BAÚ DE TEXTOS
Relendo arquivos de textos importantes, deparei-me com este do professor Olavo de Carvalho, de junho de 2007. Cinco anos.
Suas palavras expressam a mais absoluta verdade a respeito do Brasil e da Venezuela. Nós seguimos com os ditos movimentos sociais, trabalhistas e estudantis atrelados ao poder, agarrados às tetas oficiais, na mais completa subserviência; sem qualquer sinal de uma oposição vigorosa e combativa, que ponha os pingos nos is e chame as coisas pelo nome que têm.
Vemos leis serem desrespeitadas sem medo, a luta entre os poderes, a ausência de força moral de instituições que, antes, nos tempos da ditadura, ainda protestavam contra abusos. Temos um país entregue à corrupção mais desbragada, como num campeonato em que, a cada dia, surge um escândalo pior que o anterior. Como construir um país sério e sólido sobre uma base de lama?
Hugo Chávez driblou de todas as formas as leis venezuelanas e a constituição, tornando-se um ditador, mas a população não esmorece. Ele silencia a imprensa pelo medo e pelas prisões arbitrárias, persegue juízes, mas os venezuelanos parecem não desistir tão fácil. A economia está em frangalhos, mas a oposição cresce neste ano eleitoral em que o governo faz de tudo para tumultuar o processo.
Recentemente vimos dezenas de milhares de pessoas nas ruas, por Capriles, contra Chávez, e pela Venezuela. Sem temor. Há possibilidade de que a oposição vença as eleições. Apesar do jogo bruto desenvolvido pelo governo bolivariano.
Só resta concordar com o professor Olavo de Carvalho: a Venezuela vive, o Brasil agoniza.
Gutenberg J.
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| CENTENAS DE MILHARES NAS RUAS DE CARACAS, PELA DEMOCRACIA. MANIFESTAÇÃO PELA CANDIDATURA DE HENRIQUE CAPRILES, EM JUNHO DE 2012 |
A Venezuela vive. E o Brasil agoniza
Olavo de Carvalho
Não sei por que as pessoas se preocupam tanto com a Venezuela. A situação no Brasil é incomparavelmente pior. Vejam a força do protesto estudantil nas ruas de Caracas e perguntem se algo de parecido é possível no Brasil, onde o PT e as demais organizações de esquerda têm o monopólio total das manifestações de rua há pelo menos três décadas. Ouçam o discurso vibrantemente anticomunista de um Alejandro Peña Esclusa e me digam se alguém, na “direita” brasileira, tem garra para desobedecer a censura ideológica que estigmatiza como “retorno à guerra fria” toda tentativa de denunciar a guerra quente, o retorno sangrento da revolução comunista ao continente latino-americano. Vejam a organização, a disciplina solidária do empresariado venezuelano na defesa da liberdade, e comparem com o nosso panorama de subserviência geral, canina, abjeta.
A Venezuela dolorida está viva. O Brasil anestesiado está moribundo.
Chávez representa o aspecto mais superficial, vistoso e grotesco da revolução continental. O cálculo astucioso, preciso, de longo prazo, é a parte da esquerda brasileira, que criou o Foro de São Paulo e maneja com habilidade extraordinária a orquestração do conjunto.
Hugo Chávez está prestando à direita um serviço tão valioso quanto George W. Bush presta à esquerda. O primeiro põe à mostra a verdadeira natureza da revolução continental, o segundo ajuda o Foro de São Paulo a camuflar sua estratégia geral sob a hipocrisia sorridente de Luís Inácio Lula da Silva.
O único resultado da política de Bush na América Latina será tornar o esquerdismo maquiavélico do PT mais palatável em comparação com o espantalho chavista. Quando a esquerda perder a Venezuela, terá ganho o continente inteiro, sob os aplausos de Washington. Chávez é o mais gordo e persuasivo boi de piranha que a esquerda mundial já ofereceu a seus crédulos adversários.
Diário do Comércio, 04 de junho 2007
TEXTO REPRODUZIDO DO SITE DO PROF. OLAVO DE CARVALHO.
