![]() |
| http://www.sponholz.arq.br/html/index_charge_21.html |
Pesquisar este blog
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
O ESTRANHO MUNDO POLITICAMENTE CORRRETO. Os homossexuais lutaram para “sair do armário”, agora querem ser “invisíveis”. Mas querem criticar o comportamento alheio e limitar a liberdade de expressão.
discriminação | s. f.
discriminação
(latim discriminatio, -onis, separação)
s. f.
1. Acto ou efeito de discriminar (ex.: o exercício envolve discriminação visual). = DISTINÇÃO
2. Acto de colocar algo ou alguém de parte.
3. Tratamento desigual ou injusto dado a uma pessoa ou grupo, com base em preconceitos de alguma ordem, nomeadamente sexual, religioso, étnico, etc.
segregação | s. f.
derivação fem. sing. de segregar
segregação
s. f.
Acto ou efeito de segregar.
segregar - Conjugar
v. tr. e pron.
1. Separar ou separar-se de um todo. = APARTAR, DESMEMBRAR
2. Pôr ou pôr-se de parte. = SEPARAR
v. tr.
3. Lançar para fora (líquido ou secreção). = EXCRETAR, EXPELIR, SECRETAR
Dicionário Priberam:
Os estudos sobre como a Cultura é formada indicam que devemos observar certas coincidências ao longo do tempo. Tais coincidências poderiam ser chamadas de Inconsciente Coletivo por Carl Gustav Jung, mas penso que um inconsciente coletivo externo às pessoas é uma idéia um pouco estranha, com suas raízes na metafísica.
Li um texto sobre o pensamento de um autor checo, Ivan Bystrina, em que a Cultura, independente do local onde surja, resulta do exercício de Imaginação do Ser Humano para superar suas angústias existenciais. Como o ser humano é estrutural ou fisiologicamente semelhante em qualquer lugar, a forma de reagir ao meio é muito parecida.
Assim, os raios, os trovões, a noite, o sol, os terremotos, os tsunamis, os sonhos, o sono, os estados alterados de consciência, fenômenos e fatos que hoje os denominamos com tais nomes, no início das culturas não tinham nomes e nem se sabia o que eram.
Já Augusto Comte, quase 150 anos antes de Bystrina, na primeira metade do Século XIX, indicava que as culturas, nascidas sempre do contato do homem com o meio, não tinham como explicar os fatos ao modo moderno, com uma abordagem científica.
Assim, as primeiras explicações seriam hipóteses fantasiosas sobre a “vontade” das coisas (mas não menos verdadeiras para aqueles grupos). As primeiras explicações devem ter sido, sempre, de caráter animista. Isso (o vulcão) está bravo e vomita fogo. Aquilo (a árvore) está agitada e se balança. De fato deveria tratar-se de uma árvore ao vento. Mas quem poderia explicar o vento?
A compreensão do mundo vai se dando, então, e também, pela observação dos fatos externos, com a correspondente criação de nomes. Para Bystrina, as culturas sempre começam a ser articular por meio de polarizações, eixos norteadores, que orientam as pessoas, de onde acabam saindo os valores. Os valores seriam pressões sobre um dos pólos, gerando uma assimetria.
Por exemplo: vida X morte. Vivemos a vida, o que nos chama a atenção é morte, que passa constituir, então, um valor negativo e mais atrativo que a vida no processo de geração de hipóteses explicativas. Isso explicaria as inúmeras abordagens sobre a morte, ao longo dos tempos, nas diversas culturas. Como entender a morte, como conviver com ela, como superá-la.
Certos comportamentos humanos podem ser comparados aos de outros seres vivos.
Ação X descanso; vigília X sono; ataque X fuga. A noite, escura, amedronta; daí a associação entre falta de luz e perigo. O que não conhecemos pode ser perigoso.
Daí vem a discriminação. Originalmente saber distinguir algo e manter separado ou à distância poderia ser a chave entre a vida e a morte. Para que não houvesse dúvidas, os grupos iniciais, certamente, deveriam ter sinais identificadores, para não haver confusão. Este é o povo dos crocodilos (marcas no corpo); aqueles são os filhos do Sol; aqueles outros o povo Tigre.
Quem não faz parte do grupo é discriminado. Separado. Pode oferecer perigo. Separar é, também, segregar (palavra latina originada de carneiro. Carneiros precisam ser separados, controlados).
Provavelmente, das ações da vida pratica surgiram outras mais complexas, de caráter simbólico, associando sinais concretos a marcas especiais (o que significa um albino em algumas culturas africanas? O que significam gêmeos em algumas culturas?).
Tais mecanismos podem atingir alta complexidade e o autor René Girard, profundo estudioso do surgimento de mitos dedica longo tempo à pesquisa que visa compreender, por exemplo, o surgimento e o significado do Bode Expiatório, aquele que tem sinais diferenciados e que deve ser culpado de alguma ruim que acontece para certo povo, cidade ou cultura.
Isto exposto, compreendemos que segregar e discriminar nem sempre tiveram o caráter odioso e criminoso de hoje em dia. Evidentemente, com o conhecimento atual certos comportamentos baseados em algumas explicações tradicionais não são cabíveis.
Entretanto, isso nos faz compreender que certas práticas do campo do chamado Politicamente Correto e Multiculturalista não têm sentido. Dizer apenas que um cego é deficiente visual, como se isso fosse mais respeitoso ou apropriado que dizer “cego” não explica muito, e mostra, apenas, que há grupos que brigam com o significado das palavras, quando deveriam estar preocupados com outras coisas relativas aos cegos.
Para uma pessoa comum um cego é quem não vê nada. Quem vê com um olho é caolho. Quem não enxerga bem pode ser chamado, hoje em dia de míope, por exemplo, ou ser dito que tem a “vista cansada” (idoso). Dizer que uma pessoa é deficiente visual não diz muito, pois vários quadros se encaixam nisso. Todo cego é deficiente visual, mas nem todo deficiente visual é cego.
Por er uma expressão vaga não ajuda muito a quem se quer ajudar. E não resolve o problema do cego, concretamente. Tais operações de escamoteamento indicam, apenas, que está em curso um trabalho de tentar reconstruir a realidade, sonho de todos os totalitários.
Isso me lembra um texto que li de Olavo de Carvalho em que ele criticava os que, escudados nas políticas sociais, não dão esmolas aos pobres pedintes que não sendo nem atendidos pelo Estado, e nem pelos outros indivíduos, afundam cada vez mais.
Esta época foi esvaziada de qualquer compaixão pelo próximo. Mas o discurso politicamente corrreto fala cada vez mais no “outro”. Mas é um próximo abstrato, sistêmico, um “outro” invisível, mera conversa de propaganda.
Discriminar e segregar, portanto, são palavras que expressam praticas ancestrais e que permanecem. Obviamente, hoje em dia, conforme a aplicação, podem constituir praticas criminosas. Contudo, o ser humano agrega e discrimina, não no sentido criminal, mas no cultural, numa perspectiva antropológica. Uma torcida organizada não se mistura com a outra; uma tribo urbana se diferencia de outra.
A aceitação dessa evidência não implica justificar crimes de discriminação ou racismo, por exemplo. Mas, por outro lado, a existência da tipificação de crimes de discriminação ou racismo não implica em eliminar a liberdade de expressão. Assim, uma coisa é um ato criminoso de discriminação, outra a expressão de um pensamento sobre um comportamento de alguém.
Não se pode dizer que alguém seja inferior, enquanto ser humano, por ser desta ou daquela raça (como querem alguns) ou etnia. Contudo o cidadão tem o direito de estranhar certos comportamentos destes ou daqueles grupos. Isso é expressão de pensamento. Crime é discriminar ou segregar.
Vemos que os totalitários, na sua tentativa de reconstruir a Realidade ou recriar o Ser Humano, começam por implicar com as palavras. Um das que está em moda é “homofobia”.
O que significa, de fato? Fobia designa doença. Aplicando a palavra a qualquer expressão ou comportamento das pessoas que criticam atos ou atitudes homossexuais, e tentando fazer isso virar lei, os ativistas querem impedir a liberdade de expressão. Se alguém respeita o cidadão homossexual, enquanto cidadão, mas critica algo de seu comportamento, isso por acaso é crime? Ou doença?
Se qualquer critica for taxada de doença e deveria ser “tratada”? Isso levaria aos campos de concentração russos para tratamento de “doentes mentais”. A “doença” era criticar o comunismo. Se homofobia é “doença”, por que tratar como crime? As duas alternativas são idiotas.
Quem critica um comportamento não é doente e nem criminoso, apenas expressa um pensamento. Não sendo um pensamento que se encaixe na definição de discriminação racial ou religiosa, ou injúria, ou calúnia ou difamação ( que são crimes), por que não poderia ser expresso? Aliás, até o pensamento criminoso pode ser expresso, mas aí o
Sujeito autor arcará com as consequências.
Então pelo fato de alguns grupos poderem sacrificar animais em seus rituais religiosos alguém não pode expressar pena pelos animais sacrificados? Alguém não pode ponderar que sacrificar animais para a alimentação é tão ruim como sacrificar para um culto? E alguém não poderia dizer que sacrificar animais para alimentação humana é melhor que alimentar deuses?
E alguém não poderia, como os que defendem que não se matem animais, dizer que ambos estão equivocados? Os que matam animais por razões de culto tem um direito que garante isso; assim como os que matam animais para a alimentação. Todavia, o direito de matar animais não está associado a um direito que proíba a terceiros o exercício da crítica, ou da análise. É isso que faz uma sociedade democrática.
Vejamos. Digo: muitas grã-finas são bastante afetadas. Todo mundo concordará e achará que quem disse está certo. Se alguém disser: certos homossexuais são afetados será logo taxado de homofóbico. Isso é de uma idiotice extrema. Certos homossexuais são mesmo afetados em seu comportamento, como certas grã-finas pernósticas. Isso é uma constatação. Constatar algo da realidade não é crime.
Assinalar que algumas grã-finas são pernósticas é preconceito ou grãfinofobia? Tenham a santa paciência! Grã-finas do Mundo, uni-vos!
E os ativistas dos movimentos ligados ao homossexuais não se cansam de dizer que cristãos são homofóbicos, ou conservadores, ou retrógrados, ou qualquer um que criticar seus valores. Valores e comportamentos são inquestionáveis agora? Então quem criticar certos comportamentos cristãos ou atitudes cristãs é cristianofóbico? Será crime criticar um cristão?
Não é crime ser cristão, assim como não é crime ser homossexual. Mas não é crime expressar o pensamento, desde que não se configure crime já previsto em lei. Isso é muito diferente do que tentar criar um crime, como se faz com a aplicação abusiva do rotulo “homofobia” ou “homofóbico”, quando se tenta cassar a palavra de quem pensa diferente. É curioso, os homossexuais, como se diz, lutaram ao longo do tempo com tanto empenho para “sair do armário”, e agora querem ser “invisíveis”.
Antes não podiam existir, socialmente, por diversas razões. Agora não querem que os outros digam que eles existem; apesar de fazerem todo o barulho possível para mostrarem que existem. Há algo mais barulhento que as marchas e passeatas gays?
domingo, 2 de outubro de 2011
PRECISAMOS DE UMA REVOLUÇÃO. Para acabar com o esquerdismo do pensamento único socialista e totalitário.
Um dos blogs com textos mais objetivos, concisos, cortantes e informados que acompanho com alto interesse é o Neuromante, português, de Rui Mig. Sou leitor do blog e aprecio as suas críticas e análises sobre o desastre que se verifica na Europa após a invasão multiculturalista, relativista, politicamente correta e socialista.
A civilização de base cristã ocidental está fortemente doente e ameaçada, sendo que o cotidiano está tomado por expressões e palavras que já não significam o que deveriam significar. Estamos no tempo da Novilíngua orweliana. E a doença se espalhou pelo mundo, pois os americanos não conseguem mais apreciar aquilo que era fundamental em sua cultural, o valor do self made man . Quer seu próprio dinheiro?, perguntava o pai ao filho, e completava: "Vá vender limonada na porta de casa". E assim se construiu a America.
Hoje uma criança vendendo limonada é levada embora pelo Conselho Titelar e o pai processado.
Hoje uma criança vendendo limonada é levada embora pelo Conselho Titelar e o pai processado.
A hegemonia de esquerda tornou o mundo em um absurdo sem pé e nem cabeça. E aqueles que deveriam perceber o que está acontecendo se acovardam ou aproveitam os últimos raios de sol. A escuridão se aproxima.
E, essa escuridão, paradoxalmente, é trazida pelos iluministas da esquerda dominados pela ilusão de que a Realidade Física e a Natureza Humana podem ser "dominadas" e "reconstruídas" pela ciência. Não à toa o Século XX foi o Século dos piores desastres sociais conduzidos pela lanterna sem foco da ciência e dos reconstrutores totalitários da Realidade.
E, essa escuridão, paradoxalmente, é trazida pelos iluministas da esquerda dominados pela ilusão de que a Realidade Física e a Natureza Humana podem ser "dominadas" e "reconstruídas" pela ciência. Não à toa o Século XX foi o Século dos piores desastres sociais conduzidos pela lanterna sem foco da ciência e dos reconstrutores totalitários da Realidade.
O texto a seguir é importante e merece ser lido com atenção, além de indicar o quanto de tempo já foi perdido pelos que se importam com a real liberdade e com o indivíduo.
Aproveitem:
A Meritocracia
POR RUI MIG
A Meritocracia é uma galdéria esquerdista que serve também a luxúria conformista do centro-direita. O termo foi cunhado pelo sociólogo Michael Young em 1958 numa fantasia satírica que representava a Inglaterra no ano de 2032.
Cá em Portugal e na “União”, não temos unicamente uma classe tecnocrata governante, mas também uma monocultura governante. A sua “verdade”, os seus “factos” e a sua “ciência” permeia não só os governos e Bruxelas, mas também a cultura, os media, as instituições, a Justiça, as escolas, nas quais educamos os nossos filhos, a linguagem do discurso público, enfim, o ar social que respiramos. Este é o problema. Esta é a origem das camadas sobre camadas de mentira em que chafurdamos colectivamente no dia-a-dia.
Se os jornalistas são de esquerda, se os jornais são de esquerda, se as pop stars são de esquerda, se os professores são de esquerda, se a própria linguagem é de esquerda ao ponto das palavras serem cooptadas como sedativos liberais inócuos, se a nossa ortografia foi tragicamente desfigurada por 2 ou 3 apparatchic universitários, se as legislaturas do centro-direita nem se atrevem a ser distintas das legislaturas socialistas, é porque vivemos num mundo regulado e controlado por Conformistocratas. Os conformistocratas pensam-se a eles mesmo como meritocratas.
O conceito de Meritocracia foi difundido ad nauseum por Tony Blair e foi rapidamente adoptado nos programas políticos socialistas e pela comunicação social em todo o Ocidente. Descrevia um sistema experimental de cultivo e clonagem de talentos competitivos, que deveria começar nas escolas primárias e acabar com a morte dos pacientes.
As nossas novas elites “meritocráticas” possuem sensibilidades mais requintadas do que a velha aristocracia. São as cigarras de luxo tão bem descritas por Oriana Fallaci. São os que odeiam os self made men, são aqueles que, como Obama, prometem acabar com a subida dos oceanos, como o Príncipe de Gales que afirma a pés juntos que só temos 9 meses para salvar o planeta Terra, ou como Durão Barroso, que durante o discurso da “União” inventou os BRICEU.
A União Europeia não é capaz de resolver o problema das dívidas soberanas, ou até mesmo de limpar a neve das ruas lá do Norte, depois de uma forte nevasca, mas mudar o clima de todo o planeta para um qualquer estado edénico, acha-se capaz, desde que nos taxe a todos com o imposto europeu de marca Jobin, inventado pela extrema-esquerda, sobre as mais-valias e… nos regule ainda mais.
Os liberais, aqui no sentido político do termo (esquerdistas), existem num mundo metafórico, portanto é extremamente difícil para eles agir a partir dos seus floreados retóricos. Mas nada impediu que o novo revolucionário radical, o senhor Mário Soares, afirmasse há uns dias que:
“Precisamos de uma revolução agora a sério” Pois precisamos, digo eu. E a revolução será acabar de vez com os esquerdismos do pensamento único socialista e totalitário..
“A nova elite “meritocrática” beneficiária do nepotismo”, escrevia Michael Young antes de morrer, “pode ser insuportavelmente presunçosa, muito mais do que aquela gente que sabe ter conseguido triunfar, não pelo seu mérito, mas porque são genuinamente triunfadores."
O culto da (pseudo) meritocracia absolve governantes e dirigentes da culpa. Eles assumem, não como os aristocratas do antigamente o faziam, que estão destinados a governar, mas governam porque merecem governar. O que é "maravilhosamente libertador".
Actualmente, eles crêem que têm a moral do seu lado. Um grande governo é mais reformista, mais intrusivo, e mais alto proclama (lembrem-se do Sócrates) a sua pureza moral e a sua virtude. Assim, conforme Peter Borkowitz coloca a coisa, o conceito ostensivamente imparcial de justiça social (ou estado social) é agora, nem mais nem menos, o nome que os progressistas dão aos seus próprios objectivos políticos. É a política como forma de narcisismo (lembram-se do Sócrates?)
“Espelho meu espelho meu, quem é mais justo que eu?
Em nome da justiça social, governantes, dirigentes e sindicalistas, garantem privilégios a determinados grupos sociais (nomeadamente a imigrantes e minorias) sobre outros grupos sociais que são portanto tratados injustamente.
Qualquer contestação da ”prática política da justiça social” transforma-se rapidamente num ataque aquele que ousou colocá-la em causa. Se a contestas é porque estás do lado da injustiça. Assim nos controlam os corformistocratas.
Os produtores de conformismo social, os conformistocratas, defendem todos a diversidade e os direitos. Possuem todos eles as mesmas opiniões, os mesmos gostos, o mesmo vocabulário. A palavra “direitos” já não significa ”liberdades individuais” que restringem a intromissão do estado nas nossas vidas, mas pelo contrário, significa que o poder do estado restringe-nos na nossa vida.
A iniciativa empresarial é altamente restringida por impostos para alimentar a indústria da "justiça social". As escolas privadas quase não existem. Todos os alunos deste país têm que estudar programas escolares que são puros manifestos de propaganda política furtivos. Todos os jornais são emissores das mesmas opiniões, dos mesmos conceitos do mesmo conformismo...
Sunday, October 2, 2011
TEXTO REPRODUZIDO DO BLOG NEUROMANTE, DE RUI MIG:
sexta-feira, 30 de setembro de 2011
O SONHO DOS TOTALITÁRIOS É A PAZ E A ORDEM DOS CEMITÉRIOS. Ali ninguém contesta nem se opõe ou critica; nem usa a liberdade de expressão publicitária.
![]() |
| http://www.zchor.org/bialystok/old.jpg |
Editorial - Folha de São Paulo
editoriais@uol.com.br
O impulso da proibição
Do fumo a obras literárias cuja linguagem é considerada inapropriada, da publicidade nas ruas a comerciais na mídia, varre o país uma onda de tentativas de proibição, muitas bem-sucedidas. Eis um fenômeno à procura de pesquisadores que não estejam, eles próprios, amarrados em demasia ao cânone "politicamente correto".
O alvo agora é um anúncio de TV em que uma modelo conta ao marido notícias ruins, como a batida do carro. Fala as mesmas frases ora vestida sem nenhum apelo -o jeito "errado"-, ora em trajes íntimos sumários -o jeito "certo".
A Secretaria de Políticas para as Mulheres, uma das 38 pastas chefiadas por ministros no governo federal, não gostou. Diz que o comercial reforça o "estereótipo da mulher como objeto sexual de seu marido e ignora avanços alcançados para desconstruir práticas e pensamentos sexistas".
Até aí, tudo certo. De uma secretaria com tal propósito se espera mesmo que reclame contra tudo o que julgar discriminatório para as mulheres. Pode-se, evidentemente, discordar do diagnóstico, como o fazem os responsáveis pela propaganda da marca de lingerie, dizendo que a peça publicitária faz na verdade a sátira de um "comportamento negativo".
A pergunta intrigante é por que esse tipo de discussão no Brasil cada vez mais extrapola a esfera do debate civil -em que poderia, inclusive, prejudicar a imagem e as vendas de anunciantes que abusassem da sensibilidade do público- e se encaminha para tentativas, a cargo do Estado, de calar a mensagem considerada imprópria.
A secretaria federal pediu ao Conar, o órgão responsável pela autorregulação da publicidade no país, que retire do ar o comercial. A argumentação da pasta é insólita a ponto de defender que um anúncio privado não pode "ignorar" os tais "avanços alcançados".
Nem se mencione a latitude de interpretações possíveis e conflitantes acerca da adequação de uma mensagem publicitária específica como essa. A despeito disso, manifestações privadas têm assegurado o direito de criticar e de satirizar, inclusive, as conquistas e as bandeiras tradicionais do feminismo.
Numa sociedade democrática, o caráter inapropriado de expressões intelectuais, artísticas ou publicitárias -bem como as consequências para a imagem dos responsáveis por sua veiculação- só pode ser estabelecido no debate público. Exceções, como a proteção da infância, deveriam ser raríssimas. Do contrário, o Estado passaria a tutelar a opinião das pessoas.
texto reproduzido de:
VOCÊ É UM HOMEM OU UM RATO COMPRADO PELO ESTADO? Como o pensamento politicamente correto e o esquerdismo transformam os seres humanos em idiotas.
Os sem-iPad
Luiz Felipe Pondé (para Folha de S. Paulo)
22 de agosto de 2011
Você sabia que agora existe em Londres o movimento dos sem-iPad? Coitadinhos deles. Quebram tudo porque a malvada sociedade do consumo os obriga a desejar iPads... No passado todo mundo era "obrigado" a desejar cavalos, tecidos de seda, especiarias, facas, tambores, ouro, mulheres...
Como ficam as pessoas que desejam, não têm, mas nem por isso saqueiam lojas, mas sim trabalham duro? Seriam estes uns idiotas por saberem que nem tudo que queremos podemos ter e que a vida sempre foi dura?
Esta questão é moral. Dizer que não é moral é não saber o que é moral, ou apenas oportunismo... moral. Resistir ao desejo é um problema de caráter. Um dos pecados do pensamento público hoje é não reconhecer o conceito de caráter.
Logo existirão os "sem-Ferrari", os "sem-Blackberry", os "sem-Prada" também? Que tal um "bolsa Blackberry"? Devemos criar um imposto para os "sem-Blackberry"?
Na Inglaterra, dizem, existem famílias que nunca trabalharam vivendo graças ao governo há gerações. É, tem gente que ainda não aprendeu que não existe almoço de graça.
Mas esse fenômeno de querer desculpar todo mundo da responsabilidade moral do que faz não é invenção de quem hoje justifica a violência em Londres clamando por justiça social na distribuição de iPads.
É conhecida a passagem na qual o "homem do subsolo" no livro "Memórias do Subsolo", de Dostoiévski, abre suas confissões dizendo que é um homem amargo. Em seguida, alude à teoria comum de que ele assim o seria por sofrer do fígado. Logo, a culpa por ele ser amargo seria do fígado. Ele recusa tal desculpa para sua personalidade insuportável e prefere assumir que é mesmo um homem mau. Eis um homem de caráter, coisa rara hoje em dia.
Agora, todo mundo gosta de "algum fígado" (a sociedade de consumo, o patriarcalismo, a Apple) que justifique suas misérias morais. O profeta russo percebeu que as ciências preparavam uma série de teorias que tirariam a responsabilidade do homem pelos seus atos.
A moda pegou nos jantares inteligentes e hoje temos vários tipos de "teorias do fígado" para justificar nossas misérias morais.
Uma delas é a teoria de que somos construídos socialmente.
Dito de outra forma: O "sujeito é um constructo social". Logo, quebro loja em Londres porque fui "construído" para enlouquecer se não tenho um iPad. Tadinho... Tem gente por aí que tem verdadeiro orgasmo com essa bobagem.
Não resta dúvida de que há algo verdadeiro na ideia de que somos influenciados pelo meio em que vivemos.
Por exemplo, se você nasce numa favela, isso não vai passar "desapercebido" nos seus modos à mesa, no seu comportamento cotidiano e nas suas expectativas e possibilidades na vida.
Mas aí dizer que "o sujeito é um constructo social" é pura picaretagem intelectual. Ninguém consegue ou conseguirá provar isso nunca, mas quem precisa de "provas" quando o que está em jogo são as ciências humanas, que de "ciência" não têm nada.
Esse blábláblá não só exime o sujeito da responsabilidade moral, como abre a porta para todo tipo de "experimento" psicossocial, político ou justificativa moral, que, na realidade, serve pra qualquer um inventar todo tipo de conversa fiada em ciências humanas "práticas".
Por que tanta gente adora essa teoria? Suponho que, antes de tudo, o alivie de ser você e coloque a "culpa" de você ser você no pai, na mãe, na escola, na vizinha, na sociedade, no consumo, na igreja, no patriarcalismo, no machismo, na cama de casal, no iPad, no diabo a quatro. Menos em você.
Temos aí uma prova de que grande parte das ciências humanas não reconhece o conceito de caráter.
Moral é exatamente você resistir a impulsos que outras pessoas, sem caráter, não resistem. Já leu Aristóteles? Kant?
A "culpa" do que hoje acontece em Londres não é do consumo. Homens sempre quebram coisas de vez em quando e querem coisas sem esforço. As causas podem variar. Hoje em dia, seguramente, uma delas é que muita gente está acostumada a um Estado de bem estar social que os trata como bebês.
A preguiça, sim, é um traço universal do ser humano.
O sentido da vida se arranca das pedras e não dos céus.
Artigos de Luiz Felipe Pondé.
Assinar:
Postagens (Atom)




