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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2011

LIÇÕES DE PAUTA DO MESTRE REINALDO AZEVEDO. Ou: êita novelinha vagabunda


Este texto de Reinaldo Azevedo deveria ser lido em todos os cursos de Jornalismo do Brasil.
Uma síntese maravilhosa da Era da Enganação (Era Petralha). 
Cortante como uma faca e direto. 
Verdadeira aula de pauta, pois reúne uma série de fatos que dariam ótimas matérias se os jornalistas ainda fizessem reportagens e JORNALISMO. 
Num texto tão curto são apontadas muitas das mentiras e ilusões de nosso tempo. 
Parabéns, Reinaldo!
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16/02/2011
 às 14:52

O pastelão brasileiro

Tiago Santiago, aquele rapaz que fazia novela de gente que virava monstro na Record, agora faz uma de monstro que vira gente para o SBT. Chama-se “Amor e Revolução”. Conta a história de Maria Paixão (Santo Deus!!!), estudante de sociologia que, como diz a versão oficial da novela, entra para a guerrilha para defender a democracia!!! Uau!  Isso é que é ficção, não é mesmo? 

Haverá muitas cenas de torturas etc. Tiago Santiago quer depoimentos de personalidades que combateram o regime militar no Brasil. O grande objetivo da TV do ex-dono do Banco Panamericano é conseguir uma entrevista com Dilma Rousseff,  a “Maria Paixão” de mentira — já que é verdade que existe uma na ficção…

Com José Dirceu, já está tudo certo: ele topou falar. Caso a presidente dê o seu depoimento, o SBT promete comemorar com uma chuva de bolinhas de papel.
A Caixa Econômica Federal poderia ser a patrocinadora da novela. Não seria pior negócio do que se tornar sócio de um banco quebrado.
Por Reinaldo Azevedo
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

NOVELA DO SBT VAI VENDER A LUTA ARMADA COMO RESISTÊNCIA À DITADURA MILITAR?

 
(http://homemculto.wordpress.com)

Deve ir ao ar, em breve, a novela de R$35 milhões do SBT chamada "Amor e Revolução".
Tudo acontecerá nos anos 60 e 70, contando com cenas feitas em Cuba, na Bolívia e no Congo.
Escrita por Tiago Santiago e dirigida por Reynaldo Boury, a história será centrada em São Paulo e no Rio de Janeiro.

Ao final de alguns capítulos darão depoimentos alguns dos personagens que participaram do cenário político na época, como José Dirceu, Waldir Pires e, talvez, até a presidente Dilma Roussef (entrevista ainda não confirmada).

Resta saber se o roteiro contará a história da luta contra a revolução da ótica dos democratas que enfrentaram a ditadura durante anos sem pegar em armas, ou será contada do ponto de vista daqueles que participaram da luta armada para derrubar a ditadura militar, mas cujo objetivo real era implantar um regime comunista como o cubano aqui no Brasil. 

Consta que os atores fizeram até treinamento militar para realizar com verossimilhança as cenas de luta. resta saber se os autores estudaram história ou vão servir de assessores para uma visão parcial em que meros terroristas querem, ainda hoje, se passar por democratas.
Pessoalmente, apenas pela passagem pela Bolívia e pelo Congo, além de Cuba, imagino que a referência aos nossos revolucionários armados será a tomada do poder de Cuba por Fidel e Che, a referência à Bolívia deverá ser sobre a tentativa de Che de implantar a revolução na A. do Sul, a partir da selva boliviana. 

Esses fatos teriam, então, estimulado nossos heróico guerrilheiros. Mentira. Uma vez que há muitos documentos, e livros publicados no Brasil, que mostram que a preparação para a luta armada para a tomada do poder já havia sido iniciada antes de 1961. 

Aos interessados basta uma boa pesquisa sobre as Ligas Camponesas, de Francisco Julião, que chegaram a receber armas de Cuba muito antes do golpe militar de 64.  Ou o livro "Camaradas", do jornalista W. Waack.

Quanto ao Congo, tento imaginar o enredo, uma vez que ali o comandante Che foi derrotado diversas vezes, militarmente e chamado de volta a Havana por Fidel que, após um período de molho, o mandou para morrer na Bolívia, pois criava muitas confusões em Cuba.

Mas esta é outra história, nem sempre contada pelos que lutaram a luta armada no Brasil para implantar uma ditadura comunista por aqui.

Fico pensando se os autores também tomarão depoimentos de sobreviventes dos atentados terroristas e de seus familiares, de fato, os grandes esquecidos nessa história toda, que nem indenizações milionárias recebem.

Ouvirão os familiares de Mário Kozel Filho, 18 anos, morto pela explosão de 50 quilos de dinamite preparada pela Vanguarda Popular Revolucionária (VPR) em 26/06/1968?