pior espécie. Se Kadafi estivesse nas graças dos esquerdistas islâmicos, nunca seria dado um pio em protesto contra Kadafi, ele poderia eliminar milhares de líbios, sem maior repercussão na imprensa internacional.

Os grupos islamicos como o Hamas e outros semelhantes, que ora criticam a violência de Kadafi, explodem ônibus escolares cheios de crianças com a despreocupação de quam pisa distraído em uma barata. Crianças israelensses, é claro. (Ah! então tudo bem né?).

Se estivesse ainda nas graças da esquerda, Kadafi teria a mesma paz que Sadam Hussein conseguiu quando eliminou vilas inteiras de curdos do norte do Iraque, ou a mesma paz mundial concedida aos malucos dos talebãs que aterrorizaram e cometeram barbaridades contra seu próprio povo, em nome de Alá. Os talebãs tinham carta branca para a destruição.

Para fechar: a imprensa chia, denuncia, e mostra mãos crispadas e mães chorando na TV sempre de um lado só. Não há quam se compadeça com as centenas de presos políticos de Cuba (desordeiros comuns, diria Lula?) ou com a morte dos que se opuseram ao governo do Irã. Ou com as mães de Israel.

Este é um tempo que envergonha os jornalistas, os verdadeiros jornalistas, aqueles que militam para buscar a verdade dos fatos, e não aqueles que já não são jornalistas, abandonaram a profissão, não passando de meros militantes engajados na promoção de ditadores totalitários.

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

FOREIGN POLICY APONTA OS NOVE ERROS DE MUBARAK.

Hosni Mubarak, do Egito (no poder há 30 anos), enfrenta pressões populares para renunciar. Em consequência ele anucIou que não disputaria as eleições de setembro, mas os protestos contra seu governo – iniciados dia 25 de janeiro – não cessam.
Segundo a revista Foreign Policy, parte da popuLação protesta porque ele cometeu uma série de erros no comando do país mais populoso do mundo árabe. Nove deles teriam sido o estopim para as revoltas.

1 - Concentração de renda. A economia do Egito cresceu consideravelmente nos últimos anos, mas a população ficou à margem do processo. Críticos dizem que apenas empresários ligados ao Partido Democrático Nacional (a legenda de Mubarak) enriqueceram.
2 – Corrupção. A corrupção é um dos fatores mais criticados. É difícil fazer qualquer coisa no país sem pagar propina ou ter conexões com figurões. No governo, diz a população, não é diferente.
3 – Falta de visão. Gamal Abdel Nasser e Anwar Sadat, antecessores de Mubarak, sabiam onde queriam levar o Egito. O atual presidente, por sua vez, não oferece uma meta clara aos egípcios. O que ele oferece é uma infraestrutura em ruínas, condições socioeconômicas decadentes e lealdade ao Ocidente.
4 – Falta de reformas. O governo de Mubarak promete reformas políticas há anos. Candidatos independentes são proibidos de disputar a presidência, e há inúmeras acusações de fraudes nas eleições.
5 – Campanha por Gamal. Mubarak tem 82 anos e pode não estar bem de saúde. Por isso, o presidente tem preparado seu filho, Gamal, para sucedê-lo. Gamal, atualmente dirigente do Partido Nacional Democrático, e isso não agrada a população.
6 – Despreparo para os protestos. As manifestações que ocorrem no Egito não passam de pequenas marchas rapidamente dispersadas pela polícia. Desta vez, os organizadores estão conectados uns aos outros e sabem como se comunicar com o público descontente com o governo. A polícia não foi capaz de conter as marchas e os militares foram chamados.
7 – Trapaças. Durante a maioria das eleições parlamentares que ocorreram durante seu mandato, Mubarak deixou alguns assentos para os opositores. Em 2010, porém, a oposição foi drasticamente reduzida e a Irmandade Muçulmana, o maior partido opositor, ficou de fora do Parlamento.
8 – “Capangas” nas ruas. Vários dos saqueadores detidos durante o vácuo de segurança causado pela ausência da polícia durante três dias de protestos carregavam identificações de funcionários do governo e da polícia, sugerindo que eles foram enviados pelo governo. Mubarak pode ter tentado levar o povo para casa, mas não deu certo, e os protestos só cresceram..
9 – Nomeação de aliados. Mubarak anunciou reformas políticas e constitucionais não especificadas e prometeu não disputar as eleições em setembro; porém, nomeou dois militares e aliados próximos para os cargos de vice-presidente e primeiro-ministro, o que foi interpretado como estratégias para perpetuar seu partido e seus aliados no poder.

http://www.foreignpolicy.com/

THE TOP TEN AUTOCRATS. A LISTA DE DEZ DITADURAS QUE A REVISTA TIME CONSIDERA EM RISCO

A revista Time publicou uma lista de dez ditaduras cujos governos podem cair, como aconteceu com o ex-presidente da Tunísia, Zine Ben Ali.

EGITO - Hosni Mubarak
O presidente do Egito, que enfrenta protestos  pela sua renúncia, é o primeiro da lista. Assumiu o poder em 1981, após o atentado que matou Anwar Sadat, em 1981. A polícia é conhecida pela violência na repressão a opositores. Denúncias de fraude surgiram nas últimas eleições. Mubarak prometeu deixar o poder em setembro, mas há pressões para saia agora.

IÊMEN - Ali Abdullah Saleh
Há 32 anos no poder, o presidente do Iêmen governa o país mais pobre do Oriente Médio, dividido entre tribos e clãs, que abrigam a Al-Qaeda na Península Arábica. Após os protestos na Tunísia e no Egito, o país também viu protestos contra o presidente e a corrupção. Salehprometeu desistir de concorrer à reeleição.

COREiA DO NORTE - Kim Jong-il
Comandante da ditadura (comunista) mais fechada do mundo, Kim Jong-il indicou seu filho Kim Jong-un, um jovem de 20 e poucos anos para sucedê-lo. Há impasses sobre o programa nuclear e o conflito com a Coreia do Sul,  e problemas com a distribuição de comida. A incerteza provocada pela sucessão, segundo analistas, pode levar a um golpe contra a família de Kim.

BIELO-RÚSSIA - Alexander Lukashenko
Descrito como ‘o último ditador da Europa’, Lukashenko governa a ex-república soviética da Bielo-Rússia há 16 anos, desde a queda do regime soviético. A imprensa é censurada, e dissidentes perseguidos. Na última eleição, na qual foi reeleito com 80% dos votos, houve denúncias de fraude generalizada. O país enfrenta sanções da comunidade internacional.

SUDÃO - Omar Hassan al-Bashir
O presidente do Sudão tem um mandado de prisão contra ele emitido pelo tribunal penal de Haia por crimes contra a humanidade cometidos durante o conflito de Darfur, no sul do país. Em 2011 a região optou por se separar do país em um referendo. Bashir tem enfrentado protestos similares ao do Egito e da Tunísia.

IRÃ - Mahmoud Ahmadinejad
Um ano e meio antes da Revolução de Jasmin, os iranianos tomaram as ruas do país na ‘Revolução Verde’ para protestar contra fraudes nas eleições presidenciais do Irã. A reação do regime dos aiatolás foi brutal. A internet foi censurada e os manifestantes perseguidos. Desde os confrontos, Ahmadinejad tem enfrentado uma oposição maior de alguns clérigos do próprio regime.

ZIMBÁBUE - Robert Mugabe
Único presidente da história do Zimbábue,  no poder desde 1980, Mugabe governa um país onde a inflação é incalculável e o dinheiro já perdeu o valor de face. Após uma crise política em 2008,  um acordo de coalizão foi feito com a oposição.

TAJIQUISTÃO - Rahmon Emomali
O presidente do Tajiquistão, no poder desde 1992, governa um dos países mais pobres do antigo bloco soviético. Fronteiriço com países conturbados, como o Afeganistão e o Paquistão. O Tajiquistão é rota de tráfico de ópio e heroína.

ARÁBIA SAUDITA - Casa de Saud
No poder desde o início do século XX, a família real saudita governa o país como uma monarquia absolutista, no qual a lei islâmica, a Sharia, é seguida à risca. Um dos principais aliados dos EUA no Oriente Médio, a Arábia Saudita detém 25% das reservas mundiais de petróleo. A presença de radicais islâmicos no território é o maior risco para o regime.

ARGÉLIA - Abdelaziz Bouteflika
No comando da Argélia desde 1999, quando venceu uma guerra civil contra radicais islâmicos, Bouteflika  enfrenta dificuldades econômicas. No começo deste ano aconteceram protestos similares aos da Tunísia.

(Full list - Top ten autocrats) leia mais em:       http://www.time.com/