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quarta-feira, 30 de março de 2011

OBAMA AINDA ACABARÁ ENTREGANDO A LÍBIA A GRUPOS TERRORISTAS

Logo após a rebelião no Egito, que terminou com a queda de Mubarack, quando começaram as agitações na Líbia, este blog registrou que Muamar Khadafi, há tantas décadas no poder, poderia enfrentar sérios problemas. Especialmente porque, no caso das revoltas dos países árabes-islâmicos, nota-se uma regularidade: apenas os regimes mais autoritários ou ditatoriais mais ou menos aliados ou simpáticos aos americanos estavam balançando. 

As dificuldades de Kadafi viriam de seu abandono pela esquerda internacional após sua decisão, há alguns anos de reconhecer que foi responsável por diversos atentados terroristas no Ocidente, que geraram muitas mortes, pelas quais pagou, então, após acordo, indenizações aos familiares.

Isso deixou Kadafi um pouco mais próximo do Ocidente e afastado dos socialistas e islamo-socialistas).

No início de janeiro, muitos comentaristas da imprensa tradicional voltaram-se para o que lhes parecia a Era das rebeliões Facebook e Twiter. Como se essas tecnologias pudessem, por si só, gerar rebeliões!

Analisando os regimes islâmicos, e como estão agrupados, em termos de geopolítica, diversos daqueles governos estão muito mais alinhados com o Irã ou com visões islâmicas mais próximas do que seria a da Muslim Brotherhood e outras instituições mais radicais, da política, como Hezbollah.

Kadafi é um maluco, realmente, mas conhece seu território e disse que no Leste da Líbia havia infiltração da Al-Qaeda. As redes de Tv árabes, Al Jazeera e Al Arabi deram muito espaço aos protestos, e ninguém pode esquecer que deram já anteriormente muito espaço aos discursos radicais do grupo terrorista.   

Em sua visita ao Brasil Barack Obama deu ordens para as forças armadas americanas atacarem as tropas de Kadafi, poruqe estas estariam massacrando civis.
De fato, Obama e seus atuais aliados nos ataques à Líbia tomaram um partido contra Kadafi em uma verdadeira guerra-civil, o que é um absurdo. Os "civis" líbios tomaram arsenais militares em algumas cidades e contaram com o apoio de soldados desertores.

Agora, após iniciarem uma guerra real na Líbia, mal conseguindo deter as tropas bombardeadas de Kadafi, o comandante da Otan reconheceu que podem ter havido enganos, e que os "civis" líbios também podem ser gente muito bem treinada em combate militar, como gente da Al-Qaeda, do Hezbollah e até mercenários. Isto é, as forças aliadas acabarão fazendo o serviço de casa para os rebeldes (ora chamados de civis, apenas).

Enquanto isso, procurando uma causa para a reeleição, Obama anuncia que poderá fornecer armas para os adversários de Kadafi, tomando partido em uma guerra civil.

A pergunta é: e se os adversários de Kadafi forem, não apenas alguns opositores internos, mas o Hezbollah e a Al-Qaeda se aproveitando da confusão e ficando com a herança? Pela primeira vez um presidente teria passado por cima do Congresso, ordenado os ataques, derrubado um aliado (embora louco e tirano) e ainda entregue o país a milhares de terroristas? Com um amigo assim, é ou não para Israel ficar preocupado?

PORTUGAL E A LEI RELATIVA ÀS DROGAS. NEM TUDO É UM MAR DE ROSAS

Alguns comentários tratam da lei portuguesa que teria "liberado" as drogas, desde 2001. A situação não é exatamente essa. Em tese, a lei de Portugal não trata mais o usuário como criminoso, mas existem diversas contra-ordenações possíveis (contravenções no Brasil).

(Lei n.º 30/2000 - (Portugal) Esta lei distingue o consumo e a posse para consumo do tráfico, sendo o consumo penalizado (por coimas e outras medidas, uma vez que a substância permanece ilegal) e o tráfico criminalizado.)

Atenção - É ILEGAL em Portugal A lei portuguesa penaliza o consumo, a posse e o cultivo e de cannabis (Lei nº 30/2000) penaliza o consumo, a posse e o cultivo e de cannabis (Lei nº 30/2000). Atenção que descriminalizar não significa despenalizar. Com 16 anos já se é responsabilizado legalmente pelo consumo, posse ou plantação de cannabis.

Para distinguir os casos de contra-ordenação dos de crime a quantidade de substância apreendida é determinante: até 5g de Haxixe ou 25g de Erva pode ser convidado a ir até uma Comissão para a Dissuasão da Toxicodependência e pode ser alvo de uma sanção (multa, trabalho comunitário, apreensão de carta de condução, proibição de frequentar certos lugares, apresentação periódica no posto da polícia, etc); Acima destas quantidades é considerado crime e em tribunal será avaliado se se trata de tráfico.( http://www.drogaslegais.net/cannabis-e-a-lei-portuguesa/)


E parece que o quadro evolutivo desde o início da validade da lei não pinta a paisagem de azul e nem de rosa. Pode ser que muita gente que utiize drogas, especialmente a maconha sintam-se melhor não sendo presas, mas ainda há muitas implicações. 

Pode ser, também, que, como no Brasil, as autoridades pudessem ter maior empenho, elevando as estatísticas, no caso do Brasil de apreensão de drogas (e há sempre, pelo que se lê), e em Portugal um número maior de contra-ordenações detectadas, assim como maior apreensão.  

Também, pelo que se lê em alguns sites de Portugal, algumas lojas que vendem drogas dentro da lei já começam a abusar e a vender produtos que não estão bem caracterizados na lei, como se os comerciantes se aproveitassem de algumas brechas encontradas. Há casos de potentes cogumelos alucinógenos vendidos, sobre os quais não se sabe muito, em termos de efeitos, por exemplo.

As notícias a seguir, coletada em sites portugueses, dão uma ideia superficial da questão das contra-ordenações e de alguns resultados obtidos:

A.
Droga:Quase 5700 pessoas encaminhadas para Comissões de Dissuasão
Inserido em 26-10-2009

O haxixe continua a dominar os casos encaminhados para estes serviços, apesar de ter vindo a registar uma redução gradual nos últimos anos, revelam dados oficiais a que Lusa teve acesso.

Portugal descriminalizou em 2001 a posse de drogas para consumo próprio (cannabis, cocaína, heroína e metanfetaminas), tendo passado a considerar o toxicodependente como doente. O consumidor, que antes podia incorrer numa pena de prisão, passou a ser obrigado a apresentar-se numa das 18 Comissões de Dissuasão da Toxicodependência (CDT) instaladas no país.

Estas comissões, que trabalham em coordenação com o Instituto Português da Droga e da Toxicodependência (IDT), são responsáveis por receber os casos enviados pelas autoridades policiais e tribunais, avaliar a situação de cada consumidor e decidir a forma mais adequada de intervir em situações de consumo, podendo suspender as coimas se o infractor/toxicodependente aceitar ser encaminhado para tratamento.

De acordo com o registo central de todas as CDT, desde o início deste ano, um total de "5691 pessoas indiciadas por processos de contra-ordenação por consumo e posse para consumo de drogas foram enviados pelas autoridades policiais e tribunais" para estes serviços.

Do total de processos que este ano já chegaram às Comissões de Dissuasão 4678 tiveram a ver com o consumo e posse para consumo de haxixe (71%), 900 com heroína (14%), 699 com cocaína (11%) e 46 com ecstasy (1%), referem os mesmos dados.
http://www.rr.pt/informacao_detalhe.aspx?fid=92&did=76487


B.
Consumo de droga está a aumentar em Portugal
Número de contra-ordenações atingiu em 2007 o valor mais alto de sempre. Também o número de tratamentos subiu: as primeiras consultas cresceram 8% face a 2006
O número de contra-ordenações por consumo de drogas atingiu em 2007 o valor mais alto de sempre. A subir estão também indicadores como o número de tratamentos e hábitos expressos no inquérito nacional ao consumo.
O relatório anual sobre a situação do país em matéria de toxicodependências, ontem apresentado à Assembleia da República, mostra a confluência de dados de fiscalização e do recurso à rede de tratamentos. O número de contra-ordenações subiu 8%, atingindo um total de 6.744 processos, ao mesmo tempo que se interrompeu a tendência decrescente do peso dos reclusos condenados ao abrigo da Lei da Droga no universo total de detidos.
Também de 8% foi o aumento do número de toxicodependentes que no ano passado recorreu a uma primeira consulta para deixar de consumir (ver destaque ao fundo da página). E se neste caso ainda pode fazer-se, como faz o Instituto da Droga e da Toxicodependência, a leitura positiva de eventuais melhorias na resposta, outros sinais há que causam preocupação. É o caso das mortes com resultados positivos de drogas em exames do Instituto Nacional de Medicina Legal, que cresceram 45% face a 2006.
No total foram registados 314 casos positivos, o valor mais elevado desde 2001. Não são necessariamente mortes por overdose, mas situações em que foi pedida a pesquisa de substâncias psicotrópicas. Embora continuem a predominar os opiáceos (55%), a presença de metadona (mais 112%) e de canabinóides (mais 81%) registaram as subidas percentualmente mais significativas.
O segundo inquérito nacional ao consumo, que abrangeu indivíduos com 15 a 64 anos, revela que a percentagem da população portuguesa que já consumiu drogas alguma vez na vida aumentou de 7,8% em 2001 para 12% em 2007.
Idêntico é o intervalo da subida na faixa dos 15 aos 34 anos, que passa de 12,6% em 2001 para 17,4 por cento no estudo mais recente. Apesar do peso ainda ser baixo, o ecstasy regista a maior subida percentual: de 1,2 para 2,6%.
A cannabis reforça, ainda assim, o destaque como substância ilícita mais consumida em Portugal. Conclusão evidente tanto no inquérito nacional como nos já referidos processos de contra-ordenação. No total destes casos, 64% envolviam só cannabis.
Há, contudo, excepções: nos distritos de Bragança, Faro e Santarém predominaram as ocorrências relacionadas só com heroína, o que aconteceu pela primeira vez desde 2003. O Porto, por seu lado, destaca-se por concentrar o maior número de processos envolvendo várias drogas - um quarto do total.
No patamar dos processos-crime, foram 1420 os indivíduos condenados, no ano passado, ao abrigo da Lei da Droga. A esmagadora maioria por tráfico, mas há ainda 2% em que o tráfico surgia associado a consumo e 1% apenas de consumo - isto porque o cultivo, mesmo que para uso próprio, constitui crime. A idade média dos condenados situa-se nos 29 anos e 86,4% são homens.
A 31 de Dezembro estavam detidos 2.524 indivíduos condenados por estes crimes, representando 27% da população reclusa. Pela primeira vez desde 2000, foi interrompida a tendência decrescente deste peso no universo global de reclusos, sendo aquela percentagem idêntica à de 2006.
Em contraponto a indicadores mais sombrios, João Goulão, presidente do IDT e coordenador Nacional do Combate à Droga e Toxicodependências, congratula-se com a consolidação de "tendências importantes". É o caso da redução de "consumos problemáticos, designadamente do consumo endovenoso", ou da estabilidade da incidência das doenças infecciosas entre os utentes em tratamento. Os valores de positividade para o HIV oscilam entre 9 e 29% (dependendo das estruturas de tratamento em causa), mas os mais altos são os da Hepatite C, que vão de 39% a 52%.
2008-11-13
http://www.jn.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=1043066&page=1

JOSÉ ALENCAR. A LUTA CONTRA O CÂNCER FOI UM BELO EXEMPLO DE RESISTÊNCIA.

http://www.sponholz.arq.br/

terça-feira, 29 de março de 2011

LEGALIZAR MACONHA NÃO ENFRAQUECE CRIME ORGANIZADO NO BRASIL. (diz representante da ONU)

BAÚ DE TEXTOS

Representante defende que país ajude vizinhos a combater o tráfico de drogas
Marina Novaes, do R7, em Belo Horizonte

Embora as drogas sejam uma das principais fontes de renda do crime organizado, a descriminalização da maconha não deve enfraquecer facções criminosas como o PCC (Primeiro Comando da Capital), de São Paulo, e o Comando Vermelho, do Rio de Janeiro. É o que diz Bo Mathiasen, representante da UNODC (Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes), da ONU (Organização das Nações Unidas).



O dinamarquês foi um dos palestrantes desta quinta-feira (6) do 1º Simpósio Sul Americano de Políticas Sobre Drogas, em Belo Horizonte. Em entrevista, após o evento, ele defendeu a manutenção da proibição da maconha devido ao “mal que ela pode causar” no corpo, mas minimizou a importância deste entorpecente no crime organizado.
- O crime organizado não existe em função da maconha. [...] Legalizar a maconha não vai trazer impacto nenhum sobre as facções criminosas.
O tema não encontra consenso entre os especialistas que participaram do encontro. A descriminalização da maconha, porém, já tem alguns defensores famosos no meio político, como o ex-ministro do Meio Ambiente Carlos Minc e o ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso.
De acordo com o último relatório da ONU sobre o consumo mundial de drogas, divulgado em junho de 2009, a maconha ainda é o entorpecente ilícito mais consumido no mundo, já tendo sido usado por cerca de 3% da população mundial.
Enfrentamento
Para o representante da ONU, embora o Brasil tenha evoluído muito em relação ao combate ao tráfico de drogas, o governo federal deve investir em políticas públicas relacionadas ao tema em países da fronteira, como o Paraguai, porta de entrada de grande parte das drogas que chegam ao país.
- Para combater a droga e melhorar a segurança da região, o Brasil deve ajudar os países vizinhos a enfrentar o problema, pois é um líder regional.
Vedete da discussão sobre drogas no país, o crack não figura entre as drogas ilícitas mais consumidas do mundo, aponta a ONU. O representante do órgão, porém, alerta para a necessidade de se desenvolver políticas próprias para o combate a esse entorpecente e defende a ampliação de pesquisas sobre o tema.
O dinamarquês elogiou a instalação das Unidades de Polícias Pacificadoras em comunidades do Rio.
- É difícil dizer qual modelo seguir, mas ideias como essa são muito positivas. O Brasil está no caminho certo, mas tem o desafio de não deixar que esses bolsões de violência, onde existem um “poder paralelo”, continuem a crescer.
O próximo relatório da ONU sobre o consumo de drogas no mundo – no qual serão apresentados diversos dados sobre o Brasil – está previsto para ser lançado em 25 de junho deste ano. O simpósio continua até sábado (8).
*A jornalista viajou a convite da Assembleia Legislativa de Minas Gerais
publicado em 07/05/2010:

POR ONDE ANDAM OS SACERDOTES DA IGREJA DE CRISTO? Promovendo a luta de classes?

BAÚ DE TEXTOS

O texto a seguir, publicado na revista Época, no ano 2000, 11 anos!, poderia ser tomado como um indicador seguro de como a situação intelectual no Brasil piora sempre mais. Sempre mais miserável.

Em primeiro lugar, no final dos anos 90, Olavo de Carvalho publicava seus textos em diversos veículos, como Zero Hora, Jornal da Tarde, O Globo e revistas Época e Bravo. Há algum tempo escreve apenas para o Diário do Comércio, de São Paulo. Apenas não diminui, em absoluto, a importância e a coragem do veículo, pois o que foi mostrado é a diminuição do espaço para alguém como o filósofo é uma prova de que há uma teia hegemônica de esquerda emburrecida e impermeável a ideias diferentes e à própria crítica. 

É claro que isso não significa que Olavo de Carvalho não tenha leitores, ao contrário, criou, pelo seu trabalho de décadas, um espaço próprio, e é lido e levado a sério por milhares de pessoas. E isso parece render frutos, graças a Deus, embora talvez não possa ser bem notado ou mensurado na chamada mídia tradicional.
  
Em segundo lugar, o texto, atual, vivo, pulsante, contrasta com o ambiente idiotizado pelo politicamente correto,  pelo multiculturalismo, pelo relativismo cultural e, pior, pela destruição da visão cristã, central na sociedade ocidental. A cada ano a aumenta a abstração do indivíduo, em troca do coletivismo, do grupo cultural, e das minorias como unidades. Não há mais espaço para a compaixão.  


Da piedade ao orgulho
Olavo de Carvalho
Época, 7 de outubro de 2000

O trajeto do catolicismo de esquerda termina na beatificação do Mal

“Lênin era completamente indiferente ao sofrimento humano, que só o comovia quando apto a sublinhar seu ódio ao capitalismo.” Quem diria que essa observação de Franz Borkenau sobre o inimigo jurado do cristianismo viria um dia a poder aplicar-se, ipsis litteris, aos sacerdotes da Igreja de Cristo?

No entanto, quem ler as declarações de certos bispos brasileiros nos últimos anos haverá de reparar que, nelas, a piedade e a compaixão, longe de ocupar o centro e o topo de seu universo de valores, estão sempre subordinadas a um projeto político, reduzidas a instrumentos e adornos retóricos da luta de classes: não é qualquer sofrimento que merece a atenção dessa gente – é só aquele que, exposto, sirva para despertar o ódio e a revolta contra o governo, os ricos ou o FMI.

Isso é empiricamente verificável por simples análise textual, e basta para comprovar que tais indivíduos não são cristãos nem mesmo num sentido remoto e figurado da palavra. São simplesmente comunistas. São movidos pela mesma ambição milenarista que tornava Lênin tão insensível ao padecimento alheio quanto sensível às oportunidades de aproveitá-lo politicamente.

Compaixão é sofrer junto, é partilhar de uma dor que nem sempre se pode aliviar. É afeição que não entra em nosso peito sem trazer consigo a lembrança de nossa fragilidade, portanto a exigência incontornável da humildade e da paciência. Um dos atrativos mágicos do socialismo é justamente a perspectiva de nos libertar desse sentimento constrangedor, absorvendo-o e superando-o na síntese moral de um serviço prestado à História. O Bem, aí, identifica-se com a vitória sobre o presente, com a criação do “mundo melhor”. 

A convicção de servir ativamente a esse Bem infunde no homem tamanho amor-próprio que ele já não precisa das virtudes passivas, restos sombrios de uma era de submissão e impotência.

Por isso o comunista não se deixa afetar pelo sofrimento de seus contemporâneos. Ele já lhes deu o que há de melhor: sua luta pelo futuro, sua promessa de construção do socialismo. Que mais poderiam exigir?

Com as velhas virtudes abandonadas, vai embora também a consciência de culpa – e o neovirtuoso, com a maior naturalidade, subtrai-se aos julgamentos humanos. Aponte-lhe os pecados, e ele não verá em você senão a obstinação do Mal antigo que resiste ao advento do novo Bem. Já não há outro pecado no mundo senão o “reacionarismo”: quem está livre deste é puro por definição e eternamente imaculado e imaculável, faça o que fizer.

É por isso que o saldo de 100 milhões de mortos e a miséria indescritível criada pelas economias socialistas não abalam em nada a boa consciência esquerdista, imersa de uma vez por todas numa atmosfera embriagante de autobeatificação que transfigura em expressões supremas do Bem e do amor todos os crimes e desvarios: L'amour en action voilà la révolution.

É também por isso que com tanta desenvoltura a mais anticristã das ideologias se adorna do encanto residual de um cristianismo em dissolução. Esse fenômeno encontra sua cabal explicação, com séculos de antecedência, na fórmula de Agostinho: “Todos os vícios se apegam ao Mal, para que se realize; só o orgulho se apega ao Bem, para que pereça”.
É dos pastores desse novo culto que o rebanho foge, buscando abrigo nas igrejas evangélicas.

POR PACHAMAMA! O QUE ENTES DO PAGANISMO FAZEM NA CAMPANHA DA FRATERNIDADE?

http://runaperfeita.blogspot.com/2008/10/pachamama.html

Os europeus que vinham para o Brasil no século 16, distantes de seus códigos originais, naquela nudez tropical onde só a natureza era virgem, botavam prá quebrar. Vem daí a frase tão sedutora aos embarcados nas aventuras ultramarinas: não existe pecado ao sul do Equador. Pois a cada quaresma, o comando da CNBB recicla a frase. É como se nestas bandas só existisse o pecado da produção, do mercado, do consumo e do lucro. Em tudo mais têm os fiéis indulgência plena, contanto que militem na guerra santa contra um desenvolvimento social e econômico que passe pela economia de empresa.
 
Para os puxadores do samba do atraso, ou nos arrependemos do lucro, ou arderemos no inferno. Ou saímos definitivamente desse lupanar chamado mercado, ou sufocamos em sulfeto de hidrogênio (aquele composto malcheiroso, normalmente associado à presença do maligno). De lambuja, neste ano, somos orientados para o neopaganismo do Leonardo Boff: o hino da CF-2011 canta a "mãe terra" e declara que o planeta é "a mais bela criatura de Deus"! Surpreso, leitor? Eu não. Falando em sulfeto, li, desde a curva do cabo até a ponta do rabo, o texto-base desta Campanha da Fraternidade.
 
Não proponho a ninguém a mesma penitência. Suas 32 mil palavras enchem 63 páginas. Metade delas introduz no confessionário cristão pautas tão penitenciais quanto clorofluorcarbonetos, metano, dióxido de carbono, ozônio, potencial hidrogeniônico, hexafluoreto de enxofre e dióxido de enxofre (só pode ser no meio desse enxofre todo que o diabo se esconde). Tal conteúdo, que ninguém precisa ser assessor da CNBB, católico ou bispo da Teologia da Libertação para baixar da internet e passar por sabichão, chega ao texto com os objetivos fundamentais acima. Lembrando-os: pau na economia de empresa, pau no mercado, pau no consumo.
 
Nesta quaresma, a classe dos judas a serem malhados ganhou mais um membro. Há outros pecadores públicos abaixo do Equador. São os produtores de commodities agrícolas. Gente perversa, que cultiva grande quantidade de coisas tão descabidas como trigo, soja, arroz, algodão e cana. Atenção! Há muito, muito mesmo, a corrigir no uso que fazemos dos recursos naturais. Tampouco estou negando a necessidade do zelo ambiental, nem desconsiderando o fato de que devemos manter em relação à natureza um senhorio responsável, na condição de zeladores prudentes de um patrimônio precioso que devemos legar às gerações futuras.

Mas considero necessário dizer que, em essência, são os "paradigmas civilizacionais do Ocidente", tão condenados no nº 61 do documento, que, bem ou mal, permitiram ao planeta acolher mais cinco bilhões de habitantes no último século. Tese oposta leva ao que faz o texto-base quando aconselha, no nº 51, que os sistemas de produção, para manter mais gente no campo, deveriam ser antieconômicos e os alimentos deveriam custar mais caro!

Terminei a leitura da peça com a convicção de que ninguém representa melhor o espírito desta quaresma do que os fanáticos do Greenpeace. Até quando os bons bispos vão tolerar essa situação?

http://www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/11955-puxadores-do-atraso.html


sobre a campanha de 2010

Entristece-me o fato de a CNBB jamais esclarecer que ela não é a Igreja Católica. A CNBB é um ente burocrático, um órgão de apoio, de auxílio aos bispos. No entanto, o silêncio sobre sua verdadeira natureza faz com que, entendida como "a" Igreja Católica (algo infinitamente superior ao que a CNBB de fato é), ela se misture e nivele a outras organizações da sociedade (OAB, ABI, CUT, MST, etc. e tal). É uma pena.

A minha consternação se agrava, contudo, pela reiteração de certos equívocos que ficam bem nítidos na atual Campanha da Fraternidade. Um deles está na confusão entre os campos da Economia e da Política. Os documentos da CNBB são useiros e vezeiros em misturar essas duas esferas da atividade humana, atribuindo à primeira aquilo que é próprio da segunda. Como consequência, pretendem conferir aos agentes econômicos obrigações inerentes às instituições políticas.

Trata-se de uma desatenção ao próprio pensamento católico, que reconhece a autonomia das duas esferas. De um sistema econômico se espera que produza, ao máximo de suas possibilidades, riqueza, desenvolvimento, postos de trabalho, tributos e renda, ou seja, condições materiais para a melhoria dos padrões de vida da sociedade. É o que pede a Campanha da Fraternidade de 2010? Não. Ela, enquanto aponta idolatrias e excessos que todos condenam, quer que o sistema econômico nacional, priorizando a partilha e a solidariedade, rejeite as exigências do mercado, do consumo e do lucro. E gere empregos e tributos com penitência e oração?

Toda consciência bem formada se revolta com as tragédias da pobreza material, feitas de analfabetismo, baixo nível educacional e cultural, más condições habitacionais e sanitárias, abandono dos aposentados. Feitas também por corrupção, esbanjamentos, mordomias, absurdos desníveis na remuneração do serviço público e maus governos. Não é com a superação desses embaraços que venceremos a miséria e os desníveis sociais? Pois é tudo campo da Política! Miséria e desníveis sociais são temas para os poderes públicos, que se apropriam de 40% do PIB nacional!

As justas preocupações com partilha e solidariedade deveriam focar, principalmente, essa brutal ruptura com o Princípio da Subsidiariedade. É grave erro da Campanha não dizer que os problemas do Brasil são muito mais políticos do que econômicos. Muito mais institucionais do que empresariais. Bons governos, com boas políticas, enfrentam essas dificuldades valendo-se da competente operação do setor privado.

Outro erro, ainda, está na influência marxista que se derrama sobre boa parte dos documentos da CNBB. Neles, o pobre, o pobre do Evangelho, sob influxo da mais do que reprovada Teologia da Libertação (TL), vira excluído. E fica subentendido que o excluído está excluído porque o incluído não o quer dentro. Assim, o apelo evangélico à caridade se converte em luta de classe.

E saiba leitor, que Bento XVI, ainda agora, no dia 5 de dezembro, olho no olho, advertiu os bispos brasileiros do Sul III e IV contra "os princípios enganadores da TL" e para "o perigo que comporta a assunção acrítica, feita por alguns teólogos, de teses e metodologias provenientes do marxismo, cujas sequelas mais ou menos visíveis, feitas de rebelião, divisão, dissenso, ofensa e anarquia fazem-se sentir ainda, criando, nas vossas comunidades diocesanas, grande sofrimento e grave perda de forças vivas". Será preciso dizer mais? 
ZERO HORA, 28/02/2010 

http://www.olivereduc.com/igreja_cat_lica__1__erros_da_campanha_da_fraternidade.html
ERROS DA CAMPANHA DA FRATERNIDADE

Percival Puggina
03/03/2010

O ENIGMA DE KASSAB. Um partido que não tem posição, mas será a favor do Brasil.

Diante da pergunta do repórter da ESPN sobre a linha ideológica do partido que será criado, o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, respondeu: 

__ Olhe, não será de direita, não será de esquerda, nem de centro. É um partido que terá um programa a favor do Brasil.

Não sendo de direita, poderia ser de esquerda.
Não sendo de esquerda, poderia ser de direita.
Não sendo nem direita e nem esquerda, poderia ser de centro, em que pese a ambiguidade de tal posição. Nem, nem.
Agora, se nem é direita, nem esquerda e nem centro, além de ganhar um programa a favor  (os outros partidos têm programas contra?) o Brasil estará no caminho de novas invenções em política.

Êta país criativo.