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sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

O GRANDE INIMIGO DO OCIDENTE.



DE OLHO NA JIHAD
quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011


http://antifaaktionerftstadt.blogsport.de/
O professor que sucedeu ao fundador da Irmandade Muçulmana, Hasan al-Banna, inspirou vários terroristas, mas as suas obras doutrinais também contribuíram para dividir a organização mais poderosa do Egipto depois do Exército. E a sua Ikhwan já não é o movimento radical que ele liderou.

Em Novembro de 1948, quando o rei Farouk ordenou a sua prisão, forçando-o a uma apressada partida para os Estados Unidos, Sayyid Qutb, o ideólogo da Irmandade Muçulmana, interrogava-se: “Devo ir para a América, como qualquer outro estudante com uma bolsa de estudos, que só come e dorme, ou devo ser especial? Devo manter-me fiel aos meus princípios islâmicos, enfrentando muitas tentações pecaminosas, ou devo ser indulgente com essas tentações à minha volta?”

Nesta viagem de Alexandria para Nova Iorque, descrita por Lawrence Wright emAs Torres do Desassossego, o fervoroso nacionalista e anticomunista Qutb nem sequer se considerava muito religioso. Havia muito de “ocidental” na sua maneira de ser e agir – “o vestuário, o gosto pela música clássica e filmes de Hollywood. Lera as obras traduzidas de Darwin e Einstein, Byron e Shelley, e imergira profundamente na Literatura francesa, sobretudo Victor Hugo.”

Em todo o caso, Qutb já se mostrava preocupado com “o avanço da civilização ocidental”, que ele via como uma entidade cultural única. “As distinções entre capitalismo e marxismo, cristianismo e judaísmo, fascismo e democracia eram insignificantes, comparadas com a grande divisão presente na mente de Qutb: o islão no Oriente, de um lado; o Ocidente cristão, do outro”, sublinhou Wright.

De início, a América atraía Qutb, um país que ele considerava “assente em valores” e não nas “noções europeias de superioridade e de classes e raças privilegiadas”, uma nação de imigrantes “permeável a relações com o resto do mundo”, incluindo os árabes. Isso mudou quando o Presidente Henry Truman decidiu apoiar a “causa sionista” e um “lar nacional” para os judeus na Palestina.

Quando Qutb seguia para Nova Iorque, o seu Egipto e outros países árabes estavam na fase final de uma guerra que perderam e estabeleceu o Estado de Israel, em 1948. “Odeio e desprezo todos esses ocidentais”, escreveu Qutb. “Todos eles, sem excepção, os ingleses, os holandeses e, também, os americanos, em quem tantos confiavam.”

Qutb era um solteirão casto e conservador. Tinha três irmãs mas a única mulher que realmente o influenciou foi a sua mãe, Fatima, analfabeta e devota que se sacrificou pela formação académica do filho. O pai morrera em 1933 quando Qutb tinha 27 anos. Para sustentar a família, deu aulas em várias escolas provinciais, até se mudar para Helwan, um bairro próspero do Cairo para onde todos foram viver.

Deixar o aconchego do lar acentuou o sentimento de isolamento e solidão de Qutb (expresso em várias cartas a amigos) quando ele se mudou para Nova Iorque e depois Washington (onde estudou Inglês no Wilson Teachers College) e Greeley/Colorado.

A sua chegada coincidiu com a publicação do relatório “Sexual Behavior in the Human Male”, de Alfred Kinsey, um documento repleto de estatísticas que chocaram a própria sociedade norte-americana. Kinsey revelava, por exemplo, que 69 por cento dos homens confessaram ter pago sexo com prostitutas e 37 por cento admitiram ter mantido relações homossexuais.

Para Qutb, esta imagem de um “país lascivo”, combinada com a de um “país racista”, que discriminava os negros e os “homens de cor” como ele, reforçou o seu cada vez maior fundamentalismo religioso. Em Fevereiro de 1949, quando Qutb foi internado no Hospital da Universidade de George Washington para extrair as amígdalas, os noticiários davam conta da morte de Hasan al-Banna, o carismático fundador da Sociedade dos Irmãos Muçulmanos (al-Ikhwan al-Muslimun), mais conhecida como Irmandade (al-ikhwān).

Foi um “choque profundo” para Qutb, ainda nunca que nunca tivesse sido membro da confraria nem conhecesse, pessoalmente, al-Banna, mas ambos frequentaram a mesma escola de formação de professores, em épocas diferentes, e admiravam-se mutuamente.

“A voz de Banna foi silenciada quando ‘Justiça Social no Islão’, da autoria de Qutb, estava a ser publicado – o livro que lhe daria a reputação de importante pensador islâmico”, realçou Wright. A morte de al-Banna representou um ponto de viragem. A 20 de Agosto de 1950, Qutb regressou ao Egipto para assumir a liderança da Irmandade e reforçar a estrutura de células clandestinas, “difíceis de detectar e impossíveis de erradicar”, envolvida numa série de ataques e homicídios. Em Julho de 1952, os Oficiais Livres, de Gamal Abdel Nasser, derrubaram a monarquia e Qutb escreveu uma carta aos novos dirigentes pedindo a instauração de uma “ditadura justa”.

Nasser convidou Qutb para conselheiro do Conselho do Comando Revolucionário, mas ele recusou. Também declinou ser ministro da Educação ou director-geral da Rádio do Cairo. Nasser queria um regime militar, socialista, secular, industrializado e pan-árabe; Qutb queria “mudar a sociedade da base ao topo, impondo valores islâmicos em todos os aspectos da vida, através da aplicação rigorosa da ‘Shariah’ – menos que isto não era islão”.

A única coisa de comum entre ambos, sublinhou Wright, “era a grandeza das visões respectivas”. Qutb foi preso por ordem de Nasser, pela primeira vez, em 1954, mas foi libertado, três meses depois, e foi editar a revista da Irmandade, “al-Ikhwan al-Muslimun”. Os seus artigos críticos enfureceram Nasser e, em 1954, a revista foi encerrada. A “guerra ideológica” entre os dois atingiu o pico na noite de 26 de Outubro de 1954 quando Nasser foi ferido a tiro, por um activista da Irmandade, no momento em que discursava perante uma multidão concentrada numa praça pública em Alexandria.

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Ao sobreviver, Nasser tornou-se herói e Qutb um mártir. Foi preso e torturado na prisão, mas foi também aqui, sofrendo de tuberculose, pneumonia e bronquite, que escreveu cinco das suas oito obras doutrinais. A mais importante foi “Ma’alim fia l-Tariq”, divulgada e traduzida no exterior, depois de sair, folha a folha, clandestinamente, da sua cela numa enfermaria. Aquele livro foi a única prova apresentada em tribunal para o condenar à morte, em 19 de Abril de 1966.
Ao ouvir o veredicto, Qutb exclamou: “Graças a Deus. Fiz a 'jihad' durante 15 anos e mereci este martírio.” As ruas do Cairo encheram-se de manifestantes, em protestos contra a iminente execução. Nasser enviou o seu vice-presidente, Anwar el-Sadat, ao hospital prisional onde Qutb estava internado, para o convencer a recorrer da sentença. Prometeram-lhe que seria perdoado, e até promovido a ministro da Educação. Uma irmã de Qutb pediu-lhe que cedesse. Ele recusou, e justificou: “As minhas palavras serão mais fortes se eles me matarem.”

Em 29 de Agosto de 1996, Qutb foi enforcado após a primeira oração matinal. O seu corpo não foi entregue à família, porque as autoridades temiam que o túmulo se tornasse centro de peregrinação. A "jihad" de Qutb não terminaria, porém, nessa alvorada.

(Dados extraídos do “Novo Dicionário do Islão”, de Margarida Santos Lopes, Ed. Oficina do Livro)

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A ESQUERDA E O ISLÃ DE MÃOS DADAS (PARTE II)

A mídia atual é um perfeito instrumento que incentiva o ódio a tudo aquilo que nos identifica, representa e estrutura socialmente: a moral cristã, os valores familiares, o direito à vida, o direito à propriedade, o senso de dever e solidariedade, a livre iniciativa, etc.

E contraditoriamente, esta mesma fábrica de desinformação e propaganda nos dita como bajular os nossos inimigos, no sentido pervertido de sujeitar-nos covardemente sob os caprichos de nossos algozes.

Daí a Europa envergonhada de suas origens cristãs, rendendo loas ao Islã que a odeia ou à tirania comunista, que almeja escravizá-la como gado.

Ou a democracia que aprova as atrocidades islâmicas de extirpação do clitóris ou espancamento de mulheres sob as vistas grossas das feministas e das organizações de direitos humanos, em pleno ocidente. Tudo em nome do multiculturalismo, naturalmente!
O islão terrorista também sabe se aproveitar da democracia liberal. Enquanto o método esquerdista é o da desinformação em massa e da escandalosa colaboração política com os governos e grupos fanáticos muçulmanos, as práticas islâmicas visam o terror e a intimidação, mescladas com a chantagem psicológica (embora esse expediente seja comum ao histórico dos movimentos comunistas).

Na verdade, o  Islão aprendeu, e muito, com o movimento comunista. Os grupos terroristas muçulmanos atuais só existem porque foram treinados e armados através de uma elaborada organização logística da KGB soviética. Alguém duvida que as ditaduras islâmicas são armadas pelos países comunistas?

A OLP, o Hammas, o Hezbollah, e outros, são produtos da guerra fria, crias subversivas da Rússia. Como as ditaduras da Síria, do Irã e mesmo a antiga ditadura de Saddam Hussein foram inspiradas no modelo soviético.

É um erro e uma tolice acreditar que a população islâmica destes países esteja preparada para a democracia, nos moldes ocidentais. A "revolução árabe" no Egito, alardeada como uma luta pela democracia na mídia ocidental é tão somente um prelúdio para outra ditadura islâmica atroz, tal como é atualmente o Irã, com a ascensão do aiatolá Khomeini. 

Erro maior ainda foi a política ocidental com relação aos cidadãos islâmicos nascidos no continente europeu. A política multiculturalista das esquerdas, com a tolerância dos liberais, visou separá-los da comunidade e dos valores ocidentais.

Ao invés de assimilá-los, acabou criando duas comunidades distintas, cujo abismo cultural é assustador. No final das contas, a população islâmica europeia é uma bomba-relógio pronta para explodir e incendiar o velho continente.

Leia o texto integral de Leonardo Bruno

 "A esquerda e o Islã de mãos dadas – Parte II"  no blog  http://bootlead.blogspot.com/

AFINAL, QUAL O PAPEL DA IMPRENSA NA DEMOCRACIA?


Faço questão de reproduzir, integralmente, este post do Coronel, do blog Coturno Noturno, porque o autor é dos mais importantes observadores do comportamento maroto, mentiroso e covarde da Imprensa.
E os jornalistas alinhados com o governo (além do interesse dos veículos nos milhões gastos pelo Governo por ano em anúncios, muitos de natureza duvidosa) ainda tem a cara de pau de dizer que há uma imprensa golpista. 
Se a Imprensa deu ou quer dar algum golpe, foi no Código de Ética, na técnica de produção de reportagens, nos métodos de aferição jornalísticos, e acabará dando um na Democracia.
Exceto alguns jornalistas persistentes, a maioria hoje parece trabalhar nas assessorias de comunicação. Nada tenho contra as assessorias, mas assessoria trabalha com  informação e propaganda. Jornalismo é outra coisa. 
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domingo, 20 de fevereiro de 2011

O Brasil merece uma imprensa melhor.

Para que servem as campanhas eleitorais? Para que a opinião pública seja informada das propostas de cada candidato.  Para, a partir das promessas e compromissos assumidos por eles, fazermos as nossas escolhas. Para isso são destinados centenas e centenas de milhões dos cofres públicos. Somos submetidos a infindáveis minutos de horário eleitoral gratuito, que nos roubam o único lazer barato: a televisão. Somos atacados em nossas privacidades por emails, cartas, telefonemas.
As ruas são transformadas em um imenso outdoor, onde os partidos e seus representantes reafirmam o que disseram no rádio e na TV. E temos as pesquisas eleitorais. Primeiro, mensalmente. Depois, semanalmente. Ao final, diariamente, elas comprovam a aceitação ou não do que é prometido. Obviamente, existe a compra de votos pelo uso da máquina pública, como todos vimos nas últimas eleições presidenciais, quando o ex-presidente velhaco deixou de governar, comandou uma gastança que gerou um rombo de R$ 50 bilhões, foi multado mais de dez vezes, riu e ironizou a Justiça.
Mas o que contou mesmo foi o programa de governo apresentado pelos dois candidatos que polarizaram a disputa, no segundo turno. Dilma, o poste, a mamulenga, a invenção do velhaco, venceu. E venceu porque mentiu mais. Tanto mentiu que, hoje, está roubando vergonhosamente as idéias e propostas do seu adversário, às quais desqualificou durante a campanha eleitoral. Dois exemplos? O Protec, o Prouni do ensino técnico e, agora, a progressão continuada, que tanto atacou.
A culpa é dela? É, mas a grande culpada é a imprensa. A imprensa que tudo registrou e que tudo publicou a respeito. E que, hoje, não cumpre o seu papel de denunciar o estelionato eleitoral que foi cometido. A imprensa brasileira, via de regra e que regra enorme!, não presta, não vale nada, é das coisas mais vagabundas que existem em nossa pobre sociedade.
O Brasil merece uma imprensa melhor.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

A ESPIRAL DO SILÊNCIO E A SUPERIORIDADE DOS PIORES.

Este texto do filósofo Olavo de Carvalho foi publicado, originalmente, no site Mídia Sem Máscara com o título "A superioridade dos piores". Nada melhor que a leitura de suas análises para entender o que se passa no mundo atual, e no Brasil.

Olavo de Carvalho (22/12/2010)
Praticamente não há manobra política, tática ou estratégica, que não tenha surgido antes como artifício literário.
Já citei várias vezes a máxima de Hugo von Hofmannsthal, profundamente verdadeira, de que nada está na política de um país sem estar primeiro na sua literatura. Uma das decorrências dela é que, sem extenso conhecimento da história cultural e literária, o observador só capta, dos fatos políticos, a forma final ostensiva com que aparecem no noticiário do dia, sem nada enxergar das correntes profundas onde se formaram e onde poderiam, em tempo, ter sido modificados.
Praticamente não há manobra política, tática ou estratégica, que não tenha surgido antes como artifício literário. A razão disso é simples: ninguém pode fazer o que primeiro não imaginou, e explorar as possibilidades do imaginário social, tornando-as pensáveis na linguagem comum, é a função precípua dos artistas da palavra.
Na "direita" brasileira, a obsessão da economia, da administração e do marketing leva muitos pretensos "homens práticos" aos erros mais pueris e desastrosos, que poderiam ter sido evitados com um pouco de cultura literária.
Vou dar-lhes um exemplo chocante. Quando hoje em dia vocês vêem terroristas dando lições de moral, narcotraficantes e sequestradores passando pito em senadores e deputados, travestis vestidos de freiras forçando um padre a lhes dar a comunhão, ou o próprio presidente da República enaltecendo os bandidos das Farc como pessoas honestas, que têm todo o direito de ascender ao poder de Estado, vocês ficam naturalmente desorientados - e não sabem como reagir diante de condutas tão cínicas e descaradas, que vão se multiplicando aos olhos de todos, até o ponto de se impor como práticas normais e legítimas.
É um fenômeno que tende a expandir-se ilimitadamente e que só poderá ser detido à custa de uma trabalhosíssima e quase impossível reeducação de toda a sociedade. Mas poderia ter sido estrangulado na origem, se os liberais e conservadores, em lugar de ficar hipnotizados ante os acontecimentos mais vistosos, se dessem o trabalho de ver como essas coisas nascem e se desenvolvem numa discreta penumbra antes de aparecer estrepitosamente nas manchetes.
Essas e outras táticas abjetamente maliciosas, que já se tornaram parte do nosso cenário quotidiano, apareceram, como em geral todos os componentes do que viria a ser a técnica da "espiral do silêncio", no século 18; e, como não poderia deixar de ser, apareceram primeiro como um recurso de técnica literária.
Seu inventor foi Denis Diderot, um gênio perverso da propaganda revolucionária. Para criá-la, ele se apoiou na velha tradição dramatúrgica do "bobo da corte" - o personagem de baixo nível social que, justamente por sua aparência desprezível, desempenha o papel de fiscal da classe dominante, com a permissão e sob a proteção desta última, à qual serve como espelho amplificador onde ela enxerga seus defeitos e fraquezas.
Tanto na dramaturgia quanto, com frequência, na própria realidade histórica, o bobo da corte foi durante séculos uma peça essencial no aparato perceptivo dos governantes, que através dele podiam tomar consciência de seus pontos cegos, evitando embriagar-se em ilusões perigosas e assegurando um domínio mais firme sobre a realidade das situações.
Diderot descobriu que, com pequenas modificações, o bobo poderia tornar-se um instrumento voltado, não à orientação e correção da classe dominante, mas à sua destruição. Bastava, para isso, acrescentar à inferioridade social do personagem alguns traços de perversidade moral genuína, conservando-o, ao mesmo tempo, no seu papel de fiscal e crítico da moralidade do mundo.
No diálogo O Sobrinho de Rameau, (1761) Diderot criou a figura daquilo que viria depois a chamar-se, nos estudos literários, o "heroi abjeto" (leiam o estudo magistral de Michael André Bernstein, Bitter Carnival: Ressentiment And The Abject Hero, Princeton University Press, 1992). É um tipo declaradamente inferior, não só do ponto de vista social como o velho bobo da corte, mas humano e moral. É um vigarista, um criminoso cínico, um sociopata na mais legítima acepção do termo - mas, por isso mesmo, está na posição perfeita para enxergar a sociedade inteira como um tecido de crimes, projetando nela a sua própria torpeza de alma e interpretando tudo pela ótica corrosiva de um discurso de acusação verdadeiramente infernal.
O exemplo frutificou, mas não somente na literatura. Alastrou-se pela retórica política e se tornou um lugar-comum da propaganda revolucionária. Cinco anos após a morte de Diderot, seu personagem já havia se multiplicado em milhares de criminosos de verdade, grandes e pequenos, que, exaltados pela Revolução, subiam aos púlpitos e às cátedras para verberar, do alto da sua incontestada autoridade moral, os pecados da sociedade.
Quando uma idéia literária se consagra como um topos, um lugar comum da retórica política, já é impossível impedir que as pessoas enxerguem a realidade sob a sua ótica deformante. Os fatos, por mais numerosos e evidentes, já nada podem. Digam eles o que disserem, o automatismo do imaginário os reconstruirá à sua maneira, dando-lhes, de novo e de novo, o sentido fictício que se consagrou no topos.
Fora da França, a transmutação do "heroi abjeto" em arma de combate político foi mais lenta, mas nem por isso menos irreversível. Primeiro veio a crença de que os criminosos são vítimas passivas da sociedade, e não autores dos seus próprios atos. Depois, a transfiguração das pretensas vítimas em símbolos dos valores morais genuínos, que a sociedade hipócrita usurpara. Por fim, o símbolo tornou-se realidade: criminosos, prostitutas e psicopatas já não somente "representavam" o melhor da sociedade, mas o carregavam em si como qualidade pessoal concreta.
Quando, desde os anos 50, o proletariado foi excluído da condição de protagonista maior da mutação revolucionária, e a Escola de Frankfurt consagrou em lugar dele os marginais de toda sorte, estava tudo pronto para que o cinismo dos piores se impusesse como encarnação da respeitabilidade máxima, acusando e humilhando a todos e jogando as pessoas de bem na lata de lixo da "espiral do silêncio".

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

NÃO EXISTE JORNALISMO DO BEM. PARTE 2

Com o aumento da complexidade das sociedades modernas, o jornalismo abriu novos espaços, como o que se chama de jornalismo de serviços. Um suplemento de turismo de um jornal pode conter matérias interessantes sobre passeios exóticos, junto à Natureza ou em Londres e, nem por isso, transformar-se em simples peça de propaganda. Para isso bastariam os folhetos de promoção publicados pelas agências de turismo.

Quantas coisas podemos querer saber antes de tomarmos um avião para outro pais? Que documentos levar? Quanto custará uma semana lá? É seguro? É adequado para crianças? Os preços são acessíveis ao bolso? As matérias devem trazer dados para que diferentes leitores possam situar-se, do mochileiro universitário ao que quer o sossego de um hotel mais caro ou alugar carros de luxo.

Milhões estão preocupados com a saúde, a alimentação, a beleza, a segurança, os direitos, e muitos outros tópicos que não constavam das pautas dos jornais há 50 anos.
Comer ou não tomates? Quem pode falar sobre isso, de forma segura, não colaborando para espalhar bizarrices de caráter científico?

Dar uns tapas na bunda de uma criança malcriada é necessário ou não? Como responder a isso com uma matéria decente, sem psicologismos e lugares-comuns? Jornalismo não se confunde com programas de auditório (e há ótimos) e nem é parte de um processo plebiscitário, direcionado para onde sopra o vento.

Todo mundo fala de aquecimento global. Há milhões em jogo. Qual a realidade disso?
Fazer jornalismo é ir bem além de entrevistar as figurinhas carimbadas da moda que falarão o que ativistas esperam para iludir os desinformados. É dar voz aos que parecem ir contra a corrente e cruzar os dados.

Sócrates foi contra a corrente. Galileu foi contra a corrente. Hoje temos que concordar que a Terra não é mesmo plana e os oceanos não despencam no abismo. Se o jornalismo ouve esta ou aquela corrente, apenas, dando uma direção ao fluxo de informações, o que está sendo praticado é propaganda, doutrinação, qualquer coisa, menos jornalismo. O jornalismo, gostem ou não, alguns, é uma atividade que tem algo de advogado do diabo.

O que mostra a força do jornalismo e a sua utilidade social é que os grupos políticos, religiosos, ideológicos, econômicos, gostariam de usá-lo como ferramenta, como instrumento de manipulação, para atingir adversários.

Esse é o centro da questão. Se o jornalismo serve para ser usado como estilingue, como arma, poderá ser usado, então, no sentido contrário. Mas, o jornalismo que se reduz a esse jogo restrito, de ouvir este ou aquele, sem interesse na real apuração dos fatos ou do problema investigado , o que incomodará a muita gente, não pode ser chamado de jornalismo.

Isso não significa que seja uma atividade heróica ou quixotesca, apenas busca chegar o mais perto possível da verdade sobre um fato. Seja um fato policial, uma descoberta científica, uma moda, o valor de um romance, o enredo de uma novela e o decorrente fascínio das multidões.
Em todos os campos das atividades humanas o jornalismo encontra lugar, nunca podendo ser confundido com as metas da propaganda, das relações públicas ou da divulgação comercial.
Um bom jornalista começa por ser curioso. Tem muito mais perguntas que respostas. Mas, para fazer perguntas, é preciso observar o meio, perceber contrastes, ter sensibilidade para o que parece errado ou estranho. Saber ouvir, ter persistência na busca de respostas, e diversificar as fontes.

Mas a observação do meio exige critérios, e isso leva à necessidade de informações e leituras. Um jornalista precisa de normas, método e, fundamentalmente, princípios. Precisa crer que alguma coisa pode ser melhor explicada e fazer o melhor para que isso aconteça.
Acreditar que existe sim a verdade, e a realidade. A despeito dos incrédulos e dos céticos.
(Continua)

NÃO EXISTE JORNALISMO DO BEM. Mas jornalismo não é apenas ser do contra. PARTE 1


O jornalismo é uma atividade fascinante e única. Muita gente fala sobre jornalismo, mas poucos entendem, realmente, sua natureza.
Com o surgimento da Internet, e com a possibilidade de pessoas criarem blogs e sites, a confusão sobre jornalismo aumentou mais ainda. Os programas de televisão de entretenimento, com entrevistas, também colaboram com essa indefinição.
Jornalismo é uma atividade relacionada com a coleta e a difusão de informações, mas estas operações, somente, não configuram o jornalismo.
A propaganda também informa. Enciclopédias, filmes, novelas e romances, idem.
Diferentemente do que muitos pensam, o jornalismo não é a atividade do falar mal de alguém ou alguma coisa. Mas não se trata, com certeza, do seu contrário. Não existe essa história de jornalismo do bem.
O jornalismo está ligado a uma certa atitude filosófica, do querer saber como e porquê as coisas acontecem. Se tudo está andando nos trilhos ou se há alguma coisa errada que todos devam saber.
É claro que, durante a apuração de dados para uma matéria, os envolvidos acharão que é algo contra seus próprios interesses. Mas não se trata disso.
Quando alguém quer saber se uma escola custou realmente o que foi informado, ou se a construção ficou dentro dos padrões técnicos corretos, ou se a licitação para a obra foi bem feita, isso interessa a todos.
Afinal, alguém pagou a escola, e não foi o Poder Público, por si mesmo. O pagamento saiu dos impostos que todos pagam. E nunca são poucos.
O jornalismo, entretanto, não está limitado às questões da administração pública ou da política.
(Continua)