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quinta-feira, 7 de abril de 2011

CHÁVEZ ENCALHOU EM COCHABAMBA. Como o venezuelano enrola Santos e facilita para as FARC

Ninguém investiga porquê, nesse contexto de aproximações com a Venezuela, as Forças Militares colombianas reduziram suas operações em 30%, enquanto que as ações terroristas das FARC crescem em todas as partes.
As forças aéreas da revolução bolivariana estão em tão ótimo estado, que o chefe supremo desta às vezes não pode cumprir com suas entrevistas com outros chefes de Estado. Dotado de caros aviões de combate russos, último modelo, capazes de espalhar a morte e a destruição no norte da América Latina, o regime venezuelano não pôde, entretanto, tirar a tempo de Cochabamba, Bolívia, o presidente Hugo Chávez e sua brilhante comitiva: o avião que o havia levado majestosamente à Argentina, Uruguai e Bolívia decidiu, no último momento, quebrar. O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, esperava o chefe bolivariano em Cartagena de Indias, para um terceiro encontro. Em vão. Por telefone lhe disseram que Chávez estava encalhado na cidade boliviana. Evo Morales não havia encontrado um avião para que seu homólogo cumprisse a última etapa de seu giro pelo continente.

Essa, ao menos, foi a versão oficial. Porém, ninguém é obrigado a acreditar. O venezuelano disse tantas mentiras em sua carreira de ditador que é legítimo pôr em dúvida, agora também, suas palavras. Há, ademais, a versão dada a uma agência de imprensa por um funcionário boliviano, que guardou o anonimato. Ele assegurou na sexta-feira que o avião estava pronto, porém, que o mandatário venezuelano havia decidido viajar "diretamente para Caracas".
Em todo caso, o presidente Santos perdeu seu tempo em Cartagena (por sorte, a cidade é linda), pois as notícias do "contratempo" chegaram em conta-gotas (que Chávez aterrissaria "um pouquinho mais tarde do que o previsto", foi a palavra de ordem) para manter o suspense. No final, os dois presidentes decidiram ver-se em 9 de abril próximo.
Quem pode acreditar no conto da falta de uma "peça de reposição"?

A razão desse desplante grosseiro com o presidente Santos é obviamente política. Foi tanta a desordem que se acumulou antes dessa entrevista que Chávez optou por esquivá-la. O assunto Makled, por exemplo, que oficialmente não ia ser tratado, passou ao primeiro plano. Na véspera, o senador norte-americano Dick Lugar e o congressista republicano Connie Mack chamaram a atenção de Santos e alguns jornais colombianos, assim como juristas e políticos do continente, exortaram Bogotá para que entregue a Washington o capo narcotraficante, acusado de enviar dez toneladas mensais de droga aos Estados Unidos.

Por outro lado, a agenda é super pesada: sete comissões bi-nacionais discutem desde há semanas sem chegar a acordos em matérias tão delicadas como segurança, energia, saúde, comércio, infra-estrutura, turismo e cultura. É uma discussão secreta, a portas fechadas, pelas costas da opinião pública, como é do gosto de Chávez. Alguns jornais trataram de reduzir o assunto a uma questão de vendas: de energia, leite e cimento colombiano à Venezuela e de gasolina à Colômbia. Não. Há coisas de grande calado. Está presente ali a idéia absurda de Armando Benedetti de criar "estados bi-nacionais" na zona fronteiriça? Essa idéia ele lançou em meados de agosto de 2010, após uma entrevista com Hugo Chávez. Ninguém sabe de nada. Até onde, nessas negociações, se estão comprometendo interesses vitais da Colômbia? Por que tanto segredo? O que Chávez está exigindo? Que outros pontos estão em jogo? Por que não chegam a acordos? Pactos sobre a luta contra o narcotráfico entre o país que expulsou a DEA (Venezuela) e um país que trabalha com a DEA (Colômbia) vai beneficiar a quem? Não podemos esquecer que, como admitiu o ministro colombiano da Defesa, esses pactos eventuais incluem "compartilhar inteligência, informação judicial e realizar operações coordenadas entre os dois países". O pastel é tremendo!

Também há disse-me-disses entre a recém designada secretária-geral da UNASUL, María Emma Mejía, e o ministro chavista Alí Rodríguez.
Indigna ver a resignação da imprensa colombiana. Ante coisas tão graves, mostra pouca curiosidade. Ninguém trata de descobrir o alcance desses convênios. Tudo é credulidade, conformismo, passividade, negligência. Ninguém investiga porquê, nesse contexto de aproximações com a Venezuela, as Forças Militares colombianas reduziram suas operações em 30%, enquanto que as ações terroristas das FARC crescem em todas as partes.

O contraste é nítido entre 2009 e 2010. Só La Hora de la Verdad, de Fernando Londoño Hoyos, entrevistou o politólogo Alfredo Rangel, autor de um estudo que mostra, com cifras exatas, esse preocupante declínio da segurança nacional. Enquanto isso, a imprensa informa menos dos ataques das guerrilhas, até o ponto em que alguns atentados não são sequer mencionados. O que está acontecendo? Por quê essa política suicida?

Mas há algo mais.
Uma notícia de 31 de março, cuja importância poucos viram, pode ter-se convertido no fator que desatou a fúria total de Hugo Chávez contra Santos e que o obrigou a aprazar o encontro de Cartagena. Chávez deve ter-se engasgado quando soube que a Colômbia não se prestava à manobra de reconhecer unilateralmente a Palestina como Estado. Juan Manuel Santos disse nessa quinta-feira, durante um encontro em Bogotá com uma delegação do Congresso Judeu Mundial (CJM): "Nós não reconheceremos o Estado Palestino, pois para nós é uma questão de princípio. Nós apreciamos muito a amizade e a valentia do povo judeu".

Com essa postura, um êxito da diplomacia israelense, tão detestada por Chávez, a Colômbia resiste às pressões palestinas e iranianas e se recusa a seguir o mal exemplo dos governos esquerdistas que fizeram tal reconhecimento: Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Venezuela, Guyana, Paraguai, Suriname, Uruguai e Chile (único de centro-esquerda). Esses governos validam a estratégia palestina de evitar a negociação com Israel para pôr a única democracia do Oriente Médio contra a parede. Jack Terpins, um dos líderes do CJM, felicitou na quinta-feira o presidente Santos por "sua luta contra a influência iraniana na região, em especial frente à Venezuela, dirigida pelo ditador Hugo Chávez. Israel considera todo reconhecimento unilateral do Estado Palestino como um obstáculo às negociações de paz", informou em 1º de abril a agência Ria-Novosti.

Os que acreditam que Chávez deixa passar sem represálias pontos de tão alto simbolismo como esse, se equivocam. O mandatário venezuelano acreditava ter conseguido "corrigir" a política colombiana profundamente. Pois não. Há pontos que ainda lhe escapam, como este do reconhecimento unilateral e independente do Estado Palestino, linha que Caracas leva com ar triunfal, da mão de Teerã e do ativismo chiita, por todo o continente. Ao contradizer essa política, Bogotá malogra pactos de Caracas com o poder iraniano, do qual dependem fornecimentos a Caracas em matéria econômica e militar.

Chávez espera "corrigir" de novo a política de Bogotá nesta semana e tomar uma resolução caprichosa antes do 9 de abril? Veremos. Em todo caso, está na hora de pedir transparência sobre o que se está negociando com a Venezuela. Não mais negociações secretas com Hugo Chávez! A opinião pública colombiana não vê com bons olhos o que está acontecendo. El Mundo, de Medellín, publicou uma sondagem no dia seguinte ao desplante de Chávez: "Você confia na atitude de Chávez para com a Colômbia na era Santos?". A resposta foi: Não, 79%; Sim, 21%.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

HUMALA, UMA FAMÍLIA "DO PERÚ". O irmão Ulises diz que Ollanta tem projeto chavista e sofre forte influência da esposa marxista.

A família Humala é uma família barulhenta, e de convicções fortes.
O também ex-candidato a presidente do Perú, em 2006, Ulises Humala, professor universitário, e irmão de Ollanta Humala, dirigiu pesadas crítica ao seu irmão Ollanta, dizendo que tem um projeto chavista, e que buscaria instalar uma ditadura, debaixo da influência de sua esposa, Nadine Heredia, a quem definiu como  "una marxista más estructurada ideológicamente que el propio Ollanta".

Para Ulises, Ollanta tenta ocultar da população sua ligação com Hugo Chávez, para não perder votos: "El proyecto chavista ya lo conocemos. Conocemos el desastre al cual está llevando Chávez a Venezuela. (El mandatario venezolano) puede quedarse hasta los 80 años porque tiene petróleo por 500 años, (pero) el Perú no tiene esas riquezas", disse Ulises Humala na rádio RPP.

Até o momento, quando deu entrevista ao jornal Correo, Ulises estava se mantendo em silêncio sobre seu irmão. "No veo por qué Ollanta no sería un dictador. Cerraría el Congreso y para solventar los cambios caería en un populismo barato. Ollanta se ha presentado como un moderado, pero es el mismo de 2006", le dijo el mayor de los hermanos Humala a "Correo".

O curioso nessa história da família Humala é que ela é toda de ultranacionalistas, de esquerda, sendo que Antauro, o mais novo, e que está cumprindo penas de 25 anos de prisão por rebelião, é ainda mais esquerdista que Ollanta. Assim, ficará difícil aos esquerdistas dizerem que os irmãos de Ollanta são de direita. 

Leia mais sobre Ollanta e seus irmãos em:
http://america.infobae.com/notas/22197-Hermano-de-Ollanta-Humala-no-cree-en-el-cambio-del-candidato-presidencial
http://www.noticias24.com/actualidad/noticia/230178/hermano-de-ollanta-humala-se-suma-a-criticas-en-su-contra/comment-page-1/

WALID MAKLED, TRAFICANTE VENEZUELANO, DIZ TER PROVAS DA ASSOCIAÇÃO COM CHÁVEZ

O traficante venezuelano, Walid Makled, que está preso na Colômbia, e é objeto de dois pedidos de extradição, um dos Estados Unidos, e outro da Venezuela, deu entrevista, da prisão,  à TV Univisión, de Miami, no domingo à noite. Disse dispor de "vídeos" e "provas contundentes" que implicam o Governo de Hugo Chávez em uma rede de tráfico de drogas.

Essas informações estão na imprensa internacional. Segundo Makled: "Não é um segredo que na Venezuela, em São Fernando de Apure, funcionam laboratórios de cocaína, iguais aos de Maracaibo... los cuales são resguardados pelo governo". Talvez tenha mesmo tais gravações. Isso parece que virou moda, não? Aqui no Brasil mesmo há verdadeiro vendaval em Brasília por conta de vídeos comprometendo políticos, conforme lemos na imprensa.

Leia trecho da matéria publicada pelo principal jornal da Colômbia, El Tiempo:


El narco venezolano está preso en Colombia y es pedido en extradición por Venezuela y EE. UU.

Makled dijo en una entrevista televisiva la noche del domingo que cuenta con "videos" y "pruebas contundentes" que implican al gobierno de Chávez en una red de tráfico de drogas.
"No es un secreto que en Venezuela, en San Fernando de Apure, funcionan laboratorios de cocaína, igual que en Maracaibo... los cuales son resguardados por el mismo gobierno venezolano", dijo Makled, en el programa 'Aquí y Ahora' de Univisión, la principal cadena hispana de Estados Unidos. (Lea las razones por las que Makled quiere ser extraditado a Venezuela).
El narcotraficante afirmó que trabajó "con el gobierno de Chávez, no cuatro años como dijeron, sino ocho años", y advirtió que tiene en su poder seis videos "extremadamente comprometedores" de la implicación gubernamental en las actividades que él llevaba a cabo.
Makled, de 42 años, uno de los tres narcotraficantes más buscados por Estados Unidos, señaló en la entrevista que existe una red de distribución de droga desde el sur de Venezuela, con vínculos con las Farc, y participación de altos militares y funcionarios del gobierno venezolano, a quienes dijo que pagaba cuantiosos sobornos semanales para desarrollar sus negocios.

Leia a matéria completa em:

COMENTO: 

Desde que o Exército Colombiano atacou um campo de  narco-traficantes das FARC, em território equatoriano, em setembro de 2009, matando um dos lideres, Jorge Briceño, conhecido como Mono Jojoy e mais 20 narco-guerrilheiros,  e apreendendo diversos computadores, lideres políticos de vários países latino-americanos não conseguem dormir em paz.

É que os tais computadores – acrescidos de outros, capturados em oportunidades posteriores – tem um conteúdo explosivo: as mensagens gravadas indicam quem mantinha contatos com os narco-traficantes, chamados somente de guerrilheiros no Brasil, quais os interesses, se venda de armas, se apoio financeiro, se venda de drogas, ou apoio político. O Brasil, oficialmente, não reconhece as FARC como um grupo terrorista, como outros países, preferindo chamá-las de "forças beligerantes", conforme o ex-assessor de Lula, Marco Aurélio Garcia. 

Basta lembrar que, recentemente, em novembro de 2010, a senadora Piedad Córdoba, teve seu mandato cassado pelo Senado Colombiano, além de perder seus direitos políticos por 18 anos, após processo feito pela Procuradoria com dados extraídos dos computadores capturados no acampamento de Jojoy. 
Piedad aparecia para o público colombiano como uma embaixadora humanitária, procurando fazer uma ponte entre o Governo e os narco-guerrilheiros, Na verdade, segundo o processo, apenas procurava ganhar tempo para a guerrilha. Era muito mais, segundo o senado, que ajuda humanitária.

Walid Makled dice tener pruebas de su asociación con gobierno Chávez

Presidente Chávez
Al presidente Chávez le llegó un alivio con la subida del precio del petróleo. Foto: AFP

OLLANTA HUMALA, OU "HUMALITA PAZ Y AMOR". O esquema para eleger Lula, em 2002, funcionará no Perú de 2011? É o que assessores petistas estão tentando. Se Hugo Chávez não atrapalhar desta vez.


Ollanta tenta afastar-se de Chávez
Foto blog.delucio.com
Ollanta Humala, o coronel da reserva e líder do Partido Nacionalista Peruano, um partido de esquerda no Peru, tem um grande problema pela frente. O problema é fazer com que os peruanos esqueçam o forte apoio que teve do presidente boliviano, Morales e do venezuelano Hugo Chávez em 2006. Tal apoio, segundo muitos analistas peruanos, teria sido um dos maiores obstáculos a Ollanta nas eleições de 2006, em que foi derrotado pelo candidato Alan Garcia, atual presidente.

Isso não significa, entretanto, que o apoio não exista, apenas não pode ser manifestado, o que pode ser acertado nos bastidores, para que os outros candidatos não digam que Morales e Chávez estão se metendo em quintal alheio. O problema de Ollanta é que não é fácil querer parecer ser uma coisa, sendo outra.

Desta vez, mais escolado, procura afastar-se de Chávez (puro jogo de cena político), para manter o empresariado  militares mais tranquilos. Que é o candidato da esquerda latino-americana (o que inclui Morales e Chávez)  não há dúvidas, basta observar como o retratam os sites e blogs de esquerda. Ollanta é o político "perseguido pela mídia".

De fato, antevendo grandes dificuldades num segundo turno, o primeiro será no próximo domingo, dia 10, embora lidere agora as pesquisas com uns 28%, o coronel da reserva já  no final de 2010 dizia estar muito preocupado com uma fraude que seria preparada por Alan Garcia para prejudicá-lo. Essa é uma conversa já bem antiga quando um candidato de esquerda corre o risco de perder. Já antecipa denunciando uma fraude. Costumes, os mesmos, lá e cá.

Para garantir uma imagem tipo "Lulinha paz e amor", não agressiva ao mercado, não ameaçadora à propriedade privada e aos estrangeiros,  Humala Ollanta conta, segundo a Folha de São Paulo, com a assessoria de vários petistas brasileiros.

Para ajudar Ollanta em sua mudança de imagem e de discurso estão no Peru o ex-marido da senadora Marta Suplicy (PT-SP) e o petista Valdemar Garreta, desde janeiro, segundo a Folha de S. Paulo. A ideia é seguir a estratégia da campanha de Lula, em 2002, quando ele tomou um banho de boutique e fez fotos até fumando charutos em Nova Iorque. (Um operário de bem com o capitalismo?)

A cópia é de tal maneira que o candidato peruano lançou até uma "Carta de Lima", aos moldes da "Carta ao povo Brasileiro", de Lula. A dificuldade será amenizar a imagem de Ollanta, chamado, em seu país de Hugo Chávez peruano. O Perú passa, nos últimos anos, por um bom momento econômico, em termos relativos à América Latina, tendo conseguido o presidente Alan Garcia, manter um controle sobre a tentativa de retorno do grupo terrorista Sendero Luminoso que foi exterminado nos tempos de Fujimori, mas acabou sinalizando alguma vida há uns dois anos. E os peruanos não querem saber de terrorismo, pois viveram isso na pele por muitos anos, e isso é muito doloroso para um país.

Todavia, segundo a Folha, um dos porta-vozes do coronel disse que ele poderá rever contratos de obras na região amazônica peruana executadas por empresas brasileiras.
Já viram esse filme antes? Isso aconteceu na Bolívia e na Venezuela.

Em fevereiro, Ollanta esteve com Lula, nos 31 anos do PT, e teria sido orientado a se afastar de um irmão ultranacionalista, Antauro Humala. Homem forte da administração de Marta na Prefeitura de São Paulo (2001-2004), Garreta afastou-se da vida partidária em 2010. Favre, que sempre militou na área internacional do PT, submergiu em fevereiro de 2009, após separar-se de Marta. Em fevereiro, Humala se reuniu com o ex-presidente Lula, em meio às comemorações do 31º aniversário do PT. A campanha de Humala segue a estratégia traçada por pessoas ligadas a João Santana, o marqueteiro de Lula em 2006 e Dilma Rousseff, em 2010. 

quarta-feira, 23 de março de 2011

CHÁVEZ E KADAFI, OS IRMÃOS SIAMESES PUPILOS DE FIDEL CASTRO

Semelhanças entre Chávez e Kadafi


Megalômanos e mitômanos, Kadafi e Chávez foram insuperáveis militares de carreira, sem brilhar como condutores de tropa nem se distinguir nas lides acadêmicas castrenses. Ambos eram do montão. Chávez sustenta sua revolução continental na distorção e deformação dos ideais pan-americanos do libertador Simón Bolívar. Kadafi sustenta sua revolução islâmica regional e mundial no pan-arabismo e na interpretação pessoal do Corão, descrito no Livro Verde de sua autoria, talvez a única coisa na qual não coincidem, pois Chávez não tem neurônios para escrever um livro.

Os dois governantes têm ambições ditatoriais e desejos de se perpetuar no poder, sem se importar a quantos compatriotas tenham que assassinar, torturar ou encarcerar. Ambos apóiam o terrorismo e pretendem co-governar na vizinhança para impor o comunismo que lhes dita seu chefe natural, o ancião terrorista Fidel Castro.

Portanto, são inimigos declarados dos Estados Unidos, da liberdade e da democracia, porém, em contraste, vociferam ser libertários, revolucionários e, acredite quem quiser: democratas.
Kadafi e Chávez aparecem relacionados nos computadores de Raúl Reyes como sócios das FARC e promotores do terrorismo no hemisfério. Os dois mandatários são sócios ideológicos e procedimentais dos governante pró-terroristas Daniel Ortega, Rafael Correa, Evo Morales, Raúl Castro e do Brasil, os quais de maneira coincidente rechaçaram e questionaram a ação da ONU na Líbia.

Os dois personagens executam seus sonhos ditatoriais do mesmo modo, em dois países ricos em petróleo e seus derivados. De maneira coincidente são histriônicos, loquazes, cínicos, descarados e mentirosos. Em que pese as evidências demonstradas de diversas maneiras acerca de seus nexos com grupos extremistas no mundo, Chávez e Kadafi utilizaram farsas e atitudes fingidas de conciliação para descartar suas responsabilidades, porém, ao pouco tempo expressaram seu ódio contra a democracia e seu credo no comunismo terrorista contra seus próprios povos.

Sob seus mandatos, Líbia e Venezuela são clientes assíduos para comprar armas à Rússia e ambos são amigos próximos do pouco ético líder russo Vladimir Putin. Inclusive o governo venezuelano condecorou Kadafi em setembro de 2009, e Chávez o declarou o similar de Bolívar na África.

Cada um por separado em sua respectiva região, financiou campanhas clandestinas para desestabilizar governos vizinhos e instaurar no poder títeres de seus governos. Kadafi interveio e financiou grupos terroristas muçulmanos na Argélia, Marrocos, Chad, Egito, Sudão, Síria, Líbano, Palestina, Iraque e Afeganistão.

Chávez, por seu lado, pôs nos governos de Equador, Nicarágua e Bolívia seus peões Correa, Ortega e Evo, financia as FARC e oferece-lhes proteção em seu território, promove os movimentos de insurreição indígena continental e financiou as campanhas políticas de Zelaya em Honduras, Cristina de Kirchner na Argentina e o atual presidente de El Salvador, Mauricio Funes.

No âmbito territorial, Líbia e Venezuela têm portos marítimos ao norte e, apesar da riqueza petroleira, seus recursos financeiros acabaram ou em armas, ou em apoio a outros países sem que seus povos sejam beneficiados pelos rendimentos do hidrocarboneto.

Finalmente, ambos ingressaram no socialismo pelas cartilhas e documentos de propaganda soviética dos anos sessenta, e em desenvolvimento dessa metodologia de administração pública, organizaram comitês de defesa de suas revoluções, com populares civis "comprados" para fazer protestos e montagens publicitárias. Tudo porque Chávez acredita ser a reencarnação de Bolívar e Kadafi acredita que ele é o Sheik sunni, destinado a salvar o mundo islâmico dos vícios ocidentais. Portanto, para eles não pode haver nem imprensa livre, nem partidos políticos que lhes façam oposição. Seus opositores são encarcerados ou silenciados como ocorre também em Cuba, Coréia do Norte ou Irã.

Esse é o coincidente perfil de dois personagens sinistros que, desde diferentes latitudes apóiam o terrorismo e o ódio contra a liberdade, a democracia e a paz no planeta. Ambos crêem que são superiores às instituições e donos do destino dos países vizinhos.
Tradução: Graça Salgueiro



CHÁVEZ DOIDÃO: CAPITALISMO ACABOU COM A VIDA DE MARTE.

Hugo Chávez, às vezes, pode ser bem divertido, não fosse ele um sujeito tão perigoso. Mais divertido, até, que Lula. 
Lula já havia sugerido que a Terra sendo plana a poluição poderia ser menor. Chamem Galileu!

O presidente (?) da Venezuela afirmou em seu discurso relativo ao Dia Mundial da Água, que o capitalismo pode ter sido o culpado pelo fim da vida em Marte. E da água.

- Eu sempre digo, e ouço, que não seria estranho se tivesse existido uma civilização em Marte, mas talvez o capitalismo tenha chegado lá, o imperialismo chegou e acabou com o planeta. Chávez também culpou o capitalismo por problemas do mundo. - Cuidado! Aqui no planeta Terra, onde centenas de anos atrás ou menos havia grandes florestas, agora há desertos. Onde havia rios, há desertos. Ele sugeriu que os ataques do Ocidente na Líbia tinham como motivação fontes de água e reservas de petróleo.

sábado, 12 de março de 2011

"TODO PRESO POLÍTICO É UMA EXPRESSÃO DO PODER DESMEDIDO EM AÇÃO PARA SILENCIAR A SOCIEDADE"

Macky Arenas semana a semana: Alejandro Peña Esclusa
MACKY ARENAS
Macky Arenas
El pasado sábado estuvimos en El Helicoide visitando a Alejandro. Lo encontramos sólido, animoso, firme en sus convicciones y afortunadamente saludable. No obstante, como todos los demás, está sometido a un claustro donde el sol les regala su luz tan sólo una hora cada quince días. Eso no pareciera tan grave a simple vista, pero es el tiempo bajo ese régimen el que pasa factura al organismo. Eso, sin contar con el tiempo productivo en lo personal y perdido en lo familiar, que nada ni nadie les paga. Los están desgastando de manera deliberada.

Afortunadamente, tienen el respaldo de su familia, de sus amigos y de muchos quienes, a causa de su sacrificio y su entrega, los admiran, respetan y acompañan. No serán líderes ni rutilantes figuras del firmamento público, pero son presencias que disfrutan los presos porque les llevan cariño y recuerdo. Eso les hace un poco más llevadero su encierro. Allí estaban varios de los muchachos que cumplieron la jornada  de hambre, por cierto más exitosa que cualquier otra acción política conocida.

Refiriéndonos al caso de Alejandro, pensar en la injusticia que con él se ha cometido incrementa, si cabe, esa íntima rebeldía que va tomando fuerza la conciencia de cada uno de nosotros. Eso, muy a pesar de que él reivindique su derecho a mantenerse dispuesto a pagar el precio que le ponen a su consecuencia indoblegable con los principios y a persistir en la resistencia en nombre de valores fundamentales. Pero nos indignamos porque se trata una canallada de la peor especie. Al no poder encarcelarlo por opinar, ni por difundir información veraz, ni por denunciar con insistencia, ni por ser escuchado internacionalmente, ni por tener el coraje para sostener sus puntos de vista, recurrieron al expediente bochornoso, goebbeliano y  maloliente de la siembra de “evidencias”. No hay peor cobardía de parte de un gobierno, ni más nítido sello de impotencia contra la integridad de un ser humano que echar mano de la mentira, de la calumnia, de la simulación de legalidad y del burdo montaje de un delito para meterlo en la cárcel.

Fuera de Venezuela el movimiento a favor de la libertad de Alejandro ha tomado enorme vigencia, justamente porque él dedicó buena parte de sus esfuerzos a ser la voz exterior de quienes sufrimos los desmanes de esta pantomima de democracia. Alejandro recorrió todo nuestro continente llevando a cada rincón el alerta contra la expansión del modelo cubano a la venezolana, financiado por la chequera petrolera. Su prédica contribuyó a correr el pesado cortinaje del engaño, abrió muchos ojos y arrancó demasiadas caretas. Nos corresponde ahora a nosotros, sobre todo a aquellos que han conseguido ocupar espacios de vocería para la oposición, hablar por él, exigir su libertad e imponer una presión de bloque pues es la que, vistos los resultados de recientes esfuerzos, logra despejar ciertos caminos.

La existencia de presos como Alejandro Peña Esclusa coloca en vitrina la persecución y detención política en Venezuela. Después del caso del general Francisco Usón, no se había visto uno que desgranara con mayor claridad las cuentas del rosario de la arbitrariedad en este país. Tampoco les funcionó con Oswaldo Álvarez Paz el expediente de la “incitación a la rebelión” porque no hay manera de probarla a partir de la simple emisión de opiniones. Entonces, para Alejandro, mandaron esbirros que sembraron explosivos que él almacenaría… en las habitaciones de sus pequeñas hijas.! Hasta allí llega la aberración. Hasta allí el show para activar el aparato policial y judicial, cual servil jauría contra un indefenso ciudadano.

Todo preso político, sin importar el cargo que le inventen, es una expresión del poder desmedido en acción para reducir a la sociedad. Ellos son el espejo en que debe verse el resto de la población porque nos recuerdan que los demás permanecemos en libertad condicional. Quienes están detrás de las rejas, con sentencia firme o no, guardan una historia de trajín político oculta en sus amañados expedientes. De allí que la lucha por su libertad merezca estar en primera línea en la agenda política de quienes conducen esta oposición, no importa desde cuál frente -que lamentablemente no es uno sólo- porque es una cuestión de humanidad, porque puede pasarle a cualquiera, porque nos compromete en una cruzada de reciprocidad, porque Alejandro ha probado tener razón y porque es otra injusticia que esa carga se abandone a los hombros, ya demasiado agobiados, de los valientes y solidarios jóvenes universitarios.

Macky Arenas
Socióloga y periodista
mackyar@gmail.com

Texto extraído de UnoAmerica, uma das organizações mais sérias na luta pela garantia das liberdades democráticas:

quinta-feira, 3 de março de 2011

E O CHAPOLIM DE CARACAS INDICOU MESMO LULA PARA MEDIAR A PAZ NA LÍBIA!

No dia 28 de fevereiro postei texto dizendo que dada a amizade entre Chávez, Kadafi e Lula, não seria de estranhar se o ditador venezuelano indicasse o nosso ex-presidente falastrão para mediar o processo de paz na Líbia.

Não deu outra. O falastrão de Caracas indicou seu amigo Lula, conforme lemos no noticiário de hoje. São bem previsíveis.

Mas o Itamaraty já informou que o País apoiará qualquer medida tomada contra a Líbia, até ações militares. Celso Amorim deve estar arrepiado!

NOTICIÁRIO:

Venezuela cogita Lula como mediador em conflito na Líbia
estadão.com.br

O governo da Venezuela espera que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva chefie a comissão internacional para mediar o conflito na Líbia, proposta pelo presidente Hugo Chávez, disseram fontes à Reuters. De acordo com assessoria de imprensa do ex-presidente, ainda não há nada oficial sobre uma eventual participação de Lula na intermediação.

Saif al Islam, filho de Kadafi, disse na quinta-feira que não é necessário qualquer envolvimento internacional na mediação da crise na Líbia, quando questionado sobre a oferta da Venezuela.
Saif afirmou em entrevista ao canal Sky News que não estava ciente da oferta feita pelo presidente venezuelano, Hugo Chávez, mas acrescentou: "Temos que dizer obrigado... mas somos capazes o suficiente para resolver nossos problemas por nosso próprio povo. Não há necessidade de qualquer intervenção internacional".
Texto do blog, de 28/02

Hugo Chávez só faltou dizer, hoje, à imprensa, que foram os ocidentais que fomentaram a rebelião na Líbia. Acusou os Estados Unidos de estarem interessados em invadir o país e tomar o petróleo líbio. O mundo todo condena a brutalidade do ditador Kadafi e espera uma atitude dos líderes internacionais, mas Chávez raciocina como um alucinado. (Talvez tenha recebido alguma ligação de Fidel Castro...)

"Em vez de mandar soldados e aviões, por que não enviamos uma comissão de boa vontade que vá ajudar para que não sigam matando na Líbia?", disse Chávez. O coronel venezuelano disse que tem poucas informações sobre o massacre imposto ao povo líbio pelo seu amigo coronel Kadafi.

Talvez não saiba que as mortes já passaram de mil e que há violentos combates,  em  diversas regiões, ameaçando desintegrar o país. Talvez até saiba, mas esteja preocupado com a situação dramática da própria Venezuela, onde ele parece um novo Kadafi.

Até pouco tempo atrás o ex-presidente Lula parecia estar convencido de que poderia alterar tudo no mundo; como dizia ser amigo de Kadafi, e também de Chávez, por que este não o indica como embaixador da paz em Trípoli?. Poderia ir acompanhado de Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia.

Experiência internacional não lhes falta; basta a lembrança da Pensão Brasil, em Tegucigalpa, onde Manuel  Zelaya passou dias muito agradáveis por conta do contribuínte brasileiro.

Eis aí algo que gostaria de ver. Lula contando farofas para Kadafi em meio a metáforas futebolísticas e histórias de como reinventou o Brasil, tudo em meio a rajadas de metralhadoras.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O KADAFI DE CARACAS DEVERIA INDICAR LULA COMO EMBAIXADOR DA PAZ NA LÍBIA DO KADAFI DE VERDADE

Hugo Chávez só faltou dizer, hoje, à imprensa, que foram os ocidentais que fomentaram a rebelião na Líbia. Acusou os Estados Unidos de estarem interessados em invadir o país e tomar o petróleo líbio. O mundo todo condena a brutalidade do ditador Kadafi e espera uma atitude dos líderes internacionais, mas Chávez raciocina como um alucinado. (Talvez tenha recebido alguma ligação de Fidel Castro...)


"Em vez de mandar soldados e aviões, por que não enviamos uma comissão de boa vontade que vá ajudar para que não sigam matando na Líbia?", disse Chávez. O coronel venezuelano disse que tem poucas informações sobre o massacre imposto ao povo líbio pelo seu amigo coronel Kadafi.

Talvez não saiba que as mortes já passaram de mil e que há violentos combates,  em  diversas regiões, ameaçando desintegrar o país. Talvez até saiba, mas esteja preocupado com a situação dramática da própria Venezuela, onde ele parece um novo Kadafi.

Até pouco tempo atrás o ex-presidente Lula parecia estar convencido de que poderia alterar tudo no mundo; como dizia ser amigo de Kadafi, e também de Chávez, por que este não o indica como embaixador da paz em Trípoli. Poderia ir acompanhado de Celso Amorim e Marco Aurélio Garcia.

Experiência internacional não lhes falta; basta a lembrança da Pensão Brasil, em Tegucigalpa, onde Manuel  Zelaya passou dias muito agradáveis por conta do contribuínte brasileiro.

Eis aí algo que gostaria de ver. Lula contando farofas para Kadafi em meio a metáforas futebolísticas e histórias de como reinventou o Brasil, tudo em meio a rajadas de metralhadoras.

NÃO HÁ DUAS ESQUERDAS NA AMÉRICA LATINA. Há somente uma, com duas caras, para enganar os observadores americanos

sábado, 26 de fevereiro de 2011


Entrevista de Olavo de Carvalho a Jeffrey Nyquist

(Foto)
Jeffrey Nyquist: Financial Sense, 18 de fevereiro de 2011
Tradução e link*: Dextra








Esta semana eu tive o prazer de entrevistar o filósofo brasileiro e presidente do Inter-American Institute, Olavo de Carvalho. Durante a conversa, eu sugeri que há algo de errado com nosso pensamento, hoje; que não adoramos a Deus do mesmo modo, nem obedecemos as regras do mesmo modo, nem observamos as boas maneiras como no passado. "Para alguém como eu", começou ele, "que visitou este país nos anos 80 e voltei para viver aqui em 2005, as mudanças que a mentalidade americana sofreu em décadas recentes é realmente chocante."
Carvalho recomendou que eu lêsse o livro de Tamar Frankel Trust and Honesty: America's Business Culture at the Crossroad [Confiança e Honestidade: A Cultura Americana dos Negócios em uma Encruzilhada], o qual, ele explicou, "descreve o declínio alarmante dos padrões morais no mundo americano dos negócios..." De acordo com o livro de Frankel, a erosão da confiança e da honestidade tem a ver com a aceitação e a justificação crescentes de práticas fraudulentas. "O que mudou", escreve ela, "é a atitude em relação à desonestidade e a quebra da confiança. Hoje, há uma maior aceitação e mais justificação da desonestidade." Como isto aconteceu? Com a remoção de certas barreiras à fraude, a tentação aumentou.
Carvalho têm suas próprias opiniões a respeito das causas da deterioração moral e intelectual dos Estados Unidos. "Um dos fatores que causou esta mudança, com suas consequências altamente corrosivas para a vida diária dos americanos, foi o "neo-liberalismo" em voga, que via o mundo dos negócios como um poder auto-regulado, capaz de se sobrepor à moralidade, à religião e à cultura e de ditar padrões de conduta com base no poder supostamente milagroso das leis do mercado. O que fez a grandeza da América não foi só a economia de livre mercado, mas uma síntese disto com a moral cristã e com uma cultura que incluia o amor ao país e à família. Separada destas forças regulatórias, a economia capitalista se torna um motor de auto- destruição, que é exatamente o que está acontecendo hoje.”
Sem dúvida, há muita verdade na afirmação de que a sociedade americana tradicional desabou, sendo substituída pela "sociedade aberta", assim batizada por George Soros e Karl Popper. De acordo com Carvalho, a sociedade aberta se define como "não reconhecendo quaisquer valores transcendentes e deixando tudo à mercê das conveniências econômicas -- conveniências que são algo que se alega para se justificar a própria demolição dos mercados livres e sua substituição pelo estado de bem-estar social, baseado em taxação e déficits." Em outras palavras, Carvalho está dizendo que o livre mercado não torna os homens bons. Ele não os adestra para serem morais. Ele não se dá ao trabalho de se defender do socialismo. Estes elementos na sociedade que anteriormente instilavam valores morais não são mais tão eficazes, se é que têm alguma eficácia.
Carvalho é de opinião que o conceito da “sociedade aberta ” é usado pelos inimigos da nação para destruirem "tudo o que é bom e grande neste país." Ele então menciona o pensador geo-político russo Alexander Dugin, e 'o novo esquema russo-chinês...'. Usando uma propaganda sutil, observa Carvalho, a "sociedade aberta" se torna um pretexto para difundir o ódio generalizado global contra os Estados Unidos, pois a "sociedade aberta" produz uma degradação moral que é em seguida atribuída ao modo americano de vida, o que supostamente demonstra a perversidade e decadência particulares do povo americano. Isto leva diretamente a uma discussão sobre os males do imperialismo cultural americano -- o grito de guerra dos estrategistas russos e chineses, cujo objetivo é a eliminação dos Estados Unidos como potência mundial. A eficácia desta estratégia não deve ser subestimada. Como explica Carvalho, "A influência russo-chinesa tem crescido cada vez mais na América Latina. O governo dos Estados Unidos não percebeu isto porque ainda vê a Rússia e a China como aliados, apesar do fato de que eles são os dois maiores fornecedores de armas para o terrorismo ao redor do mundo. É preciso lembrar que a política externa de Putin é hoje guiada pela estratégia assim chamada "eurasiana", inventada pelo filósofo russo Alexander Dugin, que propõe que a Rússia, a China e o Islam se aliem com todas as forças anti-americanas na Europa Ocidental, na África e na América Latina, com o propósito de fazerem um cerco final aos Estados Unidos. Esta estratégia já tem forte apoio militar na Shanghai Cooperation Organization, um tipo de versão oriental da OTAN que reúne a Rússia, a China, o Kazaquistão, o Quirguistão, o Tajiquistão e o Uzbequistão.”
Perguntei a Carvalho sobre informações recentes de um acordo entre o Irã islâmico e a Venezuela comunista para construírem uma base estratégica de mísseis apontados para os Estados Unidos. Perguntei se os marxistas da América do Sul estavam aliados à al Qaeda e Teerã. “Sim, estão," respondeu ele. “Eles também estão aliados ao ETA, que é uma organização terrorista basca. Há muitos agentes destas organizações no séquito de Hugo Chavez. Este fato não é desconhecido de muitos governos latino-americanos, mas a maioria deles está comprometida a ficar em silêncio sobre isto por causa dos acordos que assinaram como membros do Fórum de São Paulo, a ponta de lança do movimento comunista na América Latina.”
Eu então pedi a Carvalho para dar os nomes dos países trabalhando com os terroristas em todo o mundo pela destruição dos Estados Unidos. Ele respondeu assim: "Irã, Síria, Coréia do Norte, Cuba, Rússia e especialmente a China são os principais. Na América Latina, a Venezuela é o exemplo mais óbvio, mas a Venezuela não seria nada sem o apóio que recebe de todos os governos do Fórum de São Paulo, cujo líder é o Brasil.”
De acordo com Carvalho, a Esquerda continua a consolidar sua posição na América Latina. "Ela tem seguido uma estratégia que foi explicitamente apresentada em um congresso comunista chinês há poucos anos: tomar o poder por meio de eleições legais e então erodir o sistema democrático a partir de dentro, para impedir a oposição de jamais voltar ao poder em eleições futuras," explica ele. "Ou seja: eles vencem uma primeira disputa e em seguida passam a mudar as regras do jogo. No Brasil, esta estratégia tem levado a resultados espetaculares. Primeiro, a idéia era limitar o campo político a apenas dois disputantes: a Esquerda radical e a Esquerda moderada. Todas as outras forças políticas foram desmanteladas por meio de auditorias fiscais seletivas e acusações de corrupção que sequer precisavam ser provadas, já que elas destruiam reputações para sempre, assim que eram trombeteadas pela mídia.”
Poderia o aliado tradicional dos Estados Unidos na América do Sul estar sob o controle de um movimento totalitário? Como poderíamos não ter percebido um acontecimento tão espantoso? "Os formadores de opinião americanos têm uma visão errada do Brasil", diz Carvalho, "porque o governo brasileiro sempre agiu com duas caras e de modo camuflado. Por um lado eles cortejam os investidores americanos para fortalecerem a economia brasileira, mas por outro eles tiram proveito do sucesso econômico a fim de consolidarem o poder esquerdista em casa, tornarem impossível qualquer oposição política que não seja da esquerda moderada, e darem apoio efetivo à ascenção da Esquerda nos países vizinhos, enquanto protejem organizações abertamente terroristas como as FARC e o MIR chileno, que assim acabou controlando o crime organizado local e ganhando o monopólio do mercado das drogas no Brasil. Na Venezuela, Hugo Chavez também desmantelou a oposição, mas usando métodos mais crassos."
Já que o Brasil abriga o cerne do movimento comunista na América Latina, como tem progredido a campanha anti-americana?  De acordo com Carvalho, a Esquerda nem sempre consegue avançar. "Ela segue um rítmo alternante", explica ele, "dependendo de se o importante no momento é adular os investidores estrangeiros ou unificar e fortalecer a Esquerda latino-americana.”
“Há mais de dez anos", observa Carvalho, "eu tenho alertado que o Partido dos Trabalhadores (no Brasil) não é uma organização como as outras; ou seja, disposta a se alternar no poder com a oposição. O Partido dos Trabalhadores é uma organização revolucionária, comprometida com o amoldamento do estado e da sociedade inteira à sua imagem e semelhança, usando, para este fim, os meios mais vis e corruptos. Como ninguém nunca acreditou em nada disto,  todos se desarmaram gentilmente em face a este partido em ascenção e agora que ele controla tudo, ninguém pode fazer nada contra ele. O Brasil é governado por um só partido com muitos nomes. Não vejo perspectivas de se mudar esta situação no curto ou médio prazo*."
Perguntei a Carvalho sobre o Chile, que se desviou da Esquerda nas últimas eleições. De todos os países na América do Sul, qual é o segredo do aparente conservadorismo do Chile? "A elite chilena é infinitamente mais educada e moralmente melhor preparada do que a elite brasileira," responde ele. "Quando as coisas começam a caminhar para o abismo, os chilenos conseguem entender o que está acontecendo e mudar de curso antes que o desastre ocorra. Você não consegue imaginar a preguiça intelectual dos empresários, políticos e militares brasileiros. Mesmo quando a situação se torna alarmante, eles se aferram a suas crenças confortáveis e costumeiras e se recusam a se informarem sobre o que está de fato acontecendo. As classes ricas no Brasil são presunçosas e indefesas. Elas não sabem como resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças jogado pelo governo esquerdista que as controla. Não só no Chile, mas também na Argentina, as elites estão muito melhor preparadas para enfrentar tal situação."
E qual é a coisa mais importante que os americanos devem saber sobre a presente situação política na América do Sul? "A coisa mais importante", diz Olavo, "é a profunda e sólida unidade dos movimenos esquerdistas locais através das fronteiras nacionais, a unidade da estratégia revolucionária subjacente às diferenças aparentes e enganadoras de caráter nacional. Não há isto de 'duas Esquerdas' na América Latina. Há apenas uma Esquerda, que tem tanta solidariedade consigo mesma que nunca perde controle das duas caras que emprega para tapear os observadores americanos."
Ouvindo Carvalho caracterizar a elite empresarial e política brasileira como intelectualmente preguiçosa, não pude deixar de pensar na elite americana. Também eles se recusam a mudar de curso em face do desastre que se aproxima. Mesmo a situação se tornando alarmante, eles gastam mais e mais dinheiro. Eles cortejam os inimigos e traem os aliados. É verdade, também, que eles "não sabem resistir ao jogo sutil das lisonjas e ameaças" jogado pelo poder esquerdista.

TEXTO ORIGINALMENTE PUBLICADO NO BLOG DEXTRA VERA:                               http://veradextra.blogspot.com/
Veja também: VÍDEO: Entrevista exclusiva com Graça Salgueiro.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

ADVINHEM QUE VEM PARA O JANTAR. Ou: Kadafi fugirá para a Venezuela?

A Líbia, ao centro, cercada por regimes agora instáveis
Ao longo do dia as agências noticiosas informavam que, segundo redes de relacionamento pela Internet, Kadafi teria fugido para a Venezuela. Podem ser apenas rumores, pois à noitinha o ditador Líbio apareceu na TV nacional (seria mesmo de lá?) dizendo que não abandonaria Trípoli.

Pode ser que esteja na Líbia e pretenda mesmo ficar, evitando que o país se desmorone e surjam diversos pequenos reinos islâmicos, baseados nas tribos berberes que deram origem à Líbia, no Século XX.

De qualquer modo, como é um ditador considerado dos mais duros da região, não deve contar com grande unanimidade, ainda mais quando, para conter a rebelião teria mandado as forças armadas atirar contra o povo.  Hoje à tarde as agências divulgaram fotos de dois Mirage que pousaram em Malta, cujos pilotos, coronéis da Força Aérea desertaram por quererem metralhar civis. Um deles teria pedido asilo político.

Em diversas cidades populares, policiais e militares contra o governo pegaram armas em arsenais militares e tomaram algumas cidades. A Líbia, ums dos países co melhor nível de vida no Norte da África está, mesmo, à beira da guerra civil.

Uma das preocupações de Kadafi é que, caso a Líbia desmorone e se subdivida, os campos de petróleo sejam disputados violentamente entre as tribos. Essa possibiidade já afetou a cotação do preço do produto. Não há informações precisas, devido a falhas nos sistemas de comunicação, provavelmente por interferência do Governo, mas as mortes podem ter passado de 300.

VENEZUELA

Porque as redes sociais não especularam que Kadafi teria fugido para qualquer outro lugar, a não ser a Venezuela?
Acredito que por uma simples e boa razão: é ali que mora o seu grande parceiro Hugo Chávez, o fanfarrão de Caracas.
Se Lula ainda fosse o presidente, e Celso Amorim seu conselheiro, o Brasil também já poderia estar na lista.
Lula cultivou muitas boas amizades entre os piores ditadores do Mundo.

Há anos que vejo em Chávez, quando na TV falando, falando, esbravejando contra os americanos, gesticulando, agitado como se estivesse em um transe, o Kadafi da América do Sul.
O Kadafi bolivariano. Confesso que, em algumas oportunidades, fiquei triste por Ronald Reagan não ser mais presidente dos USA. Ele resolvia logo as pendências.

Quando Kadafi começou a pisar fora da risca, apoiando claramente diversos atos de terror, com centenas de mortes, Reagan apertou o botãozinho e o palácio de Kadafi explodiu. 
Kadafi escapou, é claro, mas bem ferido. Mas perdeu uma fiha, Hannah.

Desde então tratou apenas de questões internas. 
Quando via Chávez pensava: quando explodirão o palácio desse papagaio de Caracas? Hoje Chávez, segundo informações do exército colombiano, faz muito do que Kadafi fazia. Esconde terroristas das Farc, já abrigou terroristas bascos e, segundo o jornalista espanhol, Antonio Salas, no livro-reportagem El palestino (seis anos de pesquisas), Chávez permite campos de treinamento de grupos terroristas na Venezuela.

É bom lembrar que Chávez é também bom amigo de Lula.

imagem:  http://eneaslour.blogspot.com/2010_
                                              



















quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A SAGA DE PEÑA ESCLUSA, NA VENEZUELA. Ou: nem Kafka faria melhor que os palhaços amigos do ditador Chávez.

Extraído do blog Midia Sem Máscara (http://www.midiasemmascara.org/)

O que Peña Esclusa disse ao juiz Cabrera


Eis as palavras de Alejandro Penã Esclusa dirigidas ao juiz Luis Cabrera durante audiência realizada no dia 27 de janeiro. Mais uma vez fica evidente a farsa montada por Hugo Chávez com o apoio do Foro de São Paulo contra um conhecido líder na defesa dos direitos civis na Venezuela.

"Muito boa-tarde.
Antes de começar, queria esclarecer que - como sou um homem de letras e não de armas - vou utilizar durante minha apresentação um recurso literário muito pedagógico, o recurso da ironia. A ironia não é gozação, nem é uma falta de respeito, senão a contraposição de fatos tão contraditórios entre si, tão mutuamente excludentes que provocam riso no espectador - se trata-se de uma obra de teatro - ou ao leitor - se trata-se de uma obra literária.
Antes de abordar minha exposição devo dizer que fiquei surpreso quando o promotor Didier Rojas disse há alguns instantes, que no meu caso havia "perigo de fuga" porque sou um cidadão norte-americano. Quero deixar muito claro que sou única e exclusivamente cidadão venezuelano, não tenho nenhuma outra nacionalidade. É certo que nasci em Washington porque meus pais trabalhavam lá quando eu nasci, mas nunca pedi a nacionalidade americana, apesar de que poderia tê-lo feito, porque eu não quero ter nenhuma outra nacionalidade.
Sou venezuelano, de pais venezuelanos, de avós venezuelanos e amo profundamente meu país. Por isso, quero viver aqui toda a minha vida. Assim que não é certo que haja perigo de fuga no meu caso, como disse o promotor.
Me imputam dois delitos: associação para delinqüir e tráfico de armas de guerra, na modalidade de ocultação. Quero declarar-me absolutamente inocente de ambas as acusações, porém, além disso, quero mudar a qualificação desses dois prováveis delitos por outro muito diferente. Hoje não devemos elucidar se sou "terrorista", como o governo me acusa, mas se estou louco ou desequilibrado. Em seguida veremos por quê.
Não conheço Francisco Chávez Abarca. Nunca o vi em minha vida. A primeira vez que soube dele, foi quando o detiveram no aeroporto de Maiquetía. Aqui se produz a primeira incongruência: de acordo com o informe policial presente no processo, Chávez Abarca "provavelmente" me descreveu como um homem baixinho e gordinho, o qual não corresponde com minha fisionomia.
Também "provavelmente" diz que me conheceu em Honduras, antes da crise de junho de 2009, quando Manuel Zelaya ainda era presidente. Pois bem, a primeira vez que viajei à Honduras foi em julho de 2009, quando Roberto Micheletti já havia assumido a Presidência e isso consta em meu movimento migratório.
E devo ressaltar a palavra "provável", porque AS DECLARAÇÕES DE CHÁVEZ ABARCA NÃO APARECEM NO PROCESSO. Esse senhor nunca depôs em um tribunal, seu suposto depoimento não está assinado por ele, não estão lá suas impressões digitais, não vi nem escutei sua gravação. A única coisa que existe é um informe do Delegado David Colmenares sobre o que supostamente lhe disse Chávez Abarca, que por sua vez um tal "Daniel" supostamente lhe disse, sobre o que eu supostamente lhe havia dito! Tremenda prova o Ministério Público apresentou!
Porém, há algo mais, sumamente grave, em tal informe policial: David Colmenares diz que se ofereceu para interceder para que Chávez Abarca não fosse enviado a Cuba, em troca do seu depoimento. Quer dizer, o próprio Colmenares confessa que Chávez Abarca depôs pressionado, sob coação.
Porém, lamentavelmente Chávez Abarca foi enviado a Cuba, assim que não podemos saber se seu depoimento é certo e se existe o tal "Daniel", que ninguém sabe quem é, qual o seu sobrenome ou onde está.
A segunda incongruência é esta: Chávez Abarca foi capturado em 1 de julho de 2010 no aeroporto de Maiquetía, o que foi documentado em todos os meios de comunicação. Entretanto, Chávez Abarca disse que eu o havia contatado para que "fizesse uns trabalhinhos na Venezuela", mas não qualquer "trabalhinho" senão, nada menos que desestabilizar o Estado.
Se, com efeito, ele era supostamente meu sócio em uma aventura para desestabilizar o Estado, o mais lógico é que eu saísse correndo do país, para me proteger. E certamente três dias depois, em 4 de julho, viajei ao exterior com minha esposa, em uma viagem que já estava planejada.
Se eu tivesse tido algo a ver com Chávez Abarca, teria ficado fora da Venezuela, sobretudo quando, a partir do dia 6 de julho, no canal do Estado (Venezolana de Televisión), se me acusou várias vezes de estar relacionado com Chávez Abarca. Entretanto, assim eu devo estar louco, porque regressei tranqüilamente no dia 8 de julho a Caracas, através do mesmíssimo aeroporto de Maiquetía, e continuei levando minha vida normalmente.
Por isso eu creio que esta audiência preliminar não é para determinar se há motivos para uma imputação sobre ocultação de arma de guerra ou por associação para delinqüir. Não senhor! Aqui o que se está discutindo é a sanidade mental de Alejandro Peña Esclusa, se sou um louco, um insensato, que em vez de ficar fora do país, volto para que me apanhem.
Aqui me detenho para dizer ao promotor Didier Rijas que, como se pode ver, comigo não há perigo de fuga, senão de "contra-fuga", porque estando já "fugido" voltei para ser detido em minha própria casa.
Não estou acima de nenhum cidadão, sou um cidadão comum, mas também é certo que me dedico à política, fui candidato à Presidência da República duas vezes. Além disso, é evidente que tenho um claro perfil opositor ao atual governo. Fui aos tribunais internacionais para acusar este governo, estive em Haya, na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O tribunal e os promotores têm que saber que quando um dirigente opositor está "fazendo muita gracinha" deve-se pôr-lhe uma pedra em cima, por isso todo dirigente político de um certo nível foi preso, quer seja Rómulo Betancourt, Jóvito Villalba ou qualquer dirigente político latino-americano que tenha se oposto com firmeza a seus respectivos governos.
Assim que, a partir do dia 6 de julho, quando estando fora do país o canal do Estado começou a vincular-me a Chávez Abarca, soube que, como dizem coloquialmente, estavam me "preparando um falso processo". Supus que eu estava sendo objeto de uma montagem.
Isso me leva à terceira incongruência: em vista de tudo o que foi dito anteriormente, decidi deixar uma mensagem gravada em vídeo, para o caso de me acontecer algo. Gravei a mensagem no sábado 10 de julho e o difundi pelas redes sociais da Internet, ANTES da invasão. Lamentavelmente, por razões técnicas, não pude apresentar o vídeo aqui, porém nele explico claramente que meus adversários políticos queriam envolver-me falsamente com atos terroristas, especificamente com Chávez Abarca, e que proximamente se tomariam ações contra mim para tratar de me calar.
Então eu sou tão louco, e meu senso comum é tão falho que, sabendo que vão executar ações contra mim, supostamente deixo um explosivo em minha casa e o coloco nada menos que na escrivaninha de minha filha de 8 anos. Insisto então, senhor juiz, que devemos mudar a qualificação do delito: não me acusem de "terrorista", senão de ser um tremendo louco.
Passemos agora a analisar a quarta incongruência: um dia ANTES da invasão, no domingo 11 de julho, o semanário "La Razón" publicou uma nota advertindo que o SEBIN (Serviço Bolivariano de Informação Nacional) ia invadir minha casa, com relação ao caso Chávez Abarca. Ao promotor e demais funcionários que estiveram em minha casa, disse-lhes: "senhores, eu já os estava esperando", e em seguida mostrei-lhes o semanário "La Razón".
Lá se explicava claramente que Chávez Abarca havia fornecido uma lista de seus prováveis cúmplices, dentre os quais supostamente se encontrava Peña Esclusa. E também dizia textualmente que "nos próximos dias haverá invasões de domicílio em Caracas". Considerando que eu me dedico à política, é minha obrigação estar informado mas, além disso, nesse domingo o telefone não parou de tocar, advertindo-me de que o SEBIN invadiria minha casa nas próximas horas, segundo informava "La Razón".
Os explosivos nunca estiveram na minha casa mas, na hipótese negada de que estivessem lá, o mais lógico é que eu os tirasse dali de imediato. As incongruências assinaladas deixam claramente dois pontos: primeiro, eu sabia que a invasão era não só possível senão iminente, portanto, é totalmente inverossímil que eu guardasse substâncias explosivas em minha casa. Segundo, não tinha nenhuma intenção de fugir, não tenho a intenção de sair do país, mesmo que me ponham preso e lá eu apodreça.
Meu trabalho como político é dar a cara pelo que eu penso, e não vou deixar de cumprir com meu dever de defender meus ideais, nem por temor à prisão nem por nenhum outro motivo. Aqui está um homem falando com o coração, um homem que ama a Venezuela. Estou orgulhoso de me comportar como estou me comportando. Não fujo, mesmo que queiram me encarcerar.
Agora queria falar de algumas irregularidades em torno do meu caso, além dos já assinalados por meus advogados de defesa em diversos escritos.
Primeiro: há vários anos houve uma campanha contra mim por parte dos meios de comunicação oficiais e, inclusive, por parte de altos funcionários do governo. Vendeu-se uma imagem equivocada de minha pessoa, me atribuíram publicamente crimes terríveis, porém nunca apresentaram provas, nem comprovou-se nenhuma dessas acusações verbais. Na minha opinião, se fez isto para dar credibilidade a qualquer delito que se queira imputar contra mim. Com isto quero dizer que me julgaram e condenaram mas não ante um tribunal, senão ante a opinião pública.
Segundo: se Chávez Abarca era tão perigoso, se pretendia desestabilizar o Estado, por que o deportaram para Cuba? Por que não fizeram uma prova antecipada? Por que não permitiram que eu o visse aqui? O enviaram a Cuba e agora não podemos saber se o que disse é certo ou não. Têm que se basear naquilo que um funcionário da polícia disse. Porém, por que acreditar em suas supostas declarações, se é que na realidade as deu? Se altos funcionários deste governo dizem que as declarações dos terroristas do ETA não têm nenhuma credibilidade, por que as desse presumível terrorista têm?
Terceiro: quero referir-me à invasão. Lá ocorreram várias irregularidades. Entraram em minha casa ao redor de 20 funcionários. Ao me ver, dois funcionários apontaram duas pistolas contra mim. Me algemaram e me imobilizaram, sem ainda ser imputado. Colocaram-me em uma esquina onde eu não podia ver o que estava ocorrendo na minha casa. Ademais, estávamos preocupados por nossas filhas que acreditavam que aquilo era um assalto ou um roubo. Estavam chorando.
Nós não pudemos supervisionar a visita domiciliar. Entraram pessoas vestidas de civil, com bolsas tipo "koala". Cinco funcionários que aparecem assinando a ata não estavam autorizados judicialmente para participar da invasão. Ademais, não deixaram meu advogado entrar, embora ele estivesse parado na porta. Porém, o que mais me preocupa é a maneira como se comportaram os funcionários. Eles ocuparam todos os cômodos da casa simultaneamente, o qual se presta para qualquer tipo de irregularidade, como de fato ocorreu. Não havia forma de supervisionar o que estavam fazendo.
Devo dizer algo muito duro. Eu não posso assegurar que algum desses funcionários plantou a evidência, porém posso dizer sim, que nessa invasão eles roubaram o dinheiro de minha filha mais velha. Quebraram seu cofrinho e roubaram o dinheiro. Levaram os aparelhos eletrônicos das meninas e isso não está dito na ata, quer dizer, que roubaram. E quem é capaz de roubar, também é capaz de plantar falsa evidência.
Quarto: Tenho motivos para pensar mal, sobretudo tenho motivos para pensar que sou um objeto político. Me algemaram de uma vez. Altos funcionários me condenaram publicamente, quando nem sequer se havia levado a cabo a audiência preliminar. Além disso, presumiu-se sem motivo algum que eu ia fugir do país, quando tudo indicava o contrário. Quer dizer, fiz o contrário de fugir. Estava no exterior e voltei à Venezuela. O fato de que tenham me privado da liberdade é uma prova de que se trata de uma perseguição política.
Se há fartas evidências de que eu sabia de antemão da invasão à minha casa e não quis fugir, por que não estou sendo julgado em liberdade? Por que altos funcionários do governo e as agências do Estado já me assinalam como culpado, se o julgamento nem sequer começou? É este tipo de questionamento que tem levado personalidades reconhecidas dentro do país, e altos dignatários de outros países, a pensar que há um interesse político em me criminalizar e assim o manifestaram publicamente.
Finalmente, queria falar de meu perfil como pessoa, em contraposição ao perfil que me querem imputar. Um homem que tem o perfil de um terrorista é uma pessoa desequilibrada, uma pessoa capaz de assassinar gente inocente colocando bombas. Uma pessoa instável, sem família, que se move de um lugar a outro. Esse não é o meu perfil.
Tenho 56 anos. Não tenho antecedentes penais. Não conheço armas. Sou mais um homem de letras. Meus livros circulam em outros países e foram traduzidos em outros idiomas. Um homem de 56 anos não é tão idiota para colocar explosivos em sua casa. Eu tenho uma trajetória internacional que cuidar. Escrevi vários livros e tenho 20 anos de casado.
O mais importante diz respeito aos dados de minha conta bancária, que o Ministério Público consignou no processo: é que ela foi aberta no ano de 1978, há 33 anos! Tremendo terrorista que usa a mesma conta bancária desde há 33 anos! Sempre vivi em meu apartamento, tenho três filhas que pertencem às Orquestras Sinfônicas Juvenis e Infantis. Tremendo terrorista este, que tem filhas em orquestras e que escreveu livros!
Evidentemente sou vítima de uma montagem. Sou um conferencista. Os senhores sabem em quê me consideram um expert no exterior? Como uma pessoa que dá palestras contra o terrorismo! Os que me montaram este "pente" agiram com pouca inteligência. Em minhas palestras contra o terrorismo dou os argumentos do por que o terrorismo não serve. Dou os argumentos sobre o por que colocar bombas não serve. As bombas têm um enorme problema porque matam gente inocente. Nenhuma causa baseada no terrorismo triunfa politicamente. Minha opinião é que os movimentos políticos que recorrem ao terrorismo todos fracassam.
Pôr bombas não convém a um movimento político, porque as pessoas que recorrem a isso vão se degradando moralmente, eu explico isso em minhas palestras. O terrorismo vai contra minhas crenças morais e espirituais. Se chamarem a DISIP (SEBIN) e perguntarem quem são meus visitantes, vão ver que muitos deles são sacerdotes, inclusive hierarcas da Igreja. Eles conhecem minha forma de pensar e sabem que sou incapaz de ter bombas em minha casa ou recorrer ao terrorismo. Eles sabem que isso que atribuem a mim não tem nenhum tipo de relação com a pessoa que eles conhecem desde há muitos anos, por isso os hierarcas da Igreja me apoiaram publicamente.
Creio que há uma vida eterna. Creio que há um Deus no céu. Creio que há um julgamento, o mais importante de todos, que se chama Juízo Final. Leva-se a cabo quando uma pessoa morre. Nesse julgamento tudo fica a descoberto. Não há artimanhas que valham. Não valem os falsos testemunhos. Não contam as paixões políticas. Porque Deus vê tudo e sabe tudo. Não há forma nem maneira de enganá-lo. Não me agrada prejudicar a outros, à parte de que me agrade fazer o bem, confesso que "tenho temor a Deus". Por isso nunca me ocorreria colocar explosivos.
Amo profundamente meu país. Passarei pelo sacrifício que seja necessário para colaborar com o bem-estar da minha pátria. Isso demonstrei depois de seis meses de estar injustamente privado de minha liberdade. Tenho minha consciência tranqüila e Deus é minha testemunha. Espero que os senhores, ao tomar as decisões que vão tomar, possam também responder pelos seus atos diante de Deus Todo-Poderoso. O Grande Juiz, a quem ninguém pode enganar.
Em resumo: me acusa uma testemunha a quem nunca vi e que nunca poderei ver porque foi enviado a Cuba. Me acusa um informe de um homem que não assinou seus supostos depoimentos. Conseguem explosivos em minha casa, quando é evidente que eu sabia da invasão domiciliar. A invasão mesma esteve repleta de irregularidades. Podendo ter saído do país em diversas oportunidades, eu não o fiz. Tenho poderosos adversários políticos que desenvolveram uma maciça campanha contra mim, e que queriam ver-me preso. E minha forma de pensar e de viver demonstram claramente que sou o contrário de um terrorista e que me oponho com firmeza ao terrorismo.
Para terminar, quero dirigir-me ao senhor, com todo o respeito senhor juiz:
Acredito que todas as irregularidades que foram estabelecidas o senhor as conhece bem. O senhor já sabe as causas pelas quais meu advogado solicitou sua renúncia. O senhor sabe que Chávez Abarca nunca deu esse depoimento. O senhor também deve saber que há uma campanha política contra mim. O senhor juiz sabe que sou objeto de ataque político muito forte e que isso desvirtua uma grande quantidade de coisas, e quando alguém vê essas irregularidades que eu expressei aqui, isso me leva a pensar que aqui há uma parcialização de algum tipo.
Não critico que o senhor tenha uma militância política, mas creio que isso tira a imparcialidade do senhor. Na audiência de apresentação o senhor fez um discurso político. Tenho razões bem fundadas para duvidar de sua imparcialidade, por isso quero exercer meu direito cidadão de recorrer ao Artigo 86 do Código Orgânico Processual Penal, e desejo rejeitá-lo neste momento.
Agradeço a paciência que teve em me escutar, porém estou sendo objeto de uma canalhice que não tem nome.
Minha intenção não foi a de ofender ninguém.
É tudo". 
Tradução: Graça Salgueiro