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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

REINALDO AZEVEDO E O GOLPE QUE NÃO HOUVE EM HONDURAS

Extraído do blog de Reinaldo Azevedo:


"Ah, sim: a Constituição de Honduras prova que não houve um golpe. É possível que o embaixador americano não a tivesse lido. É possível que até os que puseram Zelaya pra correr não o tenham feito. É possível que eu tenha sido o único a fazê-lo, hehe. Agora uma coisa é certa — e desafio Amorim a provar que estou mentindo:           O GOVERNO DO BRASIL VIOLOU A NOSSA CONSTITUIÇÃO E A CARTA DA OEA AO PARTICIPAR DA CONSPIRATA NA EMBAIXADA.
Eu não estou mentindo, mas alguém está!
Faltam apenas 28 dias para Lula ir caçar coelho e pentear macaco. Faltam 28 dias para Celso Amorim virar nota de rodapé, juntando-se aos pintores de rodapés. Eis um governo que é malcriado com Washington e que fala fino com tudo quanto é ditador pé-de-chinelo!"
Para a reflexão de todos.

WIKILEAKS, HONDURAS E ZELAYA

Muita gente ligada ao governo federal, ou por ocuparem cargos em diversos escalões, ou por serem representantes dos interesses do governo na imprensa, está alegre com informações de bastidores do governo americano vazadas pelo site Wikileaks, sobre Honduras.
O próprio ministro Celso Amorim diz que ficou contente porque agora teria ficado claro que houve golpe em Honduras contra Manuel Zelaya. A confirmação seriam as comunicações do embaixador americano a Washington à ocasião da queda daquele presidente. 
Não houve golpe em Honduras que tenha sido dado por militares ou pelo senhor Micheletti (à altura presidente do Congresso). Zelaya caiu porque se auto-impediu, basta ler atentamente a constituição de Honduras. Isso foi amplamente explicado no Brasil inclusive pelo site Consultor Jurídico, pelo advogado e jurista petista Dalmo Dallari (artigo publicado em 30/09/2009, O Fundamento Legal Omitido) ) e pelo jornalista Reinaldo Azevedo.  

Se os interessados forem pesquisar, como eu mesmo o fiz, semana após semana, durante meses, inclusive na imprensa de língua espanhola, que costuma ser muito melhor que a brasileira nos assuntos políticos, por estar muito menos infiltrada por verdadeiros militantes partidários que não honram mais a profissão de jornalista, confundindo jornalismo com propaganda ideológica, encontrarão um relato muito mais próximo da verdade de Honduras do que nos querem vender os militantes da esquerda no Brasil. 

Manuel Zelaya, do partido liberal, grande empresário rural, foi muito bem eleito pelos hondurenhos, ele era mesmo popular.
Ocorre que Honduras, como tantos outros países vizinhos, tem imensos problemas sociais e financeiros. Zelaya, ao longo do tempo, foi atraído para a área de influência de Chávez, seduzido pelas promessas de apoio financeiro e, principalmente, petróleo barato. Isso ainda continua a acontecer, basta ler a entrevista recente do presidente do Uruguai à veja em que agradece Chávez pelo petróleo barato,a perder de vista.
Chávez fez isso para fimar a ideia da América Bolivariana, uma cretinice que diz ter sido inspirada em Bolivar. Sempre insuflado por Fidel Castro e pela diplomacia brasileira.

Lentamente Zelaya foi permitindo um clima de insurgência no país (lembram-se do tempos de Jango Goulart?), abrindo espaço para os chamados movimentos populares e da sociedade civil, que não passam, quase sempre, de braços de partidos políticos de esquerda na A. Latina. O que Zelaya fez foi estimular a realização de uma constituínte e alterar a constituição, de modo a poder permanecer indefinidamente, como Chávez.   

Honduras é um país que, igual a outros na região, sofreu com inúmeras ditaduras e golpistas. Assim, de forma preventiva (nada a ver com Zelaya), no governo anterior a ele foi aprovada uma constituição à prova de golpe.
Constituição proíbe extensão de mandato.

O artigo 239 é claro ao expressar que qualquer governante que estimular a mudança da constituição para permanecer no poder estará automaticamente destituído. Zelaya agiu contra o Congresso e contra o Poder Judiciário que o haviam alertado que não poderia fazer a constituínte. Insistiu, com o apoio de Chávez, que enviou a Honduras todas as urnas para a operação, numa intromissão clara em outro país.
O exército hondurenho recebeu ordens dos demais poderes para prender Zelaya por traição à Constituição. Até aí está tudo perfeito e dentro da ordem. NÃO HÁ GOLPE NENHUM.

O erro dos militares, aí sim erraram feio, na minha opinião, foi que, ao invés de prendê-lo e processá-lo, em Honduras, como seria de se esperar, o puseram num avião e o enviaram ao exterior, desterrado. Aí feriram a constituição que não permite isso em Honduras. Posteriormente os militares reconheceram que erraram e disseram que temiam um levante estimulado pela esquerda, o que poderia provocar o derramamento de sangue. E, mesmo com a expulsão de Zelaya isso aconteceu nas semanas seguintes.

Imediatamente após chegar à Costa Rica começou o coro internacional contra o GOLPE. Chávez, Lula, Fidel, Ortega, Morales, todos os amigos de Zelaya e membros do Foro de São Paulo começaram a falar em golpe e isolaram Honduras. O resto é conhecido. Em outra ocasião voltarei com os desdobramentos do assunto do Foro de São Paulo, tema quase proibido na imprensa brasileira.

O embaixador americano em Honduras, que fez os relatos falando sobre golpe, era simpático a Zelaya e como tantos outros americanos, isso já é clássico na diplomacia americana, inepto para entender, de imediato as pretensões de Manuel Zelaya. Ou as compreendeu e as apoiava. 

Muitos questionam, por que o vice não assumiu? O vice era um dos inúmeros candidatos à eleição, estando afastado. Teve que assumir o senhor Micheletti, então presidente do Congresso, que governou até o fim do período de Zelaya e realizou as eleições que, inclusive, já estavam convocadas e em andamento. Micheletti nunca foi golpista. Feitas as eleições, foi eleito Lobo, que assumiu e governa o país, apesar da choradeira dos amiguinhos de Zelaya.

Golpe não houve. O verdadeiro golpista contra Honduras era o senhor Manuel Zelaya, que pretendia alterar a constituição, permanecer no poder indefinidamente e integrar o império bolivariano, que é o que se depreende dos relatdos da imprensa hondurenhas sobre os atos de seu governo.
Como bolivarianos são os nossos governantes, o Brasil emprestou a embaixada brasileira, em Tegucigalpa, para a pantomima da invasão por Zelaya, colocando verdadeiramente em risco a ordem pública naquele país.

Honduras quase teve uma guerra civil, que teria sido estimulada, de forma irresponsável, pelas nossas omissões ou concordância. Tudo fluiu num clima ambíguo de neblina. Pois na neblina legalidade é golpe, e golpe legalidade. 
  

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

WIKILEAKS NA VISÃO DE YARA CHIARA

Yara Chiara é uma leitora e comentarista eventual do blog de Reinaldo Azevedo, de quem faço questão de ler atentamente os textos, pois é sempre lúcida, correta e oportuna.
Sobre a discussão relativa às ações do Wikileaks, de Assange, que vaza informações confidenciais, especialmente do governo americano, Chiara faz ponderações muito interessantes sobre a histeria de Hillary Clinton.   

Diz Chiara:  

"A relevância estratégica é quase nula, no que tange aos documentos vazados até agora, mas existe relevância eleitoral: o fato é que Hillary Clinton aparece muito mal nos vazamentos. Primeiro, dá ordens possivelmente ilegais a oficiais atuando no exterior; se, em vez de exercerem suas funções típicas, eles seguem a Secretária de Estado e passam a fazer trabalho de inteligência, acabou a garantia do sigilo: o sigilo os resguarda até o ponto em que estejam atuando dentro da legalidade, até para evitar constrangimentos pessoais.
Não bastassem as ordens suspeitas, Hillary Clinton reagiu aos vazamentos de forma tão histérica e destrambelhada que deixou a população americana, e o mundo!, inseguros quanto à verdadeira política externa americana, transformando Asssange, nesse processo, num herói. Ela, à cabeça do Estado todo-poderoso, contra ele, um maverick, o tipo de figura adorada nos Estados Unidos.
Ela está nervosa. Ela está nervosa porque sabe, primeiro, que se queimou, e que, segundo, os republicanos não a perdoarão de forma alguma nas eleições vindouras.
Ao sigilo que encobre atividades de legalidade e eticidade suspeitas nem Hillary, que é secretária de Estado, nem os embaixadores têm direito."
(extraído do Blog de Reinaldo Azevedo. 02/10/2010)

Acho que Assange não passa de um terrorista que usa a Internet, mas que gosto do fato de que ele deixa Hillary nervosa, isso gosto mesmo.
Facilitará, talvez, para os conservadores. 
Isso me contenta.  

A VENEZUELA, LOGO AQUI

As nossas múmias oposicionistas parecem não querer exercer a crítica ou acuar o governo. A imprensa, em grande parte infiltrada por militantes partidários, faz o mesmo.
A oposição, especialmente o PSDB, não tem muito interesse em utilizar os 44 milhões de votos das últimas eleições para marcar um território. Os liberais (conservadores?) do DEM também não conseguem articular-se de forma coerente e não são firmes quanto aos princípios que defendem.

No fundo, tudo parece um grande jogo de cena para ir levando o Brasil à esquerda, ao modo venezuelano, usando as leis para afogar a democracia.
Os capitalistas brasileiros gostam mesmo é de ficar à volta do BB e do BNDES, adoram usar em suas obras recursos públicos a juros baratos, que não são bobos de arriscar o próprio capital; os democratas não se importam que a Constituição seja estuprada todos os dias, conforme acompanhamos pela Imprensa que, ela mesma, tudo noticia sem qualquer espanto.

Quando jornalistas já não são capazes de espanto, quando perderam a sensibilidade para o que sai do comum, deixaram de ser jornalistas de fato, têm apenas valor nominal.
O politicamente correto assola e açoita a inteligência, patrulhando todo mundo.
Os promotores públicos perderam a vontade de fazer cumprir a lei e misturam-se aos juízes do - como diz Reinaldo Azevedo - Direito Achado na Rua para legislarem, que é disso que se trata. Gostariam de governar por decreto.

Os políticos apenas querem cuidar de seus feudos familiares, acumulando fortunas e cultivando rebanhos dos quais ordenham votos, de tempos em tempos.
Com esse quadro, os petistas podem avançar sobre o Estado, criando o novo mundo possível, usando o discurso ambíguo de Lula como quebra-gelo.
A Venezuela está, cada vez mais, aqui.

O TRIUNFO DA VONTADE E A VONTADE DE LULA.


Sempre que Lula fala em verdade, quando trata da imprensa, lembro, imediatamente, do fantástico documentário O Triunfo da Vontade, dirigido por Leni Riefenstahl, a cineasta de Hitler.
O filme foi produzido por ordem do partido nazista alemão, em 1934, para contar a história do encontro dos nazistas em Nuremberg após haverem assumido o poder. O documentário foi apresentado em 1935 e ganhou o título de melhor documentário do Ano no festival de Veneza.
Considerado por muitos a maior peça de propaganda ideológica do Século XX, o documentário ensina muito sobre o totalitarismo e o nazismo, em especial. E também como eles viam a imprensa.
Numa cena, em um gigantesco ginásio, lotado de nazistas, o então ministro da imprensa (que não era J. Goebbels) diz:

“da imprensa, a alemã ou a estrangeira, esperamos, apenas, 
que falem a verdade sobre a Alemanha”.

Assim é Lula. 
Ele diz que não se importa que o critiquem, espera apenas que digam a verdade, mas a verdade que não o magoa é  apenas aquela que ele quer ouvir. 
Essa frase é fantástica. Sintética, direta, quase uma ordem: falem apenas o que queremos ouvir, pois o que queremos ouvir é que é a Verdade.
 

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

CENSURA AO WIKILEAKS? WIKILEAKS TO CENSORSHIPS?

Enquanto a discussão sobre as ações do Wikileaks gera resultados no mundo todo, fico com a frase, um convite à reflexão, do Reinaldo Azevedo:

"Deixo uma pergunta para vocês irem pensando aí: o sigilo é algo que só interessa ao governo, na contramão dos interesses dos cidadãos? Seriam os EUA uma tirania, que se exerce contra a vontade popular?"

A INDÚSTRIA DA MORTE DO RIO DE JANEIRO. Der Industrie der Tod von Rio de Janeiro


Os traficantes têm fuzis AK-47 russos

Não foram necessários mais que três dias para que a realidade do Rio de Janeiro aflorasse, em toda a sua crueza, no noticiário sobre o Complexo do Alemão. Denúncias de violência policial contra moradores; acusações de roubo e destruição contra as forças de ocupação; sumiço de dinheiro apreendido do tráfico; moradores das favelas invadindo e roubando pertences das casas ocupadas pelos traficantes, e a suspeita de que policiais deixaram bandidos fugirem em troca de ouro em barras. 
Isso não significa, certamente, que todos os policiais estão implicados em roubos, suborno ou atos de violência. Mas, o crescimento do volume de queixas mostra a realidade escondida sob o tapete do noticiário fantasioso sobre a refundação do Rio. Nestes tempos parece que tudo tem que ser refundado.   
Não há como estabelecer um antes e um depois numa sociedade que misturou os conceitos de bem e de mal e na qual as zonas nebulosas da cultura, aquelas que beiram ou adentram a marginalidade, são vistas como algo absolutamente normal.
O Rio de Janeiro desenvolveu uma cultura diferente, única, ao longo das últimas décadas, a Cultura Bandida.
Essa cultura fica bastante clara quando se analisa o conteúdo do noticiário sobre as relações praias-morros, os filmes, os enredos de novelas, as letras de música e a filosofia, a sociologia e antropologia baratas produzidas na Academia.
A condescendência, o deslumbramento, a impunidade, tornaram cult o mundo marginal e criminoso. Sempre a mesma e velha visão romântica sobre o mundo do crime, como se tudo pudesse ser explicado apenas pelas criticas ao capitalismo.
Análises rasteiras de quem acha razoável a bandidagem e o consumo crescente das mais diversas drogas, como a maconha, a cocaína e o crack.
Ninguém sabe exatamente, mas, estima-se que o consumo anual de maconha no Rio de Janeiro possa chegar a cem toneladas. Cem mil quilos da erva.
Se um quilo de maconha rende até 150 cigarros, a montanha de maconha consumida pelos cariocas pode chegar a 150 milhões de unidades. Dados da ONU estimam que  cerca de 4 por cento da população mundial utilize a maconha.
Essa é apenas uma aproximação, visto que em alguns paises a droga não é encontrada com facilidade e em outros parece brotar nos vãos das calçadas, como no Brasil.
Utilizando tais referências, muito superficiais, teríamos cerca de 250 mil usuários no Rio de Janeiro. Dividindo-se 150 milhões de unidades por 250 mil encontraremos o resultado de 600 cigarros para cada usuário por ano.
Isso significa quase dois cigarros para cada um, por dia.
Assim, tal volume de droga - apenas a maconha, sem contarmos a cocaína e o crack - indica uma máquina quase industrial operando para mover as engrenagens desse submundo.
Corrupção de políticos e policiais, sedução de formadores de opinião e famosos, ongueiros modernosos e defensores da liberação das drogas fazem parte dessa equação.
E milhões, muitos milhões de dólares, que entram e saem do País, alimentando a indústria da morte, alimentando a Cultura Bandida.