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quinta-feira, 7 de abril de 2011

CHEGA DE PATRULHEIROS DO POLITICAMENTE CORRETO. PRECISAMOS DA LIBERDADE DE EXPRESSÃO. Bolsonaro pode ser um tonto, mas tem o respaldo da Constituição. Como cada um de nós.

Com a correria dos últimos dias não tive tempo de tocar num assunto muito importante. A questão que envolve as declarações contundentes ou exageradas, às vezes meio idiotas,  do deputado Jair Bolsonaro, e as reações, emocionais, histéricas, ou razoáveis de vários segmentos sociais, ou personalidades.

O deputado tem o direito às opiniões dele,  não somente devido à imunidade parlamentar. Mas também tem todo o direito às opiniões dele como cidadão brasileiro. A nossa Constituição garante a total Liberdade de Expressão.

Como Bolsonaro ou qualquer outro cidadão não podemos cometer crimes (ou até podemos, mas são crimes), pois para crimes há leis que os definem e punições específicas. Pode ser que o deputado tenha cometido crime de racismo. Mas isso terá que ser apurado pelas autoridades. Somente a Justiça poderá dizer se cometeu crime.

Quanto às demais opiniões dele, por mais bizarras que sejam, é outro departamento. Já pensaram se todo mundo tivesse que concordar com ele ou com quem o critica?
Uma sociedade aberta, livre, com garantias constitucionais, como a nossa, pode gerar
situações tensas como a decorrente das declarações do deputado sobre homossexualidade ou sobre o projeto da Lei da Homofobia. Mas ele é livre para dizer o que pensa. Assim como qualquer um de nós.

Pode ser até, dado que é político, que esteja  sendo sincero e, com isso, poderá ganhar ou perder votos. O risco é todo dele. Político corre riscos também. Sobre perder o mandato não creio, a não ser que a questão do racismo (iniciada na pergunta da Preta Gil) realmente se configure como crime, depois de tudo muito bem apurado. Se foi crime, que pague, como qualquer um pagaria. A ministra Luiza também andou falando umas coisas meio estranhas. Ministros também devem subordinar-se às leis.

O Brasil anda muito voluntarioso, as ONGs ativistas muito cheias de vontades e não-me-toque. Mas a Democracia é um regime um pouco complicado mesmo,  porque precisamos aprender a conviver com as divergências. Não podemos só querer ganhar no grito.

Gritos nunca são bons argumentos. Aliás, na Democracia precisamos aprender a respeitar a Lei. Mas respeitar a Lei não é impor aos outros os nossos pensamentos e nem querer emparedar quem pensa diferente. Isso é coisa de autoritário fascista. E muita ong libertária está merecendo levar esse carimbo. Autoritários. Fascistas.

Aliás, quando gritam, escondem (ou escancaram!) a falta de argumentos.

Dito isto, vou reproduzir, aqui, o texto de dois leitores homossexuais que se manifestaram enviando seus comentários ao blog do jornalista Reinaldo Azevedo, ancorado no site da Veja, um dos principais jornalistas do Brasil. Reinaldo faz análises, não reportagens. Mas, mesmo sem  ir à rua, dá lições de Jornalismo diárias. É uma verdadeira Universidade do Jornalismo.

O problema é que muitos jornalistas, sem humildade, e que não querem aprender, porque acham que já sabem de tudo, não querem gastar um tempinho para aprender o que é saber usar a Lógica, e não o fígado para apreciar os fatos.

O problema crucial do Brasil, neste campo, é que centenas de jornalistas trabalham com antolhos ideológicos. Sem isso, desmontam no vazio.

Vamos lá:

Texto 1. Leitor que se identifica, nos comentários, como Sherlock:

“Rei, deixei comentário no post anterior (sobre Marcelo Tas e sua filha Luiza), mas acho que deveria ter postado neste…
Sou homossexual e subscrevo as palavras da Luíza. O Bolsonaro que diga o que bem entender. Ou agora todo mundo é obrigado a gostar de gays ou qualquer outra categoria que o politicamente correto nos obrigue?
Finalizando, mas não menos importante: se algum dia eu for agredido por ser homossexual (o que, espero, nunca aconteça), recorrerei à Justiça contra o agressor, mas não por ser homossexual, e sim porque a lei pune a agressão: contra héteros, gays, brancos ou negros."

Texto 2. Leitor sem identificação:

“Olá, Reinaldo.
Li seu texto com um nó na garganta. Leio diariamente seu blog, até quando não deveria (p.ex., no trabalho rs). Sua inteligência dispensa comentários, mas sua sensibilidade me surpreende sempre que você compartilha conosco suas opiniões e vivências de foro mais íntimo. Eu tenho de parabenizá-lo mais uma vez por um belíssimo texto, que me levou a refletir.

Meu pai morreu quando eu tinha sete anos. Lembro que ele era um pai maravilhoso, que adorava me carregar sentado no ombro dele para onde quer que ele fosse. Lembro que, às vezes, eu percebia no olhar dele (e crianças percebem tudo!) uma certa tristeza - ou apreensão, não sei - em relação a mim, que eu não entendia, mas hoje entendo: eu já era gay, embora ainda inconsciente disso, e meu pai sabia. Nasci assim.

Tive uma família maravilhosa, cheia de figuras masculinas que eu admiro e que me inspiram: meu avô, que foi meu grande ídolo, meus tios “machões”, que se desdobravam para compensar a perda do nosso pai e que, até hoje, são meus melhores amigos. Eu penso que meu pai, se vivo, pensaria como você. Eu penso que ele me amaria porque ele já me amava. Eu espero um dia que todos nós vivamos num mundo onde cada um tenha a liberdade de ser o que é e de ser respeitado - respeitando - na sua singularidade, sem paternalismo, sem condescendência e sem direitos especiais em relação a ninguém.

O deputado Bolsonaro tem seus valores, que são frutos da sua história; quer eu concorde com eles ou não, o fato é que eles refletem os valores de muitos brasileiros, e ele, como representante dessa parcela dos brasileiros, tem todo o direito de falar. Acho até bom quando se tem a oportunidade de debater temas delicados no Brasil, onde tudo é acomodado e varrido para debaixo do tapete. Gosto da qualidade do debate que você faz no seu blog, que, não à toa, é o melhor blog de opinião e análise do Brasil. Obrigado por este texto.”

É preciso dizer mais alguma coisa depois dessa  lucidez?

O texto de que trata o leitor 2 , intitulado Pais e Filhos, está linkado ao final deste post.
Leiam com a atenção que ele merece, e vejam se os dois leitores não têm razão em terem dito o que disseram.

Chega de idiotice politicamente correta no Brasil. Precisamos que as pessoas possam dizer o que pensam, como pessoas, não como expressões de segmentos políticos organizados que querem impor suas verdades aos outros calando quem pensa diferente.
Sejam elas índios, gays, mulheres, homens, feministas, negros, brancos, asiáticas, altas, baixas, gordas, magras, feias, bonitas, ricas, pobres, religiosas, ateus, atoas, certas ou erradas. Chega dessa patrulha nojenta, preconceituosa, que deturpa a inteligência e é, muitas vezes, expressão de mau caráter.

Este post é em homenagem ao grande jornalista Reinaldo Azevedo.


http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/geral/pais-e-filhos-2/

domingo, 3 de abril de 2011

VAI VER O PRECONCEITO VIROU MONOPÓLIO DA ESQUERDA. Ou: já aboliram a Constituição do Brasil?

Bolsonaro e o fuzilamento da direita

Guilherme Fiuza,

Revista ÉPOCA
NO BRASIL DE HOJE, COMO SE SABE, NINGUÉM é de direita. Ou melhor: a direita existe, mas é uma espécie de sujeito oculto, que só aparece para justificar os heróicos discursos da esquerda - eterna vítima dela. Lula governou oito anos, promoveu seus companheiros aos mais altos cargos e salários estatais, fez sua sucessora, e a esquerda continua oprimida pela elite burguesa. É de dar pena. Nessa doce ditadura dos coitados, é preciso cuidado com o que se fala. Os coitados são muito suscetíveis. Foi assim que o deputado federal Jair Bolsonaro foi parar no paredão.

Bolsonaro é filiado ao Partido Progressista, mas é uma espécie de reacionário assumido. Defende abertamente as bandeiras da direita - que, como dito acima, não existem mais. Portanto, Bolsonaro não existe. Mas fala - e esse é seu grande crime. Depois da polêmica entrevista do deputado ao CQC, da TV Bandeirantes, o líder do programa, Marcelo Tas, recebeu e-mails de telespectadores revoltados. Parte deles protestava contra o próprio Tas, por ter dado voz a Jair Bolsonaro. Na Constituição dos politicamente corretos - assim como nas militares -, liberdade de expressão tem limite.

A grande barbaridade dita por Bolsonaro no CQC, em resposta à cantora Preta Gil, foi que um filho seu não se casaria com uma negra, por não ser promíscuo. Uma declaração tão absurda que o próprio Marcelo Tas cogitou, em seguida, que o deputado não tivesse entendido a pergunta. Foi exatamente o que Bolsonaro afirmou no dia seguinte. Estava falando sobre homossexualismo e não percebeu que a questão era sobre racismo: “A resposta não bate com a pergunta”, disse o deputado.

Se Jair Bolsonaro é ou não é racista, não é essa polêmica que vai esclarecer. No CQC, pelo menos, ele não disparou deliberadamente contra os negros. Estava falando de promiscuidade, porque seu alvo era o homossexualismo. O conceito do deputado sobre os gays é, como a maioria de seus conceitos, reacionário. A pergunta é: por que ele não tem o direito de expressá-lo?

Bolsonaro nem sequer pregou a intolerância aos gays. Disse inclusive que eles são respeitados nas Forças Armadas. O que fez foi relacionar o homossexualismo aos “maus costumes”, dizendo que filhos com “boa educação” não se tornam gays. É um ponto de vista preconceituoso, além de tacanho, mas é o que ele pensa. Seria saudável que os gays, com seu humor crítico e habitualmente ferino, fossem proibidos de fustigar a truculência dos militares? A entrevista também passou pelo tema das cotas raciais. Jair Bolsonaro declarou o seguinte: “Eu não entraria num avião pilotado por um cotista. Nem aceitaria ser operado por um médico cotista”.

É a resposta de um reacionário, um dinossauro da direita, prescrito pelas modernas ideologias progressistas e abominado por sua lealdade ao regime militar. Mas é uma boa resposta. E agora? Agora o Brasil bonzinho vai fazer o de sempre: passar ao largo do debate e choramingar contra a direita. Eis um caminho de risco zero. Processar Bolsonaro, o vilão de plantão, é vida fácil para os burocratas do humanismo. No reinado do filho do Brasil, até o nosso Delúbio, com a boca na botija do mensalão, gritou que aquilo era uma conspiração da direita contra o governo popular. O filão é inesgotável.

Cutucar o conservadorismo destrambelhado de Bolsonaro é atração garantida. Mas censurá-lo em seguida não fica bem. Parece até coisa dos antepassados políticos dele. A metralhadora giratória do capitão dispara absurdos, mas não está calibrada para fazer média com as minorias - e isso é raro hoje em dia. De mais a mais, se manifestantes negros podem tentar barrar um bloco carnavalesco que homenageia Monteiro Lobato, por que um deputado de direita não pode ser contra o orgulho gay e as cotas raciais? Vai ver o preconceito também virou monopólio da esquerda.

Texto extraído do blog de Rodrigo Constantino:  http://rodrigoconstantino.blogspot.com/