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quinta-feira, 24 de março de 2011

AS ELEIÇÕES BRASILEIRAS SÃO UMA FARSA NO SENTIDO MAIS EXATO E INTEGRAL DO TERMO. (OC)

BAU DE TEXTOS FUNDAMENTAIS



Por que o brasileiro vota na esquerda
Olavo de Carvalho 
Se no Brasil ocorre esse fenômeno aberrante de um eleitorado conservador votar maciçamente em candidatos de esquerda, o motivo da contradição aparente é claríssimo e se compõe da confluência de três fatores. Desde logo, o conservadorismo não tem canais partidários ou culturais de expressão e se tornou politicamente nulo. Não há políticos conservadores: ninguém pode votar em candidatos inexistentes.

De outro lado, o esquerdismo usa uma linguagem nas suas discussões internas, outra para falar com o povo, e só na primeira delas assume sua verdadeira identidade ideológica. Na outra ele dilui sua imagem em generalidades moralistas, nacionalistas e populistas. É um discurso maliciosamente escorregadio, que evita o jargão marxista e impede o povo de identificar a esquerda brasileira com a revolução neocomunista continental.

Até observadores estrangeiros qualificados, mas que desconhecem os documentos internos do PT e do Foro de São Paulo, como por exemplo Álvaro Vargas Llosa, Otto Reich e o próprio subsecretário Tom Shannon, se deixaram enganar por essa falsa aparência, imaginando o esquerdismo brasileiro como populista em vez de comunista. A população local, é claro, cai no engodo ainda mais facilmente. Mesmo entre pessoas letradas é comum a reação: “Lula, comunista? Você está doido.” O próprio Lula pôde dizer, sem que ninguém o contestasse, que não apenas nunca foi comunista como não é nem mesmo esquerdista. Essa declaração seria considerada cínica, inaceitável e até criminosa se a platéia não ignorasse que o declarante foi fundador e presidente da maior organização pró-comunista do continente.

Em terceiro lugar, o sucesso de quarenta anos de “revolução cultural” gramsciana foi tão avassalador -- dada a completa falta de resistência --, que os valores, critérios e até cacoetes mentais do movimento comunista internacional se incorporaram no “senso comum” brasileiro e já não são reconhecidos como tais: são aceitos passivamente pela sociedade, sem consciência de suas implicações ideológicas.

Somem esses três fatores e compreenderão por que um povo conservador vota em candidatos comunistas: ele não sabe que são comunistas, não sabe o que há um movimento comunista ativíssimo no continente não tem a menor idéia das conseqüências do seu voto. As eleições brasileiras são uma farsa no sentido mais exato e integral do termo.

Não havendo partidos ou políticos de direita no Brasil, toda a confrontação direita-esquerda que se vê atualmente é uma obra de engenharia social criada pela própria esquerda com três objetivos
(1) ocultar sua hegemonia e seu poder monopolístico sob uma aparência de disputa democrática normal;
(2) neutralizar quaisquer tendências direitistas, canalizando-as para uma direita pré-fabricada, a “direita da esquerda”, o que se observou muito claramente nas duas campanhas eleitorais de Fernando Henrique Cardoso, um marxista gramsciano que foi alegremente aceito como depositário (infiel, é óbvio) da confiança do eleitorado direitista;
(3) dominar todo o espaço político por meio do jogo de duas correntes partidárias fiéis ao mesmo esquema ideológico, só separadas pela disputa de cargos, como aliás o reconheceram explicitamente o próprio Fernando Henrique e o prof. Christovam Buarque, então um dos mentores do PT.

Essas três linhas de ação definem exatamente o que Lênin chamava “estratégia das tesouras”, termo inspirado na idéia de cortar com duas lâminas.
O PFL poderia ser um partido de direita, mas, como só quer cargos e não tem nenhuma perspectiva de poder, consentiu em tornar-se uma filial do PSDB. O PMDB é esquerdista desde a origem e está repleto de comunistas. O PSDB, a “direita da esquerda”, é a boca de funil para onde converge o que possa restar de direitismo hipotético nesses outros partidos. Tal como o PT, esse partido nasceu na USP, e sua única função no conjunto da estratégia comunista uspiana é impedir que os descontentes com o PT acabem se aglutinando numa direita genuína.
Zero Hora, 1o de setembro de 2006
http://www.olavodecarvalho.org/semana/060901zh.html

terça-feira, 22 de março de 2011

NO BRASIL, ATÉ A DIREITA É DE ESQUERDA. Ou: a vergonha de ser oposição ou ser conservador

Parece que há, mesmo, grande dificuldade, no Brasil, em alguém dizer que é conservador. Sendo assim, logo é chamado pelos esquerdistas de direitista. Como ser direitista deve ser algo muito ruim, ninguém quer o apelido.

Essa confusão toda tem relação com o domínio absoluto do imaginário político pela esquerda. E, enquanto isso acontece, de fato, qualquer um que discorde é logo chamado logo de direitista e é fuzilado do debate. E os esquerdistas não gostam muito do debate de idéias, preferem xingar, desqualificar, como se tais ações esvaziassem a validade dos argumentos contrários. Digo que alguém é de direita e, pronto, não precisa ouvir mais o que tem a dizer. Ser de esquerda é salvo-conduto para dizer asneiras e ter um  olhar superior. 

Se há um domínio absoluto da esquerda, e ninguém ousa se manifestar de direita, por que a esquerda gosta de dizer que a direita domina a "mídia" (antigamente chamada de Imprensa)? 
Basta ler os principais jornais brasileiros e saltará a verdade: quase todos os textos são pró visões de esquerda ou contaminados pelas posições politicamente corretas. Um ou outro veículo publica, de vez em quando, um editorial mais crítico, de viés mais conservador, sendo logo taxado de direita. 

Com essa gritaria toda a esquerda dominou o cenário político e os meios de comunicação, dando-se ao luxo de dizer que a grande imprensa é golpista e de direita. Só encenação, teatrinho para os tolos. Não há nada mais de esquerda que as redações. Os donos já não apitam nada. Basta observar as redes de TV. Alguma dúvida?

Esse panorama também pode ser verificado nos partidos políticos. Um viajante do espaço desatento, ou um estrangeiro mais interessado em partidos, poderia pensar que o Brasil é a própria Utopia socialista em carne e osso. No Brasil todo mundo se declara de esquerda, até aqueles chamados de direita pela esquerda. Alguns, se não se declaram ou não se reconhecem, agem e falam como se o fossem.

No entanto, as pesquisas de opinião mostram que há milhões de brasileiros que não se enquadram nessa esquerdice toda. Há milhões de pessoas contra o aborto, milhões contra a intromissão do estado em nossas vidas, milhões contra os excessos do politicamente correto,   
milhões que gostariam de ver segurança para o contribuínte e menos direitos para os bandidos, milhões que gostariam de poder andar armados e evitar os abusos cometidos pelos criminosos que sabem da insegurança geral e da inoperância da polícia, milhões que gostariam que houvesse um limite no apetite tributário do governo e mais vergonha na cara das autoridades. 

Esses milhões de pessoas ficam sem ter em quem votar com gosto. Sempre escolhem o menos pior. O mais conveniente. É como ir a um restaurante vegetariano (sem problema com os vegetarianos) e ter que escolher um pratinho mais parecido com o nosso gosto. Mas nunca aquilo de que realmente gostamos. Uma dificuldade. Dilma e Serra. Duas cabeças de esquerda. Quanto conservadores não tiveram que votar em Serra? por falta de alternativa?

O Brasil é tão estranho, que o PSOL e o PSTU julgam-se à esquerda do PT, considerado de direita. Os petistas, quase sempre certos de suas certezas (agora um pouco mais envergonhados, pois mostraram que sabem umas boas sacanagenzinhas com o dinheiro alheio) acham-se de esquerda, chamando de direita, quase nazista!, os tucanos. Quem diria!
os tucanos, que se definem como centro-esquerda serem comparados a fascistas...

De fato, qual a diferença concreta entre PT e PSDB? Ambos embebidos em teses marxistas.
A diferença mais palpável é que o PT tem um projeto de controle do Estado evidente, assim como os irmãos menores mais radicais à esquerda. Afinal, já chegaram ao topo da sabedoria política e sabem o que é bom para todo mundo. Não negam a origem marxista!

Os tucanos, com as plumas coloridas e o bico envernizado nos salões da social-democracia, não são tão certos de suas certezas (daí o muro) e não parecem ter um projeto como o petista. Se religião e política se misturassem mais um pouco, os petistas poderiam ser os nossos islâmicos teológicos iranianos. Quando tenho a certeza, para que servem as oposições? Só servem para atrapalhar. Vejam Ahmadinejad.

Quem fica à direita? O DEM? Quem tem, de fato, um ideário liberal ou conservador no Brasil?
O tal PSD, saído do forno com cara de quem voará em círculos, sempre á esquerda?
Que diabos de ideário fala em justiça social (a vagueza socialista) e defesa da propriedade privada? Uma misturança programática que já mostra a que vem o tal grupo. Como já nasce rendido ao palavrório politicamente correto que hoje já pegou até o mundo corporativo. É empresa cidadã para todo lado. Empresa vota? (Mas contribui com as campanhas...)

O que é isso, afinal? Afif sob a curiosidade do delegado Protógenes no lançamento da sigla. A Fiesp é dirigida por um socialista! Uma oposição que, para dizer que está com o bem do País já precisa dizer que apoiará o governo de Dilma? Ficar contra o governo, por princípio, é estar contra o País? Que ideia de oposição é essa? Contributiva? Parece saída da fabriqueta mineira de opositores (pero no mucho).

O PT,quando exerce a oposição é duro. Bastante temível, pois age conforme a ideia de que seus fins justificam seus meios. É duro ser telhado para as estilingadas do PT. Analisem o caso da ex-governadora do RS, observem o que acontecerá em SP onde tentam colocar as garrinhas. No entanto, quando se trata de falar de oposição em termos nacionais, como são governo, situação, falam em governabilidade, etc. E os tontos da dita oposição tucana ou do DEM fazem o joguinho. 

Com uma oposição menos amarrada, menos interesseira em partições, mais dura, mais ligada a princípios que de fato resguardassem os interesses públicos, Lula tivesse, até, sido cassado no tempo do mensalão, ou Dilma não estivesse eleita. O fato de nada disso ter acontecido, ou ser seriamente considerado, mostra como a oposição é só valor nominal, algo vazio, sem têmpera. O mesmo vale para a Imprensa. Todo mundo pensando nos anúncios do Governo Federal e das estatais. E isso vale, também, para um monte de sites e blogueiros que gostam de criticar a oposição, a direita, enquanto seus blogs  são movidos a anúncios do governo e das mesmas estatais. Isso não é jornalismo, é apenas propaganda, e mal disfarçada.

Enquanto o brasileiro sentir vergonha de dizer sou oposição, ou sou conservador, ou sou de direita (que nada tem a ver com nazismo ou fascismo), as coisas nunca se arranjarão de forma decente. 
Voltaremos ao tema.   

sexta-feira, 4 de março de 2011

SER RELIGIOSO E CONSERVADOR É FALTA GRAVE? Ou: hoje é melhor defender o aborto e o multiculturalismo

A imprensa brasileira repercutiu, hoje, com estridência, a fofoca vazada pelo Wikileaks a respeito de revelações feitas por políticos do PSDB, a diplomatas americanos, em 2006. O secretário de Cultura de São Paulo, Andrea Matarazzo e o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso teriam dito que o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, pertencia à Opus Dei, uma prelazia bastante conservadora do mundo católico.

Os políticos também teriam dito que não se envolveriam com empenho na campanha dele à Presidência da República por ser um sujeito "caipira" e sem visão nacional.

Procurado pela imprensa, Alckmin disse: “Pelo jeito, os brasileiros nos Estados Unidos não deram muita bola, porque eu ganhei a eleição nos Estados Unidos. Aliás eu ganhei na maioria dos países da América Latina”, brincou.

Para Geraldo Alckimn, o assunto já foi superado: “Vamos olhar para a frente. Pé na estrada e servir o povo.”

COMENTO

Curioso o peso que se atribui a qualquer coisa que vaze do Wikileaks. Esse site não passa
de praticante de um tipo de terrorismo da era da Internet.  Qual a relevância do fato de Geraldo Alckmin ser ligado à Opus Dei, se o for mesmo? É uma organização conservadora?

É proibido, feio, criminoso, antiético, imoral ser conservador ou religioso? Só os ateus e não conservadores merecem crédito? Mas um conservador religioso não defende que a mãe mate seu filho, por exemplo, como o fazem os abortistas progressistas. E nem por isso deixam de ocupar espaço na Imprensa, o tempo todo.

É preciso ser multiculturalista, relativista e de esquerda, para cair nas graças da Imprensa? De fato, é o que parece, tal a quantidade de matérias publicadas com tais inclinações. Dizer que Alckmin é "caipira" e sugerir que isso pudesse ser um empecilho político para alguém, no Brasil, seria como dizer que um nortista, por ser de dada região, não poderia pleitear a Presidência da República. Lula está aí para desmentir. 

Ou então, pior, ainda, FHC e Matarazzo acreditam mesmo que quem nasça no interior do Estado de São Paulo seja algum tipo como o Jeca Tatú de Monteiro Lobato? Para mim, os dois falaram bobagens e, agora, a oposição amplifica isso, com a ajuda de jornalistas militantes, para atacar Alckmin. O que está em curso é uma tentativa constante de desgastá-lo para tomar o poder em São Paulo, na próxima eleição, tirando-o do PSDB.