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sexta-feira, 1 de abril de 2011

COM UM ALIADO COMO OBAMA, QUEM PRECISA DE INIMIGOS?




Diz o noticiáro internacional que os rebeldes líbios estão impondo condições a Kadafi para o cessar-fogo. Obama trata os rebeldes como se fossem apenas uns punhados de civis desarmados sendo mortos pelas forças do tirano. Os comandantes da Otan reconhecem, agora, que entre os tais "rebeldes" estão agindo terroristas infiltrados da Al Qaeda e Hezbolahh. Onde estão os simples civis? Há cada vez mais gente circulando na Líbia com cara de tropas mercenárias.

A Igreja Católica da Líbia -há católicos lá!- denuncia que os ataques da Otan mataram mais de 40 civis em Trípoli e atingiram prédios residenciais e até hospitais. Isso para evitar que civis morressem!

Não compartilho da ideia de que a Otan ou os americanos fomentam a queda de Kadafi por causa do petróleo. O petróleo já era vendido por Kadafi. Agora sim há uma grande incógnita: quem vai comandar a Líbia caso Kadafi seja deposto? Mas pode não ser.

Se o tonto do Barack Obama fez todo o serviço para os islâmicos mais radicais, quem ficará com o petróleo serão eles. Nunca o povo, e nem o Ocidente. Não há clima para isso. A Líbia está em guerra civil, e o Ocidente assumiu um dos lados, pela pressa de Obama. 
O problema é que Obama parece não tirar os olhos do calendário eleitoral.
Talvez o tiro saia pela culatra. 

quarta-feira, 30 de março de 2011

OBAMA AINDA ACABARÁ ENTREGANDO A LÍBIA A GRUPOS TERRORISTAS

Logo após a rebelião no Egito, que terminou com a queda de Mubarack, quando começaram as agitações na Líbia, este blog registrou que Muamar Khadafi, há tantas décadas no poder, poderia enfrentar sérios problemas. Especialmente porque, no caso das revoltas dos países árabes-islâmicos, nota-se uma regularidade: apenas os regimes mais autoritários ou ditatoriais mais ou menos aliados ou simpáticos aos americanos estavam balançando. 

As dificuldades de Kadafi viriam de seu abandono pela esquerda internacional após sua decisão, há alguns anos de reconhecer que foi responsável por diversos atentados terroristas no Ocidente, que geraram muitas mortes, pelas quais pagou, então, após acordo, indenizações aos familiares.

Isso deixou Kadafi um pouco mais próximo do Ocidente e afastado dos socialistas e islamo-socialistas).

No início de janeiro, muitos comentaristas da imprensa tradicional voltaram-se para o que lhes parecia a Era das rebeliões Facebook e Twiter. Como se essas tecnologias pudessem, por si só, gerar rebeliões!

Analisando os regimes islâmicos, e como estão agrupados, em termos de geopolítica, diversos daqueles governos estão muito mais alinhados com o Irã ou com visões islâmicas mais próximas do que seria a da Muslim Brotherhood e outras instituições mais radicais, da política, como Hezbollah.

Kadafi é um maluco, realmente, mas conhece seu território e disse que no Leste da Líbia havia infiltração da Al-Qaeda. As redes de Tv árabes, Al Jazeera e Al Arabi deram muito espaço aos protestos, e ninguém pode esquecer que deram já anteriormente muito espaço aos discursos radicais do grupo terrorista.   

Em sua visita ao Brasil Barack Obama deu ordens para as forças armadas americanas atacarem as tropas de Kadafi, poruqe estas estariam massacrando civis.
De fato, Obama e seus atuais aliados nos ataques à Líbia tomaram um partido contra Kadafi em uma verdadeira guerra-civil, o que é um absurdo. Os "civis" líbios tomaram arsenais militares em algumas cidades e contaram com o apoio de soldados desertores.

Agora, após iniciarem uma guerra real na Líbia, mal conseguindo deter as tropas bombardeadas de Kadafi, o comandante da Otan reconheceu que podem ter havido enganos, e que os "civis" líbios também podem ser gente muito bem treinada em combate militar, como gente da Al-Qaeda, do Hezbollah e até mercenários. Isto é, as forças aliadas acabarão fazendo o serviço de casa para os rebeldes (ora chamados de civis, apenas).

Enquanto isso, procurando uma causa para a reeleição, Obama anuncia que poderá fornecer armas para os adversários de Kadafi, tomando partido em uma guerra civil.

A pergunta é: e se os adversários de Kadafi forem, não apenas alguns opositores internos, mas o Hezbollah e a Al-Qaeda se aproveitando da confusão e ficando com a herança? Pela primeira vez um presidente teria passado por cima do Congresso, ordenado os ataques, derrubado um aliado (embora louco e tirano) e ainda entregue o país a milhares de terroristas? Com um amigo assim, é ou não para Israel ficar preocupado?

terça-feira, 22 de março de 2011

OS ATRAPALHADOS. Barack Obama e Jânio Quadros. Qualquer semelhança...


Jânio Quadros *
Cada um a seu tempo. Ambos levemente atrapalhados. Os dois eleitos como salvadores da pátria. (a vassourinha de Jânio; We can de Obama). 

Jânio renunciou, alegando ação de forças ocultas. 

Meteu-se em confusões (condecoração de Che Guevara); talvez tenha pretendido, com sua renúncia, voltar ao Poder, sem o Congresso, e  carregado nos braços do povo.  Não deu certo.










Barack Hussein Obama **
Muitas dessas suspeitas foram tratadas por parte da imprensa e sites conservadores americanos, e pelo filósofo Olavo de Carvalho, mas até agora há muitas sombras e silêncio sobre seu passado. 

Obama foi eleito escondendo dados de seu passado, provavelmente ligado a forças ocultas, e com o apoio dos politicamente corretos. 

Há fortes suspeitas de que não seja cidadão americano, mas nascido no Quênia, que não tenha servido ao Exército americano, e tenha sido financiado por líderes da esquerda radical islâmica.


Parece ser um passado incômodo, que deve permanecer nebuloso.  

De que seja meio atrapalhado não há dúvidas, basta ver como atropela os fatos   na Líbia, a despeito das relações que deveria ter com o Congresso Americano num caso desses. 

Não anda muito bem nas pesquisas de popularidade e, talvez, tenha imaginado que um guerrinha a mais no oriente Médio lhe faça bem. O futuro dirá.
*imagem do blog de Reinaldo Azevedo
**imagem do blog Diário de Bordo do Prof. Guilherme

domingo, 20 de março de 2011

AGORA QUE O FEITIÇO ACABOU, BOA VIAGEM DE VOLTA AO FILHO DE ANN DUNHAM. Ou: a visita da famíla Obama ao Brasil.


Barack Hussein Obama, finalmente, veio ao Brasil. Mas algo ficou faltando, para regozijo dos fotógrafos e da imprensa deslumbrada: um abraço do senhor Hussein nO Cara. Mas o Cara Lula da Silva refugou e não apareceu no almoço, para tomarem uma caipirinha.

Sendo assim, tome capoeira. E Cristo Redentor. E favela. Rio de Janeiro é sempre assim.
Um estereótipo para turista.

Um artista de TV, Lázaro Ramos, falou que a vinda de Obama seria grande estímulo e ajudaria muito os negros do Brasil. Fico sempre pensando nessas coisas.
A mãe de Obama não é a senhora Stanley Ann Dunham Soetoro, uma moça branca do Kansas? Haveria algum problema de chamar o presidente americano de mestiço? Não foi a isso que se referiu o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quando disse que ele mesmo tinha os pés na cozinha? Quantos estão na mesma situação...Teria o presidente Lula algo de sangue indígena? Baixo,  atarracado. Qual seria o problema? A população do norte e nordeste não tem alta incidência de DNA indígena na mistura sanguínea? No sudeste idem, com o caiçara e com o caipira. Qual o problema?
O Brasil é um país em que a miscigenação é imensa. Mas o pensamento politicamente correto racista americano está fazendo escola aqui no Brasil. Lá, se um sujeito parece ser branco, mas tem uma gota de sangue negro será discriminado pelos brancos. Aqui, com o politicamente correto reverso, um sujeito que parece um negro, e tem mãe branca, (ou pai branco) tem 50% de seu sangue negado e vira negro.

Esse pessoal fala só da aparência? Como falar de etnia pura, no caso de Obama ou de milhões de mestiços que temos no Brasil? Passado na África, na Europa, na Ásia, ou no sangue indígena, milhões de nós temos. Qual dos dois Obamas será mais estimulante para as crianças: o Obama inteiro, o que tem a mãe branca e o pai negro (ou o contrário), como milhões de brasileiros, ou só o meio Obama, que herdou o sangue do Pai?

Qual o sentido de querer dividir a população apenas pela cor da pele? E as misturas que existem no sangue, como na cultura, não valem mais? Vamos deixar de lado todas as manifestações culturais que foram construídas a quatro mãos? E isso, sem contar a injustiça com os índios, pois como só vemos conversa de brancos e direitos de negros, parece que os índios é que chegaram depois e são intrusos no pedaço.
Penso que os radicais racistas deveriam ler o livro de Demétrio Magnoli (Uma Gota de Sangue)

OBAMA VEM COM PAULO COELHO. PREFIRO DOUG DUFFEY. Para agradecer a visita do sr. Hussein

Como o presidente Barack Hussein Obama fez a gentileza de citar Paulo Coelho em seu discurso, como uma das referências de nossa cultura - não sei quem o informou sobre isso - resolvi devolver, escolhendo um americano menos famoso, mas muito bom no que faz, Doug Duffey, interpretando uma música popular e folclórica  bastante conhecida nos States, e cantada por artistas como Louis Armstrong: Saint James Infirmary.

sexta-feira, 18 de março de 2011

"I HAVE A DREAM" (MLK), "ICH BIN EIN BERLINER" (JFK). "I AM AN IDIOT" (BHO)

O senhor Hussein visita o Brasil neste final de semana. Todo cuidado para não magoá-lo. Até o falatório na Cinelândia foi suspenso, talvez pelo medo de manifestações contrárias. Melhor levá-lo para o teatro Municipal do Rio onde poderá falar à vontade, e mais seguro. O próprio PT do Rio havia proibido aos seus militantes participarem de atos contra o presidente americano. Uau!
Talvez essa visita provoque muxoxos de desagrado no senhor Chávez, o Kadafi da Venezuela, e na velha múmia cubana Fidel Castro.
O que falará de interessante o senhor Hussein, de modo a ficar gravado na História como um discurso presidencial de verdade? Ele está acostumado com a lenga-lenga politicamente correta, e a ser mais escorregadio que um bagre ensaboado. No seu país está cada vez mais, ao menos até agora, desprestigiado, caindo a sua popularidade nas pesquisas.
Uma viagem ao Rio de Janeiro, além das finalidades protocolares, poderia ajudar?
Nem ao menos deverá encontrar "o Cara" para receber alguns conselhos.
Talvez fica sem assunto, pois até a guerrinha contra a Líbia ficou comprometida com o "stop" ordenado por Muamar Kadafi.
Talvez no teatro, olhando com cara de sábio para o infinito, e indagando-se interiormente sobre o que de fato está fazendo aqui, seja breve e diga, apenas: "Ich bin ein idiot".

OBAMA FALANDO PARA O MUNDO. Mas de dentro do Teatro Municipal do Rio de Janeiro

Charge Spon Holz, cedia pelo blog de  Aluizio Amorim*
Segundo Ancelmo Goes, de O Globo, Barack Hussein Obama não falará mais ao povo brasileiro, e nem ao Mundo, de um palco montado na Cinelândia.
Talvez por motivos de segurança, talvez pelo inusitado de um presidente americano vir discursar na Cinelândia (falaria sobre a Líbia? Ou sobre os avanços islâmicos nos EUA? Sobre a prisão de Guantânamo ou sobre a Ilha prisão de Cuba?).

*http://aluizioamorim.blogspot.com/
  http://www.sponholz.arq.br/

terça-feira, 15 de março de 2011

O QUE DIRÁ BARACK HUSSEIN OBAMA NA CINELÂNDIA, ALÉM DE GENERALIDADES POLITICAMENTE CORRETAS?

Este texto de Olavo de Carvalho foi escrito em 2008.
Percebam o quanto traduz, de modo antecipado, a falta de garra, a fraqueza e as ambiguidades de Barack Obama, aquele que nos visitará em breve e falará aos brasileiros na Cindelândia, frente aos inimigos da America e do Mundo Ocidental.
Veio fazer um show?

Delicadeza letal

Olavo de Carvalho




No momento em que escrevo, o Partido Republicano hesita entre o pastor batista Mike Huckabee e o veterano de guerra John McCain. Os democratas ainda não se decidiram entre Barack Obama e Hillary Clinton. O quadro eleitoral americano divide-se, portanto, entre três enigmas e uma certeza temível. Ninguém tem a menor idéia do que se pode esperar dos três primeiros caso eleitos, mas a quarta tem todo o curriculum vitae necessário para completar o trabalho de desmantelamento da Presidência americana inaugurado com brilhante sucesso por seu marido com a ajuda de espiões chineses, de lobistas ladrões, da srta. Monica Lewinsky, dos narcotraficantes das Farc que tanto lucraram com o famoso Plano Colômbia e, last not least , de uma infinidade de agentes de inteligência colocados na CIA para servir à família Clinton em vez do Estado americano. A maior vantagem em favor de Hillary Clinton é que, como diria Paulo Francis, todo mundo já viu esse filme e sabe quem morre no fim. Num momento de tantas incertezas, isso pode gerar alguns votos.
Huckabee apresenta-se como um "social conservative", mas ao mesmo tempo apóia as pesquisas com células-tronco, colocando seus eleitores na maior incerteza. O que ele tem a seu favor é que nada se espera dele de tão catastrófico quanto de qualquer dos outros três. Se ele conseguir provar que é inócuo, terá ainda alguma chance contra McCain.
         O que se passa na cabeça de John McCain, nem ele próprio sabe. Ele já provou que é capaz de mudar de idéia subitamente e estrangular no ato quem não goste da novidade. Os conservadores dizem que ele é o mais democrata dos republicanos, que é impossível distingui-lo nitidamente do senador Ted Kennedy, que ele mal consegue refrear um orgasmo cada vez que vê um aumento de impostos; mas na esquerda há quem jure que ele está à direita de George W. Bush, que ele é o falcão dos falcões, que a primeira coisa que ele vai fazer na presidência é sair logo bombardeando o Irã e desencadeando a terceira (ou quarta) guerra mundial. Talvez tudo isso seja verdade, mas, certamente, nada disso é bom. Dos quatro candidatos, ele ainda é o que mais tem condições de ser eleito, mas é certo que muitos de seus eleitores votarão nele tremendo de medo, seguros de que o fizeram só para evitar que um dos partidos, dominando a Presidência junto com o Senado, a Câmara e a maioria dos votos na Suprema Côrte, se torne onipotente (os americanos odeiam isso por instinto).
            Quanto ao senador Obama, ele é decerto menos interessante do que os motivos que muitos americanos têm para votar nele. Se alguém é insistentemente acusado de um defeito ao ponto de se tornar complexado por isso, com muita probabilidade acabará caindo no defeito oposto. Aplicado com astúcia, o truque é quase infalível. Acuse um sujeito de sovina e ele se tornará um desperdiçador compulsivo. Acuse-o de machista e ele se deixará dominar pela esposa. Embora o racismo nos EUA tenha sido um fenômeno muito limitado geograficamente, o país inteiro foi tão acusado de racista que os americanos em geral acabaram sacrificando sua dignidade ante a moda grotesca do politicamente correto. e agora muitos deles se sentem obrigados a votar em Barack Hussein Obama só para mostrar que são bonzinhos. O senador fala bonito, mas até agora ninguém conseguiu descobrir nos seus discursos algo que se assemelhasse mesmo de longe a um assunto. Na mais substantiva das hipóteses aparece ali alguma promessa de campanha igualzinha às de sua concorrente Hillary Clinton, senão às dos candidatos republicanos. Tal como McCain, ele promete entregar a cabeça de Osama Bin Laden, só faltando, é claro, encontrá-la. Tal como a sra. Clinton, ele promete assistência médica de graça para todo mundo (não só para os pobres, os incapazes e os velhos), sem que jamais lhe ocorra a idéia de explicar de quem vai tomar o dinheiro para fazer isso, nem muito menos como vai tapar o rombo da previdência, que já se calcula em trilhões. O senador especializou-se mesmo foi em exortações adolescentes do tipo "Vamos mudar o mundo", porque sabe que ninguém espera que ele faça alguma coisa na Presidência, apenas que esteja lá como um símbolo.
            Símbolo do quê? Os latinos diziam que nomen est omen, “o nome é profecia”. Barack Hussein significa "abençoado descendente do Profeta" e há provas concludentes de que seu portador está mentindo quando diz que nunca foi muçulmano (Daniel Pipes tirou isso a limpo em Was Barack Obama a Muslim? e Confirmed: Barack Obama Practiced Islam). É mais ou menos como se em plena guerra do Vietnã os EUA elegessem presidente um sujeito chamado John Paul Ho Chi Minh, educado em Hanói, filho de um membro do Partido, mas que jurasse nunca ter sido comunista e ficasse ofendidíssimo se alguém duvidasse dele. A candidatura Obama é uma provocação calculada: serve de termômetro para avaliar quão profundamente o hábito adquirido da autocensura politicamente correta já infundiu na mente dos americanos a disposição de deixar-se levar ao forno só para não fazer uma descortesia com o cozinheiro.
Um detalhe significativo ilustra isso às mil maravilhas: quando o senador ouve o hino nacional, ele não põe a mão direita no coração como manda o protocolo, mas segura literalmente a bolsa escrotal com as duas mãos e todo mundo se sente inibido de dizer que isso é um insulto. Teste semelhante já foi feito no tempo de Bill Clinton. O presidente se permitia transformar a Casa Branca num bordel, mentia descaradamente e acusava de conspiração direitista quem quer que achasse ruim uma coisa ou a outra. O ar de indignação na cara dos democratas quando defendiam a honra do sem-vergonha era tocante. Tanto naquele caso quanto agora, a mais cínica proibição de perceber o óbvio é imposta em nome da moralidade, instilando na opinião pública o hábito da inversão revolucionária (v. A inversão revolucionária ). Tudo isso parece muito extravagante, mas é uma obra de engenharia psicológica de alta precisão.
O panorama desta eleição é, sob todos os aspectos, miserável. Mitt Romney mostrou ter fibra de estadista justamente no discurso em que abdicou da sua candidatura. Ele disse que a presente eleição gira em torno de temas maiores, não de rotinas administrativas. Nunca os EUA tiveram de decidir sobre questões tão graves, dispondo de cérebros tão levianos para arcar com essa responsabilidade. A desproporção entre os problemas e os personagens é tragicômica, mas o lado comédia vai passar e a tragédia vai ficar.
          As culpas da presente situação repartem-se igualmente entre os democratas, que superpuseram suas ambições políticas à segurança dos EUA, e George W. Bush, que se recusou a enxergar isso e preferiu embarcar o país numa ilusória união nacional contra o inimigo externo. A união não durou três semanas. Qualquer observador inteligente podia prever isso, mas Bush apostou tudo na cartada do patriotismo, sem querer enxergar que o de seus adversários era totalmente fingido.
           Na tradição americana, os funcionários públicos, principalmente de alto escalão, sempre tiveram orgulho de servir ao Estado, independentemente de saber qual partido estava no poder. Desde a era Clinton, o Partido Democrata rompeu com essa tradição, espalhando na rede burocrática militantes que servem a ele, não ao Estado, ao povo ou à nação. Todos já vimos isso acontecer em algum país, não é mesmo? E todos sabemos como termina. Desde o 11 de setembro, os planos de guerra de George W. Bush foram boicotados desde dentro pelos clintonistas do Departamento de Estado e da CIA, que assim produziram as situações insustentáveis cuja culpa era em seguida imputada ao presidente. A história é contada em detalhes no livro de Kenneth R. Timmerman, Shadow Warriors, The Untold Story of Traitors, Saboteurs, And The Party of Surrender (Crown Forum, New York, 2007), e quem não a conhece não entenderá jamais o que se passa hoje em dia nos EUA. Recusar-se a enxergar o mal é tão vergonhoso quanto produzi-lo. George W. Bush carrega nas costas a responsabilidade de haver fugido ao combate interno mediante o subterfúgio de uma guerra no além-mar. Quando ele foi eleito pela primeira vez, os republicanos tinham todas as condições para permanecer no poder por vinte anos e levar às últimas conseqüências as grandes transformações iniciadas na era Reagan. A timidez (ou o rabo preso) de George W. Bush pôs tudo a perder. " Par délicatesse j'ai perdu ma vie ", dizia Rimbaud. Mas a profecia, infelizmente, não se aplica só à pessoa do atual presidente americano. É todo um povo que arrisca se desgraçar para não cometer a impolidez de declarar os nomes dos seus inimigos.
http://www.olavodecarvalho.org/semana/0801digestoeconomico.html
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Digesto Econômico, janeiro/fevereiro de 2008