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sexta-feira, 18 de março de 2011

OBAMA FALANDO PARA O MUNDO. Mas de dentro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro

Charge Spon Holz, cedia pelo blog de  Aluizio Amorim*
Segundo Ancelmo Goes, de O Globo, Barack Hussein Obama não falará mais ao povo brasileiro, e nem ao Mundo, de um palco montado na Cinelândia.
Talvez por motivos de segurança, talvez pelo inusitado de um presidente americano vir discursar na Cinelândia (falaria sobre a Líbia? Ou sobre os avanços islâmicos nos EUA? Sobre a prisão de Guantânamo ou sobre a Ilha prisão de Cuba?).

*http://aluizioamorim.blogspot.com/
  http://www.sponholz.arq.br/

quinta-feira, 17 de março de 2011

JAPAN IS BIGGER THAN EARTHQUAKES AND TSUNAMIS. O Japão tem a têmpera necessária para ultrapassar esta tragédia.

Tsunami atinge Minami Sanriku  (Daily Post)

A fotografia de uma onda gigantesca atingindo a cidade japonesa durante o terremoto e o tsunami que afetaram duramente o nordeste do Japão faz pensar. Impressiona a altura da vaga e a massa de água que desloca.
Num instante centenas de pessoas, muitas cuidando tranquilamente de suas vidas, foram varridas como gravetos. Imaginem o susto dos ocupantes dos veículos que trafegam pela avenida. O impacto das águas nos edifícios que aparentam tanta solidez. Somos pequenos e frágeis, quase impotentes diante de tanta força. A Natureza não está enfurecida ou vingando-se, como querem alguns, da destruição do meio-ambiente.
A Natureza apenas é o que é. 
Os japoneses construíram sua civilização há milhares de anos nesse lugar. E há milhares de anos sofrem, teimosamente, o impacto das manifestações naturais. Cada vez com melhores técnicas de construção, para resistir. E ordem, educação e treinamento para se reorganizarem. Assim é o ser humano. Ou assim são os japoneses.
O drama dos japoneses é tão triste quanto foi o das famílias da região serrana do Rio de Janeiro. Mas há uma diferença a ser considerada: não há muito o que fazer contra a fúria da Natureza, mas há muito o que fazer contra a irresponsabilidade das autoridades incompetentes e corruptas que permitem, e até estimulam, ocupações irregulares, e depois colocam a culpa em adversários políticos, na Natureza, ou em Deus.
O japoneses reconstruirão suas cidades e negócios (claro que não poderão reparar suas perdas familiares), são tenazes, sofrem e trabalham. São um exemplo a ser seguido.
No Japão está frio neste momento, as pessoas podem ser privadas de alimentos e combustível, mas não há saques e tumultos. Nada disso é o que vemos num país como o Brasil. Isso faz uma enorme diferença.
Não temos uma tradição, não temos educação, perdemos os valores civilizacionais, não consideramos a propriedade algo importante, muito menos a coisa pública - construída com o esforço de todos, por meio dos impostos exorbitantes. Os pobres acham que tudo é "dado" pelo governo, e a intelectualidade crê que "bolsas" solucionam a falta de educação decente. 

O Japão se reerguerá, com certeza, pelo seu passado. Nem o acidente nuclear das usinas de eletricidade será obstáculo. 
Nós, todavia, sempre perdemos a memória dos absurdos e reelegemos crápulas, reeditando a mesma miséria moral e falta de vergonha.  


quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SEMPRE O RIO DE JANEIRO. OU: a crise da polícia é uma crise cultural


Foto Juan Gutierrez (acervo do Museu Histórico Nacional)
O Rio de Janeiro é uma bela cidade.
Especialmente aquela das fotos dos anos 70, ou antes.
Como foi a capital do País por tanto tempo, a sede da Corte, talvez ali tenha se desenvolvido uma cultura especial. Uma trama de interesses que levou a podridão e o crime para dentro das instituições.
Isso parece tão claro. A música, a poesia, o cinema, a literatura carioca, quase sempre, tratam, resvalam, cultuam o amor bandido, a zona cinzenta da transgressão, a relatividade entre o certo e o errado.
Isso não poderia não contaminar a Polícia. Lamentavelmente.
Óbvio que esses pecados existem em todo o Brasil, mas o Rio tem um caráter simbólico, pelo seu passado.
Espero que consigam resolver de verdade todos os problemas, sem UPPs.
Haverá muito choro e ranger de dentes.

domingo, 13 de fevereiro de 2011

A CULTURA BANDIDA DO RIO DE JANEIRO. AINDA HÁ MUITO A DEPURAR.

O prefeito Eduardo Paes, do Rio de Janeiro, disse que ainda não sabe quem indicou o delegado de polícia Carlos Antonio Luiz de Oliveira, da cúpula da Polícia Civil do Estado, para a Secretaria Especial de Ordem Pública do município.

Bem, uma coisa é certa, não é mesmo? Ele foi nomeado pelo prefeito Eduardo Paes.
O delegado Oliveira é suspeito de estar envolvido com quadrilhas de policiais que tinham relações com grupos criminosos do Rio de Janeiro.

No Rio, a cultura acabou derivando para relações perigosas entre a lei e o crime e entre segmentos da sociedade civil e o mundo das drogas e outros tipos de crime.
Isso aparece até em obras de arte (filmes, livros, novelas, músicas) feita no Estado. É a cultura bandida. De certo modo, as relações foram muito bem retratadas em Tropa de Elite, o filme que a esquerdalha adepta do fumacê detestou.

No Rio, muita pedra ainda vai rolar (isso não tem nada a ver com a região serrana).

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

SUJEITO COM IDEIAS ESTRANHAS DIZ QUE DINHEIRO DO TRÁFICO NÃO VEM DA MACONHA. Ou: me engana que eu gosto.

O blog do Noblat publicou um texto muito estranho hoje, de um tal José Luiz, com uma argumentação mais estranha ainda.

O sujeito sustenta que "a grana que sustenta o tráfico não vem da maconha. A grana vem das drogas". Então, para ele, a maconha não é droga, é apenas uma diversão? Drogas podem, talvez, ser divertidas. Mas matam e alimentam uma gigantesca cadeia criminosa, além de destruir famíias e matar jovens.

Deve ser um sujeito de uns 55 ou 60 anos, pelas referências que utiliza para desqualificar o uso da maconha e desvinculá-la das drogas. Deve ser um hiponga das antigas, como diria o Telmo Martino (do JT) "um poncho e conga" que veio de Woodstock a pé. 

"A grana do tráfico não vem da maconha há muito, mas há muito tempo. A última geração que fuma maconha é a minha. Daí pra frente a maconha saiu de moda.
As gerações seguintes pegaram pesado na heroína - sexo, drogas e rock and roll. Jimmy Hendrix morreu afogado no próprio vômito por overdose de heroína. Janis Joplin morreu de overdose de heroína. Mas também para fazer o que ela fazia com a voz só tomando nos canos mesmo.
Depois veio a cocaína injetada também nos canos (nas veias) - o LSD, e coisas do gênero, eram para os doidões profissionais, aqueles que tomavam ácido para experiências, digamos, caleidoscópicas. O haxixe era a maconha dos riquinhos. O óleo de haxixe, que é a forma mais potente da droga, era um luxo.
Depois, com a AIDS a moda passou a ser cheirar cocaína (nada de chamar cocaína de coca, por favor, é um sacrilégio com o liquido mais precioso já inventado pelo homem). E agora estamos no crack que nada mais é que a borra que sobra no refino da cocaína."

O sujeito deve circular em ambientes muito restritos, não lê jornais, não acompanha o noticiário e só usa computador para escrever pro Noblat.

Todas as semanas, nas mais diversas regiões do País a Polícia Federal, as polícias rodoviárias, as polícias civil e militar apreendem toneladas de maconha produzida no Nordeste e no Paraguai. As cargas, que há alguns anos eram de 20 ou 30 quilos agora são de 500 ou uma e duas toneladas.
O sujeito acha que a distribuição é gratuita?

Além disso toneladas de cocaína, haxixe e crack também são apreendidas, em quantidades cada vez maiores.
Em qualquer porta de colégio, público ou privado, há alguém vendendo ou usando maconha.
É uma das drogas mais comuns entre a garotada, exatamente porque há quem a defenda e diga que tudo bem, é bacaninha e tal e não é droga.

Mentira. É droga, produz danos e dá uma enorme grana para produtores e traficantes. Talvez o autor do texto não seja do Rio, pois teria visto a montanha de maconha apreendida pelas tropas. Se não dá grana, o que fazia aquele estoque ali naquele lugar? Acho é que o autor não gostou do filme Tropa de Elite, o primeiro, o bom.

"Alguém conhece alguma maconhalândia, algum maconhódromo, ou coisa que o valha? Não. Não conhece - maconha, como já disse, é coisa da minha geração, ou seja, coisa de velho. Os que eu conheço que fumam maconha estão prá lá dos 50 e fumam em casa, na janela, depois do jantar, para relaxar - tem gente que toma vinho do porto, outros fumam sua maconha.
Agora, cracolândia todo mundo conhece, né? Tem uma em cada bairro, pelo menos no Rio de Janeiro, em São Paulo e nas grandes cidades do mundo.
Vamos combinar o seguinte. A grana que sustenta o tráfico não vem da maconha. A grana vem das drogas."

Ninguém conhece um lugar específico, uma maconhalândia, porque a droga está em toda parte. O crack é que ainda está localizado, mas o autor que não se preocupe, logo estará em todos os lugares, em bem mais que alguns pontos, cracolândias, de umas quatro mil cidades brasileiras.

Acorda, José

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

NO RIO DE JANEIRO, 13 DIAS APÓS A TRAGÉDIA, O NÚMERO DE MORTOS NÃO PARA DE SUBIR. Agora são 816, e mais 513 dados como desaparecidos.

A lamentável tragédia que se abateu sobre a região serrana do Rio de Janeiro talvez permaneça, por muito tempo, o maior desastre natural do Brasil. Até o momento as autoridades contabilizam 816 mortos, 513 desaparecidos, e dezenas de milhares afetados pelas inundações, pelos desabamentos e pela lama.

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, sempre tão falastrão  como seu mestre Lula, parece, enfim ter dado conta do tamanho da tragédia. Anda meio sumido da chamada mídia, pois teria, talvez, muito que explicar.

Cento e setenta mil trabalhadores da região terão o FGTS liberado, num montante de quase R$500 milhões, numa região de 633 mil pessoas.

O Governo Federal dará ajuda aluguel de R$500,00 para cada família que ficou desabrigada, mas os aluguéis na região já disparam, o que é natural, sendo que não há um estoque de imóveis desocupados à espera de uma catástrofe. Kitinetes já estão à base de R$800,00 mensais.

Talvez agora, com uma tragédia tão grande, os políticos sejam mais responsáveis e mais cumpridores de seus deveres para com a coisa pública e com a vida dos cidadãos.  

sábado, 22 de janeiro de 2011

REGIÃO SERRANA DO RIO DE JANEIRO, O RETRATO DO DESCASO GERAL.


Os dados da Defesa Civil indicam que, até hoje, 791 pessoas morreram e 430 são dadas como desaparecidas na região serrana do Rio de Janeiro. No total, estima-se que 72355 pessoas tenham sido afetadas, de alguma maneira, pelas enchentes e desmoronamentos, sendo que 20 mil foram desalojados ou desabrigados.

Um dos dados que mostram bem a falta de cuidado geral com a questão da ocupação do espaço é o levantamento da Secretaria de Meio Ambiente de Nova Friburgo que indica que 60% dos imóveis do município são irregulares. Isto significa que de um total de 83 mil imóveis, cerca de 50 mil não têm licença para existir.

Fica a impressão que prefeitura éalgo criado apenas para arrecadar e não para fiscalizar.
O mesmo acontecendo com outros órgãos estaduais e federais, basta atentar aos posts anteriores sobre o descaso do Governo Federal para com a implementação do plano de prevenção de catástrofes,assinado por Lula em 2005, e que nunca saiu do papel.

Passada a campanha eleitoral, a realidade começa a se impor.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

MINISTRO RECONHECE FALHAS DA DEFESA CIVIL NACIONAL.

(Da REUTERS)

"Queremos uma Defesa Civil em nível nacional que esteja à altura do país que somos, a quinta ou sexta economia do mundo. É evidente que temos que ter um outro poder de resposta", declarou o ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, a jornalistas.

O ministro citou problemas no repasse de recursos para a prevenção de tragédias.
"Queremos acabar com a crítica recorrente que a Defesa Civil é lenta, tardia e quando o dinheiro chega, a tragédia já passou. Isso é verdade... e procede", afirmou.

"Outra crítica é que os recursos são mal aplicados... tomei a decisão de me reunir com o TCU (Tribunal de Contas da União) e solicitei a eles que iniciem já uma ação de monitoramento na liberação e acompanhamento de recursos da Defesa Civil... é evidente que ela precisa ser reestruturada."

Bezerra disse que depois da tragédia no Rio recebeu muitas críticas com relação à atuação da Defesa Civil Nacional e passou a ouvir demandas e sugestões da sociedade civil.

O Conselho Nacional de Defesa Civil vai se reunir na próxima semana ou na outra, afirmou o ministro, para receber contribuições da sociedade e universidades "para termos instrumentos para dar as respostas necessárias em ocorrências como essa no futuro".

COMENTO:

É bom lembrar que o Brasil foi duramente criticado pelo jornal francês Le Monde, esta semana, exatamente com os mesmos argumentos: O Brasil é uma grande economia mas não sabe lidar nem com a única forma de desastre natural que existe no País.

E o jornal ainda considerou: imaginem se o País tivesse que conviver com tsunâmis, terremotos, maremotos, vulcões.

Até agora a razão está com o Le Monde.

GOVERNO FEDERAL IGNOROU PLANO DE PREVENÇÃO. Ou: chuvas? Isso passa logo

JORNAL O GLOBO
Embora sem poder para deliberar nada, a Comissão Representativa do Congresso Nacional reuniu-se nesta quinta-feira para discutir providências necessárias para impedir novas tragédias como a registrada agora na região serrana do Rio. Convidado pela senadora Marina Silva (PV-AP) para participar do debate, o secretário demissionário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, Luiz Antônio Barreto de Castro, admitiu que o governo federal falou mais do que fez para evitar tragédias como esta.
“Eu venho aqui para dizer isso mesmo, falamos muito e não fizemos nada. Há dois anos fizemos um plano de radares para entrar no PAC I, não conseguimos. Fomos orientados então a entrar no PAC 2, ficamos fora. Aí eu perguntei pro meu ministério: e agora? O presidente disse que devíamos colocar no PCTI, o Plano de Ciência, Tecnologia e Inovação governamental, que não teria fôlego para financiar 115 milhões (necessário)”, revelou o secretário.
Diante disso, Castro contou que foi criado, em agosto do ano passado, um grupo de trabalho que ouviu dez estados e todas as instituições que atuam nessa área para definir um projeto piloto com um custo estimado em R$ 36 milhões. Mas nem mesmo esses recursos foram liberados.
“Se gastarmos adequadamente R$ 36 milhões ao longo deste ano, não morre ninguém no ano que vem. Vou dizer isso e deixar isso aqui. E isso não significa que nós devemos gastar só os R$ 36 milhões e pronto. Nos próximos anos, também vamos ter de gastar dinheiro. Mas o modelo é simples. Há mais de dez anos fui à Venezuela e encontrei um sistema desse funcionando em Caracas, com uma sala de situação, onde as pessoas ficam sentadas todos os dias, ano novo, Natal e carnaval, que tinha uma relação direta com a Defesa Civil e radares para prever chuvas”, defendeu o secretário, acrescentando que um grande sistema nacional terá mais dificuldade de funcionar do que se ele for implantado um em cada prefeitura de médio porte.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A ESTRANHA BRIGA DA PREFEITURA DE TERESÓPOLIS COM A CRUZ VERMELHA. Ou: o que há escondido na lama?

 (homenagem ao Coronel (Coturno Noturno)

Leiam mais:

Notícia de O Globo informa que a Prefeitura de Teresópolis (PT) proibiu a Cruz Vermelha de prestar serviços médicos às vítimas. 

Como parece que há algum atrito com outras entidades, talvez seja reflexo do tal Centralismo Democrático!
Enquanto isso, muitos vão enterrando amigos e parentes fundo  do quintal.                                                                
                                                 

DILMA TERIA DITO A CABRAL: "Você deveria ter vergonha e renunciar".


RENUNCIA CABRAL!!!!!!!  (Image Public Domain, Clip Art)


Notícia  extraída do blog de Jorge Serrão, Alerta Total.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011


Dilma manda Cabral parar de pedir verbas e bate no aliado: “Você devia ter vergonha e renunciar”

Edição do Alerta Total – http://www.alertatotal.net/

Por Jorge Serrão

Sexta-feira passada, a Presidenta Dilma Rousseff comprovou que seu estilo de governar não poupa sequer os aliados ou amiguinhos. Por telefone, Dilma quase reduziu a pó o governador Sérgio Cabral. No momento mais tenso da conversa entre ambos, Dilma chegou a gritar que Cabral devia ter vergonha e renunciar. A bronca de Dilma em Cabralzinho foi presenciada por amigos dela.

Dilma recomendou que Cabral pare de reclamar por verbas. Lembrou que, desde 2008, o governador fluminense já fora alertado pelo governo federal de que as chuvas poderiam causar uma tragédia no Estado. Dilma concluiu que a administração de seu aliado pouco fez para evitar os efeitos das chuvas que produziram centenas de mortes.

Dilma também criticou Cabral por se ausentar do Rio de Janeiro, em períodos críticos, como os de começo de ano. A Presidenta ponderou que pega muito mal, em toda catástrofe, o vice-governador Luiz Fernando Pezão sempre aparecer, primeiro, como a voz oficial, enquanto o governador tira férias.

Quem ouviu a conversa no viva voz jura que Cabralzinho chegou a chorar com as duras críticas da Mãe Dilma. A mídia amestrada dará uma linha sequer sobre a bronca privada de Dilma em Cabralzinho. O assunto "não interessa" no momento de exploração jornalística da desgraça de milhares de pessoas.

COMENTO:

O que a presidente disse, se disse, pois as fontes não estão informadas, é o que os jornalistas deveriam perguntar ao governador. 
Aliás, deveriam ser mais incisivos também com a presidente.
Essa história de que presidente disse isso e aquilo é sempre espalhada por assessores à imprensa. Nos tempos de Lula já era assim. As notícias são sempre favoráveis.

De qualquer forma, tomara que ela tenha dito mesmo, pois é algo que muitos gostaríamos de ouvir:         


RENUNCIA CABRAL!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

DILMA E CABRAL, QUANDO CHORARÃO PELOS MORTOS?

(public domain)
Trecho do texto, imperdível, de Reinaldo Azevedo, sobre a ação dos governos federal e estadual na tragédia da região serrana do Rio de Janeiro:

"Parece que a região serrana do Rio fica nos cafundós dos Judas, na região mais inacessível do planeta. Os relatos são dramáticos. A ajuda não está chegando aos desabrigados. Falta gente, falta organização, falta, ATENÇÃO!, uma ORGANIZAÇÃO DE CARÁTER MILITAR do processo de socorro. Nessas horas, é ela que tem de coordenar os esforços civis.
Não! Em vez disso, estão todos chorando.
Choram as vítimas.
Choram os voluntários.
Choram os repórteres.
Chora o bom senso.
Só o governador do Rio e Dilma ainda não choraram.

Ele só chora quando trata dos royalties do petróleo, e ela, quando fala dos “companheiros que tombaram” tentando implantar uma ditadura comunista no Brasil.
Em matéria de tragédias humanas, são durões.
Não que eu quisesse que eles também chorassem. Bastava que tentassem pôr um pouco de ordem no caos.

Para isso foram eleitos." (RA)

(grifo meu)

sábado, 15 de janeiro de 2011

AFINAL, QUAL O MOTIVO PARA TANTO RISO?


Reunião de Dilma Roussef com o ministério (Foto PR)
 Reunião realizada enquanto as comunidades serranas do Rio de Janeiro contavam seus mortos.

CABRAL NÃO QUER BODE EXPIATÓRIO. Ou: vamos esperar a próxima tragédia.


O governador Sergio Cabral disse que não é hora de procurar bode expiatório para a tragédia do Rio de Janeiro.
O homem está há cinco anos no governo!

AS MORTES FORAM MESMO ANUNCIADAS. E o que fez o governador?


O governador não teve parentes mortos. (Divulgação/O Dia) 
 Matéria de Evandro Spinelli, da Folha de S. Paulo, mostra como funcionam as coisas no Brasil. Estudo técnico feito em 2008 indicou o risco de tragédia na região serrana do Rio de Janeiro. O saldo atual já chega a 547mortos, considerado por especiaistas como o maior desastre natural do País. Fico em dúvida sobre o uso da palavra natural.

 
Por Evandro Spinelli, na Folha:
Um estudo encomendado pelo próprio Estado do Rio de Janeiro já alertava, desde novembro de 2008, sobre o risco de uma tragédia na região serrana fluminense -como a que ocorreu na última segunda-feira e que já deixou ao menos 547 mortos. A situação mais grave, segundo o relatório, era exatamente em Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, os municípios mais devastados pelas chuvas e que registram o maior número de mortes. Essas cidades tiveram, historicamente, o maior número de deslizamentos de terra. O estudo apontou a necessidade do mapeamento de áreas de risco e sugeriu medidas como a recuperação da vegetação, principalmente em Nova Friburgo, que tem maior extensão de florestas.
  
O estudo apontou que Petrópolis e Teresópolis convivem com vários fatores de risco diferentes -boa parte da área urbana em montanhas e planícies fluviais- e podem ser atingidas por desastres “capazes de gerar efeitos de grande magnitude”. Sobre Nova Friburgo, o documento relata que boa parte de sua população vive em áreas de risco. A cidade registra um dos maiores volumes de chuva do Estado do Rio.

O secretário do Ambiente do Rio, Carlos Minc, disse que o mapeamento de áreas de risco foi feito, faltando “apenas” a retirada dos moradores, e que os parques florestais da região também foram ampliados.
O governo do Rio gastou dez vezes mais em socorro a desastres do que em prevenção em 2010. Foram R$ 8 milhões para contenção de encostas e repasses às prefeituras contra R$ 80 milhões para reconstrução.

O mesmo acontece com o governo federal, que gastou 14 vezes mais com reconstrução do que com prevenção. Neste ano, a União já liberou R$ 780 milhões para ajudar locais atingidos por enchentes e recuperar rodovias.

Estudo
O estudo feito a pedido do governo do Estado em 2008 não apontou os locais exatos de risco de deslizamentos, mas levantou as cidades com maior número de desastres naturais entre 2000 e 2007 e os níveis de ocupação.

A geógrafa Ana Luiza Coelho Netto, professora da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) e coordenadora do trabalho, disse que o estudo tinha o objetivo de apontar regiões vulneráveis. Por isso, afirmou, não foi possível detalhar os pontos exatos de risco aos moradores. “A partir do estudo poderiam ter feito um detalhamento maior nas áreas mais problematizadas."

Conclusões:

Enterro das vítimas. (Blog Coturno Noturno)

1. o Estado sabia do alto risco existente na região;

2. gasta-se muito mais com a tentativa de recuperação do que com a prevenção;

3. faltou a decisão de retirar as pessoas das áreas ocupadas;

4. foi mesmo a crônica de uma morte anunciada.


quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

MAIS DE 500 MORTOS NO RIO DE JANEIRO. O: "a crônica de uma morte anunciada."


Nova Friburgo: Foto Marino Rezende (Gov RJ)

Após vôo em helicóptero sobre áreas destruídas pelas águas e lama a presidente Dilma Roussef disse que morar em zonas de risco é a regra no Brasil. O governador Cabral disse que isso tudo é consequência de desmandos de mais de 30 anos, e que era "a crônica de uma morte anunciada". Assim sendo, talvez a visita de ambos seja uma outra etapa de uma história que se repete a cada ano. Pela forma como os burocratas tratam o drama alheio, creio - o dinheiro do drama do ano passado não chegou ainda - que no ano que vem nova visita será inevitável.

Será que a Imprensa, nesse intervalo fará o seu papel?
Será que os administradores cumprirão o seu dever?
Será que a oposição desempenhará o seu papel?
Será que os políticos demagogos deixarão de incentivar ocupações irregulares e criminosas?
Será que os fiscais fiscalizarão?
E, por que não, será que os cidadãos terão mais cuidado com suas próprias famílias? 

quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

267 MORTOS NO RIO DE JANEIRO TORNAM A TRAGÉDIA BOA PARA DILMA FALAR?

FOTO ROBERTO STUCKERT (PR)
O texto a seguir foi extraído do Blog do Planalto (Presidência da República).
Transcrevo três parágrafos na sequência original, depois comento.

"A presidenta Dilma Rousseff assinou, nesta quarta-feira (12/1), Medida Provisória (MP) que libera R$ 780 milhões para estados e municípios atingidos pelas fortes chuvas das últimas semanas. A situação mais grave ocorreu na região Serrana do estado do Rio onde pelo menos 139 pessoas morreram em função dos desastres naturais. Deste montante, R$ 700 milhões ficam com o Ministério da Integração Nacional e Secretaria Nacional de Defesa Civil, e os R$ 80 milhões vão para o Ministério dos Transportes. Os recursos serão liberados após cumprimento das exigências da legislação brasileira. Além disso, a Defesa Civil utilizará parte do dinheiro para aquisição de roupas, colchões e alimento não perecível.

Na tarde de hoje, a presidenta Dilma decidiu sobrevoar os municípios que mais tiveram problemas com as chuvas no estado do Rio. Ela segue amanhã (13/1) da Base Aérea de Brasília por volta de 10h com desembarque na Base Aérea do Galeão cerca de 1h20 depois da decolagem. Foi preparado um Escalão Avançado (Escav), com participação dos principais setores que coordenam viagem presidencial, para dar suporte às atividades naquele estado. Mais cedo, a presidenta havia conversado com os governadores Sérgio Cabral (Rio) e Geraldo Alckmin (São Paulo), quando manifestou disposição de ajudar com aquilo que fosse necessário. Na sexta-feira, Dilma Rousseff conversou por telefone com o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.

Diante da situação de emergência, a presidente Dilma determinou ao ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra Coelho, o embarque para o Rio com finalidade de levantar as principais demandas do estado e dos municípios atingidos pelas chuvas torrenciais. Petrópolis, Teresópolis e Nova Friburgo, de acordo com informações preliminares, seriam os mais prejudicados. É possível que, após o sobrevoo, a presidenta Dilma conceda entrevista coletiva, mas isso somente vai ser decidido após verificar a dimensão da tragédia."

Em primeiro lugar, o Blog do Planalto utiliza uma foto da enchente na cidade paulista de Franco da Rocha onde não houve qualquer morte. O Blog do Planalto não postou fotos de Teresópolis. Em Teresópolis morreram mais de 130 pessoas, segundo dados da imprensa.(Veja o post anterior sobre militância na Imprensa).

É inacreditável que, após uma tragédia da dimensão da que ocorre (ainda não acabou, não é?) em Teresópolis, o Blog do Planalto publique algo como o final do terceiro parágrafo. 

Qual o tamanho necessário de uma tragédia para que a presidente fale a respeito? 
Uma das dimensões do Haiti?
Ela vai fazer um sobrevôo e acenar para a TV? 
Deixar as falas e as perguntas incômodas para Pezão e os ministros?

Esta é a primeira tragédia após a posse. Todos esperam algo sensível da eleita.

O JORNALISMO JÁ NÃO SABE COBRIR ENCHENTES.

A TV, infelizmente, teve um ótimo dia para mostrar dramas aos montes, com gente chorando, visões apocalípticas e mortes, muitas mortes.
São os fatos.

Mas a imprensa de São Paulo mostra gente reclamando do prefeito e do governador.
A do Rio apenas gente falando em Deus, destino, nunca antes uma chuva assim, etc...
Parecem dois mundos diferentes. Cabral está de férias. Na Europa.

Em São Paulo tudo culpa dos administradores.
No Rio, não há culpados.

No Estado de são Paulo morreram 23 pessoas. No Rio já passam de 267.
Mas um campeonato de mortes não interessa, é claro. Pessoas morreram, e isso basta.

O que interessa é a que a imprensa paulista e a carioca desaprenderam Jornalismo.
A de São Paulo, militante, parece querer afetar Alckmin.
A do Rio, também militante, parece querer proteger Cabral.
Os leitores, cidadãos e eleitores? Que se danem, os paspalhões. Nós.

Há responsáveis sim, mas isso precisa ser bem levantado. As pessoas que ocupam área de várzea ou morros também têm certa responsabilidade. Os políticos que os estimulam prometendo futuras benesses, idem. Os administradores que só falam após o drama, também.

Evitar invasões e ocupações ilegais dá desgaste, tira votos. Melhor fechar os olhos e esperar que não chova demais. Ano após ano. E nós sempre veremos o desfile de mortes acontecer.

Seria bom lembrar que a prefeitura de Teresópolis está nas mãos do PT.
E a de SP do DEM.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

A PROFUNDIDADE DA SOCIOLOGIA DE MANO BROWN E A CULTURA BANDIDA

Num show em São Paulo, a R$200,00 por cabeça, o compositor Mano Brown resolveu filosofar sobre política e a fazer a sociologia do BOPE.

Criticou o preconceito contra os nordestinos que ele diz existir em São Paulo e também criticou o BOPE (do Rio de Janeiro), dizendo que o BOPE não é herói, ¨"heróis são os que estão presos."

Uma fala sem pé nem cabeça, mas reproduzida sem o menor questionamento por parte dos jornais e sites noticiosos.

O que pretendeu dizer o sujeito? Os bandidos que estão presos são heróis? São heróis por estarem presos? Foram presos injustamente? Não traficavam drogas e nem faziam da população um tipo de reféns? Não exibiam armas militares e com as quais mataram muita gente, inocentes ou não?

Dem quem são heróis? Dele? São amigos dele e ele os chama de heróis?
São heróis porque são pobres? Isso, por si só, faz de alguém um herói?
Há pobres calhordas e de muito mau caráter.

Esse é o nível cultural do Brasil. Qualquer um que se transforme em famoso começa a falar asneiras e nem ao menos é questionado pelos jornalistas.

Jornalistas, alíás, são cada vez mais raros. Meros meninos de recados, ou assessores da pior espécie, porque fazem idiotas acreditarem que podem falar qualquer asneira como se fosse a mais alta filosofia e a melhor sociologia.

Mano Brown representa bem o que se chama de Cultura Bandida do Rio de Janeiro, essa mistura de valores em que os bons são maus e os maus são bons. O resto é bobagem.
Essa foi uma das contribuições culturais mais negativas do Rio de Janeiro ao Brasil.

Basta acompanhar as propostas e o pensamento do governador Sérgio Cabral.
É o fim do mundo.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

A INDÚSTRIA DA MORTE DO RIO DE JANEIRO. Der Industrie der Tod von Rio de Janeiro


Os traficantes têm fuzis AK-47 russos

Não foram necessários mais que três dias para que a realidade do Rio de Janeiro aflorasse, em toda a sua crueza, no noticiário sobre o Complexo do Alemão. Denúncias de violência policial contra moradores; acusações de roubo e destruição contra as forças de ocupação; sumiço de dinheiro apreendido do tráfico; moradores das favelas invadindo e roubando pertences das casas ocupadas pelos traficantes, e a suspeita de que policiais deixaram bandidos fugirem em troca de ouro em barras. 
Isso não significa, certamente, que todos os policiais estão implicados em roubos, suborno ou atos de violência. Mas, o crescimento do volume de queixas mostra a realidade escondida sob o tapete do noticiário fantasioso sobre a refundação do Rio. Nestes tempos parece que tudo tem que ser refundado.   
Não há como estabelecer um antes e um depois numa sociedade que misturou os conceitos de bem e de mal e na qual as zonas nebulosas da cultura, aquelas que beiram ou adentram a marginalidade, são vistas como algo absolutamente normal.
O Rio de Janeiro desenvolveu uma cultura diferente, única, ao longo das últimas décadas, a Cultura Bandida.
Essa cultura fica bastante clara quando se analisa o conteúdo do noticiário sobre as relações praias-morros, os filmes, os enredos de novelas, as letras de música e a filosofia, a sociologia e antropologia baratas produzidas na Academia.
A condescendência, o deslumbramento, a impunidade, tornaram cult o mundo marginal e criminoso. Sempre a mesma e velha visão romântica sobre o mundo do crime, como se tudo pudesse ser explicado apenas pelas criticas ao capitalismo.
Análises rasteiras de quem acha razoável a bandidagem e o consumo crescente das mais diversas drogas, como a maconha, a cocaína e o crack.
Ninguém sabe exatamente, mas, estima-se que o consumo anual de maconha no Rio de Janeiro possa chegar a cem toneladas. Cem mil quilos da erva.
Se um quilo de maconha rende até 150 cigarros, a montanha de maconha consumida pelos cariocas pode chegar a 150 milhões de unidades. Dados da ONU estimam que  cerca de 4 por cento da população mundial utilize a maconha.
Essa é apenas uma aproximação, visto que em alguns paises a droga não é encontrada com facilidade e em outros parece brotar nos vãos das calçadas, como no Brasil.
Utilizando tais referências, muito superficiais, teríamos cerca de 250 mil usuários no Rio de Janeiro. Dividindo-se 150 milhões de unidades por 250 mil encontraremos o resultado de 600 cigarros para cada usuário por ano.
Isso significa quase dois cigarros para cada um, por dia.
Assim, tal volume de droga - apenas a maconha, sem contarmos a cocaína e o crack - indica uma máquina quase industrial operando para mover as engrenagens desse submundo.
Corrupção de políticos e policiais, sedução de formadores de opinião e famosos, ongueiros modernosos e defensores da liberação das drogas fazem parte dessa equação.
E milhões, muitos milhões de dólares, que entram e saem do País, alimentando a indústria da morte, alimentando a Cultura Bandida.