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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SEMPRE O RIO DE JANEIRO. OU: a crise da polícia é uma crise cultural


Foto Juan Gutierrez (acervo do Museu Histórico Nacional)
O Rio de Janeiro é uma bela cidade.
Especialmente aquela das fotos dos anos 70, ou antes.
Como foi a capital do País por tanto tempo, a sede da Corte, talvez ali tenha se desenvolvido uma cultura especial. Uma trama de interesses que levou a podridão e o crime para dentro das instituições.
Isso parece tão claro. A música, a poesia, o cinema, a literatura carioca, quase sempre, tratam, resvalam, cultuam o amor bandido, a zona cinzenta da transgressão, a relatividade entre o certo e o errado.
Isso não poderia não contaminar a Polícia. Lamentavelmente.
Óbvio que esses pecados existem em todo o Brasil, mas o Rio tem um caráter simbólico, pelo seu passado.
Espero que consigam resolver de verdade todos os problemas, sem UPPs.
Haverá muito choro e ranger de dentes.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A CULTURA BANDIDA DO RIO DE JANEIRO. AINDA HÁ MUITO A DEPURAR.

O prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, disse que ainda não sabe quem indicou o delegado de polícia Carlos Antonio Luiz de Oliveira, da cúpula da Polícia Civil do Estado, para a Secretaria Especial de Ordem Pública do município.

Bem, uma coisa é certa, não é mesmo? Ele foi nomeado pelo prefeito Eduardo Paes.
O delegado Oliveira é suspeito de estar envolvido com quadrilhas de policiais que tinham relações com grupos criminosos do Rio de Janeiro.

No Rio, a cultura acabou derivando para relações perigosas entre a lei e o crime e entre segmentos da sociedade civil e o mundo das drogas e outros tipos de crime.
Isso aparece até em obras de arte (filmes, livros, novelas, músicas) feita no Estado. É a cultura bandida. De certo modo, as relações foram muito bem retratadas em Tropa de Elite, o filme que a esquerdalha adepta do fumacê detestou.

No Rio, muita pedra ainda vai rolar (isso não tem nada a ver com a região serrana).

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

PEDRO ABRAMOVAY DEIXA O GOVERNO. Ou: o lugar de traficantes é na cadeia. Abramo foi...

Pedro Abramovay
Pedro Abramovay, responsável pela  Senad (Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas) e defendeu o fim da prisão para pequenos traficantes deixou o governo. 
Visto como um jovem prodígio dentro do governo Lula, Abramovay ocupou a Secretaria Nacional de Justiça. Assumiu a Senad no início do ano, quando ela passou para o Ministério da Justiça.
Em entrevista há 10 dias ao jornal "O Globo", Abramovay defendeu que o governo enviasse ao Congresso um projeto para tornar padrão um entendimento do STF (Supremo Tribunal Federal) que respalda o uso de penas alternativas para a lei de drogas.
Os juízes poderiam aplicar penas alternativas a quem se encontra na situação intermediária entre usuário e traficante, desde que fosse réu primário.
O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, descartou que o governo estivesse analisando a proposta e disse que se tratava de uma declaração pessoal de Abramovay.
Cardozo  disse que a proposta governamental é o oposto, com endurecimento da pena para quem participasse de organizações criminosas.
Abramovay será substituído pela secretária adjunta da Senad, Paulina do Carmo Arruda Vieira Duarte.

COMENTO:

1.   Para Abramovay, colocar traficante nas ruas seria a solução. Não deve ser pai. 
Gostaria de saber o que é alguém que está entre ser viciado e ser traficante.
O viciado compra do traficante.
O traficante vende para viciados ou espalha drogas para viciar ainda mais gente.
O usuário, queira ou não alimenta o crime. Nem que seja quando para uso social, como se diz.
É a tese calhorda dos que não gostaram do filme Tropa de Elite I.
As drogas são um flagelo social. Só um lunático poderia ver na soltura de viciados/traficantes uma solução para o problema. Esse sujeito solto traria muitos outros usuários para a rede.

2.   QUE TIPO DE IDÉIAS TRANSFORMAM ALGUÉM EM PRODÍGIO?

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

O CRESCIMENTO DA VIOLÊNCIA EM PORTO ALEGRE

Algo me diz, pelo noticiário, que Porto Alegre está a caminho de ser um dos grandes centros da violência no Brasil. Vamos ver como reagirá o futuro governador, Tarso Genro, ex-ministro da Justiça, a essa realidade nada agradável. Começará colocando a culpa na ex-governadora?
  
A localização próxima do Paraguai favorece a entrada de armas de grosso calibre e militares e drogas, muitas drogas, provenientes da Bolívia, da Colômbia e, especialmente, do Paraguai.

Hoje a Brigada Militar divulga a apreensão, em uma residência na Vila Graciliano Ramos, na Glória, de: " uma metralhadora, seis armas de altos calibres, dois fuzis, dois quilos de crack, um quilo de maconha, nove rádios comunicadores, e quatro balanças de precisão." 

Também foram encontradas facas, revistas sobre montagem de armas e um colete a prova de bala, e equipamentos da polícia. (Zero Hora).

domingo, 28 de novembro de 2010

SEMPRE A VELHA E PERIGOSA PRESSA

As tropas da Lei começaram a invadir o Complexo do Alemão pelas 8 horas da manhã de hoje, após muitas reuniões, cálculos e preparativos. Informações iniciais indicavam que cerca de 400 ou 500 bandidos encontravam-se escondidos no conjunto de favelas, fortemente armados.

Quanto a isso não há dúvidas, pois os meios de comunicação têm mostrado, sempre, bandidos exibindo fuzis e, até, metralhadoras. Passadas três horas a polícia conseguiu fincar a Bandeira do Brasil no topo do Morro, tomando conta do território.

Teve gente, especializada, que chegou a comparar com a tomada de Monte Castelo, na Itália, durante a Segunda Guerra Mundial. O Brasil é mesmo um país ufanista. As forças policiais fizeram cerca de 20 prisões, apreenderam 16 fuzis, uma metralhadora, uma submetralhadora com mira a laser, algumas granadas, muita munição, coletes a prova de balas e perto de dez toneladas de droga, a maior parte maconha. Além de muito dinheiro.

Um dos troféus da invasão foi a recaptura do bandido Zeu, o matador do jornalista Tim Lopes, em 2002, usando o método do microondas, isto é, queimando o corpo (vivo) com gasolina, em uma pilha de pneus. O sujeito foi condenado a 23 anos e seis meses, cumpriu cinco anos e 25 dias e obteve o benefício(!!!!!!) do regime semi-aberto. Fugiu, é claro.

O comando da Polícia Militar temia encontar forte resistência, uma vez que as favelas somam 200 mil habitantes e existem umas 30 mil moradias. Um verdadeiro labirinto que costuma ser muito perigoso para quem tenta invadir, pois vai de baixo para cima. Os soldados poderiam virar alvos fáceis.

Bem, assim que fincaram a bandeira, os famosos especialistas e jornalistas já começaram a falar em comunidade pacificada, território reconquistado, etc.
Para onde foram os 400 bandidos?
Onde estão as armas que usavam?
E toda a munição necessária?
É claro que os bandidos podem ter fugido, apesar do cerco, o que parece o mais difícil, ou podem estar escondidos em algumas das milhares de casas.

Farão moradores reféns? Estarão escondidos por conhecidos? 
Não devemos nos esquecer que a população, apesar de sar sinais de alívio, têm profundas ligações com os bandidos, pois suas famílias moram por ali. Todos se conhecem. A rede de solidariedade é grande, assim como o medo da morte. Tanto por parte dos bandidos, como dos moradores que ficam entre a espada e o fogo. A cultura das chamadas comunidades tem uma imensa carga de ambiguidade, está na zona do limbo, entre o bem e o mal.

Os bandidos podem ter preparado armadilhas para as tropas, e enterrado armas e drogas.
É muito, mas muito cedo mesmo, para se falar em pacificação.
Por ora, o território foi apenas tomado, o que não deixa de ser interessante.
Mas, se não aparecerem os bandidos, presos, ou mortos, e as armas, tudo não terá passado de uma grande brincadeira.

O pior é que colocando em risco a vida de milhares de pessoas.
E, pior ainda, desmoralizando o imenso esforço feito pelas tropas envolvidas nessa verdadeira guerra do Rio de Janeiro. 

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

DEMAGOGIA NÃO É SOLUÇÃO.

"Todos queremos que o crime seja enfrentado com o mínimo possível de confrontos, de mortes, de violência. Mas não existem milagres nesses assuntos. Meter bandidos atrás das grades não é suficiente para garantir a eficiência da segurança pública, mas não existe segurança possível se eles estão, aos milhares, nas ruas. É por isso que a Unidade da Polícia Pacificadora sem a Unidade da Polícia Prendedora é uma picaretagem política." (Reinaldo Azevedo).

Sobre os constantes episódios de violência no Rio de Janeiro, cidade dominada pelo crime, fica cada vez mais claro que fazer demagogia não resolve o problema. 
A questão de base foi tocada, com toda a certeza, por Tropa de Elite (I), pois o filme mostrou como o crime organizado e as drogas dominaram a cidade e o próprio imaginário dos cariocas bem pensantes, os descolados, os moderninhos.
E como cada cidadão consumidor de droga ajuda a tornar a vida insuportável. 
O período eleitoral fez com que o governo estadual inventasse a fórmula mágica chamada de UPP. O resultado está sendo visto agora, após as eleições, com a revolta dos bandidos.
Certo está o Reinaldo Azevedo ao tocar no assunto com seu modo preciso e lógico, desnudando a falcatrua toda.
Lugar de bandido é na cadeia.
Sociologismo e bom mocismo só cabem na Academia, que finge que a culpa sempre é do sistema, entre uma cafungada e outra.