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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O GRANDE INIMIGO DO OCIDENTE.



DE OLHO NA JIHAD
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


http://antifaaktionerftstadt.blogsport.de/
O professor que sucedeu ao fundador da Irmandade Muçulmana, Hasan al-Banna, inspirou vários terroristas, mas as suas obras doutrinais também contribuíram para dividir a organização mais poderosa do Egipto depois do Exército. E a sua Ikhwan já não é o movimento radical que ele liderou.

Em Novembro de 1948, quando o rei Farouk ordenou a sua prisão, forçando-o a uma apressada partida para os Estados Unidos, Sayyid Qutb, o ideólogo da Irmandade Muçulmana, interrogava-se: “Devo ir para a América, como qualquer outro estudante com uma bolsa de estudos, que só come e dorme, ou devo ser especial? Devo manter-me fiel aos meus princípios islâmicos, enfrentando muitas tentações pecaminosas, ou devo ser indulgente com essas tentações à minha volta?”

Nesta viagem de Alexandria para Nova Iorque, descrita por Lawrence Wright emAs Torres do Desassossego, o fervoroso nacionalista e anticomunista Qutb nem sequer se considerava muito religioso. Havia muito de “ocidental” na sua maneira de ser e agir – “o vestuário, o gosto pela música clássica e filmes de Hollywood. Lera as obras traduzidas de Darwin e Einstein, Byron e Shelley, e imergira profundamente na Literatura francesa, sobretudo Victor Hugo.”

Em todo o caso, Qutb já se mostrava preocupado com “o avanço da civilização ocidental”, que ele via como uma entidade cultural única. “As distinções entre capitalismo e marxismo, cristianismo e judaísmo, fascismo e democracia eram insignificantes, comparadas com a grande divisão presente na mente de Qutb: o islão no Oriente, de um lado; o Ocidente cristão, do outro”, sublinhou Wright.

De início, a América atraía Qutb, um país que ele considerava “assente em valores” e não nas “noções europeias de superioridade e de classes e raças privilegiadas”, uma nação de imigrantes “permeável a relações com o resto do mundo”, incluindo os árabes. Isso mudou quando o Presidente Henry Truman decidiu apoiar a “causa sionista” e um “lar nacional” para os judeus na Palestina.

Quando Qutb seguia para Nova Iorque, o seu Egipto e outros países árabes estavam na fase final de uma guerra que perderam e estabeleceu o Estado de Israel, em 1948. “Odeio e desprezo todos esses ocidentais”, escreveu Qutb. “Todos eles, sem excepção, os ingleses, os holandeses e, também, os americanos, em quem tantos confiavam.”

Qutb era um solteirão casto e conservador. Tinha três irmãs mas a única mulher que realmente o influenciou foi a sua mãe, Fatima, analfabeta e devota que se sacrificou pela formação académica do filho. O pai morrera em 1933 quando Qutb tinha 27 anos. Para sustentar a família, deu aulas em várias escolas provinciais, até se mudar para Helwan, um bairro próspero do Cairo para onde todos foram viver.

Deixar o aconchego do lar acentuou o sentimento de isolamento e solidão de Qutb (expresso em várias cartas a amigos) quando ele se mudou para Nova Iorque e depois Washington (onde estudou Inglês no Wilson Teachers College) e Greeley/Colorado.

A sua chegada coincidiu com a publicação do relatório “Sexual Behavior in the Human Male”, de Alfred Kinsey, um documento repleto de estatísticas que chocaram a própria sociedade norte-americana. Kinsey revelava, por exemplo, que 69 por cento dos homens confessaram ter pago sexo com prostitutas e 37 por cento admitiram ter mantido relações homossexuais.

Para Qutb, esta imagem de um “país lascivo”, combinada com a de um “país racista”, que discriminava os negros e os “homens de cor” como ele, reforçou o seu cada vez maior fundamentalismo religioso. Em Fevereiro de 1949, quando Qutb foi internado no Hospital da Universidade de George Washington para extrair as amígdalas, os noticiários davam conta da morte de Hasan al-Banna, o carismático fundador da Sociedade dos Irmãos Muçulmanos (al-Ikhwan al-Muslimun), mais conhecida como Irmandade (al-ikhwān).

Foi um “choque profundo” para Qutb, ainda nunca que nunca tivesse sido membro da confraria nem conhecesse, pessoalmente, al-Banna, mas ambos frequentaram a mesma escola de formação de professores, em épocas diferentes, e admiravam-se mutuamente.

“A voz de Banna foi silenciada quando ‘Justiça Social no Islão’, da autoria de Qutb, estava a ser publicado – o livro que lhe daria a reputação de importante pensador islâmico”, realçou Wright. A morte de al-Banna representou um ponto de viragem. A 20 de Agosto de 1950, Qutb regressou ao Egipto para assumir a liderança da Irmandade e reforçar a estrutura de células clandestinas, “difíceis de detectar e impossíveis de erradicar”, envolvida numa série de ataques e homicídios. Em Julho de 1952, os Oficiais Livres, de Gamal Abdel Nasser, derrubaram a monarquia e Qutb escreveu uma carta aos novos dirigentes pedindo a instauração de uma “ditadura justa”.

Nasser convidou Qutb para conselheiro do Conselho do Comando Revolucionário, mas ele recusou. Também declinou ser ministro da Educação ou director-geral da Rádio do Cairo. Nasser queria um regime militar, socialista, secular, industrializado e pan-árabe; Qutb queria “mudar a sociedade da base ao topo, impondo valores islâmicos em todos os aspectos da vida, através da aplicação rigorosa da ‘Shariah’ – menos que isto não era islão”.

A única coisa de comum entre ambos, sublinhou Wright, “era a grandeza das visões respectivas”. Qutb foi preso por ordem de Nasser, pela primeira vez, em 1954, mas foi libertado, três meses depois, e foi editar a revista da Irmandade, “al-Ikhwan al-Muslimun”. Os seus artigos críticos enfureceram Nasser e, em 1954, a revista foi encerrada. A “guerra ideológica” entre os dois atingiu o pico na noite de 26 de Outubro de 1954 quando Nasser foi ferido a tiro, por um activista da Irmandade, no momento em que discursava perante uma multidão concentrada numa praça pública em Alexandria.

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Ao sobreviver, Nasser tornou-se herói e Qutb um mártir. Foi preso e torturado na prisão, mas foi também aqui, sofrendo de tuberculose, pneumonia e bronquite, que escreveu cinco das suas oito obras doutrinais. A mais importante foi “Ma’alim fia l-Tariq”, divulgada e traduzida no exterior, depois de sair, folha a folha, clandestinamente, da sua cela numa enfermaria. Aquele livro foi a única prova apresentada em tribunal para o condenar à morte, em 19 de Abril de 1966.
Ao ouvir o veredicto, Qutb exclamou: “Graças a Deus. Fiz a 'jihad' durante 15 anos e mereci este martírio.” As ruas do Cairo encheram-se de manifestantes, em protestos contra a iminente execução. Nasser enviou o seu vice-presidente, Anwar el-Sadat, ao hospital prisional onde Qutb estava internado, para o convencer a recorrer da sentença. Prometeram-lhe que seria perdoado, e até promovido a ministro da Educação. Uma irmã de Qutb pediu-lhe que cedesse. Ele recusou, e justificou: “As minhas palavras serão mais fortes se eles me matarem.”

Em 29 de Agosto de 1996, Qutb foi enforcado após a primeira oração matinal. O seu corpo não foi entregue à família, porque as autoridades temiam que o túmulo se tornasse centro de peregrinação. A "jihad" de Qutb não terminaria, porém, nessa alvorada.

(Dados extraídos do “Novo Dicionário do Islão”, de Margarida Santos Lopes, Ed. Oficina do Livro)

quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

KADAFI ACUMULOU 1 BILHÃO DE DÓLARES PARA CADA ANO DE SUA VIDA. Como os ditadores sempre enriquecem, devem ser ótimos empresários ou economistas...

Fortuna de Kadafi chega a US$ 70 bi

23 de fevereiro de 2011|

Jamil Chade - O Estado de S.Paulo

Filho de um pastor beduíno, Muamar Kadafi usou o petróleo, corrupção e opressão para construir um fundo de investimentos de US$ 70 bilhões, que hoje tem seus tentáculos em todos os setores e regiões do mundo.

Ainda que o dinheiro venha do petróleo do país, o setor financeiro internacional considera a Autoridade de Investimentos da Líbia como uma empresa da família Kadafi. A eventual queda do ditador, portanto, poderia ter repercussões para dezenas de empresas pelo mundo.


Sem distribuir os recursos à população, a família Kadafi rapidamente acumulou uma fortuna e diversificou seus negócios. Seu fundo acumulou ainda lucros de US$ 2,5 bilhões em apenas quatro anos. Em 2010, comprou por quase US$ 400 milhões 3% das ações da Pearson, empresa que está por trás do Financial Times.


Na Grã-Bretanha, que hoje patrocina uma resolução na ONU contra Kadafi, o líbio ainda comprou uma série de propriedades. Na Rua Oxford, o ditador pagou mais de US$ 200 milhões pelo famoso edifício conhecido como Portman House.


Nos EUA, o Grupo Carlyle é parte dos parceiros do fundo de Kadafi, que também investe no setor têxtil da África. Em ações pelo mundo, o fundo ainda investiu US$ 1,5 bilhão. Na Áustria, a empresa de Kadafi comprou 10% da maior fabricante de tijolos do mundo, a Wienerberger.


Na Itália, a presença de Kadafi é ainda mais impressionante. Não por acaso, a bolsa de Milão é a que mais sofre com a crise em Trípoli. De ex-colônia italiana, a Líbia passou a ajudar empresas de Roma e Turim.
Em pelo menos três ocasiões, salvou a Fiat de graves problemas financeiros. A última vez foi em 2002, quando Kadafi comprou 2% da empresa. Os líbios detêm 7,5% do UniCredit, um dos maiores bancos da Itália, além de 2% no principal grupo industrial de armamento, Finmeccanica.


O líbio tem 7,5% das ações da Juventus, o time com maior número de títulos do futebol italiano. Isso, claro, para que seu filho fosse escalado para algumas partidas como jogador. Na África, os investimentos em telecomunicações começaram em 2007, como em Uganda e outros sete países. Ainda comprou 24% da empresa Circle Oil, responsável pela exploração de gás no Egito, Marrocos, Namíbia, Omã e Tunísia.


No Brasil, os responsáveis pelo fundo buscam terras e afirmam que teriam US$ 500 milhões para gastar, segundo fontes da Câmara Brasil-Países Árabes.
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110223/not_imp683316,0.php


COMENTO


Observo como os ditadores, em geral, e muitos socialistas, em particular, conseguem, pregando o sacrifício ao seu povo, dificultando a vida das pessoas, iludindo-as como se fossem os pais da pátria (vimos este filme recentemente, não?) acumulam fortunas gigantescas, como se fosse gênios capitalistas dos negócios.


Muammar al-Kadafi tem 70 anos, era filho de um pastor de rebanhos, chegou ao poder em 1969, tem 70 anos de idade e 1 bilhão de dólares por ano de vida. Com todo o seu discurso socialista tornou-se riquíssimo. Fidel é outro milionário, segundo a revista Forbes. O que os faz acumularem tanto dinheiro, enquanto seu povo vive na miséria?


Kadafi é uma verdadeira multinacional. E todo mundo fez negócios com ele, todo mundo alimentou o monstro, centenas de empresas fazem negócios com as empresas dele. O que acontecerá se Kadafi for destituído ou seus bens confiscados? Haverá uma quebradeira ao redor do mundo?


Muita gente no chamado mundo livre será também um pouco responsável por isso. Será que a liberdade econômica ou a livre iniciativa, ou o pragmatismo podem justificar qualquer coisa?

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

O SUSPEITO OLHAR COMPASSIVO DA IMPRENSA OCIDENTAL EM DIREÇÃO AO POVO LÍBIO. E se Kadafi estivesse nas boas graças do Islão e da esquerda?


http://ibnlive.in.com/news/france-egypt-to-evacuate-citizens-from-libya/144079-2.html

Repentinamente, a imprensa mundial começa a dar novamente atenção à Líbia. A Líbia, aquela ditadura controlada por Muamar Kadafi, com mãos de ferro, desde 1969, foi redescoberta. Porém, agora, a imprensa Ocidental olha de modo compassivo não Kadafi, mas o povo líbio. Repentinamente Kadafi não serve mais para a imprensa.

A história da Líbia, com relação à Imprensa, é curiosa.
Nos anos  70, Kadafi, por meio de seu modo histriônico e sua pinta de galã conseguiu ocupar muito espaço na imprensa e no imaginário ocidental, como se fosse uma espécie de Che Guevara do mundo árabe. Sempre agitando o seu Livro Verde (uma cópia islamizada do Livro Vermelho, de Mao Tse Tung).

Com sua revolução socialista-islâmica - algo tão nebuloso quanto o bolivarianismo de Hugo Chávez, o Kadafi da Venezuela - Muamar Kadafi era olhado com imensa simpatia pela esquerda, pelo seu discurso violento contra os americanos, o capitalismo e o Ocidente. Portanto, era olhado com extrema simpatia boa parte da imprensa, infiltrada pela esquerda. Isso não difere muito da situação da imprensa brasileira, em que jornalistas agem muito mais como agentes de propaganda que jornalistas.

É bom lembrar que eram os tempos da Guerra do Vietnã (aquele lugar em que os americanos não perderam a guerra nos campos de batalha). Naquele período, de plena guerra fria, a agitação comunista assolou a America e a Europa, disfarçada em meio ao mundo universitário e artístico. Multidões de americanos iam às ruas protestar, contra os americanos!

E, assim, a Opinião Pública, alimentada pela paixão ideológica de boa parte da imprensa, do establishment universitário, foi manipulada até que continuar a guerra foi impossível. A guerra foi vencida pelos vietcongues dentro da America, com a ajuda da esquerda americana e mundial. No cenário da guerra guerra, nas trilhas de Ho Chi Mim, os vietcongues estavam sendo vencidos (essa é outra história que precisa ser recontada: como uma derrota militar transformou-se em uma vitória política). 

Alguns anos depois disso, com a America abalada, Kadafi financiou terroristas, cedeu terrenos na Líbia para treinamento e o mundo passou por uma série de atentados. Muitos deles por ordem de Kadafi, ou estimulados por ele.

O Ocidente mostrou-se fraco para reagir aos ataques corrosivos da estratégia de Moscou de solapar a America por dentro, e parte da Imprensa e do mundo das artes cultuava Che, Kadafi e outros revolucionários que queriam colocar fogo no mundo.
No fim dos anos 80 Kadafi acabou bombardeado em seu próprio território, quando mísseis americanos destruíram seu palácio, ocasião em que ele ficou bastante ferido e desfigurado e em que perdeu sua filha Hannah. Ele havia ido além do limite e explodido uma discoteca, em Berlim, cheia de americanos.

Depois disso Kadafi não interessou mais à imprensa. Pressionado pelo Ocidente reconheceu a culpa da Líbia em diversos atentados e pagou indenizações à famílias das centenas de vítimas. A Líbia tem muito petróleo, Kadafi podia gastar à vontade (mais uma coincidência com a Venezuela).

Mas as coisas mudam. Assim como muitos ditadores árabes Kadafi, embora muçulmano, afastou das proximidades do poder os religiosos comandantes do Islão. A atual onda de rebeliões no mundo árabe está sendo percebida, de modo geral, de forma absolutamente equivocada pela imprensa ocidental. (Ao menos, prefiro imaginar isso).

Não é curioso que as revoltas para derrubar os ditadores (os árabes têm reis ou ditadores, nunca conheceram a democracia) ocorram, sempre, nos países em que os religiosos estão fora do poder como no Irã?

Não é mais curioso ainda que as revoltas ocorram apenas na ditaduras aliadas aos americanos? Sim, os americanos também são aliados de ditaduras, mas essa é outra história.

Não há revoltas populares gigantescas no Irã. Houve uma ameaça por estes dias, mas o governo já avisou que será implacável e soltará os pitt-bulls da Guarda Revolucionária. A guarda é aquela que Ahmadnejadi (o outro amigão de Lula, como Kadafi, como Chávez, e como Fidel...) soltou contra a oposição iraniana quando houve aquela fraude brutal em que ele foi reeleito (estou falando de Ahmadnejadi!). Por que não há revolta na Síria?

A imprensa ocidental, afinada com a esquerda, é incapaz de ter o mesmo olhar compassivo com relação aos que são perseguidos no Irã, ou em Cuba, ou na Coréia do Norte, aquele olhar longo e intenso que é capaz de dispensar aos líbios. 

Mas, não se iludam! Hoje, o povo líbio está sendo olhado pela imprensa e pela esquerda porque Kadafi só usa uma retórica socialista-islâmica (isso nunca foi uma coisa muito clara), e fez as pazes com os americanos. Assim, ele foi abandonado pela esquerda e poderá ser jogado do navio. É tão claro! 

Até aquele grupo suave e doce dos componentes do Hamas condenaram ontem a violência de Kadafi contra seu povo. Mas é uma compaixão cínica e mentirosa, pois eles mesmo usam seu próprio povo palestino como escudo quando atacam Israel. São covardes da pior espécie. Se Kadafi estivesse nas graças dos esquerdistas islâmicos, nunca seria dado um pio em protesto contra Kadafi, ele poderia eliminar milhares de líbios, sem maior repercussão na imprensa internacional.

Os grupos islamicos como o Hamas e outros semelhantes, que ora criticam a violência de Kadafi, explodem ônibus escolares cheios de crianças com a despreocupação de quam pisa distraído em uma barata. Crianças israelensses, é claro. (Ah! então tudo bem né?).

Se estivesse ainda nas graças da esquerda, Kadafi teria a mesma paz que Sadam Hussein conseguiu quando eliminou vilas inteiras de curdos do norte do Iraque, ou a mesma paz mundial concedida aos malucos dos talebãs que aterrorizaram e cometeram barbaridades contra seu próprio povo, em nome de Alá. Os talebãs tinham carta branca para a destruição.

Para fechar: a imprensa chia, denuncia, e mostra mãos crispadas e mães chorando na TV sempre de um lado só. Não há quam se compadeça com as centenas de presos políticos de Cuba (desordeiros comuns, diria Lula?) ou com a morte dos que se opuseram ao governo do Irã. Ou com as mães de Israel.

Este é um tempo que envergonha os jornalistas, os verdadeiros jornalistas, aqueles que militam para buscar a verdade dos fatos, e não aqueles que já não são jornalistas, abandonaram a profissão, não passando de meros militantes engajados na promoção de ditadores totalitários.

terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

MILITARES, BANQUEIROS, PREGADORES

Mais uma grande lição do filósofo Olavo de Carvalho.

Os donos do mundo
Olavo de Carvalho
Diário do Comércio, 21 de fevereiro de 2011

As forças históricas que hoje disputam o poder no mundo articulam-se em três projetos de dominação global: o “russo-chinês” (ou “eurasiano”), o “ocidental” (às vezes chamado erroneamente “anglo-americano”) e o “islâmico”.

Cada um tem uma história bem documentada, mostrando suas origens remotas, as transformações que sofreu ao longo do tempo e o estado atual da sua implementação.
Os agentes que os personificam são respectivamente:
1. A elite governante da Rússia e da China, especialmente os serviços secretos desses dois países.
2. A elite financeira ocidental, tal como representada especialmente no Clube Bilderberg, no Council of Foreign Relations e na Comissão Trilateral.
3. A Fraternidade Muçulmana, as lideranças religiosas de vários países islâmicos e alguns governos de países muçulmanos.

Desses três agentes, só o primeiro pode ser concebido em termos estritamente geopolíticos, já que seus planos e ações correspondem a interesses nacionais e regionais bem definidos. O segundo, que está mais avançado na consecução de seus planos de governo mundial, coloca-se explicitamente acima de quaisquer interesses nacionais, inclusive os dos países onde se originou e que lhe servem de base de operações. No terceiro, eventuais conflitos de interesses entre os governos nacionais e o objetivo maior do Califado Universal acabam sempre resolvidos em favor deste último, que que hoje é o grande fator de unificação ideológica do mundo islâmico.

As concepções de poder global que esses três agentes se esforçam para realizar são muito diferentes entre si porque brotam de inspirações heterogêneas e às vezes incompatíveis.
Embora em princípio as relações entre eles sejam de competição e disputa, às vezes até militar, existem imensas zonas de fusão e colaboração, ainda que móveis e cambiantes. Este fenômeno desorienta os observadores, produzindo toda sorte de interpretações deslocadas e fantasiosas, algumas sob a forma de “teorias da conspiração”, outras como contestações soi disant“realistas” e “científicas” dessas teorias.

Boa parte da nebulosidade do quadro mundial é produzida por um fator mais ou menos constante: cada um dos três agentes tende a interpretar nos seus próprios termos os planos e ações dos outros dois, em parte para fins de propaganda, em parte por genuína incompreensão.

As análises estratégicas de parte a parte refletem, cada uma, o viés ideológico que lhe é próprio. Ainda que tentando levar em conta a totalidade dos fatores disponíveis, o esquema russo-chinês privilegia o ponto de vista geopolítico e militar, o ocidental o ponto de vista econômico, o islâmico a disputa de religiões.

Essa diferença reflete, por sua vez, a composição sociológica das classes dominantes nas áreas geográficas respectivas:
1) Oriunda da Nomenklatura comunista, a classe dominante russo-chinesa compõe-se essencialmente de burocratas, agentes dos serviços de inteligência e oficiais militares.
2) O predomínio dos financistas e banqueiros internacionais noestablishment ocidental é demasiado conhecido para que seja necessário insistir sobre isso.
3) Nos vários países do complexo islâmico, a autoridade do governante depende substancialmente da aprovação da umma – a comunidade multitudinária dos intérpretes categorizados da religião tradicional. Embora haja ali uma grande variedade de situações internas, não é exagerado descrever como “teocrática” a estrutura do poder dominante.

Assim, pela primeira vez na história do mundo, as três modalidades essenciais do poder – político-militar, econômico e religioso – encontram-se personificadas em blocos supranacionais distintos, cada qual com seus planos de dominação mundial e seus modos de ação peculiares. Isso não quer dizer que cada um não atue em todos os fronts, mas apenas que suas respectivas visões históricas e estratégicas são delimitadas, em última instância, pela modalidade de poder que representam. Não é exagero dizer que o mundo de hoje é objeto de uma disputa entre militares, banqueiros e pregadores.

Praticamente todas as análises de política internacional hoje disponíveis na mídia do Brasil ou de qualquer outro país refletem a subserviência dos “formadores de opinião” a uma das três correntes em disputa, e portanto o desconhecimento sistemático de suas áreas de cumplicidade e ajuda mútua.

Esses indivíduos julgam fatos e “tomam posições” com base nos valores abstratos que lhes são caros, sem nem mesmo perguntar se suas palavras, na somatória geral dos fatores em jogo no mundo, não acabarão concorrendo para a glória de tudo quanto odeiam. Os estrategistas dos três grandes projetos mundiais estão bem alertados disso, e incluem os comentaristas políticos – jornalísticos ou acadêmicos – entre os mais preciosos idiotas úteis a seu serviço.
FONTE: http://www.olavodecarvalho.org/semana/110221dc.html

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SE O HIZBOLLAH PERDER A MEMÓRIA...

Israel 'pode ter que entrar de novo no Líbano'

Reproduzido do blog Vera Dextra (http://veradextra.blogspot.com/)

Quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011
The Telegraph via RETRO-AGGREGATOR, 16 de fevereiro de 2010
Original: Israel 'may have to re-enter Lebanon'
Tradução: Dextra

O exército israelense pode ter que entrar novamente no Líbano para garantir que o Hizbollah se lembre da lição da guerra de 2006, segundo Ehud Barak.

Falando durante um giro pela fronteira norte com o novo chefe do gabinete militar, Benny Gantz, o ministro da defesa disse: "Embora haja tranquilidade e a dissuasão funcione -- o Hizbollah se lembra da grande surra que levou de nós em 2006 -- isto não é para sempre e podemos ser levados a entrarmos de novo."

"Devemos estar preparados para qualquer prova," disse o sr. Barak aos soldados, de acordo com o jornal Haaretz. "O segredo é se reagir rápido na eventualidade de que algo aconteça, dentro de segundos, traduzindo tudo o que se aprendeu no treinamento."

A guerra de 34 dias, em 2006, com a milícia xiita libanesa, matou 1 200 pessoas no Líbano, a maioria civis, e 160 israelenses, a maioria soldados.

O sr. Mubarak também comentou os distúrbios na Tunísia e no Egito, insistindo em que o tratado de paz com Cairo deve continuar valendo.

"A região toda está mudando diante de nossos olhos, " disse ele. "Nós vemos o que aconteceu no Líbano -- o governo mudou para um outro que é menos do que confortável [para Israel] por muitas razões e está mais ligado ao Hezbollah. Nós vimos o que aconteceu na Tunísia e no Egito."

[fim do artigo]

Dextra: Uma nova guerra de Israel com os sociopatas islâmicos do Hizballah em uma escala maior do que a última, de 2006, não é uma questão de "se". É questão de "quando". O grupo terrorista libanês já há algum tempo está se preparando para tomar o poder no país e quando isto acontecer, as Forças Armadas de Israel  terão que agir com a violência de costume. Veja nossas traduções de artigos sobre o caso -- 1, 2, 3, 4, 5.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MUBARAK AFASTOU-SE DO PODER, MAS REGIME CONTINUA

HOSNI MUBARAK, EX-DITADOR EGÍPCIO
(https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEiNlgr02daIp9cvbLuK39MZSuliJc6DeTKMlEBgySPaKsC0vy5cqqwoeNppxYvmR65w3R7fb3DqwA-clJKHj6PFKktd6XH8XtCO7Tj6o3a38BBstZoLqnMcTVe0nAfo_GarzUPrbBXxJnlE/s1600/mubarak2.jpg)
Talvez para evitar uma guerra-civil Hosni Mubarak tenha preferido renunciar após a pressão, de quase 20 dias, feita por multidões no Cairo.
Mas, os que pensavam em tomar o poder no grito (apesar de Mubarak ser um ditador) ainda não conseguiram seu intento.
O Exército fará a transição.
E o Exército egípcio não é aliado da Irmandade Muçulmana.
Os que pretendem incendiar todo o Oriente Médio terão que aguardar algum tempo.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

MUBARAK WON´T LEAVE OFFICE; MUSLIM BROTHERHOOD ANGRY. Ou: Mubarak deixará o poder mais tarde.

Finalmente Hosni Mubarak falou ao povo egípcio, e disse que não vai renunciar, embora quem vá responder pelo governo seja o vice Omar Suleiman. Os manifestantes, que ocupavam a praça Tahrir não gostaram muito, e correspondentes dizem que houve fúria.

Mas, é preciso notar que o Egito é um país com 72 milhões de habitantes e na praça Tahrir algumas centenas de milhares de pessoas podem passar a impressão de que todo o Egito quer Mubarak fora.

Será mesmo assim? Embora Mubarak seja um ditador, o país não tem uma população controlada pelos islâmicos fundamentalistas que, de fato, estão por trás das manifestações que abalam o país há dias. 

Talvez  parte da população queria ver Mubarak pelas costas, mas quem querem ver em seu lugar? Essa é a pergunta que muitos não fazem no Ocidente, acreditando que os egípcios estão apenas desejando um regime democrático.

Muitos poderão querer algo como a democracia, mas mais gente ainda não quererá viver sobre a chibata islâmica fundamentalista associada aos amigos da Muslim Brotherhood. 

O Egito tem mais de 11% de seu PIB dependente da indústria turística que, em 2010, recebeu mais de 12 milhões de visitantes (o dobro do que recebeu o Brasil). O prejuízo do setor turístico já ultrapassa, em muito, 1 bilhão de dólares. Isso não é pouco dinheiro.

Com a crise se prolongando, muito mais gente sofrerá. Acho que os radicais e os manipulados por eles terão que voltar para casa, pois começarão a ser pressionados pelos seus próprios compatriotas que, neste caso, são a maioria.

Part of Mubarak speech (CNN)

..."Dear citizens, the priority right now is regaining the sense of confidence in Egyptians and a sense of trust in our economy, our reputation. Change and transfer that we have already started and that is not going to bring us any sort of step backwards.
Egypt is passing through a critical juncture. We should not ever permit that this is going to continue because this affects negatively our economy. Negative repercussions on our economy day after day would lead to a situation where we find those youth who had called for change, they would really be endangered out of the movement.
This critical juncture is not at all co-relevant to me personally, it's not co-relevant to Hosni Mubarak, but now Egypt is a top priority. It's present, it's future, the future of the coming generations, all of the Egyptian people now are all in one boat, in one corner, and we have to continue the national dialogue that we have already started with the spirit of a team and away from any sense of animosity and any sense of differences. So that we would overcome this critical juncture, and so that we would regain confidence in our economy and we would retain security and stability on the Egyptian street."...