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segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
terça-feira, 8 de abril de 2014
terça-feira, 5 de abril de 2011
A INTOLERÂNCIA E A PAZ DOS CEMITÉRIOS. Ou: O bem, o belo e o bom não podem ser impostos a você, leitor
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| http://www.significantcemeteries.org/ |
Muita gente acredita em uma relação direta, quase mecânica, entre, por exemplo, uma publicação de uma notícia sobre um fato, e uma reação qualquer de uma pessoa ou um grupo. Imaginam um mundo simples, muito baseado na física, de simples ações e reações.
Ao longo do tempo tenho ouvido que é preciso controlar a imprensa, a "mídia" (está na moda) ou as artes (cinema, literatura, música, pintura, etc) porque podem dar maus exemplos! Como se não houvesse uma sociedade inteira, uma cultura, valores, entre os veículos e as pessoas. As pessoas não flutuam no ar.
Certamente há coisas de mau gosto e coisas de bom gosto. Há refinamento e crueza rudimentar, há elaboração técnica e obra quase vomitada. Um dos exemplos mais recorrentes é sobre uma história, que alguém sempre leu em algum lugar, de um menininho que colocou uma toalha vermelha de mesa nas costas e pulou de um décimo-quinto andar, tentando voar. Claro que morreu.
Culpa das histórias do Superman. Culpa do filme, culpa dos quadrinhos, culpa dos desenhos animados, e desfiam o rosário (com o devido respeito). Sempre lembro aos renitentes. Milhões de pessoas já viram os filmes do super-herói. Quantos tentaram sair, realmente, voando?
Estamos num mundo meio imbecilizado, que impede a análise mais detalhada, porque análise demanda tempo, e ninguém tem tempo (é um mundo elétrico, rápido, fugaz. O que almocei hoje?), ou ninguém quer gastar algum tempo em examinar mais detalhadamente alguma coisa. Todos preferem ficar com suas crenças cotidianas, suas convicções, as certezas imutáveis. É mais cômodo, mais confortável, parece mais seguro. Com certeza, fico fechadinho na caverna observado o mundo lá do fundo, do escuro, com meus fantasmas.
Além disso, assim podemos colocar o peso da responsabilidade sempre sobre os ombros alheios. Seja o poderoso, o rei, o outro, a chamada indústria cultural, a imprensa, a TV.
Não seria melhor, então acabar com tudo isso?
Talvez voltássemos à paz selvagem da floresta de Rousseau. Bela ilusão! Rousseau também tinha uma leitura tosca da realidade humana.
Por que esta conversa toda sobre isso? Parece mais um longo nariz-de-cera, como diziam os jornalistas mais antigos. Porque as discussões que vemos hoje na imprensa mostram que a cultura se empobrece, as pessoas não querem ler, não querem refletir, não querem mudar, se necessário. Não falo de uma mudança imposta, ao estilo tão agradável aos socialistas, aos nazistas, aos fascistas, em geral, que gostam de impor o bem, o belo e o bom ao outro, até com as baionetas, se preciso. Penso na nossa capacidade de refletir, de observar, de cruzar dados, de checar fontes e informações e aprender, e mudar quando for o caso.
Nos Estados Unidos um pastor maluco queima o Corão, livro sagrado islâmico, e dizem que isso "provocou" atentados no Afeganistão. Que força. Que poder! Quanta besteira. Colocar fogo no Corão ou na Bíblia, qualquer tonto pode fazer. Não é proibido. é apenas uma tremenda idiotice, uma demonstração de despreparo. Como quando nazistas queimaram livros na Alemanha, ou baniram a arte moderna por "demente". Como quando estudantes da USP, ou pessoas dizendo-se estudantes da USP queimam livros em manifestações contra o Governo do Estado. Queimar livros é um dos degraus mais baixos da civilização. Perfeitos imbecis. E ainda se acham revolucionários! Muitos serão professores!
Essa questão toda da força mecânica, direta, dos meios é inculcada na cabeça dos jovens por professores mal preparados,que ouviram dizer, que não estudam, bastando-lhes as pobres convicções contra a "mídia", agente do mal capitalista. Um monte de asneiras.
Nem ao menos se dão ao trabalho de observar o funcionamento da imprensa e dos demais meios de comunicação numa ditadura, num regime autoritário, num totalitarismo islâmico ou qualquer outro.
Os esquerdistas, no mundo livre, criticam muito os meios de comunicação. Mas os meios podem representar a variedade. Ao menos podemos usar a Constituição para falar sobre isso, caso aquele uso esteja capenga. Nas ditaduras totalitárias só há a concordância, a morte e a perseguição como punição aos que dissidem, aos que se opõem, aos que pensam diferente. Há a intolerância, ou a paz dos cemitérios. E essa visão sombria e tosca da realidade tem muitos adeptos no Brasil de hoje.
sexta-feira, 18 de março de 2011
A FALTA DE VERGONHA E O ALFAIATE. Ou: como os totalitários negam a realidade
Há países que nunca tiveram um certo grau de liberdade que permitisse, aos jornais, críticar figurões da política ou dos negócios, investigar escândalos, ou denunciar aquilo que seja considerado errado ou criminoso. Este poderia ser o caso de muitos países árabes, por falta de uma tradição no uso da liberdade de expressão.
Em outros, onde já houve mais liberdade, e em que esta foi perdida por um golpe de esquerda ou de direita, ou pelo avanço de grupos religiosos radicais, como no Irã, a atividade jornalística fica muito prejudicada. Pode haver uma tentativa de resistência, por parte dos veículos, mas esta será duramente reprimida, de diversos modos como a perseguição pela fiscalização, abertura de processos infundados, atentados contra os bens da empresa, atentados contra os jornalistas. Isso é o que tem acontecido na Rússia onde, devido a uma tradição autoritária (czarista) e totalitária (comunista soviética) os jornalistas que tentam exercer corretamente a profissão viram alvos de criminosos.
Em novembro de 2010 a revista Veja publicou reportagem de Julia Carvalho, "Só quem cala não apanha", sobre a brutalidade com que são tratados jornalistas que tentam trabalhar direito. Há relatos de espancamentos tão violentos que os jornalistas ficaram inutilizados completamente. Nos últimos cinco anos mais de 100 atentados foram cometidos contra jornalistas, na Rússia.
Saída de um regime ditatorial, em que as pessoas chamadas de jornalistas eram apenas aqueles que faziam matérias sobre o que era permitido e conforme a orientação do Partido Comunista, como acontece em Cuba, por exemplo, a Rússia atual, apesar do crescimento econômico e de ficar mais parecida com o restante da Europa em termos materiais, ainda não aprendeu a conviver bem com a liberdade de expressão e com a liberdade de Imprensa.
Como os políticos ou novos ricos empresários não estão acostumados ou não toleram ser criticados ou ter suas falcatruas expostas à Opinião Pública, recorrem a capangas que agem contra a lei e exterminam os críticos. Coisa que acontece com menor intensidade, mas ainda acontece com frequência aqui no Brasil, outro país em que o autoritarismo está no DNA da cultura, desde os tempos do reinado português.
Segundo relata Carvalho, na China há menor problemas com os jornalistas "porque eles raramente ousam enfrentar o aparato repressivo". É mais ou menos isso. De fato, a China vive em regime totalitário desde 1949 (61 anos), e ainda passou pelo Tsunami da Revolução Cultural, o que foi suficiente para quase apagar da mente dos chineses a memória de qualquer liberdade (se é que a tinham no tempo do Império) e não estimular rebeldias.
Além disso, os jornalistas, em regimes totalitários como China, Cuba, Coréia do Norte, e outros, não são de fato jornalistas como seus congêneres europeus (Inglaterra, França. Alemanha, Portugal, Espanha, por exemplo). São pessoas que aprendem técnicas de produção de meios que se parecem com os jornais ocidentais, usam técnicas parecidas de edição, mas apresentam uma diferença crucial: não há implícita a aceitação do contraditório, da investigação de fatos que possam interessar à Opinião Pública porque esta está, exatamente, sujeita a um fluxo unidirecional de informações, isto é, propaganda oficial.
Basta observar o comportamento do Governo, da Imprensa e do povo na comparação do vazamento atômico de Chernobyl, no final da década de 80, com o terremoto e o tsunâmi que abalaram o Japão, provocando danos a usinas atômicas.
No caso de Chernobyl, como o regime socialista é tido como perfeito pelos seus adeptos, seria considerado contraproducente à imagem do regime aceitar os fatos. Assim, as autoridades soviéticas fingiram por alguns dias que nada tinha acontecido, sacrificando dezenas de milhares de cidadãos a curto e longo prazo. A curto, pelo câncer dos expostos à radiação. A longo, porque as crianças que nasceram nos anos 90 tiveram pais expostos à radiação, o que gerou graves e tristes deformações genéticas.
Aqui no Brasil (bem como em boa parte do mundo livre) a população ficou sabendo de Chernobyl bem antes que os cidadãos soviéticos. Nossos jornais trataram aquilo exaustivamente. A imprensa oficial soviética (e era a única que existia) fez silêncio. Como a população abandonada pelas autoridades e sem informações pela Imprensa poderia proteger-se?
Os totalitarismos são expressões reais (representações) de ideologias em que seus seguidores as vêem como tão perfeitas que são os fatos que precisam adaptar-se às idéias ou crenças, e não o contrário. Sobre isso há a observação maravilhosa de Millor Fernandes: "O comunismo é uma espécie de alfaiate que quando a roupa não fica boa faz alterações no cliente".
No Japão, as autoridades agiram de imediato para proteger a população, alimentaram os jornais com informações e o povo estava preparado para agir em caso de eventos como terremotos e tsunâmis. A magnitude dos danos não se deveu ao descaso ou à desinformação, mas às forças naturais.
Os japoneses e seus líderes, um dia, olharão para trás, com tristeza, mas não com vergonha.
Já não sei se esse seria o caso dos líderes russos do tempo de Chernobyl. Olhando para trás verão as lágrimas dos familiares dos mortos, e o testemunho vivo de sua arrogância e prepotência espelhado nas Crianças de Chernobyl.
Sentirão vergonha?
O que eu acho, sinceramente?
Acho que não. Os totalitários, por mais que errem, é de tal natureza a sua crença e a sua percepção da realidade e da verdade, procurarão colocar a culpa no mundo, que não se adapta à sua ideologia.
Chamem o alfaiate!
ATENÇÃO, O VÍDEO SOBRE CHERNOBYL TEM IMAGENS FORTES, MAS REAIS.
QUE SEJA VISTO NÃO COMO UMA ARMA DOS POLITICAMENTE CORRETOS QUE CACAREJAM CONTRA O CAPITALISMO E AS LIBERDADES DE QUE DESFRUTAMOS, BEM OU MAL, NO OCIDENTE (QUEREM IGUALÁ-LO AO PROBLEMA JAPONÊS).
QUE SEJA VISTO COMO UM LIBELO CONTRA OS REGIMES TIRÂNICOS QUE ESCONDEM A REALIDADE DE SEU PRÓPRIO POVO, PREFERINDO VÊ-LO SACRIFICADO EM NOME DA PERFEIÇÃO DE UMA IDÉIA ABSURDA.
QUE SEJA VISTO COMO UM LIBELO CONTRA OS REGIMES TIRÂNICOS QUE ESCONDEM A REALIDADE DE SEU PRÓPRIO POVO, PREFERINDO VÊ-LO SACRIFICADO EM NOME DA PERFEIÇÃO DE UMA IDÉIA ABSURDA.
Gutenberg. J,
quinta-feira, 10 de março de 2011
E AGORA, PAPAI? Ou: filho é um problema que cresce...
http://aluizioamorim.blogspot.com/
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| Charge de Spon Holz, cedida pelo blog de Aluizio Amorim |
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quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011
TUDO O QUE DILMA ESPERA DA IMPRENSA.
REINALDO AZEVEDO (http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/)
23/02/2011
às 6:4523/02/2011
Dilma me envia um e-mail rasgando elogios ao blog e a vocês, comentaristas! Calamos os petralhas, hein!? O que eles dirão agora?
Dilma Rousseff me manda um e-mail afirmando que faço a coisa certa. Obrigado, presidente — que esse papo de “presidenta” como exigência é coisa da Marta analfabente! Segundo Dilma, estou entre aqueles, não muitos, que cumprem o que ela considera o correto nessa profissão. Diz a chefe da nação na mensagem pessoal:
“Reinaldo.
Livre, plural e investigativa, a imprensa é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais (…) Com uma democracia tão nova, devemos preferir o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”.
Livre, plural e investigativa, a imprensa é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais (…) Com uma democracia tão nova, devemos preferir o som das vozes criticas da imprensa livre ao silêncio das ditaduras”.
A presidente foi supergenerosa com o meu trabalho: “A internet modificou para sempre a relação dos leitores com os jornais.” Antenada com o que acontece, ela também falou de vocês, leitores, dizendo entender que o desafio deste blog é“oferecer um produto que não perca profundidade”, sabendo “como tornar as críticas dos leitores um ativo (…)”.
Sobre este blog, disse a soberana: “A nossa democracia se fortalece por meio de práticas diárias, como os diferentes processos eleitorais, as discussões que a sociedade trava e que leva até as suas representações políticas e, sobretudo, pela atividade da liberdade de opinião e de expressão” Para afastar qualquer sombra de ambigüidade, ela especificou muito bem que se trata de uma liberdade, que, “obviamente, se alicerça, também, na liberdade de crítica, no direito de se expressar e se manifestar de acordo com suas convicções.”Obviamente!!!
A presidente estava mesmo num dia iluminado. Ao analisar as escolhas feitas por este blog, afirmou sem palavras ambíguas:
“Nós, quando saímos da ditadura, em 1988, consagramos a liberdade de imprensa e rompemos com aquele passado que vedava manifestações e que tornou a censura o pilar de uma atividade que afetou profundamente a imprensa brasileira. A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem.”
“Nós, quando saímos da ditadura, em 1988, consagramos a liberdade de imprensa e rompemos com aquele passado que vedava manifestações e que tornou a censura o pilar de uma atividade que afetou profundamente a imprensa brasileira. A multiplicidade de pontos de vista, a abordagem investigativa e sem preconceitos dos grandes temas de interesse nacional constituem requisitos indispensáveis para o pleno usufruto da democracia, mesmo quando são irritantes, mesmo quando nos afetam, mesmo quando nos atingem.”
Respondendo à canalha que vive pedindo “põe ele de castigo, Tia!”, ela afirmou:“E o amadurecimento da consciência cívica da nossa sociedade faz com que nós tenhamos a obrigação de conviver de forma civilizada com as diferenças de opinião, de crença e de propostas.”
Dilma, definitivamente, no e-mail que me mandou, liberou o badaró da liberdade de expressão: “Reitero sempre que, no Brasil de hoje, nesse Brasil com uma democracia tão nova, todos nós devemos preferir um milhão de vezes os sons das vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras.”
Caminhando para o encerramentoBem, é claro que se trata de uma ironia. É preciso avisar antes que os petralhas gritem: “Ele está mentindo!!!” Como costumo dizer, numa ironia um tanto herbívora, Swift seria condenado ainda hoje por incitar o canibalismo contra crianças… Dilma, obviamente, não me mandou e-mail nenhum! Essas coisas todas, ela as afirmou anteontem à noite sobre a Folha de S. Paulo, na solenidade dos 90 anos do jornal.
Faço essa graça porque julgo praticar aqui também aquilo tudo que Dilma diz esperar da imprensa. Se 10% do que dizem sobre a soberana for verdade, ela certamente fica com Santo Agostinho, preferindo quem a critica porque a corrige àqueles que a elogiam porque apegados ao vício da genuflexão.
Dilma pode contar comigo: eu não permitirei jamais que ela vislumbre de novo a fuça do autoritarismo de direita ou de esquerda. Estarei aqui para lembrar que são preferíveis as “vozes críticas de uma imprensa livre ao silêncio das ditaduras.”
Isso é a minha cara! É a cara de vocês!!!
Por Reinaldo Azevedo
terça-feira, 22 de fevereiro de 2011
NOS 90 ANOS DA FOLHA DE S PAULO DILMA FALA DEMAIS.
1. "Livre, plural e investigativa, a imprensa é imprescindível para a democracia num país como o nosso, que, além de continental, agrega diferenças culturais." (Dilma Rousseff, presidente)
2. "Livre, plural e investigativa, a imprensa é imprescindível para a democracia". Isto já não teria sido suficiente? Em que democracia a Imprensa não é imprescindível?
domingo, 20 de fevereiro de 2011
AFINAL, QUAL O PAPEL DA IMPRENSA NA DEMOCRACIA?
Faço questão de reproduzir, integralmente, este post do Coronel, do blog Coturno Noturno, porque o autor é dos mais importantes observadores do comportamento maroto, mentiroso e covarde da Imprensa.
E os jornalistas alinhados com o governo (além do interesse dos veículos nos milhões gastos pelo Governo por ano em anúncios, muitos de natureza duvidosa) ainda tem a cara de pau de dizer que há uma imprensa golpista.
Se a Imprensa deu ou quer dar algum golpe, foi no Código de Ética, na técnica de produção de reportagens, nos métodos de aferição jornalísticos, e acabará dando um na Democracia.
Exceto alguns jornalistas persistentes, a maioria hoje parece trabalhar nas assessorias de comunicação. Nada tenho contra as assessorias, mas assessoria trabalha com informação e propaganda. Jornalismo é outra coisa.
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domingo, 20 de fevereiro de 2011
O Brasil merece uma imprensa melhor.
Para que servem as campanhas eleitorais? Para que a opinião pública seja informada das propostas de cada candidato. Para, a partir das promessas e compromissos assumidos por eles, fazermos as nossas escolhas. Para isso são destinados centenas e centenas de milhões dos cofres públicos. Somos submetidos a infindáveis minutos de horário eleitoral gratuito, que nos roubam o único lazer barato: a televisão. Somos atacados em nossas privacidades por emails, cartas, telefonemas.
As ruas são transformadas em um imenso outdoor, onde os partidos e seus representantes reafirmam o que disseram no rádio e na TV. E temos as pesquisas eleitorais. Primeiro, mensalmente. Depois, semanalmente. Ao final, diariamente, elas comprovam a aceitação ou não do que é prometido. Obviamente, existe a compra de votos pelo uso da máquina pública, como todos vimos nas últimas eleições presidenciais, quando o ex-presidente velhaco deixou de governar, comandou uma gastança que gerou um rombo de R$ 50 bilhões, foi multado mais de dez vezes, riu e ironizou a Justiça.
Mas o que contou mesmo foi o programa de governo apresentado pelos dois candidatos que polarizaram a disputa, no segundo turno. Dilma, o poste, a mamulenga, a invenção do velhaco, venceu. E venceu porque mentiu mais. Tanto mentiu que, hoje, está roubando vergonhosamente as idéias e propostas do seu adversário, às quais desqualificou durante a campanha eleitoral. Dois exemplos? O Protec, o Prouni do ensino técnico e, agora, a progressão continuada, que tanto atacou.
A culpa é dela? É, mas a grande culpada é a imprensa. A imprensa que tudo registrou e que tudo publicou a respeito. E que, hoje, não cumpre o seu papel de denunciar o estelionato eleitoral que foi cometido. A imprensa brasileira, via de regra e que regra enorme!, não presta, não vale nada, é das coisas mais vagabundas que existem em nossa pobre sociedade.
O Brasil merece uma imprensa melhor.
quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011
A CIVILIZAÇÃO CRISTÃ OCIDENTAL PODE ESTAR EM SEUS ÚLTIMOS DIAS
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| Imagem extraída do blog do conde |
A Esquerda e o Islão de mãos dadas
(Parte 1)
O professor idiota médio, aquele esquerdista encontrado em universidades e escolas, que choraminga horrores sobre a "falecida" (ou a falsa defunta) União Soviética e canta de coro e verso elogios sobre a ditadura de Fidel Castro e sua similar “bolivariana” na Venezuela de Hugo Chavez, nutre uma pernóstica admiração pelas ditaduras teocráticas islâmicas. A questão aí é confusa e necessita de uma visão mais apurada. O professor idiota médio não fala por osmose, por geração espontânea, até porque não tem miolo para tanto, mas fala por macaquices. Ele tem suas fontes de influência e desinformação: Revista Caros Amigos, Carta Maior, Le Monde Diplomatique, cartilhas do PT ou do Partido Comunista, etc.
Por que a esquerda ocidental defende, aprova e legitima a cultura politicamente correta homossexual e feminista no ocidente e contraditoriamente se posiciona a favor dos regimes islâmicos, que colocam mulheres feministas na cadeia e enforcam gays? Por que a esquerda ocidental odeia tanto o cristianismo, ao mesmo tempo em que aprova o fundamentalismo islâmico e o terrorismo? Por que uma militância ateísta e laicista, de repente, se torna aliada ao que há de pior no fanatismo e no atraso político totalitário religioso?
Uma coisa parece bastante óbvia: há uma aliança política entre o islã totalitário e os regimes comunistas. Ou melhor, há uma aliança tática entre o islã e os militantes comunistas e socialistas do ocidente. A Venezuela se aproxima do Irã para o desenvolvimento conjunto de armas nucleares, com a ajuda da Bolívia, que fornece o urânio. Os grupos terroristas islâmicos são armados com logística soviética e chinesa, além de norte-coreana, e seus excedentes de armas são disseminados na América Latina, através do narcotráfico das Farc e demais grupos terroristas de esquerda. Mesmo o proto-ditador Hugo Chavez compra armas soviéticas da Ucrânia e da Rússia.
Na verdade, o islã faz o mesmíssimo papel que Hitler fez na segunda guerra mundial. Um dos fatores que motivaram a aliança comunista com Hitler, através do Pacto Ribentropp-Molotov, era a perspectiva de que a Alemanha nazista, ao guerrear contra o oeste, se enfraqueceria, junto com as democracias ocidentais. Os regimes totalitários sabiam das fraquezas e da covardia das democracias ocidentais, temerosas em declarar uma guerra. Tanto os nazistas, como os comunistas exploravam esse medo, através de uma campanha de desinformação em massa na imprensa e na opinião pública. O regime nazista era vendido como a muralha contra as hordas bolchevistas do oriente. E os comunistas ocidentais usavam, tanto o regime nazista, como os sistemas democráticos, como espantalhos de “sociais-fascismos” e idolatravam a expansão e dominação da União Soviética.
Paradoxalmente insuflavam movimentos pacifistas de desarmamento unilateral das democracias, já que na ótica deles, tanto as democracias, como os fascismos eram apenas “fascismos”, estavam no mesmo plano político. Quando a União Soviética invadiu a Finlândia em 1939, pouco depois do Pacto de aliança entre Hitler e Stálin, os intelectuais de esquerda, dentre os quais, Eric Hobsbawn, defenderam alegremente a expansão criminosa da Rússia naquele país. E quando Hitler invadiu a França em 1940, os comunistas franceses boicotaram o esforço de guerra francês contra o exército alemão.
A Alemanha, outrora bastião anti-bolchevique, tornou-se justamente a porta de entrada comunista na Europa. O exército alemão, que dependia largamente da logística e petróleo soviético, e envolvido em uma guerra longa, seria boicotado pelos russos, que invadiriam a Alemanha e dominariam a Europa. Na verdade, a Alemanha seria o quebra-gelo do exército vermelho sobre todo o continente europeu. Hitler percebeu isso a tempo e invadiu a União Soviética, pegando de surpresa os russos. A completa derrota do exército alemão e de seus aliados no Leste Europeu deu passe livre para que o exército vermelho ocupasse metade do continente. A única situação que impediu a total bolchevização da Europa foi a presença do exército americano, que evitou que todo um continente fosse perdido para o totalitarismo russo.
A situação atual não é muito diferente. É apenas mais complexa. A disputa atual não é entre democracia e ditadura apenas, mas envolve toda a estrutura de uma civilização. Tanto o islã, como o movimento comunista, são aliados na destruição completa da civilização cristã ocidental. Reitero, cristã, porque é o cristianismo que dá perfeita coerência aos nossos valores de direitos individuais e direitos humanos na democracia. Não se pode falar em sacralização da vida humana dentro do Estado laico que aprova o aborto. Nem a proteção da família com os “direitos” dos homossexuais e o decréscimo das famílias europeias e americanas. A perda de coerência de princípio das instituições européias e ocidentais gerou essa crise de valores, essa crise hierárquica de princípios, que faz o continente europeu e o ocidente definharem para a barbárie islâmica. A campanha em massa de degradação, difamação e destruição sistemática do cristianismo já é antiga. Porém, ela ganha força quando os próprios Estados democráticos se tornam virulentamente hostis à religião cristã. Mas é só à religião cristã. Do lado islâmico, através da política do multiculturalismo, a tolerância dos Estados ocidentais é anormal, abusiva e até criminosa.
Muitos poderiam objetar que a disputa entre ocidente e oriente é entre laicismo e religião, democracia e totalitarismo. Nada mais falso. O conceito de governo laico é pura invenção do cristianismo medieval. Parte da dessacralização do poder político e da recusa saudável da divinização do Estado, do rei ou do imperador, comum ao mundo antigo e ao mundo islâmico. No entanto, o laicismo, que é uma ideologia que destrói qualquer fundamento na transcendência, tem sua forma de idolatria: o materialismo, na figura do próprio Estado encarnado, que se torna vontade última no plano dos valores e do direito.
O relativismo moral, ético e cultural do ocidente e o multiculturalismo são frutos cabais da militância laicista. A pregação intelectual laica gerou o esvaziamento ético e moral do ocidente. Foi ela a responsável pela relativização geral dos costumes, que faz com que os islâmicos imponham sua sharia ou cortem clitóris de muçulmanas no continente europeu, sem o menor escândalo de governos democráticos e entidades de direitos humanos. Ora, se todos os valores estão no mesmo plano de relativismo cultural, por que condenar as práticas bárbaras dos islâmicos? Por que defender os valores do ocidente? A democracia liberal não será capaz de proteger esses princípios. Os liberais não entendem que os conceitos formais da democracia não são suficientes para defender o ocidente das tiranias e dos totalitarismos. A democracia liberal no ocidente só sobreviveu em alguns países porque havia um esquema moral e ético cristão ancestral, que colocava os direitos naturais acima da vontade do Estado.
Atualmente, dominados por um esquema mental utilitarista, os liberais acabam por acatar qualquer subjetividade neurótica e irresponsável em nome do respeito ao indivíduo. A militância pró-aborto, pró-homossexualismo, pró-destruição da família só existe porque o esquema utilitário do individualismo liberal permitiu uma completa destruição dos valores comuns da vida e da família comungados até então pelo ocidente. Na sociedade ocidental, ninguém relativizava o direito à vida de um nascituro inocente. Tampouco as estruturas tradicionais da família e da sexualidade. As reinvindicações aparentemente “individualistas” de grupos desajustados, idiossincráticos ou mesmo criminosos tornaram-se armas poderosíssimas para destruir a democracia liberal, colocando em xeque todo seu sistema de liberdades, já que esse escopo só existe dentro do direito à vida e a proteção da família. Não é mera coincidência que estes grupos politicamente corretos sejam bancados ou apoiados pelos partidos comunistas. . .
As democracias liberais não foram poderosas o suficiente para se defenderem dos movimentos totalitários do tipo fascista ou comunista. E não serão poderosas o suficiente para derrotarem a expansão islâmica, junto com a aliança comunista. Ao acatarem o laicismo e o utilitarismo, os liberais dão armas prontas para todos os inimigos dos sistemas de liberdades. A democracia liberal pode acatar até a ditadura islâmica. Basta que os “indivíduos” islâmicos sejam maioria e votem em peso pela destruição das liberdades individuais. É o que de fato ocorre na Europa, com o crescimento vertiginoso da população muçulmana. Em outras palavras, o individualismo liberal, sem a tradição cristã que organiza uma hierarquia tradicional de valores comuns, é uma arma contra a própria democracia e a civilização.
Os islâmicos terroristas e os comunistas militantes sabem muito bem explorar o sistema de liberdades para destruí-lo. Eles tomam conta da opinião pública, intimidam as democracias e a chantageiam psicologicamente e invertem toda a crítica, a fim de desmoralizar moralmente o ocidente. As democracias são paralisadas pela sua covardia ou excesso de bom mocismo. Tal como na época da expansão nazista, os políticos ocidentais tremem de medo perante o Islã. Serão sugados por ele.
A desestruturação cultural do ocidente só tem uma meta: a sua completa destruição. E o Islã será o rolo compressor contra as democracias ocidentais, com o agravante de ter uma força cultural muito maior do que o nazismo. Enquanto isso, potências como Rússia e China vão explorar o caos de uma guerra contra o ocidente, para esmagarem os dois lados enfraquecidos. Os objetivos estão perfeitamente claros: destruir o Estado judeu; islamizar a Europa e destruir as referências cristãs e ocidentais da cultura; desestabilizar as democracias na América Latina e implantar regimes totalitários pró-comunistas e pró-islâmicos. E, por último, fazer prostrar a nação norte-americana contra a força conjunta do imperialismo islâmico e comunista.
O atual caos egípcio é apenas o prelúdio que poderá levar o Oriente Médio e até o mundo à guerra. A ascensão da Irmandade Islâmica e a ameaça de quebra de acordo de paz entre o Egito e o Estado judeu vai restaurar a mesma estrutura geopolítica que engendrou a guerra dos seis dias contra Israel. E expor um país democrático à sanha fanática dos islâmicos. O Irã e a Síria estão pedindo a guerra. Falta o Egito aderir. E a esquerda ocidental finge defender a democracia, ao acatar a derrubada do ditador Hosni Mubarak, quando na prática, quer que o circo pegue fogo, aprovando a ascensão de uma ditadura pior e bem mais anti-ocidental.
Quem vencerá essa luta? Ninguém sabe. Porém, quaisquer que sejam os destinos, eles serão negros. George Orwell dizia que o totalitarismo seria uma bota esmagando um rosto humano. O islã é a cimitarra no pescoço da humanidade.
Encontrei o texto acima, inicialmente no excelente blog Bootlead, que recomendo a
todos, pois traz ótimas indicações.
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O texto foi extraído do blog do Conde Loppeux de la Villanueva, que também sugiro
aos leitores devido à sua qualidade.
sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
ABAIXO A FANTASIA, VIVA A REALIDADE. Sobre Dilma e Lula
Reflitam sobre o texto de Reinaldo Azevedo relativo a Dilma Rousseff e Lula. Aqueles que querem construir fantasias com as reais potencialidades da presidente podem ser supreendidos. Negativamente.
"Não, não! Os cultores da diferença entre Lula e Dilma estão equivocados. Jabor está errado, como quase sempre quando se mete em política. O Lula mítico que voltou à cena ontem é essencial para a Dilma Rousseff fina, discreta, de salão. É ele que, por contraste, a define. É ele que pode, se e quando necessário, mobilizar a linha de defesa para protegê-la.
Eu estou escrevendo sobre história, política, lógica e mitologias. Há quem prefira alimentar mitos. Não é o meu caso. Lula, ontem, voltou com tudo e, como vocês viram, atacou a imprensa de novo, reafirmando que não há espaço para corpos estranhos entre ele e Dilma, como pretendem certos comentaristas e certa imprensa. E, querem saber?, nesse particular, ele está absolutamente certo.
Há gente que acredita em Irmandade Muçulmana moderada e em petismo com baixos teores de toxidez. Tio Rei é um cético. Confia na história, que não se repete, mas instrui. No caso dessa Dilma que pretendem apta a afrontar Lula, caberia perguntar: “Mas quantas divisões — de tanques partidários — tem Dilma no PT?” Resposta: nenhuma! E só por isso Lula a escolheu como sua sucessora."
Por Reinaldo Azevedohttp://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
OS APAGÕES DE 2010. A memória da Imprensa também apagou?
Nota extraída do Coturno Noturno (http://coturnonoturno.blogspot.com/)
91 apagões em 2010: é o sistema elétrico "robusto" da Dilma.
O editorial da Folha de São Paulo consolida dados da gestão de Dilma Rousseff sobre a área de energia, que sempre comandou com mão de ferro. Apesar da bondade de tirar a culpa pelos apagões inteiramente das suas costas, jogando-os para cima do PMDB de Sarney e Lobão.
Após três anos em queda, o número de apagões graves cresceu 90% em dois anos. Em 2010, houve 91 casos em que interrupções de fornecimento de energia ultrapassaram 100 megawatts (MW), o suficiente para abastecer um município de 400 mil habitantes. Na sexta-feira, cidades de oito Estados ficaram sem luz por até quatro horas, prejudicando cerca de 33 milhões de pessoas. Em 10 de novembro de 2009, outro mega-apagão já havia atingido 18 Estados brasileiros, deixando em torno de 70 milhões na escuridão.
O fato de o sistema brasileiro ser interligado, com transmissão de energia por longas distâncias, é positivo. Possibilita um bom aproveitamento do grande potencial hidrelétrico do país e permite uma distribuição mais racional do que é produzido. A energia é dividida entre Sudeste, Nordeste e Sul, os três principais polos de consumo, de acordo com a demanda e com a geração em cada região do país. É uma falha gritante, porém, que curtos-circuitos numa única subestação ou a queda de uma das muitas linhas apaguem regiões inteiras. Para evitar isso, é necessário haver, tanto nas linhas quanto nas subestações, o que os técnicos chamam de redundância, ou seja, vias alternativas para contornar obstáculos à corrente.
Ao dizer que o sistema é "robusto", o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, incidiu numa falácia. Se de fato contasse com robustez, no sentido técnico, as panes que surgissem poderiam ser evitadas isolando-se a subestação com problemas. Acontece, no entanto, que a interrupção em algum ponto leva à sobrecarga das outras linhas e a um efeito dominó, que deixa milhões sem luz. O termo "apagão" popularizou-se no penúltimo ano do governo FHC, em 2001, quando a geração insuficiente de energia levou o país a um racionamento forçado. Agora, como em 2009, trata-se de problemas sérios de transmissão (longa distância) e distribuição (nas cidades). Não há deficit de produção à vista no curto prazo. O governo Dilma Rousseff precisa modernizar o sistema de transmissão e reforçar sua manutenção, além de investir em novas linhas. Como ex-ministra de Minas e Energia, a presidente sabe que a repetição dos apagões acabará na conta de sua gestão e do injustificável controle do PMDB de Edison Lobão sobre o setor.
O fato de o sistema brasileiro ser interligado, com transmissão de energia por longas distâncias, é positivo. Possibilita um bom aproveitamento do grande potencial hidrelétrico do país e permite uma distribuição mais racional do que é produzido. A energia é dividida entre Sudeste, Nordeste e Sul, os três principais polos de consumo, de acordo com a demanda e com a geração em cada região do país. É uma falha gritante, porém, que curtos-circuitos numa única subestação ou a queda de uma das muitas linhas apaguem regiões inteiras. Para evitar isso, é necessário haver, tanto nas linhas quanto nas subestações, o que os técnicos chamam de redundância, ou seja, vias alternativas para contornar obstáculos à corrente.
Ao dizer que o sistema é "robusto", o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, incidiu numa falácia. Se de fato contasse com robustez, no sentido técnico, as panes que surgissem poderiam ser evitadas isolando-se a subestação com problemas. Acontece, no entanto, que a interrupção em algum ponto leva à sobrecarga das outras linhas e a um efeito dominó, que deixa milhões sem luz. O termo "apagão" popularizou-se no penúltimo ano do governo FHC, em 2001, quando a geração insuficiente de energia levou o país a um racionamento forçado. Agora, como em 2009, trata-se de problemas sérios de transmissão (longa distância) e distribuição (nas cidades). Não há deficit de produção à vista no curto prazo. O governo Dilma Rousseff precisa modernizar o sistema de transmissão e reforçar sua manutenção, além de investir em novas linhas. Como ex-ministra de Minas e Energia, a presidente sabe que a repetição dos apagões acabará na conta de sua gestão e do injustificável controle do PMDB de Edison Lobão sobre o setor.
O Coturno Noturno deveria inspirar muita gente da Oposição e da chamada grande Imprensa pelos exemplos que dá de excelente trabalho de crítica, levantamento de dados e de Jornalismo.
quinta-feira, 23 de dezembro de 2010
A CENSURA À IMPRENSA ESTÁ A CAMINHO. Ou, o apoio ao Wikileaks é típico dos que não gostam da democracia.
Este artigo do professor Demétrio Magnoli, publicado originalmente em O Estado de S. Paulo (23/12/2010), deve ser lido com a máxima atenção, desde que você goste da liberdade de imprensa.
HERÓI SEM NENHUM CARÁTER
Lula jamais protestou contra o monopólio da imprensa pelo governo cubano e nunca deu um passo à frente para pedir pelo direito à expressão dos dissidentes no Irã. Ele sempre ofereceu respaldo aos arautos da ideia de cerceamento da liberdade de imprensa no Brasil. Mas é incondicional quando se trata de Julian Assange: "Vamos protestar contra aqueles que censuraram o WikiLeaks. Vamos fazer manifestação, porque liberdade de imprensa não tem meia cara, liberdade de imprensa é total e absoluta."
Assange é um estranho herói. No Brasil, o chefe do WikiLeaks converteu-se em ícone da turba de militantes fanáticos do "controle social da mídia" e de blogueiros chapa-branca, que operam como porta-vozes informais de Franklin Martins, o ministro da Verdade Oficial. Até mesmo os governos de Cuba e da Venezuela ensaiaram incensá-lo, antes de emergirem mensagens que os constrangem. Por que os inimigos da imprensa independente adotaram Assange como um dos seus?
A resposta tem duas partes. A primeira: o WikiLeaks não é imprensa - e, num sentido crucial, representa o avesso do jornalismo.
O WikiLeaks publica - ou ameaça publicar, o que dá no mesmo - tudo que cai nas suas mãos. Assange pretende atingir aquilo que julga serem "poderes malignos". No caso de tais alvos, selecionados segundo critérios ideológicos pessoais, não reconhece nenhum direito à confidencialidade. Cinco grandes jornais (The Guardian, El País, The New York Times, Le Monde e Der Spiegel) emprestaram suas etiquetas e sua credibilidade à mais recente série de vazamentos. Nesse episódio, que é diferente dos documentos sobre a guerra no Afeganistão, os cinco veículos rompem um princípio venerável do jornalismo.
A imprensa não publica tudo o que obtém. O jornalismo reconhece o direito à confidencialidade no intercâmbio normal de análises que circulam nas agências de Estado, nas instituições públicas e nas empresas.
A ruptura do princípio constitui exceção, regulada pelo critério do interesse público. Os "Papéis do Pentágono" só foram expostos, em 1971, porque evidenciavam que o governo americano ludibriava sistematicamente a opinião pública, ao fornecer informações falsas sobre o envolvimento militar na Indochina. A mentira, a violação da legalidade, a corrupção não estão cobertas pelo direito à confidencialidade.
Interesse público é um conceito irredutível à noção vulgar de curiosidade pública. Na imensa massa dos vazamentos mais recentes, não há novidades verdadeiras. De fato, não existem notícias - exceto, claro, o escândalo que é o próprio vazamento. A leitura de uma mensagem na qual um diplomata descreve traços do caráter de um estadista pode satisfazer a nossa curiosidade, mas não atende ao critério do interesse público. O jornalismo reconhece na confidencialidade um direito democrático - isto é, um interesse público. O WikiLeaks confunde o interesse público com a vontade de Assange porque não se enxerga como participante do jogo democrático. É apenas natural que tenha conquistado tantos admiradores entre os detratores da democracia.
Há, porém, algo mais que uma afinidade ideológica, de resto precária. A segunda parte da resposta: os inimigos da liberdade de imprensa torcem pelo esmagamento do WikiLeaks por uma ofensiva ilegal de Washington.
No Irã, na China ou em Cuba, um Assange sortudo passaria o resto de seus dias num cárcere. Nos EUA, não há leis que permitam condená-lo. As leis americanas sobre espionagem aplicam-se, talvez, ao soldado Bradley Manning, um técnico de informática, suposto agente original dos vazamentos. Não se aplicam ao veículo que decidiu publicá-los. A democracia é assim: na sua fragilidade aparente encontra-se a fonte de sua força.
O governo Obama estará traindo a democracia se sucumbir à tentação de perseguir Assange por meios ilegais. O WikiLeaks foi abandonado pelos parceiros que asseguravam suas operações na internet. Amazon, Visa, PayPal, Mastercard e American Express tomaram decisões empresariais legítimas ou cederam a pressões de Washington? A promotoria sueca solicita a extradição de Assange para responder a acusações de crimes sexuais. O sistema judiciário da Suécia age segundo as leis do país ou se rebaixa à condição de sucursal da vontade de Washington? Certo número de antiamericanos incorrigíveis asseguram que, nos dois casos, a segunda hipótese é verdadeira. Como de costume, eles não têm indícios materiais para sustentar a acusação. Se estiverem certos, um escândalo devastador, de largas implicações, deixará na sombra toda a coleção de insignificantes revelações do WikiLeaks.
A bandeira da liberdade nunca é desmoralizada pelos que a desprezam, mas apenas pelos que juraram respeitá-la. Assange não representa a liberdade de imprensa ou de expressão, mas unicamente uma heresia anárquica da pós-modernidade. Contudo, nenhuma democracia tem o direito de violar a lei para destruir tal heresia. A mesma ferramenta que hoje calaria uma figura sem princípios servirá, amanhã, para suprimir a liberdade de expor novos Guantánamos e Abu Ghraibs.
"Vamos fazer manifestação, porque liberdade de imprensa não tem meia cara, liberdade de imprensa é total e absoluta." Lula não teve essa ideia quando Hugo Chávez fechou a RCTV, nem quando os Castro negaram visto de viagem à blogueira Yoani Sánchez que lançaria seu livro no Brasil. Não a teve quando José Sarney usou suas conexões privilegiadas no Judiciário para intimidar Alcinéa Cavalcante, uma blogueira do Amapá, ou para obter uma ordem de censura contra O Estado de S. Paulo. Ele quase não disfarça o desejo de presenciar uma ofensiva ilegal dos EUA contra o WikiLeaks. Sob o seu ponto de vista, isso provaria que todos são iguais - e que os inimigos da liberdade de imprensa estão certos.
Alguém notou um sorriso furtivo, o tom de escárnio com que o presidente pronunciou as palavras "total e absoluta"?
SOCIÓLOGO E DOUTOR EM GEOGRAFIA HUMANA PELA USP. E-MAIL: DEMETRIO.MAGNOLI@TERRA.COM.BR
(grifos em vermelho são destaques deste blog)
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