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quarta-feira, 23 de abril de 2014

SOVIET STORY, COMO OS COMUNISTAS E OS NAZISTAS PENSARAM EM DIVIDIR O MUNDO.






GENOCÍDIOS. ALGUM GENOCÍDIO É MELHOR QUE OUTRO? As bobagens de von Trier e o documentário Soviet Story.

Dica publicitária a Lars von Trier

Bruno Pontes
24 Maio 2011

É fato repetidamente demonstrado no mundo das artes que louvar o matador de seis milhões é feio, mas louvar os matadores de cem milhões é bonito.

Vi no Jornal da Globo que o cineasta Lars von Trier arrumou confusão em Cannes, onde promovia seu novo filme, "Melancolia". Lá pelas tantas, depois das perguntas de praxe sobre isso e aquilo da película, questionaram o diretor acerca de declarações dele sobre o nazismo.

"Eu entendo Hitler. Claro que ele fez algumas coisas erradas, mas eu entendo o homem, simpatizo um pouco com ele. Não pela Segunda Guerra. Não sou contra judeus. Mas os israelenses são um pé no saco... Como posso sair dessa agora? OK, eu sou nazista".

Não dava pra saber com certeza se ele falava sério ou debochava. Na volta ao estúdio do JG, Christiane Pelajo tinha um semblante de reprovação, com direito a balançada de crânio para assinalar o desgosto. O festival de Cannes o declarou persona non grata. Poucas horas depois von Trier já estava se desculpando: "Se eu ofendi alguém, peço desculpas sinceras. Não sou anti-semita ou racista de qualquer maneira, e muito menos nazista".

O socialista Hitler matou uns seis milhões de indivíduos. O ultraje do comentário é compreensível, portanto. Mas a reação do show business seria totalmente outra se von Trier tivesse apresentado uma outra credencial: se tivesse dito que é comunista.

É fato repetidamente demonstrado no mundo das artes que louvar o matador de seis milhões é feio, mas louvar os matadores de cem milhões é bonito. Recordem, por exemplo, as loas a José Samarago. Não saiu uma só matéria na ocasião de sua morte que não destacasse seu currículo de comunista. "Defensor das causas sociais". "Lutou contra as injustiças". "Escritor engajado".

Defendia o regime do genocídio, da fome deliberada (pesquisem o que Stalin fez com a Ucrânia), do Gulag, do crime de opinião, da polícia política, da ideologia compulsória, do fuzilamento dos "inimigos do povo". Mas foi um homem preocupado com o bem da humanidade até o fim. Como disse o site da Globo, "Saramago uniu a atividade de escritor com a de homem crítico da sociedade, denunciando injustiças e se pronunciando sobre conflitos políticos de sua época".

Lars von Trier perdeu uma bela oportunidade. Imaginem a cena. Ele divaga sobre a nova obra, faz trejeitos inteligentes e, depois de um gole de champanhe, comunica aos repórteres, em tom ligeiramente sofrido: "Esse filme reflete o que eu sou. É um libelo contra as injustiças. Sou um comunista libertário. Aliás, tenho sido vítima do macarthismo de Hollywood". Não haveria mãos em Cannes para tanto aplauso. O filme logo se tornaria forte candidato à Palma de Ouro. Os cadernos culturais teriam um novo queridinho.

Texto publicado originalmente no jornal O Estado de S Paulo
http://www.midiasemmascara.org/artigos/movimento-revolucionario/12109-dica-publicitaria-a-lars-von-trier.html

COMENTO

Tem absoluta razão o jornalista Bruno Pontes. Caso o diretor von Trier comparecesse ao evento utilizando uma camiseta com uma foto de Che Guevara ou de Stálin, ou mesmo de Mao, e falasse qualquer bobagem sobre a sua admiração por Cuba ou pela felicidade indescritível do povo norte coreano, teria sido aplaudido. Em muitos países as ideias nacionais socialistas foram banidas, assim como seus símbolos. Nem sei se esse é o melhor caminho, a censura a um tipo de ideias.

Mas se é para ser assim, estou com o diretor do documentário Soviet Story, Edvins Snore, que propõe que se Hitler e suas ideias foram causadores de um grande genocídio, sendo banidos, também as ideias comunistas e seus símbolos e ícones deveriam ser varridos da face da Terra. Afinal, os comunistas produziram um genocídio muitas vezes maior. Mataram mais de cem milhões de pessoas.

Se alguém tiver interesse veja o documentário, é fantástico. E muito triste e chocante.

GUTENBERG JOTA

quinta-feira, 7 de abril de 2011

PEE ON ADOLF HITLER. Quando vão fazer o do Che, Fidel, Mao, Stálin?


Curiosíssima nota publicada pelo jornalista de Santa Catarina, Aluizio Amorim em seu blog.

Uma ótima notícia: agora todos poderemos urinar sobre a carranca do famigerado ditador assassino Adolf Hitler. O alemão Michael Berger abriu um museu com itens e acessórios relacionados a banheiros. Há desde assentos de privada até suportes para papel higiênico. Um dos acessórios que chamam atenção é um urinol que traz o rosto do nazista Adolf Hitler em seu interior, segundo reportagem do jornal inglês "Metro". Aqui para ver no original do portal Metro - Here in english

Acrescento que gostaria de ver uma linha completa, incluindo, além daqueles tradicionais, que já conhecemos de longa data, alguns outros como Kadafi, Sadam Hussein, Chávez. Talvez pudéssemos ter uma linha Made in Brazil...

terça-feira, 5 de abril de 2011

A ESQUERDA VERGA TANTO, QUE ENCONTRA A DIREITA. A DIREITA VERGA TANTO QUE ENCONTRA A ESQUERDA. TALVEZ ESTEJAM NO MESMO POLO. O POLO OPOSTO É QUE É O CONSERVADOR.

Outro dia comentei aqui como o Brasil é um país estranho. No Brasil, até a direita é esquerda. Mas, mais estranho ainda, é que a direita é quase zero, não há um único partido de direita. E não confundam direita com nazismo, porque aí as coisas ficariam insustentáveis, nada mais perto da chamada direita nazista que o comunismo. Basta ver o ideário do Nacional-Socialismo alemão, do NSDAP. Há mais convergências que divergência, inclusive no trato discriminatório aos judeus.

Na verdade, no Brasil de algumas décadas atrás, gente nacionalista seria chamada de direita, porque estaria numa posição antagônica aos internacionalistas, sempre de esquerda. E o que aconteceu neste país muito louco? A esquerda agora é que é nacionalista, ultranacionalista, até. Assim, não sobra qualquer brecha para a direita, ou os conservadores. Basta ver a relação de nossos esquerdistas com ultranacionalistas do Peru, Bolívia e Venezuela (embora para mim o Chávez nunca tenha passado, mesmo, de um coronel populista, típico da A. Latina).

A esquerda adora taxar de direita qualquer um que se atravesse no seu caminho devido, ainda, ao pós Segunda Guerra Mundial e ao estigma nazista. No entanto, isso está muito longe da verdade. Os socialistas e os nazistas, embora por caminhos diferentes, mas ambos apoiados em um discurso pseudo-científico, caminharam longos trechos juntos na década de 30, quando Hitler e Stálin andaram pensando em dividir a Europa entre si. Na Alemanha dos anos 30, os comunistas (o maior PC forada Rússia) muitas vezes saiam com os futuros SA para baterem nos social-democratas da República de Weimar.

Um conservador poder ser chamado de direita, um nazista nunca. Ambos os regimes, o socialista e o nazista abominavam o capital privado, disciminavam judeus, o socialismo querendo reconstruir o mundo com base na Sociologia e o nazismo querendo reconstruir o mundo com base na Biologia

O socialismo, mais universalista, mais globalizante; o nazismo, mais voltado para as fronteiras da pátria alemã. O problema é que, para Hitler, Alemanha era onde houvessem alemães, o que indica que o nazismo também poderia pretender expandir-se até ocupar o mundo. Talvez não houvesse lugar para dois totalitarismos tão sedentos. E, de fato, não houve.
Após o Tratado Ribbentrop-Molotov, pelo qual dividiram a Europa, Hitler e Stálin acabaram se tornando antagônicos porque Hitler resolveu invadir a Rússia.

Como interessava aos aliados derrotar o mais rápido possível a Hitler, decidiram dar uma chance para Stálin, que mudou de lado. Desde então, com grande habilidade, os totalitários  esquerdistas conseguiram, primeiro banir os nazistas do cenário político, ficando com todo o mundo à disposição, ao menos potencialmente. Daí não pararam mais, e temos, então toda a histórias da revoltas, rebeliões, e golpes da segunda metade do Século XX  patrocinados pela esquerda em sua tentativa de avançar mundo afora, e países adentro. Claro, surgiram ditaduras de direita, militares, nacionalistas, sempre tentando barrar os comunistas.
Ditaduras, sempre, desprezíveis, como todas as ditaduras.

O que resultou disso tudo foi que sempre que alguém quer bater em conservadores, anti-esquerdistas, o que for, mandam logo a maldição: direitista!. Se colar colou. Como vivemos em uma época de muita gente despreparada política e culturalmente, fogem das palavras como o diabo foge da cruz ou os vampiros das balas de prata. Assim, quando interessa associar alguém ao Mal, lá vái: Direitista. E os tontos se calam e não reagem. Um bom exemplo é o tal partido PSD, do Kassab e outros ex-DEM. Nem direita, nem esquerda e nem centro. Que, diabos, é isso? Boa parte, a maior parte dos brasileiros é conservadora, porque não há um partido para eles?

Na Europa foi bastante visto o documentário Soviet Story, mostrando o genocídio comunista contra os ucranianos, ou os poloneses. Com isso, já surgiu um movimento, na Europa Central, países vítimas do comunismo e do nazismo, para banir os símbolos comunistas como foram banidos os nazistas. Os nazistas, acusados de genocídio, ganharam "o direito" de não poder participar da política na maioria dos países. O mesmo prêmio não foi dado aos comunistas, cujos regimes mataram muito mais gente, mas tiveram a sorte de mudar de barco e lutar contra os nazistas no final da guerra, os mesmos de quem eram bem chegadinhos antes de 1939 e até a invasão da Rússia pelas tropas de Hitler. Ironias do destino.

segunda-feira, 14 de março de 2011

O OVO DAS SERPENTES QUE CACAREJAM

 do baú de textos fundamentais

O ovinho da serpente
Olavo de Carvalho
Jornal da Tarde, 5 de fevereiro de 1998
 
Nos Estados Unidos, na Inglaterra, na Suécia, há organizações nazistas assumidas - militantes, ativas, armadas. Nunca uma delas foi manchete nos principais jornais. David Duke, o líder nazista que quase foi candidato à Presidência norte-americana, nunca saiu em corpo 120 na primeira página do New York Times , do Washington Post ou do Washington Times. 
 
No Brasil não existe qualquer militância nazista, exceto nos hospícios. Este é um país onde até mesmo clássicos da literatura acusados de simpatias nazistas estão expulsos do mercado livreiro há décadas sem que ninguém dê pela falta deles. É um país onde, em suma, o nazismo é apenas a evanescente recordação de um pesadelo distante, perdido nas brumas do passado.

Pois bem: neste país, oito adolescentes que numa redação escolar expressam uma vaga apreciação pela figura histórica de Adolf Hitler não apenas se tornam manchete, mas suscitam uma onda nacional de advertências apocalípticas contra a ameaça nazista. Lida por um observador desinformado, a reação da imprensa brasileira ao caso da Escola Militar de Porto Alegre produz a inequívoca impressão de que hordas de camisas-pardas estariam em vias de marchar sobre o Palácio do Planalto. 

Mas, quando reações de pavor histérico ante o imaginário coexistem numa mesma alma com a tranqüilidade olímpica ante um outro perigo, este real e iminente, então cabe perguntar: loucura ou método? A quase totalidade dos porta- vozes do alarmismo antinazista constitui-se de jornalistas e intelectuais de esquerda que vêem com calma simpatia a anunciada invasão de ministérios, bancos e edifícios privados pelos militantes armados do MST. 

A estratégia maliciosa é mais que evidente. A esquerda mundial sempre buscou impingir o socialismo como a única alternativa ao nazismo (como se este não fosse um socialismo!). A proposta indecente - "ou eles ou nós" - brota quase automaticamente nos lábios esquerdistas sempre que surge um perigo nazista no horizonte. A novidade que a esquerda brasileira acaba de introduzir nesse joguinho safado consiste em elevá- lo ao supra-sumo da calhordice: não havendo perigo nazista para servir de arma de chantagem, inventa-se um. 

Para tanto, infla-se até à demência, transformando-o em manchete nos grandes diários das capitais, um episódio que mal daria assunto para uma crônica de seminário do interior. Cria-se a notícia do nada, como Deus ao fazer o mundo. 

O falecido Jean Mellé, virtuose do escândalo, fez o sucesso de Notícias Populares por esse método. Ao não obter da Rede Record uma informação precisa sobre o hotel onde se hospedara o ídolo máximo da "Jovem Guarda" em Nova York durante uma viagem de passeio, mandou estampar em oito colunas: "Roberto Carlos sumiu!" As fãs, em lágrimas, fizeram fila nas bancas de jornais.

Outro tanto conseguia o velho Chagas Freitas em O Dia e A Notícia . Uma operária passara mal após comer um cachorro- quente? Manchete: "Cachorro fez mal à moça." Trata-se de jogar com as palavras para mudar, seja o sentido, seja as proporções dos acontecimentos. 

A classe jornalística, que tanto se gaba de sua capacidade de autofiscalização, não dá o menor sinal de perceber que, quando a grande imprensa adota os procedimentos de Jean Mellé, algo, de fato, apodreceu na consciência dos profissionais. Se todos se recusam a sentir-lhe o cheiro, é sob o pretexto edificante de que os altos objetivos políticos da operação transfiguraram miraculosamente a porcaria em sublime coisa. Todos dão por pressuposto que a luta pelo poder seja mais digna de estima do que a luta pelo dinheiro. Em nome da causa, torna-se lindo jogar pela janela os últimos escrúpulos de ética profissional. 

E os protagonistas da farsa não são todos principiantes iludidos. Zuenir Ventura, numa dramática meia página do Jornal do Brasil , quer nos persuadir de que enxerga no episódio de Porto Alegre um "ovo de serpente". Teria Zuenir se equivocado? Teria perdido, num transe de embriaguez ideológica, todo o senso das proporções? Não, uma velha raposa do jornalismo não toma tão ingenuamente por ovos de serpente ovos de codorna. Não há equívoco: ao denunciar os meninos de Porto Alegre como culpados de "delinqüência mental" - notem bem o termo -, Zuenir deixa à mostra seu intuito de fazer do jornalismo uma "Polícia do Pensamento", diretamente copiada do 1984 de George Orwell. 

E se essa ofídica entidade, ainda extra-oficial, já reina soberana sobre boa parte da imprensa brasileira sem que ninguém tenha a ousadia de contestar suas pretensões (o presente artigo jamais seria aceito num jornal do Rio), que não fará ela no Brasil socialista de amanhã, quando seus serviços forem reconhecidos e premiados pelo Estado? 

A serpente de Porto Alegre, além de estar ainda em estado de ovo, é um ovo hipotético e fingido, um ovo de papelão fabricado por uma cerebração artificiosa. Mas esta outra de que estou falando já saiu da casca há muito tempo, está viva e passa bem. Nem sempre está visível, mas todo mundo pode ouvi-la - sendo esta, precisamente, a sua peculiaridade: toda as serpentes botam ovos, mas, quando uma delas começa a cacarejar, algo de muito estranho está acontecendo. 

E se, para explicar o seu insólito procedimento, ela ainda nos diz que o motivo de sua histeria galinácea está no pavor que lhe inspira a simples visão de um ovinho, então, meus filhos, é que alguma ela está tramando. 

Portanto, entre a hipótese da loucura e a do método, opto pelas duas. A exploração metódica de uma loucura induzida com fins políticos é, em si mesma, loucura no mais alto grau. É a loucura fria, racional, dos revolucionários dispostos a justificar os meios pelos fins, como se o emprego de certos meios, uma vez tornado habitual, não passasse a determinar a natureza dos fins. 

http://www.olavodecarvalho.org/semana/980205jt.htm

domingo, 27 de fevereiro de 2011

O FERVOR ISLÂMICO COLHE A SIMPATIA DOS TOTALITÁRIOS, À DIREITA E À ESQUERDA

Um "islamofóbico" confessa-se

20/02/2011

ALBERTO GONÇALVES  (DO DIÁRIO DE NOTÍCIAS, PORTUGAL)

Em plena praça Tahrir, 200 cidadãos festejaram a queda de Mubarak violando ou, para usar o eufemismo em voga, agredindo sexualmente a jornalista americana Lara Logan (do 60 Minutes). Fonte da CBS, a estação de Logan, afirma que esses pacifistas sedentos de liberdade (e de senhoras, aparentemente) gritavam a palavra Jew! (Judia!) durante o acto, pormenor omitido na vasta maioria das notícias sobre o episódio.

Compreende-se a omissão. O optimismo face à evolução da situação egípcia é tal que qualquer nota dissonante arrisca-se a ser mal interpretada. Eu, por exemplo, estive quase a sugerir aos que comparam o levantamento no Cairo com o 25 de Abril ou com o fim do comunismo no Leste europeu que inventariassem o número de repórteres violadas, perdão, sexualmente agredidas por multidões na Lisboa de 1974 ou na Budapeste de 1989. Porém, depois desisti.

A mais vaga reticência à pureza intrínseca dos muçulmanos em êxtase suscita logo insinuações de "islamofobia" e "racismo". Por acaso, não vejo de que modo a opinião negativa sobre uma determinada crença religiosa pode indiciar racismo. Quanto à crença propriamente dita, parece-me confuso acusar-se os cépticos de aversão ao islão enquanto se garante que a revolta no Egipto é completamente secular. Entre parêntesis, convém notar que a presença de um tarado teocrático à frente da novíssima reforma constitucional garante uma secularização sem mácula.

Fora de parêntesis, confesso: chamo-me Alberto e sou um bocadinho "islamofóbico". Nem sei bem porquê. Talvez porque, no meu tempo de vida, nenhuma outra religião inspirou tantas chacinas (já repararam que há pouquíssimos atentados reivindicados por católicos, baptistas, judeus, budistas ou hindus?). Talvez porque nenhuma outra religião relevante pune os apóstatas com a pena de morte.

Talvez porque não perceba que os países subjugados à palavra do Profeta consagrem na lei ou no costume o desprezo (e coisas piores) de mulheres, homossexuais, pretos, brancos e fiéis de outras religiões. Talvez porque não se possa dizer que a sharia trata as minorias abaixo de cão dado que, não satisfeitos com o enxovalho dos semelhantes, os muçulmanos também acreditam que os cães são uma emanação do demónio e sujeitam os bichos a crueldades inomináveis.

Talvez porque alguns líderes espirituais do islão foram convictos aliados de Hitler na época do primeiro Holocausto e alguns dos seus sucessores ganham a vida a exigir o segundo. Talvez porque a presumível maioria de muçulmanos ditos "moderados" é discreta ou omissa na condenação dos muçulmanos imoderados.

Talvez porque, nas raras oportunidades democráticas de que dispõem, os muçulmanos ditos "moderados" teimem em votar nos partidos menos moderados (na Argélia ou em Gaza, por exemplo). Talvez porque inúmeros muçulmanos se ofendam com as liberdades que o Ocidente demorou séculos a conquistar, incluindo o subvalorizado mas fundamental direito ao deboche.

Talvez porque uma considerável quantidade de imigrantes muçulmanos no Ocidente rejeite qualquer esboço de integração e, pelo contrário, procure impor as respectivas (e admiráveis) tradições. Talvez porque, no Ocidente, o fervor islâmico colhe a simpatia dos espíritos totalitários à direita (já vi skinheads a desfilar lenços palestinianos e a manifestar-se em prol do Irão) e, hoje, sobretudo à esquerda.

E é isto. São minudências assim que determinam a minha fobia, no fundo uma cisma pouco fundamentada. Um preconceito, quase. Sucede que muitos dos que, do lado de cá de Bizâncio, acham intolerável tal intolerância, são pródigos na exibição impune de fobias ao cristianismo ou ao judaísmo (o popular "anti-sionismo").

E essa disparidade masoquista, receosa e ecuménica de pesos e medidas constitui, no fundo, o reconhecimento do confronto que nos opõe ao islão, mesmo o islão secular e cavalheiro da praça Tahrir, e o maior sintoma de que eles estão a ganhar por desistência. Adivinhem quem está a perder.

http://www.dn.pt/inicio/opiniao/interior.aspx?content_id=1788366&seccao=Alberto%20Gon%E7alves&tag=Opini%E3o%20-%20Em%20Foco

O NAZISMO NADA OCULTO NAS PALAVRAS DE AL-QARADAWI

Al-Qaradawi é também famoso pelas suas aparições na televisão árabe Al Jazeera. Numa destas emissões, em Janeiro de 2009, transmitida pela MEMRI, Midle East Media Research Institute, Qaradawi alargou-se no tópico dos Judeus. E disse: “Através da história, Alá impôs aos judeus pessoas que os puniriam pela sua corrupção. A última punição foi levada a cabo por Adolf Hitler. Por tudo o que Hitler lhes fez, conseguiu pô-los no lugar que eles merecem.”

E que lugar será esse? pergunto eu. Os campos de concentração, presumo. Estas frases que sugerem que Hitler fez o trabalho de Alá na oratória de Qaradawi, não surgem de um pequeno canto esconso e pouco conhecido do Corão. Pelo contrário, é central na mensagem punitiva aos não-muçulanos com particular destaque para os judeus.

Por outro lado, as televisões em língua árabe, são hoje os equivalentes, na sua disposição arabista militante, às rádios que emitiam em ondas curtas dos anos trinta e quarenta que difundiam a propaganda Nazi.

O trecho acima foi extraído do excelente blog :

http://neuroamante.blogspot.com/2010_06_01_archive.html

O blog indicado tem amplo arquivo de textos e imagens que mostram as ligações entre a visão nacional-socialista alemã (nazista) e sua influência no radicalismo islâmico. Essa influência vem desde o início dos anos 30.

Imagem de : http://freethinker.co.uk/

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

RUDOLF ROCKER E A DIALÉTICA SOCIAL Ou, como dar nó em pingo d´água

Extraído do livro "As idéias absolutista no socialismo", de Rudolf Rocker (eBooksBrasil.org).

O homem sem cabeça

Minha avó era uma mulher rara. Tinha muitas boas qualidades, mas era terrivelmente supersticiosa e sabia uma quantidade de “coisas extraordinárias”, das quais a nossa sabedoria escolar não podia suspeitar nada. Em nossa cidade havia uma velha rua solitária, chamada Hohl, na qual até em pleno dia raramente se encontrava um ser humano. Daí dessa rua, guardada por velhas árvores, uma ampla escada de pedra conduzia à torre de Stephan. Contava minha avó uma vez que, por essa escada, passeava um homem, vestido de negro, entre as doze da noite e uma da madrugada. Por que havia escolhido aquele homem precisamente essa escada para o passeio, era seu segredo; muito mais singular, porém, era a circunstância de esse homem não ter cabeça.

Sem comentário.

Sem dúvida uma história muito rara que me causou muitas preocupações quando criança. Refleti sobre o assunto um dia e outro, e cheguei à conclusão de que sem cabeça não se podia ir passear. Foi isto, sem dúvida, um grande descobrimento. Hoje, não longe dos setenta, reconheci, contudo, que durante toda a minha vida não fui um sábio, mas um pobre louco. Talvez esse reconhecimento me faça agora realmente um sábio; mas a sabedoria veio muito tarde. Torna-se uma pessoa inteligente quando na longa viagem, que se chama a vida, se aproxima da última estação.
Não fui eu sábio e filósofo, mas minha avó. Necessitei de setenta anos para aprender que se pode realmente andar passeando sem cabeça por este formoso mundo. Para minha vergonha tenho de confessar que por mim mesmo não teria caído nunca nessa verdade; foi meu bom amigo da foice e do martelo que me auxiliou. Meu amigo era um santo singular; nele nunca sabia a mão esquerda o que fazia a direita. Durante anos me tinha pregado que os trabalhadores não deviam adquirir nenhum compromisso com a burguesia e com os chamados “social-fascistas”. Só a “ditadura do proletariado” podia trazer-nos a solução. A democracia era um engano, a liberdade um “preconceito pequeno-burguês”, a ética social um “estimulante para os frouxos”.
Mas um dia o meu amigo veio visitar-me, meteu o martelo e a foice num caixote de antigüidades, e gritou: “Agora temos o justo! Frente única! Morra o fascismo! Salvemos a democracia!” Apelava aos “social-fascistas”, aos liberais, aos maçons, aos católicos, ao Papa, aos pequeno-burgueses. O presidente Roosevelt, que antes era apenas um “reflexo do capitalismo americano”, converteu-se de repente num gênio político. O sr. Browder defendeu-o com todo o calor de sua alma fogosa e declarou modestamente, num discurso pelo rádio, que os reacionários combatiam Roosevelt, mas que na realidade só se referiam a ele, Browder. Era uma época magnífica aquela da “frente única” contra o fascismo, da luta da democracia contra Hitler, o antropófago e “cão raivoso da Europa”. Recordei ao meu amigo sua posição anterior, mas gritou-me na cara: “Isso é dialética social; disso não entendes nada”.
Logo fez Stalin seu pacto com Hitler. Meu amigo perdeu por algum tempo a voz. Mas chegou a nova ordem de Moscou e começou outra vez a trabalhar o bico. “Estes vis imperialistas! A Inglaterra tem a culpa da guerra! Churchill e Roosevelt são os sacerdotes de Mamon por quem deve sacrificar-se o proletariado!” E meu amigo me mostrou um formoso desenho de “New Massas”, onde Roosevelt, vestido de bruxa no inferno, revolve o fogo de uma caldeira onde é cozinhada a sopa da guerra. Churchill, com seu grosso charuto na boca, aparece ali como um vampiro e sorri. H. Hillman, como víbora, contempla os manejos de Roosevelt, enquanto Knox e Stimson arrastam a um pobre proletário para ser cozido na caldeira e encher a barriga do imperialismo. Até me trouxe meu amigo um boletim “Aos judeus”, no qual se diz que só a política de Stalin pode libertar o mundo do anti-semitismo. Recordei-lhe que há muitos anos, na Palestina, foi editado também um manifesto dessa espécie, no qual se defendia o nacionalismo árabe contra o perigo judeu. Mas meu amigo me gritou na cara: “Isto é dialética social; tu não entendes”.
Veio o ataque de Stalin contra a Finlândia. Mencionei ao meu amigo uma frase de Lenin em 1918: “Um socialista russo que negue a liberdade da Finlândia é um chauvinista”. Mas meu amigo me mostrou um artigo do novelista Alexis Tolstoi, no Pravda, onde se lê: “Stalin sabe o que convém mais à Finlândia. Ele, mais que nenhum outro, sabe o que assegurará a felicidade a todos os povos da humanidade. Ele pensa em tudo o que pode alegrar a vida do homem. Não há um só ser humano de que ele não seja amigo e ao qual não abra seu coração. Oh! quão mais ditosos seriam os ingleses se Stalin pudesse fundar a felicidade do povo inglês!” Mas desgraçadamente já não entendia nada disso. Era dialética social.
Meu amigo atribuía aos ingleses todos os pecados; não falava uma palavra de que Hitler, coberto pela aliança de Stalin, espezinhava os povos da Europa. Os ingleses eram os malditos imperialistas. O fato de Stalin anexar partes da Finlândia, meia Polônia, Bessarábia a até a Bucovina, que nunca pertenceu à Rússia, naturalmente não era “imperialismo”, mas apenas dialética social.
Veio logo o fim amargo. Hitler fez marchar seus exércitos contra a Rússia e Stalin apelou para a ajuda dos “imperialistas”, da Inglaterra e dos Estados Unidos. Devíeis ver a cara do meu amigo. “Esse Hitler assassino! Ladrão, bandido, que assalta países e povos e os põe em seus alforjes, e que nem sequer consente que Chaplin use os seus bigodes!” E meu amigo se pôs a ajudar a Knox, Stimson a pôr o proletariado na caldeira. Churchill, o “pirata do mar”, converteu-se num grande estadista e Roosevelt teve repentinamente o destino do mundo em suas mãos.
Recordei ao meu amigo o caso de Lindbergh e do senador Weeler, que na véspera haviam sido qualificados como representantes da tradição americana e comparados com Jefferson e Lincoln. Pôs-se enraivecido e resmungou que “não queria ter nada que ver com gente que trabalhava para Hitler”, Stalin esteve sempre contra Hitler. Só concertou a aliança com ele para preparar a guerra contra ele. “Mas foi Hitler que marchou sobre Moscou”, disse. “Porque do contrário Stalin teria marchado sobre Berlim”, acrescentou o amigo. “Esta é a dialética social da história” .
Olhei fixamente o meu amigo, e descobri que não tinha cabeça. Minha avó tinha toda razão. Pode um ser humano passear sem cabeça. É até mais cômodo. “Mas devia ter uma cabeça”, objetareis. Sim, mas era só um rosto com dois olhos, e estes não viam. Uma cabeça é uma cabeça quando serve para pensar. Sobre os ombros do meu amigo podeis pôr uma cabaça, um nabo, um tambor ou um pedaço de madeira; prestará os mesmos serviços. Como comunista, pode ir a passeio sem cabeça.