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sábado, 9 de abril de 2011

A TRISTE HISTÓRIA DAS TRIGÊMEAS DE CURITIBA (VII). A HISTÓRIA É MAIS TRISTE DO QUE PARECIA. Mãe teria tentado abortar uma das filhas no exterior.

O caso das trigêmeas de Curitiba, nascidas no dia 24 de janeiro, e que tem sido seguido com  grande interesse pelos brasileiros, parece ser bem mais complicado do que parecia no início da divulgação.

Segundo informações que circulam na imprensa, a mãe, uma economista com menos de 30 anos (o pai é um nutricionista da mesma faixa etária), teria tentado ajuda, no exterior, para abortar uma das filhas, uma vez que o casal queria apenas gêmeas. Como o caso corre sob sigilo, na Justiça, sabe-se, apenas, que o desembargador Ruy Muggiati, que seria o responsável por avaliar a respeito da guarda das crianças, posicionou-se contrário à devolução da guarda das meninas aos pais. 

Para fundamentar a sua argumentação, o desembargador se apoia na declaração de uma psicóloga do hospital dizendo que prestou atendimento ao casal, pais das trigêmas.  O teor da declaração da psicóloga é o seguinte:

“De acordo com o atendimento prestado ao Casal (…), ambos afirmaram terem feito fertilização para ter filhos, após a implantação de 4 óvulos, 3 fertilizaram, e destes três bebês os pais afirmam querer apenas duas das três meninas. Durante o atendimento prestado ao casal, ambos estão de acordo com esta situação, sendo que durante a gestação foram atrás de meios para abortar o terceiro bebê em outros países”, relata a profissional. Conforme a imprensa, a psicóloga teria concluído que os pais não têm saúde mental para cuidar das filhas.
O casal que quis deixar uma das trigêmeas em uma maternidade de Curitiba, depois de fazer inseminação artificial, procurou clínicas fora do País para tentar abortar a gestação. A afirmação consta em despacho judicial, de 14 de março, publicado no Diário Eletrônico do TJPR. A advogada do casal, Margareth Zanardini disse que a divulgação deste documento, no Diário Eletrônico do Tribunal de Justiça do Paraná,  foi um erro, e que jamais deveria ter sido feito. “Isto prova que não são só as pessoas que erram.  O Poder Judiciário também erra”, declarou Margareth.Anteriormente, Zanardini declarou que recorreria à Justiça Internacional, se preciso, para obter as crianças de volta aos pais.

A mãe também teria rejeitado uma das filhas 

Uma nova informação no caso das trigêmeas de Curitiba é que a princípio pensava-se que apenas o pai havia rejeitado uma das filhas. Agora, com a declaração da psicóloga de que o casal procurou meios de fazer aborto em uma das crianças, fica claro que a terceira filha foi rejeitada também pela mãe.
Advogada Adriana Hapner *

Dra. Adriana Hapner, advogada especialista em Direito Familiar, disse  "o documento demonstra a disposição do casal em praticar o crime do aborto em um filho que passou pelo planejamento."  A advogada disse que isso é muito relevante ao processo, pois demonstra a intenção do casal.

Ela esclarece ainda que se a mãe tivesse manifestado o desejo de ficar com as três filhas desde o início, isso seria uma divergência e poderia ser permitida à mãe, separada do marido, ficar com a guarda das trigêmeas. No entanto, a posição dela com relação ao assunto fica bem clara durante todo o processo. Ela também rejeitou a terceira filha. 

Segundo Hapner, o processo deve demorar alguns meses, porque é necessário uma investigação bem cautelosa a respeito do posicionamento atual dos pais, ou seja, o arrependimento. Para a advogada, não existe a possibilidade de o arrependimento ter sido algo de momento. A Justiça tomou conhecimento de uma documentação, feita cinco meses antes do nascimento das crianças, onde os pais “disponibilizaram” uma das filhas para adoção.

Adriana esclarece que este documento não tem validade jurídica alguma, mas que ele terá muito peso no processo, porque demonstra a intenção do casal de ficar com apenas duas das três filhas. Ela diz ainda que, por muito tempo, esta foi a postura dos pais, mas que, se no momento do nascimento das trigêmeas; se ao ver os bebês eles tivessem se arrependido e reconsiderado sua postura, isso poderia ajudá-los agora. Mas, isso não aconteceu. Depois que as trigêmeas nasceram eles continuaram firmes na decisão de ficar com apenas duas, e o arrependimento só veio depois que o Ministério Público decidiu que eles não poderiam ficar com nenhuma das filhas.

JUSTIÇA NEGOU DEVOLUÇÃO AOS PAIS
Por tais razões, a última decisão da Justiça foi de negar o pedido de habeas corpus para que as crianças retornem aos pais, pois, segundo o juiz, os pais são totalmente incompatíveis com o exercício da paternidade e da maternidade, e a manutenção das crianças num abrigo tem como objetivo principal, protegê-las.

Cinco meses antes de as meninas nascerem, no dia 9 de agosto de 2010, foi feito o primeiro documento pelos pais dizendo que queriam doar uma das trigêmeas. O pedido foi reafirmado no dia 18 de fevereiro, desta vez já com a escolha de qual bebê seria abandonado. Oito dias depois, os pais voltaram atrás e disseram que não queriam mais deixar uma das crianças para adoção. Mas aí a Justiça já tinha decidido tirar os três bebês da família.

A devolução das crianças aos pais ou o pedido de amamentação, feito diversas vezes pela advogada nas últimas semanas, em primeiro e segundo grau de jurisdição, foram todos negados até agora. “Conforme se vê, todos os atos que importaram na privação da convivência dos pais com as trigêmeas resultaram dos métodos adotados pelos genitores para escolher qual filha seria rejeitada e posta à adoção que, segundo o representante do Ministério Público, seriam completamente incompatíveis com o exercício da paternidade e maternidade”, diz a Justiça.

Enquanto a Zanardini diz que a decisão da Justiça foi drástica e precipitada, o desembargador Ruy Muggiati, que assina o despacho, contesta as afirmações e diz que não há no procedimento “qualquer ato arbitrário ou ilegal da autoridade pública a permitir a impetração do presente remédio constitucional”. O processo tramita na 1ª Vara da Infância e da Juventude.

O argumento da advogada de defesa, que também consta no despacho, é de que a decisão de colocar uma das meninas para adoção teria partido do pai e que não houve compreensão sobre isso. “O pai induziu a genitora a dar uma das meninas para adoção e, apesar de o caso ser inédito, os pais ficaram incertos em qual criança entregar, ao invés de receberem tratamento psicológico, foram taxados de insensíveis”, diz a advogada do casal no processo.
Procurada, a advogada não quis conversar com a reportagem do iG nesta sexta-feira.

Pois é, caros leitores, um situação complicada.
Querer tanto ter filhos e depois, na hora em que se consegue realizar o sonho pretender escolher, entre as três, aquela que deveria morrer (no caso de ser verdade a intenção de aborto)  ou ser adotada.

Estou começando não gostar dessa gente.

E você, o que acham disso tudo?  

quinta-feira, 7 de abril de 2011

A TRISTE HISTÓRIA DAS TRIGÊMEAS DE CURITIBA (VI). Os pais não são os monstros que estão pintando, diz a advogada

Ficará a juíza responsável pelo caso das trigêmeas de Curitiba convencida de que os pais das crianças poderão ter de volta o direito de cuidar delas? 

A advogada Margareth Zanardini, contratada pelos pais das meninas trigêmeas que nasceram em 24 de janeiro, em uma maternidade de Curitiba, diz que já está de posse de dois laudos feitos por especialistas (um psicanalista e um psiquiatra) que garantem que os pais têm plenas condições para cuidarem de suas filhas.

Provavelmente esses são laudos providenciados pela defesa. A Justiça deverá determinar, se é que já não tomou tais providências, que os pais sejam, obrigatoriamente, submetidos a peritos credenciados na Justiça, indicados pela juíza.

Assim mesmo a questão é polêmica, uma vez que as meninas, hoje, estão sob abrigo da Justiça, cuidadas pelo Conselho Tutelar de Curitiba. Embora eles (ele nutricionista, ela economista, com menos de 30 anos) sejam os pais das crianças (geradas por métodos artificais), eles criaram uma situação que feriu o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) ao tentarem deixar, segundo os relatos da imprensa e de funcionários da maternidade, uma das crianças no hospital, para que fosse adotada por terceiros.

Segundo  a advogada disse à imprensa,  “o laudo da psicanalista, com mais de 25 anos de experiência, está pronto e garante a total capacidade dos pais para criarem as crianças. O laudo do psiquiatra não está pronto, mas acredito que irá na mesma direção`, disse ela.

Os avós paternos das trigêmeas também já foram ouvidos pela Justiça, que quer saber se eles podem ficar com a crianças. Para Zanardini, o casal está muito abalado e preocupado com o bem estar das meninas.
foto apresentada pela advogada (reprodução)

A advogada, inclusive, divulgou imagens de três berços que eles compraram para mostrar que estão arrependidos e querem as trigêmeas. ´Eles não são esses monstros que estão pintando. A distância dos pais será muito prejudicial para essas crianças, já que nem amamentadas pela mãe elas estão sendo.”

Margareth Zanardini não quis comentar o motivo que teria levado o pai a manifestar intenção de querer apenas duas das três crianças. Alegou segredo de justiça. Mas a advogada disse que a mãe das trigêmeas estaria sofrendo de depressão pós-parto, o que justificaria o estranho comportamento do casal diante das próprias filhas.

O casal fez um tratamento em uma clínica de reprodução assistida de Curitiba. Eles queriam ter duas filhas, mas, antes do nascimento, foram avisados pelo médico responsável pelo tratamento que nasceriam três bebês. Na maternidade, segundo a imprensa relatou, o pai teria escolhido as meninas mais saudáveis e tentou abandonar uma das recém-nascidas, com problemas respiratórios. A advogada Zanardini não nega que algo aconteceu na Maternidade, mas diz que o caso está sob segredo de Justiça e que “é mais ou menos assim”, não explicando a atitude do pai.

O caso gerou imensa repercussão no Brasil, uma vez que não é comum pais desejarem filhos, conseguir tê-los, com o apoio da Ciência, e, depois, pretender escolher os com melhor saúde aparente, segundo as matérias da imprensa, deixando uma criança, rejeitada, para adoção. Muito estranho, de fato.

Vamos dar um crédito aos pais. Mas foi tudo muito inusitado. Geralmente uma escolha dessas é rara. Quando há situação de risco à vida ou à saúde dos filhos, os pais querem protegê-los. 

O caso de Curitiba remete a duas histórias: uma, a bíblica, sobre as duas mulheres que disputam uma criança,até que Salomão decide cortar a criança ao meio para testar o amor das mulheres. Vocês sabem o final. A outra: sugiro que assistam ao filme A Escolha de Sofia 

LEIA NESTE BLOG A HISTÓRIA DE JOSELY E JULIANA DE OLIVEIRA, AS IRMÃS DE CUNHA QUE SOFRERAM NAS MÃOS DE UM PSICOPATA. 

terça-feira, 5 de abril de 2011

A TRISTE HISTÓRIA DAS TRIGÊMEAS DE CURITIBA (V). A saga das pequenas irmãs e a desmesura humana

A história das trigêmeas de Curitiba, apesar de chocante, está criando a oportunidade para as pessoas conversarem sobre coisas como a paternidade, o uso da ciência para facilitar a concepção, a crueldade ou a loucura humanas, os direitos das crianças, o tamanho das famílias, os laços afetivos. Muita gente chegou a fazer críticas ao casal como se estivessem, apenas, comprando crianças nas Lojas Americanas e, depois, devolvendo uma por defeito de fabricação. Não sei se os pais das trigêmeas seriam tão fúteis, superficiais e frios. Acho que não.

Todavia, a história continua, e as pessoas acompanham com muita curiosidade o desfecho. Imagino a sensação, em vários bairros de Curitiba, quando aparece alguém com gêmeos ou trigêmeos andando pela calçada. Serão elas?

Imagino, também, o inevitável assédio sobre a família se, por acaso, a juíza determinar, após todos os exames psicológicos e sindicâncias determinadas, que as crianças voltem para os pais. Qualquer casal novo, com aparência de menos de 30 anos será abordado ou olhado com muita curiosidade. 

Imaginem se essas pessoas morarem em um edifício de apartamentos. A mulher esteve grávida, foi ter as crianças e não voltou com elas. A vizinhança, certamente, deve desconfiar de algo. Estariam mais protegidos se morassem em alguma casa mais isolada, em um condomínio mais retirado?

E a vida das crianças? Haverá algum espírito de porco que contará a elas tudo o que aconteceu? Como os pais lidarão com isso? Que situação complicada! E se as meninas souberem, um dia, e tiverem que tratar do assunto?
A grande questão será: qual de nós teria sido  deixada no hospital?

NA JUSTIÇA

Enquanto nos distraimos com tais questões, os pais das trigêmeas podem ficar mais tranquilos,pois, perante a lei, não cometeram um crime. E a consciência, pergutarão alguns? E tudo aconteceu sob as vistas de Deus, dirão outros. Sim, é verdade. Mas, segundo os especialistas eles cometeram infração administrativa (conforme o artigo 249 do ECA), pois descumpriram deveres familiares.

Para o advogado Ariel de Castro Alves, vice-presidente da Comissão Nacional da Criança, da OAB, "Esse caso é bastante grave. É como se o casal estivesse tratando as crianças como produtos. Elas estão na estante e eles escolhem, mas não são produtos. Quando resolveram participar desse tipo de reprodução, de inseminação artificial, assinaram um termo e estavam cientes de que poderiam vir gêmeos ou trigêmeos. Não é uma ciência exata”, disse ele ao G1PR, em matéria de Adriana Justi e Vinicius Sgarbi.

A advogada do casal, Margareth Zanardini, tenta, por meio de recursos, que os pais obtenham o direito de ficar com as trigêmeas, novamente, alegando que as meninas têm direito à amamentação. Alves, segundo se lê, não contesta isso, mas diz:  “Elas têm direito, mas, por outro lado, hoje é possível que as crianças sobrevivam e se desenvolvam sem o leite da mãe biológica. O sistema de saúde pode prover essa amamentação”.

O que, de fato é verdade. Centenas de crianças sobrevivem com leite não materno quando, por exemplo, a mãe morre no parto. Podem tomar leite de outras mães doadoras ou leite de origem animal.

Para a presidente do Instituto Brasileiro de Direito da Família, advogada Adriana Hapner, segundo a imprensa, "qualquer pessoas pode encaminhar uma criança para adoção. O que não pode é abanar em situações de risco. No caso dos pais que teriam rejeitado um dos bebês, não houve situação de risco, e eles não cometeram crime, as crianças ficaram na maternidade sob a proteção de médicos e, depois, foram encaminhadas para um abrigo"..

Pelo andar da carruagem, as menininhas farão três meses dia 24 próximo, e ainda estarão no abrigo, talvez longe dos pais.

Leia mais em:
http://g1.globo.com/parana/noticia/2011/04/para-especialistas-pais-de-trigemeas-descumpriram-deveres-familiares.html
http://www.agora.uol.com.br/saopaulo/ult10103u898296.shtml
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20110405/not_imp701762,0.php

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A TRISTE HISTÓRIA DAS TRIGÊMEAS DE CURITIBA (IV). A saga continua. Os pais estão arrependidos e querem ficar com as filhas.

No próximo dia 24 deste mês, as trigêmeas (que nomes receberão? devem estar perguntando os senhores e senhoras)  hoje estão abrigadas em um endereço desconhecido do público, completarão três meses de idade. 
Pode ser até, segundo as informações publicadas, que venham a ficar com os avós. Elas têm todos os avós, maternos e paternos. 

Os pais, segundo publicado hoje, e pelas declarações da advogada da família, Margareth Zanardini, são dois jovens com menos de 30 anos de idade, o pai é nutricionista, a mãe economista. A advogada disse que eles estão arrependidos. Mas não entrou em detalhes, embora tenha dito que as informações publicadas não fossem totalmente certas no que se refere ao fato de que o pai teria pretendido deixar uma das filhas no hospital, para adoção.

Segundo matéria do jornal O Estado de S. Paulo, a advogada disse que não houve "rejeição específica" a um dos bebês, conforme versão apresentada por funcionários do hospital onde elas nasceram. Questionada sobre o que teria levado, então a Justiça a mandar as meninas para um abrigo, a advogada preferiu desconversar: "Não tenho condições de informar isso, pois está nos autos".

O processo corre em segredo de Justiça. Em entrevista coletiva, perguntada se o pai teria tentado deixar uma das crianças no hospital, Zanardini afirmou: "Em parte é verídico". Porém, logo depois, reforçou que não podia falar sobre detalhes do processo. A advogada afirmou que "há mais de um mês os pais querem os bebês".

Segundo o Estado, Margareth fez questão de chamar atenção para as condições da mãe, que se submeteu à inseminação artificial para ter as bebês. "Parece que todos que veem (esse caso) nunca se equivocaram em nada, não sabem que uma mãe, em estado puerperal, pode equivocar-se." A advogada defendeu a nulidade do processo porque a família foi ouvida sem que a mãe tivesse acompanhamento psicológico e sem que fosse assistida por um advogado.

Também se queixou do fato de o direito de amamentação dos bebês ter sido retirado da mãe, com base no laudo de uma enfermeira que teria dito que não havia necessidade do leite materno. "Fomos surpreendidos com a informação atípica."

A advogada disse que o pedido do casal para reaver  a guarda das trigêmeas tem respaldo de artigos do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA, e também de acordos internacionais que garantem às crianças o direito de conviver com os pais. As trigêmeas estão sob guarda provisória de um abrigo, em Curitiba,  já há mais de um mês, mas a notícia só foi divulgada na sexta-feira, depois que algumas informações chegaram à imprensa.

Margareth informou que entrou com duas ações no Tribunal de Justiça do Paraná, em Curitiba. Uma delas para que as crianças tenham garantido o direito de serem amamentadas pela mãe. Segundo a advogada, no hospital onde as trigêmeas nasceram  uma enfermeira atestou à justiça que as crianças não necessitariam de amamentação, e hoje, as crianças estão  privadas do leite materno.

A advogada disse que exigirá ao Conselho Regional de Enfermagem que  revise o posicionamento da profissional. Ela afirma que sua cliente amamentava as três filhas no hospital, sem fazer distinção entre uma ou outra.

Na outra ação,  Zanardini pede a anulação do processo da retirada da guarda das trigêmeas.  A defesa se baseia na Lei 12.010 de 2009, que informa que a legislação brasileira prioriza a manutenção do vínculo familiar. A Lei trata das regras para adoção e  determina que o poder público faça o possível para manter o vínculo da família.

A advogada disse também que  a juíza que está cuidando do caso ouviu os avós paternos e maternos das trigêmeas,  para avaliar se eles têm condições de ficar com a guarda das crianças. A decisão deve sair nos próximos dias. A avaliação psicológica dos pais ainda está sendo feita. Zanardini também questionará o porquê de os pais terem sido ouvidos pela Justiça sem a presença de um advogado.

Quando questionada se o pai tentou deixar uma das meninas no hospital de Curitiba, como foi divulgado, Margareth disse que “em parte, é verídico”.  Mas, logo após disse que não poderia opinar porque o processo está correndo em segredo de Justiça.  
Como o caso das trigêmeas corre sob segredo de Justiça, só saberemos sobre a decisão final quando a juíza responsável pelo processo der a sentença final. Claro que, caso a família não aceite, poderá, sempre, recorrer.

Não sei o que acham os leitores, mas, ao fim das contas, talvez seja sempre melhor os filhos ficarem com os pais.
Imaturos? Talvez, mas parece que esta foi uma enorme lição de vida.
Irresponsáveis? Não, afinal queriam filhos e buscaram até ajuda médica para isso. 
Assustados com o fato de serem três? Quem não ficaria apreensivo, hoje, em dia, com três bocas a mais para alimentar. Mas, pelo que se sabe, não houve susto. O médico já havia informado, desde o início à família.
O que aconteceu, de fato, no Hospital? Talvez nunca venhamos a saber. Se, como disse a advogada, o fato "em parte é verídico", algo realmente houve, e levou a Justiça a tirar a guarda das crianças dos pais.
Mas, algo realmente aconteceu.
Caso contrário, qual seria a razão do arrependimento?


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segunda-feira, 4 de abril de 2011

A TRISTE HISTÓRIA DAS TRIGÊMEAS DE CURITIBA (III). Talvez os avós possam ficar com as crianças, provisoriamente.

A advogada dos pais das trigêmeas nascidas em Curitiba, Margareth Zanardini, informou à imprensa que a juíza do caso ouviu os avós maternos e paternos para avaliar se eles têm condições de ficar com a guarda das meninas. A Justiça teria solicitado, ainda, a produção de laudo psicológico para constatar se os pais têm condições psicológicas para ficarem com as crianças. Segundo a imprensa, a decisão pode sair nos próximos dias.
  
Assim, vemos que a história das trigêmeas nascidas em Curitiba contada, originalmente, pela emissora de Rádio BandNews FM, vai ganhando um contorno cada vez mais complicado e dramático. Uma liminar determinou que as três crianças fossem levadas pelo Conselho Tutelar, depois de a maternidade onde nasceram as meninas, ter acionado o Ministério Público. O caso segue em segredo de Justiça.

Penso que a curiosidade popular em relação ao caso tem mais a ver com o fato de que muitos são pais ou querem sê-lo, e o caso se relaciona com a ideia da paternidade, e a impotência e a total dependência de bebês em relação aos adultos. Uma criança fica anos sendo cuidado pelos pais. É um longo processo. Crianças são frágeis e desamparadas, e isso gera forte interesse e desperta compaixão.

Também provoca a imaginação o fato de serem três crianças, o que não é muito comum, e menos comum ainda a versão inicial disseminada pela imprensa de que o casal queria levar apenas duas filhas, deixando uma para adoção. O que, seria, exatamente, o motivo da separação dos pais, por ordem judicial.

As meninas estão, agora, a caminho de completar três meses de idade. Segundo o site G1, a advogada informou que a Justiça teria autorizado um contato de duas horas semanais aos pais com as crianças.

A atitude paterna é que teria motivado a atenção do Ministério Público e do Conselho Tutelar, o que resultou em um processo sigiloso na Justiça e no momentâneo afastamento dos pais em relação às crianças. Muitos criticam o fato dos pais terem, aparentemente, preferido ficar com duas filhas, pretendendo deixar uma no hospital.

A quase ninguém ocorreria isso, uma vez que os pais lutavam para ter filhos, apelando para a ajuda médica e métodos de inseminação artificial. A advogada Zanardini diz, no entanto, que essa não é toda a verdade. Aguardemos os fatos. Segundo as materias publicadas pela Imprensa, a advogada da família, Margareth Zanardini recorreu da decisão judicial, pois considera que as crianças estão sendo prejudicadas, uma vez que não recebendo a amamentação maternal.

A advogada considera isso um tipo de punição às crianças, inocentes nessa história toda. A advogada, Segundo os relatos, também recorre pelo direito dos pais em reaverem as filhas que foram levadas para um abrigo por ordem judicial. Margareth Zanardini disse à imprensa que, caso a Justiça brasileira não atenda aos pedidos do casal que representa, a família deverá, até, apelar a cortes internacionais.

Vejam, senhores leitores, a que trilhas estranhas nos leva a vida. Não creio que os pais planejassem friamente, sabendo das três filhas, levar apenas duas. Seria cruel demais, mesmo porque as informações são de que a família tem recursos para criar as crianças. Creio, como alguns psicólogos se manifestaram, em alguma confusão, alguma pressão psicológica sentida pelo casal. Os psicólogos relatam que é possível que casais sem filhos fiquem estressados durante o processo, devido à alta ansiedade.

Em entrevista ao G1, a advogada disse que a história de que o pai teria tentado abandonar uma das filhas no hospital é verídica “somente em partes”. Entretanto, Zanardini não apresentou a versão do casal, cliente dela, para o caso. O processo corre “sob segredo de Justiça”. Segundo ela, foi feito um pedido, em nome das crianças, enviado à Justiça solicitando o direito de serem amamentadas e visitadas pela mãe. “No Estatuto da Criança e do Adolescente é estabelecido que se deve priorizar o convívio familiar”, ressaltou Zanardini, que diz ter feito um pedido, em nome das crianças, enviado à Justiça solicitando o direito de serem amamentadas e visitadas pela mãe e que resultou na concessão de uma visita semanal de duas horas: “No Estatuto da Criança e do Adolescente é estabelecido que se deve priorizar o convívio familiar”, destacou a advogada.

Segundo os relatos da imprensa, os responsáveis pela maternidade, o Conselho Tutelar e a Promotoria Pública não irão manifestar-se sobre o caso. A advogada, pelo que se lê, negou que uma das crianças tenha insuficiência pulmonar e que os pais tenham tentado sair do hospital levando somente duas das três filhas. Porém, ela disse que não daria sua versão para o episódio pois o caso corre em segredo de Justiça.

É uma questão delicada, de fato, pois a família, apesar de todo o “imbroglio”, tem o direito de tentar ficar com seus filhos, afinal esperaram muito tempo por isso, desenvolvendo, certamente uma relação afetiva. A advogada conta,  segundo a imprensa, que a mãe amamentava as três crianças, logo após o nascimento, enquanto estavam sendo observadas, antes de irem para casa. Para onde não foram até agora, realmente.   

Margareth Zanardini disse à imprensa que a Vara da Infância deveria ter feito acompanhamento psicológico com os pais, antes de retirar as filhas deles. O abrigamento das trigêmeas aconteceu em 23 de fevereiro, depois que as meninas passaram um mês na UTI do Hospital Nossa Senhora de Fátima, em Curitiba. Elas nasceram em 24 de janeiro, fruto de fertilização in vitro (técnica em que o óvulo já fecundado é colocado no útero da mãe).
O processo de inseminação artificial é caro e uma parcela muito pequena da população tem acesso ao tratamento, que custa em torno de 10 mil reais. Em clínicas mais sofisticadas, a inseminação pode custar até 70 mil.
Questionada sobre se o casal conhecia o risco de uma gestação tripla, Zanardini disse que somente os médicos poderiam afirmar como foi o procedimento.

Informações publicadas em:

http://noticias.horahnews.com.br/2011/04/pais-abandonam-trigemeas-no-hospital-em.html




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domingo, 3 de abril de 2011

A TRISTE HISTÓRIA DAS TRIGÊMEAS DE CURITIBA. (II) CRIANÇA AGORA É COMO BONECA DE BRINQUEDO?

A triste história das trigêmeas nascidas em Curitiba corre o mundo. É como se fosse a história do Bebê Diabo, dos anos 70, ou da Loira do Banheiro do ABC. É um assunto que desperta o interesse das pessoas pelo inusitado. Tanto quanto o caso do casal Nardoni que jogou a filha Isabella pela janela do apartamento. Ou do monstro austríaco que teve vários filhos com a própria filha trancada num porão de sua casa por quase 20 anos. Quem não fica chocado? Quem não se comove? Como não falar sobre os dramas e mistérios do cotidiano. 

A ciência evolui, a tecnologia evolui, mas o ser humano, independente de sua cultura e região, continua um animal estranho, amoroso, mas pode ser cruel. Bondoso, mas podendo ser muito mau.

Mundo perfeito, só o mundo das formigas, que deve ser muito chato! 

Não é a qualquer momento que ficamos sabendo que um casal quer ter filhos, consegue por meios artificiais e, na hora em que nascem as criancinhas tão desejadas o pai diz: não quero mais, vou levar só duas.

Psicólogos dizem que a reação dos pais pode ter sido por causa do estresse de todo o processo, desde o início, quando descobriram que não podiam ter filhos. Mas há pessoas revoltadas e que dizem que esperar um filho não é como escolher um produto na loja e despois desistir na boca do caixa.


Abaixo, uma interessante matéria do jornal Gazeta do Povo, de Curitiba, sobre a repercussão do caso:
Por Andréa Morais


Dois professores da Pontifícia Univer­sidade Católica do Paraná ouvidos pela Gazeta concordam que essa possibilidade existe.
O filósofo Jelson Oliveira de­­fende que a tecnologia está fazendo com que as relações entre pais e filhos percam a razão de sacralidade, que sempre as acompanhou desde os primórdios da humanidade.
O bioquímico Sérgio Siqueira, que representa o Paraná na Comissão Nacional de Bioética, manifestou preocupação com a sobra de embriões em clínicas e afirma que, se não for encontrada uma forma de evitar que essa prática persista, a geração artificial de vida deve ser rediscutida. Acompanhe os principais trechos das entrevistas:
* * * * * *
O lado da filosofia
Jelson Oliveira, diretor do curso de Filosofia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná

O que, na sua opinião, difere o processo de geração de um filho por métodos naturais e por reprodução assistida?
O filho tinha, no passado, uma carga muito mais ligada ao sagrado ou ao natural. As relações com os filhos sempre estiveram nas sociedades primitivas, na Idade Média e até na era moderna, marcadas por certa razão de sacralidade. Hoje, essa tecnologia da geração da vida cria poucos vínculos com os filhos. Ela explica tudo e perde-se, portanto, toda a sacralidade da relação. E isso acaba afetando a maneira como um pai recebe o seu filho.

É quase como uma relação de consumo?
O filho hoje está muito ligado à ideia de um produto da tecnologia. Nesse processo você pode descartar um filho como qualquer outro produto, que pode ser recusado se não vem da forma como solicitado. O pai planeja tanto, racionaliza tanto esse filho, que perde toda a sacralidade, mais ligada ao acaso da espera, que hoje praticamente não existe.

E quais são os riscos desse tipo de relação?
Quando o pai trata o filho como um produto, ele não tem a relação de compromisso e de afetividade que um filho exige. Nós não somos só seres que fazemos, somos seres que pensamos, amamos, nos relacionamos com as divindades. Neste cenário, você pode ter uma sociedade com muito mais problemas sociais.

E tem como frear esse processo?
Eu acho que não. Eu pesquiso um autor, chamado Hans Jonas, que escreveu em 1979 O princípio da responsabilidade, em que ele fala das consequências éticas do uso exacerbado deste viés técnico na vida humana. Ele fala, por exemplo, que nós estamos muito próximos do dia em que essa ciência que nos dá crianças como produtos vai fazer com que possamos ir na frente de uma máquina e escolher o filho que queremos ter. Se a gente recusa um filho porque não queria três, mas dois, logo podemos recusar aqueles que nascerem negros, homossexuais, ou com uma síndrome. O poder que a ciência nos oferece é muito bom, mas é perigoso. Ele precisa ser usado com ética, que é o que dá à ciência um certo limite, necessário principalmente quando afeta a vida humana.
* * * * * *
O lado da ciência
Sérgio Siqueira, bioquímico e professor da Pontifícia Universidade Católica do Paraná

Na sua concepção, qual é a diferença entre se ter um filho por métodos naturais e por reprodução assistida?
Na essência, as duas coisas não apresentam diferença. Ambas decorrem do desejo da maternidade e da paternidade, que é um direito garantido a qualquer ser humano. Infelizmente, algumas pessoas têm dificuldades para atingir esse propósito de forma natural e precisam recorrer a métodos artificiais. O problema é quando se esquece, nesse desejo de ser pai ou mãe, dos riscos e implicações, incluindo a probabilidade de uma gravidez múltipla.

Em procedimentos como a inseminação e a fertilização artificiais, quais são os riscos da geração de um filho ser tratada como uma relação de consumo?
O consumo nasce de um desejo de se ter algo, assim como ocorre quando se deseja ter um filho. E hoje, com esse acesso à tecnologia, é realmente possível tratar esse assunto como se fosse uma relação de consumo, na medida em que você está pagando pela chance de ser pai ou mãe. Mas as pessoas precisam ter claras quais são as consequências dessa escolha, o que também se aplica a quem tem filho de forma natural e que também pode abandonar essa criança.

É natural presumir-se que os pais estão preparados para essas consequências. O que pode desencadear uma reação de rejeição?
As mães passam por alterações hormonais que acabam refletindo no comportamento, o que justificaria uma rejeição. Mas isso não acontece com o pai. O que pode ter acontecido, neste caso específico, é que, com o nascimento, o pai tenha se dado conta de que não conseguiria assistir às três crianças, do ponto de vista material e de cuidados. Mas, qualquer que seja o caso, isso é lamentável, porque as crianças não pediram para nascer.

Em janeiro de 2005, as clínicas de fertilização do Brasil tinham cerca de 20 mil embriões congelados. Seis anos depois, esse número é seguramente bem maior. O que o senhor defende que deva acontecer com esses embriões?
Esse problema é muito mais de ética do que técnico. Há toda uma discussão se os embriões já são ou não seres humanos, mas, se não é vida, é potencial de vida e nós temos que respeitar isso. Esse excesso produzido por conta da necessidade de se ter maiores chances de sucesso no processo de fertilização já trata a vida como uma coisa menor e isso é muito triste.

O senhor acha que esses embriões não podem ser usados em pesquisas ou descartados?
Eu acho que não deveriam existir sobras de embriões. Se isso inviabiliza a reprodução assistida, nós teríamos de voltar a discutir se isso realmente vale à pena. Um embrião é no mínimo um potencial de vida, que não pode ser eliminado quando perde a viabilidade.

"Há cerca de três décadas, a ciência conseguiu fazer com que casais com dificuldades de engravidar realizassem o sonho de ter um ou mais filhos. Hoje, no Brasil, todos os anos, pelo menos 25 mil mulheres recorrem à fertilização in vitro e um número ainda maior, mais não especificado pelas entidades médicas, faz inseminação artificial. Nos dois casos o processo deixou de ser natural e a polêmica sobre os efeitos desses procedimentos sempre esteve presente.
Nesta semana, o assunto voltou à cena, depois da divulgação da história de um casal de Curitiba que fez fertilização artificial, gerou trigêmeas, mas rejeitou uma das meninas, porque só queria duas, preterindo a que apresentava problemas de saúde. O debate que se abriu é se hoje as pessoas transformaram o ato de ter filho numa geração de consumo.


Eu mesmo espero que os pais tenham agido sob a pressão do estresse e tenham as filhas de volta. Afinal, eram filhos que queriam. E conseguiram três! Imagino que possam estar aturdidos, assustados com a repercussão do caso, arrependidos profundamente, se forem bons cristãos. Que Deus os proteja, e a suas três filhas e que formem uma família feliz.
Gutenberg.

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