Pesquisar este blog

Mostrando postagens com marcador SKY SURF.AKY SURFING. JULIO TEDESCO. SPORTV. PARAQUEDISMO. BYSTRINA.. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SKY SURF.AKY SURFING. JULIO TEDESCO. SPORTV. PARAQUEDISMO. BYSTRINA.. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 6 de dezembro de 2011

O DIA EM QUE A MORTE LEVOU JULIO TEDESCO. O paraquedista era especialista em sky-surfing

Fico profundamente impressionado quando alguém morre em um acidente como o que levou o paraquedista Julio Tedesco. Não pela falta de perícia dele, pois ela tinha muita experiência no tipo de salto que estava fazendo, mas pela sua falta de sorte, apesar de todo o conhecimento e os cuidados que os paraquedistas são obrigados a tomar para um salto dessa natureza.

Nunca me esqueço dos ensinamentos de um teórico tcheco chamado Ivan Bystrina que associa o desenvolvimento da cultura humana a algumas raízes fundamentais. As raízes, segundo o autor, são aquelas forças primárias que impulsionam a imaginação humana e que fazem com que construamos hipóteses explicativas para os fenômenos do mundo.

O ser humano é fascinado por história que tratam da Morte. A Morte é um constante desafio, pois envolve a sorte e o azar. O aleatório, o inesperado, é o que dá força aos fatos. Infelizmente, nem sempre os fatos são  bons para os envolvidos.

Ninguém quer que alguém se acidente, em nenhum esporte. Mas toda a perícia e competência dos esportistas, dos jogadores, é um constante desafio ao destino, à sorte, ao azar e à morte. Assim temos acidentes inesperados na Formula 1, nas corridas de motos, nas lutas, nos jogos de futebol, nos esportes aéreos.

E os seres humanos fazem coisas incríveis em busca de emoção e adrenalina. Não há a menor necessidade de que alguém salte de um avião a mais de 1500 metros de altura para surfar no ar, em uma prancha, ou de que alguém salte no vazio, deixando para abrir o paraquedas a poucas dezenas de metros do chão. Isso faz o ser humano, isso é absolutamente humano.

Mas é isso que fazemos. Buscamos sentido para a vida, emoção, adrenalina, superar o próprio limite uma vez mais. Ainda me lembro com imensa clareza das vezes em que, fazendo o curso de pilotagem, em um aeroclube do interior de São Paulo, o meu instrutor levava o velho Pipper Continental ao máximo possível na vertical para estolar e entrarmos em parafuso, ou quando fazíamos o looping. 


Quem acredita que o avião poderá ter uma pane, ou que poderá perder o controle sobre a máquina? Quando isso acontece, geralmente a Morte vem nos buscar. Ela está sempre ao nosso lado, mas ninguém gosta de pensar nisso.

Julio Tedesco já havia dado mais de 1200 saltos, tinha imensa experiência, mas foi o dia em que Fortuna marcou seu nome na roda da Sorte e o entregou para a Morte. não havia como escapar.  Descanse em paz.


Informações extraídas de O DIA:

O corpo do paraquedista Julio Tedesco, 54 anos, foi sepultado nesta segunda-feira, às 15h, no Cemitério Jardim da Saudade, em Sulacap, na Zona Oeste. Ele morreu domingo, durante uma manobra no ar para garantir as melhores imagens para o programa ‘Zona de Impacto’, do canal pago SporTV. 

O profissional não conseguiu abrir o paraquedas e morreu. Ele caiu na praia da Barra da Tijuca. Bombeiros do Grupamento Marítimo (Gmar) resgataram-no no mar já sem vida. Júlio  era dentista e praticava esportes radicais com regularidade.

Ele tinha registrados mais de 1.200 saltos. Os números fizeram dele um dos grandes nomes do Sky Surf (modalidade em que o paraquedista salta com uma prancha nos pés e surfa no ar) no país e um esportista radical conhecido no mundo inteiro.

Júlio saltou acompanhado do cinegrafista e paraquedista Alexandre Dória. Após o salto, executou diversas manobras no ar, deu piruetas e de repente não conseguiu mais voltar a ficar de pé.

Testemunhas contaram aos bombeiros que ele ainda tentou se livrar da prancha de Sky Surf ao notar o problema, mas foi impedido pela força do vento: ele entrou em uma espiral, formando uma hélice com a prancha, a uma velocidade de 200 km/h. O esportista caiu no mar, na altura do Quebra-Mar.

Ainda durante a queda livre, ele tentou acionar o paraquedas reserva, item obrigatório de acordo com as normas para a prática do esporte, mas que também não abriu. Júlio Tedesco deixa esposa e um filho de 15 anos.

Leia mais em O Dia:
http://odia.ig.com.br/portal/rio/html/2011/12/corpo_de_paraquedista_morto_na_barra_sera_sepultado_nesta_segunda_feira_210426.html