Onze dias de mandato. A maioria deles de silêncio. A presidente parece que não gosta de ocupar, cotidianamente, o centro do noticiário falando e dando palpites sobre tudo, como o seu loquaz antecessor.
Mas essa é uma característica de Dilma Roussef ou conselho de marqueteiros e assessores?
Temos lido, desde o início do ano, uma seqüência de pequenos escândalos, verdadeiros acintes contra o povo, apesar das desculpas esfarrapadas dos responsáveis pelo poder que querem taxar a imprensa de exagerada e irresponsável.
O que Dilma pensa sobre a concessão de passaportes diplomáticos aos filhos de Lula? E a imprensa mostra esta semana que muitos políticos também obtiveram a mesma regalia para familiares, pessoas distantes dos interesses diplomáticos do Pais, inclusive do PT.
O que Dilma pensa sobre a família Lula passar férias em um hotel militar, com despesas pagas pelo povo, quando o Exército não tem dinheiro para alimentar seus soldados?
O que Dilma pensa sobre a questão de Cesare Battisti, o bandido italiano condenado à prisão perpétua pela Justiça da Itália por quatro assassinatos brutais quando fazia parte do PAC, um grupo terrorista italiano?
O que Dilma tem a dizer aos cristãos, e aos católicos, pela retirada do crucifixo e da Bíblia de sua sala de despachos? Os assessores apressados disseram que eram de Lula.
O que Dilma pensa sobre o atentado cometido por um maluco a uma deputada do Partido Democrático americano? Lula não perderia a chance.
O que Dilma pensa sobre o ataque dos narcotraficantes das Farc a um posto policial, na Colombia, que resultou em nove mortes? Lula teria o que dizer. O mundo não deixaria de ouvir as sábias palavras.
Parece que sua assessoria de Imprensa definiu que é melhor que ela se mantenha em silêncio, passando a impressão, não de que ela não esteja atenta aos fatos do Universo, como o seu antecessor, o reconstrutor do Brasil, mas a de que a presidente tem coisas mais importantes a fazer do que prestar contas ou dar puxões de orelhas em seus subordinados como se fossem os simples “aloprados” dos tempos de Lula.
Afinal, o que são simples passaportes diplomáticos;
O que é uma semaninha em um hotel do Exército para a família submarina;
O que tem de mais em proteger um terrorista assassino, condenado pela Justiça de um regime democrático?
O que é um crucifixo a mais ou a menos em um Estado laico, como se diz, não é mesmo?
As eleições já passaram, e 2014 ainda está muito longe...
Dilma, a presidente, deve ter coisas muito mais importantes a resolver.
