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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

OS JOVENS É QUE ESTÃO DERRUBANDO OS TIRANOS?

Afirmando o papel civilizador e histórico da Comunidade de Crentes Islâmica, instituída por Allah como a melhor comunidade, que legou à humanidade uma civilização equânime e universal (...) e por quanto hoje se espera que esta Comunidade de Crentes sirva de guia correta para a humanidade, confundida por crenças e correntes contraditórias (...). Contribuindo aos esforços da humanidade no terreno dos direitos do homem, cujo objetivo é proteger o ser humano (...) assim como afirmar sua liberdade e seu direito a uma vida digna em consonância com a Shari'a Islâmica.
Conferência Islâmica do Cairo, 1990
Até o momento a grande mídia só espalhou mentiras, idiotices e demonstrou uma enorme ignorância do que se passou na Tunísia e no Egito e já se anuncia em outros países da região. No mundo todo ocorre o mesmo, com exceção da mídia conservadora americana. No Brasil as exceções se contam num dedo da mão esquerda de Lula. Os brilhantes artigos de Olavo de Carvalho e alguns outros abnegados autodidatas que teimam em publicar no Mídia Sem Máscara ou em sites/blogs pessoais, jornalistas de primeira linha como Nahum Sirotsky e poucos mais. E estes são atacados como reacionários, pró-ditadura, etc.
A versão dominante é no mínimo imbecilóide: turbas de jovens bem intencionados, inspirados nas tradições ocidentais dos direitos do homem, saem às ruas para clamar por liberdade e democracia, destituindo tiranos. De maneira geral esta frase é repetida ad nauseam nos jornais, tevê, rádio e nas famigeradas "redes sociais" na internet. Subitamente, Mubarak que sempre foi tratado como Presidente do Egito passou a ser Ditador! Como um raio da velocidade da luz o termo mudou da noite para o dia em toda a mídia! (Claro está que Raul Castro continua sendo Presidente de Cuba, país cujo último ditador, antes da democracia popular revolucionária, foi Fulgêncio Batista...).
Os jovens são colocados nas alturas espalhando de forma subliminar que eles são dotados de clarividência e onisciência divinas. Negam e muitos sequer sabem que foram os jovens que primeiramente atenderam às exortações de Ruhollah Khomeini e levaram a cabo a Revolução Islâmica do Irã. Que o maior genocida da história conclamou os jovens a levar a cabo uma das maiores matanças de todos os tempos: a Revolução Cultural chinesa. Que era aHitlerjugend, grupos de jovens que fora das salas de aula se organizavam em grupos e milícias para-militares para espionar o povo, inclusive seus próprios pais, desde 1931, quando já formavam a temerosa patrulha ideológica nazista comandada pelo não tão jovem Baldur von Schirach. Mais tarde, já fanatizados, foram nomeados líderes do Partido Nazista e membros das SS.
Von Schirach é o representante padrão que demonstra que jamais os jovens agem espontaneamente, mas sempre são exortados pelos mais velhos. O tal 'conflito de gerações' em níveis sociais é uma falsidade inventada pelos mais velhos para negar que os jovens são sempre usados como buchas de canhão pelas facções provectas em seus conflitos intra-geracionais. As turbas que enfrentavam a Hitlerjugend nas ruas, ligadas à Spartakusbund, também eram comandadas secretamente por 'coroas' como Ernt Thäelmann, dirigente do Partido Comunista. O autor deste texto experimentou isto na própria carne na sua juventude e é testemunha destes fatos.
Que direitos eles defendem agora no Oriente Médio? De que democracia se trata? De que liberdade? ...
LEIAM O TEXTO INTEGRAL NO SITE MIDIA SEM MÁSCARA: (http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/oriente-medio/11867-ignorancia-mentiras-e-idiotices-em-relacao-aos-disturbios-do-oriente-medio.html)
OU NO SITE DE HEITOR DE PAOLA:   http://www.heitordepaola.com/index.asp

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

EGITO: A ESPONTANEIDADE PARA TURISTA VER. Afinal, quem manipula os cordéis do futuro?

A Esfinge deve andar muito cismada com os movimentos espontâneos de massa do Egito.
(http://www.clipartpal.com/_thumbs/pd/religion/Sphinx.png)
Passada a onda inicial de euforia com o poder de mobilização espontânea do Facebook e do Twiter, parece que a realidade vai tomando conta do noticiário sobre o Egito. Já escrevi aqui sobre o processo de  ocidentalização do Oriente Médio e Norte da África, mostrando que as forças armadas, por incrível que pareça, são pontas-de-lança da modernização ocidental naqueles recantos. Militares são ordenadores e podem ser autoritários. Assim, quem estiver associados a eles pode chegar e ficar um bom tempo no poder, como ocorreu com Mubarak e outros líderes árabes-islâmicos.

O que chamou a atenção de bem  poucos, no início do movimento popular, foi exatamente a espontaneidade do acontecimento. Não é comum pessoas comuns saírem da sua rotina para provocarem a Ordem. O Egito não está em um estado de penúria em que nada mais importe. Os movimentos provocaram prejuízos gigantescos com a fuga de mais de um milhão de turistas e cancelamento de vagas hoteleiras. O Turismo é uma forte indústria no Egito.

Alguns dias depois dos tumultos, em que o Exército adotou uma posição moderada, começam a aparecer os manipuladores dos cordéis: os adeptos da Irmandade Muçulmana, que no início diziam-se surpresos com os fatos, agora procuram ocupar todos os lugares na mesa de negociação com o governo para uma transição. Reinaldo Azevedo vem também chamando a atenção para esse ponto, assim como Olavo de Carvalho (ler "Perigo à vista", no Diário do Comércio de hoje) esclarece o papel da Irmandade Muçulmana na construção de um mundo árabe-islâmico, a Liga Árabe, um tipo de nacionalismo regional.

Não houve nada de espontâneo nem no Egito ou em qualquer país do Norte da África ou do Oriente Médio. As tecnologias de comunicação ajudaram um pouco - é preciso lembrar que não são sociedades tão informatizadas como as ocidentais-; as condições econômicas também não são muito boas em alguns daqueles países; mas há a pressa dos islâmicos em assumirem o poder e partirem para o confronto com o Ocidente e com Israel.

Não creio, nem um pouco, no desejo de democracia por quem manipula os cordéis.
Os jovens nas ruas e na praça Tahrir ?
Talvez tenham alguma esperança democrática, mas acho que ficarão desapontados.
PS: Há um texto muito interessante sobre a questão do Egito, de Luiz Felipe Pondé:
"JOVENS DA `REVOLUÇÃO DO QUIBE´ QUEREM EMPREGO, NÃO `LIBERDADE´
http://www.paulopes.com.br/2011/02/jovens-da-revolucao-do-quibe-querem.html