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segunda-feira, 28 de março de 2011

CRISTIANISMO, O BODE EXPIATÓRIO DA MODERNIDADE.


http://www.allmoviephoto.com/
BAU DE TEXTOS
A ideologia de Ridley Scott
Olavo de Carvalho

Quem vê o filme de Ridley Scott, The Kingdom of Heaven, sai do cinema com a impressão de que o cristianismo medieval foi apenas uma ideologia sanguinária de fanáticos, tiranos e ladrões. Nesse quadro, as virtudes do “perfeito cavaleiro” Balian não poderiam ter nascido dos valores religiosos que historicamente criaram a ética de cavalaria personificada nelas, mas aparecem antes como a antítese desses valores e de todo o cristianismo: Balian, duque de Ibelin, só é moralmente superior aos brutamontes ávidos de riqueza e poder que o cercam porque, em pleno ano de 1194, encarna os ideais da democracia iluminista do século XVIII e o multiculturalismo do século XXI.

A Jerusalém que ele quer e defende – a mesma com que sonham aqueles dois outros primores de bondade, o rei leproso e o comandante muçulmano Saladino – é substancialmente a da ONU: um território neutro, supranacional e supra-religioso, onde uma legislação laica assegura a paz entre os diversos grupos de crentes, reduzindo o significado espiritual da cidade a uma questão de “diferenças culturais” que não devem se sobrepor aos interesses superiores da ordem pública. Tal é o “reino de Deus na Terra” como o entendem o duque de Ibelin e o diretor do filme.

Praticamente toda a visão que a modernidade tem da História – pelo menos aquela que se transmite nas escolas e na midia – é constituída de anacronismos, mas raramente eles foram levados ao extremo de fazer de um cavaleiro medieval uma aparição antecipada de Voltaire e Bill Clinton.

A percepção invertida do tempo, à qual o indiscutível talento cinematográfico de Ridley Scott dá feições de realidade verossímil, é a base mesma da mentalidade revolucionária cujo megafone supremo, desde o advento das comunicações de massa, é a indústria do show business. O arremedo de “vida intelectual” que viceja entre astros e estrelas desse ramo multibilionário da economia é o terreno mais propício para aquilo que Willi Münzenberg chamava de “criação de coelhos”: a disseminação de absurdidades politicamente úteis entre tagarelas vaidosos que as transmutam em grandes espetáculos para a completa imbecilização do povo e a glória dos projetos de poder em pauta no momento.

Não é por acaso que, em contrapartida, as belas qualidades morais do general banido Maximus, no filme anterior de Scott, The Gladiator, não precisassem ser explicadas por nenhum deslocamento histórico de sete, oito ou nove séculos, mas aparecessem diretamente como expressões do culto romano dos antepassados. Não somente Scott nada tem contra a religião estatal de Roma, mas esta é, a rigor, a fórmula ancestral do multiculturalismo laico hoje em dia apregoado como remédio universal contra a violência e a guerra (escrevi um livro inteiro sobre isso, não escrevi?).

Também não é coincidência que, em The Kingdom of Heaven, embora as duas grandes religiões em disputa sejam ambas estigmatizadas verbalmente como causas de todos os males, só uma delas seja mostrada na tela como autora de crimes. Claro, para o multiculturalismo, todas as religiões são iguais, mas umas são mais iguais que as outras: é preciso tomar todo o cuidado para não ofender a sensibilidade muçulmana. Caso contrário, como seria possível alegar a sanha homicida da Al-Qaeda e do Hamas como prova da periculosidade das religiões em geral e, como remédio, buscar a extinção, não de todas elas, mas de uma em particular, que por coincidência, por mera coincidência, não é o islamismo e sim o cristianismo?

O fato de que este seja o maior fornecedor de vítimas para a violência islâmica e de que não lhe ofereça outra reação senão melosos apelos à paz mundial não afeta em nada a lógica multiculturalista, na qual os feitos de Bin-Laden, os homens-bomba ou o regime de terror de Saddam Hussein provam de maneira inequívoca a maldade da Santa Inquisição e a necessidade imperiosa de banir da sociedade decente os últimos sinais visíveis da fé cristã.

A ânsia louca de dar alguma aparência de razoabilidade às conclusões práticas dessa silogística infernal levou o governo dos EUA a classificar como terroristas os grupos cristãos que, sem jamais ter matado um mosquito por isso, acreditam dever preparar-se para o fim do mundo acumulando alimentos e armas; ao mesmo tempo, o uso da palavra “terroristas” para qualificar os autores de atentados homicidas contra milhares de americanos é proibido oficialmente como ofensivo – quase tão ofensivo quanto dizer “Merry Christmas” em vez de “Happy Holidays” ou rezar o Pai Nosso em público, coisa que em várias cidades dos EUA pode dar cadeia exatamente como no Irã ou na Arábia Saudita.

Mais ainda, tal como o estrangulamento repressivo da religião nacional, o favorecimento ao inimigo estrangeiro não fica só em palavras: os criminosos protegidos com desvelo paternal contra o termo que mais precisamente os qualifica são retirados das prisões militares para ser levados a julgamento em tribunais civis, com todos os direitos de cidadãos americanos. É a ideologia de The Kingdom of Heaven em ação: quando a obstinação diabólica de levar a mentira às suas últimas conseqüências se torna uma política de Estado, já não é mais possível distinguir entre a ordem pública e a alucinação psicótica.

Mas não é sem motivo que o cristianismo se tornou o bode expiatório da modernidade. No século XVIII, centenas de guias iluminados prometeram que, com a extinção da fé cristã, uma nova era de paz e tolerância se espalharia sobre a Terra. No tempo decorrido desde então, os movimentos políticos ateístas e os Estados laicos já mataram, em guerras e ditaduras, não menos de 250 milhões de pessoas – 1.250 vezes mais do que a famigerada Inquisição espanhola matara em quatro séculos –, e instituíram, mesmo nas chamadas democracias, sistemas de controle social mais opressivos do que o mais rígido inquisidor ou o mais ambicioso tirano da antigüidade poderiam ter desejado.

O sonho utópico da modernidade revelou-se um pesadelo sangrento que em dois séculos ultrapassou, em horror e misérias, todos os males que o “fanatismo religioso” possa ter produzido ao longo de toda a história anterior. Como limpar a imagem da utopia e restaurar a credibilidade da promessa? Só atribuindo os crimes da modernidade a “resíduos” de épocas anteriores, como se meros resíduos pudessem ser mais letais do que a substância ativa. Que esse argumento implique fazer de Stalin um dos doze Apóstolos, de Mao Dzedong um novo São Luís e de Hitler um papa da Renascença é algo que não desencoraja no mais mínimo que seja o raciocinador iluminista: não há limites para o absurdo, quando se aposta nele a salvação da humanidade.

Diário do Comércio, 7 de abril de 2010
http://www.olavodecarvalho.org/semana/100407dc.html

quarta-feira, 16 de março de 2011

OS POLITICAMENTE CORRETOS JÁ DESEMBARCARAM NA TERRA DE SANTA CRUZ. QUEM SERÃO OS PRÓXIMOS?


The White Masjid (A Mesquita Branca)
http://shariah4america.com/
O multiculturalismo - parece que perceberam que é um problema - está criando confusão por onde passa.
Da Europa aos Estados Unidos. Países como a Inglaterra, França, Suécia, Holanda, Dinamarca e outros já começam a registrar uma reação, algumas vezes mais forte, da população, em relação às consequência da adoção das orientações multiculturalistas.

É estranho, revoltante e injusto um cidadão cumpridor das leis perceber que, conforme as circunstâncias, um cidadão de origem étnica diferente, devido à sua cultura de origem diferente, seja julgado por outra lei, se ambos cometeram o mesmo crime. Afinal, a Constituição do País não vale para todos igualmente?

Nos Estados Unidos, forçar a esposa ao sexo, contra a vontade dela, é estupro. Há alguns processos correndo contra islâmicos, residentes nos USA, que estupraram suas esposas mas não querem ser incriminados porque, segundo seus costumes... blá, blá, blá...

Vá tomar cerveja em via pública na Arábia Saudita, mesmo não sendo islâmico, para ver o que acontece.
Multiculturalismo: dois pesos, duas medidas. 

Acessem Shariah 4 America, analisem bem suas propostas e reflitam sobre o que poderemos, a qualquer momento, pegar pela frente.    

segunda-feira, 14 de março de 2011

COMO O MULTICULTURALISMO ESTENDE SEUS TENTÁCULOS NO OCIDENTE

Nem discriminatório, nem supérfluo. Leis que proíbem a Sharia são essenciais para defender a ordem constitucional.

Conforme os americanos ficam sabendo mais sobre o Islã, o aspecto que eles acham mais censurável não é a teologia (como por exemplo se Alá é Deus ou não) nem seu simbolismo (por exemplo, um centro no sul de Manhattan) e sim seu código de leis, chamado de Sharia. E com razão, eles dizem não a uma série de leis que privilegia muçulmanos às custas de não muçulmanos, homens às custas das mulheres e contêm muitos elementos hostis à vida moderna.
 
Newt Gingrich, ex-Presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, deu uma atenção pública sem precedentes ao perigo que a Sharia representa, em julho, quando criticou severamente seus "princípios e suas punições, totalmente abomináveis ao mundo Ocidental", reivindicando uma lei federal, "afirmando que não haverá em nenhuma corte, em nenhum lugar nos Estados Unidos, em hipótese alguma, a permissão de avaliar a Sharia como substituição à lei americana".

Apesar de alguma agitação nessa direção, não existe nenhuma lei federal a esse respeito. Porém as legislaturas em dois estados, no Tennessee e na Louisiana, aprovaram recentemente leis que efetivamente impedem aplicações da Sharia que violem leis existentes e políticas públicas. Além disso, em um referendo em 2 de novembro, os eleitores no Oklahoma, na mesma linha, votaram 70 a 30 porcento para que a constituição estadual seja emendada.

Embora fosse aplaudida por muçulmanos moderados como Zuhdi Jasser, a aprovação da "Emenda Salve o Nosso Estado" alarmou os islamistas. O Conselho de Relações Americano-Islâmicas, corretamente acusado de ter como objetivo "derrubar o governo constitucional dos Estados Unidos", mesmo assim convenceu um juiz regional federal a impor uma ordem de restrição temporária sobre a comissão de eleição do estado em certificar a emenda.

Uma ampla audiência no tribunal poderia, com presteza, motivar mais debates públicos sobre a aplicação da Sharia. Nesse espírito, vamos olhar com mais cuidado a emenda que acabou de ser aprovada no Oklahoma, State Question 755. Ela limita as cortes de Oklahoma de se basearem exclusivamente "na lei federal e estadual para tomarem suas decisões". Por outro lado, ela rejeita a "lei internacional" em geral e de forma específica "proíbe as cortes de levarem em conta ou de usarem a Lei da Sharia", que a define como lei islâmica "com base em duas fontes principais, o Alcorão e os ensinamentos de Maomé".

Críticas da população em geral sobre a emenda, flutuam entre duas respostas contraditórias, alegando ser ela discriminatória ou supérflua.
Discriminatória? Embora o teor seja realmente problemático (não é possível proibir a lei internacional e a Sharia não deveria ser discriminada e chamada pelo nome), o State Question 755 insiste corretamente que os juízes baseiem seus julgamentos exclusivamente na lei dos Estados Unidos.

Contrariando os boatos, a emenda não proíbe a Sharia fora dos tribunais: Os muçulmanos podem se lavar, rezar, comer, beber, jogar, nadar, cortejar, casar, reproduzir, legar em testamento, etc., de acordo com os dogmas da sua religião. Portanto a emenda não prejudica os muçulmanos americanos.

Supérfluo? Não há pesquisa para nos informar sobre a frequência em que juízes americanos se baseiam na Sharia para proferirem julgamentos, mas uma pesquisa provisória mostra 17 instâncias em 11 estados. O caso mais notório talvez seja a sentença de Nova Jersey acerca de um casal muçulmano do Marrocos. A esposa relatou que o marido forçava-a repetitivamente a ter relações sexuais com base, citando-o, "isso está de acordo com a nossa religião. Você é a minha esposa, eu posso fazer o que eu quiser com você". Resumindo, o marido muçulmano reivindicou a sansão da Sharia por ter violentado a sua esposa.

O juiz concordou com ele: "O tribunal acredita que ele estava agindo conforme sua crença, significando que, como marido, seu desejo de ter relações sexuais, se e quando desejasse, é algo consistente com seus costumes e não proibido". Com base nisso, em junho de 2009, o juiz julgou que não ficou provado que houve agressão sexual.

A corte de apelação revisou o julgamento em julho de 2010, tendo como base "que a conduta do marido em forçar a relação sexual sem consentimento era de conhecimento inquestionável, sem levar em consideração seu ponto de vista, que sua religião permitia que ele agisse do modo que agiu". 

Na análise mais adstringente de Newt Gingrich, o juiz do primeiro julgamento "relutou em impor a lei americana em alguém que estava claramente abusando de outrem".

Por outro lado se avulta o exemplo alarmante da Grã-Bretanha, onde duas dentre as personalidades mais proeminentes do país, o arcebispo de Canterbury e o Presidente do STJ, endossaram uma função para a Sharia ao lado do direito comum britânico, onde uma rede de tribunais com base na Sharia já opera.

Nem discriminatório, nem supérfluo. Leis que proíbem a Sharia são essenciais para defender a ordem constitucional do que Barack Obama chamou de "odiosas ideologias do Islã radical". O American Public Policy Alliance engendrou uma legislação modelo que as legislaturas de Oklahoma e de 47 outros estados deverão aprovar.

Publicado no site da National Review Online em 16 de Novembro de 2010.
Mídia sem Máscara:   http://www.midiasemmascara.org/artigos/internacional/estados-unidos/11611-cidadaos-de-oklahoma-dizem-nao-a-sharia.html (19/11/2010)

Breve comentário:

Não há qualquer problema em uma pessoa viver conforme dita a sua religião, seja ela o catolicismo, o protestantismo, o islamismo. Afinal, todas religiões têm um corpo de regras para seus fiéis, para guiarem sua conduta perante Deus. Mas, quando a visão multiculturalista facilita a dissolução das leis de um país, ou fere os direitos constitucionais, deve ser combatida rigorosamente.

O Brasil tem adeptos de muitas religiões, inclusive islâmicos. Não seria tolerável, contudo , que, em nome da Sharia, pretendessem ser julgados por um código paralelo, de modo diferente que todos os outros brasileiros.

A Constituição do Brasil defende, por exemplo, a integridade física das pessoas. Como um pai poderia querer mandar executar a infibulação (castração feminina) em alguma filha alegando preceitos religiosos? Poderia até tentar, ou executar, mas isso seria considerado um crime, e o sujeito estaria ferindo o Código Penal. O corpo do outro não está ao seu dispor, não é sua propriedade. 

Da mesma forma o marido não pode, baseado em leis religiosas, violentar ou estuprar sua própria esposa. As leis, no Ocidente, de modo geral, garantem a igualdade de direitos e preservam a integridade do corpo, uma herança do cristianismo. 

Sobre a importância do Cristianismo na formação do Ocidente sugiro a leitura de René Girard, autor de O Bode Expiatório (onde trata do assunto) e outros livros muito importantes e de agradável leitura. 

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

JODI BIEBER VENCE WORLD PRESS PHOTO 2010. Foto foi capa da Time

BIBI AISHA
A fotógrafa sul-africana Jodi Bieber venceu o World Press Photo 2010 com a imagem de Bibi Aisha, garota de 18 anos de idade, do Afeganistão, de quem o marido cortou as orelhas e o nariz como punição por uma suposta insubordinação. O Afeganistão é um daqueles países vistos com simpatia pelos idiotas do multiculturalismo ou do politicamente correto que vivem 
nas confortáveis democracias ocidentais, com nostalgia do mundo naturalista de Rousseau. 
JODI BIEBER