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quinta-feira, 24 de março de 2011

DILMA, QUEM DIRIA, FICOU DO LADO DOS DIREITISTAS QUE QUERIAM PERSEGUIR O AMIGO DE LULA.

Não sei se a presidente Dilma Rousseff mandou o Itamaraty apoiar o Conselho de Direitos Humanos da ONU e votar pela investigação das transgressões dos direitos humanos no Irã por convicção ou por cálculo (de olho numa vaga no Conselho de Segurança do órgão). Agora, Ahmadinejad que se cuide.

O fato é que a decisão fez picadinho daquela balela lulesca de aproximação com  regimes ditatoriais e de chamar todo mundo de amigo e irmão, não importando quantos compatriotas os ditadores tinham mandado prender, torturar ou matar. Os petistas sempre defenderam Lula e seus namoricos com os ditadores, especialmente porque um de seus mentores era o senhor Marco Aurélio Garcia, velho marxista cheio de teses estranhas.

E sempre fingiram que problemas com direitos humanos eram exclusivos da Colômbia, Honduras e outros países cujos governantes eles não vêem com bons olhos. Aliás, falam muito da Líbia, porque Kadafi agora virou inimigo (lembram da foto de Kadafi com Lula?),mas pouco falam da Síria, onde uma ditadura islamo-socialista (Partido Baath) não permite "manifestações democráticas do povo", pois isto é, certamente, visto pela esquerda como frescura de burguês, claro, quando a esquerda está no poder. Quando está fora, tentando tomar de assalto, então é o povo unido jamais será vencido. 

Na Síria, o governo reprimiu os protestos tão duramente que matou  mais de 100 críticos. 
Segundo as agências internacionais de notícias, mais de 20.000 pessoas participaram em Deraa, sul da Síria, dos funerais de mais de 100 vítimas da repressão do governo. As autoridades acham que precisarão de uma semana para enterrar todos os mortos.
Diante disso, os cínicos de plantão, como sempre, dizem que serão anunciadas em Damasco "decisões importantes para responder às aspirações do povo". Pensei que o povo sírio só quisesse tomar chumbo!

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terça-feira, 22 de março de 2011

NO BRASIL, ATÉ A DIREITA É DE ESQUERDA. Ou: a vergonha de ser oposição ou ser conservador

Parece que há, mesmo, grande dificuldade, no Brasil, em alguém dizer que é conservador. Sendo assim, logo é chamado pelos esquerdistas de direitista. Como ser direitista deve ser algo muito ruim, ninguém quer o apelido.

Essa confusão toda tem relação com o domínio absoluto do imaginário político pela esquerda. E, enquanto isso acontece, de fato, qualquer um que discorde é logo chamado logo de direitista e é fuzilado do debate. E os esquerdistas não gostam muito do debate de idéias, preferem xingar, desqualificar, como se tais ações esvaziassem a validade dos argumentos contrários. Digo que alguém é de direita e, pronto, não precisa ouvir mais o que tem a dizer. Ser de esquerda é salvo-conduto para dizer asneiras e ter um  olhar superior. 

Se há um domínio absoluto da esquerda, e ninguém ousa se manifestar de direita, por que a esquerda gosta de dizer que a direita domina a "mídia" (antigamente chamada de Imprensa)? 
Basta ler os principais jornais brasileiros e saltará a verdade: quase todos os textos são pró visões de esquerda ou contaminados pelas posições politicamente corretas. Um ou outro veículo publica, de vez em quando, um editorial mais crítico, de viés mais conservador, sendo logo taxado de direita. 

Com essa gritaria toda a esquerda dominou o cenário político e os meios de comunicação, dando-se ao luxo de dizer que a grande imprensa é golpista e de direita. Só encenação, teatrinho para os tolos. Não há nada mais de esquerda que as redações. Os donos já não apitam nada. Basta observar as redes de TV. Alguma dúvida?

Esse panorama também pode ser verificado nos partidos políticos. Um viajante do espaço desatento, ou um estrangeiro mais interessado em partidos, poderia pensar que o Brasil é a própria Utopia socialista em carne e osso. No Brasil todo mundo se declara de esquerda, até aqueles chamados de direita pela esquerda. Alguns, se não se declaram ou não se reconhecem, agem e falam como se o fossem.

No entanto, as pesquisas de opinião mostram que há milhões de brasileiros que não se enquadram nessa esquerdice toda. Há milhões de pessoas contra o aborto, milhões contra a intromissão do estado em nossas vidas, milhões contra os excessos do politicamente correto,   
milhões que gostariam de ver segurança para o contribuínte e menos direitos para os bandidos, milhões que gostariam de poder andar armados e evitar os abusos cometidos pelos criminosos que sabem da insegurança geral e da inoperância da polícia, milhões que gostariam que houvesse um limite no apetite tributário do governo e mais vergonha na cara das autoridades. 

Esses milhões de pessoas ficam sem ter em quem votar com gosto. Sempre escolhem o menos pior. O mais conveniente. É como ir a um restaurante vegetariano (sem problema com os vegetarianos) e ter que escolher um pratinho mais parecido com o nosso gosto. Mas nunca aquilo de que realmente gostamos. Uma dificuldade. Dilma e Serra. Duas cabeças de esquerda. Quanto conservadores não tiveram que votar em Serra? por falta de alternativa?

O Brasil é tão estranho, que o PSOL e o PSTU julgam-se à esquerda do PT, considerado de direita. Os petistas, quase sempre certos de suas certezas (agora um pouco mais envergonhados, pois mostraram que sabem umas boas sacanagenzinhas com o dinheiro alheio) acham-se de esquerda, chamando de direita, quase nazista!, os tucanos. Quem diria!
os tucanos, que se definem como centro-esquerda serem comparados a fascistas...

De fato, qual a diferença concreta entre PT e PSDB? Ambos embebidos em teses marxistas.
A diferença mais palpável é que o PT tem um projeto de controle do Estado evidente, assim como os irmãos menores mais radicais à esquerda. Afinal, já chegaram ao topo da sabedoria política e sabem o que é bom para todo mundo. Não negam a origem marxista!

Os tucanos, com as plumas coloridas e o bico envernizado nos salões da social-democracia, não são tão certos de suas certezas (daí o muro) e não parecem ter um projeto como o petista. Se religião e política se misturassem mais um pouco, os petistas poderiam ser os nossos islâmicos teológicos iranianos. Quando tenho a certeza, para que servem as oposições? Só servem para atrapalhar. Vejam Ahmadinejad.

Quem fica à direita? O DEM? Quem tem, de fato, um ideário liberal ou conservador no Brasil?
O tal PSD, saído do forno com cara de quem voará em círculos, sempre á esquerda?
Que diabos de ideário fala em justiça social (a vagueza socialista) e defesa da propriedade privada? Uma misturança programática que já mostra a que vem o tal grupo. Como já nasce rendido ao palavrório politicamente correto que hoje já pegou até o mundo corporativo. É empresa cidadã para todo lado. Empresa vota? (Mas contribui com as campanhas...)

O que é isso, afinal? Afif sob a curiosidade do delegado Protógenes no lançamento da sigla. A Fiesp é dirigida por um socialista! Uma oposição que, para dizer que está com o bem do País já precisa dizer que apoiará o governo de Dilma? Ficar contra o governo, por princípio, é estar contra o País? Que ideia de oposição é essa? Contributiva? Parece saída da fabriqueta mineira de opositores (pero no mucho).

O PT,quando exerce a oposição é duro. Bastante temível, pois age conforme a ideia de que seus fins justificam seus meios. É duro ser telhado para as estilingadas do PT. Analisem o caso da ex-governadora do RS, observem o que acontecerá em SP onde tentam colocar as garrinhas. No entanto, quando se trata de falar de oposição em termos nacionais, como são governo, situação, falam em governabilidade, etc. E os tontos da dita oposição tucana ou do DEM fazem o joguinho. 

Com uma oposição menos amarrada, menos interesseira em partições, mais dura, mais ligada a princípios que de fato resguardassem os interesses públicos, Lula tivesse, até, sido cassado no tempo do mensalão, ou Dilma não estivesse eleita. O fato de nada disso ter acontecido, ou ser seriamente considerado, mostra como a oposição é só valor nominal, algo vazio, sem têmpera. O mesmo vale para a Imprensa. Todo mundo pensando nos anúncios do Governo Federal e das estatais. E isso vale, também, para um monte de sites e blogueiros que gostam de criticar a oposição, a direita, enquanto seus blogs  são movidos a anúncios do governo e das mesmas estatais. Isso não é jornalismo, é apenas propaganda, e mal disfarçada.

Enquanto o brasileiro sentir vergonha de dizer sou oposição, ou sou conservador, ou sou de direita (que nada tem a ver com nazismo ou fascismo), as coisas nunca se arranjarão de forma decente. 
Voltaremos ao tema.   

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

VIAJANDO NO GOOGLE EARTH.Ou: a suposta viagem do suposto Cid Gomes.

Ford 1908 (http://stories-etc.com/1908.htm)
Memória
Meu pai, um tremendo gozador, contava que um sujeito que ele conhecia, que tinha um cartório em Amparo (SP), era tão muquirana, mas tão pão duro, que reunia os netos na garagem, lotava o Ford, e dizia para a molecada: "para onde vamos hoje?". 

E as crianças, escoladas,  diziam, para tal lugar. Como ele não queria gastar uma única gota de gasolina mandava a molecada imaginar a estrada, a paisagem, as casas, e os animais à beira do caminho. E ficava fazendo, com a boca, o som de um motor em funcionamento: Vrummmmmmmmmm. Vrummmmmmmmmmmm.
E não tirava o querido Ford da garagem.
A molecada tinha que viajar na imaginação.

Imaginando
Não sei porquê, mas isso me fez lembrar das explicações do governador do Ceará, Cid Gomes, para a suposta viagem que ele teria supostamente feito, com sua suposta família (isto é só para combinar com o resto!), em um suposto jatinho, emprestado por um suposto amigo (suposto, pois amigos assim podem criar problemas), suposto dono de uma suposta empresa de supostos calçados, aos supostos Estados Unidos e ao suposto Caribe.

Acho que o parágrafo anterior ficou muito bom, pois esta é a maneira mais moderna, o mais supostamente possível, dos jornalistas contarem uma suposta história hoje em dia, quando eles têm suposto medo das pessoas supostamente envolvidas nos supostos fatos, muitos não supostos, mas criminosos mesmo.

Fatos
O jornalista Felipe Patury conta, na coluna Holofote, de Veja, historinha que envolve o governador Ciro Gomes:

Dê férias ao seu governador 
A Grendene mantém uma profícua relação com o governador do Ceará, Cid Gomes. Os benefícios fiscais que a fabricante de calçados recebe naquele estado, onde mantém três unidades, foram renovados por mais quinze anos, em 2009. No ano passado, a Grendene doou 1,2 milhão de reais à campanha de reeleição de Cid. Agora, a empresa fez uma cortesia pessoal ao governador. Alexandre Grandene cedeu um jato Falcon 7X a Cid, para que ele e sua família desfrutassem de férias nos Estados Unidos e no Caribe entre os dias 20 e 27 de janeiro. Ninguém quis comentar o mimo.

Segundo informou a Folha Online, a oposição protocolou (terça-feira), na Assembléia Legislativa do Ceará, pedido de explicações sobre uma viagem de férias do governador Cid Gomes (PSB) supostamente feita em um jato particular emprestado pelo empresário Alexandre Grendene.

Grendene é um dos fundadores da fabricante de calçados, que tem benefícios fiscais no Estado. A Procuradoria-Geral de Justiça também vai analisar a informação, divulgada pela revista “Veja”, de que Cid e sua família teriam usado o jato particular do empresário para ir aos Estados Unidos e ao Caribe entre os dias 20 e 27 de janeiro.

Outro lado
Informa a Folha Online que a reportagem questionou o governo do Estado sobre o uso do avião e os benefícios fiscais, mas ficou sem resposta. Cid não se manifestou sobre o assunto. A Grendene informou que a empresa não possui jatos no Nordeste e que, se houve empréstimo, foi do avião particular do empresário.
A fabricante de calçados gaúcha começou a transferir sua produção para o Ceará em 1990, devido à concessão de benefícios fiscais. A parte administrativa ainda funciona no Rio Grande do Sul. Hoje, a Grendene possui nove unidades no Ceará. A maior parte delas fica em Sobral, cidade governada duas vezes por Cid. A primeira fábrica no município foi inaugurada em 1993, quando o governador era Ciro Gomes, hoje no PSB, informa a Folha Online.

O governador, quando foi encontrado pela Imprensa respondeu que nem foi e nem não foi; isto é, não confirmaria o uso ou não uso do jato de Grendene. Que resposta mais estranha.
Ou viajou, ou não viajou.
Se viajou de jato, o jato foi emprestado ou não foi emprestado.

Governar deve ser mesmo estressante e, talvez, em razão disso, o governador tenha ficado confuso.
Mas, ele teria ou não sido visto nos Estados Unidos? E no Caribe?

O que um governador não pode, de modo algum, é dizer que ninguém tem nada com a vida particular dele, caso tenha viajado. Ainda mais num avião emprestado.  

Para o jornalista Reinaldo Azevedo, conforme seu blog, o que aconteceu foi improbidade administrativa e isso é muito sério, podendo chegar a cassação de mandato:

"O governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), foi mimoseado com o “empréstimo” do jatinho do empresário Alexandre Grandene para passar férias nos EUA (veja abaixo). Grandene tem três fábricas no Ceará, onde goza de incentivo fiscal.
O nome disso é improbidade administrativa. A Lei 8429 é claríssima a respeito:

Art. 9º Constitui ato de improbidade administrativa importando enriquecimento ilícito auferir qualquer tipo de vantagem patrimonial indevida em razão do exercício de cargo, mandato, função, emprego ou atividade nas entidades mencionadas no artigo 1º desta Lei, e notadamente:
I - receber, para si ou para outrem, dinheiro, bem móvel ou imóvel, ou qualquer outra vantagem econômica, direta ou indireta, a título de comissão, percentagem, gratificação ou presente de quem tenha interesse, direto ou indireto, que possa ser atingido ou amparado por ação ou omissão decorrente das atribuições do agente público;
E qual é a pena? A lei estabelece:I - na hipótese do artigo 9º, perda dos bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio, ressarcimento integral do dano, quando houver, perda da função pública, suspensão dos direito e políticos de oito a dez anos, pagamento de multa civil de até três vezes o valor do acréscimo patrimonial e proibição de contratar com o Poder Público ou receber benefícios ou incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente, ainda que por intermédio de pessoa jurídica da qual seja sócio majoritário, pelo prazo de dez anos.

Viajando no Google Earth!

Lendo tudo isso na Imprensa, e pensando cá com os meus botões, chego à conclusão de que encontrei uma ótima solução para o governador Cid Gomes engambelar a Imprensa que, convenhamos, anda mesmo meio marcha lenta e sem vontade de investigar autoridades.

Ele pode contar que reuniu a família em casa, ligou o computador, clicou no Google Earth, e colocou destino: Estados Unidos!

E disse pra molecada: Vamos lá, pessoal, imaginem que estamos voando no jatinho da Grendene, enquanto o Google já estava rodando o globo para chegar à terra de Tio Sam.
Daí, só imaginação.

Ficaram pairando sobre Miami, olhando as praias e o tamanho da cidade. Depois rumaram para Nova York, até que, cansados da terra de Obama, sobrevoaram o Caribe. Mas tudo de Google Earth. Sem usar favores especiais, sem risco de cassação.

Talvez até tenham passado sobre Cuba, aquele paraíso socialista (Cid é do PSB), mas Cuba, com seus requintes, não estaria no roteiro de um socialista tão fino, nem por imaginação...

O Google Earth foi a melhor invenção para salvar os políticos, esses pobres coitados perseguidos pela Imprensa (quando algum jornalista resolve mesmo trabalhar, é claro) que não podem nem viajar em jatinhos emprestados por empresários.

Convenhamos, viajar no Google Earth é bem melhor do que ficar em uma garagem quente, sofrendo no Fordinho parado de um pão duro.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

FAZER OPOSIÇÃO PRA QUÊ? Ou: não sabemos viver na democracia.

Texto de José Serra publicado em O Globo de 10 de fevereiro. Pela primeira vez um roteiro de filosofia de oposição em um país em que prevalece o oficialismo.
O oficialismo unânime ou a oposição dita sempre propositiva, vergonhosa, nunca é boa para a democracia. O PT nunca teve vergonha de ser oposição. Para ser justo com o partido devo dizer que ninguém faz melhor oposição que o PT. Claro que nem sempre aprovo seus métodos, pois transformam a ação de oposição em uma máquina de destruição e obstrução constante. Isso também não é bom para a democracia.  

OPOSIÇÃO PRA QUÊ?
O principal risco que correm as oposições - e, portanto, também o PSDB - é perder tempo em embates menores, combates internos fantasmas ou antecipações irrealistas, como trazer 2014 para hoje, inventando bandas de adversários… internos! Atacar, constranger, prejudicar ou atrapalhar companheiros do próprio partido só faz ajudar os adversários reais, que incentivam esses confrontos.
Para o maior partido da oposição, perder-se em disputas internas seria apequenar-se. Saímos das urnas com quase 44 milhões de votos, vencendo a eleição presidencial em 11 estados. O PSDB fez oito governadores; o DEM, dois, e tivemos ainda o apoio do governador de Mato Grosso do Sul. Aqueles que votaram em nós queriam que ganhássemos, mas sabiam que podíamos perder. A oposição, portanto, é tão legítima quanto o governo; ela também expressa a vontade do eleitor e tem um mandato.
Não podemos deixar o eleitorado que nos apoiou sem representação. É ele, inicialmente, que precisa receber uma resposta e convencer-se de que não jogou seu voto fora. Até porque as ditaduras também têm governos, mas só as democracias contam com quem possa vigiá-los, fiscalizá-los, em nome do eleitor. Por isso a oposição tem de ter posições claras, ser ativa, sem se omitir nem se amedrontar. Uma eleição presidencial não é uma corrida de curta duração, de 45 dias, mas uma maratona de quatro anos. E ninguém corre parado.
Até quem votou no PT conta conosco para que ofereçamos alternativas, para que possamos aprimorar propostas do governo e denunciar, quando é (e como está sendo) o caso, a falta de rumo. Não se trata de fazer oposição sistemática ou não sistemática, bondosa ou exigente. Isso é bobagem! Essa questão não se coloca em nenhuma grande democracia do mundo. A oposição tem o direito e o dever de expressar seus pontos de vista e de batalhar por eles. É seu papel cobrar coerência, eficiência e honestidade.
A realidade está aí. O grave problema fiscal brasileiro veio à luz, herança do governo Lula-Dilma para o governo Dilma. A maquiagem nas contas não consegue escondê-lo. A Fundação Nacional de Saúde (Funasa) se transformou no retrato perverso do aparelhamento do Estado, que não se vexa nem diante da realidade dramática da saúde - ou falta dela - dos pobres. O mesmo acontece em Furnas, palco de escândalos há muitos anos, expressão do loteamento do setor elétrico, onde os blecautes têm sido a regra, não a exceção. Se a oposição não se fizer presente agora, então quando?
Fazer oposição por quê? Porque o país experimenta um óbvio desequilíbrio macroeconômico, que reúne inflação alta e em alta, juros estratosféricos, câmbio desajustado, vertiginoso déficit do balanço de pagamentos e infraestrutura em colapso. As trapalhadas do Enem mostram que o PT tripudia sobre a esperança e o futuro dos jovens. A imperícia do governo na prevenção de catástrofes e socorro às vítimas não requer comprovação. Por que fazer oposição? Porque os brasileiros merecem um governo melhor e pagam caro por isso - uma das maiores cargas tributárias do mundo, sem serviços públicos à altura. Temos o direito de nos apequenar com picuinhas? Foi para isso que recebemos um mandato das urnas?
O governo vem fazendo acenos à classe média e às oposições. Conta com o conhecido bom-mocismo dos adversários, tucanos à frente. Sua intenção é lhes tirar nitidez e personalidade, dividi-los e subtrair-lhes energia e disposição. Até a próxima disputa eleitoral, quando, então, voltaremos a enfrentar os métodos de sempre: vale-tudo, enganações, bravatas e calúnias. Cair nesse truque corresponde a trair a confiança dos que votaram em nós e os interesses do nosso povo e do país.
O PSDB não sabe fazer oposição! Tanto em 2006 como em 2010, pesquisas internas apontaram ser essa uma das críticas que o eleitorado nos faz. Ainda que fosse injusta, seria forçoso reconhecer que nos tem faltado nitidez. É razoável que o eleitor considere que não sabe governar quem não sabe se opor.
E nós temos os bons fundamentos! A quem pertence a bandeira da social-democracia no Brasil? O PT, fundado como um partido classista, sob a inspiração de partidos leninistas, varreu estatuto e ideário para baixo do tapete ao chegar ao poder e adotou como suas a plataforma e as idéias do adversário. Mas, longe de estar resolvida, após seis eleições presidenciais, sendo três vitoriosas, e dois governos depois, a contradição entre os “pragmáticos do mercado” e os “puros-sangues de Lenin” ainda é um dos flancos do PT não devidamente explorados pela oposição, para prejuízo do país.
O PT adotou as bandeiras, mas perverteu sua prática. Privatizou as ações do Estado em benefício do partido e aliados. Banalizou o que a vida pública brasileira tinha de pior. Rebaixou a Saúde e a Educação. Transformou em instrumento eleitoral a rede de proteção social herdada do governo FHC. Virou as costas para a Segurança e descuidou-se da Previdência. A falsa “social-democracia” petista preside um processo de desindustrialização do Brasil e mantém como principal despesa do orçamento o pagamento de R$ 180 bilhões anuais em serviço da dívida pública interna. Sem mencionar erros infantis, como o de reconhecer a China como economia de mercado, enfraquecendo nossos mecanismos de defesa comercial. Que social-democracia é essa, que pôs a perder o ativismo governamental nas coisas essenciais, que caracteriza o Estado do Bem-Estar Social e seus alicerces?
Essa retomada dos valores da social-democracia, com seu respeito ao jogo democrático e sua prioridade à garantia de condições dignas de vida à população, há de tirar do PSDB o falso carimbo de partido da elite e marcar diferença com o PT, com suas práticas sectárias e/ou ineptas.
Para tanto, é fundamental ao PSDB fortalecer a unidade interna, dando uma resposta àqueles que nos delegaram um mandato por meio das urnas. Estou, como sempre, a serviço da população. Ajudei a definir as bandeiras históricas do meu partido e sua renovação. Por elas e pela unidade, batalhei sempre. Ninguém andará em má companhia seguindo os Dez Mandamentos. Para quem está na política, sugiro um 11º, este de inspiração humana, não divina: “Não ajudarás o adversário atacando teu colega de partido.”


segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

OPOSIÇÃO VAI DESMASCARAR REALIZAÇÕES DE LULA REGISTRADAS EM CARTÓRIO.


O líder do Democratas no Senado, José Agripino (RN), informa: a primeira medida da Oposição será o registro negativo das "supostas realizações" que o ex-presidente Lula da Silva apresentou em cartório.

"Vamos questionar todos os projetos que o Lula diz ter executado e que foram registrados em cartório", antecipa José Agripino. O objetivo da Oposição é reestabelecer a verdade dos fatos. Basta dizer que Lula da Silva não fez qualquer menção aos casos de corrupção que ocorreram ao longo dos oito anos de seu governo. 

Teve coragem, no entanto, de registrar um caderno com o seguinte tema "Gestão do estado e combate à corrupção".

Ali, neste tópíco, Lula da Silva lista as supostas medidas adotadas nos últimos oito anos para combater desvios, como a ampliação da Controladoria Geral da União, mas não cita o mensalão, o maior escândalo de corrupção de toda a história do país.

Criada no governo FHC, a CGU é citada como criação lulista. Neste ponto, a Oposição deverá informar ao país que no governo de Lula da Silva o que houve foi o aparelhanento indecoroso da CGU pelo PT, assim como a ocupação de todos os demais orgãos do Estado pelo partido.

A exemplo do balanço petista, o conteúdo do documento "Balanço negativo da Era Lula", a ser registrado também em cartório pelo Democratas, será, igualmente, dividido em seis eixos.

Inicialmente, os capítulos estão sendo organizados com as seguintes denominações: Plano Real e Redução de Desigualdades; PAC, a maior obra inacabada do país; A propaganda é a alma da Popularidade, Aparelhamento do Estado; Desapreço pela Democracia e Política internacional: Populismo em alta e Democracia em baixa.

(extraído do Blog 25 democratas) 

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A VENEZUELA, LOGO AQUI

As nossas múmias oposicionistas parecem não querer exercer a crítica ou acuar o governo. A imprensa, em grande parte infiltrada por militantes partidários, faz o mesmo.
A oposição, especialmente o PSDB, não tem muito interesse em utilizar os 44 milhões de votos das últimas eleições para marcar um território. Os liberais (conservadores?) do DEM também não conseguem articular-se de forma coerente e não são firmes quanto aos princípios que defendem.

No fundo, tudo parece um grande jogo de cena para ir levando o Brasil à esquerda, ao modo venezuelano, usando as leis para afogar a democracia.
Os capitalistas brasileiros gostam mesmo é de ficar à volta do BB e do BNDES, adoram usar em suas obras recursos públicos a juros baratos, que não são bobos de arriscar o próprio capital; os democratas não se importam que a Constituição seja estuprada todos os dias, conforme acompanhamos pela Imprensa que, ela mesma, tudo noticia sem qualquer espanto.

Quando jornalistas já não são capazes de espanto, quando perderam a sensibilidade para o que sai do comum, deixaram de ser jornalistas de fato, têm apenas valor nominal.
O politicamente correto assola e açoita a inteligência, patrulhando todo mundo.
Os promotores públicos perderam a vontade de fazer cumprir a lei e misturam-se aos juízes do - como diz Reinaldo Azevedo - Direito Achado na Rua para legislarem, que é disso que se trata. Gostariam de governar por decreto.

Os políticos apenas querem cuidar de seus feudos familiares, acumulando fortunas e cultivando rebanhos dos quais ordenham votos, de tempos em tempos.
Com esse quadro, os petistas podem avançar sobre o Estado, criando o novo mundo possível, usando o discurso ambíguo de Lula como quebra-gelo.
A Venezuela está, cada vez mais, aqui.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

FAZER OPOSIÇÃO

Sugiro a leitura dos posts recentes do Reinaldo Azevedo, no seu blog, a respeito do papel constitucional da Oposição:

"Minha única pretensão é civilidade no jogo político e defender o direito legítimo que a oposição tem de se opor. Se esse direito é questionado, como foi por Lula, o corpo teórico que instrui a especulação é a ditadura, não a democracia. Eu duvido que Aécio ou qualquer outro consiga liderar uma oposição mais lhana do que aquela feita ao PT nesses oito anos. Se nem ela serve, que outra servirá? É preciso falar com mais clareza.
Quando é hora de fazer oposição? Na democracia, sempre! Se não agora, quando?" (Reinaldo Azevedo, 4 de novembro de 2010)

A Oposição precisa agir independente dos apelos ou provocações do senhor Lula. Precisa parar de ser pautada e orientada pelo governo.
É marcar seu território e avançar. Afinal, 56% do PIB e 52% da população  estão no campo oposicionista.   

terça-feira, 2 de novembro de 2010

DUAS VERDADES

Agora que a sorte está selada, e Dilma Rousseff venceu as eleições para a Presidência da República, resta aos verdadeiros democratas aceitar o resultado e cumprimentar  a eleita. Será a presidente de todos os brasileiros.

Dito isto, é necessário acrescentar que ainda falta muito para que a democracia brasileira se solidifique. Há grande desequilíbrio entre os três poderes, com o Judiciário praticamente legislando e o Executivo impondo decretos presidenciais a um Congresso sem forças.

A democracia e o estado de direito ainda não são realidades claras para muitos e nem aceitas por todos, visto que há quem queira extinguí-las. Com isso boa parte da população fica entregue a oportunistas e aventureiros políticos.

Iniciada a transição, aqueles que formaram a oposição, e qualquer cidadão de bom senso, devem ater-se a duas verdades:

1 . a qualidade da oposição precisa melhorar; não ceder ao canto da sereia federal e deixar de temer a tão propagada força de Lula.
2.   a imprensa deve ser cobrada e deixar de fazer um jogo ambíguo, fingindo não perceber que está infiltrada por centenas de militantes, que mais fazem mal que bem à democracia e às técnicas de apuração jornalísticas.