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quinta-feira, 7 de abril de 2011

CHÁVEZ ENCALHOU EM COCHABAMBA. Como o venezuelano enrola Santos e facilita para as FARC

Ninguém investiga porquê, nesse contexto de aproximações com a Venezuela, as Forças Militares colombianas reduziram suas operações em 30%, enquanto que as ações terroristas das FARC crescem em todas as partes.
As forças aéreas da revolução bolivariana estão em tão ótimo estado, que o chefe supremo desta às vezes não pode cumprir com suas entrevistas com outros chefes de Estado. Dotado de caros aviões de combate russos, último modelo, capazes de espalhar a morte e a destruição no norte da América Latina, o regime venezuelano não pôde, entretanto, tirar a tempo de Cochabamba, Bolívia, o presidente Hugo Chávez e sua brilhante comitiva: o avião que o havia levado majestosamente à Argentina, Uruguai e Bolívia decidiu, no último momento, quebrar. O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, esperava o chefe bolivariano em Cartagena de Indias, para um terceiro encontro. Em vão. Por telefone lhe disseram que Chávez estava encalhado na cidade boliviana. Evo Morales não havia encontrado um avião para que seu homólogo cumprisse a última etapa de seu giro pelo continente.

Essa, ao menos, foi a versão oficial. Porém, ninguém é obrigado a acreditar. O venezuelano disse tantas mentiras em sua carreira de ditador que é legítimo pôr em dúvida, agora também, suas palavras. Há, ademais, a versão dada a uma agência de imprensa por um funcionário boliviano, que guardou o anonimato. Ele assegurou na sexta-feira que o avião estava pronto, porém, que o mandatário venezuelano havia decidido viajar "diretamente para Caracas".
Em todo caso, o presidente Santos perdeu seu tempo em Cartagena (por sorte, a cidade é linda), pois as notícias do "contratempo" chegaram em conta-gotas (que Chávez aterrissaria "um pouquinho mais tarde do que o previsto", foi a palavra de ordem) para manter o suspense. No final, os dois presidentes decidiram ver-se em 9 de abril próximo.
Quem pode acreditar no conto da falta de uma "peça de reposição"?

A razão desse desplante grosseiro com o presidente Santos é obviamente política. Foi tanta a desordem que se acumulou antes dessa entrevista que Chávez optou por esquivá-la. O assunto Makled, por exemplo, que oficialmente não ia ser tratado, passou ao primeiro plano. Na véspera, o senador norte-americano Dick Lugar e o congressista republicano Connie Mack chamaram a atenção de Santos e alguns jornais colombianos, assim como juristas e políticos do continente, exortaram Bogotá para que entregue a Washington o capo narcotraficante, acusado de enviar dez toneladas mensais de droga aos Estados Unidos.

Por outro lado, a agenda é super pesada: sete comissões bi-nacionais discutem desde há semanas sem chegar a acordos em matérias tão delicadas como segurança, energia, saúde, comércio, infra-estrutura, turismo e cultura. É uma discussão secreta, a portas fechadas, pelas costas da opinião pública, como é do gosto de Chávez. Alguns jornais trataram de reduzir o assunto a uma questão de vendas: de energia, leite e cimento colombiano à Venezuela e de gasolina à Colômbia. Não. Há coisas de grande calado. Está presente ali a idéia absurda de Armando Benedetti de criar "estados bi-nacionais" na zona fronteiriça? Essa idéia ele lançou em meados de agosto de 2010, após uma entrevista com Hugo Chávez. Ninguém sabe de nada. Até onde, nessas negociações, se estão comprometendo interesses vitais da Colômbia? Por que tanto segredo? O que Chávez está exigindo? Que outros pontos estão em jogo? Por que não chegam a acordos? Pactos sobre a luta contra o narcotráfico entre o país que expulsou a DEA (Venezuela) e um país que trabalha com a DEA (Colômbia) vai beneficiar a quem? Não podemos esquecer que, como admitiu o ministro colombiano da Defesa, esses pactos eventuais incluem "compartilhar inteligência, informação judicial e realizar operações coordenadas entre os dois países". O pastel é tremendo!

Também há disse-me-disses entre a recém designada secretária-geral da UNASUL, María Emma Mejía, e o ministro chavista Alí Rodríguez.
Indigna ver a resignação da imprensa colombiana. Ante coisas tão graves, mostra pouca curiosidade. Ninguém trata de descobrir o alcance desses convênios. Tudo é credulidade, conformismo, passividade, negligência. Ninguém investiga porquê, nesse contexto de aproximações com a Venezuela, as Forças Militares colombianas reduziram suas operações em 30%, enquanto que as ações terroristas das FARC crescem em todas as partes.

O contraste é nítido entre 2009 e 2010. Só La Hora de la Verdad, de Fernando Londoño Hoyos, entrevistou o politólogo Alfredo Rangel, autor de um estudo que mostra, com cifras exatas, esse preocupante declínio da segurança nacional. Enquanto isso, a imprensa informa menos dos ataques das guerrilhas, até o ponto em que alguns atentados não são sequer mencionados. O que está acontecendo? Por quê essa política suicida?

Mas há algo mais.
Uma notícia de 31 de março, cuja importância poucos viram, pode ter-se convertido no fator que desatou a fúria total de Hugo Chávez contra Santos e que o obrigou a aprazar o encontro de Cartagena. Chávez deve ter-se engasgado quando soube que a Colômbia não se prestava à manobra de reconhecer unilateralmente a Palestina como Estado. Juan Manuel Santos disse nessa quinta-feira, durante um encontro em Bogotá com uma delegação do Congresso Judeu Mundial (CJM): "Nós não reconheceremos o Estado Palestino, pois para nós é uma questão de princípio. Nós apreciamos muito a amizade e a valentia do povo judeu".

Com essa postura, um êxito da diplomacia israelense, tão detestada por Chávez, a Colômbia resiste às pressões palestinas e iranianas e se recusa a seguir o mal exemplo dos governos esquerdistas que fizeram tal reconhecimento: Argentina, Bolívia, Brasil, Cuba, Venezuela, Guyana, Paraguai, Suriname, Uruguai e Chile (único de centro-esquerda). Esses governos validam a estratégia palestina de evitar a negociação com Israel para pôr a única democracia do Oriente Médio contra a parede. Jack Terpins, um dos líderes do CJM, felicitou na quinta-feira o presidente Santos por "sua luta contra a influência iraniana na região, em especial frente à Venezuela, dirigida pelo ditador Hugo Chávez. Israel considera todo reconhecimento unilateral do Estado Palestino como um obstáculo às negociações de paz", informou em 1º de abril a agência Ria-Novosti.

Os que acreditam que Chávez deixa passar sem represálias pontos de tão alto simbolismo como esse, se equivocam. O mandatário venezuelano acreditava ter conseguido "corrigir" a política colombiana profundamente. Pois não. Há pontos que ainda lhe escapam, como este do reconhecimento unilateral e independente do Estado Palestino, linha que Caracas leva com ar triunfal, da mão de Teerã e do ativismo chiita, por todo o continente. Ao contradizer essa política, Bogotá malogra pactos de Caracas com o poder iraniano, do qual dependem fornecimentos a Caracas em matéria econômica e militar.

Chávez espera "corrigir" de novo a política de Bogotá nesta semana e tomar uma resolução caprichosa antes do 9 de abril? Veremos. Em todo caso, está na hora de pedir transparência sobre o que se está negociando com a Venezuela. Não mais negociações secretas com Hugo Chávez! A opinião pública colombiana não vê com bons olhos o que está acontecendo. El Mundo, de Medellín, publicou uma sondagem no dia seguinte ao desplante de Chávez: "Você confia na atitude de Chávez para com a Colômbia na era Santos?". A resposta foi: Não, 79%; Sim, 21%.

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

A SAGA DE PEÑA ESCLUSA, NA VENEZUELA. Ou: nem Kafka faria melhor que os palhaços amigos do ditador Chávez.

Extraído do blog Midia Sem Máscara (http://www.midiasemmascara.org/)

O que Peña Esclusa disse ao juiz Cabrera


Eis as palavras de Alejandro Penã Esclusa dirigidas ao juiz Luis Cabrera durante audiência realizada no dia 27 de janeiro. Mais uma vez fica evidente a farsa montada por Hugo Chávez com o apoio do Foro de São Paulo contra um conhecido líder na defesa dos direitos civis na Venezuela.

"Muito boa-tarde.
Antes de começar, queria esclarecer que - como sou um homem de letras e não de armas - vou utilizar durante minha apresentação um recurso literário muito pedagógico, o recurso da ironia. A ironia não é gozação, nem é uma falta de respeito, senão a contraposição de fatos tão contraditórios entre si, tão mutuamente excludentes que provocam riso no espectador - se trata-se de uma obra de teatro - ou ao leitor - se trata-se de uma obra literária.
Antes de abordar minha exposição devo dizer que fiquei surpreso quando o promotor Didier Rojas disse há alguns instantes, que no meu caso havia "perigo de fuga" porque sou um cidadão norte-americano. Quero deixar muito claro que sou única e exclusivamente cidadão venezuelano, não tenho nenhuma outra nacionalidade. É certo que nasci em Washington porque meus pais trabalhavam lá quando eu nasci, mas nunca pedi a nacionalidade americana, apesar de que poderia tê-lo feito, porque eu não quero ter nenhuma outra nacionalidade.
Sou venezuelano, de pais venezuelanos, de avós venezuelanos e amo profundamente meu país. Por isso, quero viver aqui toda a minha vida. Assim que não é certo que haja perigo de fuga no meu caso, como disse o promotor.
Me imputam dois delitos: associação para delinqüir e tráfico de armas de guerra, na modalidade de ocultação. Quero declarar-me absolutamente inocente de ambas as acusações, porém, além disso, quero mudar a qualificação desses dois prováveis delitos por outro muito diferente. Hoje não devemos elucidar se sou "terrorista", como o governo me acusa, mas se estou louco ou desequilibrado. Em seguida veremos por quê.
Não conheço Francisco Chávez Abarca. Nunca o vi em minha vida. A primeira vez que soube dele, foi quando o detiveram no aeroporto de Maiquetía. Aqui se produz a primeira incongruência: de acordo com o informe policial presente no processo, Chávez Abarca "provavelmente" me descreveu como um homem baixinho e gordinho, o qual não corresponde com minha fisionomia.
Também "provavelmente" diz que me conheceu em Honduras, antes da crise de junho de 2009, quando Manuel Zelaya ainda era presidente. Pois bem, a primeira vez que viajei à Honduras foi em julho de 2009, quando Roberto Micheletti já havia assumido a Presidência e isso consta em meu movimento migratório.
E devo ressaltar a palavra "provável", porque AS DECLARAÇÕES DE CHÁVEZ ABARCA NÃO APARECEM NO PROCESSO. Esse senhor nunca depôs em um tribunal, seu suposto depoimento não está assinado por ele, não estão lá suas impressões digitais, não vi nem escutei sua gravação. A única coisa que existe é um informe do Delegado David Colmenares sobre o que supostamente lhe disse Chávez Abarca, que por sua vez um tal "Daniel" supostamente lhe disse, sobre o que eu supostamente lhe havia dito! Tremenda prova o Ministério Público apresentou!
Porém, há algo mais, sumamente grave, em tal informe policial: David Colmenares diz que se ofereceu para interceder para que Chávez Abarca não fosse enviado a Cuba, em troca do seu depoimento. Quer dizer, o próprio Colmenares confessa que Chávez Abarca depôs pressionado, sob coação.
Porém, lamentavelmente Chávez Abarca foi enviado a Cuba, assim que não podemos saber se seu depoimento é certo e se existe o tal "Daniel", que ninguém sabe quem é, qual o seu sobrenome ou onde está.
A segunda incongruência é esta: Chávez Abarca foi capturado em 1 de julho de 2010 no aeroporto de Maiquetía, o que foi documentado em todos os meios de comunicação. Entretanto, Chávez Abarca disse que eu o havia contatado para que "fizesse uns trabalhinhos na Venezuela", mas não qualquer "trabalhinho" senão, nada menos que desestabilizar o Estado.
Se, com efeito, ele era supostamente meu sócio em uma aventura para desestabilizar o Estado, o mais lógico é que eu saísse correndo do país, para me proteger. E certamente três dias depois, em 4 de julho, viajei ao exterior com minha esposa, em uma viagem que já estava planejada.
Se eu tivesse tido algo a ver com Chávez Abarca, teria ficado fora da Venezuela, sobretudo quando, a partir do dia 6 de julho, no canal do Estado (Venezolana de Televisión), se me acusou várias vezes de estar relacionado com Chávez Abarca. Entretanto, assim eu devo estar louco, porque regressei tranqüilamente no dia 8 de julho a Caracas, através do mesmíssimo aeroporto de Maiquetía, e continuei levando minha vida normalmente.
Por isso eu creio que esta audiência preliminar não é para determinar se há motivos para uma imputação sobre ocultação de arma de guerra ou por associação para delinqüir. Não senhor! Aqui o que se está discutindo é a sanidade mental de Alejandro Peña Esclusa, se sou um louco, um insensato, que em vez de ficar fora do país, volto para que me apanhem.
Aqui me detenho para dizer ao promotor Didier Rijas que, como se pode ver, comigo não há perigo de fuga, senão de "contra-fuga", porque estando já "fugido" voltei para ser detido em minha própria casa.
Não estou acima de nenhum cidadão, sou um cidadão comum, mas também é certo que me dedico à política, fui candidato à Presidência da República duas vezes. Além disso, é evidente que tenho um claro perfil opositor ao atual governo. Fui aos tribunais internacionais para acusar este governo, estive em Haya, na Comissão Interamericana de Direitos Humanos. O tribunal e os promotores têm que saber que quando um dirigente opositor está "fazendo muita gracinha" deve-se pôr-lhe uma pedra em cima, por isso todo dirigente político de um certo nível foi preso, quer seja Rómulo Betancourt, Jóvito Villalba ou qualquer dirigente político latino-americano que tenha se oposto com firmeza a seus respectivos governos.
Assim que, a partir do dia 6 de julho, quando estando fora do país o canal do Estado começou a vincular-me a Chávez Abarca, soube que, como dizem coloquialmente, estavam me "preparando um falso processo". Supus que eu estava sendo objeto de uma montagem.
Isso me leva à terceira incongruência: em vista de tudo o que foi dito anteriormente, decidi deixar uma mensagem gravada em vídeo, para o caso de me acontecer algo. Gravei a mensagem no sábado 10 de julho e o difundi pelas redes sociais da Internet, ANTES da invasão. Lamentavelmente, por razões técnicas, não pude apresentar o vídeo aqui, porém nele explico claramente que meus adversários políticos queriam envolver-me falsamente com atos terroristas, especificamente com Chávez Abarca, e que proximamente se tomariam ações contra mim para tratar de me calar.
Então eu sou tão louco, e meu senso comum é tão falho que, sabendo que vão executar ações contra mim, supostamente deixo um explosivo em minha casa e o coloco nada menos que na escrivaninha de minha filha de 8 anos. Insisto então, senhor juiz, que devemos mudar a qualificação do delito: não me acusem de "terrorista", senão de ser um tremendo louco.
Passemos agora a analisar a quarta incongruência: um dia ANTES da invasão, no domingo 11 de julho, o semanário "La Razón" publicou uma nota advertindo que o SEBIN (Serviço Bolivariano de Informação Nacional) ia invadir minha casa, com relação ao caso Chávez Abarca. Ao promotor e demais funcionários que estiveram em minha casa, disse-lhes: "senhores, eu já os estava esperando", e em seguida mostrei-lhes o semanário "La Razón".
Lá se explicava claramente que Chávez Abarca havia fornecido uma lista de seus prováveis cúmplices, dentre os quais supostamente se encontrava Peña Esclusa. E também dizia textualmente que "nos próximos dias haverá invasões de domicílio em Caracas". Considerando que eu me dedico à política, é minha obrigação estar informado mas, além disso, nesse domingo o telefone não parou de tocar, advertindo-me de que o SEBIN invadiria minha casa nas próximas horas, segundo informava "La Razón".
Os explosivos nunca estiveram na minha casa mas, na hipótese negada de que estivessem lá, o mais lógico é que eu os tirasse dali de imediato. As incongruências assinaladas deixam claramente dois pontos: primeiro, eu sabia que a invasão era não só possível senão iminente, portanto, é totalmente inverossímil que eu guardasse substâncias explosivas em minha casa. Segundo, não tinha nenhuma intenção de fugir, não tenho a intenção de sair do país, mesmo que me ponham preso e lá eu apodreça.
Meu trabalho como político é dar a cara pelo que eu penso, e não vou deixar de cumprir com meu dever de defender meus ideais, nem por temor à prisão nem por nenhum outro motivo. Aqui está um homem falando com o coração, um homem que ama a Venezuela. Estou orgulhoso de me comportar como estou me comportando. Não fujo, mesmo que queiram me encarcerar.
Agora queria falar de algumas irregularidades em torno do meu caso, além dos já assinalados por meus advogados de defesa em diversos escritos.
Primeiro: há vários anos houve uma campanha contra mim por parte dos meios de comunicação oficiais e, inclusive, por parte de altos funcionários do governo. Vendeu-se uma imagem equivocada de minha pessoa, me atribuíram publicamente crimes terríveis, porém nunca apresentaram provas, nem comprovou-se nenhuma dessas acusações verbais. Na minha opinião, se fez isto para dar credibilidade a qualquer delito que se queira imputar contra mim. Com isto quero dizer que me julgaram e condenaram mas não ante um tribunal, senão ante a opinião pública.
Segundo: se Chávez Abarca era tão perigoso, se pretendia desestabilizar o Estado, por que o deportaram para Cuba? Por que não fizeram uma prova antecipada? Por que não permitiram que eu o visse aqui? O enviaram a Cuba e agora não podemos saber se o que disse é certo ou não. Têm que se basear naquilo que um funcionário da polícia disse. Porém, por que acreditar em suas supostas declarações, se é que na realidade as deu? Se altos funcionários deste governo dizem que as declarações dos terroristas do ETA não têm nenhuma credibilidade, por que as desse presumível terrorista têm?
Terceiro: quero referir-me à invasão. Lá ocorreram várias irregularidades. Entraram em minha casa ao redor de 20 funcionários. Ao me ver, dois funcionários apontaram duas pistolas contra mim. Me algemaram e me imobilizaram, sem ainda ser imputado. Colocaram-me em uma esquina onde eu não podia ver o que estava ocorrendo na minha casa. Ademais, estávamos preocupados por nossas filhas que acreditavam que aquilo era um assalto ou um roubo. Estavam chorando.
Nós não pudemos supervisionar a visita domiciliar. Entraram pessoas vestidas de civil, com bolsas tipo "koala". Cinco funcionários que aparecem assinando a ata não estavam autorizados judicialmente para participar da invasão. Ademais, não deixaram meu advogado entrar, embora ele estivesse parado na porta. Porém, o que mais me preocupa é a maneira como se comportaram os funcionários. Eles ocuparam todos os cômodos da casa simultaneamente, o qual se presta para qualquer tipo de irregularidade, como de fato ocorreu. Não havia forma de supervisionar o que estavam fazendo.
Devo dizer algo muito duro. Eu não posso assegurar que algum desses funcionários plantou a evidência, porém posso dizer sim, que nessa invasão eles roubaram o dinheiro de minha filha mais velha. Quebraram seu cofrinho e roubaram o dinheiro. Levaram os aparelhos eletrônicos das meninas e isso não está dito na ata, quer dizer, que roubaram. E quem é capaz de roubar, também é capaz de plantar falsa evidência.
Quarto: Tenho motivos para pensar mal, sobretudo tenho motivos para pensar que sou um objeto político. Me algemaram de uma vez. Altos funcionários me condenaram publicamente, quando nem sequer se havia levado a cabo a audiência preliminar. Além disso, presumiu-se sem motivo algum que eu ia fugir do país, quando tudo indicava o contrário. Quer dizer, fiz o contrário de fugir. Estava no exterior e voltei à Venezuela. O fato de que tenham me privado da liberdade é uma prova de que se trata de uma perseguição política.
Se há fartas evidências de que eu sabia de antemão da invasão à minha casa e não quis fugir, por que não estou sendo julgado em liberdade? Por que altos funcionários do governo e as agências do Estado já me assinalam como culpado, se o julgamento nem sequer começou? É este tipo de questionamento que tem levado personalidades reconhecidas dentro do país, e altos dignatários de outros países, a pensar que há um interesse político em me criminalizar e assim o manifestaram publicamente.
Finalmente, queria falar de meu perfil como pessoa, em contraposição ao perfil que me querem imputar. Um homem que tem o perfil de um terrorista é uma pessoa desequilibrada, uma pessoa capaz de assassinar gente inocente colocando bombas. Uma pessoa instável, sem família, que se move de um lugar a outro. Esse não é o meu perfil.
Tenho 56 anos. Não tenho antecedentes penais. Não conheço armas. Sou mais um homem de letras. Meus livros circulam em outros países e foram traduzidos em outros idiomas. Um homem de 56 anos não é tão idiota para colocar explosivos em sua casa. Eu tenho uma trajetória internacional que cuidar. Escrevi vários livros e tenho 20 anos de casado.
O mais importante diz respeito aos dados de minha conta bancária, que o Ministério Público consignou no processo: é que ela foi aberta no ano de 1978, há 33 anos! Tremendo terrorista que usa a mesma conta bancária desde há 33 anos! Sempre vivi em meu apartamento, tenho três filhas que pertencem às Orquestras Sinfônicas Juvenis e Infantis. Tremendo terrorista este, que tem filhas em orquestras e que escreveu livros!
Evidentemente sou vítima de uma montagem. Sou um conferencista. Os senhores sabem em quê me consideram um expert no exterior? Como uma pessoa que dá palestras contra o terrorismo! Os que me montaram este "pente" agiram com pouca inteligência. Em minhas palestras contra o terrorismo dou os argumentos do por que o terrorismo não serve. Dou os argumentos sobre o por que colocar bombas não serve. As bombas têm um enorme problema porque matam gente inocente. Nenhuma causa baseada no terrorismo triunfa politicamente. Minha opinião é que os movimentos políticos que recorrem ao terrorismo todos fracassam.
Pôr bombas não convém a um movimento político, porque as pessoas que recorrem a isso vão se degradando moralmente, eu explico isso em minhas palestras. O terrorismo vai contra minhas crenças morais e espirituais. Se chamarem a DISIP (SEBIN) e perguntarem quem são meus visitantes, vão ver que muitos deles são sacerdotes, inclusive hierarcas da Igreja. Eles conhecem minha forma de pensar e sabem que sou incapaz de ter bombas em minha casa ou recorrer ao terrorismo. Eles sabem que isso que atribuem a mim não tem nenhum tipo de relação com a pessoa que eles conhecem desde há muitos anos, por isso os hierarcas da Igreja me apoiaram publicamente.
Creio que há uma vida eterna. Creio que há um Deus no céu. Creio que há um julgamento, o mais importante de todos, que se chama Juízo Final. Leva-se a cabo quando uma pessoa morre. Nesse julgamento tudo fica a descoberto. Não há artimanhas que valham. Não valem os falsos testemunhos. Não contam as paixões políticas. Porque Deus vê tudo e sabe tudo. Não há forma nem maneira de enganá-lo. Não me agrada prejudicar a outros, à parte de que me agrade fazer o bem, confesso que "tenho temor a Deus". Por isso nunca me ocorreria colocar explosivos.
Amo profundamente meu país. Passarei pelo sacrifício que seja necessário para colaborar com o bem-estar da minha pátria. Isso demonstrei depois de seis meses de estar injustamente privado de minha liberdade. Tenho minha consciência tranqüila e Deus é minha testemunha. Espero que os senhores, ao tomar as decisões que vão tomar, possam também responder pelos seus atos diante de Deus Todo-Poderoso. O Grande Juiz, a quem ninguém pode enganar.
Em resumo: me acusa uma testemunha a quem nunca vi e que nunca poderei ver porque foi enviado a Cuba. Me acusa um informe de um homem que não assinou seus supostos depoimentos. Conseguem explosivos em minha casa, quando é evidente que eu sabia da invasão domiciliar. A invasão mesma esteve repleta de irregularidades. Podendo ter saído do país em diversas oportunidades, eu não o fiz. Tenho poderosos adversários políticos que desenvolveram uma maciça campanha contra mim, e que queriam ver-me preso. E minha forma de pensar e de viver demonstram claramente que sou o contrário de um terrorista e que me oponho com firmeza ao terrorismo.
Para terminar, quero dirigir-me ao senhor, com todo o respeito senhor juiz:
Acredito que todas as irregularidades que foram estabelecidas o senhor as conhece bem. O senhor já sabe as causas pelas quais meu advogado solicitou sua renúncia. O senhor sabe que Chávez Abarca nunca deu esse depoimento. O senhor também deve saber que há uma campanha política contra mim. O senhor juiz sabe que sou objeto de ataque político muito forte e que isso desvirtua uma grande quantidade de coisas, e quando alguém vê essas irregularidades que eu expressei aqui, isso me leva a pensar que aqui há uma parcialização de algum tipo.
Não critico que o senhor tenha uma militância política, mas creio que isso tira a imparcialidade do senhor. Na audiência de apresentação o senhor fez um discurso político. Tenho razões bem fundadas para duvidar de sua imparcialidade, por isso quero exercer meu direito cidadão de recorrer ao Artigo 86 do Código Orgânico Processual Penal, e desejo rejeitá-lo neste momento.
Agradeço a paciência que teve em me escutar, porém estou sendo objeto de uma canalhice que não tem nome.
Minha intenção não foi a de ofender ninguém.
É tudo". 
Tradução: Graça Salgueiro

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

DENUNCIADA A FARSA MONTADA POR MORALES PARA CALAR A OPOSIÇÃO

Faço questão de reproduzir o que a jornalista Graça Salgueiro publicou no seu blog Notalatina por tratar-se de uma informação muito importante para que todos saibam como age o senhor Morales para implantar uma ditadura bolivariana na Bolívia.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011


Desmascarados os crimes "bolivarianos" com provas em vídeo

O Notalatina ficou muito tempo sem atualização em decorrência de uma encomenda de tradução que me ocupou por bastante tempo. Aproveito a oportunidade, para informar aos leitores e amigos que aceito encomenda de traduções de livros, artigos e textos diversos, e quem tiver interesse em contratar meus serviços profissionais deixe um recado na seção de comentários do blog, com nome e e-mail, que faço contato eliminando a mensagem para preservar seu autor.
Como não sou subvencionada por nenhuma entidade, nem partido político ou ONG, mas vivo do produto do meu trabalho, tenho que correr atrás do meu pão de cada dia honestamente.
Informo ainda aos cara-de-pau e espírito de porco que, malgrado os bilhetinhos azedos e cheios de ranço invejoso - que naturalmente não publico porque meu blog não é penico -, que não vou parar com o trabalho que desenvolvo há abençoados 9 anos ininterruptos, e que nunca fiz “previsões” de coisa alguma porque não sou vidente, nem mãe-de-santo e muito menos cartomante. O que escrevo aqui são análises e relatos de fatos que a imprensa invariável e criminosamente omite dos leitores, sempre embasados em fontes primárias e/ou de informações que generosamente alguns amigos do exterior me enviam.
A edição de hoje traz dois artigos difundidos por Fuerza Solidaria e UnoAmérica que eu reputo da maior importância, porque as estratégias adotadas contra os opositores aos governos ditatoriais da Bolívia, Venezuela e Cuba são as mesmas praticadas aqui, pelo Partido-Estado, mas que, como vivemos em um país continental com quase 200 milhões de habitantes, a maioria da população não percebe ou não toma conhecimento.
Os estudiosos do Foro de São Paulo, do movimento terrorista-revolucionário mundial e mais especificamente em nosso continente Ibero-Americano entendem do que falo.
Quero também deixar meu profundo e sincero pesar pela tragédia que se abateu na região serrana do Rio de Janeiro, e meu mais absoluto asco e repúdio ao tratamento dado pelas “autoridades” quando, sabendo com antecedência de 3 dias através de um informe da NASA, não fizeram NADA para evitar que tantas vidas fossem ceifadas tão miseravelmente. Às crianças cujas vidas foram criminosamente abreviadas, que Deus as guarde entre Seus Anjos.
Estes dois artigos são complementares e reforçam o que foi denunciado na ocasião, sobretudo por UnoAmérica que apresentou o “Informe Pando” e que o Notalatina acompanhou de perto, inclusive com informações e vídeos exclusivos que podem ser vistos ou revistos buscando nos arquivos ao lado a partir de abril de 2009. No vídeo que vocês assistirão no final desta edição (agradeço os bons ofícios do meu amigo “Cavaleiro do Templo”, meu fiel escudeiro), fica comprovado que um marginal de alcunha “O Velho” recebeu 31.500 dólares para prestar um falso testemunho, incriminar inocentes e provocar o assassinato de três estrangeiros. É clara a voz do agente do Estado boliviano recomendando ao “Velho” que “não faça bobagens”, que “fuja imediatamente pela fronteira da Argentina” que em Buenos Aires há alguém o esperando.
Alerta, ainda, que “as estatais estão pedindo medidas cautelares” e que eles vão ficar “caladinhos” por pelo menos seis meses e “não vão poder fazer nada”, naturalmente para que não se saiba que o crime foi encomendado e praticado pelo governo e não estragar os planos. Lembro ainda que, naquela ocasião, todos os governos membros do Foro de São Paulo e da UNASUL (que no final são a mesma coisa) apoiaram a farsa planejada por Cuba e Venezuela, cujo índio cocalero é servo fiel, reforçando a condenação de inocentes.
Mas não há nada sob o sol que seja oculto aos olhos de Deus, e a verdade sobre toda esta imundície e barbárie protagonizada por estes malfeitores de colarinho branco, seu Lula à frente, vai ser escancarada perante os olhos da humanidade. E Deus os julgará a todos, de um por um, e lhes dará os frutos do mal que espalharam. Fiquem com Deus e até a próxima!

“O escândalo na Bolívia nos dá razão”
UnoAmérica



Ignacio Villa Vargas, cognome "O Velho", recebendo o suborno
por parte de um funcionário do Estado
 
Bogotá, 15 de janeiro - O escândalo suscitado na Bolívia em razão do suborno a uma “testemunha estrela”, para incriminar dirigentes opositores em um “complô terrorista”, dá toda razão às denúncias que UnoAmérica efetuou na ocasião.
Os fatos são os seguintes: 
1. Em 16 de abril de 2009, um grupo da polícia boliviana se introduziu no Hotel Las Américas, localizado em Santa Cruz, e assassinou Eduardo Rózsa, Michael Dwyer e Árpad Magyarosi.
2. O governo boliviano argumentou que estes três estrangeiros estavam envolvidos em um “complô para assassinar Evo Morales e para cindir Santa Cruz do território boliviano”.
3. Segundo o governo, dirigentes opositores cruzenhos estavam envolvidos no complô. Como prova, apresentou o testemunho da “testemunha estrela” Ignacio Villa Vargas, cognome “O Velho”, chofer de Rózsa.
4. UnoAmérica denunciou naquela ocasião que o triplo assassinato no Hotel Las Américas era uma manobra do governo boliviano para desviar a atenção do “Massacre de Pando”, orquestrado pelo próprio governo para defenestrar o governador Leopoldo Fernández e para tomar o controle do estado de Pando.
UnoAmérica acusou o governo de Evo Morales ante a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), por ter planejado e executado o “Massacre de Pando”.
UnoAmérica também denunciou que, com o triplo assassinato, o governo pretendia criminalizar a oposição cruzenha, para justificar uma perseguição feroz contra seus adversários políticos.
5. Em resposta às nossas denúncias, o governo boliviano também implicou UnoAmérica no suposto “complô separatista”, alegando falsamente que um de nossos delegados, Jorge Mones Ruíz, havia se reunido com Eduardo Rózsa.
6. Em 29 de abril de 2009, a Embaixada dos Estados Unidos enviou um cabo (filtrado por WikiLeaks), identificado com o número 204756, onde assegura que o governo boliviano armou um falso complô para “assassinar” o presidente Evo Morales e depois culpar seus adversários, dentre eles UnoAmérica.
A Embaixada dos Estados Unidos afirma que Rózsa e seus companheiros foram contratados pelos serviços de inteligência bolivianos para montar uma falsa trama terrorista e justificar a perseguição desatada depois contra os dirigentes de Santa Cruz e contra UnoAmérica.
7. No passado 13 de janeiro, o portal boliviano Erbol difundiu um vídeo (ver abaixo), onde se mostra um funcionário do Estado entregando à “testemunha estrela”, Ignacio Villa Vargas, cognome “O Velho”, um suborno de 31.500 dólares.
O que demonstra que nunca houve um “complô terrorista” para assassinar Evo Morales, que foi uma manobra do governo para se desfazer de seus opositores e para encobrir o “Massacre de Pando”.
Frente aos fatos acima relatados, UnoAmérica estabelece duas observações: 
1. Se os bolivianos desejam recuperar sua democracia devem estudar a fundo os atos de violência suscitados em Pando, porque foi com essa matança que começou a ofensiva do governo boliviano para destruir o Estado de Direito. Nesse sentido, recomendamos revisar detidamente o Informe de UnoAmérica a respeito, disponível aqui.
2. A utilização de “testemunhas estrela”, previamente subornados pelo oficialismo para perseguir e julgar os adversários políticos, é um modus operandi desenhado em Cuba e implementado pelos governos pertencentes à ALBA.
Atualmente, o Presidente de UnoAmérica, Alejandro Peña Esclusa, está injustamente encarcerado na sede da polícia política venezuelana, como resultado das supostas declarações da “testemunha estrela” Francisco Chávez Abarca, que foi enviado de imediato a Cuba para que seu testemunho não pudesse ser verificado.
Esperamos que estas escandalosas revelações sirvam para motivar os cidadãos da Bolívia e da Venezuela, a lutar mais arduamente por suas liberdade.



quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MAIS UMA VEZ, O TEATRINHO DE CHÁVEZ CONTRA OS EUA.



Citgo é subsidiária da PDVAmerica, da PDVSA venezuelana

Hugo Chávez, o ditador da Venezuela, disse que Larry Palmer, que seria embaixador americano em Caracas,  ofendeu as forças armadas venezuelanas ao dizer, em audiência no Senado dos EUA, que na Venezuela há guerrilheiros colombianos e que os militares são influenciados por Cuba.
Em represália, os Estados Unidos revogaram o visto do embaixador da Venezuela em Washington, Bernardo Álvarez.
Chávez é mesmo um pândego. Todo mundo sabe dos laços da Venezuela com Cuba, conforme o projeto bolivariano de uma América Latina Socialista, orientada pelo Foro de São Paulo.
A Venezuela despeja milhões de litros de combustível para a miserável Cuba e Cuba, como sempre, exporta mão de obra barata. Há milhares de assesssores cubanos na Venezuela, na área da Saúde, Militar e Política.
As relações de Chávez com as FARC também são de longa data.
Os protestos do ditador venezuelano são apenas um teatrinho para destacar o que ele e Lula gostam de fazer, parecer que ameaçam o inimigo comum: os Estados Unidos.
Mas Chávez continua vendendo petróleo aos americanos e nem cogita em fechar os quase dez mil postos de gasolina da estatal venezuelana em solo americano, além de sete refinarias. É uma mina de ouro.
Chávez tem apoiado os narcoterroristas com discursos, armas, dinheiro e, também, território. Isso ficou claro após o exército colombiano ter detonado acampamentos dos bandidos e capturado dezenas de computadores dos chefes traficantes. Uma boa distração e fonte de informações é o livro lançado em maio de 2010, Palestino, do jornalista espanhol Antonio Salas, que mostra, muito mais do que Chávez gostaria, as relações da Venezuela com diversos grupos terroristas, inclusive islâmicos. 

Chavito e y sus amiguitos pseudo-socialistas não enganam mais ninguém.