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quarta-feira, 24 de novembro de 2010

SOBRE A HUMANIDADE DE HOJE. OU, A VISÃO DOS HOMENS PELOS SEUS ATOS ORDINÁRIOS RELATADOS PELA IMPRENSA.



"De qualquer forma, a partir de Cícero, o conceito de “humanidade” compreende em si a dúplice idéia de “humano” e de “humanístico”, uma certa especial desenvoltura e agilidade no modo de fazer e a maneira cordial e cortês de tratar o próximo, são acompanhadas pelo estudo dos autores clássicos com os quais se aprende a “falar”. A concepção do homem como um ser que “sabe falar”, essa concepção isocrático-ciceroniana da humanidade, estava predestinada a difundir-se entre os romanos, cuja cultura se havia formado sobre as altas formas da eloqüência grega; e não só os refinados oradores do tempo de Cícero se haviam formado sobre os oradores gregos, mas já antes o haviam feito os poetas sobre a épica e sobretudo a tragédia...”

Extraído do capítulo 14 (A descoberta da “Humanidade” e nossa posição ante os gregos), do livro de Bruno Snell, A Cultura grega e as origens do Pensamento Europeu (Die Entdeckung des Geistes, 1955).

O que pensar diante da Humanidade de hoje que se nos apresenta como rebanhos bárbaros?
O que dizer sobre a Humanidade que petrifica o espírito, por excesso de desumanização, pelas normas que buscam - contradição ! - justamente a humanização do homem?
Quanto mais se fala em direito, em cidadania e no outro, menos sabemos falar.
O pior, descemos na escala, recuando de homens a animais, e, mais ainda, a coisas que podem ser trocadas por outras coisas, indefinidamente.  
A excessiva regulação normativa nos esvazia o espírito, conquistado tão duramente.
Um conjunto de normas frias jamais substituirá a Educação e a Cultura. 


segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O PAPAI NOEL DE PONDÉ

Excelente o artigo de Luiz Felipe Pondé na Folha de São Paulo (Ilustrada) de hoje sobre São Paulo.


"Adoro São Paulo. Entre outras tantas razões, porque é uma cidade aberta para a única forma de liberdade de fato conhecida: a liberdade de você ter méritos reconhecidos pelos outros, independentemente de raça, família, credo, classe social ou sexo".

"São Paulo é maravilhosa porque acolhe quem trabalha sem por a culpa nos outros. Liberdade não é sinônimo de felicidade, liberdade é conflito, agonia, solidão".

ponde.folha@uol.com.br

OS MONSTROS DA AVENIDA PAULISTA

A cada dia torna-se mais desagradável ou doloroso ler o noticiário.
Um bando de vândalos ataca, sem o mínimo fundamento, passantes que caminham pela calçada, em plena Avenida Paulista, em São Paulo. Usam como armas lâmpadas fluorescentes. Vândalos de classe média, respaldados pelos próprios pais.

Os idiotas paternos não conseguem ver mais que uma briga de crianças na rua. São aqueles que jamais disseram não aos filhos, pensando estar tratando verdadeiros marginais com um mínimo de dignidade. Como se um não, um castigo ou umas palmadas na bunda pudessem traumatizar alguém. 

Na Bahia uma menina de 13 anos e outra de 16 foram decapitadas simplesmente porque seus pais não puderam pagar o resgate pretendido. Uma delas filha de um simples policial militar. Os bandidos queriam 50 mil reais e duas armas. Não sendo atendidos, a solução final: morte por decapitação. Simples como se fosse uma pena sendo cumprida em algum país islâmico.

O que vemos é um desprezo crescente pelo outro, pela vida alheia, justamente quando mais se fazem discursos sobre cidadania e direitos.

O excesso de proteção e a leitura errada do que seja uma punição para alguém que agiu errado está criando um mundo de pequenos monstros.     

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

OS TRÊS PORQUINHOS E GEORGE ORWELL.

A presidente eleita, Dilma Rousseff, referiu-se emocionada, em reunião comemorativa petista, aos três porquinhos que a acompanharam durante toda a campanha eleitoral: Dutra, Cardozo e Palocci. Ela pretendeu parecer afetiva e carinhosa.
Na verdade estavam mais para seguranças de porta de boate, sempre com a cara amarrada e com braços cruzados, como se estivessem indispostos e pouco afeitos a conversas.
Além disso, nas entrevistas da candidata, postavam-se logo atrás, como se fiscalizassem o que seria dito.
Uma coisa grotesca, visto que deixava a impressão de que ela precisava ser tutelada o tempo inteiro. De todo modo, venceu. Resta agora lembrar que a imagem dos três porquinhos remete, além da historinha infantil em que aparece o lobo mau, indisfarçavelmente à distopia de George Orwell (publicada a primeira vez em 1945 com o nome Animal Farm), conhecida em português como A revolução dos Bichos.
Os bichos fizeram uma revolução na fazenda mas logo foram dominados pelos porcos, nada simpáticos, que implantaram uma ditadura. 
Os outros animais, que não eram trouxas, logo perceberam que na fazenda dominada pelos porcos, "a lei era igual para todos, sendo que alguns eram mais iguais que os outros".
A fazendinha poderia chamar-se Brasil.

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

VOTAR NO REINALDO AZEVEDO

Vamos votar no Reinaldo Azevedo para o mais popular jornalista do Brasil.
Link para a votação.
http://www.whopopular.com/Brazil/Journalists

sábado, 13 de novembro de 2010

OS JABUTIS EM CIMA DA ÁRVORE

Reinaldo Azevedo já mostrou o absurdo da premiação recebida por Chico Buarque de Holanda no Prêmio Jabuti deste ano, agora o presidente da Editora Record protesta e decide não mais participar da premiação.

DEVOLVA O PRÊMIO, CHICO!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

LINK AQUI NA CAMPANHA PELA DEVOLUÇÃO DO PRÊMIO:

http://www.petitiononline.com/1c2d3o4j/petition.html

A carta:

Rio de Janeiro, 9 de Novembro de 2010
Exma. Sra.
Rosely Boschini
Presidente da Câmara Brasileira do Livro
Exmo. Sr.
José Luis Goldfarb
Presidente da Comissão do Prêmio Jabuti
Prezados Senhores,
O Grupo Editorial Record - composto pelas editoras Record, Bertrand, Civilização Brasileira, José Olympio, Best Seller e Verus - decidiu que não participará da próxima edição do Prêmio Jabuti para claramente manifestar sua discordância com os critérios de atribuição do Livro do Ano de ficção e não-ficção. Tais critérios não só permitem como têm sistematicamente conduzido à premiação de obras que não foram agraciadas em seleções prévias do próprio prêmio como as melhores em suas categorias.
Como editores preocupados com a Cultura e a ampliação da leitura no Brasil, nós entendemos que um prêmio literário visa a estimular a criação literária reconhecendo-a pelo critério exclusivo da qualidade. Não aceitamos - principalmente em um país como o nosso, onde quase sempre o mérito é posto em segundo plano - que o principal prêmio literário atribuído pelo setor editorial possa ser conferido a um livro que não esteja entre aqueles considerados os melhores em seus respectivos gêneros.
Infelizmente, a edição de 2010 do Jabuti não foi a primeira em que essa situação esdrúxula ocorreu. Em outra oportunidade, o mesmo agraciado deste ano preferiu não comparecer à entrega do prêmio, talvez por não se considerar merecedor da distinção. Grande constrangimento na cerimônia. Em 2008, a situação se repetiu, com o agravante de o então vencedor da categoria Melhor Romance do Jabuti ter conquistado também todos os outros prêmios literários conferidos no Brasil. O episódio causou tal estranheza e mal-estar que foi grande a repercussão na imprensa. Na época, passamos a acreditar que seriam feitos os necessários ajustes na premiação para que esses equívocos parassem de ocorrer.
Vimos, porém, que os critérios equivocados continuaram em vigor em 2010, com a diferença somente de o autor agraciado desta vez aceitar a láurea. Tomamos então a decisão de não mais compactuar com a comédia de erros. As normas do Jabuti desvirtuam o objetivo de qualquer prêmio, pondo em desigualdade os escritores que não sejam personagens mediáticos. Para não mencionar fato ainda mais grave: quando é evidente que a premiação foi pautada por critérios políticos, sejam da grande política nacional, sejam da pequena política do setor livreiro-editorial.
Como a inscrição das obras concorrentes ao Jabuti é um ato voluntário de cada Editora participante, e feito de forma onerosa, optamos por não mais participar da premiação, até que as medidas necessárias para a correção de seu rumo sejam adotadas.
Atenciosamente
Sergio Machado
Presidente
Grupo Editorial Record

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

OS NARCOTERRORISTAS DAS FARC E DILMA




As Farc estão cheias de esperança com a eleição de Dilma Rousseff, como se ela pudesse pintar-lhes o futuro de cor-de-rosa. Após 50 anos matando gente na Colômbia e exportando a morte por meio das cargas de armas clandestinas e de cocaína colombiana as Farc estão, finalmente, sendo derrotadas militarmente, na Colômbia, num regime democrático.

O governo do Brasil chegou a considerar que as Farc deveriam ser encaradas como uma mera facção política e que deveria, até, disputar eleições na Colômbia. As Farc chegaram a participar de diversas reuniões do Foro de São Paulo, fundado por Lula, no início dos anos 90, reunindo inúmeras entidades de esquerda do Mundo. Todas as atas das reuniões do Foro de São Paulo estão disponíveis na Internet.

No  Brasil, a imprensa, de modo geral, ignorou os fatos ligados ao Foro como se fosse algum tipo de alucinação das fontes conservadoras e direitistas. Basta lembrar que pouco antes das eleições petistas diziam nada saber das Farc.

Mas, o deputado petistas Cardozo, de SãO Paulo,  fez pronunciamento a respeito da morte de Raul Reyes, no encontro do Foro no Uruguay. Isso está em vídeo no YouTube. O Mundo gira e a Lusitana roda, como diriam os mais antigos, e as Farc foram expostas ao mundo pelos ataques aos seus acampamentos pelo exército colombiano e pela revelação gradual do conteúdo dos computadores apreendidos, com seus desdobramentos nas relações com diversas autoridades do Equador e da Venezuela, incluindo Chávez.

Vai sobrar para muita gente metida a boazinha e inocente aqui no Brasil. Aqueles que nunca sabem de nada. A Colômbia tem 45 milhões de habitantes, a Farc agora tem uns seis ou 7 mil bandidos narcotraficantes armados.

O Exército da Colômbia pode e deve exterminar militarmente os terroristas, e é o que estão fazendo. E a população apóia o governo, pois ninguém quer mais viver na insegurança, sofrer no meio de tiroteios, ter os filhos sequestrados e obrigados a virarem bandidos e traficantes, ou ser extorquido. 

É isso que acontece na Colômbia. 
O Exército colombiano espremeu as Farc na direção das fronteiras do Equador e Venezuela, países que apóiam a guerrilha traficante e os afastou das grandes cidades. Os líderes estão morrendo e há debandada de guerrilheiros atraídos pela anistia oferecida pelo governo.

Não tem que haver negociação. Tem que haver luta até o fim. Só o fim absoluto das Farc interessa à Colômbia. E à paz na América do Sul. Milhares de jovens morrem no Brasil todos os anos devido à droga colombiana.

É como se, no Brasil, o governo resolvesse chamar à mesa de negociações dirigentes do PCC ou do Comando Vermelho, para negociar a paz no Rio de Janeiro, por exemplo. 
Há sociologia demais e cumprimento da lei de menos. O Brasil tem excesso de impunidade.

O noticiário não nos deixa mentir.