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sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

FAZER OPOSIÇÃO PRA QUÊ? Ou: não sabemos viver na democracia.

Texto de José Serra publicado em O Globo de 10 de fevereiro. Pela primeira vez um roteiro de filosofia de oposição em um país em que prevalece o oficialismo.
O oficialismo unânime ou a oposição dita sempre propositiva, vergonhosa, nunca é boa para a democracia. O PT nunca teve vergonha de ser oposição. Para ser justo com o partido devo dizer que ninguém faz melhor oposição que o PT. Claro que nem sempre aprovo seus métodos, pois transformam a ação de oposição em uma máquina de destruição e obstrução constante. Isso também não é bom para a democracia.  

OPOSIÇÃO PRA QUÊ?
O principal risco que correm as oposições - e, portanto, também o PSDB - é perder tempo em embates menores, combates internos fantasmas ou antecipações irrealistas, como trazer 2014 para hoje, inventando bandas de adversários… internos! Atacar, constranger, prejudicar ou atrapalhar companheiros do próprio partido só faz ajudar os adversários reais, que incentivam esses confrontos.
Para o maior partido da oposição, perder-se em disputas internas seria apequenar-se. Saímos das urnas com quase 44 milhões de votos, vencendo a eleição presidencial em 11 estados. O PSDB fez oito governadores; o DEM, dois, e tivemos ainda o apoio do governador de Mato Grosso do Sul. Aqueles que votaram em nós queriam que ganhássemos, mas sabiam que podíamos perder. A oposição, portanto, é tão legítima quanto o governo; ela também expressa a vontade do eleitor e tem um mandato.
Não podemos deixar o eleitorado que nos apoiou sem representação. É ele, inicialmente, que precisa receber uma resposta e convencer-se de que não jogou seu voto fora. Até porque as ditaduras também têm governos, mas só as democracias contam com quem possa vigiá-los, fiscalizá-los, em nome do eleitor. Por isso a oposição tem de ter posições claras, ser ativa, sem se omitir nem se amedrontar. Uma eleição presidencial não é uma corrida de curta duração, de 45 dias, mas uma maratona de quatro anos. E ninguém corre parado.
Até quem votou no PT conta conosco para que ofereçamos alternativas, para que possamos aprimorar propostas do governo e denunciar, quando é (e como está sendo) o caso, a falta de rumo. Não se trata de fazer oposição sistemática ou não sistemática, bondosa ou exigente. Isso é bobagem! Essa questão não se coloca em nenhuma grande democracia do mundo. A oposição tem o direito e o dever de expressar seus pontos de vista e de batalhar por eles. É seu papel cobrar coerência, eficiência e honestidade.
A realidade está aí. O grave problema fiscal brasileiro veio à luz, herança do governo Lula-Dilma para o governo Dilma. A maquiagem nas contas não consegue escondê-lo. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) se transformou no retrato perverso do aparelhamento do Estado, que não se vexa nem diante da realidade dramática da saúde - ou falta dela - dos pobres. O mesmo acontece em Furnas, palco de escândalos há muitos anos, expressão do loteamento do setor elétrico, onde os blecautes têm sido a regra, não a exceção. Se a oposição não se fizer presente agora, então quando?
Fazer oposição por quê? Porque o país experimenta um óbvio desequilíbrio macroeconômico, que reúne inflação alta e em alta, juros estratosféricos, câmbio desajustado, vertiginoso déficit do balanço de pagamentos e infraestrutura em colapso. As trapalhadas do Enem mostram que o PT tripudia sobre a esperança e o futuro dos jovens. A imperícia do governo na prevenção de catástrofes e socorro às vítimas não requer comprovação. Por que fazer oposição? Porque os brasileiros merecem um governo melhor e pagam caro por isso - uma das maiores cargas tributárias do mundo, sem serviços públicos à altura. Temos o direito de nos apequenar com picuinhas? Foi para isso que recebemos um mandato das urnas?
O governo vem fazendo acenos à classe média e às oposições. Conta com o conhecido bom-mocismo dos adversários, tucanos à frente. Sua intenção é lhes tirar nitidez e personalidade, dividi-los e subtrair-lhes energia e disposição. Até a próxima disputa eleitoral, quando, então, voltaremos a enfrentar os métodos de sempre: vale-tudo, enganações, bravatas e calúnias. Cair nesse truque corresponde a trair a confiança dos que votaram em nós e os interesses do nosso povo e do país.
O PSDB não sabe fazer oposição! Tanto em 2006 como em 2010, pesquisas internas apontaram ser essa uma das críticas que o eleitorado nos faz. Ainda que fosse injusta, seria forçoso reconhecer que nos tem faltado nitidez. É razoável que o eleitor considere que não sabe governar quem não sabe se opor.
E nós temos os bons fundamentos! A quem pertence a bandeira da social-democracia no Brasil? O PT, fundado como um partido classista, sob a inspiração de partidos leninistas, varreu estatuto e ideário para baixo do tapete ao chegar ao poder e adotou como suas a plataforma e as idéias do adversário. Mas, longe de estar resolvida, após seis eleições presidenciais, sendo três vitoriosas, e dois governos depois, a contradição entre os “pragmáticos do mercado” e os “puros-sangues de Lenin” ainda é um dos flancos do PT não devidamente explorados pela oposição, para prejuízo do país.
O PT adotou as bandeiras, mas perverteu sua prática. Privatizou as ações do Estado em benefício do partido e aliados. Banalizou o que a vida pública brasileira tinha de pior. Rebaixou a Saúde e a Educação. Transformou em instrumento eleitoral a rede de proteção social herdada do governo FHC. Virou as costas para a Segurança e descuidou-se da Previdência. A falsa “social-democracia” petista preside um processo de desindustrialização do Brasil e mantém como principal despesa do orçamento o pagamento de R$ 180 bilhões anuais em serviço da dívida pública interna. Sem mencionar erros infantis, como o de reconhecer a China como economia de mercado, enfraquecendo nossos mecanismos de defesa comercial. Que social-democracia é essa, que pôs a perder o ativismo governamental nas coisas essenciais, que caracteriza o Estado do Bem-Estar Social e seus alicerces?
Essa retomada dos valores da social-democracia, com seu respeito ao jogo democrático e sua prioridade à garantia de condições dignas de vida à população, há de tirar do PSDB o falso carimbo de partido da elite e marcar diferença com o PT, com suas práticas sectárias e/ou ineptas.
Para tanto, é fundamental ao PSDB fortalecer a unidade interna, dando uma resposta àqueles que nos delegaram um mandato por meio das urnas. Estou, como sempre, a serviço da população. Ajudei a definir as bandeiras históricas do meu partido e sua renovação. Por elas e pela unidade, batalhei sempre. Ninguém andará em má companhia seguindo os Dez Mandamentos. Para quem está na política, sugiro um 11º, este de inspiração humana, não divina: “Não ajudarás o adversário atacando teu colega de partido.”


terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

OS APAGÕES DE 2010. A memória da Imprensa também apagou?

                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                        

                                                                                                                                                                    
                                                                                     
                                                                                                                                                                    

                                                                                                                                                                      

Nota extraída do Coturno Noturno (http://coturnonoturno.blogspot.com/)
91 apagões em 2010: é o sistema elétrico "robusto" da Dilma.

O editorial da Folha de São Paulo consolida dados da gestão de Dilma Rousseff sobre a área de energia, que sempre comandou com mão de ferro. Apesar da bondade de tirar a culpa pelos apagões inteiramente das suas costas, jogando-os para cima do PMDB de Sarney e Lobão.

Após três anos em queda, o número de apagões graves cresceu 90% em dois anos. Em 2010, houve 91 casos em que interrupções de fornecimento de energia ultrapassaram 100 megawatts (MW), o suficiente para abastecer um município de 400 mil habitantes. Na sexta-feira, cidades de oito Estados ficaram sem luz por até quatro horas, prejudicando cerca de 33 milhões de pessoas. Em 10 de novembro de 2009, outro mega-apagão já havia atingido 18 Estados brasileiros, deixando em torno de 70 milhões na escuridão.

O fato de o sistema brasileiro ser interligado, com transmissão de energia por longas distâncias, é positivo. Possibilita um bom aproveitamento do grande potencial hidrelétrico do país e permite uma distribuição mais racional do que é produzido. A energia é dividida entre Sudeste, Nordeste e Sul, os três principais polos de consumo, de acordo com a demanda e com a geração em cada região do país. É uma falha gritante, porém, que curtos-circuitos numa única subestação ou a queda de uma das muitas linhas apaguem regiões inteiras. Para evitar isso, é necessário haver, tanto nas linhas quanto nas subestações, o que os técnicos chamam de redundância, ou seja, vias alternativas para contornar obstáculos à corrente.

Ao dizer que o sistema é "robusto", o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, incidiu numa falácia. Se de fato contasse com robustez, no sentido técnico, as panes que surgissem poderiam ser evitadas isolando-se a subestação com problemas. Acontece, no entanto, que a interrupção em algum ponto leva à sobrecarga das outras linhas e a um efeito dominó, que deixa milhões sem luz. O termo "apagão" popularizou-se no penúltimo ano do governo FHC, em 2001, quando a geração insuficiente de energia levou o país a um racionamento forçado. Agora, como em 2009, trata-se de problemas sérios de transmissão (longa distância) e distribuição (nas cidades). Não há deficit de produção à vista no curto prazo. O governo Dilma Rousseff precisa modernizar o sistema de transmissão e reforçar sua manutenção, além de investir em novas linhas. Como ex-ministra de Minas e Energia, a presidente sabe que a repetição dos apagões acabará na conta de sua gestão e do injustificável controle do PMDB de Edison Lobão sobre o setor.
O Coturno Noturno deveria inspirar muita gente da Oposição e da chamada grande Imprensa pelos exemplos que dá de excelente trabalho de crítica, levantamento de dados e de Jornalismo. 


segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

A LIBERAÇÃO DA MACONHA E A CULTURA DE ESQUERDA

Nas democracias do mundo ocidental, os políticos de esquerda, em boa parte, defendem a liberação das drogas, especialmente a maconha. Parecem gostar de assumir uma imagem que se pretende progressista, libertadora, humanista mesmo. Estimulam que cada um encontre o seu caminho e faça o que lhe der na telha. É o caso das propostas do governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, em favor da liberação da maconha. A mesma coisa defende o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

No entanto, não há um só pais governado pela esquerda, quando esta chegou ao  poder por golpe ou revolução, e no qual se instituiu uma ditadura, em que se permita o uso de qualquer droga, à exceção do álcool e do tabaco, estes geralmente produzidos e controlados pelo próprio Estado.

Ao contrário, as drogas como a maconha, a cocaína, a heroína, o crack são duramente combatidos, pelos evidentes males que produzem. Em alguns daqueles paises os traficantes são condenados à morte.

O que acontece, então, para que políticos que se dizem de esquerda assumam publicamente a defesa da liberação de drogas?  Por que em paises livres defendem a disseminação das drogas e nunca ouvimos um protesto, ao menos, quanto às restrições ao uso das mesmas  em paises socialistas?

Fica claro que toda a pressão política no sentido da liberação das drogas afetará, no futuro, o sistema social. O uso disseminado e geral de drogas levará a juventude a um patamar de desinteresse e desagregação favorável à implantação posterior de um regime duro, totalitário, para sanear a sociedade.

A esquerda costuma usar a liberdade da democracia para criar tensões e poder, depois, asfixiá-la. A liberação das drogas não é, de modo algum, um benefício às pessoas, aos jovens ou à sociedade. É apenas uma etapa do processo revolucionário disfarçado de luta pela liberação e desrepressão social.