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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SEMPRE O RIO DE JANEIRO. OU: a crise da polícia é uma crise cultural


Foto Juan Gutierrez (acervo do Museu Histórico Nacional)
O Rio de Janeiro é uma bela cidade.
Especialmente aquela das fotos dos anos 70, ou antes.
Como foi a capital do País por tanto tempo, a sede da Corte, talvez ali tenha se desenvolvido uma cultura especial. Uma trama de interesses que levou a podridão e o crime para dentro das instituições.
Isso parece tão claro. A música, a poesia, o cinema, a literatura carioca, quase sempre, tratam, resvalam, cultuam o amor bandido, a zona cinzenta da transgressão, a relatividade entre o certo e o errado.
Isso não poderia não contaminar a Polícia. Lamentavelmente.
Óbvio que esses pecados existem em todo o Brasil, mas o Rio tem um caráter simbólico, pelo seu passado.
Espero que consigam resolver de verdade todos os problemas, sem UPPs.
Haverá muito choro e ranger de dentes.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

MINA AHADI: "EU RENUNCIEI AO ISLÃ". Ou: a mulher que luta contra os fanáticos


Mina Ahadi, contra a morte por apedrejamento
 (http://www.secularism.org.uk/images/93394/original.jpg)

Para quem tem um tempinho de sobra sugiro a leitura da entrevista concedida pela iraniana Mina Ahadi à jornalista Thaís Oyama (Veja) na revista Veja, edição de 2 de fevereiro de 2011.

A ativista iraniana, que mora na Alemanha há 14 anos, em endereço incerto, pois é ameaçada de morte pelos islâmicos radicais, fala como a religião islâmica foi se transformando, em muitos países, em "barbárie e crueldade".

Diz ela, "o Islã se voltou contra os muçulmanos". (Aliás, a respeito do tema, aconselho aos interessados acessar o blog Vera Dextra, em que os autores reúnem notícias de todos os lugares sobre as barbaridades cometidas por islâmicos radicais contra crentes de outras religiões, especialmente cristãos, e, o mais curiosos, contra outros islâmicos, como se houvesse um campeonato para saber quem é  mais fiel a Alá. Quem for menos, morrerá.)

Mina espera que a presidente Dilma Rousseff se afaste de regimes tirânicos como o do Irã. Ela combate práticas absurdas como o apedrejamento. Segundo a iraniana, mais de 100 pessoas foram mortas desta forma no Irã, desde 1979, e 27 estão na fila da morte.

Em termos de matança, o regime iraniano é bem ativo, sendo a média, segundo Mina, de "uma execução a cada oito horas". Façam as contas!

Mina Ahadi critica muito o ex-presidente Lula, "que (Dilma) se recuse a manter relações diplomáticas com um regime assassino como o de Ahmadinejad, a quem Lula chamava de "amigo"."

Carta enviada a Lula em agosto de 2010 ficou sem resposta.

                                                                       A Carta:

Caro presidente Lula da Silva,


Sua oferta de conceder asilo no Brasil a Sakine Ashtiani, sentenciada à morte por adultério, é um passo importante para salvá-la, assim como a seus filhos. Espero que, com os esforços internacionais e com as ações de milhares de pessoas, nós possamos salvar Sakine. Que ela e seus filhos se abracem novamente em breve.
Enquanto escrevo esta carta, vejo à minha frente o rosto de Maryam Ayoubi, que foi apedrejada até à morte em 2001. Vejo os rostos de Shahnaz, Shahla, Kobra e dezenas de outras mulheres que foram enterradas até o peito e mortas por pedras arremessadas contra elas. 

Eu ainda vejo tudo isso diante dos meus olhos. As vozes das crianças que me ligaram para dizer: “Nossa mãe foi apedrejada até a morte” – ainda consigo ouvi-las. Esse é o regime islâmico. Os governantes do Irã não sobreviveriam um dia sem execuções e terror, sem espalhar o medo. 

Mesmo que o regime islâmico tenha retrocedido um pouco por conta da pressão em favor de Sakine, ele ainda espalha o medo na sociedade executando outros prisioneiros, especialmente os políticos.

Hoje, dia 2 de agosto, nove prisioneiros foram sentenciados à morte em Kerman. Em Teerã, seis prisioneiros políticos foram sentenciados à morte, entre eles Jafar Kazemi, que pode ser executado a qualquer momento. Zeynab Jalalian, um outro prisioneiro político, também corre o risco de ser morto em breve. 

Há mais pessoas na lista de execução: Mohammad Reza Haddadi foi setenciado à morte enquanto era menor; acaba de completar 18 anos e pode ser executado a qualquer momento. Há mais de 130 menores na prisão, com penas semelhantes. O regime islâmico é o único do mundo que executa menores.

Presidente Lula da Silva, hoje há 17 famílias de prisioneiros políticos em greve de fome na frente da prisão de Evin, em Teerã. Elas prestam solidariedade à greve de fome que seus filhos começaram lá dentro, dias atrás. 

Esse é um protesto contra a brutalidade das autoridades carcerárias com os presos políticos. O destino de três jovens alpinistas americanos e as lágrimas de suas mães também entristeceram a população. Esse regime prendeu parentes do senhor Mostafaei, o advogado de Sakine Ashtiani, e os levou como reféns até que ele se entregue.

Presidente Lula da Silva, o Irã é um país com um regime criminoso e brutal. É um regime assassino que deve ser condenado por todas as pessoas e governos. Permita-me, como uma representante do povo oprimido do Irã, dizer que não quero apenas salvar Sakine e abolir o apedrejamento, mas também pedir a todos os líderes nacionais que não reconheçam o regime islâmico como representante dos iranianos, mas sim como o assassino desse povo.

Esse é um regime que apedreja e executa, que prende pessoas todos os dias e corta suas mãos e pés. Nenhum outro governo do mundo realiza tantas execuções per capita quanto ele. Tal regime não deveria ser reconhecido por organizações internacionais ou chefes de estado.


Cordialmente.
Mina Ahadi
Porta voz do Comitê Internacional contra a Execução e do Comitê Internacional contra o Apedrejamento 
(http://liberdadedeexpressaovirtual.blogspot.com/2010/08/carta-aberta-ao-presidente-lula-mina.html)

 

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

A MORTE NA BAHIA É CADA VEZ MAIS DEMOCRÁTICA. Ou: você pode ser o próximo.


A morte teve o mercado ampliado na Bahia
                                                                
A evolução crescente da violência na Bahia é, sem trocadilho, mortal. Em 1997 o estado apresentava um índice de 13 homicídios por cem mil habitantes. Em 2007 o número passou a 25,7, e em 2010 chegou a 36 homicídios por cem mil habitantes.

O governador Jaques Wagner realmente parece haver aplicado uma política socialista em relação à violência. A morte naquele estado está democraticamente atingindo mais pessoas.

Enquanto isso, no estado mais populoso do Brasil, São Paulo, cuja política de segurança deveria ser modificada, por ser ruim, segundo o então candidato petista Aloizio Mercadante, a taxa está em 10,47 homicídios por cem mil, uma das menores do Brasil e perto do que é considerado normal pela ONU, 10 por cem  mil. (dados TV Globo)

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

PROCURAR A SOPA NOUTRAS PANELAS. Ou: crescer dói.

RECUPERANDO TEMAS PARA REFLEXÃO

As crianças de Atenas
João Pereira Coutinho
Estive em Atenas uma única vez na vida. Fui roubado. Literalmente. Verdade que também fui roubado no Brasil, na Espanha e no Egito. Desconfio que deve existir uma organização criminosa internacional que entra em alerta máxima sempre que eu me preparo para viajar. "Atenção: otário em movimento. Ataquem".

Mas o roubo em Atenas foi diferente. Foi, digamos, indolor: não houve armas (como no Brasil), não houve vidro do carro partido (como em Espanha) e não houve coação física (como no Egito). Depois de um jantar a dois passos da praça Syntagma (a única praça da capital grega que parece civilizada), lancei a mão à carteira e descobri o bolso do casaco vazio. Passei os oito dias seguintes (quatro em Atenas, quatro nas ilhas) com dinheiro emprestado e uma garrafa diária de retsina.

Lembro tudo isso porque a Grécia voltou a ocupar os noticiários. Alguns dias atrás, a polícia matou um rapaz de 15 anos. Nas duas semanas que se seguiram, jovens descontentes com o estado do mundo e com o estado da Grécia resolveram "vingar" a morte do companheiro e verter a raiva incontida em lojas, carros e policiais. Diz a imprensa que os prejuízos rondam os 130 milhões de dólares e, pior, estão longe de acabar: resguardados no Politécnico de Atenas, espaço onde a polícia não entra por determinação constitucional (os estudantes tiveram papel heróico no derrube da ditadura e isso garante-lhes certas prerrogativas espaciais), eles transformaram o Politécnico em "embaixada" e aí preparam as bombas que lançam quando a noite cai. Perfeito.

Os especialistas explicam o drama. E afirmam, inteiramente a sério, que existem "razões" ponderosas para deitar fogo à cidade. A corrupção do governo; a mediocridade do seu sistema de ensino; uma taxa de desemprego próxima dos dois dígitos --tudo isso ajuda à festa dos bárbaros. E depois temos a terrível "globalização", esse velho fantasma das cabeças primitivas, que transporta no seu dorso a crise financeira mundial.

Não acreditem nessas rábulas: a Grécia é um parceiro respeitável da União Européia e o governo de Atenas não se distingue particularmente dos governos burocráticos da União, que ratificam o que Bruxelas decide.

O problema está numa geração que nasceu e cresceu à sombra do Estado de Bem Estar Social, essa herança da Grande Depressão que o fim da Segunda Guerra tornou praticamente universal. Um Estado que vela pelos seus cidadãos do berço até à cova e que, precisamente por isso, os infantiliza durante uma vida inteira.

Quando vejo os pequenos selvagens da Grécia, é impossível não perceber o drama central desses meninos: habituados ao conforto e à segurança de um Estado que os trata como menores, eles continuam a esperar da entidade paternal o manto protetor das suas existências: no ensino, na saúde, no trabalho, na habitação, no consumo, na educação dos filhos e até, quem sabe, no fabrico deles. Inevitável: educados na dependência, eles não se distinguem dos mais básicos dependentes.

Infelizmente para eles, para a Grécia e para a Europa, o pai dá sinais de falência e os filhos terão que procurar a sopa noutras panelas. A violência de Atenas, que a prazo se espalhará pelas restantes cidades do continente, faz parte do processo. Crescer dói.

Artigo originalmente publicado na Folha Online.
João Pereira Coutinho

18/12/2008

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

QUE ACONTECE COM NOSSOS ALUNOS? Ou, vou arrebentar a sua cabeça com um taco de beisebol.

 Rapaz não gosta de nota e arrebenta professora a cadeiradas.
 Aluno mata professor a facadas, em faculdade.
 Mãe de criança invade creche e arrebenta professora a socos e chutes.
 Menino coloca fogo em cabelo de professora e classe dá muita risada.


As manchetes foram mais ou menos assim. Trata-se apenas de reproduzir a idéia.
Parecem notícias de um mundo estranho, mas foram coletadas em pouco tempo, aqui mesmo, no Brasil.
Apesar de toda a propaganda oficial sobre os índices de alfabetização e número de vagas em universidades, e do desenvolvimento econômico, alguma coisa muito grave está acontecendo com a Educação no País.
Todos os dias são publicadas notícias de violência em alguma escola, seja creche, primeiro grau, colégio, escola técnica ou faculdade. A violência é democrática. Basta a lembrança do caso absurdo da aluna Geisy Arruda, da Uniban.
Os pais não toleram que seus filhos tenham notas baixas ou sejam reprovados, como se relapsos tivessem que ser aprovados por decreto. 
Alunos preguiçosos e presunçosos, apoiados no ECA, acham-se cheios de direitos, mas nunca ouviram falar em deveres. 
Professores não conseguem mais impor-se pela autoridade da função e praticam a demagogia mais vagabunda.
Autoridades escolares, pedagógicas, legais, entregam-se completamente à visão do politicamente correto, pondo a perder gerações de brasileiros.
Reprovar é perseguição.
Criticar é bullying.
Estudar é bobagem e pesquisar é copiar da Internet, de preferência do Wikipedia.
Contra-argumentar com os pais é ofensa à dignidade do aluno.
Punir é torturar! Porque agora tortura pode ser física, psicológica, espiritual, induzida, etc...

Estou apenas pensando alto.
Alguém concorda? Discorda?  Ou muito pelo contrário?


O CRESCIMENTO DA VIOLÊNCIA EM PORTO ALEGRE

Algo me diz, pelo noticiário, que Porto Alegre está a caminho de ser um dos grandes centros da violência no Brasil. Vamos ver como reagirá o futuro governador, Tarso Genro, ex-ministro da Justiça, a essa realidade nada agradável. Começará colocando a culpa na ex-governadora?
  
A localização próxima do Paraguai favorece a entrada de armas de grosso calibre e militares e drogas, muitas drogas, provenientes da Bolívia, da Colômbia e, especialmente, do Paraguai.

Hoje a Brigada Militar divulga a apreensão, em uma residência na Vila Graciliano Ramos, na Glória, de: " uma metralhadora, seis armas de altos calibres, dois fuzis, dois quilos de crack, um quilo de maconha, nove rádios comunicadores, e quatro balanças de precisão." 

Também foram encontradas facas, revistas sobre montagem de armas e um colete a prova de bala, e equipamentos da polícia. (Zero Hora).

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A INDÚSTRIA DA MORTE DO RIO DE JANEIRO. Der Industrie der Tod von Rio de Janeiro


Os traficantes têm fuzis AK-47 russos

Não foram necessários mais que três dias para que a realidade do Rio de Janeiro aflorasse, em toda a sua crueza, no noticiário sobre o Complexo do Alemão. Denúncias de violência policial contra moradores; acusações de roubo e destruição contra as forças de ocupação; sumiço de dinheiro apreendido do tráfico; moradores das favelas invadindo e roubando pertences das casas ocupadas pelos traficantes, e a suspeita de que policiais deixaram bandidos fugirem em troca de ouro em barras. 
Isso não significa, certamente, que todos os policiais estão implicados em roubos, suborno ou atos de violência. Mas, o crescimento do volume de queixas mostra a realidade escondida sob o tapete do noticiário fantasioso sobre a refundação do Rio. Nestes tempos parece que tudo tem que ser refundado.   
Não há como estabelecer um antes e um depois numa sociedade que misturou os conceitos de bem e de mal e na qual as zonas nebulosas da cultura, aquelas que beiram ou adentram a marginalidade, são vistas como algo absolutamente normal.
O Rio de Janeiro desenvolveu uma cultura diferente, única, ao longo das últimas décadas, a Cultura Bandida.
Essa cultura fica bastante clara quando se analisa o conteúdo do noticiário sobre as relações praias-morros, os filmes, os enredos de novelas, as letras de música e a filosofia, a sociologia e antropologia baratas produzidas na Academia.
A condescendência, o deslumbramento, a impunidade, tornaram cult o mundo marginal e criminoso. Sempre a mesma e velha visão romântica sobre o mundo do crime, como se tudo pudesse ser explicado apenas pelas criticas ao capitalismo.
Análises rasteiras de quem acha razoável a bandidagem e o consumo crescente das mais diversas drogas, como a maconha, a cocaína e o crack.
Ninguém sabe exatamente, mas, estima-se que o consumo anual de maconha no Rio de Janeiro possa chegar a cem toneladas. Cem mil quilos da erva.
Se um quilo de maconha rende até 150 cigarros, a montanha de maconha consumida pelos cariocas pode chegar a 150 milhões de unidades. Dados da ONU estimam que  cerca de 4 por cento da população mundial utilize a maconha.
Essa é apenas uma aproximação, visto que em alguns paises a droga não é encontrada com facilidade e em outros parece brotar nos vãos das calçadas, como no Brasil.
Utilizando tais referências, muito superficiais, teríamos cerca de 250 mil usuários no Rio de Janeiro. Dividindo-se 150 milhões de unidades por 250 mil encontraremos o resultado de 600 cigarros para cada usuário por ano.
Isso significa quase dois cigarros para cada um, por dia.
Assim, tal volume de droga - apenas a maconha, sem contarmos a cocaína e o crack - indica uma máquina quase industrial operando para mover as engrenagens desse submundo.
Corrupção de políticos e policiais, sedução de formadores de opinião e famosos, ongueiros modernosos e defensores da liberação das drogas fazem parte dessa equação.
E milhões, muitos milhões de dólares, que entram e saem do País, alimentando a indústria da morte, alimentando a Cultura Bandida.      

terça-feira, 30 de novembro de 2010

SOBRE OS BUNKERS DO ALEMÃO.

Pesquisando sobre a questão da violência no Rio de Janeiro encontrei, no blog Notas e Destaques informações preciosas sobre os bunkers e feiras de armas realizadas no local.
A imprensa publica, hoje, a descoberta de 300 quilos de maconha e armas enterradas em um bunker, como se fosse algo absolutamente incomum.
É preciso destacar, a favor daquele blog, que a nota era de 12 de julho deste ano!
Incomum era o fato de a polícia não conseguir entrar naquele local há uns dois anos.

Trecho do texto do Notas e Destaques:

"Traficantes costumam realizar uma feira atacadista no largo do Coqueiro, na parte alta do complexo de favelas do Complexo Alemão, na zona norte do Rio de Janeiro. Segundo informações, no Complexo do Alemão, os criminosos estariam se esconde em esconderijos subterrâneos, conhecidos como bunkers. Esses bunkers, segundo um agente da DCOD (Delegacia de Combate às Drogas), são considerados “área vip” na favela e só são frequentados pelos chefões da organização criminosa, entre eles, Marcelinho Niterói, homem de confiança de Beira-Mar, traficante preso na penitenciária de Campo Grande (MS).
Os traficantes, segundo policiais, construíram até túneis que ligam os seus principais esconderijos. Um agente da DRAE (Delegacia de Repressão à Armas e Explosivos) estima que, em todo o complexo, os traficantes tenham cerca de 400 armas pesadas, entre fuzis e metralhadoras antiaéreas. Considerado base da maior facção do tráfico no Rio, o Comando Vermelho, o complexo do Alemão não recebe uma grande operação policial desde setembro de 2008, quando a favela foi ocupada para a procura do então chefe do local, o traficante Tota, que teria sido morto por antigos aliados.
A feira do Alemão, segundo policiais, costuma começar às 14h e só acabam por volta das 3h ou 4h. Em cada barraca, ficam até dez seguranças armados com fuzis. Para que o matuto possa participar, ele mantém contato com um emissário que comunica sua chegada ao chefe da favela. Cabe a ele, decidir recebê-lo ou não. Entre os traficantes que possuem tendas no local, estão os chefes das comunidades do Jacarezinho, Mangueira e Mandela, na zona norte, e da Vila Kennedy, na zona oeste. O pagamento pelas armas e drogas, é feito no ato e sempre em dinheiro. E os criminosos testam as armas na hora para saber se funcionam, dando tiros para o alto.
Os matutos levam cargas de drogas de 3 kg até 20 kg nas malas dos próprios carros, diferentemente dos grandes fornecedores, cujos entorpecentes chegam em caminhões. 
O largo do Coqueiro é o “quartel-general” do complexo do Alemão..."

Uma vez que um autor de blog pode chegar a essas informações, ou as informações podem chegar até ele, tanto faz, as mesmas também poderiam haver chegado às autoridades. O que houve com o Rio de Janeiro?
Agora, após a lenga-lenga das UPPs, e a estranha rebelião dos criminosos, que resultou na ocupação das favelas, todo mundo parece que descobriu o que acontecia.
Tudo não passava de outro segredo de Polichinelo.

domingo, 28 de novembro de 2010

O CORAÇÃO DO MAL NÃO ESTÁ NO COMPLEXO DO ALEMÃO, ESTÁ NA CULTURA BANDIDA. Das Herz des Bösen liegt in der Kultur Bandit

As autoridades cariocas parecem eufóricas com o sucesso das operações policiais-militares da guerra contra o tráfico no Rio de Janeiro. Por sua vez, os moradores das favelas ocupadas também parecem felizes.

Nada contra essa felicidade geral; eliminar as chances dos criminosos é uma das metas da democracia e do estado de direito, de uma sociedade civilizada. Mas é impossível não receber com um certo espanto ou reticências a afirmação do secretário de Segurança do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, de que "o Complexo do Alemão é o coração do mal do Rio de Janeiro."

Então, uma vez dominado o Alemão tudo se resolverá no Rio?
Há poucos dias estava tudo pacificado naquele estado, e agora chegaram ao coração do mal.

É uma frase de efeito, poética até, mas não dá conta da complexidade do situação das drogas e do crime no Rio de Janeiro. Décadas de rendição ao crime, milhares de famílias envolvidas de algum modo, considerando fornecedores e usuários, e, no meio de tudo, a corrupção policial, as milícias, e o oportunismo político.

Áreas imensas da Cidade foram entregues, por desleixo, incúria, preguiça, ou más-intenções aos traficantes. No final do dos anos 70, Homero Icaza Sánchez, conhecido por El Brujo, o primeiro analista de pesquisas da Rede Globo, dizia: "onde existe um vácuo de poder, a ordem será imposta pelos bandidos. Não existe vácuo de poder."
Dito e feito. 

A cultura do vitimismo, que perdoa os bandidos, e da ideia de que consumir drogas é um barato que não tem um preço social disseminou-se pelo Rio, até o estado de podridão atual.
O filme Tropa de Elite (I) assinalou que o usuário também faz parte da corrente do crime, pois capitaliza os traficantes. E, ninguém nasceu viciado.

Toda a esquerda engajada atacou o filme e o seu diretor como se um filme fosse um trabalho acadêmico, não uma peça ficcional. Há um esforço, quase estético, em fazer parecer glamouroso usar um baseado ou eliminar uma carreira de pó.

E, muita gente que usa maconha, por um certo viés natureba, ainda reclama de fumantes de cigarros, como se estes fossem uns seres antissociais.
Beltrame está errado.

O coração do mal do Rio de Janeiro está na Zona Sul, onde os abastados, descolados, chiques, intelectuais, universitários, esquerdinhas modernos, alimentam o tráfico consumindo drogas e espalhando a morte nas festas juvenis.

Esse é o coração do mal do Rio de Janeiro, a Cultura Bandida.

CUIDAR DA COMUNIDADE

O receio de que o confronto com a polícia e as forças armadas pudesse levar a morte a muitos dos traficantes fez com que pais entregassem seus próprios filhos às autoridades.
Diversos casos foram registrados pela Imprensa nos últimos dois dias.
Os moradores das favelas também estão colaborando e denunciando os bandidos. Com isso, alguns que colaboram talvez possam vir a ser identificados pelos bandidos e perseguidos futuramente.
Como não há prisão de um número significativo de criminosos e nem são apreendidas armas modernas, apenas velhos e sujos fuzis e armas curtas, resta a possibilidade de que os bandidos tenham fugido - hipótese mais remota - ou estejam escondidos em casas das favelas  (cerca de 30 mil habitações) e bem armados e municiados.
O comandante da Polícia MIlitar já informou que todas as casas serão revistadas, visto que a polícia teve o aplauso da população. Uma vez que a polícia sabe que os bandidos podem forçar as famílias a darem esconderijo ou podem contar com a colaboração de moradores, as residências terão que ser vistoriadas.
Como o normal é deixar entrar para fazer a revista, naquelas em que houver recusa e a suspeita de que haja alguém escondido, a polícia poderá invadir, mesmo sem mandado judicial.
Terminada toda a operação, as autoridades cariocas nunca mais poderão abandonar aquelas pessoas, sob o risco de terem que assumir diretamente a responsabilidade pelos danos que elas possam sofrer em atos de vingança cometidos pelos bandidos traficantes.

SEMPRE A VELHA E PERIGOSA PRESSA

As tropas da Lei começaram a invadir o Complexo do Alemão pelas 8 horas da manhã de hoje, após muitas reuniões, cálculos e preparativos. Informações iniciais indicavam que cerca de 400 ou 500 bandidos encontravam-se escondidos no conjunto de favelas, fortemente armados.

Quanto a isso não há dúvidas, pois os meios de comunicação têm mostrado, sempre, bandidos exibindo fuzis e, até, metralhadoras. Passadas três horas a polícia conseguiu fincar a Bandeira do Brasil no topo do Morro, tomando conta do território.

Teve gente, especializada, que chegou a comparar com a tomada de Monte Castelo, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. O Brasil é mesmo um país ufanista. As forças policiais fizeram cerca de 20 prisões, apreenderam 16 fuzis, uma metralhadora, uma submetralhadora com mira a laser, algumas granadas, muita munição, coletes a prova de balas e perto de dez toneladas de droga, a maior parte maconha. Além de muito dinheiro.

Um dos troféus da invasão foi a recaptura do bandido Zeu, o matador do jornalista Tim Lopes, em 2002, usando o método do microondas, isto é, queimando o corpo (vivo) com gasolina, em uma pilha de pneus. O sujeito foi condenado a 23 anos e seis meses, cumpriu cinco anos e 25 dias e obteve o benefício(!!!!!!) do regime semi-aberto. Fugiu, é claro.

O comando da Polícia Militar temia encontar forte resistência, uma vez que as favelas somam 200 mil habitantes e existem umas 30 mil moradias. Um verdadeiro labirinto que costuma ser muito perigoso para quem tenta invadir, pois vai de baixo para cima. Os soldados poderiam virar alvos fáceis.

Bem, assim que fincaram a bandeira, os famosos especialistas e jornalistas já começaram a falar em comunidade pacificada, território reconquistado, etc.
Para onde foram os 400 bandidos?
Onde estão as armas que usavam?
E toda a munição necessária?
É claro que os bandidos podem ter fugido, apesar do cerco, o que parece o mais difícil, ou podem estar escondidos em algumas das milhares de casas.

Farão moradores reféns? Estarão escondidos por conhecidos? 
Não devemos nos esquecer que a população, apesar de sar sinais de alívio, têm profundas ligações com os bandidos, pois suas famílias moram por ali. Todos se conhecem. A rede de solidariedade é grande, assim como o medo da morte. Tanto por parte dos bandidos, como dos moradores que ficam entre a espada e o fogo. A cultura das chamadas comunidades tem uma imensa carga de ambiguidade, está na zona do limbo, entre o bem e o mal.

Os bandidos podem ter preparado armadilhas para as tropas, e enterrado armas e drogas.
É muito, mas muito cedo mesmo, para se falar em pacificação.
Por ora, o território foi apenas tomado, o que não deixa de ser interessante.
Mas, se não aparecerem os bandidos, presos, ou mortos, e as armas, tudo não terá passado de uma grande brincadeira.

O pior é que colocando em risco a vida de milhares de pessoas.
E, pior ainda, desmoralizando o imenso esforço feito pelas tropas envolvidas nessa verdadeira guerra do Rio de Janeiro. 

sábado, 27 de novembro de 2010

OS POLÍTICOS LAVARAM AS MÃOS, EM SANGUE

"Eu me lembro, na ocasião do Ônibus 174, que o então presidente Fernando Henrique Cardoso, do PSDB, foi à TV prometer um plano nacional capaz de reformar as instituições ligadas à segurança pública em todo o Brasil. Teve dois mandatos para cumprir a promessa, e não o fez.
Depois veio o atual presidente Lula, do PT. Apresentou um Plano Nacional de Segurança bem bolado, escrito pelo professor Luiz Eduardo Soares. Estamos ao final do seu segundo mandato e o plano continua engavetado.
Finalmente, não vamos esquecer o PMDB, do governador Sérgio Cabral, que em ambos governos nada propôs de significativo na área da segurança.
A verdade é que nos últimos 30 anos nossos políticos ficaram vendo inocentes morrer. Lavaram as mãos."

José Padilha, diretor de Tropa de Elite. (Aliás, O Estado de S. Paulo)

O SANGUE MOLHARÁ O MORRO, A COPA E A OLIMPÍADA

De forma lenta, mas constante, a opinião pública começa a ter uma idéia mais clara a respeito dos traficantes do Rio de Janeiro. A cobertura jornalística está mais ligada à cobertura dos fatos do que atrás de explicações sociológicas.
Jornalistas devem ser jornalistas, e não cientistas sociais.
Os bandidos estão sendo chamados de bandidos; traficantes armados com fuzis e metralhadoras agora não são mais os famosos supostos traficantes, como se gente honesta perambulasse por becos de favelas portando armas militares.
O cidadão comum, desarmado pelo Estado, só pode concluir que um moleque de 18 anos armado com uma metralhadora, adquirida por contrabando ou de policiais corruptos,  não é suposto nada, é bandido pura e simplesmente. 
O que é relatado mostra a situação dramática do Rio de Janeiro:

1. um menino de 12 anos foi detido numa barreira transportando 32 mil dólares, que tentava tirar da favela do Alemão; certamente pressionado pelos bandidos ou, pior, iniciando no crime;

2. um menino de 8 anos de idade foi baleado na perna por um criminoso que havia ordenado que o garoto pusesse fogo em uma moto. Como o garoto recusou-se e fugiu, foi baleado;

3. na favela do Cruzeiro a polícia apreendeu 132 bananas de dinamite que seriam utilizadas para explodir alvos diversos; nas últimas semanas vários assaltos no Brasil desviaram cargas de dinamite; provavelmente boa parte foi parar nos morros do Rio;

4. na fuga dos 200 bandios da favela Cruzeiro para o Complexo do Alemão, uma pick-up levou cerca de dois milhões de dólares e reais do tráfico, o que foi descoberto pelo setor de inteligência da polícia;

5. As autoridades policiais estimam que estejam escondidos no Complexo do Alemão entre 400 e 500 bandidos fortemente armados.

Tais fatos e números mostram com o que se está lidando.
O fim ainda está longe, uma vez que, apesar da tentativa de algumas ONGs, de intermediação, os bandidos resolveram não se render e parecem estar dispostos ao combate, imaginando que a invasão do complexo será muito difícil.
Ocorre que as tropas farão o conhecido movimento do martelo e da bigorna, espremendo os bandidos pelo alto e por baixo. 
Ainda haverá muito sangue no Rio de Janeiro.
A Copa e as Olimpíadas estarão tintas de vermelho. 

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

O ESPÍRITO DE MARIGHELlA AINDA ESTÁ ENTRE NÓS?

Acompanhando o noticiário sobre o combate ao terror gerado pelos narcotraficantes do Rio de Janeiro e observando a reação de alegria e alívio da população, surgiu-me uma pergunta que não pára de me atormentar.
Já vimos toda a violência possível nessa situação?

Temo dizer que não.
Quando os 100 ou 200 bandidos, que agora parecem fanfarrões em fuga, mostrando fuzis e metralhadoras, forem finalmente acuados no alto do Morro do Alemão, cercados pelas tropas da Polícia Militar e das Forças Armadas, poderão reagir de modo muito violento e traumático.
Conhecendo perfeitamente o Manual de Guerrilha Urbana de Carlos Marighella e sabendo que líderes das gangues ligadas ao narcotráfico  foram doutrinados nas prisões, no tempo da ditadura, podemos esperar o pior.

Em diversos atos recentes já mostraram que agem sem dó e nem piedade, pois colocaram fogo em veículos com pessoas dentro. É certo que no passado também já fizeram coisas como queimar pessoas vivas dentro de pneus, o chamado microondas.
São cruéis, psicopatas.

Encurralados, talvez resolvam apelar para a captura de reféns para barganhar a saída do morro e tentarem a fuga. Ficar e resistir a tiros, sabem que é morte certa.
Que as autoridades que ora articulam os planos de combate já tenham pensado nisso, pois soluções serão necessárias.
Pelo visto, as autoridades políticas cariocas só estavam preparadas para o show pirotécnico da tal Polícia de Pacificação. 

Com os combates e a perseguição aos criminosos, com a prisão ou morte deles é que a população será realmente liberta e pacificada.
Espero, sinceramente, que o espírito de Carlos Marighela não esteja pairando sobre o Rio de Janeiro.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

TERRORISMO, A VISITA ILUSTRE DO RIO DE JANEIRO. Terrorismus, die Unterscheiden visit Rio de Janeiro.

Merval Pereira, jornalista de O Globo, diz que o que está acontecendo no Rio de Janeiro é terrorismo. Embora muitos jornalistas e cientistas sociais evitem fazer afirmação tão categórica, visto prevalecer uma visão hegemônica que tenta, sempre, transformar meros bandidos em vitimas - e sempre vitimas do injusto sistema capitalista - Pereira está certo.

Quem leu os livros sobre a história do surgimento de grupos como o Comando Vermelho (CV) e  Primeiro Comando da Capital (PCC) entende, perfeitamente, como as práticas de grupos terroristas, de guerrilha urbana, foram  muito bem assimiladas pelos presos comuns que estiveram presos junto com guerrilheiros e terroristas nos tempos da ditadura militar.

Os marxistas presos faziam pregações e conseguiram passar aos bandidos a idéia do uso de coisas como o seqüestro, os atos de terror, como gerar incêndios e explosões, com o que se consegue grande efeito de comunicação e desestabilização da ordem social.
Não é à toa que Pereira cita o economista Sérgio Besserman, um dos responsáveis pela estratégia da retomada dos territórios ocupados pelos bandidos do Rio de Janeiro pela policia. Para Besserman, terrorismo é questão de segurança nacional.

O professor de História Contemporânea da UFRJ Francisco Carlos Teixeira afirma que terrorismo é um método de ação, não um objetivo. Ele considera  “um equívoco pensar que só é terrorismo aquilo que parte de grupos políticos, com um programa político, e objetivos bem estabelecidos, como libertação de um território, ou luta contra um regime.” 

Finalmente parece que algumas pessoas estão começando a entender o que ocorre no Rio de Janeiro. Uma democracia não dispensa a força bruta caso seja necessário utilizá-la contra quem quer desestabilizar a ordem social. É exatamente o que acontece agora.
Democracia não pode ser confundida com um regime fraco e sem diretriz firme, tem que garantir a tranqüilidade e a segurança a todos os cidadãos.

Talvez ainda consertem o Rio de Janeiro.

DEMAGOGIA NÃO É SOLUÇÃO.

"Todos queremos que o crime seja enfrentado com o mínimo possível de confrontos, de mortes, de violência. Mas não existem milagres nesses assuntos. Meter bandidos atrás das grades não é suficiente para garantir a eficiência da segurança pública, mas não existe segurança possível se eles estão, aos milhares, nas ruas. É por isso que a Unidade da Polícia Pacificadora sem a Unidade da Polícia Prendedora é uma picaretagem política." (Reinaldo Azevedo).

Sobre os constantes episódios de violência no Rio de Janeiro, cidade dominada pelo crime, fica cada vez mais claro que fazer demagogia não resolve o problema. 
A questão de base foi tocada, com toda a certeza, por Tropa de Elite (I), pois o filme mostrou como o crime organizado e as drogas dominaram a cidade e o próprio imaginário dos cariocas bem pensantes, os descolados, os moderninhos.
E como cada cidadão consumidor de droga ajuda a tornar a vida insuportável. 
O período eleitoral fez com que o governo estadual inventasse a fórmula mágica chamada de UPP. O resultado está sendo visto agora, após as eleições, com a revolta dos bandidos.
Certo está o Reinaldo Azevedo ao tocar no assunto com seu modo preciso e lógico, desnudando a falcatrua toda.
Lugar de bandido é na cadeia.
Sociologismo e bom mocismo só cabem na Academia, que finge que a culpa sempre é do sistema, entre uma cafungada e outra.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

OS MONSTROS DA AVENIDA PAULISTA

A cada dia torna-se mais desagradável ou doloroso ler o noticiário.
Um bando de vândalos ataca, sem o mínimo fundamento, passantes que caminham pela calçada, em plena Avenida Paulista, em São Paulo. Usam como armas lâmpadas fluorescentes. Vândalos de classe média, respaldados pelos próprios pais.

Os idiotas paternos não conseguem ver mais que uma briga de crianças na rua. São aqueles que jamais disseram não aos filhos, pensando estar tratando verdadeiros marginais com um mínimo de dignidade. Como se um não, um castigo ou umas palmadas na bunda pudessem traumatizar alguém. 

Na Bahia uma menina de 13 anos e outra de 16 foram decapitadas simplesmente porque seus pais não puderam pagar o resgate pretendido. Uma delas filha de um simples policial militar. Os bandidos queriam 50 mil reais e duas armas. Não sendo atendidos, a solução final: morte por decapitação. Simples como se fosse uma pena sendo cumprida em algum país islâmico.

O que vemos é um desprezo crescente pelo outro, pela vida alheia, justamente quando mais se fazem discursos sobre cidadania e direitos.

O excesso de proteção e a leitura errada do que seja uma punição para alguém que agiu errado está criando um mundo de pequenos monstros.