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terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

ARITMÉTICA PÓS ELEITORAL. Ou, os números aceitam tudo. A verdade não

Imperdível este texto de Reinaldo Azevedo sobre como tudo muda de sentido no Brasil, antes e depois das eleições.



Por Reinaldo Azevedo 
http://veja.abril.com.br/blog/reinaldo/
22/02/2011
 às 6:17

Dilma, o dividendo, o divisor e o quociente do estelionato eleitoral

Dilma prometeu entregar 3,288 quadras esportivas em escolas neste ano. No dia 1º de janeiro, isso significava 9,01 por dia. Como não se fez nenhuma, agora, já são 10,5. Também garantiu construir 1.695 creches só em 2011 — 5 mil até 2014. São 5,42 creches a cada um dos 313 dias que faltam para encerrar o ano. Também neste ano, asseverou que seriam feitos 723 postos de policiamento comunitário —2,31 por dia agora. Unidades Básicas de Saúde seriam 2.174 neste ano: 6,95 por dia a partir de hoje. E, claro, há as UPAs, aquelas capadas pela metade: agora há 313 dias para entregar 125 unidades: 0,4 por dia.
Ao fim desta terça, Dilma terá deixado de entregar:
- 10,5 quadras;
- 5,42 creches;
- 2,31 postos policiais;
- 6,95 Unidades Básicas de Saúde;
- 0,4 UPA
Amanhã, a média diária aumenta. É uma fatalidade da matemática: o divisor (número de dias) vai encolhendo, o dividendo (a promessa) é constante, vai aumentando o quociente — no caso, o quociente de estelionato eleitoral.
Ah, sim: a presidente tem 1408 dias até o fim de 2014 para entregar 2,8 milhões de casas — 800 mil que sobraram do primeiro mandato mais 2 milhões deste: hoje, são 1.988,63 casas por dia. Assim, logo mais à meia-noite, 1.988 casas também terão deixado de ser entregues. Amanhã, o quociente será maior, já que o divisor e dividendo etc, etc, etc.

sábado, 12 de fevereiro de 2011

NÃO PODE HAVER SURPRESA COM OS CORTES NOS GASTOS FEDERAIS. ESSE FOI O CUSTO DA ELEIÇÃO DE DILMA ROUSSEFF.

Não há motivo para surpresa.
Ao menos por parte da imprensa especializada em cobertura econômica e política não há motivo para surpresas com os cortes que terão que ser feitos nos gastos do governo federal.
O governo Lula gastou muito mais do que podia, visando eleger Dilma Rousseff.

Dilma Rousseff foi ministra toda poderosa do governo anterior, certamente sabia até onde o elástico seria esticado, e a que custo. A eleição foi o resultado de um cálculo. O problema é que entre o cálculo e a eleição, há a vida de todos nós.
O futuro do Brasil foi transformado em um brinquedo para fins político-partidários. 

Entre 2006 e 2010, as despesas do governo federal aumentaram R$ 221 bilhões, o que evidencia a guinada na política fiscal acentuada nos dois últimos anos de mandato, quando a crise global ofereceu ao governo uma justificativa para ampliar os gastos. (O Globo).
O aumento da carga tributária, combinado com o crescimento do PIB ( Produto Interno Bruto) e a redução do superávit primário deram ao governo Lula um poder enorme para gastar.

Somente a oposição, com aquela tranquilidade patética e bovina, de sempre, fingiu não perceber que algo errado estava acontecendo. E a imprensa especializada em política e economia.

O capítulo relativo à crítica à imprensa ainda deverá ser muito aprofundado, pois a infiltração das redações pela militância petista ou, ao menos, pelos bocós progressistas, criou uma barreira protetora aos desmandos do governo federal, ao absurdo dos gastos sem fundo que comprometerão a estabilidade da moeda, o rendimento da economia, o endividamento público, os recursos para aplicação em problemas que aguardam solução urgente.

O Brasil, de 2011 adiante, ficou muito mais à mercê do destino, dos bons ventos da economia internacional e, claramente, da sorte. A despeito do que diz o senhor Mantega.