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quinta-feira, 24 de fevereiro de 2011

A VISÃO NADA DEMOCRÁTICA DE JOSÉ SARNEY SOBRE A DEMOCRACIA

José Sarney, que preside uma instituição onde acaba de ser ferida a Constituição, na votação do salário mínimo, critica a Oposição que procura uma posição do Judiciário sobre o assunto.
Leiam o absurdo da crítica de Sarney no texto de Reinaldo Azevedo:


24/02/2011
 às 15:49

Ah, então quer dizer que o Congresso pode violar a Constituição em nome da política!

As oposições vão fazer o óbvio: diante do esbulho constitucional de ontem, decidiram recorrer ao Supremo. As razões são conhecidas. O presidente do Senado, José Sarney, resolveu tocar a tecla da “judicialização da política” para condenar a iniciativa. Releiam o que diz:
“As questões políticas devem ser resolvidas aqui dentro da Casa. Nós chamarmos o Supremo como uma terceira via é uma coisa que deforma o regime democrático. Os partidos existem por delegação do povo, são eles os instrumentos que a humanidade encontrou ao longo do tempo para exercer o processo democrático da democracia representativa”.
Huuummm… Até Sarney é melhor do que isso. Fosse assim, o Poder Legislativo seria o poder soberano da democracia — e a democracia é justamente aquele regime em que nenhum poder é soberano. Soberana, esta sim, é a Constituição.
para ler o texto integral:
Blog do Reinaldo Azevedo: 
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/  

SENADO APLAINA A ESTRADA PARA UMA DITADURA

O texto abaixo é do Coronel, editor do Blog Coturno Noturno
Os grifos e o título são deste blog.
           
24 DE FEVEREIRO DE 2011

O que estava em jogo, ontem, na votação do salário mínimo pelo Senado era muito mais do que um valor financeiro. Este, sabidamente, já estava aprovado pela maioria esmagadora do governo. O que estava em jogo, ali, era o maior valor democrático: o respeito à Constituição Federal. Era a validação, por parte do Legisltivo, de um instrumento que o usurpa e o invalida. Era a consagração do AI-1 de Dilma Rousseff, como este blog denunciou ontem pela manhã fazendo uma analogia com o regime militar, expressão utilizada mais tarde por Itamar Franco (PPS-MG), em suas considerações, durante a votação.

Todos sabiam que o valor de R$ 545 seria aprovado e a luta entre a oposição em minoria e o governo com avassaladora maioria era marcar, em um e outro lado, o estigma do arrocho salarial, da traição aos princípios, o distanciamento ou a aproximação com as promessas da campanha eleitoral. Além, é claro, do caráter anti-democrático ou não da medida governamental.

Todos os argumentos foram buscados. A lei delegada de Aécio Neves em confronto com o decreto presidencial de Dilma Rousseff. O salário mínimo trazido ao dólar, um parâmetro sem nenhum valor, a velha mentira petista que anima a sua militância burra e amestrada. Os R$ 600 de José Serra x os R$ 560 de Aécio Neves, tucano contra tucano e o Brasil entrando pelo cano.

Todos sabiam, da mesma forma, que o decreto que estupra a Constituição Federal seria aprovado, movido pelas nomeações para o segundo escalão e pela liberação das emendas. Tanto é que o ponto alto da noite foi a intervenção de um jovem senador, Pedro Taque (PDT-MT), que denunciou a chantagem, com a seguinte declaração:

"O artigo terceiro ofende o texto da Constituição, subtraindo um direito do Legislativo. Me disseram que se eu fizesse isso, que eu poderia ser retirado da Comissão de Constituição e Justiça, que eu não teria minhas emendas ao Orçamento liberadas e teria retirado dos cargos de segundo e terceiro escalões indicados para o governo. Mas não serão palavras desta ordem que mudarão minha convicção."

Foi o primeiro senador a silenciar o plenário. O segundo foi uma senadora, Kátia  Abreu (DEM-TO), que surpreendentemente anunciou que não votaria nos R$ 560 e nos R$ 600. Absteve-se e deu os motivos.

A senadora Kátia Abreu também é presidente da Confederação Nacional da Agricultura e Pecuária, que hoje luta contra os poderosos interesses das ongs financiadas pelo agronegócio internacional, que paga laudos de cientistas, campanhas de políticos verdes e até mesmo invasões do MST, para frear a concorrência brasileira no mercado internacional e para transformar o Brasil em um spa ecológico, onde os americanos e europeus virão purgar as suas culpas pela destruição do planeta. Que domina o INCRA e o Ministério do Desenvolvimento Agrário. Que tem fundas raízes no PT. A luta dos agricultores e pecuaristas brasileiros é pela aprovação do Código Florestal Brasileiro. É uma luta apartidária, basta ver que o relator é o deputado Aldro Rebelo (PCdoB-SP). É uma luta quase solitária, basta ver, por exemplo, o quanto os tucanos, aliados dos democratas, paparicam o onguismo e o verdismo da Avenida Paulista.

O TEXTO COMPLETO ESTÁ NO BLOG COTURNO NOTURNO:
http://coturnonoturno.blogspot.com/ 

quarta-feira, 23 de fevereiro de 2011

KIT PARA CAÇADORES DE VAMPIROS



http://utinni.deviantart.com/art/Steampunk-Vampire-Hunter-kit-1-174989427
Reinaldo Azevedo sobre Sarney:

"Paulo Francis perguntava: “Ninguém vai enfiar uma estaca no coração dele?”

Brasília é a Transilvânia, e o Senado é seu castelo."
Por Reinaldo Azevedo 

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

CHÁVEZ VEM AÍ. Mas Brasília não é Caracas. Ou é?

GOLPE DE MÃO
Dora Kramer - O Estado de S.Paulo
Entende-se que o governo queira por meio de maioria controlar o Congresso. Foge ao preceito republicano da independência entre os Poderes, mas é do jogo do poder.

O que não se pode compreender e muito menos aceitar é que isso seja feito por meio de inconstitucionalidades embutidas em um projeto de lei. Inaceitável, tampouco, é que o Congresso seja tão submisso ao Executivo que se deixe usurpar em suas prerrogativas e ainda defenda ardentemente o direito do Palácio do Planalto de fazê-lo ao arrepio da Constituição.

Aconteceu anteontem na aprovação do novo salário mínimo na Câmara: a despeito da tentativa do deputado Roberto Freire (PPS) de impedir a iniquidade, foi aprovado um dispositivo do projeto de lei que retira do Congresso a discussão do valor do mínimo até o fim do mandato de Dilma Rousseff.

O truque é o seguinte: fica estabelecido que conforme a política para o salário mínimo até 2014, os parâmetros para se chegar à proposta do governo são aqueles acertados com as centrais sindicais em 2007 - PIB dos dois anos anteriores mais a inflação do período -, sendo o valor fixado por decreto ano a ano.

Bastante simples de compreender qual a consequência, pois não? Pois suas excelências integrantes da maioria governista (e também da oposição que não ajudou Freire no embate) preferiram fazer de conta que não entenderam.

Pelos próximos três anos, se o Senado aprovar o projeto tal como está, o governo fica livre dessa discussão no Congresso. Uma graça o principal argumento do líder do PT na Câmara, Paulo Teixeira: a medida elimina a "burocracia".

Eis, então, que temos o seguinte: os próprios parlamentares se consideram meros carimbadores das decisões do Planalto e veem o debate no Parlamento como um trâmite burocrático.

Por esse raciocínio, eliminar-se-iam quaisquer tramitações congressuais, deixando a decisão de legislar para o Executivo. Como ocorre nas ditaduras.

Caso o Senado aprove, Roberto Freire recorrerá ao Supremo Tribunal Federal com uma ação direta de inconstitucionalidade, baseada no dispositivo da Constituição segundo o qual o valor do salário mínimo deve ser fixado por lei. Não por decreto baseado numa lei estabelecendo os critérios para o cálculo.

Argumenta Freire: se for por decreto presidencial, só o poder público será obrigado a cumprir. A sociedade e a iniciativa privada poderão ignorar, pois seu parâmetro é a Constituição e não o Diário Oficial. (destaque do blog)

Levantou-se naquela noite de discussões e monumentais incoerências de posições passadas e presentes a seguinte questão: se o cálculo está fixado em lei e o governo tem maioria no Congresso, o debate é sempre inútil. Então, melhor que se eliminem os intermediários.
Nada mais confortável para o governo e nada mais deformado no que tange ao sistema democrático de representação. O Executivo fica desobrigado de negociar, as forças políticas representadas no Parlamento impedidas de se manifestar e o poder de um dos Poderes fica submetido a acordos feitos com as centrais sindicais.

É o império do gabinete. O que o governo disser será a lei que se substitui à Constituição, ao Parlamento e à sociedade. O poder continua emanando do povo, mas desse jeito em seu nome não é exercido.

Dominado. A escolha de um réu (João Paulo Cunha) do processo do mensalão para presidir a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara seria uma contradição em termos, caso a mesma comissão já não tenha sido presidida pelo notório deputado Eduardo Cunha.
Caso também mensaleiros, protagonistas de escândalos e réus de outros processos não estivessem sendo abrigados pelo governo federal e protegidos pelo PT, com vistas a promover uma "absolvição de fato".

Devido lugar. Evidência na sessão da Câmara que discutia o salário mínimo: na hora do vamos ver, as celebridades não participam. Recolhem-se ao lugar de onde nunca deveriam ter saído: a galeria das nulidades na política.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

USANDO A LEI CONTRA A LEI. Ou: como fraudar a Constituição.

No texto em que comenta a votação do Salário Mínimo pela Câmara, o jornalista Reinaldo Azevedo percebe e aponta algo extremamente grave a respeito de um método para GOLPEAR A CONSTITUIÇÂO. Mais cedo do que imaginamos o nome de Brasília poderá ser Caracas. 

"Para mudar a Constituição, são necessários três quintos dos parlamentares em duas votações em cada Casa.

Só pode ser feito por meio de emenda constitucional. O PT descobriu um caminho para mudar a Carta usando um simples projeto de lei, por maioria simples. É UM GOLPE NA CONSTITUIÇÃO!


(http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/a-base-dar-votos-ao-governo-e-normal-entregar-a-honra-do-congresso-ao-planalto-e-uma-vergonha-ou-eles-fraudaram-a-constituicao/)
Atenção! Nem estou entrando no mérito do conteúdo, e posso fazê-lo, sim: trato de uma questão formal, legal e constitucional.
Essa é uma prática consagrada por Hugo Chávez, na Venezuela: usa a lei contra a lei, usa a Constituição contra a Constituição.
E que se faça aqui o reconhecimento: deve-se ao deputado Roberto Freire (PPS-SP) ter apontado o absurdo!
Reitero: a questão do salário mínimo, em si, é o de menos. O governo está testando um método. Se Câmara e Senado condescenderem com a fraude constitucional e se o Supremo também aceitar, Dilma pode governar o Brasil por decreto se quiser. Como na ditadura."
Por Reinaldo Azevedo





quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

SALÁRIO MÍNIMO FEDERAL: R$ 545,00. Muito melhor para os trabalhadores, claro.

Quem pode ficar contra um salário mínimo de R$545,00?
Pessoalmente, acho que um salário mínimo na faixa dos R$600,00, como queria a oposição, seria o fim do Brasil! Um acinte! UMA VERDADEIRA SABOTAGEM! Mas R$545,00, muito mais palatável, não?
Se vivêssemos no Irã eu pediria o fuzilamento para essa gente sabotadora. Como pedir R$600,00?
E as centrais sindicais, então, querendo R$560,00! Que abuso!
Mas, de fato, parece gente desmemoriada, pois na campanha eleitoral ficaram com os R$545,00 de Dilma, contra os R$600,00 propostos por Serra.
Gente vagabunda.
Em 2.000 diversos dos que hoje votaram pelos R$545,00 para os trabalhadores, como se menos fosse mais, estavam lá no Congresso protestando quando o mínimo passou de R$136,00 para R$151,00 com aumento de 11,11%. A inflação do ano havia sido 8,9%.

PS. Normalmente os deputados e senadores costumam conceder a eles próprios aumentos muito mais substanciosos, não?


segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

DILMA SERÁ CAPAZ DE SURFAR NA ONDA DE LULA?

Trecho de texto do blog Coturno Noturno, aquele que faz mais que a Imprensa e a Oposição juntos:

"Ordem unida, comitês setoriais, silêncio sobre divergências, uma agenda cheia de secretismos -até a bandeira da Presidência já não servirá de indicador de paradeiro. Parece coisa de aparelho, que, somada a um aparente desprezo da relação com o Congresso, tende a gerar ressentimentos. Dilma tem gordura lulista para queimar enquanto tenta se afirmar. A dúvida é por quanto tempo."

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

O REGISTRO DA GLORIOSA VISITA DO DEPUTADO TIRIRICA AO CONGRESSO NACIONAL

Arte: Gazeta do Povo
E no décimo quinto dia de dezembro, do ano de 2010, o senhor Francisco Everardo Oliveira Silva, eleito pelo Estado de São Paulo como o deputado federal mais votado do Brasil, com mais de 1,3 milhão de votos, resolveu visitar o Congresso Nacional.

Ali, ainda não em caráter oficial, percorreu as dependências da casa e concedeu a honra de sua atenção a alguns jornalistas.

O jornalista pergunta: _ Deputado, qual o seu primeiro projeto?

O deputado responde rápido: _ Um apartamento.

Surpresa. O jornalista insiste, paciente: _ Não é disso que se trata. O que fará pelo povo?

O deputado, mais surpreso ainda, responde: _ Que povo?

O jornalista volta à carga: _ O povo que te elegeu.

O deputado então entende e esclarece: _ Vou trabalhar pela Educação.

Everardo é muito mais conhecido por Tiririca, um palhaço da televisão, eleito com o revelador e sincero slogan: "Vote em Tiririca. Pior do que está não fica."

E fecham-se as cortinas.

Assim é o Brasil nesta data.