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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O GRANDE INIMIGO DO OCIDENTE.



DE OLHO NA JIHAD
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


http://antifaaktionerftstadt.blogsport.de/
O professor que sucedeu ao fundador da Irmandade Muçulmana, Hasan al-Banna, inspirou vários terroristas, mas as suas obras doutrinais também contribuíram para dividir a organização mais poderosa do Egipto depois do Exército. E a sua Ikhwan já não é o movimento radical que ele liderou.

Em Novembro de 1948, quando o rei Farouk ordenou a sua prisão, forçando-o a uma apressada partida para os Estados Unidos, Sayyid Qutb, o ideólogo da Irmandade Muçulmana, interrogava-se: “Devo ir para a América, como qualquer outro estudante com uma bolsa de estudos, que só come e dorme, ou devo ser especial? Devo manter-me fiel aos meus princípios islâmicos, enfrentando muitas tentações pecaminosas, ou devo ser indulgente com essas tentações à minha volta?”

Nesta viagem de Alexandria para Nova Iorque, descrita por Lawrence Wright emAs Torres do Desassossego, o fervoroso nacionalista e anticomunista Qutb nem sequer se considerava muito religioso. Havia muito de “ocidental” na sua maneira de ser e agir – “o vestuário, o gosto pela música clássica e filmes de Hollywood. Lera as obras traduzidas de Darwin e Einstein, Byron e Shelley, e imergira profundamente na Literatura francesa, sobretudo Victor Hugo.”

Em todo o caso, Qutb já se mostrava preocupado com “o avanço da civilização ocidental”, que ele via como uma entidade cultural única. “As distinções entre capitalismo e marxismo, cristianismo e judaísmo, fascismo e democracia eram insignificantes, comparadas com a grande divisão presente na mente de Qutb: o islão no Oriente, de um lado; o Ocidente cristão, do outro”, sublinhou Wright.

De início, a América atraía Qutb, um país que ele considerava “assente em valores” e não nas “noções europeias de superioridade e de classes e raças privilegiadas”, uma nação de imigrantes “permeável a relações com o resto do mundo”, incluindo os árabes. Isso mudou quando o Presidente Henry Truman decidiu apoiar a “causa sionista” e um “lar nacional” para os judeus na Palestina.

Quando Qutb seguia para Nova Iorque, o seu Egipto e outros países árabes estavam na fase final de uma guerra que perderam e estabeleceu o Estado de Israel, em 1948. “Odeio e desprezo todos esses ocidentais”, escreveu Qutb. “Todos eles, sem excepção, os ingleses, os holandeses e, também, os americanos, em quem tantos confiavam.”

Qutb era um solteirão casto e conservador. Tinha três irmãs mas a única mulher que realmente o influenciou foi a sua mãe, Fatima, analfabeta e devota que se sacrificou pela formação académica do filho. O pai morrera em 1933 quando Qutb tinha 27 anos. Para sustentar a família, deu aulas em várias escolas provinciais, até se mudar para Helwan, um bairro próspero do Cairo para onde todos foram viver.

Deixar o aconchego do lar acentuou o sentimento de isolamento e solidão de Qutb (expresso em várias cartas a amigos) quando ele se mudou para Nova Iorque e depois Washington (onde estudou Inglês no Wilson Teachers College) e Greeley/Colorado.

A sua chegada coincidiu com a publicação do relatório “Sexual Behavior in the Human Male”, de Alfred Kinsey, um documento repleto de estatísticas que chocaram a própria sociedade norte-americana. Kinsey revelava, por exemplo, que 69 por cento dos homens confessaram ter pago sexo com prostitutas e 37 por cento admitiram ter mantido relações homossexuais.

Para Qutb, esta imagem de um “país lascivo”, combinada com a de um “país racista”, que discriminava os negros e os “homens de cor” como ele, reforçou o seu cada vez maior fundamentalismo religioso. Em Fevereiro de 1949, quando Qutb foi internado no Hospital da Universidade de George Washington para extrair as amígdalas, os noticiários davam conta da morte de Hasan al-Banna, o carismático fundador da Sociedade dos Irmãos Muçulmanos (al-Ikhwan al-Muslimun), mais conhecida como Irmandade (al-ikhwān).

Foi um “choque profundo” para Qutb, ainda nunca que nunca tivesse sido membro da confraria nem conhecesse, pessoalmente, al-Banna, mas ambos frequentaram a mesma escola de formação de professores, em épocas diferentes, e admiravam-se mutuamente.

“A voz de Banna foi silenciada quando ‘Justiça Social no Islão’, da autoria de Qutb, estava a ser publicado – o livro que lhe daria a reputação de importante pensador islâmico”, realçou Wright. A morte de al-Banna representou um ponto de viragem. A 20 de Agosto de 1950, Qutb regressou ao Egipto para assumir a liderança da Irmandade e reforçar a estrutura de células clandestinas, “difíceis de detectar e impossíveis de erradicar”, envolvida numa série de ataques e homicídios. Em Julho de 1952, os Oficiais Livres, de Gamal Abdel Nasser, derrubaram a monarquia e Qutb escreveu uma carta aos novos dirigentes pedindo a instauração de uma “ditadura justa”.

Nasser convidou Qutb para conselheiro do Conselho do Comando Revolucionário, mas ele recusou. Também declinou ser ministro da Educação ou director-geral da Rádio do Cairo. Nasser queria um regime militar, socialista, secular, industrializado e pan-árabe; Qutb queria “mudar a sociedade da base ao topo, impondo valores islâmicos em todos os aspectos da vida, através da aplicação rigorosa da ‘Shariah’ – menos que isto não era islão”.

A única coisa de comum entre ambos, sublinhou Wright, “era a grandeza das visões respectivas”. Qutb foi preso por ordem de Nasser, pela primeira vez, em 1954, mas foi libertado, três meses depois, e foi editar a revista da Irmandade, “al-Ikhwan al-Muslimun”. Os seus artigos críticos enfureceram Nasser e, em 1954, a revista foi encerrada. A “guerra ideológica” entre os dois atingiu o pico na noite de 26 de Outubro de 1954 quando Nasser foi ferido a tiro, por um activista da Irmandade, no momento em que discursava perante uma multidão concentrada numa praça pública em Alexandria.

http://antifaaktionerftstadt.blogsport.de/
Ao sobreviver, Nasser tornou-se herói e Qutb um mártir. Foi preso e torturado na prisão, mas foi também aqui, sofrendo de tuberculose, pneumonia e bronquite, que escreveu cinco das suas oito obras doutrinais. A mais importante foi “Ma’alim fia l-Tariq”, divulgada e traduzida no exterior, depois de sair, folha a folha, clandestinamente, da sua cela numa enfermaria. Aquele livro foi a única prova apresentada em tribunal para o condenar à morte, em 19 de Abril de 1966.
Ao ouvir o veredicto, Qutb exclamou: “Graças a Deus. Fiz a 'jihad' durante 15 anos e mereci este martírio.” As ruas do Cairo encheram-se de manifestantes, em protestos contra a iminente execução. Nasser enviou o seu vice-presidente, Anwar el-Sadat, ao hospital prisional onde Qutb estava internado, para o convencer a recorrer da sentença. Prometeram-lhe que seria perdoado, e até promovido a ministro da Educação. Uma irmã de Qutb pediu-lhe que cedesse. Ele recusou, e justificou: “As minhas palavras serão mais fortes se eles me matarem.”

Em 29 de Agosto de 1996, Qutb foi enforcado após a primeira oração matinal. O seu corpo não foi entregue à família, porque as autoridades temiam que o túmulo se tornasse centro de peregrinação. A "jihad" de Qutb não terminaria, porém, nessa alvorada.

(Dados extraídos do “Novo Dicionário do Islão”, de Margarida Santos Lopes, Ed. Oficina do Livro)

ESQUERDISTAS, AGORA, LUTAM PELA LIBERDADE? Já se esqueceram de Neda Soltan?


A esquerda protestou contra a morte de Neda Agha Soltan nas mãos dos pit-bulls de Ahmadinejad?
http://www.hyscience.com/archives/2009/06/guardian_neda_s.php
 Um ano depois do suicídio reacionário
Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado.

Finalmente o PT lançou uma nota de solidariedade aos iranianos que foram protestar nas ruas contra o regime de Mahmoud Ahmadinejad: "O Partido dos Trabalhadores saúda o povo egípcio e presta total solidariedade à luta dos povos árabes e de toda a região contra governos ditatoriais, corruptos e violadores dos direitos humanos. Ao cabo de dezoito dias de luta nas ruas de Cairo e outras cidades do Egito, seu povo - jovens, estudantes, trabalhadores, funcionários, classe média -, defendendo as bandeiras de pão, emprego, justiça social, progresso, liberdade e democracia, derrubou o regime antipopular e ditatorial de Hosni Mubarak".

Perdão. Embaralhei os papéis e transcrevi a nota do PT dedicada aos egípcios. Agora sim segue a mensagem dos petistas ao povo do Irã: "O PT se une aos que desejam que as esperanças que iluminaram as mentes e os corações dos milhões de manifestantes que lotaram as praças, enfrentando a repressão policial e toda sorte de dificuldades, não sejam confiscadas nem traídas, e que a voz do povo se faça ouvir, interna e internacionalmente".

Na verdade, essa ainda é a mensagem dedicada ao Egito. Procurei uma nota do PT simpática aos iranianos e não encontrei. Transformados em freedom fighters da noite pro dia, os esquerdistas agora querem derrubar ditadores do Oriente Médio, mas não todos. Ahmadinejad, por exemplo, pode ficar sossegado. Como em 2009, os rebeldes pacíficos do Irã serão presos ou executados sem que a esquerda espalhe correntes de solidariedade às vítimas. O assunto só interessa aos iranianos, como nos ensinou Lula, o sujeito que considera Muamar Kadafi "meu amigo, meu irmão e líder" (01/07/2009).

Já a questão egípcia transcende fronteiras, pois a Irmandade Muçulmana pode chegar ao poder, incrementar o bloco terrorista antiamericano, romper 31 anos de paz com Israel e juntar-se a Ahmadinejad e companhia na guerra à única democracia do Oriente Médio - ou, no linguajar da esquerda, promover um governo verdadeiramente progressista. Para o PT, Israel comete terrorismo ao não cometer suicídio ante o terrorismo islâmico, e a reação israelense a oito anos de foguetes do Hamas equivale às práticas do regime nacional-socialista. É a mesma opinião de Ahmadinejad, que financia o Hamas e de quem Lula é assessor em assuntos atômicos.

Ontem fez um ano da morte de Orlando Zapata. Na ânsia de trair o comunismo cubano, ele dirigiu-se a uma cela, ficou lá alguns anos, parou de comer e maquiavelicamente deixou-se morrer, bem quando Lula visitava os irmãos Castro. Duas semanas depois do suicídio reacionário de Zapata, o grande timoneiro petista igualou os presos políticos cubanos aos bandidos de São Paulo. Escute a lição: "Eu penso que a greve de fome não pode ser utilizada como pretexto de direitos humanos para libertar pessoas. Imagina se todos os bandidos que estão presos em São Paulo entrarem em greve de fome e pedirem liberdade. Temos que respeitar a determinação da Justiça e do governo cubano". Sobre o Egito, Lula disse que "água mole em pedra dura tanto bate até que fura". No Irã e em Cuba, a depender de Lula, nunca vai furar.
Bruno Pontes é jornalista - http://brunopontes.blogspot.com/
extraído do site: http://www.midiasemmascara.org/artigos/

A FALSA VISÃO DO JORNALISMO, DA VERDADE E DAS LEIS

Não é a verdade que lhe interessa, mas fazer parte da grande narrativa politicamente correcta.

O tumulto na Rua Muçulmana é já um case study. A maioria dos jornalistas ocidentais relatou os acontecimentos com simpatia e até, em alguns casos, com um entusiasmo e um fervor que estariam bem em actos de agit-prop, mas que estão a léguas da informação neutra e tão objectiva quanto possível a que os códigos deontológicos obrigam.
A violência exercida contra jornalistas é o exemplo perfeito deste bias.
Os ataques a jornalistas, quando levados a cabo por indivíduos afectos a certos grupos dos "maus", são relatados com paixão, pormenor, indignação e abundante adjectivação. E são, sem excepção considerados como demonstrativos da maldade intrínseca desses grupos.
Mas tem também havido ataques igualmente brutais levados a cabo pelos "jovens" que, nas palavras entusiasmadas dos jornalistas, "lutam pela democracia e pela liberdade", pese embora não ser possível resumir os acontecimentos a clichés tão simplistas. E o modo como estes ataques são relatados, quando o são, é completamente diferente. De um modo geral são escamoteados, relatados em poucas linhas, com omissão de pormenores importante, sem contextualização e, muito importante, evitando associá-los ao grupo de onde provêm.

veja.abril.com
 O caso Lara Logan é paradigmático
A jornalista americana da CBS, de origem judia, foi violada e brutalizada por dezenas de "jovens lutadores da democracia".

 Ora isto não quadra nas narrativas épicas com que os manifestantes têm sido retratados, pelo que a CBS só deu conta do caso vários dias depois, omitindo as caras dos brutos e o facto de que gritavam "judia, judia, judia" enquanto se cevavam na jornalista. E o follow up tem sido tépido, de um modo geral passando a ideia de que se tratou apenas de um acto odioso de alguns indivíduos que, de modo nenhum, é representativo da sua cultura grupal, nem coloca em causa a narrativa de jovens idealistas e modernos, manifestando-se pacificamente pela democracia.

A que se deve isto?

Na minha opinião, tem a ver com (mais) um efeito perverso do multiculturalismo e de excrescências da luta de classes. Segundo esta visão, prevalecente nos media ocidentais, o que importa não é o acto, mas sim a que grupos pertencem quem o comete e quem o sofre.
Se o acto é cometido por indivíduos dos grupos "opressores", ou "dominantes", (brancos, ricos, judeus, ocidentais, homens), ele revela o carácter perverso da sua cultura e dos seus valores e é exposto e reportado de imediato, sem tergisversações e meias palavras.
Se é cometido por indivíduos dos grupos vistos como "oprimidos", "explorados", "dominados", enfim, pelo "underdog" ( negros, muçulmanos, pobres, minorias sexuais, etc), é relativizado, escamoteado, descontextualizado e, de modo algum pode ser utilizado como prova de que há algo de errado com a cultura e os valores desses grupos.  É a esta luz que se pode compreender o modo como a imprensa ocidental ignorou determinadamente a misogenia islâmica, e a violência, tão presentes e visíveis na Praça Tahrir.

Não é a verdade que lhe interessa, mas fazer parte da grande narrativa politicamente correcta. Nesta narrativa, uma vítima só o é verdadeiramente quando pertence a um grupo "oprimido" e foi vitimizada por um indivíduo de um grupo "opressor".

Se esta geografia não estiver presente, o caso merece menos atenção. É por isso que quando são os "oprimidos" a vitimizarem outros "oprimidos", tudo se passa, em termos de cobertura noticiosa, muito mais discretamente e com explicações e justificações. Por exemplo, quando o Hamas matou centenas de palestinianos da AP, em Gaza, não houve grandes reportagens, indignações, ou caixas.

O Sudão é outro exemplo
Quando elementos dos grupos "oprimidos" atacam elementos dos grupos "opressores", a identidade grupal dos agressores é o mais possível diluída, como se pode ver na nossa própria televisão que reporta actos criminosos levados a cabo por certos gangues, como tendo sido cometidos por "jovens", sem referir a sua etnicidade que é, muitas vezes, o factor relevante no acto.

Chega-se ao ponto de não ser possível compreender o que se passa e as motivações envolvidas, como aconteceu há tempos num bairro de Lisboa, numa confrontação entre "grupos rivais" que só depois se percebeu, ao ver as imagens, ser entre negros e ciganos. Mas se um skinhead atacar um indivíduo de um "grupo vítima", não é de estranhar que haja notícia de 1ª página com títulos do tipo: "Crime racista-Skinhead ataca jovem negro".

O mesmo bias se pode observar facilmente quando a imprensa relata os crimes do quotidiano. Um crime cometido por um indivíduo que é militar, por exemplo, merece títulos como "militar mata comerciante". A ideia subjacente é, obviamente, a de que o crime tem algo a ver com a condição profissional do autor, uma vez que os militares são vistos como um grupo "opressor". Se o criminoso é operário, a profissão já não parece relevante e o título será, por exemplo, "homem mata comerciante".

Isto é assim mesmo e trata-se claramente daquilo que em inglês se designa por "bigotry", um tratamento preconceituoso para com certos grupos. É socialmente aceitável, mas é também revelador de uma espécie de novo racismo que recusa colocar todos os indivíduos sob o mesmo escrutínio moral, remetendo os juízos de valor para a identidade e a pertença grupal.

Neste caso das agressões a jornalistas, tanto Lara Logan como outros jornalistas, como Anderson Cooper, da CNN, foram vítimas, não pelo que são, não por pertencerem a este ou àquele grupo, mas pelos actos de que foram alvo. E quem os atacou são criminosos pelo que fizeram e não por pertencerem ou não a determinado grupo.

Na verdade, enquanto os jornalistas não se compenetrarem de que devem reportar sem tomar partido e sem se envolverem ideologicamente, teremos propaganda a mais e informação a menos.
Alberto Gonçalves é articulista do jornal português Diário de Notícias.
reproduzido do site:      http://www.midiasemmascara.org/mediawatch

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O SUSPEITO OLHAR COMPASSIVO DA IMPRENSA OCIDENTAL EM DIREÇÃO AO POVO LÍBIO. E se Kadafi estivesse nas boas graças do Islão e da esquerda?


http://ibnlive.in.com/news/france-egypt-to-evacuate-citizens-from-libya/144079-2.html

Repentinamente, a imprensa mundial começa a dar novamente atenção à Líbia. A Líbia, aquela ditadura controlada por Muamar Kadafi, com mãos de ferro, desde 1969, foi redescoberta. Porém, agora, a imprensa Ocidental olha de modo compassivo não Kadafi, mas o povo líbio. Repentinamente Kadafi não serve mais para a imprensa.

A história da Líbia, com relação à Imprensa, é curiosa.
Nos anos  70, Kadafi, por meio de seu modo histriônico e sua pinta de galã conseguiu ocupar muito espaço na imprensa e no imaginário ocidental, como se fosse uma espécie de Che Guevara do mundo árabe. Sempre agitando o seu Livro Verde (uma cópia islamizada do Livro Vermelho, de Mao Tse Tung).

Com sua revolução socialista-islâmica - algo tão nebuloso quanto o bolivarianismo de Hugo Chávez, o Kadafi da Venezuela - Muamar Kadafi era olhado com imensa simpatia pela esquerda, pelo seu discurso violento contra os americanos, o capitalismo e o Ocidente. Portanto, era olhado com extrema simpatia boa parte da imprensa, infiltrada pela esquerda. Isso não difere muito da situação da imprensa brasileira, em que jornalistas agem muito mais como agentes de propaganda que jornalistas.

É bom lembrar que eram os tempos da Guerra do Vietnã (aquele lugar em que os americanos não perderam a guerra nos campos de batalha). Naquele período, de plena guerra fria, a agitação comunista assolou a America e a Europa, disfarçada em meio ao mundo universitário e artístico. Multidões de americanos iam às ruas protestar, contra os americanos!

E, assim, a Opinião Pública, alimentada pela paixão ideológica de boa parte da imprensa, do establishment universitário, foi manipulada até que continuar a guerra foi impossível. A guerra foi vencida pelos vietcongues dentro da America, com a ajuda da esquerda americana e mundial. No cenário da guerra guerra, nas trilhas de Ho Chi Mim, os vietcongues estavam sendo vencidos (essa é outra história que precisa ser recontada: como uma derrota militar transformou-se em uma vitória política). 

Alguns anos depois disso, com a America abalada, Kadafi financiou terroristas, cedeu terrenos na Líbia para treinamento e o mundo passou por uma série de atentados. Muitos deles por ordem de Kadafi, ou estimulados por ele.

O Ocidente mostrou-se fraco para reagir aos ataques corrosivos da estratégia de Moscou de solapar a America por dentro, e parte da Imprensa e do mundo das artes cultuava Che, Kadafi e outros revolucionários que queriam colocar fogo no mundo.
No fim dos anos 80 Kadafi acabou bombardeado em seu próprio território, quando mísseis americanos destruíram seu palácio, ocasião em que ele ficou bastante ferido e desfigurado e em que perdeu sua filha Hannah. Ele havia ido além do limite e explodido uma discoteca, em Berlim, cheia de americanos.

Depois disso Kadafi não interessou mais à imprensa. Pressionado pelo Ocidente reconheceu a culpa da Líbia em diversos atentados e pagou indenizações à famílias das centenas de vítimas. A Líbia tem muito petróleo, Kadafi podia gastar à vontade (mais uma coincidência com a Venezuela).

Mas as coisas mudam. Assim como muitos ditadores árabes Kadafi, embora muçulmano, afastou das proximidades do poder os religiosos comandantes do Islão. A atual onda de rebeliões no mundo árabe está sendo percebida, de modo geral, de forma absolutamente equivocada pela imprensa ocidental. (Ao menos, prefiro imaginar isso).

Não é curioso que as revoltas para derrubar os ditadores (os árabes têm reis ou ditadores, nunca conheceram a democracia) ocorram, sempre, nos países em que os religiosos estão fora do poder como no Irã?

Não é mais curioso ainda que as revoltas ocorram apenas na ditaduras aliadas aos americanos? Sim, os americanos também são aliados de ditaduras, mas essa é outra história.

Não há revoltas populares gigantescas no Irã. Houve uma ameaça por estes dias, mas o governo já avisou que será implacável e soltará os pitt-bulls da Guarda Revolucionária. A guarda é aquela que Ahmadnejadi (o outro amigão de Lula, como Kadafi, como Chávez, e como Fidel...) soltou contra a oposição iraniana quando houve aquela fraude brutal em que ele foi reeleito (estou falando de Ahmadnejadi!). Por que não há revolta na Síria?

A imprensa ocidental, afinada com a esquerda, é incapaz de ter o mesmo olhar compassivo com relação aos que são perseguidos no Irã, ou em Cuba, ou na Coréia do Norte, aquele olhar longo e intenso que é capaz de dispensar aos líbios. 

Mas, não se iludam! Hoje, o povo líbio está sendo olhado pela imprensa e pela esquerda porque Kadafi só usa uma retórica socialista-islâmica (isso nunca foi uma coisa muito clara), e fez as pazes com os americanos. Assim, ele foi abandonado pela esquerda e poderá ser jogado do navio. É tão claro! 

Até aquele grupo suave e doce dos componentes do Hamas condenaram ontem a violência de Kadafi contra seu povo. Mas é uma compaixão cínica e mentirosa, pois eles mesmo usam seu próprio povo palestino como escudo quando atacam Israel. São covardes da pior espécie. Se Kadafi estivesse nas graças dos esquerdistas islâmicos, nunca seria dado um pio em protesto contra Kadafi, ele poderia eliminar milhares de líbios, sem maior repercussão na imprensa internacional.

Os grupos islamicos como o Hamas e outros semelhantes, que ora criticam a violência de Kadafi, explodem ônibus escolares cheios de crianças com a despreocupação de quam pisa distraído em uma barata. Crianças israelensses, é claro. (Ah! então tudo bem né?).

Se estivesse ainda nas graças da esquerda, Kadafi teria a mesma paz que Sadam Hussein conseguiu quando eliminou vilas inteiras de curdos do norte do Iraque, ou a mesma paz mundial concedida aos malucos dos talebãs que aterrorizaram e cometeram barbaridades contra seu próprio povo, em nome de Alá. Os talebãs tinham carta branca para a destruição.

Para fechar: a imprensa chia, denuncia, e mostra mãos crispadas e mães chorando na TV sempre de um lado só. Não há quam se compadeça com as centenas de presos políticos de Cuba (desordeiros comuns, diria Lula?) ou com a morte dos que se opuseram ao governo do Irã. Ou com as mães de Israel.

Este é um tempo que envergonha os jornalistas, os verdadeiros jornalistas, aqueles que militam para buscar a verdade dos fatos, e não aqueles que já não são jornalistas, abandonaram a profissão, não passando de meros militantes engajados na promoção de ditadores totalitários.

O AMIGO DE LULA MANDOU MATAR 270 PESSOAS. Segundo o ex-ministro da Justiça da Líbia.

O
Abdelbaset Ali Mohmet al-Megrahi  ( www.telegraph.co.uk/ news/newstopics/politics/...)
                                 
A Imprensa internacional está informando que Mustapha Abdel Jalil, ex-ministro da Justiça da Líbia (renunciou ao cargo após Muammar al-Kadafi ter mandado o exército atirar no povo), escondido em algum lugar do país por motivos de segurança, disse que tem provas de que foi Kadafi quem mandou Abdelbaset Ali Mohmet al-Megrahi explodir o avião da Pan Am que caiu sobre Lockerbie, na escócia, em 1988. Morreram 270 pessoas.
 Kadafi é aquele a quem o ex-presidente Lula chamou várias vezes de amigo, e sobre o qual, agora, mantém silêncio.

Megrahi, que tem 58 anos,  ficou preso, cumprindo uma pena de prisão perpétua na Escócia até 2009, quando Kadafi, por meio de negociações com o governo escocês, conseguiu libertá-lo e transferí-lo para a Líbia, onde foi recebido como herói nacional.

O motivo da libertação, que gerou muitos protestos,  foi a alegação de que Megrahi estaria com câncer na próstata em estágio muito avançado. Assim, por razões humanitárias, o governo escocês teria permitido ao assassino terrorista passar seus últimos dias na terra natal.
 Pelo que se sabe, o monstro continua vivo na Líbia.


Comento:

O ditador líbio foi acusado de ter permitido vários atentados terroristas. A gota d´água foi a explosão de uma discoteca em Berlim, onde morreram muitos americanos.
Ronald Reagan, à época presidente americano, mandou explodir o palácio de Kadafi, em Tripoli, e este escapou da morte bastante ferido. Perdeu a filha Hannah.
Desde então a Líbia passou por uma quarentena internacional que sufocou a sua economia. Kadafi reconheceu, nos anos 90, a responsabilidade líbia nos atentados e começou a pagar indenizações às famílias das vítimas. 

No caso do terrorista Megrahi, os que protestaram contra a sua transferência para a Líbia dizem que Kadafi fez um acordo com a Escócia porque teria feito ameaças em relação aos contratos de extração de petróleo que envolvem interesses da empresa britânica BP (British Petroleum). 

Teria sido tudo,  então, não motivado por um câncer, mas por algo mais profundamente arraigado na terra.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

"A MENTALIDADE OCIDENTAL NÃO PERMITE COMPREENDER O RISCO DA ISLAMIZAÇÃO" (Bispo Louis Sako)

TEXTO REPRODUZIDO DO BLOG VERA DEXTRAhttp://veradextra.blogspot.com/)                        segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O Ocidente não consegue compreender o risco da "islamização", alerta arcebispo iraquiano

O arcebispo iraquiano Louis Sako
Catholic News Agency: 11 de fevereiro de 2011
Original: West cannot understand risk of 'Islamization,' Iraqi archbishop warns
Tradução: Dextra

O mundo secular ocidental é incapaz de compreender em sua totalidade a ameaça de um "novo despertar do Islam" no Oriente Médio, de acordo com um bispo iraquiano acossado por movimentos radicais em sua própria arquidiocese.

Em um entrevista à agência de notícias SIR, dos bispos italianos, o arcebispo Louis Sako, de Kirkuk, no Iraque, chamou o Oriente Médio de um "vulcão assustador" por causa das possíveis consequências de revoltas generalizadas.
“Há forças e movimentos islâmicos que desejam mudar o Oriente Médio, criando estados islâmicos, califados, nos quais impere a lei da Xaria," alertou ele.

Grupos radicais presentes no Iraque, tais como a al-Qaida e o Ansar al Islam, estão apelando aos cidadãos em outras nações do Oriente Médio para que injetem um influência islâmica no que, sem isto, seriam protestos gerais em lugares como a Tunísia e o Egito.

Para o arcebispo Sako, estes apelos têm "a clara intenção de fomentar.. uma completa mudança religiosa" na região. “Estas são vozes que podem encontrar um solo fértil no Egito e em outras partes e portanto não devem ser subestimadas, inclusive porque há potências regionais cujos líderes têm definido estas revoltas como o 'novo despertar do Islam'", disse ele.

Na prática, o objetivo destes fundamentalistas é "criar um vácuo que possa ser preenchido com temas religiosos, convencidos... de que o Islam é a solução para tudo.” No Egito, os manifestantes insistem em que os protestos generalizados não são motivados por religião ou etnicidade, mas antes por uma insatisfação universal contra as condições sociais e políticas extremamente ruins.

Alguns temem, entretanto, que associações islâmicas organizadas, como a Irmandade Muçulmana, estão em uma posição ótima para tomarem proveito da confusão afim de se beneficiarem politicamente. Porque as revoltas podem ser manipuladas por oportunistas fundamentalistas, o arcebispo Sako chamou o Oriente Médio de "um vulcão assustador.”

Se o Egito se tornar um estado islâmico, disse ele, será "um problema para todos" e isto trará "ondas de choque negativas para as minorias cristãs.” De acordo com o arcebispo, a Europa e a América do Norte estão cegas para a possibilidade de tal "islamização" do Oridente Médio.

“A mentalidade ocidental não permite uma total compreensão deste risco," disse ele. Ele explicou que a política e a religião estão entretecidas no Oriente Médio, ao passo em que há "um tremendo vácuo" entre as duas nas nações ocidentais.

Isto resulta em dois extremismos, disse ele. A mentalidade do Oriente Médio é dominada pelo Islam, enquanto que um secularismo que nega suas raízes cristãs e relega os valores cristãos à esfera privada reina no Ocidente.

Embora não apareça uma "violença física" no Ocidente, a privatização geral do Cristianismo é "contra a democracia", disse ele. "No Oriente, entretanto, é o contrário: a religião permeia tudo.”

Ele chamou o futuro do Oriente Médio de "desconhecido e assustador" e disse que a comunidade internacional é "incapaz de se mover" em reação à recente guinada dos acontecimentos. Os cristãos iraquianos -- atormentados pela violência e falta de segurança -- vêem a crise egípcia com "tristeza", disse ele à SIR News. Eles temem que a nação do Norte da África possa cair na mesma divisão étnica e religiosa.

A própria arquidiocese do arcebispo Sako tem sido duramente atingida pela violência extremista. Nove cristãos morreram e outros 104 ficaram feridos em Kirkuk. O temor entre os sobreviventes em relação ao Egito, disse o líder da Igreja, é que ele venha a se tornar "um novo Iraque."